quarta-feira, 22 de julho de 2026

MEMÓRIA DOS ABALOS SÍSMICOS EM TAIPU EM 1986

        Entre junho e novembro de 1986 a região do Mato Grande vivenciou uma série de abalos sísmicos de grandes proporções que causou pânico e desespero em grande parte da população. O maior abalo sentido ocorreu na cidade de João Câmara atingido 5.3 na Escala Richter, parâmetro que mede a intensidade dos tremores de terra, sendo que uma ocorrência dessa magnitude é considerada já um terremoto. As consequências foram devastadoras com rachaduras em casas e prédios públicos, o que forçou o abandono de muitos moradores da cidade de João Câmara. Os abalos foram sentidos em todas as demais cidades da região do Mato Grande. 

      Em Taipu, a população também vivenciou o medo e apreensão dos abalos sísmicos. Casas racharam, famílias inteiras passavam a noite acampadas em barracas em frente as suas residências com medo de desabamentos.As imagens do jornal Tribuna do Norte mostram aspectos de Taipu na altura do cemitério e nelas é possível ver pessoas com malas, possivelmente se retirando da cidade com medo dos abalos. 

       As imagens foram publicadas no referido jornal para ilustrar os abalos em João Câmara, na ocasião o carro do jornal passando pela BR 406 em Taipu viu a situação de famílias fugindo dos tremores que também estavam sendo sentidos em Taipu. 

    Este ano de 2026 ocorre os 40 anos das ocorrências mais devastadoras dos abalos sísmicos da região do Mato Grande. Embora não seja motivo para comemoração é sempre bom trazer a tona a memória desses eventos que tanto impactaram a vida dos moradores de Taipu a época.

Imagem colorizada por Inteligência Artificial.

Imagem colorizada por Inteligência Artificial.

Passagem de nível da BR 406 em Taipu, 1986.

Cemitério de Taipu, 1986.


Fonte: imagens originais: Tribuna do Norte, 21/08/1986, p. 1. Imagens coloridas: colorizadas por Inteligência Artificial.

PS. A Lei Orgânica do Município de Taipu prevê que sejam ministradas noções de simbologias em escolas públicas do município como forma de educar a população para conviver com esse fenômeno geólogico, que embora imprevisível, é totalmente compreensível.

Pesquisa: João Santos, 21/07/2026.

terça-feira, 21 de julho de 2026

MEMÓRIA DO ACESSO A ÁGUA NO MATO GRANDE

      Esta é uma fotografia histórica valiosa que registra um momento importante de infraestrutura e política no interior do Rio Grande do Norte durante o período do Estado Novo (década de 1930).

      Trata-se da visita do interventor federal no Rio Grande do Norte ao poço público construído em cooperação com a IFOCS na localidade da Baixinha,no município de Touros em 18/09/1937, conforme indica a legenda da foto.

Poço público da IFOCS na Baixinha, Touros.

   O poço era constituído de catavento, com  reservatório de alvenaria de capacidade de 10.000 litros e chafariz.

     Dominando o lado direito da composição, a torre metálica do catavento (utilizado para bombear água do poço artesiano) é o elemento de maior destaque técnico. Ao fundo, vê-se a estrutura do reservatório de alvenaria com placa comemorativa.

Composição do grupo de pessoas

     Há uma separação social visível no grupo reunido de autoridades/elites. Homens vestindo ternos claros (comuns para o clima tropical), chapéus de aba (estilo panamá ou similar) e sapatos sociais. No centro/esquerda, destaca-se também uma figura com farda militar/policial, indicando a presença de autoridade ostensiva.

 Há também a presença de trabalhadores/população local,  pessoas ao redor e nas pontas trajando roupas mais simples, chapéus de palha e calças folgadas, representando os moradores locais ou trabalhadores da obra.

Contexto histórico e político

       A data 18 de Setembro de 1937 é crucial. Ocorre a menos de dois meses do golpe de 10 de novembro de 1937, que instaurou o Estado Novo por Getúlio Vargas.

   Em setembro de 1937, o governador ( interventor) do Rio Grande do Norte era Rafael Fernandes Gurjão (que governou de 1935 a 1943, permanecendo como interventor federal após o golpe). Muito provavelmente, o homem de terno claro em evidência no centro da imagem é o próprio Rafael Fernandes.

