sexta-feira, 5 de junho de 2026

SOBRE O MUNICIPIO DE AFONSO BEZERRA EM 1956

 

Segundo propaganda jornalística exibida na Tribuna do Norte  em 25/03/1956 "Depois de uma administração que absolutamente não correspondeu a expectativa pública, o município de Afonso Bezerra está em boas mãos administrado agora pelo competente e honesto prefeito Wanderlinden Xavier de Souza, que tem dado o melhor de seus esforços para cada vez elevar mais alto o nome do município pelo qual é responsável”.[1]

Encravado  na zona central do Estado, fora criado 3 anos antes, em 1953, limitando-se com Angicos, Ipanguaçu, Assu, Pedro Avelino e Macau. Sua população era de 6.500 habitantes. Sua principal fonte de renda estava na cera de carnaúba, oiticica e algodão. “É uma das cidades mais limpas do Estado tendo o atual Prefeito gasto mais de cinquenta contos nos serviços de remoção de monturos e matos”.[2]

Prédio da Usina de Luz de Afonso Bezerra em 1956.
Reconstituição digital por inteligência artificial.

Prédio da Usina de Luz de Afonso Bezerra em 1956.
Tribuna do Norte,25/03/1956, p.43.

O município de Afonso Bezerra foi criado por lei de 27 de outubro de 1953, de autoria do deputado pedecista Batista Montenegro, tendo sido nomeado prefeito o tenente Luiz Gonzaga de Freitas, que administrou até 31 de janeiro de 1955, quando assumiu então o prefeito eleito Wanderlinden de Souza e o vice-prefeito Arlindo da Rocha Bezerra.

A Câmara Municipal estava composta de 10 vereadores assim dividida: Américo Bernardo de Souza, Antônio Galdino da Cruz, Olegário Xavier, José Oséas Corrêa, Maria de Lourdes Bezerra e Victor Modesto de Oliveira, do PDC; Avelino de Andrade, da UDN; Manoel Felipe Rodrigues do PR; Candido de Assunção Bezerra, do PTB e Adauto Solano Bezerra, do PSD.[3]

A atuação do prefeito Wanderlinden

Após sua eleição, Wanderlinden iniciou a sua grande campanha de moralização administrativa e a sua luta pelo bem-estar da coletividade.

Adquiriu um possantíssimo Motor Lister, com capacidade para fornecer energia elétrica a todo o município. Mandou fazer todo serviço de posteação do melhor tipo possível em todas as ruas e travessas, ficando a cidade bem servida, sem nenhum recanto escuro.

O setor educacional também preenche as necessidades do município, com um Grupo Escolar, quatro escolas rurais e uma municipal todas em funcionamento com grande frequência.

O Prefeito que o havia antecedido construiu o prédio da Prefeitura municipal pelo estilo funcional, porém o material empregado foi o pior possível, já estando ameaçando ruir, apresentando grandes rachões nas paredes.

Possuía ainda Afonso Bezerra um grande mercado público construído pelo prefeito Francisco Torres Peres, quando ainda o prédio da prefeitura aquele município pertencia a Angicos e era Governador do Estado José Augusto Varela.

Nesta mesma época foram construídos também um poço tubular, um matadouro, e a estrada que liga Afonso Bezerra a Deodoro da Fonseca, povoado distante 54 km da cidade.

A previsão orçamentaria para 1956 era de 758.500 cruzeiros, inclusive a quota federal de 500, a quota de competência do Estado de 5.000,00 para uma despesa igual, não havendo portanto, superavit nem déficit.

Era, conforme a referida propaganda do referido jornal,  um município progressista, “que está fadado a uma posição de destaque na vida econômica e social do Estado, principalmente se permanecer em mãos de homens como Wanderlinden de Souza e a Família Montenegro."


Matadouro de Afonso Bezerra em 1956.
Tribuna do Norte,25/03/1956, p.43.

Mercado público de Afonso Bezerra em 1956.
Tribuna do Norte,25/03/1956, p.43.

Está claro que a propaganda foi encomendada para ser publicada no jornal Tribuna do Norte pelo referido prefeito para promover a sua administração afrente da prefeitura.

O texto daquela propaganda, no entanto, oferece um vislumbre fascinante do cenário político, socioeconômico e estrutural do município de Afonso Bezerra (Rio Grande do Norte) em meados da década de 1950.

