domingo, 31 de maio de 2026

SOBRE A DESTRUIÇÃO DA PONTE DE TAIPU EM 1964

        Essas imagens retratam um dos momentos mais marcantes e trágicos da história do Rio Grande do Norte que foi o colapso da ponte de Taipu sobre o rio Ceará-Mirim, destruída pela histórica e devastadora enchente de 1964.


Reconstituição digital por Inteligência Artificial 

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Revista Manchete, 1964.

Revista Manchete,1964

Revista Manchete,1964.

      A ponte fora inaugurada em 03/04/1950 na antiga estrada que ligava Taipu a Baixa Verde, atualmente BR 406.

       O volume extraordinário de chuvas naquele ano fez com que o Rio Ceará-Mirim transbordasse com uma violência sem precedentes. A correnteza foi tão forte que literalmente partiu a robusta estrutura de concreto da ponte em três pedaços, como se fosse um castelo de areia, deixando o rastro de destruição visível na foto original.

         A destruição da ponte cortou a principal via de ligação terrestre da região, interrompendo o fluxo de mercadorias, o abastecimento e o transporte. Para um estado que dependia fortemente daquela rota para escoar a produção (especialmente a canavieira e a agrícola do vale), os prejuízos foram, de fato, incalculáveis.

      Além dos danos materiais e estruturais, as cheias desalojaram centenas de famílias ribeirinhas, inundaram plantações e vilarejos inteiros. Na memória do povo de Taipu e das cidades vizinhas, o ano de 1964 ficou gravado não apenas pelo cenário político nacional, mas pela devastação que redefiniu a geografia e a infraestrutura local.

         A imagem colorizada resgata de forma vívida a atmosfera dramática da época, destacando o contraste entre a calmaria do vilarejo ao fundo e o leito do rio transformado por uma das maiores catástrofes naturais da história potiguar.

     A imagem original foi publicada na revista Manchete em edição de maio de 1964.

terça-feira, 26 de maio de 2026

SOBRE O PRÉDIO DO INSTITUTO PE. JOÃO MARIA

     Eis uma análise detalhada do registro histórico contido na imagem, abordando seus aspectos arquitetônicos, o contexto institucional da época e o valor do documento para a memória urbana de Natal.

O contexto institucional e histórico

       A imagem original retrata o Instituto Padre João Maria em fase final de construção de sua sede definitiva situada na Av. Alexandrino de Alencar, no Alecrim. A referida instituição era uma obra destinada ao internato de menores órfãs e abandonada.

Revista Fon-Fon,1948,p 47.

        A imagem original foi publicada na revista Fon-Fon em 1948A legenda revelava um arranjo de gestão muito característico de meados do século XX no Brasil (especialmente entre as décadas de 1940 e 1950).

 A ação conjunta (parceria tripartite)

        O texto mencionava a cooperação entre o Estado, o Município e a Legião (uma referência direta à Legião Brasileira de Assistência - LBA, criada em 1942).

A LBA e o Estado Novo/Pós-Guerra

      A LBA desempenhou um papel central na criação de infraestrutura assistencialista no país, financiando maternidades, ambulatórios e abrigos, frequentemente em parceria com ligas católicas e poderes locais.

 Homenagem

       O nome do instituto homenageia o Padre João Maria (o "Santo de Natal"), figura icônica no Rio Grande do Norte pelo seu trabalho de caridade e assistência aos necessitados entre o final do século XIX e início do século XX.

Análise arquitetônica

       O edifício apresenta a transição de estilos que marcou as construções institucionais e públicas do Nordeste a partir da década de 1930, mesclando a sobriedade do Protomodernismo com a funcionalidade exigida por prédios de saúde e educação.


Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

    O edifício é composto por um corpo central recuado e dois volumes laterais ligeiramente projetados para a frente, criando um desenho simétrico e imponente.

 Elementos Modernistas e Art Déco

     A fachada é marcada por linhas retas e platibandas limpas que escondem o telhado (característica forte do Modernismo).

         A balaustrada do primeiro pavimento adota um desenho geométrico vazado, muito comum no repertório Art Déco institucional.

          A presença do letreiro em relevo ("INSTITUTO PE. JOÃO MARIA") integrado diretamente à platibanda superior era o padrão da época para identificação de prédios públicos.

Funcionalidade (arquitetura sanitarista)

      O térreo recuado funciona como uma grande galeria porticada (varanda), excelente para o clima tropical, garantindo sombreamento, circulação de ar e um espaço de transição protegido antes do acesso interno. As janelas generosas e repetitivas reforçam a preocupação com a iluminação natural e a ventilação.

        A imagem original extraída da revista Fon-Fon em 1948 traz marcas do cotidiano de sua construção.

       A presença da escada de madeira encostada na varanda e a vegetação ainda rasteira no pátio frontal sugerem um registro feito logo após a inauguração ou durante uma etapa de pintura/reparos.