A seca e as obras públicas

   O Nordeste brasileiro passava por constantes crises de estiagem. A inauguração ou inspeção de poços públicos com chafarizes e reservatórios era um grande acontecimento político, simbolizando "progresso", ação estatal e alívio para a população do semiárido/sertão.

Relevância documental

     Esta imagem é um documento histórico rico que ilustra a modernização do interior; o uso de tecnologia (cataventos de ferro) para convivência com a seca no interior potiguar, a ritualística da política coronelista/estadual, a necessidade de deslocamento da comitiva governamental para "inaugurar" ou "visitar" obras básicas, reforçando o paternalismo estatal.

 A memória local

   Este é um registro valioso para a história do município de Touros e da comunidade da "Baixinha", assim como para o resgate da memória do acesso a água na região do Mato Grande.

Colorização por Inteligência Artificial 


domingo, 12 de julho de 2026

SOBRE A ANTIGA CAPELA DE IGAPÓ

      O belo registro trata-se da histórica Capela de Santa Cruz, localizada no tradicional bairro de Igapó, na Zona Norte de Natal. Fundada originalmente em 11 de julho de 1920, o templo é um patrimônio centenário de extrema relevância para a identidade e expansão da capital potiguar.

Capela de Santa Cruz, Igapó. Data ignorada.

    Abaixo, apresento uma análise detalhada dos aspectos arquitetônicos, históricos e sociais evidentes na imagem:

Arquitetura e estrutura do templo

      A capela exibe traços de um estilo eclético simples com forte influência colonial, típico das igrejas do início do século XX no interior e periferias urbanas do Nordeste.

    O frontão é escalofriado desenhando uma silhueta em degraus (escalonada), que emoldura a torre e dá imponência ao edifício principal.

          A torre central é integrada ao corpo da capela. A capela de Santa Cruz tem uma torre sineira única e centralizada, posicionada diretamente acima do portal principal. Ela conta com um arco pleno para o sino e uma cúpula facetada semicircular (estilo bulboso) encimada por uma pequena cruz.

     Três portas com arcos na fachada (uma principal central e duas laterais menores) garantiam o fluxo dos fiéis. O corpo do templo segue uma nave única e comprida, visível pela lateral com suas janelas verticais.

O entorno e a paisagem urbana

    À direita da igreja, destaca-se um imponente cruzeiro de pedra (ou concreto) sobre uma base escalonada. Esse elemento é um marco de fundação territorial e de devoção católica, muito comum no nascimento das comunidades urbanas.

      O entorno exibe a simplicidade da antiga Natal da primeira metade do século XX. Casas baixas com telhado de argila e uma vegetação marcada por coqueiros balançados pelo vento, remetendo à proximidade com as margens do Rio Potengi.

Aspecto social e humano

       O elemento mais rico da fotografia é o grupo de moradores (adultos e muitas crianças) posicionado solenemente à frente da porta principal. Esse tipo de registro costumava ser feito em ocasiões festivas, como o dia da inauguração, festas de padroeiros ou após as missas dominicais, provando que a capela sempre foi o ponto focal de convergência social e cultural do bairro de Igapó.

Nota histórica

    Nas décadas seguintes, essa região passou por profundas modificações urbanas, e a própria capela sofreu reformas estruturais significativas ao longo do século XX para acompanhar o crescimento da Zona Norte. Atualmente, a praça em frente ao templo homenageia o memorável Padre Tiago Theisen, figura central no desenvolvimento social daquela comunidade.

Colorização por Inteligência Artificial.



sexta-feira, 10 de julho de 2026

SOBRE AS ESCOLAS RADIOFÔNICAS DE TAIPU

        Em 11/03/1958 o jornal Tribuna do Norte noticiou que seriam inataladas inicialmente 10 Escolas Radiofônicas em Taipu.

    Havia o interesse por parte da Emissora de Educação Rural (Rádio Rural de Natal) na instalação das referidas escolas radiofônicas em Taipu.

    De acordo com o referido jornal: "Prosseguindo na série de visitas aos municípios, esteve terça-feira, em Taipú, um representante da Emissora de Educação Rural Ltda. Como nos demais lugares, anteriormente percorridos, o interesse de Taipú pela emissora, também é grande.(Tribuna do Norte, 11/03/1958, p.5).

    Rádio especializada para o campo, vem de encontro aos anseios do nosso sertanejo, apresentando uma programação educativa, ao lado de muita música, noticiário, novena, palestras, etc. Em maio estará no ar, podendo desta data em diante qualquer receptor captar a Emissora de Educação Rural, na frequência de 1.80 kcs."

