A seguir alguma imagens restauradas e colorizadas por inteligência artificial que remontam a memória do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima quando este funcionava no prédio construido no Alto da Bela Vista em Taipu.
O referido Grupo Escolar foi o segundo criado em Taipu, tendo sido inaugurado em 25/01/1969 pelo governador Walfredo Grugel.Inicialmente funcionou no prédio construido no Alto da Bela Vista até 1978 quando foi transferido para o prédio construido na Rua Antonio Gomes da Costa (Rua do Fogo) já como Ginásio, tendo sido este o primeiro Ginásio Estadual de Taipu.
No prédio do Alto da Bela Vista o estabelecimento de ensino funcionou somente com educação primária (1ª a 4ª série), já no prédio da Rua Antonio Gomes da Costa, oferecia o ensino fundamental completo (1ª a 8ª série).
| Solenidade civica no Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima com a presença do prefeito Geraldo Lins, possivelmente o desfile civico de 7 de setembro, década de 1970. |
| Solenidade civica no Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima com a presença do prefeito Geraldo Lins, possivelmente o desfile civico de 7 de setembro, década de 1970.Imagem colorizada por IA. |
| Turma da professora Isabel Angélica, possivelmente 1974.Imagem colorizada por IA. |
| Alunos brincando na área externa do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima, década de 1970. |
| Alunos na área externa do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima, onde se pode vê que não havia ainda o muro da escola. |
| Imagem colorizada por IA. |
| Turma da professora Francisca Avelino, 1974.Imagem colorizada por IA. |
No ano de 1969, quando o Brasil vivia sob as tensões e os silêncios do regime instaurado após 1964, a pequena cidade de Taipu assistiu ao nascimento de uma instituição que mudaria o rumo de gerações: o Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima. Em meio às ruas de barro batido, às casas simples e à cadência lenta do interior potiguar, ergueu-se um prédio que representava mais do que paredes recém-pintadas, simbolizava esperança.
A década de 1960 foi marcada por transformações profundas no país. Em 1969, sob a presidência de Emílio Garrastazu Médici, a educação básica expandia-se como parte de uma política que buscava integrar regiões afastadas aos projetos nacionais. No interior do Rio Grande do Norte, essa expansão tinha sabor de conquista. Para Taipu, a criação do grupo escolar significava romper ciclos históricos de evasão e analfabetismo.
O nome da escola — Clotilde de Moura Lima — evocava memória e respeito. Era comum que instituições escolares homenageassem figuras ligadas à educação ou à vida comunitária. Ao carregar esse nome, o grupo escolar inscreveu-se na tradição de reconhecer aqueles que, mesmo antes da formalização do ensino, já plantavam sementes de saber nas salas improvisadas, nas varandas das casas, nas catequeses dominicais.
O prédio inicial era simples: salas amplas, janelas altas para enfrentar o calor do sertão, carteiras de madeira alinhadas com rigor. No pátio, uma bandeira hasteada todas as manhãs lembrava às crianças que ali se aprendia não apenas a ler e escrever, mas também a pertencer. O som do sino marcava o início das aulas, ecoando pelas redondezas como um chamado à disciplina e ao futuro.
Para muitas famílias de Taipu, a escola representava a primeira possibilidade concreta de ascensão social. Pais lavradores, comerciantes e servidores públicos viam nos cadernos dos filhos a chance de uma vida menos árdua. As mães acompanhavam as tarefas à luz de lamparinas; os pais orgulhavam-se das primeiras letras escritas com firmeza ainda trêmula.
Os primeiros professores assumiram uma missão que transcendia o currículo. Ensinavam português e matemática, mas também valores, convivência, respeito. Em tempos de escassez de recursos, improvisavam materiais, adaptavam conteúdos à realidade local, integravam festas cívicas ao calendário letivo. A escola tornou-se espaço de encontros, de apresentações culturais, de celebrações que fortaleciam o tecido social da cidade.
Com o passar dos anos, o Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima consolidou-se como referência educacional em Taipu. Ex-alunos tornaram-se professores, comerciantes, profissionais liberais, líderes comunitários. Cada trajetória carregava, em algum ponto, a marca daquele prédio inaugurado em 1969.
Mais do que uma instituição de ensino, o grupo escolar tornou-se símbolo de identidade. Ali se formaram amizades duradouras, despertaram vocações, enfrentaram-se desafios. Em seus corredores, misturavam-se risos infantis e expectativas adultas. O que começou como iniciativa administrativa transformou-se em patrimônio afetivo.
Assim, a história do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima confunde-se com a própria história de Taipu na segunda metade do século XX. Fundado em um período de incertezas nacionais, floresceu como espaço de construção coletiva. Entre cadernos, quadros-negros e sonhos, a escola provou que mesmo em tempos difíceis é possível semear futuro — e colher dignidade.