domingo, 12 de julho de 2026

SOBRE A ANTIGA CAPELA DE IGAPÓ

      O belo registro trata-se da histórica Capela de Santa Cruz, localizada no tradicional bairro de Igapó, na Zona Norte de Natal. Fundada originalmente em 11 de julho de 1920, o templo é um patrimônio centenário de extrema relevância para a identidade e expansão da capital potiguar.

Capela de Santa Cruz, Igapó. Data ignorada.

    Abaixo, apresento uma análise detalhada dos aspectos arquitetônicos, históricos e sociais evidentes na imagem:

Arquitetura e estrutura do templo

      A capela exibe traços de um estilo eclético simples com forte influência colonial, típico das igrejas do início do século XX no interior e periferias urbanas do Nordeste.

    O frontão é escalofriado desenhando uma silhueta em degraus (escalonada), que emoldura a torre e dá imponência ao edifício principal.

          A torre central é integrada ao corpo da capela. A capela de Santa Cruz tem uma torre sineira única e centralizada, posicionada diretamente acima do portal principal. Ela conta com um arco pleno para o sino e uma cúpula facetada semicircular (estilo bulboso) encimada por uma pequena cruz.

     Três portas com arcos na fachada (uma principal central e duas laterais menores) garantiam o fluxo dos fiéis. O corpo do templo segue uma nave única e comprida, visível pela lateral com suas janelas verticais.

O entorno e a paisagem urbana

    À direita da igreja, destaca-se um imponente cruzeiro de pedra (ou concreto) sobre uma base escalonada. Esse elemento é um marco de fundação territorial e de devoção católica, muito comum no nascimento das comunidades urbanas.

      O entorno exibe a simplicidade da antiga Natal da primeira metade do século XX. Casas baixas com telhado de argila e uma vegetação marcada por coqueiros balançados pelo vento, remetendo à proximidade com as margens do Rio Potengi.

Aspecto social e humano

       O elemento mais rico da fotografia é o grupo de moradores (adultos e muitas crianças) posicionado solenemente à frente da porta principal. Esse tipo de registro costumava ser feito em ocasiões festivas, como o dia da inauguração, festas de padroeiros ou após as missas dominicais, provando que a capela sempre foi o ponto focal de convergência social e cultural do bairro de Igapó.

Nota histórica

    Nas décadas seguintes, essa região passou por profundas modificações urbanas, e a própria capela sofreu reformas estruturais significativas ao longo do século XX para acompanhar o crescimento da Zona Norte. Atualmente, a praça em frente ao templo homenageia o memorável Padre Tiago Theisen, figura central no desenvolvimento social daquela comunidade.

Colorização por Inteligência Artificial.



sexta-feira, 10 de julho de 2026

SOBRE AS ESCOLAS RADIOFÔNICAS DE TAIPU

        Em 11/03/1958 o jornal Tribuna do Norte noticiou que seriam inataladas inicialmente 10 Escolas Radiofônicas em Taipu.

    Havia o interesse por parte da Emissora de Educação Rural (Rádio Rural de Natal) na instalação das referidas escolas radiofônicas em Taipu.

    De acordo com o referido jornal: "Prosseguindo na série de visitas aos municípios, esteve terça-feira, em Taipú, um representante da Emissora de Educação Rural Ltda. Como nos demais lugares, anteriormente percorridos, o interesse de Taipú pela emissora, também é grande.(Tribuna do Norte, 11/03/1958, p.5).

    Rádio especializada para o campo, vem de encontro aos anseios do nosso sertanejo, apresentando uma programação educativa, ao lado de muita música, noticiário, novena, palestras, etc. Em maio estará no ar, podendo desta data em diante qualquer receptor captar a Emissora de Educação Rural, na frequência de 1.80 kcs."

Em Taipu

      Durante a permanência do representante da rádio rural em Taipu foi realizado terça-feira, às 20 horas, no Centro Social local, uma reunião para explanação sobre a Emissora e o objetivo das Escolas Radiofônicas, compareceram autoridades e o povo em geral.

