domingo, 15 de fevereiro de 2026

MEMÓRIA FOTOGRÁFICA DO GRUPO ESCOLAR CLOTILDE DE MOURA LIMA (ALTO DA BELA VISTA)

             A seguir alguma imagens restauradas e colorizadas por inteligência artificial que remontam a memória do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima quando este funcionava no prédio construido no Alto da Bela Vista em Taipu.

           O referido Grupo Escolar foi o segundo criado em Taipu, tendo sido inaugurado em 25/01/1969 pelo governador Walfredo Grugel.Inicialmente funcionou no prédio construido no Alto da Bela Vista até 1978 quando foi transferido para o prédio construido na Rua Antonio Gomes da Costa (Rua do Fogo) já como Ginásio, tendo sido este o primeiro Ginásio Estadual de Taipu.

          No prédio do Alto da Bela Vista o estabelecimento de ensino funcionou somente com educação primária (1ª a 4ª série), já no prédio da Rua Antonio Gomes da Costa, oferecia o ensino fundamental completo (1ª a 8ª série).

Solenidade civica no Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima com a presença do prefeito Geraldo Lins, possivelmente o desfile civico de 7 de setembro, década de 1970.

Solenidade civica no Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima com a presença do prefeito Geraldo Lins, possivelmente o desfile civico de 7 de setembro, década de 1970.Imagem colorizada por IA.


Turma da professora Isabel Angélica, possivelmente 1974.Imagem colorizada por IA.

Alunos brincando na área externa do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima, década de 1970.

Alunos na área externa do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima, onde se pode vê que não havia ainda o muro da escola.

Imagem colorizada por IA.

Turma da professora Francisca Avelino, 1974.Imagem colorizada por IA.

       No ano de 1969, quando o Brasil vivia sob as tensões e os silêncios do regime instaurado após 1964, a pequena cidade de Taipu assistiu ao nascimento de uma instituição que mudaria o rumo de gerações: o Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima. Em meio às ruas de barro batido, às casas simples e à cadência lenta do interior potiguar, ergueu-se um prédio que representava mais do que paredes recém-pintadas, simbolizava esperança.

     A década de 1960 foi marcada por transformações profundas no país. Em 1969, sob a presidência de Emílio Garrastazu Médici, a educação básica expandia-se como parte de uma política que buscava integrar regiões afastadas aos projetos nacionais. No interior do Rio Grande do Norte, essa expansão tinha sabor de conquista. Para Taipu, a criação do grupo escolar significava romper ciclos históricos de evasão e analfabetismo.

       O nome da escola — Clotilde de Moura Lima — evocava memória e respeito. Era comum que instituições escolares homenageassem figuras ligadas à educação ou à vida comunitária. Ao carregar esse nome, o grupo escolar inscreveu-se na tradição de reconhecer aqueles que, mesmo antes da formalização do ensino, já plantavam sementes de saber nas salas improvisadas, nas varandas das casas, nas catequeses dominicais.

       O prédio inicial era simples: salas amplas, janelas altas para enfrentar o calor do sertão, carteiras de madeira alinhadas com rigor. No pátio, uma bandeira hasteada todas as manhãs lembrava às crianças que ali se aprendia não apenas a ler e escrever, mas também a pertencer. O som do sino marcava o início das aulas, ecoando pelas redondezas como um chamado à disciplina e ao futuro.

        Para muitas famílias de Taipu, a escola representava a primeira possibilidade concreta de ascensão social. Pais lavradores, comerciantes e servidores públicos viam nos cadernos dos filhos a chance de uma vida menos árdua. As mães acompanhavam as tarefas à luz de lamparinas; os pais orgulhavam-se das primeiras letras escritas com firmeza ainda trêmula.

        Os primeiros professores assumiram uma missão que transcendia o currículo. Ensinavam português e matemática, mas também valores, convivência, respeito. Em tempos de escassez de recursos, improvisavam materiais, adaptavam conteúdos à realidade local, integravam festas cívicas ao calendário letivo. A escola tornou-se espaço de encontros, de apresentações culturais, de celebrações que fortaleciam o tecido social da cidade.

     Com o passar dos anos, o Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima consolidou-se como referência educacional em Taipu. Ex-alunos tornaram-se professores, comerciantes, profissionais liberais, líderes comunitários. Cada trajetória carregava, em algum ponto, a marca daquele prédio inaugurado em 1969.

