sexta-feira, 24 de junho de 2016

A barragem é de Taipu ou Poço Branco?




            Fruto de uma longa espera a barragem do rio Ceará-Mirim começou como barragem de Taipu e foi inaugurada já no município de Poço Branco emancipado ainda quando a barragem estava em construção.Na foto vista aérea da barragem engenheiro José Batista do Rego Pereira em 1975.A barragem começou a ser construída em 1959 e inaugurada em dezembro de 1969 mas ficou totalmente pronta em 1970.
          A imagem foi feita depois da visita de inspeção feita pelo DNOCS logo após a abertura das comportas no ano anterior o que deixou a barragem praticamente seca naquele ano contrastando com a finalidade da barragem que era de conter as cheias do rio Ceará-Mirim.







Diário de Pernambuco, 07/11/75.p.56

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Enquanto isso no pacato município de Taipu há 100 anos passados

Parece que as coisas não estavam lá muito tranquilas no pacato município de Taipu na década de 1910, há 100 anos passados, como se verificará a seguir pelas crônicas policiais recolhidas no jornal do Comércio de Manaus que republicava as notícias dos jornais locais do Rio Grande do Norte. Eis as notícias não tão agradáveis.
Na vila de Taipu por volta de 1 hora da madrugada Minervina Maria Dantas deixou gravemente ferido seu marido Joaquim Ferreira de Andrade após ter lhe dado dois golpes de navalha (JORNAL DO COMÉRCIO,12/02/1910, p.4 ).Ainda na nem tão pacata vila de Taipu, o indivíduo Manoel Farrabamba [veja só o sobrenome da pessoa] depois de ter ido pagar 400 contos que devia ao negociante Joaquim Guedes da Fonseca depois de agredir com injurias  e palavras grosseiras partiu pra cima do seu credor causando-lhe diversos ferimentos. (JORNAL DO COMÉRCIO, 22/04/1913, p.3). Já no lugar chamado Rodeio no município de Taipu, os indivíduos Martins Eloy e Clemente da Silva travaram luta de cacete e foice saindo ambos feridos (JORNAL DO COMÉRCIO, 17/07/1917, p.1) e Antônio Simão do Nascimento vibrou uma punhalada em José Belo deixando-o em estado grave (JORNAL DO COMÉRCIO, 03/07/1917, p.1).
Na Gameleira os indivíduos Francisco Pirá e João Gomes Primo agrediram e feriram a faca Sebastiana Maria da Conceição deixando-a em estado delicado (JORNAL DO COMÉRCIO, 01/08/1918, p.1).Ainda na Gameleira Manoel Alves estando a pandegar em companhia de diversas pessoas travou-se em briga com  José Avelino Ribeiro dando-lhe duas facadas deixando gravemente ferido (JORNAL DO COMÉRCIO, 30/10/1919, p.1).Em Poço Branco, Manoel Vieira de Vasconcelos e Francisco Nicácio armados com rifles e facas tentaram arrombar a casa do cidadão  Theodoro Batista de Carvalho com a finalidade de roubá-lo, no momento que chegava o delegado de Poço Branco este foi agredido por Francisco Nicácio que foi preso e recolhido a cadeia, já o comparsa se evadiu do lugar (JORNAL DO COMÉRCIO, 19/11/1919, p.1).No Matão no distrito de Baixa Verde, Luiz Francisco da Silva em violenta discussão com  Manoel Antônio desferiu um tiro de espingarda cujo projetil atingiu a Francisco Marcolino que se encontrava próximo a briga sendo ferido gravemente no rosto (JORNAL DO COMÉRCIO, 11/03/199, p.1).
Por fim, mas, não menos estarrecedor, em Baixa Verde a menor Francisca da Conceição tendo sido deflorada por seu próprio pai Anselmo Felipe, deu à luz a uma criança enterrando-a no quintal da casa em que moravam. Após o crime, pai e filha desapareceram da localidade, fugindo num animal que furtaram se evadiram em direção ao município de Touros (JORNAL DO COMÉRCIO, 22/03/1920, p.1).
Como visto os eventos ocorreram em períodos de tempos isolados, sendo assim, não eram constantes o que não tira o mérito de lugar pacato de Taipu.A finalidade da postagem não foi para fazer apologia a violência.