    Na quarta-feira foram visitadas as localidades de Contador, Poço Branco e Gameleira, povoados onde funcionarão Escolas Radiofônicas.

Localização das Escolas

    Dado ao interesse local e aos entendimentos mantidos seriam instalados no município de Taipu, logo após o início de funcionamento da Emissora de Educação Rural, Escolas Radiofônicas em Poço Branco, Gameleira, Cajueiro, Boa Vista, Contador, Barreto, Maracajaú e na sede do município.

    Havia possibilidades de colocação de escolas radiofônicas, brevemente, em Juazeiro, Serra Pelada e Duas Passagens.

    Este recorte jornalístico documenta um projeto educacional significativo para a região de Taipu.

     O projeto visava atender aos "anseios do nosso sertanejo" através de uma rádio especializada que oferecia programação educativa, noticiários, palestras e música.

    A iniciativa previa a instalação inicial de 10 escolas radiofônicas, cobrindo diversas localidades do município, como Poço Branco, Gameleira, Cajueiro, Boa Vista, Contador, Barreto, Maracajaú, a sede do município, com possibilidades de expansão para Juazeiro, Serra Pelada e Duas Passagens.

     A realização de uma reunião no Centro Social local, com a presença de autoridades e da população em geral, evidencia o esforço coletivo para a implementação desse sistema de ensino radiofônico em Taipu.

        As Escolas Radiofônicas de Taipu funcionaram até meados da décadad e 1970.

 

SOBRE A MATERNIDADE DE TAIPU

    Segundo o jornal Tribuna do Norte pela Associação de Proteção à Maternidade de Taipu vinha funcionando a Maternidade de Taipu, que foi inaugurada a 12 de maio de 1957, no dia das Mães.(Tribuna do Norte, 03/01/1958, p.5).

    Em 03/01/1958 o mesmo jornal registrou que "A frente da Maternidade de Taipú vamos encontrar o pe. Luiz Lucena, vigário local, e o sr. Severino Guedes, presidente do Centro Social. Ambos oferecem a melhor de sua colaboração em prol daquele estabelecimento.(Op.Cit).

    Todavia, convém ressaltar que o autor da iniciativa de uma Maternidade para Taipu, foi do Pe. José Luiz da Silva, antigo vigário local.

    Por outro lado, o prefeito Tamires Miranda vinha colaborando incansavelmente com a Maternidade com 8 mil cruzeiros, para cobrir parte das despesas.

    Na esfera estadual, a atuação do Secretário de Estado da Saúde tinha sido das melhores, colaborando na medida do possível, com a Maternidade de Taipu.

    “Com poucos recursos financeiros, técnicos e materiais, vem atendendo às necessidades da Região. Tem apenas 3 leitos e boas instalações e um enfermeiro, atendem satisfatoriamente os clientes”.(op.Cit).

    Estes registros destacam o esforço comunitário e político para estabelecer serviços de saúde básicos em Taipu.

     A Maternidade de Taipu foi inaugurada em 12 de maio de 1957, no dia das Mães, sendo uma iniciativa inicialmente proposta pelo antigo vigário local, o padre José Luiz da Silva.

     O funcionamento da instituição contava com o apoio de lideranças locais, como o vigário Luiz Lucena e o presidente do Centro Social, Severino Guedes, além do suporte financeiro do prefeito Tamires Miranda e da colaboração da Secretaria de Estado da Saúde.

Prédio onde funcionou inicialmente a meternidade APAMI de Taipu

     O relato descreve uma estrutura modesta ("poucos recursos financeiros, técnicos e materiais", "apenas 3 leitos"), mas enfatiza o impacto positivo no atendimento às necessidades da região.

        A maternidade APAMI de Taipu foi uma grande obra social da paróquia de Taipu que funcionou até o ano de 2024 quando foi extinta.O prédio da maternidade estava situado a rua Cel. Manoel Eugênio, centro de taipu.

Prédio da matenridade APAMI de Taipu a rua Cel. Manoel Eugênio,1983.


APAMI de Taipu, 2002


APAMI de Taipu, 2004

Ruinas do prédio da maternidade APAMI de Taipu, 2011.






