sexta-feira, 4 de setembro de 2026

MEMÓRIA DA SAÚDE EM BAIXA VERDE: AS RAÍZES DO CUIDADO EM JOÃO CÂMARA

    Falar sobre a história de Baixa Verde (que mais tarde, em 1953, adotaria o nome de João Câmara em homenagem à sua figura mais ilustre),  é revisitar um tempo em que o desenvolvimento do interior potiguar se confundia com a coragem de sua gente. Entre os desafios enfrentados pelos pioneiros da região, o acesso à saúde e ao bem-estar social ocupava um lugar central e, muitas vezes, dramático.

Os desafios iniciais: da medicina caseira ao isolamento

    Nos primórdios do povoamento e após a emancipação política em 1928, o município de Baixa Verde contava com uma estrutura de saúde extremamente rudimentar.

    Como era comum no sertão nordestino da época, os primeiros socorros dependiam fortemente de práticas caseiras, benzedeiros e de parteiras tradicionais que realizavam os partos nas zonas rurais e no acanhado centro urbano.

    Profissionais formados e unidades de saúde estruturadas eram raridades. Para casos mais graves, os doentes precisavam enfrentar longas viagens em lombos de animais ou nos primeiros trens da Estrada de Ferro até Natal ou centros maiores.

    A saúde pública nos moldes atuais não existia; o suporte vinha muitas vezes de iniciativas religiosas, da solidariedade vicentina e de redes de assistência voluntária que tentavam amparar as famílias em situação de extrema vulnerabilidade.

 A evolução do cuidado e a chegada de novas estruturas

     Com o passar das décadas, o município deu passos importantes para superar esse cenário de isolamento sanitário. A transição de Baixa Verde para João Câmara marcou também uma nova fase na organização urbana e social da cidade.

    A fundação de núcleos de atendimento e o avanço gradual de postos de saúde locais começaram a desenhar a rede de atendimento que hoje culmina no suporte do Hospital Regional Josefa Alves Cordeiro e nas clínicas modernas da região.

     Registros fotográficos e documentos antigos revelam que estruturas precárias deram lugar, a custo de muita luta comunitária e política, a um sistema de saúde mais robusto e acessível para a população camarense.

Legado e transformação

     Hoje, olhar para o passado de Baixa Verde nos faz valorizar cada conquista na área da saúde. O que antes era restrito a condições precárias e improvisadas transformou-se em uma rede que busca atender aos milhares de habitantes de João Câmara e região, honrando a memória daqueles que resistiram e construíram a história do município.

O ambulatório da L.B.A

    O estabelecimento de saúde, até o momento, mais antigo em Baixa Verde trata-se do ambulatório fundado pela Legião da Boa Assistência-L.B.A em convênio com o Serviço de Estadual Reeducação e Assistência Social-SERAS do governo do Estado em 1944.

    Em 03/03/1944 o jornal A Ordem registrou que haviam sido fundados e estavam em funcionamentos os ambulatórios de Assu, Baixa Verde, Macaiba, Santa Cruz, Currais Novos, Florânia, Acari, Lajes e Touros.(A Ordem,03/03/1944,4).

    Criada em 1942 por Darcy Vargas (esposa do presidente Getúlio Vargas), a Legião Brasileira de Assistência (L.B.A) originou-se com o objetivo inicial de prestar assistência às famílias dos pracinhas e soldados convocados para a Segunda Guerra Mundial, expandindo-se rapidamente para o atendimento social, materno-infantil e de saúde nas comunidades carentes de todo o Brasil.

    No Rio Grande do Norte, a atuação da L.B.A esteve profundamente vinculada a figuras de destaque político e social da época, como Aluízio Alves, que articulou parcerias para a construção de obras de forte impacto assistencial. 

    Essa trajetória reflete os esforços pioneiros para estruturar a rede de saúde e proteção social em municípios do interior e da Grande Natal, transformando realidades marcadas pelo isolamento e pela escassez de recursos médicos nas décadas de 1940 e 1950.

    O ambulatório fundado em Baixa Verde em 1944 buscava fornecer medicamentos e realizar pequenos atendimentos de saúde a pessoas pobres.

