Prolegômenos
O vigário de Natal, Pe. João Maria, iniciou em 1894 a
construção da segunda igreja matriz de Natal no terreno onde atualmente se encontra
a Catedral Metropolitana, entre as avenidas Floriano Peixoto e Deodoro da
Fonseca com as ruas Apodi e Mossoró.Com sua morte ocorrida em 16/10/1905 as
obras foram paralisadas, sendo retomadas pelo seu substituto, o Pe. Moisés
Ferreira, mas esse tendo sido removido da freguesia de Natal, deixou as obras
ique haviam sido iniciadas inacabadas.As obra da dita igreja não passaram dos
alicerces.
A Diocese de Natal foi criada em 29/11/1909 e instalada oficialmente
com a posse do seu primeiro bispo, dom Joaquim Antonio de Almeida, 13/06/1911.
Ao ser criado o bispado potiguar a igreja de Nossa Senhora
da Apresentação na praça André de Albuquerque, na Cidade Alta, foi elevada a
categoria de catedral.
A catedral por suas modestas proporções arquitetônicas do
século XVII contrastava com o aumento do número de fiéis católicos, sendo ventilada
desde a criação do bispado a necessidade da construção de uma nova catedral
para a capital potiguar.
Dito isso, passemos a discorrer sobre os projetos para a
construção da nova catedral de Natal ao longo do tempo, os quais foram recriados
por meio de tratamento digital de Inteligência Artificial.
Dom
Joaquim de Almeida
Não encontramos nenhuma informação a cerca da intenção de
dom Joaquim Antonio de Almeida construir a nova catedral de Natal.
Talvez, e são só suposições, ele quisesse levar adiante as
obras deixada pelo Pe. João Maria da segunda igreja matriz para ser ali a nova
catedral.
O pouco tempo que passou a frente o bispado pode ter sido a
causa de não ter realizado o intento de se construir a nova catedral. Ele se
resignou por motivos de saúde em 1915.
Dom
Adauto Aurélio de Miranda Henrique
Entre 1915 e 1918 a Diocese de Natal esteve sob a Administração Apostólica de dom Adauto Aurélio de Miranda Henriques, bispo de Paraíba, atual João Pessoa.
Não há também informações sobre a construção da nova
catedral de Natal durante esse período, e parece que a ideia não foi ventilada,
pois se deu a reforma da catedral da Apresentação na Cidade Alta em 1916 para
melhor servir aos atos litúrgicos exigidos pela diocese.
Dom
Antonio dos Santos Cabral
Dom Antonio dos Santos
Cabral tomou posse como segundo bispo de Natal em 1918.
Em 1920 ele resolveu que deveria ser construída a nova catedral de Natal no mesmo local onde estavam as obras paralisadas da igreja iniciada pelo Pe. João Maria.Foram formadas as comissões necessárias e iniciadas as obras.
Não encontramos informações a respeito do projeto arquitetônico idealizado por dom Antonio dos Sanots Cabral, mas notando-se as fotos antigas do local onde estava sendo construída a nova catedral percebe-se que a nova catedral teria um estilo eclético ou gótico, este último marcado pela presença das janelas em arcos como se vê na imagem. O estilo poderia ser parecido com o da igreja de São Pedro do Alecrim.
Catedral iniciada por dom Antonio dos Santos Cabral.Imagem recriada por IA. |
Com a transferência de Dom Antonio dos Santos Cabral para a
diocese de Belo Horizonte-MG em 1922 as obra iniciadas forma paralisadas.
Dom
José Pereira dos Santos
O terceiro bispo de Natal
tomou posse na diocese em 1923. Em 1925 dom José Pereira dos Santos autorizou a
derrubada das obras iniciadas pelo seu antecessor para ser ali construída a
nova catedral de Natal.
Deste também não indicação do projeto arquitetônico.Foi
convidado pelo bispo de Natal o engenheiro das obras do porto de Natal para
elaborar o projeto da nova catedral de Natal.
