segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O GINÁSIO DE TAIPU: A POLITICAGEM QUE RETARDOU A SUA CRIAÇÃO

 

         Entre o final da década de 1960 e inicio da década de 1970,  o deputado estadual Magnus Kelly, filho de Taipu, empreendeu uma campanha em seus dois mandatos na Assembleia Legislativa pela criação de um ginásio em Taipu para oferecer o ensino de segundo grau aos jovens da cidade.

         Entretanto, como se verá a seguir a criação desse ginásio viria a ser um pomo de discórdia entre vereadores, a prefeitura de Taipu e o referido deputado estadual, que como sempre acontece, a politicagem mesquinha em Taipu, é sempre o fator que retarda seu desenvolvimento.É fato.

No expediente da Assembleia Legislativa de 14/06/1975 o deputado Vivaldo Costa se solidarizou com o deputado Magnus Kelly apoiado pelo deputado Dary Dantas para a criação de um ginásio em Taipu.[1]

         Em 23/08/1975 o deputado Magnus Kelly afirmou que não poderia deixar de elogiar o comportamento e a ação do governador Tarcisio Maia, mostrando-se sensível a reivindicação que não era apenas sua, nem do seu partido, mas de toda a população do municipio de Taipu.

         Fez o apelo a Arena para que o projeto de criação do Ginásio de Taipu pelo prefeito tivesse o apoio unanime da Câmara Municipal, sem nenhuma conotação partidária e beneficio de Taipu, para que já a partir de 1976 os jovens da cidade pudessem estudar no curso ginasial sem a necessidade de buscar esta modalidade de ensino noutras cidades, com enormes sacrifícios.[2]

         Em 26/11/1975 o deputado Magnus Kelly denuncio na tribuna da Assembleia Legislativa que os 7 vereadores da Câmara Municipal de Taipu se recusavam a aprovar a mensagem do prefeito criando um ginásio municipal que funcionaria já no ano de 1976 com o apoio do governo do Estado, através da Secretaria de Educação.

         Segundo o deputado o comportamento dos vereadores de Taipu era motivado pelo fato da mensagem de criação do estabelecimento de ensino ter se constituído numa sugestão de sua autoria, e, portanto, tal atitude classificava como mesquinha, pois para a solução de problemas educacionais deveria se esquecida as cores partidárias.[3]

         Ao fazer a denúncia, o deputado Mgnus Kelly disse que em favor da cidade de Taipu preferia renunciar a paternidade da luta que há anos vinha empreendendo no sentido de dotar Taipu de um ginásio.

         Sugeriu, na oportunidade, que o mérito do seu trabalho fosse transferido para os deputados Dary Dantas e Márcio Marinho, da Arena, do mesmo partido dos vereadores de Taipu que não queriam aprovar o projeto da criação do ginásio.

         Em aparte, o deputado Márcio Marinho disse que nem ele nem o seu companheiro de bancada aceitariam aquele preço.Aceitariam sim, a sua participação na luta para que a aspiração do povo de Taipu se concretizasse.Ambos apresentaram palavras de solidariedade ao deputado Magnus Kelly se comprometeram a oferecer o apoio a sua luta por considerá-la da maior significação.

         O deputado Magnus Kelly disse ainda que vinha lutando pela criação de um ginásio em Taipu desde seu primeiro mandato, mas que somente no segundo mandato havia conseguido sensibilizar as autoridades.

         O secretário de Educação, o professor João Faustino em atendimento à sua reivindicação se comprometera a oferecer a prefeitura de Taipu todas as condições necessárias para que o estabalecimento de ensino pleiteado viesse a funcionar a partir de 1976.

Acontecia que para tal seria necessário que o prefeito enviasse à Câmara uma mensagem criando o ginásio.

         Mas, como o estabelecimento iria apresentar a vitória para um deputado da oposição, os vereadores preferiram não aprovar a mensagem.

         Diante disso, o deputado Magnus Kelly resolveu lutar no sentido de conseguir recursos visando a construção de um prédio próprio para que Taipu pudesse criar finalmente o seu ginásio, evitando que seus estudantes continuassem se deslocando diariamente para Ceará-Mirim, a fim de frequentar a escola.

