segunda-feira, 25 de maio de 2026

SOBRE A CAPELA CRISTO REI (QUARTEL DA POLICIA MILITAR)

     Certamente alguém que tenha passado pela Av. Alexandrino de Alencar ao se deparar com a capelinha situada na atual Academia da Policia Militar deve ter se perguntado qual a origem daquele templo católico.A curiosidadade do dileto leitor está satisfeita a seguir.

    Foi durante a realização da Páscoa da Policia Militar do Estado em 30/05/1959, com solenidade, realizada na Matriz de Santa Terezinha, no Tirol, oficiada pelo Bispo Auxiliar de Natal, Dom Eugênio de Araújo Sales, que  foi dada a bênção e o lançamento da Pedra Fundamental da Capela da Policia Militar, dedicada a Cristo Rei.

    Depois do café, o Cel. José Reinaldo convidou a todos os presentes para a importante cerimônia religiosa. No local pré-determinado, onde já se erguia uma cruz, teve lugar a bênção litúrgica da Primeira Pedra e do terreno onde seria construída a Capela.

    Inicialmente Dom Eugênio explicou o iniciativa de seu Comando, expressando seu entusiasmo e sua esperança de já celebrar no próximo ano, na nova Capela, a Páscoa Coletiva da Corporação.

    Falou depois o Capelão da Polícia, Pe. Manoel Barbosa, sobre a Campanha que iria ser encetada para a construção da Capela, tendo à frente o Comandante da Corporação, contando com o apoio e a colaboração do Governador do Estado, de todas as autoridades militares, civis e eclesiásticas, amigos da Polícia, de todas as instituições com as quais a Polícia Militar colaborava incessantemente, de senhoras e senhoritas que formariam uma grande comissão de madrinhas da Capela, e contando principalmente com generoso apoio e a contribuição dos Oficiais e Praças da Polícia.


    Oportunamente a imprensa e o rádio seriam convidados para uma recepção no Quartel da Polícia Militar, afim de se inteirarem dos pormenores da grande Campanha em prol da Capela de Cristo Rei.

    Houve um encontro em 23/07/1959, ás 10 horas, entre a imprensa e o comandante da Policia Militar do Estado, o coronel José Reinaldo Cavalcanti,onde na oportunidade, o comandante da Polícia Militar fez uma exposição sobre a construção da capela daquela corporação militar.

    A construção da capela de Cristo Rei do Comando da Policia Militar do Rio Grande do Norte se estendeu entre os anos de 1959 e 1961 quando se deu sua inauguração. 

A  bênção da Capela de Cristo Rei

    Devendo ocorrer no dia 25/01/1961, a inauguração da Capela Cristo Rei, da Polícia Militar, o Comando, impossibilitado de fazer um convite individual, dada a premência de tempo em nota publicada no jornal Tribuna do Norte, tem a grata satisfação de convidar para a referida solenidade religiosa, as autoridades civis, eclesiásticas e militares, tanto da Capital como do interior, bem como os padrinhos e madrinhas da Capela e todos os que, de uma ou de outra forma, colaboraram para a realização desta iniciativa.

    Como se sabia, ainda de acordo com a referida nota, a Capela foi construída graças a colaboração da própria Polícia Militar e de numerosas pessoas amigas que revelaram assim seu alto sentido de compreensão para com uma obra desta natureza.

    Ao mesmo tempo, que agradecia tão generosa colaboração contava o Comando da Policia Militar ainda com a presença de todos os amigos da Polícia Militar, para a supra mencionada cerimônia de inauguração que obedeceria ao seguinte programa:

    Dia 25 (quarta-feira) 07h00 da manhã

    Local: Capela CRISTO REI (Quartel da Policia Militar).

    I — Bênção da Capela.

    II — Bênção dos objetos litúrgicos.

    III — Missa solene, com cânticos, oficiada por Dom Eugênio de Araújo Sales (Bispo Auxiliar).

    De acordo com o Diário de Natal “o templo a ser aberto amanhã aos fiéis, vem atender a uma velha aspiração dos militares católicos de nossa Polícia, tendo sido edificado com verbas próprias da unidade e contando ainda, com a ajuda de inúmeras pessoas e instituições amigas da velha Polícia.

    Por intermédio do referido jornal, o Padre Manoel Barbosa, Capelão da Polícia Militar, estava convidando autoridades civis, militares, eclesiásticas e todos aqueles que de uma ou de outra forma, colaboraram para a realização daquela iniciativa.