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Situação atual 

    Atualmente o prédio abriga a Academia de Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte.

segunda-feira, 25 de maio de 2026

SOBRE A CAPELA CRISTO REI (QUARTEL DA POLICIA MILITAR)

     Certamente alguém que tenha passado pela Av. Alexandrino de Alencar ao se deparar com a capelinha situada na atual Academia da Policia Militar deve ter se perguntado qual a origem daquele templo católico.A curiosidadade do dileto leitor está satisfeita a seguir.

    Foi durante a realização da Páscoa da Policia Militar do Estado em 30/05/1959, com solenidade, realizada na Matriz de Santa Terezinha, no Tirol, oficiada pelo Bispo Auxiliar de Natal, Dom Eugênio de Araújo Sales, que  foi dada a bênção e o lançamento da Pedra Fundamental da Capela da Policia Militar, dedicada a Cristo Rei.

    Depois do café, o Cel. José Reinaldo convidou a todos os presentes para a importante cerimônia religiosa. No local pré-determinado, onde já se erguia uma cruz, teve lugar a bênção litúrgica da Primeira Pedra e do terreno onde seria construída a Capela.

    Inicialmente Dom Eugênio explicou o iniciativa de seu Comando, expressando seu entusiasmo e sua esperança de já celebrar no próximo ano, na nova Capela, a Páscoa Coletiva da Corporação.

    Falou depois o Capelão da Polícia, Pe. Manoel Barbosa, sobre a Campanha que iria ser encetada para a construção da Capela, tendo à frente o Comandante da Corporação, contando com o apoio e a colaboração do Governador do Estado, de todas as autoridades militares, civis e eclesiásticas, amigos da Polícia, de todas as instituições com as quais a Polícia Militar colaborava incessantemente, de senhoras e senhoritas que formariam uma grande comissão de madrinhas da Capela, e contando principalmente com generoso apoio e a contribuição dos Oficiais e Praças da Polícia.


    Oportunamente a imprensa e o rádio seriam convidados para uma recepção no Quartel da Polícia Militar, afim de se inteirarem dos pormenores da grande Campanha em prol da Capela de Cristo Rei.

    Houve um encontro em 23/07/1959, ás 10 horas, entre a imprensa e o comandante da Policia Militar do Estado, o coronel José Reinaldo Cavalcanti,onde na oportunidade, o comandante da Polícia Militar fez uma exposição sobre a construção da capela daquela corporação militar.

    A construção da capela de Cristo Rei do Comando da Policia Militar do Rio Grande do Norte se estendeu entre os anos de 1959 e 1961 quando se deu sua inauguração. 

A  bênção da Capela de Cristo Rei

    Devendo ocorrer no dia 25/01/1961, a inauguração da Capela Cristo Rei, da Polícia Militar, o Comando, impossibilitado de fazer um convite individual, dada a premência de tempo em nota publicada no jornal Tribuna do Norte, tem a grata satisfação de convidar para a referida solenidade religiosa, as autoridades civis, eclesiásticas e militares, tanto da Capital como do interior, bem como os padrinhos e madrinhas da Capela e todos os que, de uma ou de outra forma, colaboraram para a realização desta iniciativa.

    Como se sabia, ainda de acordo com a referida nota, a Capela foi construída graças a colaboração da própria Polícia Militar e de numerosas pessoas amigas que revelaram assim seu alto sentido de compreensão para com uma obra desta natureza.

    Ao mesmo tempo, que agradecia tão generosa colaboração contava o Comando da Policia Militar ainda com a presença de todos os amigos da Polícia Militar, para a supra mencionada cerimônia de inauguração que obedeceria ao seguinte programa:

    Dia 25 (quarta-feira) 07h00 da manhã

    Local: Capela CRISTO REI (Quartel da Policia Militar).

    I — Bênção da Capela.

    II — Bênção dos objetos litúrgicos.

    III — Missa solene, com cânticos, oficiada por Dom Eugênio de Araújo Sales (Bispo Auxiliar).

    De acordo com o Diário de Natal “o templo a ser aberto amanhã aos fiéis, vem atender a uma velha aspiração dos militares católicos de nossa Polícia, tendo sido edificado com verbas próprias da unidade e contando ainda, com a ajuda de inúmeras pessoas e instituições amigas da velha Polícia.

    Por intermédio do referido jornal, o Padre Manoel Barbosa, Capelão da Polícia Militar, estava convidando autoridades civis, militares, eclesiásticas e todos aqueles que de uma ou de outra forma, colaboraram para a realização daquela iniciativa.

    Na  linha do tempo histórica e documental muito interessante sobre a idealização, construção e inauguração da Capela de Cristo Rei, localizada no Quartel da Polícia Militar do Estado do Rio Grande do Norte, localizada na Av. Alexandrino de Alencar, no Alecrim, podemos notar alguns pontos de grande relevância histórica e cultural:

A  evolução cronológica dos fatos

    O Comandante Geral da época, Coronel José Reinaldo Cavalcanti, convocou a imprensa natalense para anunciar o projeto e fazer a exposição de como seria a construção.

     Na  conclusão da obra o tom é de celebração por alcançar uma "velha aspiração dos militares católicos". Aqui já aparece a figura do Padre Barbosa (Capelão da PM) organizando os preparativos.