Dom José Pereira dos Santos foi transferido para a diocese
de Niterói-RJ em 1928 deixando assim mais uma vez a construção da nova catedral
de Natal abandonada.
Dom
Marcolino Esmerado de Souza Dantas
Dom Marcolino Dantas tomou posse como o quarto bispo da
Diocese de Natal em 1929.
Em 1933 dom Marcolino Dantas retomou a ideia de se construir
a nova catedral de Natal, para isso foi convidado o engenheiro francês radicado
no Recife Geroge Monier para elaborar o projeto.
Este elaborou uma catedral em estilo neogótico semelhante as
catedrais medievais europeias.
Nesse projeto a nova catedral de Natal teria 30 metros de comprimento por 52 de largura e 41 metros no treveiro e altura de 28 metros.As tores teriam 70 metros de altura e uma rosácea de 9 metros de diâmetro.
Projeto do arquiteto Geogre Monier.Imagens recriadas por IA |
As obras chegaram a ser iniciadas com a benção da pedra
fundamental em 1933, porém, foram paralisadas aguardando melhores condições.
A
praça Pio X
Como as obras da construção da nova catedral na av. Deodoro não
avançaram foi feito um acordo entre a Diocese de Natal e a prefeitura de Natal para
que no local fosse construída uma praça até ser iniciada a construção da nova
catedral, que não ocorreu nas décadas seguintes e a praça foi permanecendo ao
ponto de quando foi retomada a construção já década de 1950 ter se criado uma
polêmica na imprensa e na opinião pública sobre a destruição da praça, mas o
terreno sempre fora da diocese, portanto particular e não público.
Dom
Eugênio Sales
Em 1954 o então bispo
auxiliar de Natal foi autorizado pelo arcebispo dom Marcolino Dantas a retomar
a construção da nova catedral de Natal sob um novo projeto, abandonando o criado
por ele da catedral neogótica.
Foi escolhido o projeto do arquiteto Benedito Calixto de
Jesus Neto, o mesmo que elaborou a Basílica de Aparecida-SP.
Nesse projeto seria construída uma igreja monumental em
estilo neorromano.
Projeto de Benedito Calixto de Jesus Neto.Imagens recriadas por IA. |
As obras foram iniciadas por dom Eugenio Sales, mas sua
transferência para Salvador-BA em 1964 deixaram as obras paralisadas.
Dom
Nivaldo Monte e a epopeia dos projetos modernos
Em 1965 foi nomeado dom
Nivaldo Monte para arcebispo de Natal.Impulsionado pelas ideias do Concilio
Vaticano II e sentido a necessidade de uma catedral simples mas que pudesse
acolher o maior número de fiéis possível para os atos litúrgicos, dom Nivaldo
Monte abandonou o antigo estilo da catedral em construção e abriu espaço para a
apresentação de projetos modernos para a construção da nova catedral de Natal,
o que viria a ser uma verdadeira odisseia para ser aprovado o que melhor se
adequaria as necessidades da arquidiocese, sem contar as polêmicas e controvérsias
surgidas pela apresentação dos diversos projetos pensados entre 1967 e 1972.
A
“catedral galpão”
A ideia era ser uma
catedral inspirada no Palácio dos Esportes construído na praça Pedro Velho onde
muitas celebrações vinham sendo realizadas pela arquidiocese por falta de
espaço na catedral da Cidade Alta.
O projeto foi apresentado pelos alunos do curso de engenharia
o qual A concepção arquitetônica desse projeto se assemelharia a três dunas
como panorama de fundo se encaixaria na paisagem da cidade. Seria constituído
de três estrutura metálicas com três vitrais na frente de forma a permitir o
máximo de ventilação. Inicialmente no lugar dos vitrais seriam colocados
combongôs. Entre as entradas da frente haveria 12 colunas de cimento
significando os 12 apóstolos. Além das três entradas frontais haveria três nas
laterais.
A Inteligência Artificial reelaborou o projeto como se fosse
uma estrutura semelhante a uma taba indígena.