                Em 02/04/1976 o deputado estadual Magnus Kelly, do MDB, voltou a comentar o problema da necessidade de um ginásio para a população escolar de Taipu, fazendo referência aos elogios justos que muitos dos membros da bancada arenista vinham fazendo nos últimos dias pela instalação de estabelecimentos de ensino de primeiro e segundo graus em várias cidades do interior do Estado.

Mostrou que isto significava que o governador Tarcisio Maia ouvia o apelo e dava atenção à Assembleia Legislativa, valorizando seus pleitos.

         Havia várias legislaturas que se vinha debatendo pela obtenção de um ginásio para a cidade de Taipu, pois os que queriam ali estudar tinham de deslocar-se todos os dias para Ceará-Mirim, a falta de um estabelecimento que na cidade pudesse ministrar o curso de que necessitavam.

         O deputado lamentou que até aquele momento não se tivesse concretizado a promessa e o esforço do secretário de educação, João Faustino, por conta de trabalho impatriótico de alguns vereadores da Arena de Taipu que não recebiam o apoio das lideranças mais responsáveis pelo partido governista.

         Em aparte o deputado Márcio Marinho, esclareceu que o secretário de Educação, preocupado com as postulações dos jovens que queriam estudar em Taipu prometera que logo voltasse da região Oeste do Estado iria até a cidade de Taipu verificar as necessidades reais da população escolar na procura de uma solução adequada, dando sugestão de que como primeiro passo o prefeito de Taipu tomasse providências de institucionalizar o ginásio, através de uma lei municipal.

A partir daí viriam as outras etapas em consonância com os desejos e a expectativa da comunidade.[4]

Em 17/06/1978 foi destinada pelo deputado Henrique Alves uma subvenção de Cr$ 5.000,00 para a construção do prédio do Ginásio de Taipu.[5]

         Em 23/06/1976 o deputado Magnus Kelly esperava que um dia tivesse êxito o seu esforço que há muito vinha fazendo para dotar a cidade de Taipu de um ginásio, o que não fora conseguido, apesar da ajuda que lhe deram e dava os deputados arenista Dary Dantas e Márcio Marinho, pela compreensão dos vereadores arenistas de Taipu que sabotavam qualquer solução pois com uma ou outra exceção era interessado no sistema de transporte dos alunos de Taipu para Ceará-Mirim, alguns alferindo lucros mensais superiores a seis mil cruzeiros.[6]

         Já em 20/10/1978 o deputado Magnus Kelly, responsável pela implantação do Ginásio de Taipu, falou sobre o assunto quando abordara as implicações que estavam retardando sua inauguração.

         Afirmava o parlamentar que depois de intensa luta pela implantação do Ginásio, problemas políticos regionais estavam dificultando seu funcionamento. Contudo, ele tranquilizava a juventude e dizia que no ano de 1979 seria decisivo para a consolidação do Ginásio.[7]

         No meio dessa intriga política marcada por egos inflamados quem ficavam prejudicados eram os jovens que precisavam estudar.

         A mentalidade mesquinha e tosca dos vereadores de Taipu atrasou assim o inicio de uma nova fase da educação de Taipu que foi a criação do seu Ginásio. A pergunta que se faz é pra que serve então a Câmara de Vereadores de Taipu? Como antes, hoje em dia não serve pra outra coisa a não ser atrasar o desenvolvimento de Taipu.[8]

Independente das bandeiras políticas coube ao deputado Magnus Kelly, atuar em projetos, requerimentos, apelos e contatos na busca de soluções para os problemas do municipio de Taipu na década de 1970.

         Ele foi constante nas reclamações, ao tempo do governador Walfredo Gurgel para conseguir a construção do prédio do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima, localizado no Alto da Bela Vista em Taipu.

         Ele conseguiu a construção e posteriormente a ampliação do prédio na rua Antonio Gomes da Costa, inclusive a quadra de esportes da escola, que era inicialmente mantida pelo Grupo de Escoteiros Dom Bosco.

         Conseguiu verba com os deputados federais do seu partido e sua própria, conseguindo em dois anos construir o prédio destinado ao funcionamento do Ginásio de Taipu, que embora funcionando, não fora inaugurado por divergências políticas. Coisas de Taipu![9]

         O prédio da Escola Professora Clotilde de Moura Lima passou por uma restauração em 1985. Em 1995 foi realizada nova reforma e ampliação no prédio, acrescentando-se novas salas de aulas.