     O  comunicado oficial e institucional do Comando Geral, reforçando o convite à sociedade, agradecendo aos colaboradores e detalhando o cronograma litúrgico do dia da inauguração (25/01/1961, uma quarta-feira) é o ápice dessa evolução cronológica.

A  mobilização comunitária e o esforço próprio

    Um detalhe que se repete nos jornais da capital potiguar  é a forma como a capela foi financiada.

    O Comando enfatiza que o templo foi erguido com "verbas próprias da unidade" combinadas com a colaboração e doações de "numerosas pessoas amigas" e autoridades. Isso demonstra que a obra não foi apenas um ato administrativo, mas uma mobilização comunitária e devocional da época.

A presença de figuras históricas de expressão nacional

    O programa de inauguração cita que a missa solene foi oficiada por Dom Eugênio de Araújo Sales, na época  Bispo Auxiliar de Natal. Dom Eugênio Sales tornou-se, anos mais tarde, uma das figuras mais importantes e influentes da Igreja Católica no Brasil, sendo nomeado Cardeal e Arcebispo do Rio de Janeiro. A presença dele confere um peso histórico ainda maior ao evento.

    Em resumo, esses eventos são um valioso registro da memória institucional da Polícia Militar do RN e da história religiosa de Natal, mostrando como as instituições militares e a sociedade civil se articulavam fortemente em torno de marcos religiosos no século passado.

    Esta imagem traz o desfecho visual perfeito para a linha do tempo documental que analisamos anteriormente. Trata-se da fachada atual da **Capela de Cristo Rei**, localizada no Quartel do Comando Geral da Polícia Militar do Rio Grande do Norte, em Natal.

    Abaixo,  uma análise arquitetônica, institucional e histórica da edificação com base na imagem:

O estilo arquitetônico e elementos visuais

    A capela apresenta uma arquitetura com forte inspiração neocolonial e eclética, muito comum em prédios institucionais e religiosos no Brasil entre as décadas de 1940 e 1960.

     A pintura atual em branco com detalhes em azul royal nas portas, janelas e molduras reforça a identidade Mariana e a sobriedade típica de templos católicos tradicionais, além de dialogar bem com a estética de quartéis da época.




    A estrutura possui um corpo centralizado que se eleva em uma torre sineira integrada. Destaca-se o grande vão em formato de cruz vazada na torre, que serve tanto como elemento simbólico forte quanto para a iluminação e ventilação interna.

    O portal de entrada conta com arcos (arcadas) no pavimento térreo, criando um pequeno alpendre/galilé antes da entrada principal, ladeado por janelas e portas em arco pleno.

 A materialização da "Campanha" histórica

    Olhar para a capela sabendo do histórico de sua construção pelos  jornais da capital potiguar dá uma dimensão muito mais rica ao prédio. Esta estrutura física é o resultado exato daquela "Grande Campanha em prol da Capela de Cristo Rei" liderada pelo Padre Manoel Barbosa e pelo Coronel José Reinaldo Cavalcanti. Cada tijolo e detalhe dessa fachada foi financiado pelo esforço conjunto dos oficiais, praças, comissão de madrinhas e da sociedade natalense daquela época.

 Integração com o espaço urbano e militar

     A igreja aparece protegida pelas grades do quartel, evidenciando sua localização interna dentro do complexo da Polícia Militar, mas mantendo a visibilidade para a rua, o que historicamente permitia a integração com a comunidade civil (como mencionado nos convites dos jornais).

    Ao fundo da imagem, é possível ver edifícios modernos e verticalizados. Esse contraste ressalta o valor da capela como um patrimônio histórico preservado em meio ao crescimento e à modernização urbana de Natal.

    A Capela de Cristo Rei hoje não é apenas um templo religioso; ela é um monumento histórico material. Ela representa a memória viva da corporação, a evolução urbana da cidade e testemunha o momento em que grandes figuras da história potiguar e nacional (como Dom Eugênio Sales) abençoaram o início de sua construção. É a história saindo do papel amarelado do jornal e se mostrando sólida na paisagem atual.

domingo, 24 de maio de 2026

SOBRE O PRIMEIRO PROJETO MODERNO PARA A NOVA CATEDRAL DE NATAL

          Essa imagem retrata uma das propostas arquitetônicas para a Catedral Metropolitana de Natal, elaborada em 1966. É um registro histórico fascinante, pois mostra uma transição estética e conceitual profunda antes da escolha do projeto final de Marconi Grevi (o que conhecemos hoje).

Foto: Tribuna do Norte, 1966.

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       A seguir está uma análise técnica e contextual dessa estrutura:

Estética e estilo

      O projeto reflete o Modernismo tardio brasileiro da década de 1960. Diferente da catedral atual, que é brutalista e piramidal, este design de 1966 apresentava uma leveza maior através de formas curvas e orgânicas.

 A abóbada parabólica

         O elemento central é uma grande cobertura em arco (que seria em estrutura metálica). Esse formato não é apenas estético; ele permite vencer grandes vãos sem a necessidade de colunas internas, liberando o espaço para a assembleia dos fiéis.

