Certamente alguém que tenha passado pela Av. Alexandrino de Alencar ao se deparar com a capelinha situada na atual Academia da Policia Militar deve ter se perguntado qual a origem daquele templo católico.A curiosidadade do dileto leitor está satisfeita a seguir.
Foi durante a realização da Páscoa da Policia Militar do Estado em 30/05/1959, com solenidade, realizada na Matriz de Santa Terezinha, no Tirol, oficiada pelo Bispo Auxiliar de Natal, Dom Eugênio de Araújo Sales, que foi dada a bênção e o lançamento da Pedra Fundamental da Capela da Policia Militar, dedicada a Cristo Rei.
Depois do café, o Cel. José Reinaldo convidou a todos os presentes para a importante cerimônia religiosa. No local pré-determinado, onde já se erguia uma cruz, teve lugar a bênção litúrgica da Primeira Pedra e do terreno onde seria construída a Capela.
Inicialmente Dom Eugênio explicou o iniciativa de seu Comando, expressando seu entusiasmo e sua esperança de já celebrar no próximo ano, na nova Capela, a Páscoa Coletiva da Corporação.
Falou depois o Capelão da Polícia, Pe. Manoel Barbosa, sobre a Campanha que iria ser encetada para a construção da Capela, tendo à frente o Comandante da Corporação, contando com o apoio e a colaboração do Governador do Estado, de todas as autoridades militares, civis e eclesiásticas, amigos da Polícia, de todas as instituições com as quais a Polícia Militar colaborava incessantemente, de senhoras e senhoritas que formariam uma grande comissão de madrinhas da Capela, e contando principalmente com generoso apoio e a contribuição dos Oficiais e Praças da Polícia.
Oportunamente a imprensa e o rádio seriam convidados para uma recepção no Quartel da Polícia Militar, afim de se inteirarem dos pormenores da grande Campanha em prol da Capela de Cristo Rei.
Houve um encontro em 23/07/1959, ás 10 horas, entre a imprensa e o comandante da Policia Militar do Estado, o coronel José Reinaldo Cavalcanti,onde na oportunidade, o comandante da Polícia Militar fez uma exposição sobre a construção da capela daquela corporação militar.
A construção da capela de Cristo Rei do Comando da Policia Militar do Rio Grande do Norte se estendeu entre os anos de 1959 e 1961 quando se deu sua inauguração.
A bênção da Capela de Cristo Rei
Devendo ocorrer no dia 25/01/1961, a inauguração da Capela Cristo Rei, da Polícia Militar, o Comando, impossibilitado de fazer um convite individual, dada a premência de tempo em nota publicada no jornal Tribuna do Norte, “tem a grata satisfação de convidar para a referida solenidade religiosa, as autoridades civis, eclesiásticas e militares, tanto da Capital como do interior, bem como os padrinhos e madrinhas da Capela e todos os que, de uma ou de outra forma, colaboraram para a realização desta iniciativa”.
Como se sabia, ainda de acordo com a referida nota, a Capela foi construída graças a colaboração da própria Polícia Militar e de numerosas pessoas amigas que revelaram assim seu alto sentido de compreensão para com uma obra desta natureza.
Ao mesmo tempo, que agradecia tão generosa colaboração contava o Comando da Policia Militar ainda com a presença de todos os amigos da Polícia Militar, para a supra mencionada cerimônia de inauguração que obedeceria ao seguinte programa:
Dia 25 (quarta-feira) 07h00 da manhã
Local: Capela CRISTO REI (Quartel da Policia Militar).
I — Bênção da Capela.
II — Bênção dos objetos litúrgicos.
III — Missa solene, com cânticos, oficiada por Dom Eugênio de Araújo Sales (Bispo Auxiliar).
De acordo com o Diário de Natal “o templo a ser aberto amanhã aos fiéis, vem atender a uma velha aspiração dos militares católicos de nossa Polícia, tendo sido edificado com verbas próprias da unidade e contando ainda, com a ajuda de inúmeras pessoas e instituições amigas da velha Polícia”.
Por intermédio do referido jornal, o Padre Manoel Barbosa, Capelão da Polícia Militar, estava convidando autoridades civis, militares, eclesiásticas e todos aqueles que de uma ou de outra forma, colaboraram para a realização daquela iniciativa.