Ao final da década de 1970, Taipu apresentava um sistema educacional mais robusto, mais integrado às políticas estaduais e federais e mais presente no cotidiano da população.

A expansão da obrigatoriedade escolar, a reorganização curricular, a profissionalização docente e os investimentos em alfabetização de adultos transformaram a educação em um dos pilares da vida comunitária.

Nesse período, a escola deixou de ser um espaço restrito de aprendizagem básica e tornou-se instituição estratégica para o desenvolvimento social e cultural do município.

Os anos 1970, assim, configuram um marco de consolidação e modernização da educação taipuense, preparando o terreno para os avanços que se intensificariam nas décadas seguintes e garantindo que a escola ocupasse lugar central na formação das novas gerações.

 

Prédio da Escola Estadual Professora Clotilde de Moura Lima, década de 1970, colorizada por Inteligência Artificial.

Prédio da Escola Estadual Professora Clotilde de Moura Lima, década de 1970.Foto: Biblioteca IBGE.



[1] Diário de Natal, 14/06/1975, p.5.

[2] Diário de Natal, 23/08/1975, p.5.

[3] Op. Cit., 26/11/1975,p.5

[4] Diário de Natal, 02/04/1076, p.3.

[5] O Poti, 17/06/1976, p.9.

[6] Diário de Natal, 23/06/1976, p.2.

[7] Op. Cit, 20/10/1978, p.5.

[8] Essa uma opinião minha, e embora ela e nada sejam a mesma coisa, tenho o direito de expressá-la, doa a quem doer.

[9] O referido deputado ainda subvencionava com verba pessoal a APAMI de Taipu, igualmente por ele reconhecida como de utilidade pública a nível estadual.

domingo, 15 de fevereiro de 2026

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA DO GRUPO ESCOLAR CLOTILDE DE MOURA LIMA (ALTO DA BELA VISTA)

             A seguir alguma imagens restauradas e colorizadas por inteligência artificial que remontam a memória do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima quando este funcionava no prédio construido no Alto da Bela Vista em Taipu.

           O referido Grupo Escolar foi o segundo criado em Taipu, tendo sido inaugurado em 25/01/1969 pelo governador Walfredo Grugel.Inicialmente funcionou no prédio construido no Alto da Bela Vista até 1978 quando foi transferido para o prédio construido na Rua Antonio Gomes da Costa (Rua do Fogo) já como Ginásio, tendo sido este o primeiro Ginásio Estadual de Taipu.

          No prédio do Alto da Bela Vista o estabelecimento de ensino funcionou somente com educação primária (1ª a 4ª série), já no prédio da Rua Antonio Gomes da Costa, oferecia o ensino fundamental completo (1ª a 8ª série).

Solenidade civica no Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima com a presença do prefeito Geraldo Lins, possivelmente o desfile civico de 7 de setembro, década de 1970.

Solenidade civica no Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima com a presença do prefeito Geraldo Lins, possivelmente o desfile civico de 7 de setembro, década de 1970.Imagem colorizada por IA.


Turma da professora Isabel Angélica, possivelmente 1974.Imagem colorizada por IA.

Alunos brincando na área externa do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima, década de 1970.

Alunos na área externa do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima, onde se pode vê que não havia ainda o muro da escola.

Imagem colorizada por IA.

Turma da professora Francisca Avelino, 1974.Imagem colorizada por IA.

       No ano de 1969, quando o Brasil vivia sob as tensões e os silêncios do regime instaurado após 1964, a pequena cidade de Taipu assistiu ao nascimento de uma instituição que mudaria o rumo de gerações: o Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima. Em meio às ruas de barro batido, às casas simples e à cadência lenta do interior potiguar, ergueu-se um prédio que representava mais do que paredes recém-pintadas, simbolizava esperança.

     A década de 1960 foi marcada por transformações profundas no país. Em 1969, sob a presidência de Emílio Garrastazu Médici, a educação básica expandia-se como parte de uma política que buscava integrar regiões afastadas aos projetos nacionais. No interior do Rio Grande do Norte, essa expansão tinha sabor de conquista. Para Taipu, a criação do grupo escolar significava romper ciclos históricos de evasão e analfabetismo.