O texto contextualiza a recente emancipação do município (criado em 1953 e instalado em 1955), mencionando o primeiro prefeito nomeado (Tenente Luiz Gonzaga de Freitas) e a transição para o primeiro eleito, Wanderlinden Xavier de Souza.

A composição da Câmara Municipal revela o antigo sistema multipartidário brasileiro antes do bipartidarismo da Ditadura Militar. É citada uma divisão entre vereadores do PDC (Partido Democrata Cristão), UDN (União Democrática Nacional), PR (Partido Republicano), PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e PSD (Partido Social Democrático).

O texto adotava uma postura fortemente laudatória e parcial em favor do prefeito Wanderlinden, classificando-o como "competente e honesto" em contraste com a gestão anterior, o que era muito comum no jornalismo político regional daquele período.

O texto exaltava a compra de um "possantíssimo Motor Lister" para gerar energia elétrica e o serviço de posteamento. A imagem que restauramos anteriormente, o "Prédio da Usina de Luz", era justamente o coração desse avanço tecnológico que tirou a cidade do "escuro".

Fica registrado que a força econômica da região na década de 1950 girava em torno da cera de carnaúba, da oiticica e do algodão (o "ouro branco" do Nordeste nesse período), ou seja, o município tinha sua força motriz na agricultura extrativista.

Há uma menção curiosa sobre o gasto de "cincoenta contos" de réis/cruzeiros para a remoção de matos e "monturos" (lixões/entulhos), enfatizando o esforço para manter a cidade limpa.

O trecho final traz uma crítica severa à construção do prédio da Prefeitura (o mesmo da primeira foto que colorizamos, com o jipe na frente). O texto diz que, apesar do estilo funcional, o material era "o pior possivel" e a estrutura já sofria com "grandes rachões nas paredes".

O texto faz justiça histórica ao mencionar que o Mercado Público, o matadouro, um poço tubular e a estrada para o povoado de Deodoro da Fonseca foram obras herdadas do período em que a região ainda pertencia ao município de Angicos.

A previsão orçamentária de 758.500 cruzeiros com exato equilíbrio entre receita e despesa ("não havendo portanto, superavit nem deficit") mostra a escala modesta e o controle rígido das finanças de um município que estava literalmente dando os seus primeiros passos.

Prédio da prefeitura de Afonso Bezerra em 1956.
Tribuna do Norte,25/03/1956, p.43.

Prédio da prefeitura de Afonso Bezerra em 1956.
Reconstituição digital por inteligência artificial.

Esse documento, junto com as fotos do jipe na Prefeitura, do Mercado Público de terra batida e da Usina de Luz, compõe um excelente "álbum de fundação" que ilustra as dores e os orgulhos do desenvolvimento do interior nordestino no século XX.



[1] Tribuna do Norte,25/03/1956, p.43.

[2] Op.Cit.

[3] Op.Cit.

SOBRE A CRIAÇÃO DO MUNICIPIO DE MONTE ALEGRE

 


         Em 1953 se discutiam na Assembleia Legislativa a criação de novos municípios no Estado e como sempre ocorre, os municípios cedentes faziam propaganda contra os seus desmembramentos.

         Dentre essas discussões estava uma sobre a criação do município de Monte Alegre que seria desmembrado do de São José de Mipibu, que naturalmente era contra esse desmembramento.

         O jornal Tribuna do Norte apresentou artigo em que partidários pró-criação do município em apreço apresentavam razões pela qual o mesmo deveria ser criado, vejamos:

“Necessário se torna que a opinião pública do Estado conheça as evasivas de que lançam mão os adversários do progresso para obstar a emancipação político-administrativa de Monte Alegre.

Monte Alegre é, talvez, a mais próspera vila do Estado, considerada mesmo a terceira em população e a segunda no tocante aos requisitos exigidos pela Lei para constituir-se em Município como pretende, e será declarado dentro em pouco pela Assembleia Legislativa do Estado.