A APAMI e a Maternidade: as origens e a necessidade de assistência

     A trajetória da APAMI (Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância) e da maternidade em João Câmara (antiga Baixa Verde) representa um dos capítulos mais importantes da solidariedade e da luta social pela saúde no interior do Rio Grande do Norte.

 O contexto de fundação

    Em 1951 já havia sido criada a Associação de Proteção a Maternidade e a Infância de Baixa Verde, entidade social criada para servir de mantenedora da maternidade de Baixa Verde.

    Naquele ano a referida instituição recebeu do governo federal a verba de Cr$ 100.000,00 (Diário de Natal ,10/12/1951,p.6), essa verba deveria ser utilizada para construção do prédio da maternidade.

    Entretanto, a construção do edifício que seria destinado a abrigar o estabelecimento de sáude tão aguardado na cidade demoraria quase uma década para ser inaugurado.

    Em 1953 o prédio se encontrava com a sua construção paralisada, no mesmo ano em que o município se viu atingido pelos efeitos da grande seca que ocorreu naquele ano, onde milhares de pessoas acorreram a cidade em busca de melhores condições sobrecarregaando as estruturas da cidade.

    Em 1956 o prédio estava quase concluido, porém, enfretava uma situação inusitada, sendo habitado por familias de indigentes.

    Em 1957 assumiu a paróquia o então padre Luis Lucena Dias, que diante da situação inusitada e percebendo a extrema necessidade de serviços na área de saúde no municipio, abdicou de habitar na casa paroquial, doando-a para que ali fosse instalada a maternidade.

    No ano de 1959 a situação do prédio que fora construido para servir de maternidade ainda não havia sido resolvida, mas a diretoria da APAMI s emobilizou para instalar os serviços de ambulatório ainda que de forma précaria.

     A criação da unidade e da associação na região esteve ligada à intensa mobilização comunitária e religiosa, com forte atuação vinculada ao histórico da Paróquia local, para suprir a carência crônica de atendimento médico voltado às gestantes, mães e recém-nascidos.

    A iniciativa ganhou forte impulso na década de 1950 (com registros históricos apontando marcos de estruturação por volta de 1957), servindo como um braço essencial de amparo social em uma época em que o poder público estadual ou federal mal conseguia capilarizar serviços básicos de saúde pelo interior sertanejo.

O Papel da APAMI para João Câmara e Região

    Ao longo das décadas, a Maternidade da APAMI tornou-se o pilar do suporte obstétrico, pediátrico e de clínica médica básica para João Câmara e diversos municípios vizinhos do território do Mato Grande.

    Como muitas instituições filantrópicas de saúde no Brasil, a APAMI enfrentou historicamente inúmeros desafios de custeio, crises financeiras e dependência de convênios ou subvenções públicas para manter as portas abertas à população de baixa renda.

Na imagem o prédio da maternidade de João Câmara ainda em construção, possivelmente em meados da década de 1950.

    Em momentos críticos de sua trajetória, incluindo períodos de paralisação ou risco de fechamento por endividamento, a sociedade civil organizada, lideranças locais e campanhas de doação mobilizaram-se fortemente para salvar e reabrir a unidade, reconhecendo seu valor vital para a salvaguarda de vidas na região.

    O legado da APAMI em João Câmara confunde-se com a própria história de emancipação e cuidado humanitário do antigo vale de Baixa Verde, eternizando o esforço coletivo para garantir o direito básico ao nascimento seguro e à saúde materno-infantil.

 O hospital João Câmara

    Em 1950 O deputado Dioclecio Duarte apresentou para o orçamento de 1951 as emendas concernentes a auxílios e subvenções para instituições do Rio Grande do Norte, dentre as quais estava o Hospital João Câmara de Baixa Verde que receberia a verba de Cr$ 200.000,00.(Diário de Natal, 26/11/1950,p.8).

    Teria o ambulatório criado em 1944 sido transformado em hospital?

    Em 1952 o jornal A Ordem registrou que o referido hospital receberia uma nova a verba de Cr$ 200.000,00. (A Ordem, 23/12/1952,p.1).