       O nome da escola — Clotilde de Moura Lima — evocava memória e respeito. Era comum que instituições escolares homenageassem figuras ligadas à educação ou à vida comunitária. Ao carregar esse nome, o grupo escolar inscreveu-se na tradição de reconhecer aqueles que, mesmo antes da formalização do ensino, já plantavam sementes de saber nas salas improvisadas, nas varandas das casas, nas catequeses dominicais.

       O prédio inicial era simples: salas amplas, janelas altas para enfrentar o calor do sertão, carteiras de madeira alinhadas com rigor. No pátio, uma bandeira hasteada todas as manhãs lembrava às crianças que ali se aprendia não apenas a ler e escrever, mas também a pertencer. O som do sino marcava o início das aulas, ecoando pelas redondezas como um chamado à disciplina e ao futuro.

        Para muitas famílias de Taipu, a escola representava a primeira possibilidade concreta de ascensão social. Pais lavradores, comerciantes e servidores públicos viam nos cadernos dos filhos a chance de uma vida menos árdua. As mães acompanhavam as tarefas à luz de lamparinas; os pais orgulhavam-se das primeiras letras escritas com firmeza ainda trêmula.

        Os primeiros professores assumiram uma missão que transcendia o currículo. Ensinavam português e matemática, mas também valores, convivência, respeito. Em tempos de escassez de recursos, improvisavam materiais, adaptavam conteúdos à realidade local, integravam festas cívicas ao calendário letivo. A escola tornou-se espaço de encontros, de apresentações culturais, de celebrações que fortaleciam o tecido social da cidade.

     Com o passar dos anos, o Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima consolidou-se como referência educacional em Taipu. Ex-alunos tornaram-se professores, comerciantes, profissionais liberais, líderes comunitários. Cada trajetória carregava, em algum ponto, a marca daquele prédio inaugurado em 1969.

       Mais do que uma instituição de ensino, o grupo escolar tornou-se símbolo de identidade. Ali se formaram amizades duradouras, despertaram vocações, enfrentaram-se desafios. Em seus corredores, misturavam-se risos infantis e expectativas adultas. O que começou como iniciativa administrativa transformou-se em patrimônio afetivo.

      Assim, a história do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima confunde-se com a própria história de Taipu na segunda metade do século XX. Fundado em um período de incertezas nacionais, floresceu como espaço de construção coletiva. Entre cadernos, quadros-negros e sonhos, a escola provou que mesmo em tempos difíceis é possível semear futuro — e colher dignidade.

A EDUCAÇÃO EM TAIPU NA DÉCADA DE 1960: O GRUPO ESCOLAR CLOTILDE DE MOURA LIMA


A década de 1960 representou um período de transição decisiva para a educação em Taipu, marcada pela ampliação da rede escolar, pela chegada de novos modelos pedagógicos e pela influência direta das reformas educacionais promovidas no país.

A combinação entre investimentos estaduais, crescimento populacional e mudanças estruturais no sistema de ensino brasileiro produziu um cenário de transformações que redefiniu a experiência escolar no município.

No início dos anos 1960, Taipu já possuía uma rede de escolas primárias mais consolidada do que nas décadas anteriores, com prédios próprios na sede e unidades rurais mais estruturadas.

Esse processo foi resultado dos investimentos realizados desde os anos 1950, mas ganhou novo ritmo com o aumento das demandas sociais e com a necessidade de integração das áreas rurais ao desenvolvimento econômico que se projetava para o Rio Grande do Norte.

A construção de salas de aula específicas, a distribuição de mobiliário padronizado e a maior oferta de materiais didáticos refletiam o esforço estatal de modernizar a educação pública.

O magistério local passou por transformações significativas. A presença de professores formados em escolas normais tornou-se predominante, trazendo novas metodologias de ensino e maior controle administrativo sobre o trabalho docente. Os cursos de aperfeiçoamento promovidos pelo governo estadual e por programas federais ampliaram o repertório didático dos docentes, introduzindo práticas de planejamento anual, uso de material audiovisual, exercícios graduados e avaliações padronizadas.