Não se justifica de modo nenhum, essa reação apaixonada de elementos da Cidade de São José de Mipibu contra uma aspiração tão legitima quão merecida, que, ardentemente acalentada no coração de todos os Montealegrenses, vai ter agora sua objetivação neste grito de liberdade, que ha de ecoar certamente nas plagas verdejantes do seu ubérrimo vale”.[1]

De acordo com o referido jornal eis alguns dados esclarecedores “em que se estribam os filhos de Monte Alegre para pleitear a criação do seu Município”: População da vila, 1.219 habitantes; população do distrito 7.078 habitantes; população do futuro Município de Monte Alegre, de acordo com os limites apresentados no projeto de criação: 15.200 habitantes, ficando ainda o Município de S. José de Mipibu, pois, do desmembramento, com uma população de 20.065 habitantes.[2]

A vila de Monte Alegre

Continuando a campanha justificando a criação do município de Monte Alegre o referido artigo demonstrava que a vila de Monte Alegre era maior do que qualquer uma das seguintes cidades do Estado a época: Apodi, Augusto Severo, Florânia, Ipanguaçu, Jardim de Piranhas, Jardim do Seridó, Jucurutu, Luiz Gomes, Portalegre, São João do Sabugi, São Miguel, São Rafael, São Tomé, Serra Negra do Norte, Taipu, isso segundo  dados apresentados pelo Censo Demográfico de 1950.[3]

Principais melhoramentos da Vila de Monte Alegre

A época do pleito pela criação do município existia em Monte Alegre o  Grupo Escolar Rural João de Paiva, construído pelo Governo Federal, no valor de Cr$ 250.000,00; o Mercado Público, prédio próprio municipal; o Prédio Estadual onde funcionou o Grupo Escolar, servindo  para reuniões sociais; a Cadeia Pública, prédio próprio; o Cemitério Público, todo murado e com 3 portas; a Divulgadora Carlos Gomes, municipal; os Correios e Telégrafos; Agência de Rendas Estaduais; Luz elétrica pública e particular (fornecida por Empresa Particular); o Chafariz Público, municipal; Cartório Judiciário; um gabinete dentário; 20 casas comerciais sendo 6 de tecidos, 2 Padarias, uma farmácia e 11 mercearias; a Igreja Católica, das melhores dos Estado; o serviço de transporte para Natal e outros pontos do Estado, sendo: 1 Ônibus, 2 Caminhões Mistos e 3 simples; o serviço de beneficiamento de algodão, o único do município; 5 fábricas de produção de farinha de mandioca; 7 estábulos, que forneciam leite para a Capital do Estado.[4]

A vila tinha emplacamento métrico em todas as ruas e respectivas casas. Além do mencionado, deve-se ressaltar que a feira de Monte Alegre fornecia os melhores produtos para o consumo público da Capital do Estado, ou seja: carne seca, especial, farinha de mandioca, feijão, milho, batata doce, jerimum, banana, verduras e outros produtos da Região.[5]

Toda a população do Distrito de Monte Alegre estava alerta e em permanente vigília cívica, na expectativa da atuação dos líderes políticos das diversas correntes de opinião, no seio da Assembleia Legislativa do Estado, onde o projeto de criação do novo Município teria a sua marcha vitoriosa.

“Não devem prevalecer absolutamente acordos sinuosos, inspirados em intenções abusivas de maquiavelismo político, quando se trata de atender às aspirações mais justas e mais sentidas de um povo que exige liberdade. E não é uma exigência fortuita, descabida, desarrazoada!

Aquele povo tem realmente direito a essa liberdade, que em condições menos favoráveis já foi deferida a outros distritos do Estado, como Ipanguaçu, São João do Sabugi, Serra Caída, etc., etc.

E convictos da nobreza de sua causa os filhos de Monte Alegre lutarão até o ultimo cartucho até que a vejam triunfante e concretizado, desse modo o seu ideal de povo livre, operoso e progressista”. [6]

Este manifesto de imprensa é um documento histórico fascinante sobre a geopolítica e a história do Rio Grande do Norte na década de 1950. Ele registra o caloroso debate e a campanha popular em prol da emancipação política de Monte Alegre, que até então pertencia ao município de São José de Mipibu.

O texto é extremamente rico por revelar os bastidores políticos, a economia e a infraestrutura da época.

O tom do texto é assumidamente combativo e inflamado. O autor classificava o desejo de autonomia como um legítimo "grito de liberdade" e acusa os opositores em São José de Mipibu de tentarem barrar o progresso local com "evasivas", "maquiavelismo político" e "acordos sinuosos". Esse tipo de tensão era muito comum no período de grande fragmentação territorial no Brasil, onde as cidades-mãe resistiam a perder distritos prósperos que geravam impostos.

Para justificar a emancipação perante a Assembleia Legislativa, o artigo usa dados do Censo Demográfico de 1950. É uma excelente fonte documental que apontava que a vila contava com 1.219 habitantes na área urbana, mas o distrito totalizava 7.078 pessoas.