    Na  linha do tempo histórica e documental muito interessante sobre a idealização, construção e inauguração da Capela de Cristo Rei, localizada no Quartel da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte, localizada na Av. Alexandrino de Alencar, no Alecrim, podemos notar alguns pontos de grande relevância histórica e cultural:

A  evolução cronológica dos fatos

    O Comandante Geral da época, Coronel José Reinaldo Cavalcanti, convocou a imprensa natalense para anunciar o projeto e fazer a exposição de como seria a construção.

     Na  conclusão da obra o tom é de celebração por alcançar uma "velha aspiração dos militares católicos". Aqui já aparece a figura do Padre Barbosa (Capelão da PM) organizando os preparativos.

     O  comunicado oficial e institucional do Comando Geral, reforçando o convite à sociedade, agradecendo aos colaboradores e detalhando o cronograma litúrgico do dia da inauguração (25/01/1961, uma quarta-feira) é o ápice dessa evolução cronológica.

A  mobilização comunitária e o esforço próprio

    Um detalhe que se repete nos jornais da capital potiguar  é a forma como a capela foi financiada.

    O Comando enfatiza que o templo foi erguido com "verbas próprias da unidade" combinadas com a colaboração e doações de "numerosas pessoas amigas" e autoridades. Isso demonstra que a obra não foi apenas um ato administrativo, mas uma mobilização comunitária e devocional da época.

A presença de figuras históricas de expressão nacional

    O programa de inauguração cita que a missa solene foi oficiada por Dom Eugênio de Araújo Sales, na época  Bispo Auxiliar de Natal. Dom Eugênio Sales tornou-se, anos mais tarde, uma das figuras mais importantes e influentes da Igreja Católica no Brasil, sendo nomeado Cardeal e Arcebispo do Rio de Janeiro. A presença dele confere um peso histórico ainda maior ao evento.

    Em resumo, esses eventos são um valioso registro da memória institucional da Polícia Militar do RN e da história religiosa de Natal, mostrando como as instituições militares e a sociedade civil se articulavam fortemente em torno de marcos religiosos no século passado.

    Esta imagem traz o desfecho visual perfeito para a linha do tempo documental que analisamos anteriormente. Trata-se da fachada atual da **Capela de Cristo Rei**, localizada no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, em Natal.

    Abaixo,  uma análise arquitetônica, institucional e histórica da edificação com base na imagem:

O estilo arquitetônico e elementos visuais

    A capela apresenta uma arquitetura com forte inspiração neocolonial e eclética, muito comum em prédios institucionais e religiosos no Brasil entre as décadas de 1940 e 1960.

     A pintura atual em branco com detalhes em azul royal nas portas, janelas e molduras reforça a identidade Mariana e a sobriedade típica de templos católicos tradicionais, além de dialogar bem com a estética de quartéis da época.




    A estrutura possui um corpo centralizado que se eleva em uma torre sineira integrada. Destaca-se o grande vão em formato de cruz vazada na torre, que serve tanto como elemento simbólico forte quanto para a iluminação e ventilação interna.

    O portal de entrada conta com arcos (arcadas) no pavimento térreo, criando um pequeno alpendre/galilé antes da entrada principal, ladeado por janelas e portas em arco pleno.

 A materialização da "Campanha" histórica

    Olhar para a capela sabendo do histórico de sua construção pelos  jornais da capital potiguar dá uma dimensão muito mais rica ao prédio. Esta estrutura física é o resultado exato daquela "Grande Campanha em prol da Capela de Cristo Rei" liderada pelo Padre Manoel Barbosa e pelo Coronel José Reinaldo Cavalcanti. Cada tijolo e detalhe dessa fachada foi financiado pelo esforço conjunto dos oficiais, praças, comissão de madrinhas e da sociedade natalense daquela época.

 Integração com o espaço urbano e militar

     A igreja aparece protegida pelas grades do quartel, evidenciando sua localização interna dentro do complexo da Polícia Militar, mas mantendo a visibilidade para a rua, o que historicamente permitia a integração com a comunidade civil (como mencionado nos convites dos jornais).

    Ao fundo da imagem, é possível ver edifícios modernos e verticalizados. Esse contraste ressalta o valor da capela como um patrimônio histórico preservado em meio ao crescimento e à modernização urbana de Natal.