Em Taipu, a figura do professor ganhou ainda mais prestígio, deixando de ser apenas o transmissor de conteúdos básicos para assumir papel de orientador social e agente de modernização.

A fiscalização escolar ganhou nova configuração com a criação de órgãos estaduais mais estruturados e com a ampliação do papel dos inspetores e delegados escolares.

Esses profissionais passaram a orientar não apenas a disciplina e a frequência, mas também o uso de metodologias recomendadas, a organização administrativa das escolas e o cumprimento das normas impostas pela política educacional nacional.

Em Taipu, a presença mais ativa desses agentes contribuiu para profissionalizar o trabalho docente e padronizar procedimentos antes muito variados entre as unidades.

O currículo escolar da década de 1960 refletiu diretamente as mudanças políticas do período, especialmente após o golpe de 1964.

A ênfase na educação moral e cívica foi reforçada, com conteúdos voltados à formação patriótica e ao fortalecimento de valores considerados essenciais para a ordem social.

Em contrapartida, disciplinas como ciências, matemática e estudos sociais passaram por atualização, influenciadas por programas federais de modernização inspirados em modelos internacionais.

Taipu incorporou esses conteúdos de forma gradual, mantendo forte ligação com o cotidiano rural dos alunos, mas introduzindo elementos que conectavam a comunidade local às transformações do país.

A década também foi marcada pela expansão de programas de educação de adultos e de alfabetização, especialmente aqueles inspirados no movimento de educação popular que ganhava força no Brasil anterior ao regime militar.

Em Taipu, iniciativas locais buscavam atender jovens e adultos que não haviam concluído o ensino primário, oferecendo aulas noturnas e programas especiais. Apesar das limitações de infraestrutura e recursos, tais iniciativas ampliaram o alcance da escola e reforçaram seu papel social.

A relação entre escola e comunidade tornou-se mais intensa. Eventos cívicos, atividades culturais, feiras escolares e celebrações de datas comemorativas consolidaram a escola como espaço de referência na vida social taipuense.

 A participação das famílias, por meio de mutirões de reparo, doações de materiais e envolvimento em atividades escolares, fortaleceu o vínculo entre instituição e sociedade.

Em uma comunidade majoritariamente agrícola, a escola desempenhava dupla função: formar as novas gerações e atuar como ponto de encontro e organização comunitária.

A partir de 1968, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB de 1961) já em processo de implementação e sob forte influência do regime militar, observou-se a reorganização do ensino primário e a expansão do ensino ginasial.

 Em Taipu, isso significou maior pressão por ampliação de vagas, necessidade de novos prédios e busca por professores habilitados para níveis mais avançados do ensino. Embora nem todas as demandas fossem plenamente atendidas na década de 1960, elas apontavam para uma nova etapa na trajetória educacional do município.

         A década de 1960 transcorreu quase toda tendo como única escola existente na cidade de Taipu o Grupo Escolar Joaquim Nabuco.

         A criação e construção do Grupo Escolar Professora Clotilde de Moura Lima viria retirar-lhe essa hegemonia já no final daquela década com se verá adiante.

O Grupo Escolar Professora Clotilde de Moura Lima

         O Grupo Escolar Professora Clotilde de Moura Lima foi o segundo estabelecimento de ensino construído na cidade de Taipu, tendo sido seu edifício erguido no Alto da Bela Vista entre 1967 e 1968.

         No programa de inaugurações do governo do Estado, Walfredo Gurgel, marcado para janeiro de 1969 estava a inauguração de um grupo escolar em Taipu.[1]

         O Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima foi inaugurado em 29/01/1969.

         As 16h00 a comitiva governamental se deslocou para Taipu, onde o governador inauguraria um grupo escolar de 3 salas de aulas, construindo pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado, inaugurando também as 17h00 o fórum municipal construído pela prefeitura.[2]

         De acordo com a legenda da foto uma das metas principais do governador Walfredo Gurgel era levar o ensino para todo o interior do Estado.Com as novas salas de aulas construídas, mais alunos poderiam estudar.O Grupo Escolar de Taipu, inaugurado aquele ano de 1969 era uma nova dessa filosofia de ação.[3]

         Na realidade o estabelecimento de ensino deveria ser denominado de Grupo Escolar Nossa Senhora do Livramento, segundo me contou a professora Teresinha Dias, mas por razões que se desconhecem foi-lhe dado o nome da professora Clotilde de Moura Lima que teve uma breve atuação no magistério na década de 1920 no Grupo Escolar Joaquim Nabuco.