O projeto do novo município previa englobar uma população de 15.200 habitantes.

O autor faz uma comparação direta para mostrar a força de Monte Alegre, afirmando que a vila já era maior do que 15 cidades consolidadas do estado na época, citando exemplos como Apodi, Florânia, Jucurutu e Taipu.

Os dados apresentados funcionavam como um inventário de modernidade para provar que o distrito tinha condições de andar sozinho. O texto lista com orgulho o Mercado Público (prédio próprio municipal); o Grupo Escolar Rural João de Paiva, financiado pelo Governo Federal pelo expressivo valor de Cr$ 250.000,00; os serviços públicos essenciais como Cadeia Pública, Correios e Telégrafos, Agência de Rendas Estaduais, Cartório, Gabinete Dentário, Chafariz e iluminação elétrica (ainda fornecida por empresa particular); o comércio local pulsante, composto por 20 casas comerciais (incluindo 6 lojas de tecidos, 2 padarias, 1 farmácia e 11 mercearias) e o avanço urbano simbolizado pelo "emplacamento métrico em todas as ruas e respectivas casas".

O manifesto revelava ainda o papel crucial de Monte Alegre no abastecimento da capital do estado, Natal. O distrito apresentava uma forte vocação agropecuária, destacando-se pelo  beneficiamento de algodão (o "ouro branco" do Nordeste na época); a presença de cinco fábricas de farinha de mandioca; sete estábulo focados especificamente em fornecer leite para a capital e uma feira livre que enviava produtos de peso para o consumo dos natalenses, como carne seca especial, feijão, milho, batata-doce, jerimum e verduras.

Para escoar tudo isso e transportar passageiros, o texto mencionava uma frota de "1 Ônibus, 2 Caminhões Mistos e 3 Simples".

Em suma, este documento reconstrói com precisão a fotografia socioeconômica de Monte Alegre em 1950. Ele traduz o orgulho de um povoado que cresceu a ponto de se sentir mais forte do que a própria sede e que, através da "vigília cívica", pressionou os deputados estaduais até conquistar a sua tão almejada autonomia política (que se consolidou oficialmente em 1953).

A criação do municipio

Finalmente após os debates acerca da criação de novos municípios no Estado a Assembleia Legislativa resolveu aprovar, em 13/11/1953, por maioria, em terceira discussão, os projetos criando os municípios de São Bento do Norte, desmembrado de Baixa Verde, Monte Alegre, de São José de Mipibu e Panatís. [7]

Em seu despacho de 25/11/1953, o governador sancionou a lei 929, pela qual ficava criado o Município de Monte Alegre. A nova circunscrição, desmembrada de São José de Mipibu, teria por sede a vila do mesmo nome, que passava assim à categoria de cidade.

A administração dos negócios públicos do novo município caberia a um prefeito nomeado pelo chefe do Executivo, até que fossem realizadas eleições municipais. Sua instalação foi designada para 1.º de janeiro de 1954.

Por despacho de 06/01/1954, do Chefe do Executivo, foi nomeado prefeito do Município de Monte Alegre, o coronel da reserva Severino Raul Gadelha, tomando posse em 10/02/1954.

Assim, Monte Alegre foi um dos novos municípios criados pela Assembleia Legislativa, de acordo com o artigo 4. da Lei n. 929 de 25 de Novembro de 1953, e desmembrado do de São José de Mipibu.

De acordo com o jornal Tribuna do Norte, que fora convidado para cobrir a instalação do município e a posse do prefeito, “embora não tenha ainda uma população de densidade acentuada, a cidade de Monte Alegre faz jus á distinção que lhe foi conferida, pois possui um número elevado de casas, muitas delas modernas, vendo-se nisso o espírito de urbanidade dos seus habitantes. De agora por diante, não temos dúvida, a Cidade aumentará a sua febre de crescer, pois o incentivo lhe foi dado.

Basta que o pleito de outubro que se avizinha, os montalegrenses saibam escolher entre os homens de sua terra, aquele que tenha pendor administrativo e capacidade de trabalho, a fim de que novos horizontes se descortinem a um povo laborioso e ordeiro”.[8]

O referido jornal, que fora especialmente convidado, se fez representar na festa de posse do Prefeito Severino Raul Gadelha, a quem desejava votos de uma feliz administração.