Em Taipu

      Durante a permanência do representante da rádio rural em Taipu foi realizado terça-feira, às 20 horas, no Centro Social local, uma reunião para explanação sobre a Emissora e o objetivo das Escolas Radiofônicas, compareceram autoridades e o povo em geral.

    Na quarta-feira foram visitadas as localidades de Contador, Poço Branco e Gameleira, povoados onde funcionarão Escolas Radiofônicas.

Localização das Escolas

    Dado ao interesse local e aos entendimentos mantidos seriam instalados no município de Taipu, logo após o início de funcionamento da Emissora de Educação Rural, Escolas Radiofônicas em Poço Branco, Gameleira, Cajueiro, Boa Vista, Contador, Barreto, Maracajaú e na sede do município.

    Havia possibilidades de colocação de escolas radiofônicas, brevemente, em Juazeiro, Serra Pelada e Duas Passagens.

    Este recorte jornalístico documenta um projeto educacional significativo para a região de Taipu.

     O projeto visava atender aos "anseios do nosso sertanejo" através de uma rádio especializada que oferecia programação educativa, noticiários, palestras e música.

    A iniciativa previa a instalação inicial de 10 escolas radiofônicas, cobrindo diversas localidades do município, como Poço Branco, Gameleira, Cajueiro, Boa Vista, Contador, Barreto, Maracajaú, a sede do município, com possibilidades de expansão para Juazeiro, Serra Pelada e Duas Passagens.

     A realização de uma reunião no Centro Social local, com a presença de autoridades e da população em geral, evidencia o esforço coletivo para a implementação desse sistema de ensino radiofônico em Taipu.

        As Escolas Radiofônicas de Taipu funcionaram até meados da décadad e 1970.

 

SOBRE A MATERNIDADE DE TAIPU

    Segundo o jornal Tribuna do Norte pela Associação de Proteção à Maternidade de Taipu vinha funcionando a Maternidade de Taipu, que foi inaugurada a 12 de maio de 1957, no dia das Mães.(Tribuna do Norte, 03/01/1958, p.5).

    Em 03/01/1958 o mesmo jornal registrou que "A frente da Maternidade de Taipú vamos encontrar o pe. Luiz Lucena, vigário local, e o sr. Severino Guedes, presidente do Centro Social. Ambos oferecem a melhor de sua colaboração em prol daquele estabelecimento.(Op.Cit).

    Todavia, convém ressaltar que o autor da iniciativa de uma Maternidade para Taipu, foi do Pe. José Luiz da Silva, antigo vigário local.

    Por outro lado, o prefeito Tamires Miranda vinha colaborando incansavelmente com a Maternidade com 8 mil cruzeiros, para cobrir parte das despesas.

    Na esfera estadual, a atuação do Secretário de Estado da Saúde tinha sido das melhores, colaborando na medida do possível, com a Maternidade de Taipu.

    “Com poucos recursos financeiros, técnicos e materiais, vem atendendo às necessidades da Região. Tem apenas 3 leitos e boas instalações e um enfermeiro, atendem satisfatoriamente os clientes”.(op.Cit).

    Estes registros destacam o esforço comunitário e político para estabelecer serviços de saúde básicos em Taipu.

     A Maternidade de Taipu foi inaugurada em 12 de maio de 1957, no dia das Mães, sendo uma iniciativa inicialmente proposta pelo antigo vigário local, o padre José Luiz da Silva.

     O funcionamento da instituição contava com o apoio de lideranças locais, como o vigário Luiz Lucena e o presidente do Centro Social, Severino Guedes, além do suporte financeiro do prefeito Tamires Miranda e da colaboração da Secretaria de Estado da Saúde.

Prédio onde funcionou inicialmente a meternidade APAMI de Taipu

     O relato descreve uma estrutura modesta ("poucos recursos financeiros, técnicos e materiais", "apenas 3 leitos"), mas enfatiza o impacto positivo no atendimento às necessidades da região.

        A maternidade APAMI de Taipu foi uma grande obra social da paróquia de Taipu que funcionou até o ano de 2024 quando foi extinta.O prédio da maternidade estava situado a rua Cel. Manoel Eugênio, centro de taipu.

Prédio da matenridade APAMI de Taipu a rua Cel. Manoel Eugênio,1983.


APAMI de Taipu, 2002


APAMI de Taipu, 2004

Ruinas do prédio da maternidade APAMI de Taipu, 2011.