       Mais do que uma instituição de ensino, o grupo escolar tornou-se símbolo de identidade. Ali se formaram amizades duradouras, despertaram vocações, enfrentaram-se desafios. Em seus corredores, misturavam-se risos infantis e expectativas adultas. O que começou como iniciativa administrativa transformou-se em patrimônio afetivo.

      Assim, a história do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima confunde-se com a própria história de Taipu na segunda metade do século XX. Fundado em um período de incertezas nacionais, floresceu como espaço de construção coletiva. Entre cadernos, quadros-negros e sonhos, a escola provou que mesmo em tempos difíceis é possível semear futuro — e colher dignidade.

A EDUCAÇÃO EM TAIPU NA DÉCADA DE 1960: O GRUPO ESCOLAR CLOTILDE DE MOURA LIMA


A década de 1960 representou um período de transição decisiva para a educação em Taipu, marcada pela ampliação da rede escolar, pela chegada de novos modelos pedagógicos e pela influência direta das reformas educacionais promovidas no país.

A combinação entre investimentos estaduais, crescimento populacional e mudanças estruturais no sistema de ensino brasileiro produziu um cenário de transformações que redefiniu a experiência escolar no município.

No início dos anos 1960, Taipu já possuía uma rede de escolas primárias mais consolidada do que nas décadas anteriores, com prédios próprios na sede e unidades rurais mais estruturadas.

Esse processo foi resultado dos investimentos realizados desde os anos 1950, mas ganhou novo ritmo com o aumento das demandas sociais e com a necessidade de integração das áreas rurais ao desenvolvimento econômico que se projetava para o Rio Grande do Norte.

A construção de salas de aula específicas, a distribuição de mobiliário padronizado e a maior oferta de materiais didáticos refletiam o esforço estatal de modernizar a educação pública.

O magistério local passou por transformações significativas. A presença de professores formados em escolas normais tornou-se predominante, trazendo novas metodologias de ensino e maior controle administrativo sobre o trabalho docente. Os cursos de aperfeiçoamento promovidos pelo governo estadual e por programas federais ampliaram o repertório didático dos docentes, introduzindo práticas de planejamento anual, uso de material audiovisual, exercícios graduados e avaliações padronizadas.

Em Taipu, a figura do professor ganhou ainda mais prestígio, deixando de ser apenas o transmissor de conteúdos básicos para assumir papel de orientador social e agente de modernização.

A fiscalização escolar ganhou nova configuração com a criação de órgãos estaduais mais estruturados e com a ampliação do papel dos inspetores e delegados escolares.

Esses profissionais passaram a orientar não apenas a disciplina e a frequência, mas também o uso de metodologias recomendadas, a organização administrativa das escolas e o cumprimento das normas impostas pela política educacional nacional.

Em Taipu, a presença mais ativa desses agentes contribuiu para profissionalizar o trabalho docente e padronizar procedimentos antes muito variados entre as unidades.

O currículo escolar da década de 1960 refletiu diretamente as mudanças políticas do período, especialmente após o golpe de 1964.

A ênfase na educação moral e cívica foi reforçada, com conteúdos voltados à formação patriótica e ao fortalecimento de valores considerados essenciais para a ordem social.

Em contrapartida, disciplinas como ciências, matemática e estudos sociais passaram por atualização, influenciadas por programas federais de modernização inspirados em modelos internacionais.

Taipu incorporou esses conteúdos de forma gradual, mantendo forte ligação com o cotidiano rural dos alunos, mas introduzindo elementos que conectavam a comunidade local às transformações do país.

A década também foi marcada pela expansão de programas de educação de adultos e de alfabetização, especialmente aqueles inspirados no movimento de educação popular que ganhava força no Brasil anterior ao regime militar.

Em Taipu, iniciativas locais buscavam atender jovens e adultos que não haviam concluído o ensino primário, oferecendo aulas noturnas e programas especiais. Apesar das limitações de infraestrutura e recursos, tais iniciativas ampliaram o alcance da escola e reforçaram seu papel social.

A relação entre escola e comunidade tornou-se mais intensa. Eventos cívicos, atividades culturais, feiras escolares e celebrações de datas comemorativas consolidaram a escola como espaço de referência na vida social taipuense.

 A participação das famílias, por meio de mutirões de reparo, doações de materiais e envolvimento em atividades escolares, fortaleceu o vínculo entre instituição e sociedade.