[1] Tribuna do Norte,29/09/1953, p.8.

[2] Op.Cit.

[3] Op.Cit.

[4] Op.Cit.

[5] Op.Cit.

[6] Tribuna do Norte,29/09/1953,p.8.

[7] Tribuna do Norte,14/11/1953, p.1

[8] Tribuna do norte,10/02/1954,p.4

SOBRE ESCOLAS DE ESTREMOZ EM 1962

 

O Governador Aluízio Alves, em aviso n. 738, de 17/05/1962, recomendou ao Secretário de Educação entender-se com o DVOP, para estudar fórmulas de execução de serviços em diversas escolas isoladas do município de Ceará-Mirim.

Este foi o Aviso:

"Senhor Secretário de Educação,

Favor entender-se com o DVOP estudando a fórmula mais rápida de executar os seguintes serviços, mediante orçamentos a serem aprovados: nas Escolas Isoladas de Ceará Mirim, que acabo de visitar.

EM EXTREMOZ — Escolas Reunidas "Felipe Camarão" — restauração do teto, limpeza, reparos gerais. Em seguida, o Departamento de Educação providencie carteiras e quadro negro.

EM ARAÇÁ — Restauração do teto, reparos gerais e limpeza. O Departamento de Educação providencie carteiras e quadro-negro.

ESTIVAS — Reparos gerais e limpeza. O Departamento de Educação: carteiras, quadro-negro e filtro.

GENIPABÚ — Reparos gerais e limpeza. O Departamento de Educação: carteiras e quadro-negro.

CAPIM — O Departamento de Educação: carteiras, bandeira nacional, quadro-negro.

COQUEIROS — Reparos gerais, reconstrução do muro. O Departamento de Educação: carteiras e quadro-negro.

Cordialmente, ALUIZIO ALVES"[1]

Este documento marca uma transição temporal interessante em relação a educação em Estremoz. Aqui já estamos na década de 1960, durante o governo de Aluízio Alves no Rio Grande do Norte.

O texto mostra um despacho direto e pragmático do governador cobrando melhorias estruturais básicas (reparos de teto, envio de carteiras, quadros-negros e até mesmo filtros de água e bandeiras nacionais) para as escolas de diversas localidades da região, incluindo novamente a tradicional Escolas Reunidas Felipe Camarão, em Estremoz.



[1] Tribuna do Norte,18/05/1962,p.8.

SOBRE INAUGURAÇÃO DE PRÉDIOS ESCOLARES DE ESTREMOZ EM 1950

 

Em 1950 ocorreu a visita do Governador José Varela ao município de Ceará-Mirim e à vila de Extremoz.

Em companhia do deputado Manoel Varela de Albuquerque, candidato á sucessão governamental, de Romulo Wanderley, Diretor do Departamento de Educação, e do sr. Luiz Moura, chefe de Divisão do Departamento de Agricultura, o Governador José Varela visitou, 23/07/1950, o município de Ceará-Mirim, a fim de inaugurar três prédios escolares.[1]

Às 9h30 chegou o governador. á vila de Estremoz, onde o aguardava o sr. Vital Correia, vice-prefeito do município, acompanhado de inúmeras pessoas de influência política e social, estando formados os alunos das Escolas Reunidas Felipe Camarão, tendo á frente as respectivas professoras.

A escola de Estivas

Após pequena demora, rumou a comitiva governamental para o povoado de Estivas, sendo festivamente recebida.

No prédio da Escola Rural, recém-construída, foi levado a efeito um programa em honra do Chefe do Governo e das demais autoridades presentes. As alunas Riselda Carneiro e Francisca Araujo, da Escola Isolada de Estivas, e Guiomar Carneiro e Nil... [ilegivel], da Escola Isolada de Pedrinhas declamaram poesias cívicas.

A seguir, Joaquim Luiz saudou o Governador José Varela, exaltando a obra de governo realizada, inclusive a pacificação da família potiguar.

Falaram, depois, o dr. Romulo Wanderley, o Deputado Manoel Varela de Albuquerque e o Governador José Varela, que declarou inaugurado o prédio da Escola Rural da localidade e disse que, atendendo ao apelo da população de Estivas, ia mandar atacar, imediatamente, os serviços de uma estrada ligando aquele próspero povoado a estrada de Natal.

Na residência do sr. Manoel Carneiro foi oferecido um almoço á comitiva governamental.