    A Capela de Cristo Rei hoje não é apenas um templo religioso; ela é um monumento histórico material. Ela representa a memória viva da corporação, a evolução urbana da cidade e testemunha o momento em que grandes figuras da história potiguar e nacional (como Dom Eugênio Sales) abençoaram o início de sua construção. É a história saindo do papel amarelado do jornal e se mostrando sólida na paisagem atual.

domingo, 24 de maio de 2026

SOBRE O PRIMEIRO PROJETO MODERNO PARA A NOVA CATEDRAL DE NATAL

          Essa imagem retrata uma das propostas arquitetônicas para a Catedral Metropolitana de Natal, elaborada em 1966. É um registro histórico fascinante, pois mostra uma transição estética e conceitual profunda antes da escolha do projeto final de Marconi Grevi (o que conhecemos hoje).

Foto: Tribuna do Norte, 1966.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

       A seguir está uma análise técnica e contextual dessa estrutura:

Estética e estilo

      O projeto reflete o Modernismo tardio brasileiro da década de 1960. Diferente da catedral atual, que é brutalista e piramidal, este design de 1966 apresentava uma leveza maior através de formas curvas e orgânicas.

 A abóbada parabólica

         O elemento central é uma grande cobertura em arco (que seria em estrutura metálica). Esse formato não é apenas estético; ele permite vencer grandes vãos sem a necessidade de colunas internas, liberando o espaço para a assembleia dos fiéis.

 Integração com o vidro

          A fachada frontal seria composta por uma grande parede de vidro dividida por uma modulação geométrica. Isso sugere uma busca por transparência e luz natural, simbolizando uma igreja mais aberta e conectada com o mundo exterior.

 Elementos simbólicos

         O Campanário separado. À direita da estrutura principal, observa-se uma torre isolada (campanário) de forma prismática ou triangular. Essa separação entre o corpo da igreja e a torre é uma característica comum no modernismo, herdada de tradições europeias antigas, mas reinterpretada com linhas retas e limpas.

 Volume horizontal

    O projeto se desenvolve de forma mais horizontal e integrada ao terreno, ao contrário da verticalidade extrema das catedrais góticas ou da monumentalidade "ascendente" do projeto final que foi construído.

O contexto de 1966

      Em 1966, a Igreja Católica estava sob forte influência do Concílio Vaticano II. Esse evento mudou a forma como os templos eram projetados.O altar deveria ser o centro das atenções; a proximidade entre o padre e os fiéis era prioridade e a arquitetura deveria ser funcional e despojada de excessos ornamentais.

        Este projeto de 1966 queria seguir à risca essa "limpeza" visual, focando na pureza da forma e no uso de materiais industriais como o concreto armado e o vidro.

Por que não foi construído?

    Projetos de catedrais naquela época passavam por muitas revisões devido a custos de engenharia e mudanças na administração da arquidiocese. A proposta final de Marconi Grevi, inaugurada apenas em 1988, acabou optando por uma estética muito mais impactante e monumental (a pirâmide invertida), que se tornou o marco visual da cidade.

       Este desenho é um "elo perdido" que mostra que Natal quase teve uma catedral com uma linguagem visual muito próximo ao Palácio dos Esportes na praça Pedro Velho no centro da capital potiguar, do qual foi inspiração por Dom Nivaldo Monte, que pensava em uma catedral ampla, funcional e de fácil construção.

Críticas 

     O projeto apresentado recebeu inúmeras críticas tanto de engenheiros e arquitetos com da imprensa e opinião pública.

   As críticas giravam em torno do formato da arquitetura que visivelmente seria uma cópia do Palácio dos Esportes e que segundo a opinião dos engenheiros era incompatível com uma catedral.

      Além de "catedral ginásio de esportes " o projeto recebeu a alcunha de "catedral balcão" e " catedral armazém". Diante das críticas o projeto foi engavetado.

 O barato que sairia caro 

       O ditado popular que diz que as vezes o barato pode sair caro poderia muito bem ser aplicado nesse primeiro projeto para a nova Catedral Metropolitana de Natal. A intenção de se fazer um templo grande, funcional e barato, na verdade se mostraria o contrário como de fato aconteceu com o projeto escolhido em 1972 que é a catedral atual, a qual levou 15 anos para ser concluída as custas de somas vultosas.