O prédio foi construído contendo apenas três salas de aula, pátio, copa, cozinha e dependências admininistrativas.

Em 25/08/1971 foi apresentado um projeto de autoria do deputado estadual Magnus Kelly para melhorias nas condições físicas do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima.

         Também apresentou na mesma data projeto para a criação de um ginásio noturno que funcionaria no prédio do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima.[4]

         Os referidos projetos voltaram a serem defendidos pelo mesmo deputado no dia 04/09/1971 no expediente da Assembleia Legislativa.[5]

O Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima funcionou no prédio situado no Alto da Bela Vista até 1979 quando foi instalado no prédio construído na rua Antonio Gomes da Costa (rua do Fogo), já denominado de Ginásio.

Ao final dos anos 1960, Taipu apresentava um panorama educacional diferente daquele das décadas anteriores: escolas mais estruturadas, docentes mais qualificados, maior integração com políticas estaduais e federais, e uma comunidade mais engajada no processo educacional.

A década representou, assim, um marco de reorganização e expansão, que preparou o município para os desafios e transformações que caracterizariam a educação nas décadas seguintes.

Os anos 1960 consolidaram a identidade escolar taipuense como projeto coletivo, resultado da articulação entre Estado, professores e comunidade.

Foi um período de avanços decisivos, que não apenas ampliou o acesso à educação, mas redefiniu o papel da escola na vida social, cultural e política do município.

Prédio do Grupo Escolar Coltilde de Moura Lima no Alto da Bela Vista em Taipu em 1969, ano de sua inauguração. Posteriormente a referida escola foi transferida para o prédio construido na rua Antonio Gomes da Costa (Rua do Fogo), em 1978.Imagem: Diário de Natal, 1969.

Imagem restaurada por IA.





[1] O Poti,19/01/1969,p.3

[2] Diário de Natal, 29/01/1969, p.8.

[3] Op. Cit., 21/01/1969, p.5.

[4] Diário de Natal, 25/08/1971, p.2.

[5] Op. Cit., 14/09/1971, p.7.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

SOBRE AS TRÊS IGREJAS IRMÃS DO RN

 


         Há no Rio Grande do Norte três igrejas que apresentam semelhanças arquitetônicas, de modo que podem ser consideradas igrejas irmãs, até mesmo porque seus traçados foram feitos pela mesma pessoa.

         Trata-se da igreja matriz de Nossa Senhora Mâe dos Homens, na cidade de João Câmara; a igreja matriz de São Paulo Apostólo, na cidade de São Paulo do Potengi e a igreja matriz de São José, na cidade de São José de Campestre.

         O autor dos projetos das referida igrejas foi o Pe. Pedro Rebouças junto com o bispo dom Marcolino Dantas.

         As igrejas em apreço são um exemplar significativo da arquitetura religiosa do interior do Nordeste brasileiro, apresentando as seguintes características:

1. Estilo e composição

Estilo Eclético: As edificações possuem um estilo eclético, combinando a sobriedade do neoclássico com elementos simplificados do colonial português.

Simetria Rigorosa: As fachadas são organizadas de forma perfeitamente simétrica em torno de um eixo central, uma característica marcante da influência neoclássica que busca ordem e equilíbrio.

2. Elementos arquitetônicos de destaque

     Torres sineiras gêmeas: As duas torres laterais são o elemento mais proeminente. Elas possuem vãos em arcos de volta perfeita para os sinos e são coroadas por cúpulas bulbosas (em formato de domo), encimadas por cruzes.

     Corpo central e frontão: O centro da fachada apresenta um frontão triangular liso. Abaixo dele, destaca-se uma grande janela semicircular (luneta) que garante a iluminação do coro e da nave central.

    Acessos e vãos: O portal principal também segue o padrão de arco semicircular, ladeado por pilastras simplificadas que reforçam a verticalidade das torres.

    Embasamento: A base das igrejas (embasamento) são visivelmente marcadas por um revestimento de pedra ou cor escura, o que confere uma sensação de solidez estrutural à construção.