 Integração com o vidro

          A fachada frontal seria composta por uma grande parede de vidro dividida por uma modulação geométrica. Isso sugere uma busca por transparência e luz natural, simbolizando uma igreja mais aberta e conectada com o mundo exterior.

 Elementos simbólicos

         O Campanário separado. À direita da estrutura principal, observa-se uma torre isolada (campanário) de forma prismática ou triangular. Essa separação entre o corpo da igreja e a torre é uma característica comum no modernismo, herdada de tradições europeias antigas, mas reinterpretada com linhas retas e limpas.

 Volume horizontal

    O projeto se desenvolve de forma mais horizontal e integrada ao terreno, ao contrário da verticalidade extrema das catedrais góticas ou da monumentalidade "ascendente" do projeto final que foi construído.

O contexto de 1966

      Em 1966, a Igreja Católica estava sob forte influência do Concílio Vaticano II. Esse evento mudou a forma como os templos eram projetados.O altar deveria ser o centro das atenções; a proximidade entre o padre e os fiéis era prioridade e a arquitetura deveria ser funcional e despojada de excessos ornamentais.

        Este projeto de 1966 queria seguir à risca essa "limpeza" visual, focando na pureza da forma e no uso de materiais industriais como o concreto armado e o vidro.

Por que não foi construído?

    Projetos de catedrais naquela época passavam por muitas revisões devido a custos de engenharia e mudanças na administração da arquidiocese. A proposta final de Marconi Grevi, inaugurada apenas em 1988, acabou optando por uma estética muito mais impactante e monumental (a pirâmide invertida), que se tornou o marco visual da cidade.

       Este desenho é um "elo perdido" que mostra que Natal quase teve uma catedral com uma linguagem visual muito próximo ao Palácio dos Esportes na praça Pedro Velho no centro da capital potiguar, do qual foi inspiração por Dom Nivaldo Monte, que pensava em uma catedral ampla, funcional e de fácil construção.

Críticas 

     O projeto apresentado recebeu inúmeras críticas tanto de engenheiros e arquitetos com da imprensa e opinião pública.

   As críticas giravam em torno do formato da arquitetura que visivelmente seria uma cópia do Palácio dos Esportes e que segundo a opinião dos engenheiros era incompatível com uma catedral.

      Além de "catedral ginásio de esportes " o projeto recebeu a alcunha de "catedral balcão" e " catedral armazém". Diante das críticas o projeto foi engavetado.

 O barato que sairia caro 

       O ditado popular que diz que as vezes o barato pode sair caro poderia muito bem ser aplicado nesse primeiro projeto para a nova Catedral Metropolitana de Natal. A intenção de se fazer um templo grande, funcional e barato, na verdade se mostraria o contrário como de fato aconteceu com o projeto escolhido em 1972 que é a catedral atual, a qual levou 15 anos para ser concluída as custas de somas vultosas.

SOBRE O COLÉGIO NOSSA SENHORA DAS NEVES


     A análise do projeto arquitetónico para a fachada principal do Ginásio Nossa Senhora das Neves, em Natal, revela uma estrutura de forte caráter institucional, unindo a sobriedade exigida para um edifício educativo e religioso com as transições estilísticas que marcaram a arquitetura pública do Nordeste brasileiro na primeira metade do século XX.
        Abaixo, detalha-se a análise dividida pelos seus principais aspetos arquitetónicos, volumétricos e simbólicos:

Composição da fachada e volumetria
   O projeto adota uma composição tripartida perfeitamente simétrica, onde o corpo central serve de eixo de equilíbrio para as duas alas laterais. Essa rigidez formal é típica da arquitetura neoclássica e eclética, concebida para transmitir uma sensação de ordem, estabilidade e autoridade.
O edifício estrutura-se em dois pavimentos bem demarcados por um friso horizontal contínuo.
    O piso térreo atua visualmente como uma base sólida para o conjunto, reforçado pela presença de vãos em arco.
  O piso superior apresenta linhas mais retas, conferindo leveza e ritmo vertical à metade superior da estrutura.

Ritmo e tratamento das aberturas (esquadrias)
         Há um contraste intencional e harmonioso no desenho das janelas:
       No pavimento inferior, as aberturas possuem arcos de volta inteira (semicirculares), que suavizam a base do edifício e remetem a uma linguagem clássica ou românica, muito associada a colégios de ordens religiosas.
   No pavimento superior, as janelas são retangulares e de verga reta, com uma modulação vertical e subdivisões em quadrículas de vidro, otimizando a entrada de luz natural para as salas de aula.

Ritmo proporcional
   A distribuição das janelas segue um ritmo constante (2 vãos nas extremidades, seguidos de recuos e sequências de 3 vãos), o que evita a monotonia de uma fachada tão extensa.