A escola de Poço

No lugar Poço, o governador José Varela inaugurou o prédio da escola que mandara construir. Ali, estavam os alunos devidamente formados, sob a direção da professora Esmeralda Teixeira e Silva. Fizeram-se ouvir as alunas Maria das Virgens do Nascimento, Nisia Floresta de Amorim e Iraci Soares, em poesias cívicas.

Sobre a solenidade falou a diretora da Escola, seguindo-se com a palavra o dr. Romulo Wanderley, Governador José Varela e deputado Manoel Varela de Albuquerque.

A escola de São Miguel

Por fim, a comitiva se dirigiu ao povoado São Miguel acompanhada dos alunos e da professora da Escola de Poço, assim como do sr. Vital Correia, João Alves de Melo e senhora, Félix Falcão e muitos outros.

Na residência do tenente [?] Pedro Costa, oficial reformado da Polícia Militar, foram os visitantes cumprimentados por muitas pessoas, inclusive humildes trabalhadores, que pleitearam do Governador a concessão de terras do Estado, nas quais vinham trabalhando há muitos anos. O governador prometeu atendê-los por julgar de justiça o que pretendem.

Ali falaram o Governador José Varela, Deputado Manoel Varela e o dr. Romulo Wanderley, tendo saudado o governador o sr. Felix Falcão.

Depois, foi procedida à inauguração do prédio em que passará a funcionar a escola de Poço.

O regresso

Às 19 horas o governador e comitiva estavam de regresso a capital.

Essas informações são verdadeiras relíquias históricas! Elas registram com detalhes uma comitiva política marcante para a região de Ceará-Mirim e Estremoz.

Analisando o teor do texto, há pontos muito ricos que nos ajudam a entender a época em que José Varela foi governador do Rio Grande do Norte.

A viagem do governador teve como ponto central a inauguração de três prédios escolares, passando pelas Escolas Reunidas Felipe Camarão em Estremoz, pela Escola Rural de Estivas e pela Escola de Poço.

É muito interessante notar como o civismo era forte. Em todas as paradas, as crianças ficavam "devidamente formadas" e as alunas recitavam "poesias cívicas" para o governador. O texto do citado jornal faz questão de nominar as meninas (como Riselda Carneiro, Francisca Araújo, Maria das Virgens, Nísia Floresta e Iraci), imortalizando esses nomes no arquivo histórico.

Além das escolas, o governador aproveitou o clamor popular em Estivas para prometer o início imediato das obras de uma estrada ligando o povoado a Natal, mostrando como o isolamento das comunidades era um grande desafio na época.

O texto começa mencionando que o deputado Manoel Varela de Albuquerque estava na comitiva e era o "candidato à sucessão governamental". Ou seja, aquela viagem oficial de inaugurações também funcionava como uma poderosa engrenagem de campanha política (o famoso "corpo a corpo" no interior), levando o herdeiro político do governador para ser visto e atrealado às benfeitorias.

O relato do jornal Tribuna do Norte mostra como a comitiva era recebida pelas elites locais, com banquetes na casa de cidadãos ilustres (como o almoço na residência do Sr. Manoel Carneiro).

Por outro lado, o trecho final em São Miguel revela um contraste social importante: o encontro do governador com "humildes trabalhadores". Eles usaram a rara presença da autoridade máxima do estado para pleitear a concessão das terras onde já trabalhavam há muitos anos. O registro diz que o governador prometeu atendê-los "por julgar de justiça o que pretendem" — um vislumbre das antigas lutas por terra e reconhecimento na região.

         A Escola Rudimentar de Estivas foi criada pelo decreto nº 233, de 23 de maio de 1924.

         Pelo decreto nº 309, de 25 de setembro de 1937 foi transferida do lugar Estiva de Cima para o Núcleo São Miguel, a escola isolada que ali funcionava.

Não encontramos a data de criação da escola isolada do Poço.



[1] Tribuna do Norte, 25/07/1950, p.6.

SOBRE CEARÁ-MIRIM EM 1955

 

                                      Centro Esportivo e Cultural de Ceará-Mirim

                                       Tribuna do Norte, 25/12/1955, p.33.

         Avenida Barão de Rio Branco vendo-se a balaustrada de proteção da linha férrea e um vagão de trem.

Tribuna do Norte, 25/12/1955, p.33.



Maternidade de Ceará-Mirim
Tribuna do Norte, 25/12/1955, p.33.