SOBRE O COLÉGIO NOSSA SENHORA DAS NEVES


     A análise do projeto arquitetónico para a fachada principal do Ginásio Nossa Senhora das Neves, em Natal, revela uma estrutura de forte caráter institucional, unindo a sobriedade exigida para um edifício educativo e religioso com as transições estilísticas que marcaram a arquitetura pública do Nordeste brasileiro na primeira metade do século XX.
        Abaixo, detalha-se a análise dividida pelos seus principais aspetos arquitetónicos, volumétricos e simbólicos:

Composição da fachada e volumetria
   O projeto adota uma composição tripartida perfeitamente simétrica, onde o corpo central serve de eixo de equilíbrio para as duas alas laterais. Essa rigidez formal é típica da arquitetura neoclássica e eclética, concebida para transmitir uma sensação de ordem, estabilidade e autoridade.
O edifício estrutura-se em dois pavimentos bem demarcados por um friso horizontal contínuo.
    O piso térreo atua visualmente como uma base sólida para o conjunto, reforçado pela presença de vãos em arco.
  O piso superior apresenta linhas mais retas, conferindo leveza e ritmo vertical à metade superior da estrutura.

Ritmo e tratamento das aberturas (esquadrias)
         Há um contraste intencional e harmonioso no desenho das janelas:
       No pavimento inferior, as aberturas possuem arcos de volta inteira (semicirculares), que suavizam a base do edifício e remetem a uma linguagem clássica ou românica, muito associada a colégios de ordens religiosas.
   No pavimento superior, as janelas são retangulares e de verga reta, com uma modulação vertical e subdivisões em quadrículas de vidro, otimizando a entrada de luz natural para as salas de aula.

Ritmo proporcional
   A distribuição das janelas segue um ritmo constante (2 vãos nas extremidades, seguidos de recuos e sequências de 3 vãos), o que evita a monotonia de uma fachada tão extensa.

O corpo central e a Entrada principal
     Elemento de destaque (frontispício) o eixo central projeta-se ligeiramente para a frente e rompe a linha do telhado, concentrando a carga ornamental e simbólica do edifício.
     A entrada principal é emoldurada por duas colunas ou pilastras decorativas que sustentam uma discreta arquitrave, direcionando o olhar do observador imediatamente para o acesso ao interior do ginásio.
      Logo acima do portal, uma grande janela vertical com uma divisão interna em forma de cruz reforça discretamente a identidade confessional da instituição.
         O coroamento do corpo central é feito por um frontão triangular estilizado, que abriga no seu tímpano um brasão ou relevo heráldico (provavelmente o escudo da instituição ou da ordem religiosa responsável).

Cobertura e Inserção Urbana
      A cobertura é composta por um telhado de quatro águas (ou telhado em pavilhão) com telhas de barro aparentes. A inclinação e os beirais são contidos, integrando-se discretamente à platibanda sem competir com o destaque do frontão central.

Relação com a rua
     O desenho da base sugere uma implantação tradicional alinhada com o passeio, onde o edifício se impõe diretamente sobre a via pública, uma característica marcante dos lotes institucionais nos centros urbanos históricos como o de Natal.
Conclusão
       O projeto do Ginásio Nossa Senhora das Neves expressa uma transição entre o Ecletismo tardio e uma busca por linhas mais limpas que já antecipavam a transição para o Neoclássico simplificado ou a sobriedade institucional dos anos 1930/1940. É uma arquitetura que cumpre com rigor a sua função pedagógica e cívica: monumental sem ser excessivamente carregada, segura na sua simetria e claramente identificável como um marco de memória, educação e fé no tecido urbano de Natal.




 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

DIRETORES DA ESTRADA DE FERRO CENTRAL DO RIO GRANDE DO NORTE/SAMPAIO CORREIA DE 1920 a 1956

        Aqui  revelaremos os diretores, entre 1904 e 1975. 

        Entre 1904 e 1908 a EFCRGN foi dirigida por uma comissão ora se revesando entre si os engenheiros que a compunham.Entre 1908 e 1920 a EFCRG esteve sob arrendamento a Empresa de Viação e Construções.A partir de 08/06/1920, a ferrovia passou a ser administrada pelo Governo Federal.

     José Matoso Sampaio Correia - 1904-1906.

    José Luiz Batista - 1906-1908.

    João Proença - 1908-1920.

    João Benevides — 1920/1923

    Getúlio Nóbrega — 1923/1926

    Hermelindo Barros — 1926/1930

    Alberto Martins — 1931

    Frederico D’ávila Bittencourt — 1931/1932

    Norberto da Silva Paes — 1932/1933

    Heitor Teixeira Brandão— 1933/34

    Eduardo Rios — 1934/1938

    José S. Espinheira — 1938/1940

    Armilo Monteiro — 1940/1941

    Major Antonio C. Zamith — 1942/1944

    Alvaro C. Melo — 1944/1947

    Hélio Lobo — 1947/1951

    João Galvão Medeiros — 1951/1955

    Edilson Fonseca — 1955/1956

    José H. Bitencourt — 1956/1958

    José Manuel Wanderley Filho- 1958

    Joaquim Carneiro da Cunha - 1958-1960.