Na linha do tempo histórica e documental muito interessante sobre a idealização, construção e inauguração da Capela de Cristo Rei, localizada no Quartel da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte, localizada na Av. Alexandrino de Alencar, no Alecrim, podemos notar alguns pontos de grande relevância histórica e cultural:
A evolução cronológica dos fatos
O Comandante Geral da época, Coronel José Reinaldo Cavalcanti, convocou a imprensa natalense para anunciar o projeto e fazer a exposição de como seria a construção.
Na conclusão da obra o tom é de celebração por alcançar uma "velha aspiração dos militares católicos". Aqui já aparece a figura do Padre Barbosa (Capelão da PM) organizando os preparativos.
O comunicado oficial e institucional do Comando Geral, reforçando o convite à sociedade, agradecendo aos colaboradores e detalhando o cronograma litúrgico do dia da inauguração (25/01/1961, uma quarta-feira) é o ápice dessa evolução cronológica.
A mobilização comunitária e o esforço próprio
Um detalhe que se repete nos jornais da capital potiguar é a forma como a capela foi financiada.
O Comando enfatiza que o templo foi erguido com "verbas próprias da unidade" combinadas com a colaboração e doações de "numerosas pessoas amigas" e autoridades. Isso demonstra que a obra não foi apenas um ato administrativo, mas uma mobilização comunitária e devocional da época.
A presença de figuras históricas de expressão nacional
O programa de inauguração cita que a missa solene foi oficiada por Dom Eugênio de Araújo Sales, na época Bispo Auxiliar de Natal. Dom Eugênio Sales tornou-se, anos mais tarde, uma das figuras mais importantes e influentes da Igreja Católica no Brasil, sendo nomeado Cardeal e Arcebispo do Rio de Janeiro. A presença dele confere um peso histórico ainda maior ao evento.
Em resumo, esses eventos são um valioso registro da memória institucional da Polícia Militar do RN e da história religiosa de Natal, mostrando como as instituições militares e a sociedade civil se articulavam fortemente em torno de marcos religiosos no século passado.
Esta imagem traz o desfecho visual perfeito para a linha do tempo documental que analisamos anteriormente. Trata-se da fachada atual da **Capela de Cristo Rei**, localizada no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, em Natal.
Abaixo, uma análise arquitetônica, institucional e histórica da edificação com base na imagem:
O estilo arquitetônico e elementos visuais
A capela apresenta uma arquitetura com forte inspiração neocolonial e eclética, muito comum em prédios institucionais e religiosos no Brasil entre as décadas de 1940 e 1960.
A pintura atual em branco com detalhes em azul royal nas portas, janelas e molduras reforça a identidade Mariana e a sobriedade típica de templos católicos tradicionais, além de dialogar bem com a estética de quartéis da época.
A estrutura possui um corpo centralizado que se eleva em uma torre sineira integrada. Destaca-se o grande vão em formato de cruz vazada na torre, que serve tanto como elemento simbólico forte quanto para a iluminação e ventilação interna.
O portal de entrada conta com arcos (arcadas) no pavimento térreo, criando um pequeno alpendre/galilé antes da entrada principal, ladeado por janelas e portas em arco pleno.
A materialização da "Campanha" histórica
Olhar para a capela sabendo do histórico de sua construção pelos jornais da capital potiguar dá uma dimensão muito mais rica ao prédio. Esta estrutura física é o resultado exato daquela "Grande Campanha em prol da Capela de Cristo Rei" liderada pelo Padre Manoel Barbosa e pelo Coronel José Reinaldo Cavalcanti. Cada tijolo e detalhe dessa fachada foi financiado pelo esforço conjunto dos oficiais, praças, comissão de madrinhas e da sociedade natalense daquela época.
Integração com o espaço urbano e militar
A igreja aparece protegida pelas grades do quartel, evidenciando sua localização interna dentro do complexo da Polícia Militar, mas mantendo a visibilidade para a rua, o que historicamente permitia a integração com a comunidade civil (como mencionado nos convites dos jornais).
Ao fundo da imagem, é possível ver edifícios modernos e verticalizados. Esse contraste ressalta o valor da capela como um patrimônio histórico preservado em meio ao crescimento e à modernização urbana de Natal.
A Capela de Cristo Rei hoje não é apenas um templo religioso; ela é um monumento histórico material. Ela representa a memória viva da corporação, a evolução urbana da cidade e testemunha o momento em que grandes figuras da história potiguar e nacional (como Dom Eugênio Sales) abençoaram o início de sua construção. É a história saindo do papel amarelado do jornal e se mostrando sólida na paisagem atual.