SOBRE A CRIAÇÃO DA PARÓQUIA DE CERRO-CORÁ

      Por decreto Diocesano assinado pelo Bispo Diocesano de Caicó, D. José Adelino Dantas, foi criada a Paróquia de Cerro Corá 28 abril de 1957.

     Em 01/05/1957 o jornal Tribuna do Nort ergistrou que o Bispo Diocesano de Caicó assinou decreto criando a Paróquia de Cerro Corá, que até então pertencia à paróquia de Currais Novos.


Igreja matriz de Cerro-Corá

       A criação da nova paróquia se revestiu de caráter festivo, tendo sido realizadas, dia 28 de abril, solenidades na sede do município, onde seria, igualmente, instalada a sede da paróquia.

    A sessão solene, na matriz de Cerro-Corá, foi presidida pelo Bispo Diocesano, D. José Adelino Dantas, e secretariada pelo Vereador Major Severino Bezerra de Andrade.

    Estiveram presentes altas autoridades, inclusive o Prefeito municipal, industrial Sérvulo Pereira de Araújo, toda a Câmara Municipal, o Monsenhor Paulo Herôncio, Vigário de Currais Novos, o Padre Osório Galvão, o Capuchinho Frei Geraldo, Major Rubens Pereira, o deputado Wilson Pereira e representações religiosas das Capelas de Sítio de Dentro, Lagoa Nova e Recanto, que passaram a pertencer à nova Paróquia de Cerro Corá.

    O Decreto Diocesano foi assinado nessa solenidade pelo Bispo D. José Adelino e lido aos presentes pelo Monsenhor Paulo Herôncio.

    Usaram da palavra na ocasião, o Bispo da Diocese, o Prefeito Sérvulo Pereira, o representante de Lagoa Nova, Sr. José Luis Victor e o Monsenhor Paulo Herôncio. (Tribuna do Norte, 01/05/1957,p.4).

    Este recorte jornalístico documenta um marco administrativo e religioso importante para a região Seridó, assim como para a cidade de Cerro-Corá.

     A criação da Paróquia de Cerro-Corá representou a autonomia em relação à Paróquia de Currais Novos, à qual pertencia anteriormente.

     Com a nova estruturação, as comunidades (capelas) de Sítio de Dentro, Lagoa Nova e Recanto passaram a integrar a nova paróquia.

     A solenidade, descrita com "caráter festivo", contou com a presença de diversas figuras de autoridade, demonstrando a relevância do evento para o município na época, unindo esferas civis (Prefeito, Câmara, Deputado) e eclesiásticas (Bispo, Monsenhor, Padre, Frei).

SOBRE A FESTA DO INVERNO EM TAIPU EM 1957

    Em 01/05/1957 o jornal Tribuna do Norte registrou que haveria a Festa do Inverno, promovida pela JAC (Juventude Agrária Católica) de Taipu.

    Segundo o referido jornal: "Festa inédita participará o povo de Taipú nos dias 9 a 12 de maio. Estará assim reunida naquele município toda a comunidade local para comemorar e agradecer a Deus as Riquezas das Chuvas”.(Tribuna do Norte, 01/05/1957, p.4).

    Assim sendo, era a primeira vez que se realizaria aquela festa e provalvmente em beneficio das obras da igreja matriz que se estavam realizando naquele ano.

Significado cultural

    A  "Festa do Inverno" em Taipu, era um evento que celebrava a gratidão pelas chuvas. Em regiões onde a agricultura e a vida cotidiana dependem fortemente do ciclo de precipitações, essa celebração reflete uma profunda conexão entre fé religiosa e o calendário natural.

O protagonismo da JAC

    O evento era promovido pela JAC (Juventude Agrária Católica). A JAC teve um papel fundamental no Brasil, especialmente entre as décadas de 1950 e 1960, na formação de jovens rurais, incentivando a conscientização social e o desenvolvimento comunitário através da ótica cristã.

Caráter inédito

      Ao descrever a celebração como uma "Festa inédita", o registro jornalístico sublinha o aspecto inovador da iniciativa para a época, marcando uma ocasião especial de união para toda a "comunidade local".