    Em 1955 o hospital João Câmara receberia verba de Cr$ 100.000,00 (Tribuna do Norte,13/01/1955,p.4).

    Em 1963 foi apresentado um requerimento do deputado Pedro Lucena no sentido de que fosse feito apelo ao Presidente da República para recuperação do Hospital de João Câmara.(Diário de Natal ,20/06/1963,p.2).

    Em 1971 o deputado Dari Dantas anunciou na Assembleia Legislativa que havia conseguido pelo Funrural  meios para a conclusão do Hospital Regional da cidade de João Câmara que abrangia uma das regiões mais carentes de assistência médico-hospitalar do Estado. Em sua companhia e na do prefeito Manuel Anacleto de Lima, o Governador Cortez Pereira visitára em julho de 1971 o prédio que se levantava com contribuições do Governo Federal na cidade de João Câmara e cujas obras estavam paralisadas. Na oportunidade solicitaram do Governador que  incluísse aquela obra como integrante do seu plano prioritário de assistência hospitalar no interior.(Diário de Natal, 07/08/1971,p.2).

    Eis em breve linhas o resgate da memória sobre os serviços de saúde ao longo do tempo no município de Baixa Verde/João Câmara.A pesquisa não está completa e poderão ser acrescentadas novas informações ao longo de novas descobertas.

Na imagem colorização por inteligência artificial do prédio da maternidade de João Câmara em construção.

 Memória

 

  

Fonte: Cosme Souza, cedidas..

     Nas imagens a casa paroquial de João Câmara que foi cedida pelo Mons.Lucena para ser a maternidade da cidade. O edifício passou por reformas para se adequar a nova finalidade.

Fonte: Cosme Souza, cedida.

         Na imagem possivelmente a inauguração da Maternidade APAMi de João Câmara no final da década de 1950 ou inicio da década de 1960.A maternidade recebeu o nome de Noêmia Lucena, mãe do Mons. Luis Lucena Dias, em agradecimento por ter ele cedido a casa paroquial para nela ser instalada a maternidade.

 

 Nas imagens a cima o prédio da Maternidade APAMI de João Câmara, possivelmente na década de 1980.Fonte: Cosme Souza, cedida.

     

        Na imagem a cima um evento em frente a maternidade APAMI de João Câmara onde é possível vê o Mons. Lucena (de braço erguido) em posição de bêncão. Ainda estão presentes o então arcebispo de Natal, Dom Heitor de Araújo Sales (ao centro), Pe. Cláudio Régio da Silva Bezerra (a esquerda de camisa preta), então Adm. Paroquial de Taipu.Fonte: Cosme Souza, cedida.

 

 

Na imagem pessoas em frente a maternidade APAMI de João Câmara, possivelmente na década de 1990. Fonte: Cosme Souza, cedida.

 

 

Fonte: Cosme Souza, cedidas. 

Nas imagens a cima o prédio do Hospital Dr. Raimundo Peni (Hospital Regional de João Câmara).  

 

                                                Fonte: Cosme Souza, Cedida.

    Na imagem a cima o prédio que fora construido par aser a maternidade APAMI de João Câmara visivelmente em estado de abandono, porém, usado como moradia para retirantes, visto na imagem uma mulher na calçada. 

 

 

 

Fonte: Cosme Souza, cedida. 

Nas imagens a cima detalhes do prédio que seria a  maternidade de João Câmara em construção.

 

 Fonte: Cosme Souza, cedida. 

    Na imagem a cima o prédio que seria a maternidade de  João Câmara já transformado na Escola Estadual Cícero Varela.

 

 

                        

domingo, 26 de julho de 2026

ASPECTOS DE JOÃO CÂMARA EM 1986

As imagens a baixo mostram aspectos da cidade de João Câmara em 1986 onde é possível perceber a configuração da cidade em meados da década de 1980. As imagens foram publicadas em diversas edições do jornal Tribuna do Norte no contexto dos abalos sísmicos ocorridos entre junho e novembro de 1986 no qual resultou em graves consequências para a cidade como os danos estruturais em prédios públicos e residências assim como o abandono da população que quase desertificou a zona urbana do município tamanho foi o pânico da população.