O corpo central e a Entrada principal
     Elemento de destaque (frontispício) o eixo central projeta-se ligeiramente para a frente e rompe a linha do telhado, concentrando a carga ornamental e simbólica do edifício.
     A entrada principal é emoldurada por duas colunas ou pilastras decorativas que sustentam uma discreta arquitrave, direcionando o olhar do observador imediatamente para o acesso ao interior do ginásio.
      Logo acima do portal, uma grande janela vertical com uma divisão interna em forma de cruz reforça discretamente a identidade confessional da instituição.
         O coroamento do corpo central é feito por um frontão triangular estilizado, que abriga no seu tímpano um brasão ou relevo heráldico (provavelmente o escudo da instituição ou da ordem religiosa responsável).

Cobertura e Inserção Urbana
      A cobertura é composta por um telhado de quatro águas (ou telhado em pavilhão) com telhas de barro aparentes. A inclinação e os beirais são contidos, integrando-se discretamente à platibanda sem competir com o destaque do frontão central.

Relação com a rua
     O desenho da base sugere uma implantação tradicional alinhada com o passeio, onde o edifício se impõe diretamente sobre a via pública, uma característica marcante dos lotes institucionais nos centros urbanos históricos como o de Natal.
Conclusão
       O projeto do Ginásio Nossa Senhora das Neves expressa uma transição entre o Ecletismo tardio e uma busca por linhas mais limpas que já antecipavam a transição para o Neoclássico simplificado ou a sobriedade institucional dos anos 1930/1940. É uma arquitetura que cumpre com rigor a sua função pedagógica e cívica: monumental sem ser excessivamente carregada, segura na sua simetria e claramente identificável como um marco de memória, educação e fé no tecido urbano de Natal.




 

quarta-feira, 13 de maio de 2026

DIRETORES DA ESTRADA DE FERRO CENTRAL DO RIO GRANDE DO NORTE/SAMPAIO CORREIA DE 1920 a 1956

        Aqui  revelaremos os diretores, entre 1904 e 1975. 

        Entre 1904 e 1908 a EFCRGN foi dirigida por uma comissão ora se revesando entre si os engenheiros que a compunham.Entre 1908 e 1920 a EFCRG esteve sob arrendamento a Empresa de Viação e Construções.A partir de 08/06/1920, a ferrovia passou a ser administrada pelo Governo Federal.

     José Matoso Sampaio Correia - 1904-1906.

    José Luiz Batista - 1906-1908.

    João Proença - 1908-1920.

    João Benevides — 1920/1923

    Getúlio Nóbrega — 1923/1926

    Hermelindo Barros — 1926/1930

    Alberto Martins — 1931

    Frederico D’ávila Bittencourt — 1931/1932

    Norberto da Silva Paes — 1932/1933

    Heitor Teixeira Brandão— 1933/34

    Eduardo Rios — 1934/1938

    José S. Espinheira — 1938/1940

    Armilo Monteiro — 1940/1941

    Major Antonio C. Zamith — 1942/1944

    Alvaro C. Melo — 1944/1947

    Hélio Lobo — 1947/1951

    João Galvão Medeiros — 1951/1955

    Edilson Fonseca — 1955/1956

    José H. Bitencourt — 1956/1958

    José Manuel Wanderley Filho- 1958

    Joaquim Carneiro da Cunha - 1958-1960.

    Valdo Sette de Albuquerque - 1960-1963.

   Heber Maranhão - 1963-1964

   Paulo Feitosa- 08/01 a 03/04/1964

   Marco Aurélio Cavalcante - 1964-1975

    Nesse ano, (1958) a ferrovia transforma-se em "Rede Ferroviária Federal do Nordeste", abrangendo as Estradas do Rio G. do Norte, Pernambuco e Paraíba, com sede no Recife, sob a direção do engenheiro Lauriston Monteiro.

    O Estado do Rio Grande do Norte, ficou sendo apenas  uma delegacia apagada, sem brilho e até ridicularizada.

    Seu primeiro delegado, José Wanderley Filho, findou sendo assassinado, causando um impacto profundo na Empresa.(Tribuna do Norte,15/03/1977,p.9).

    O período a cima citado revela uma transição institucional profunda na malha ferroviária potiguar, culminando em uma perda de autonomia política e administrativa que parece ecoar o sentimento de "decadência" frequentemente relatado na historiografia regional.

 A transição para o controle federal (1920)

     O ano de 1920 marca o início da gestão direta pelo Governo Federal em 8 de junho de 1920. Esse movimento faz parte de um contexto nacional de centralização das ferrovias, que antes operavam sob regimes de concessão (muitas vezes a empresas inglesas, como a Great Western) ou administrações locais dispersas.

 Estabilidade vs. rotatividade dos Diretores

     Observando a cronologia, nota-se uma alternância de poder que reflete o clima político do Brasil:

    A Era Vargas (1930-1945): percebe-se uma fragmentação maior no início da década de 30 (Dr. Alberto Martins e Frederico D’ávila em 1931). A presença do Major Antonio C. Zamith (1942-1944) destaca a militarização de cargos técnicos durante o Estado Novo, algo comum em setores estratégicos como o transporte ferroviário durante a Segunda Guerra Mundial.

