Entre o final da década de 1960 e inicio da década de 1970, o deputado
estadual Magnus Kelly, filho de Taipu, empreendeu uma campanha em seus dois
mandatos na Assembleia Legislativa pela criação de um ginásio em Taipu para
oferecer o ensino de segundo grau aos jovens da cidade.
Entretanto, como se verá a seguir a
criação desse ginásio viria a ser um pomo de discórdia entre vereadores, a prefeitura de
Taipu e o referido deputado estadual, que como sempre acontece, a politicagem mesquinha em Taipu, é sempre o fator que retarda seu desenvolvimento.É fato.
No expediente da Assembleia Legislativa de 14/06/1975 o deputado Vivaldo
Costa se solidarizou com o deputado Magnus Kelly apoiado pelo deputado Dary
Dantas para a criação de um ginásio em Taipu.[1]
Em 23/08/1975 o deputado Magnus Kelly
afirmou que não poderia deixar de elogiar o comportamento e a ação do
governador Tarcisio Maia, mostrando-se sensível a reivindicação que não era
apenas sua, nem do seu partido, mas de toda a população do municipio de Taipu.
Fez o apelo a Arena para que o projeto
de criação do Ginásio de Taipu pelo prefeito tivesse o apoio unanime da Câmara
Municipal, sem nenhuma conotação partidária e beneficio de Taipu, para que já a
partir de 1976 os jovens da cidade pudessem estudar no curso ginasial sem a
necessidade de buscar esta modalidade de ensino noutras cidades, com enormes
sacrifícios.[2]
Em 26/11/1975 o deputado Magnus Kelly
denuncio na tribuna da Assembleia Legislativa que os 7 vereadores da Câmara
Municipal de Taipu se recusavam a aprovar a mensagem do prefeito criando um
ginásio municipal que funcionaria já no ano de 1976 com o apoio do governo do
Estado, através da Secretaria de Educação.
Segundo o deputado o comportamento dos
vereadores de Taipu era motivado pelo fato da mensagem de criação do
estabelecimento de ensino ter se constituído numa sugestão de sua autoria, e,
portanto, tal atitude classificava como mesquinha, pois para a solução de
problemas educacionais deveria se esquecida as cores partidárias.[3]
Ao fazer a denúncia, o deputado Mgnus
Kelly disse que em favor da cidade de Taipu preferia renunciar a paternidade da
luta que há anos vinha empreendendo no sentido de dotar Taipu de um ginásio.
Sugeriu, na oportunidade, que o mérito
do seu trabalho fosse transferido para os deputados Dary Dantas e Márcio
Marinho, da Arena, do mesmo partido dos vereadores de Taipu que não queriam
aprovar o projeto da criação do ginásio.
Em aparte, o deputado Márcio Marinho
disse que nem ele nem o seu companheiro de bancada aceitariam aquele
preço.Aceitariam sim, a sua participação na luta para que a aspiração do povo
de Taipu se concretizasse.Ambos apresentaram palavras de solidariedade ao
deputado Magnus Kelly se comprometeram a oferecer o apoio a sua luta por considerá-la
da maior significação.
O deputado Magnus Kelly disse ainda que
vinha lutando pela criação de um ginásio em Taipu desde seu primeiro mandato,
mas que somente no segundo mandato havia conseguido sensibilizar as
autoridades.
O secretário de Educação, o professor
João Faustino em atendimento à sua reivindicação se comprometera a oferecer a
prefeitura de Taipu todas as condições necessárias para que o estabalecimento
de ensino pleiteado viesse a funcionar a partir de 1976.
Acontecia que para
tal seria necessário que o prefeito enviasse à Câmara uma mensagem criando o
ginásio.
Mas, como o estabelecimento iria
apresentar a vitória para um deputado da oposição, os vereadores preferiram não
aprovar a mensagem.
Diante disso, o deputado Magnus Kelly
resolveu lutar no sentido de conseguir recursos visando a construção de um
prédio próprio para que Taipu pudesse criar finalmente o seu ginásio, evitando
que seus estudantes continuassem se deslocando diariamente para Ceará-Mirim, a
fim de frequentar a escola.
Em 02/04/1976
o deputado estadual Magnus Kelly, do MDB, voltou a comentar o problema da
necessidade de um ginásio para a população escolar de Taipu, fazendo referência
aos elogios justos que muitos dos membros da bancada arenista vinham fazendo
nos últimos dias pela instalação de estabelecimentos de ensino de primeiro e
segundo graus em várias cidades do interior do Estado.
Mostrou que isto significava que o governador Tarcisio Maia ouvia o
apelo e dava atenção à Assembleia Legislativa, valorizando seus pleitos.
Havia várias legislaturas que se vinha
debatendo pela obtenção de um ginásio para a cidade de Taipu, pois os que
queriam ali estudar tinham de deslocar-se todos os dias para Ceará-Mirim, a
falta de um estabelecimento que na cidade pudesse ministrar o curso de que
necessitavam.
O deputado lamentou que até aquele
momento não se tivesse concretizado a promessa e o esforço do secretário de
educação, João Faustino, por conta de trabalho impatriótico de alguns
vereadores da Arena de Taipu que não recebiam o apoio das lideranças mais
responsáveis pelo partido governista.