Aspectos de um parque de diversões na praça principal de João Câmara vendo-se em destaque a igreja matriz.

Caminhão do corpo de bombeiros em frente a matriz de João Câmara 

Aspectos de uma rua em João Câmara 

Aspectos noturno de uma rua em João Câmara 

Aspectos da praça principal de João Câmara em 1986.



 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

MEMÓRIA DOS ABALOS SÍSMICOS EM TAIPU EM 1986

        Entre junho e novembro de 1986 a região do Mato Grande vivenciou uma série de abalos sísmicos de grandes proporções que causou pânico e desespero em grande parte da população. O maior abalo sentido ocorreu na cidade de João Câmara atingido 5.3 na Escala Richter, parâmetro que mede a intensidade dos tremores de terra, sendo que uma ocorrência dessa magnitude é considerada já um terremoto. As consequências foram devastadoras com rachaduras em casas e prédios públicos, o que forçou o abandono de muitos moradores da cidade de João Câmara. Os abalos foram sentidos em todas as demais cidades da região do Mato Grande. 

      Em Taipu, a população também vivenciou o medo e apreensão dos abalos sísmicos. Casas racharam, famílias inteiras passavam a noite acampadas em barracas em frente as suas residências com medo de desabamentos.As imagens do jornal Tribuna do Norte mostram aspectos de Taipu na altura do cemitério e nelas é possível ver pessoas com malas, possivelmente se retirando da cidade com medo dos abalos. 

       As imagens foram publicadas no referido jornal para ilustrar os abalos em João Câmara, na ocasião o carro do jornal passando pela BR 406 em Taipu viu a situação de famílias fugindo dos tremores que também estavam sendo sentidos em Taipu. 

    Este ano de 2026 ocorre os 40 anos das ocorrências mais devastadoras dos abalos sísmicos da região do Mato Grande. Embora não seja motivo para comemoração é sempre bom trazer a tona a memória desses eventos que tanto impactaram a vida dos moradores de Taipu a época.

Imagem colorizada por Inteligência Artificial.

Imagem colorizada por Inteligência Artificial.

Passagem de nível da BR 406 em Taipu, 1986.

Cemitério de Taipu, 1986.


Fonte: imagens originais: Tribuna do Norte, 21/08/1986, p. 1. Imagens coloridas: colorizadas por Inteligência Artificial.

PS. A Lei Orgânica do Município de Taipu prevê que sejam ministradas noções de simbologias em escolas públicas do município como forma de educar a população para conviver com esse fenômeno geólogico, que embora imprevisível, é totalmente compreensível.

Pesquisa: João Santos, 21/07/2026.

terça-feira, 21 de julho de 2026

MEMÓRIA DO ACESSO A ÁGUA NO MATO GRANDE

      Esta é uma fotografia histórica valiosa que registra um momento importante de infraestrutura e política no interior do Rio Grande do Norte durante o período do Estado Novo (década de 1930).

      Trata-se da visita do interventor federal no Rio Grande do Norte ao poço público construído em cooperação com a IFOCS na localidade da Baixinha,no município de Touros em 18/09/1937, conforme indica a legenda da foto.

Poço público da IFOCS na Baixinha, Touros.

   O poço era constituído de catavento, com  reservatório de alvenaria de capacidade de 10.000 litros e chafariz.

     Dominando o lado direito da composição, a torre metálica do catavento (utilizado para bombear água do poço artesiano) é o elemento de maior destaque técnico. Ao fundo, vê-se a estrutura do reservatório de alvenaria com placa comemorativa.

Composição do grupo de pessoas

     Há uma separação social visível no grupo reunido de autoridades/elites. Homens vestindo ternos claros (comuns para o clima tropical), chapéus de aba (estilo panamá ou similar) e sapatos sociais. No centro/esquerda, destaca-se também uma figura com farda militar/policial, indicando a presença de autoridade ostensiva.

 Há também a presença de trabalhadores/população local,  pessoas ao redor e nas pontas trajando roupas mais simples, chapéus de palha e calças folgadas, representando os moradores locais ou trabalhadores da obra.