Em uma comunidade majoritariamente agrícola, a escola desempenhava dupla função: formar as novas gerações e atuar como ponto de encontro e organização comunitária.

A partir de 1968, com a promulgação da Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB de 1961) já em processo de implementação e sob forte influência do regime militar, observou-se a reorganização do ensino primário e a expansão do ensino ginasial.

 Em Taipu, isso significou maior pressão por ampliação de vagas, necessidade de novos prédios e busca por professores habilitados para níveis mais avançados do ensino. Embora nem todas as demandas fossem plenamente atendidas na década de 1960, elas apontavam para uma nova etapa na trajetória educacional do município.

         A década de 1960 transcorreu quase toda tendo como única escola existente na cidade de Taipu o Grupo Escolar Joaquim Nabuco.

         A criação e construção do Grupo Escolar Professora Clotilde de Moura Lima viria retirar-lhe essa hegemonia já no final daquela década com se verá adiante.

O Grupo Escolar Professora Clotilde de Moura Lima

         O Grupo Escolar Professora Clotilde de Moura Lima foi o segundo estabelecimento de ensino construído na cidade de Taipu, tendo sido seu edifício erguido no Alto da Bela Vista entre 1967 e 1968.

         No programa de inaugurações do governo do Estado, Walfredo Gurgel, marcado para janeiro de 1969 estava a inauguração de um grupo escolar em Taipu.[1]

         O Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima foi inaugurado em 29/01/1969.

         As 16h00 a comitiva governamental se deslocou para Taipu, onde o governador inauguraria um grupo escolar de 3 salas de aulas, construindo pela Secretaria de Educação e Cultura do Estado, inaugurando também as 17h00 o fórum municipal construído pela prefeitura.[2]

         De acordo com a legenda da foto uma das metas principais do governador Walfredo Gurgel era levar o ensino para todo o interior do Estado.Com as novas salas de aulas construídas, mais alunos poderiam estudar.O Grupo Escolar de Taipu, inaugurado aquele ano de 1969 era uma nova dessa filosofia de ação.[3]

         Na realidade o estabelecimento de ensino deveria ser denominado de Grupo Escolar Nossa Senhora do Livramento, segundo me contou a professora Teresinha Dias, mas por razões que se desconhecem foi-lhe dado o nome da professora Clotilde de Moura Lima que teve uma breve atuação no magistério na década de 1920 no Grupo Escolar Joaquim Nabuco.

O prédio foi construído contendo apenas três salas de aula, pátio, copa, cozinha e dependências admininistrativas.

Em 25/08/1971 foi apresentado um projeto de autoria do deputado estadual Magnus Kelly para melhorias nas condições físicas do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima.

         Também apresentou na mesma data projeto para a criação de um ginásio noturno que funcionaria no prédio do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima.[4]

         Os referidos projetos voltaram a serem defendidos pelo mesmo deputado no dia 04/09/1971 no expediente da Assembleia Legislativa.[5]

O Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima funcionou no prédio situado no Alto da Bela Vista até 1979 quando foi instalado no prédio construído na rua Antonio Gomes da Costa (rua do Fogo), já denominado de Ginásio.

Ao final dos anos 1960, Taipu apresentava um panorama educacional diferente daquele das décadas anteriores: escolas mais estruturadas, docentes mais qualificados, maior integração com políticas estaduais e federais, e uma comunidade mais engajada no processo educacional.

A década representou, assim, um marco de reorganização e expansão, que preparou o município para os desafios e transformações que caracterizariam a educação nas décadas seguintes.

Os anos 1960 consolidaram a identidade escolar taipuense como projeto coletivo, resultado da articulação entre Estado, professores e comunidade.

Foi um período de avanços decisivos, que não apenas ampliou o acesso à educação, mas redefiniu o papel da escola na vida social, cultural e política do município.

Prédio do Grupo Escolar Coltilde de Moura Lima no Alto da Bela Vista em Taipu em 1969, ano de sua inauguração. Posteriormente a referida escola foi transferida para o prédio construido na rua Antonio Gomes da Costa (Rua do Fogo), em 1978.Imagem: Diário de Natal, 1969.

Imagem restaurada por IA.





[1] O Poti,19/01/1969,p.3

[2] Diário de Natal, 29/01/1969, p.8.

[3] Op. Cit., 21/01/1969, p.5.

[4] Diário de Natal, 25/08/1971, p.2.

[5] Op. Cit., 14/09/1971, p.7.