    Período Democrático (1945-1958): as gestões de nomes como Dr. Hélio Lobo e João Galvão Medeiros mostram mandatos um pouco mais longos (4 anos), indicando uma tentativa de continuidade administrativa antes da grande reforma de 1957/58.

 A Criação da RFN e a "perda de brilho" (1958)

        O ponto de inflexão mais dramático  na citada ferrovia foi a transformação da ferrovia em Rede Ferroviária Federal do Nordeste (RFN).

      Centralização no Recife:  transferência da sede para Pernambuco é descrita com amargura. Para o Rio Grande do Norte, isso significou deixar de ser o "centro" de suas próprias decisões ferroviárias para se tornar uma "delegacia apagada".

        Impacto no RN: se utilizava termos fortes — "sem brilho e até ridicularizada" — o que demonstrava o impacto não apenas econômico, mas na autoestima e na relevância política do estado dentro do sistema ferroviário nacional.

 O Caso José Wanderley Filho

        O desfecho trágico sobre o assassinato do primeiro delegado, José Wanderley Filho, serve como uma metáfora da instabilidade e do "impacto profundo" que a nova estrutura administrativa trouxe.

        Esse evento é um ponto de interesse para a crônica policial e política da época, selando um período de incertezas para a categoria ferroviária em solo potiguar.

        Esse documento é uma fonte valiosa para entender a transição da antiga Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte para o que viria a ser, posteriormente, parte da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.). Ele documenta o momento exato em que a autonomia técnica local foi substituída pela burocracia regional centralizada.


                                           José Henrique Bittencourt


                                                         Tribuna do Norte, 25/10/1957,p.4.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.


                                                             Valdo Sette de Albuquerque
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MEMÓRIA DO MUNICIPIO DE PEDRA GRANDE

     Conforme o jornal Tribuna do Norte, essa foto demonstra o instante em que o governador Aluzio Alves fazia a assinatura da lei aprovada pela Assembleia Legislativa da criação do municipio de Pedra Grande em 03/05/1962.

    A solenidade foi realizada na sala de despachos do Palácio da Esperança, sede do governo estadual a época.

                                                         Tribuna do Norte, 03/05/1962,p.8.

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SOBRE JANDAIRA

        O  jornal Tribuna do Norte em 1952 fornece valiosas informações sobre o então distrito de Jandaira que remontam as suas evolução histórica.

     Jandaira era um dos muitos povoados de Macau dentre os quais se destacava o de Jandaira, por já existir ali um hotelzinho e um grupo escolar. “Só falta um telefone o que seria de grande proveito para aquela gente”, escreveu o cronista do citado jornal. (Tribuna do Norte, 20/09/1952, p.6).

        O cemitério havia sido construido (ou reformado) em 1957 durante a administração do prefeito de Lajes, Francisco Cabral.

        Em 1958 foi iniciada a construção do açude Jandaira pelo DNOS.

    A Estrada Macau Baixa Verde, principalmente no trecho de Jandaira, que estava impraticável, cuja comunicação nos veio por intermédio do ex-vice-Governador **José Varela**, ante ontem tomei as providências para seu conserto e sua manutenção.(Tribuna do Norte,10/02/1961,p.4).

        Na mesma estrada, entre João Câmara e Macau, haveremos de atingir o distrito de Jandaíra antes do fim deste ano, para na metade do próximo, possibilitar a ligação permanente, definitiva e imprescindível do nosso maior centro salineiro com a Capital. (Tribuna do Norte,22/10/1961,p.4).

        Para visitar as obras da rodovia João Camara-Macau, no trecho compreendido entre João Camara e Jandaira, o Governador seguirá no proximo dia três de janeiro, devendo, ainda, visitar os municipios de Macau. (Tribuna do Norte,30/12/1961,p.4).

        De 1.º de setembro de 1961 a 31 de janeiro de 1962 foi concluído o trecho inicial, que liga Baixa Verde (João Camara) a Jandaira, num total de 41 km.

 A criação do municipio de Jandaira

         Segundo o referido jornal o Chefe do Executivo, em seu último despacho com o Secretário do Interior e Justiça, sancionou a lei da Assembleia que criava o município de Jandaira, desmembrado do de Lajes.(Tribuna do Norte, 09/01/1964,p.2).

        A 120 km de Natal, no extremo norte do Estado, está situado o município de Jandaíra, com apenas 353 km². O município de Jandaíra foi desmembrado do de Lajes, pela Lei Estadual n.º 2.836 de 27 de dezembro de 1963, instalada em 29 de janeiro de 1964, foi governada desta data até 14 de fevereiro de 1965, pelo Sr. Severino Matias de Melo, nomeado pelo governador do Estado.

        A nova comuna deveria ser instalada imediatamente, devendo o seu prefeito recair em pessoa da livre escolha do Governador, até que o TRE fixasse data para a realização de eleições.Foi nomeado Severino Matias de Melo como primeiro prefeito de Jandaira  pelo governador Aluizio Alves.