3. Contexto e Materiais

       Cromatismo: A pintura em tons claros (branco, azul e creme) é típica para destacar os relevos arquitetônicos sob a forte luz solar da região, enquanto as cúpulas em tons amarelados ou dourados servem como pontos focais.

Estas arquiteturas refletem o período de transição e consolidação urbana de muitas cidades brasileiras na primeira metade do século XX, onde a fé se manifestava em construções sólidas, monumentais e de fácil leitura visual.

A igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens (João Câmara)

         A igreja de Nossa Senhora Mãe dos Homens detém a precedência das igrejas aqui apresentadas. Ela foi construída para servir de nova igreja matriz da então cidade de Baixa Verde, atual João Câmara, em substituição a que fora construída ali em 1915.

         O inicio de sua construção deu-se em fevereiro de 1938 e prosseguindo-se entre intervalos de paralisão até ser inaugurada ainda que inacababa em 1948.A conclusão definitiva deu-se em meados da década de 1950 com a conclusão das torres e acabamentos internos.

         Seu traçado foi idealizados pelo então seminarista Pedro Robouças de Moura, sob a supervisão do bispo diocesano, Dom Marcolino Dantas.

Projeto da nova igreja matriz de Baixa Verde, 1942.Fonte: jornal A Ordem,1942.

Projeto da nova igreja matriz de Baixa Verde.Fonte: jornal A Ordem, 1942.Imagem colorizada por inteligência artificial


Projeto da nova igreja matriz de Baixa Verde em 3d.



Nova igreja matriz de Baixa Verde em construção, 1945.

Imagem colorizada por inteligência artificial



Igreja matriz de João Câmara em 1958.Fonte: Enciclopédia dos Municipios Brasileiros, IBGE,1958.

Matriz de João Câmara,1958.Imagem colorizada por inteligência artificial


Igreja matriz de João Câmara.Fonte: Arquidiocese de Natal.


A igreja matriz de São José (São José de Campestre)

         Já como pároco de Nova Cruz, o Pe. Pedro Moura idealizou a nova igreja matriz da cidade de São José de Campestre, da qual fazia parte da paróquia de Nova Cruz.

         A igreja é inegavelmente inspirada na igreja que ele havia projetado em Baixa Verde.

         Sua construção remete a década de 1940 tendo sua conclusão se efetuado em meados da década de 1950.

Igreja Matriz de São José de Campestre.Foto: Enciclopédia dos municipios brasileiros, IBGE,1958.

Imagem colorizada por inteligência artificial.

Imagem colorizada por inteligência artificial


imagem colorizada por inteligencia artificial

imagem colorizada por inteligência artificial

Matriz de São José de Campestre.Foto: Arquidiocese de Natal.


A igreja matriz de São Paulo Apostolo (São Paulo do Potengi)

         A igreja de São Paulo Apóstolo da cidade São Paulo do Potengi também tem sua arquitetura inspirada na igreja de Baixa Verde, tendo como seu idealizador o Pe. Pedro Moura, encomendada pelo seu colega o Mons. Expedito Sobral de Medeiros, para substituir a igreja ali existente que já se demonstrava insuficiente para o crescente aumento populacional da referida cidade.

         Uma característica peculiar dessa igreja é que seu revestimento externo é em azulejos na tonalidade rosa, o que lhe confere ser a única igreja rosa do Rio Grande do Norte.

           A igreja tem sua construção iniciada em fins da década de 1940 e concluída já na década seguinte, posto que na enciclopédia dos municípios brasileiros, de 1958 consta uma foto da referida igreja já concluída.


Igreja matriz de São Paulo do Potengi,1958.Foto: Enciclopédia dos municipios brasileiros,IBGE,1958.


imagem colorizada por inteligência artificial

Igreja matriz de São Paulo do Potengi.Foto: Arqudiocese de Natal.


Três regiões deferente, três igrejas semelhantes

         Localizadas em três regiões distintas do Estado as igrejas irmãs se configuram com um elemento caracterizador dessas regiões.A região do Mato Grande é representada pela igreja matriz de João Câmara, a região agreste tem a igreja matriz de São José de Campestre como representante e a região do Potengi é representada pela igreja matriz de São Paulo do Potengi.