Em aparte o deputado Márcio Marinho,
esclareceu que o secretário de Educação, preocupado com as postulações dos
jovens que queriam estudar em Taipu prometera que logo voltasse da região Oeste
do Estado iria até a cidade de Taipu verificar as necessidades reais da
população escolar na procura de uma solução adequada, dando sugestão de que
como primeiro passo o prefeito de Taipu tomasse providências de
institucionalizar o ginásio, através de uma lei municipal.
A partir daí viriam as outras etapas em consonância com os desejos e a
expectativa da comunidade.[4]
Em 17/06/1978 foi destinada pelo deputado Henrique Alves uma subvenção
de Cr$ 5.000,00 para a construção do prédio do Ginásio de Taipu.[5]
Em 23/06/1976 o deputado Magnus Kelly esperava
que um dia tivesse êxito o seu esforço que há muito vinha fazendo para dotar a
cidade de Taipu de um ginásio, o que não fora conseguido, apesar da ajuda que
lhe deram e dava os deputados arenista Dary Dantas e Márcio Marinho, pela
compreensão dos vereadores arenistas de Taipu que sabotavam qualquer solução
pois com uma ou outra exceção era interessado no sistema de transporte dos
alunos de Taipu para Ceará-Mirim, alguns alferindo lucros mensais superiores a
seis mil cruzeiros.[6]
Já em 20/10/1978 o deputado Magnus
Kelly, responsável pela implantação do Ginásio de Taipu, falou sobre o assunto
quando abordara as implicações que estavam retardando sua inauguração.
Afirmava o parlamentar que depois de intensa
luta pela implantação do Ginásio, problemas políticos regionais estavam
dificultando seu funcionamento. Contudo, ele tranquilizava a juventude e dizia
que no ano de 1979 seria decisivo para a consolidação do Ginásio.[7]
No meio dessa intriga política marcada
por egos inflamados quem ficavam prejudicados eram os jovens que precisavam
estudar.
A mentalidade mesquinha e tosca dos
vereadores de Taipu atrasou assim o inicio de uma nova fase da educação de
Taipu que foi a criação do seu Ginásio. A pergunta que se faz é pra que serve
então a Câmara de Vereadores de Taipu? Como antes, hoje em dia não serve pra
outra coisa a não ser atrasar o desenvolvimento de Taipu.[8]
Independente das bandeiras políticas coube ao deputado Magnus Kelly,
atuar em projetos, requerimentos, apelos e contatos na busca de soluções para
os problemas do municipio de Taipu na década de 1970.
Ele foi constante nas reclamações, ao
tempo do governador Walfredo Gurgel para conseguir a construção do prédio do
Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima, localizado no Alto da Bela Vista em
Taipu.
Ele conseguiu a construção e
posteriormente a ampliação do prédio na rua Antonio Gomes da Costa, inclusive a
quadra de esportes da escola, que era inicialmente mantida pelo Grupo de
Escoteiros Dom Bosco.
Conseguiu verba com os deputados
federais do seu partido e sua própria, conseguindo em dois anos construir o
prédio destinado ao funcionamento do Ginásio de Taipu, que embora funcionando,
não fora inaugurado por divergências políticas. Coisas de Taipu![9]
O prédio da Escola Professora Clotilde
de Moura Lima passou por uma restauração em 1985. Em 1995 foi realizada nova reforma e ampliação no prédio,
acrescentando-se novas salas de aulas.
Ao final
da década de 1970, Taipu apresentava um sistema educacional mais robusto, mais
integrado às políticas estaduais e federais e mais presente no cotidiano da
população.
A
expansão da obrigatoriedade escolar, a reorganização curricular, a profissionalização
docente e os investimentos em alfabetização de adultos transformaram a educação
em um dos pilares da vida comunitária.
Nesse
período, a escola deixou de ser um espaço restrito de aprendizagem básica e
tornou-se instituição estratégica para o desenvolvimento social e cultural do
município.
Os anos
1970, assim, configuram um marco de consolidação e modernização da educação
taipuense, preparando o terreno para os avanços que se intensificariam nas
décadas seguintes e garantindo que a escola ocupasse lugar central na formação
das novas gerações.
| Prédio da Escola Estadual Professora Clotilde de Moura Lima, década de 1970, colorizada por Inteligência Artificial. |
| Prédio da Escola Estadual Professora Clotilde de Moura Lima, década de 1970.Foto: Biblioteca IBGE. |
[1] Diário de Natal, 14/06/1975,
p.5.
[2] Diário de Natal, 23/08/1975,
p.5.
[3] Op. Cit., 26/11/1975,p.5
[4] Diário de Natal, 02/04/1076,
p.3.
[5] O Poti, 17/06/1976, p.9.
[6] Diário de Natal, 23/06/1976,
p.2.
[7] Op. Cit, 20/10/1978, p.5.
[8] Essa uma opinião minha, e embora ela e nada sejam a mesma coisa, tenho o direito de expressá-la, doa a quem doer.
[9] O referido deputado
ainda subvencionava com verba pessoal a APAMI de Taipu, igualmente por ele
reconhecida como de utilidade pública a nível estadual.