        Sua primeira eleição, para prefeito, vice-prefeito e vereadores, foi realizada no dia 31 de janeiro de 1965 e os eleitos empossados no dia 14 de fevereiro de 1965, com término de mandatos previstos para igual data de 1969.

        Em 24/01/1966 o governo do Estado inaugurou um poço tubular em Trincheiras.(Tribuna do Norte,12/01/1966,p.3).

            O sr. José dos Santos, prefeito de Jandaíra esteve em 13/02/1966 com o Governador Walfredo Gurgel, acompanhado do sr. Francisco Cabral, para comunicar o êxito da perfuração de poços naquela cidade, primeira esperança de solução do grave problema de abastecimento d'água.

            Em convênio com a Prefeitura a CASOL e Ministério de Minas e Energia mandaram para ali duas perfuratrizes. As perfurações já alcançaram lençol de água potável com menos de 40 metros, e prosseguem até encontrar boa vazão horária. Os poços deverão ser equipados em cooperação com a Municipalidade.(Tribuna do Norte,14/02/1967,p.4).

            Sabedoria - Experiência e Dinamismo: Trinômio Administrativo para administrar Nova Jandaira” esse foi o titulo dado pelo jornal Tribuna do Norte a administração da prefeitura de Jandaira em 1968.

            O prefeito em 1968 era o sr. José Maria dos Santos, “homem de avançada idade já, mas com um brio, dotação de visão administrativa e considerado pelos seus munícipes como um homem íntegro, dedicado à causa pública e realizador de uma obra administrativa digna dos maiores elogios”.(Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2).

Situação econômica em 1968

        Em todo o município existiam a indústria de cal de pedra. Existiam 25 fornos próprios para fabricação de cal e que funcionam mensalmente. O funcionamento desses fornos era feito da seguinte maneira: pesagem e duração de um para o outro, 10 dias.

        A produção era estimada em 500 sacos de cal, sendo que a produção dos demais não é igual. Esta produção é exportada para Natal e municípios circunvizinhos.

        O comércio, por sua vez, era muito fraco, existiam apenas pequenos mercantis, uma pequena padaria e uma pequena farmácia, além de uma bomba de gasolina e um restaurante. Na agricultura, o plantio de algodão, agave, milho e feijão predominam, sendo que o mais explorado é o do algodão.

        Com relação à produção do ano passado, o algodão não foi produzido em um milhão de quilos, enquanto a produção de agave atingindo a casa dos 150 mil quilos, a do milho cerca de 11 mil e a de feijão 80 mil.

        O algodão e o agave são colocados para as indústrias mais próximas, em João Câmara e Lages.

       Quanto à pecuária a região é criação de município, sendo que o bovino é o mais importante pela existência de um maior número, seguido pelos ovinos e caprinos.


Prefeitura de Jandaíra em 1968.Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2.
Restauração digital por Inteligência Artificial.



Demografia em 1968

        Existiam na zona urbana da cidade 433 habitantes, sendo 172 homens e 187 mulheres, 41 crianças de 7 a 14 anos, sendo 23 do sexo masculino e 18 do feminino. De mais de 14 anos existem 10 homens e 3 mulheres e menores de 7 anos, 72 homens e 74 mulheres.

Especificação da zona urbana

 

Menores de 7 anos de idade

 Homens

Mulheres

72

74

De 7 a 14 anos de idade

23  

18

De mais de 14 anos de idade

10

3

De maior idade

122

185

    Na zona suburbana residiam 385 pessoas, sendo:

 

 Menores de 7 anos

Homens

Mulheres

59

75

De 7 a 14 anos

35

37

 De mais de 14 anos

70

16

Maiores de idade

58

75

      Na zona rural existiam 558 habitantes, assim discriminados:

 

Menores de 7 anos

homens

mulheres

154

145

De 7 a 14 anos

151

158

 De mais de 14 anos

 163

172

Maiores de idade

 758

276

No resumo geral, apresentava-se:

 

Menores de 7 anos

homens

mulheres

285

245

De 7 a 14 anos

209

263

De mais de 14 anos

 599

191

Maiores de idade

518

457

         Apresentando um total geral de 1.216 homens e 1.161 mulheres, numa população de 2.376 habitantes. Este levantamento foi realizado por determinação do prefeito municipal e teve a duração de 90 dias, quando do cadastramento dos prédios existentes no município.

Finanças

        O movimento financeiro dos anos de 1965, 66 e 67 apresentaram uma receita e uma despesa equilibradas, não apresentando déficit em nenhum dos anos primeiros da atual administração.

        No ano de 1965 a receita foi de NCr$ 2.823,34 para uma despesa de NCr$ 1.536,34. No ano de 1966, a receita foi de 23.639,14 e uma despesa de NCr$ 22.381,02. Já no ano de 1967, a receita foi de NCr$ 41.561,52 com uma despesa de NCr$ 34.431,04.

       No movimento acima especificado estão incluídos todos os auxílios recebidos pelo município que sejam federais, estaduais ou municipais. Em 1965, como está descrito, foi realizada uma despesa de NCr$ 1.536,34.