terça-feira, 21 de junho de 2016

A odisseia dos engenheiros do DNOS no rompimento da barragem de Taipu



Uma verdadeira odisseia que daria um roteiro de filme aconteceu durante os eventos catastróficos do rompimento da barragem de Poço Branco em 1964.
Os três engenheiros do DNOS foram salvos milagrosamente de serem tragados pelas águas da enxurrada causada pelo rompimento da barragem de Poço Branco.
Os engenheiros estavam na ponte da BR em Taipu quando ouviram ruídos ameaçadores deixaram o local e ficaram alojados num local mais elevado, a enxurrada derrubou a ponte por completo. Os engenheiros ficaram ilhados sem possibilidades de salvamento visto que a correnteza era muito grande e aumentando ainda mais ameaçava levar até o local onde os engenheiros estavam isolados.
Depois de 23 horas naquela situação os engenheiros foram salvos pelo helicóptero do governo do estado resgatando os 3 engenheiros levando-os para a outra margem pouco depois a correnteza levou o local onde os engenheiros ficaram isolados.

O fato foi registrado no jornal a noite, 09/05/1964, p.3.


Helicóptero utilizado para resgatar os engenheiros.Fonte: acervo de joão Maria Vasconcelos.

ao fundo a cheia do rio Ceará-Mirim em Taipu.Fonte:acerrvo de João Maria Vasconcelos

quinta-feira, 16 de junho de 2016

3 Igrejas com arquitetura semelhantes no Rio Grande do Norte



  Há no Rio Grande do Norte 3 igrejas que são semelhantes arquitetonicamente são elas: paróquia de Nossa Senhora Mãe dos Homens de João Câmara; paróquia de São José de São José de Campestre e Paróquia de São Paulo Apóstolo de São Paulo do Potengi – RN. Todas pertencente a arquidiocese de Natal.

  Uma rápida olhada nas imagens e se verá que os traços arquitetônicos das respectivas igrejas saíram da inspiração e das mãos da mesma pessoa como de fato o foi. A planta da nova Matriz é atribuída a Dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas, Arcebispo de Natal e o Pe. Pedro Moura. Vejamos um pouco da história de cada uma das “três paróquias irmãs”.


Paróquia de Nossa Senhora Mãe dos Homens de João Câmara-RN

  João Câmara, antiga Baixa Verde, emancipou-se de Taipu em lei 29/10/1928 pela estadual nº 697. O lugar chamado de Matas cresceu com a chegada da EFCRN sendo a estação ferroviária inaugurada em 12/10/1910.
  A paróquia de Nossa Senhora Mãe dos Homens de João Câmara tem sua data de Criação em 13/11/1929 por dom Marcolino Dantas foi desmembrada de Taipu. A primeira igreja data de 1915, já a nova igreja teve início em 28/02/1938 com o assentamento dos alicerces e serviços de fundação, dirigidos pelo Sr. Antônio Theophilo.
  Em 13/091941 recomeçaram as obras. Em sua planta original, a nova igreja consta como um edifício de 14 metros de largura por 37 metros de comprimento. Cada uma das duas torres mede 20 metros de altura.
  O interior da igreja era composto por um coro entre as duas torres, abaixo do coro uma divisória em madeira com uma porta central. Cada torre tinha uma porta que dava acesso ao átrio entre a porta principal da igreja e a divisória de madeira, não mais existente. As colunas que vemos hoje eram arcadas no espaço de uma para outra.   Havia ainda dois altares laterais, além do altar mor. Ainda conta com pia batismal, confessionário e uma pia de água benta na porta do batistério para as pessoas se benzerem ao entrarem e ao saírem da igreja.
  Em 27/05/1948 foi em uma missa presidida pelo Mons. Vicente Freitas e concelebrada por Frei Damião (pregador) e Frei Fernandes, foi inaugurada a nova Matriz de Nossa Senhora Mãe dos Homens.
  De novembro de 1951 a maio de 1952 foi executado o trabalho da elevação das duas torres sob a orientação do Sr. João Urbano de Araújo. Nesta mesma etapa de construção foi colocado no arco do frontispício da Matriz o vitral com a imagem de Nossa Senhora, sentada, e o Menino Jesus em braços. De um lado e de outro, anjos tocando instrumentos e cantado.Em 1961 Mons. Luiz Lucena, pároco, fez o forro da Igreja Matriz. A partir de agosto de 1963 continuou os trabalhos com os acabamentos, ficando para depois as partes laterais com as possíveis ampliações cruciformes.

                      Igreja matriz de João Câmara-RN

Fonte: pascom joão Câmara, 2010.

