sábado, 14 de março de 2026

SOBRE O PROJETO DA CATEDRAL METÁLICA DE NATAL

 

        Em 1967 Dom Nivaldo Monte, então Arcebispo Metropolitano de Natal, resolveu retomar a construção da nova catedral de Natal, desta vez com um projeto mais moderno, simples funcional, inspirado nas inovações pastorais e litúrgicas do Concilio Vaticano II, as quais preconizavam ambientes litúrgicos mais simples e funcionais visando um maior acolhimento e participação de fiéis nos atos litúrgicos.

         Foi assim que Dom Nivaldo Monte acatou a ideia de a nova Catedral Metropolitana de Natal ser em estilo moderno e funcional, inspirada na arquitetura das grandes construções como ginásios esportivos e fábricas existentes na capital potiguar.

         Dessa forma, os alunos da Escola de Engenharia (UFRN?) elaboraram um projeto para a nova catedral de Natal em estrutura metálica, inspirada no Palácio de Esportes da Praça Pedro Velho, no centro de Natal.

         A seguir uma análise do referido projeto:

O esqueleto metálico e a "pele" da Catedral

Ao utilizar o metal, o projeto deixaria de ser uma estrutura de massa para se tornar um sistema de nervuras e membranas.

Vãos e Esbeltez: O metal permitiria que essas grandes parábolas fossem muito mais finas do que seriam em concreto. As curvas que vemos não seriam "cascas" maciças, mas uma malha de treliças espaciais ou grandes arcos de aço revestidos.

Transparência: Uma estrutura metálica facilitaria a integração dos vitrais, que deixam de ser simples "janelas" e passariam a ser o fechamento quase total da estrutura, criando uma "lanterna" urbana.

Estética "High-Tech" pioneira

No Brasil dos anos 1960, o uso de aço para grandes obras civis era menos comum que o concreto armado devido ao custo e à disponibilidade.

Assim, a Arquidiocese de Natal estaria na vanguarda ao propor uma catedral metálica em Natal que naquele momento indicaria um desejo de modernidade absoluta, inspirada em pavilhões ou na arquitetura de grandes galpões de ginásios esportivos (Palácio dos Esportes ) ou fábricas (Guararapes), mas, com uma roupagem sagrada.

O Campanário como torre de transmissão não seria apenas um adorno, mas uma extensão lógica do sistema construtivo do corpo principal: uma treliça metálica esguia e funcional.

Dinâmica de Montagem

Diferente das formas complexas de madeira exigidas pelo concreto curvo, o metal sugereria pré-fabricação. As peças seriam produzidas e apenas montadas no canteiro de obras, o que daria à construção um caráter de "objeto de precisão" pousado sobre as dunas.

Isso explica a repetição rítmica das laterais, elas seriam pórticos metálicos sequenciais que sustentam o coroamento da nave.

Segundo a concepção do projeto dos alunos da Escola de Engenharia a estrutura dividida em três níveis de altura diferentes simbolizaria o movimento das dunas, uma característica ambiental singular da capital potiguar que é ser circundada por dunas.

 Reflexos e cromatismo

Sendo a estrutura da catedral em metal, a interação com a luz e a maresia de Natal exigiria tratamentos específicos, como a coloração  para o exterior que poderia ser uma pintura protetora (como o branco ou o cinza alumínio) ou mesmo um revestimento metálico que refletiria o sol forte da região, criando um brilho que o concreto não teria.Essa escolha pelo metal reforçaria o caráter experimental desse projeto de 1967.

Projeto para a nova catedra de Natal em estrutura metálica


Para efeito comparativo, caso a catedral fosse construida em concreto.

Projeto dos alunos da Escola de Engenharia (UFRN?) apresentado em 1967 a Arquidiocese.Fonte: Diário de Natal, 16/01/1968, p.1.

Criticas e rejeição ao projeto

O projeto foi aprovado com entusiasmo pelo arcebispo de Natal, que acreditava ser um projeto de fácil execução, mais barato que uma construção em alvenaria ou concreto e de menos tempo de construção, o que acalmaria a impaciência da população natalense e sobretudo dos católicos, devido a demora em se construir da nova catedral de Natal, cuja história remontava ao ano de 1920.

Porém, a opinião pública, os arquitetos e engenheiros e a imprensa teceram inúmeras críticas ao projeto, dentre as quais dizendo que se tratava de um projeto antiestético e antirreligioso.

Alegava-se ainda que por ser em estrutura metálica a catedral seria provisória e não definitiva como deveria ser.

A Arquidiocese, por sua vez, entendia a manifestação popular por entender que a catedral seria uma obra de toda a cidade do Natal, mas acreditava no projeto por ser de fácil execução, ademais o Concilio Vaticano II preconizava a simplicidade em ambientes litúrgicos, ideia já em voga em algumas igrejas pelo Brasil.

O projeto, no entanto, foi rejeitado e surgiriam outros projetos entre 1968 e 1972, sendo aprovado naquele ano o projeto do arquiteto Marconi Grevy para a nova Catedral Metropolitana de Natal, a qual seria construída entre 1973 e 1988.


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