    Valdo Sette de Albuquerque - 1960-1963.

   Heber Maranhão - 1963-1964

   Paulo Feitosa- 08/01 a 03/04/1964

   Marco Aurélio Cavalcante - 1964-1975

    Nesse ano, (1958) a ferrovia transforma-se em "Rede Ferroviária Federal do Nordeste", abrangendo as Estradas do Rio G. do Norte, Pernambuco e Paraíba, com sede no Recife, sob a direção do engenheiro Lauriston Monteiro.

    O Estado do Rio Grande do Norte, ficou sendo apenas  uma delegacia apagada, sem brilho e até ridicularizada.

    Seu primeiro delegado, José Wanderley Filho, findou sendo assassinado, causando um impacto profundo na Empresa.(Tribuna do Norte,15/03/1977,p.9).

    O período a cima citado revela uma transição institucional profunda na malha ferroviária potiguar, culminando em uma perda de autonomia política e administrativa que parece ecoar o sentimento de "decadência" frequentemente relatado na historiografia regional.

 A transição para o controle federal (1920)

     O ano de 1920 marca o início da gestão direta pelo Governo Federal em 8 de junho de 1920. Esse movimento faz parte de um contexto nacional de centralização das ferrovias, que antes operavam sob regimes de concessão (muitas vezes a empresas inglesas, como a Great Western) ou administrações locais dispersas.

 Estabilidade vs. rotatividade dos Diretores

     Observando a cronologia, nota-se uma alternância de poder que reflete o clima político do Brasil:

    A Era Vargas (1930-1945): percebe-se uma fragmentação maior no início da década de 30 (Dr. Alberto Martins e Frederico D’ávila em 1931). A presença do Major Antonio C. Zamith (1942-1944) destaca a militarização de cargos técnicos durante o Estado Novo, algo comum em setores estratégicos como o transporte ferroviário durante a Segunda Guerra Mundial.

    Período Democrático (1945-1958): as gestões de nomes como Dr. Hélio Lobo e João Galvão Medeiros mostram mandatos um pouco mais longos (4 anos), indicando uma tentativa de continuidade administrativa antes da grande reforma de 1957/58.

 A Criação da RFN e a "perda de brilho" (1958)

        O ponto de inflexão mais dramático  na citada ferrovia foi a transformação da ferrovia em Rede Ferroviária Federal do Nordeste (RFN).

      Centralização no Recife:  transferência da sede para Pernambuco é descrita com amargura. Para o Rio Grande do Norte, isso significou deixar de ser o "centro" de suas próprias decisões ferroviárias para se tornar uma "delegacia apagada".

        Impacto no RN: se utilizava termos fortes — "sem brilho e até ridicularizada" — o que demonstrava o impacto não apenas econômico, mas na autoestima e na relevância política do estado dentro do sistema ferroviário nacional.

 O Caso José Wanderley Filho

        O desfecho trágico sobre o assassinato do primeiro delegado, José Wanderley Filho, serve como uma metáfora da instabilidade e do "impacto profundo" que a nova estrutura administrativa trouxe.

        Esse evento é um ponto de interesse para a crônica policial e política da época, selando um período de incertezas para a categoria ferroviária em solo potiguar.

        Esse documento é uma fonte valiosa para entender a transição da antiga Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte para o que viria a ser, posteriormente, parte da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.). Ele documenta o momento exato em que a autonomia técnica local foi substituída pela burocracia regional centralizada.


                                           José Henrique Bittencourt


                                                         Tribuna do Norte, 25/10/1957,p.4.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.


                                                             Valdo Sette de Albuquerque
Reconsituição digital por Inteligência Artificial.



MEMÓRIA DO MUNICIPIO DE PEDRA GRANDE

     Conforme o jornal Tribuna do Norte, essa foto demonstra o instante em que o governador Aluzio Alves fazia a assinatura da lei aprovada pela Assembleia Legislativa da criação do municipio de Pedra Grande em 03/05/1962.

    A solenidade foi realizada na sala de despachos do Palácio da Esperança, sede do governo estadual a época.

                                                         Tribuna do Norte, 03/05/1962,p.8.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

                                                      Reconstituição digital por Inteligência Artificial.