  Em 1979, no 50º aniversário de criação da Paróquia, foi construído o novo Presbitério (Capela Mor da Matriz). Ele recebeu altar, credencia, ambão, todos em mármore e o candelabro do Círio.      A parede, com o trono de Nossa Senhora, também foi revestidos de mármore.Além do presbitério, a paredes internas da Matriz foram revestidas de cerâmicas. O piso do presbitério também foi trabalhado em cerâmica. Como vemos a discrição do presbitério que perdurou até a reforma atual. 
  Com os abalos ocorridos em 1985 e 1986 a Matriz de João Câmara também sofreu danos. Todavia, o Batalhão de Engenharia do Exército realizou, dentre os muitos trabalhos de restauração e recuperação da cidade, inclusive as obras de restauração da Matriz, precisamente a sacristia e as torres, as mais atingidas. Na atual reforma foram realizadas melhoria tanto no aspecto estrutural como na capela do Santíssimo Sacramento e no próprio presbitério


Paróquia de São José. São José de Campestre-RN

  A propriedade Campestre, pertencente a José Antônio, deu início em 1890, da ria origem a povoação. O padre Tomaz Aquino Maurício, vigário de Nova Cruz, em passagem pela localidade, celebrou uma missa, improvisando o altar debaixo de uma árvore com uma imagem de São José, cedida pelo pioneiro José Antônio. Depois dessa missa, a localidade passou a ser chamada de São José de Campestre. A primeira capela foi construída de frente para o rio Jacu por Pedro Inácio, no período de 1895 a 1897.
  O povoado foi elevado à categoria de vila no dia 30 de dezembro de 1943, pertencendo ao município de Nova Cruz. Em 23 de dezembro de 1948, pela Lei número 146, São José de Campestre desmembrou-se de Nova Cruz.
  A Paróquia De São José São José de Campestre foi criada em 01/01/1952.

      Igreja matriz de São José de Campestre-RN


Fonte: Vicente A. Queiroz.

  Da igreja matriz de São José e Campestre pouco conseguimos apurar. Vendo que a capelinha era pequena o padre Bianor Aranha e supervisionada pela população lança a campanha para a construção da nova igreja, foi necessário derrubar a antiga capelinha. Foi padre Pedro Moura quem traçou o novo estilo arquitetônico da igreja dando a ela os traços que hoje se vê na igreja, ele assumiu a paroquia em 23/07/1939. Ao padre Omar Bezerra Cascudo é atribuída a conclusão dos serviços da igreja de São José.


Paróquia de São Paulo Apóstolo. São Paulo do Potengi-RN

  No ano de 1912 a intendência de Macaíba reconheceu o núcleo populacional do povoado de São Paulo que já contava com feira e missa realizadas com sucesso. O nome do lugar foi sugerido pelo padre Cicero do Juazeiro, por ser um cidadão romano de grande bravura e virtudes, “São Paulo”, iria combinar muito bem com o povoado.
  O Decreto 603 de 31 de dezembro de 1938 elevou o povoado à condição de distrito com o nome de São Paulo do Potengi, unindo a religiosidade do povo ao rio que banhava o território. Através da Lei N° 268 de 30/11/1943 São Paulo do Potengi foi desmembrado de Macaíba.
  A Paróquia de São Paulo Apóstolo em Paulo do Potengi- RN foi criada 30/11/1943.A Igreja Matriz de São Paulo do Potengi está encravada no centro de São Paulo do Potengi. Trata-se de uma grande obra iniciada na década de 1970 e que hoje recebe fiéis de todas as partes para as celebrações da Igreja Católica.

Igreja matriz de São Paulo do Potengi-RN


Fonte: paróquia de São Paulo do Potengi-RN, 2015.

   A nova igreja matriz de São Paulo do Potengi foi erguida por iniciativa do Monsenhor Expedito Sobral de Medeiros que percebeu que a antiga Igreja já não comportava os fiéis.A igreja da pequena cidade se ergueu com tamanho além do necessário para a época. A igreja ainda preserva parte de sua estrutura original

Parecidas, mas, não idênticas
  As respectivas igrejas são parecidas no estilo arquitetônicos, porem cada qual guarda suas devidas peculiaridades. A igreja de João Câmara por ser a mais antiga deve ter servido de inspiração para as duas subsequentes.
   As três igrejas se localizam em regiões diferentes do estado. João Câmara na região do Mato Grande, São José de Campestre na região agreste e São Paulo do Potengi na região central do estado.


Matriz de São Paulo do Potengi-RN



Fonte: Paroquia de São Paulo do Potengi, 2015.

O letreiro de Taipu



     O letreiro da entrada da cidade de Taipu foi construído em 1986.fica as margens da BR-406 no morro que dá acesso ao hospital municipal.


João Batista dos Santos, 2015.