            Nesta despesa estava incluída a aquisição de ferramenta necessária para o conserto de poços tubulares, como sejam: chaves, correntes, etc. Este foi o primeiro material adquirido pela prefeitura.

         Em 1966, numa despesa apresentada de NCr$ 22.381,02, estão incluídos NCr$ 7.500,00 gastos na construção da sede própria da prefeitura municipal; NCr$ 1.193,95 gastos na conservação dos próprios públicos como a restauração total do mercado, cemitério e delegacia de polícia; NCr$ 993,50 gastos na aquisição de um motor marca Yanmar e de uma bomba Itauera, para o poço tubular de Aroeira Direita.

            Durante o exercício de 1966, apenas uma situação gravíssima, a estiagem, pois esta castigou em cheio a região e, sem condições, por falta de ferramentas, a prefeitura foi forçada a gastar NCr$ 2.891,90, na construção de 8 km de estradas e na conservação de mais 94 km das diversas estradas existentes no município, sendo que durante os meses de março e abril, contávamos com 143 homens para trabalhar sem possuirmos ferramentas, como seja, carro de mão etc.

            Este trabalho foi realizado com a ajuda dos "Alimentos para a Paz", além de mais NCr$ 383,00 com limpeza pública e de NCr$ 4.576,10 com o destocamento de matos dentro da cidade, com respectivo transporte e deixando o funcionalismo em dia e a prefeitura munida de material de expediente.

            Em 1967 veio a perfuração de poços tubulares, inicialmente pelo Ministério das Minas e Energia, com as despesas feitas pela prefeitura. Igualmente outro poço perfurado em convênio CASOL—CONESP, também com ajuda da prefeitura. Posteriormente, veio a instalação do poço perfurado pelo Ministério das Minas e Energia, uma instalação moderna, cara e eficiente, pois serve bem à população e que custou aproximadamente NCr$ 8.000,00. Depois veio a construção do Matadouro, ainda não concluído, porque fomos para a construção de uma sala de aula no lugar "Tubibal", neste município, já concluída e brevemente inaugurada.

        Veio depois o financiamento de silos metálicos feito pelo BANDERN—INDA—ANCAR e depois pela prefeitura, veio o fornecimento de enxadas manuais, formicida e inseticida pela prefeitura, aos pequenos agricultores com 50% de abatimento e a saúde com convênio com a Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Lages, mantenedora do Hospital Maternidade Aluízio Alves, naquela cidade.

        I — Câmara Municipal: A Câmara Municipal representava uma percentagem de 22.5% destinada àquele legislativo, sobre o orçamento do município.

I      I — Governo Municipal: o governo municipal tinha anualmente um subsídio de NCr$ 360,00 e o vice-prefeito de NCr$ 240,00.

       III — Serviço de Administração Geral: pela secretaria da prefeitura funciona a Tesouraria, pois o secretário responde pelo expediente do Tesoureiro, além da Junta do Serviço Militar.

        V — Serviço de agricultura e abastecimento: aos pequenos agricultores foi fornecido pela Prefeitura Municipal, enxadas manuais, formicida e inseticida com 50% de abatimento e financiado com prazo de um ano, silos metálicos para armazenamento da produção.

        V — Educação e Cultura: no município existem quatro escolas primárias, sendo que apenas duas estão em funcionamento — a de Trincheiras e a de São Geraldo, denominada Escola Municipal Manoel Alves Filho, que contaram no exercício passado com 43 alunos que receberam, além das escolas, todo o material necessário para o seu estudo, ou seja: cadernos, lápis e borrachas, gratuitamente fornecidos pela prefeitura.

        VI — Saúde: a prefeitura mantinha convênio com a Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Lages, mantenedora do Hospital Maternidade Aluízio Alves, para atender aos munícipes que ali chegam em busca de serviço médico, dentário etc. Além dêste convênio a prefeitura ainda tem que deslocar para Natal, Macau, João Câmara, para melhor atender à saúde dos que não podem se tratar.

        VII — Serviços Urbanos: um ligeiro retrospecto do que tinha Jandaíra em 1968: três poços tubulares, quando anteriormente dispunha de apenas um, precário; uma prefeitura moderna, um investimento importante para o município; uma sala de aula em Tubibal, construída pela atual administração; um matadouro em fase de construção; um mercado restaurado; um cemitério também restaurado; uma camioneta para atender as necessidades da Edilidade e dos munícipes; um equipamento para conserto dos poços tubulares; um equipamento mecânico funcionamento em um poço tubular; um motor Yanmar e uma bomba Itauna, funcionando em Aroeira Direita.

    Todos estes investimentos foram anexados ao patrimônio do Município pela atual administração José  Maria dos Santos. (Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2).

         Em novembro de 1974 o governador Cortez Pereira já havia inaugurado a luz elétrica fornecida pela Cosern em Jandaira.(Tribuna do Norte, 10/11/1974, p.8).


Prédio não identificado em Jandaíra, 1968.Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2.

Reconstituição digital por inteligência Artificial.

Prédio não identificado em Jandaíra, 1968.Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2.