O programa

    Estava assim organizado o programa da Festa:

Dia 9 — Quinta-feira — Mocidade. A chuva molha a terra, tornando-a fecunda.

     Ás  6h30 hs — Missa Recitada;

     Ás  10h15 horas — Círculos de Estudo no Centro Social;

    Ás  17h00 horas — Bênção dos campos;

    Ás 19h00 horas — Pregação — A graça cai sobre a mocidade tornando-a feliz

     — Bênção — Cinema.

Dia 10 — Sexta-feira — Páscoa das crianças

    Caiu a chuva do Céu.

    Ás 6h30 horas — Missa com cânticos.

    Ás 10h15 horas — Reunião para crianças.

    Ás  17h00 horas — Bênção nos campos contra lagartas

    Ás 19h00 horas — Pregação — Louvai o menino, ao Senhor

     — Bênção — Cinema.

Dia 11 — Sábado:

    Ás  7h00 horas — Missa explicada.

    Ás 10h00 horas — Programa na Amplificadora Paroquial.

    Ás 17h00 horas — Bênção dos rebanhos.

    Ás 19h00 horas — Pregação — Trabalhar na terra, por amor de Deus, também é rezar.

      — Bênção — Cinema.

Dia 12 — 3º domingo de Páscoa — Dia das Mães — Páscoa das mães 

    A terra molhada dá à planta a seiva que robustece o fruto.

     Ás  6h30 horas — Missa (Páscoa das mães).

    A Eucaristia dá à mãe a graça que robustece os filhos.

    Ás  9h00 horas — Missa solene (cantada) em Ação de Graças pelo inverno deste ano.

    Ás  16h00 horas — No Centro Social — preleção para os agricultores.

    A planta para ser frondosa é preciso aparar os galhos que lhe roubam a seiva. A mãe é como a planta.

    Confissão para os homens — Sorteio de campinadeiras, enxadas, carroça e outros materiais agrícolas.

    Ás 19h00 horas — Procissão luminosa de Nossa Senhora de Fátima na véspera de sua aparição.

    Missa da páscoa dos agricultores, coroando a "Festa do Inverno".

    Este programa reforçava a forte ligação entre o cotidiano rural, a fé religiosa e a natureza:

Simbologia agrária e religiosa

     O programa utilizava a metáfora da chuva como uma bênção divina ("A chuva molha a terra, tornando-a fecunda" e "Caiu a chuva do Céu").

Proteção das colheitas

     Um aspecto interessante é a menção à "Bênção nos campos contra lagartas", que demonstra como a religiosidade era integrada às preocupações práticas da agricultura local, buscando proteção espiritual para as plantações contra pragas.

Atividades da época

    A programação incluía elementos comuns de eventos paroquiais daquele período, como a celebração de missas, momentos de formação (Círculos de Estudo, reuniões para crianças) e o entretenimento noturno com "Cinema".

    A programação do sábado reforçava a natureza rural da festividade, incluindo a "Bênção dos rebanhos" e a pregação que une trabalho e fé: "Trabalhar na terra, por amor de Deus, também é rezar".

Tecnologia e comunicação

    A menção ao "Programa na Amplificadora Paroquial" ilustra o uso de sistemas de som locais — muito comuns na época em cidades pequenas — para levar informações e mensagens religiosas a toda a comunidade.

    O final da programação conclui com um forte tom educativo e prático:

Apoio à produção

     O "Sorteio de campinadeiras, enxadas, carroça e outros materiais agrícolas" demonstra que a festa tinha uma função concreta de auxílio ao desenvolvimento técnico da lavoura local.

Conexão espiritual e prática

      A "preleção para os agricultores" e a "Missa da páscoa dos agricultores" consolidam a proposta do evento de integrar a vida religiosa com o trabalho e o sustento da terra.

Encerramento

    A procissão luminosa de Nossa Senhora de Fátima, realizada na véspera de sua aparição, fecha o ciclo de celebrações com um elemento importante da devoção mariana no Brasil.

     Este é mais um episódio para fortalecer a memória local assim como da paróquia de Taipu.