Contexto histórico e político

       A data 18 de Setembro de 1937 é crucial. Ocorre a menos de dois meses do golpe de 10 de novembro de 1937, que instaurou o Estado Novo por Getúlio Vargas.

   Em setembro de 1937, o governador ( interventor) do Rio Grande do Norte era Rafael Fernandes Gurjão (que governou de 1935 a 1943, permanecendo como interventor federal após o golpe). Muito provavelmente, o homem de terno claro em evidência no centro da imagem é o próprio Rafael Fernandes.

A seca e as obras públicas

   O Nordeste brasileiro passava por constantes crises de estiagem. A inauguração ou inspeção de poços públicos com chafarizes e reservatórios era um grande acontecimento político, simbolizando "progresso", ação estatal e alívio para a população do semiárido/sertão.

Relevância documental

     Esta imagem é um documento histórico rico que ilustra a modernização do interior; o uso de tecnologia (cataventos de ferro) para convivência com a seca no interior potiguar, a ritualística da política coronelista/estadual, a necessidade de deslocamento da comitiva governamental para "inaugurar" ou "visitar" obras básicas, reforçando o paternalismo estatal.

 A memória local

   Este é um registro valioso para a história do município de Touros e da comunidade da "Baixinha", assim como para o resgate da memória do acesso a água na região do Mato Grande.

Colorização por Inteligência Artificial 


domingo, 12 de julho de 2026

SOBRE A ANTIGA CAPELA DE IGAPÓ

      O belo registro trata-se da histórica Capela de Santa Cruz, localizada no tradicional bairro de Igapó, na Zona Norte de Natal. Fundada originalmente em 11 de julho de 1920, o templo é um patrimônio centenário de extrema relevância para a identidade e expansão da capital potiguar.

Capela de Santa Cruz, Igapó. Data ignorada.

    Abaixo, apresento uma análise detalhada dos aspectos arquitetônicos, históricos e sociais evidentes na imagem:

Arquitetura e estrutura do templo

      A capela exibe traços de um estilo eclético simples com forte influência colonial, típico das igrejas do início do século XX no interior e periferias urbanas do Nordeste.

    O frontão é escalofriado desenhando uma silhueta em degraus (escalonada), que emoldura a torre e dá imponência ao edifício principal.

          A torre central é integrada ao corpo da capela. A capela de Santa Cruz tem uma torre sineira única e centralizada, posicionada diretamente acima do portal principal. Ela conta com um arco pleno para o sino e uma cúpula facetada semicircular (estilo bulboso) encimada por uma pequena cruz.

     Três portas com arcos na fachada (uma principal central e duas laterais menores) garantiam o fluxo dos fiéis. O corpo do templo segue uma nave única e comprida, visível pela lateral com suas janelas verticais.

O entorno e a paisagem urbana

    À direita da igreja, destaca-se um imponente cruzeiro de pedra (ou concreto) sobre uma base escalonada. Esse elemento é um marco de fundação territorial e de devoção católica, muito comum no nascimento das comunidades urbanas.

      O entorno exibe a simplicidade da antiga Natal da primeira metade do século XX. Casas baixas com telhado de argila e uma vegetação marcada por coqueiros balançados pelo vento, remetendo à proximidade com as margens do Rio Potengi.

Aspecto social e humano

       O elemento mais rico da fotografia é o grupo de moradores (adultos e muitas crianças) posicionado solenemente à frente da porta principal. Esse tipo de registro costumava ser feito em ocasiões festivas, como o dia da inauguração, festas de padroeiros ou após as missas dominicais, provando que a capela sempre foi o ponto focal de convergência social e cultural do bairro de Igapó.

Nota histórica

    Nas décadas seguintes, essa região passou por profundas modificações urbanas, e a própria capela sofreu reformas estruturais significativas ao longo do século XX para acompanhar o crescimento da Zona Norte. Atualmente, a praça em frente ao templo homenageia o memorável Padre Tiago Theisen, figura central no desenvolvimento social daquela comunidade.

Colorização por Inteligência Artificial.