Imagem recriada por IA. |
O projeto foi duramente criticado por engenheiros,
arquitetos e imprensa, tendo sido chamado de catedral galpão e catedral ginásio
de esportes, sendo o projeto foi descartado.
A
catedral pirâmide
Este projeto foi elaborado
pelo do arquiteto João Mauricio Miranda em 1968.
De acordo com o projeto a catedral seria construída em concreto armado com uma cúpula sextonada de 17 metros de altura. Ao lado da entrada principal ficaria o batistério e um recinto para a administração dos serviços religiosos, nas laterais ficariam capela para a padroeira, outra para o santíssimo e outra para celebrações menores como batizados, casamentos etc. Haveria ainda um salão para festas religiosas, além das sacristias. A baixo ficaria a cripta para sepultamento dos bispos da Arquidiocese e outras autoridades religiosas.
Projeto de João Mauricio Miranda.Imagens recriadas por IA. |
Apesar de ser considerado um dos melhores projetos para a
nova catedral de Natal o clero considerou que o alto custo da obra avaliado em
NC$ 1 milhão seria impossível de ser realizado e o projeto teve que ser
interrompido ainda na primeira etapa fazendo-se a opção pelos galpões,
estilo
que os arquitetos consideravam inadequado para o tipo de construção que deveria
ser uma catedral.
Subterrânea e sem ventilação: O
projeto de Luciano Toscano
Um anteprojeto para a nova
catedral foi apresentado a arquidiocese por Luciano Toscano em 1971.
Nesse projeto a obra seria
dividida em três pavimentos, sendo o primeiro a uma profundidade de 1,40m, onde
na parte da frente seria construída a cúria metropolitana, ficando a igreja
propriamente dita na parte de trás, o segundo pavimento compreenderia um platô
em cimento armado a 2,60m acima do solo e o terceiro compreenderia a torre ao
estilo da catedral de Brasília, com altura de 26 metros e uma cruz de 7 metros
sobre ela plantada.
O projeto foi orçado em 2 milhões de cruzeiros, dos quais
700 mil só de cimento armado. Esse projeto foi vetado pela prefeitura que
justificou que a ocupação de todo o terreno da praça Pio X prejudicaria a visão
urbanística da cidade.
O
anteprojeto da nova catedral se assemelhava a catedral de Brasília, porém sem
os raios com a cúpula, achatada, foram considerados feios, além disso, esse
projeto não previa sistema de ventilação perfeito onde ameaçava sufocar os féis
em sua parte subterrânea.
Outra crítica ao projeto era de que as
salas destinadas a cúria metropolitana se assemelhariam a biombos, contrariando
a moderna arquitetura, acrescente a isso que o projeto foi elaborado por um
desenhista e não arquiteto, fato esse que estaria preocupando dom Nivaldo
Monte.
Projeto de Luciano Toscano.Imagens recriada por IA. |
Se tivesse sido aprovado a arquidiocese se veria as voltas
com o alto custo de elaboração, construção e manutenção do sistema de ventilação de ar
condicionado além de ter que lidar com o descontentamento da população de Natal
(católica ou não) que consideraram o projeto horroroso de feio.
Habemus
catedrali
Finalmente
um novo projeto apresentado da nova catedral foi aprovado. Desta vez foi
aprovado o projeto do arquiteto Marconi Grevi. Um projeto simples e sóbrio, com
80% da obra em concreto aparente, sem luxos supérfluos, visto que a
arquidiocese de Natal estava inserida numa região pobre e de grandes problemas
sociais.
A
concepção arquitetônica nesse projeto representa nas suas linhas ascendentes a
elevação do homem a Deus. O homem na sua proporção é bastante pequeno às coisas
de Deus, daí a entrada da nova catedral ser rebaixada, convidando ao fiel a uma
atitude de humildade. Na medida que se adentra a catedral as linhas começam a
subir elevando-se ao infinito, o infinito implica a Deus.
A
nova catedral atendia ao que prenunciava o Concilio Vaticano II, pois sendo
funcional, a nova catedral permitiria a participação ativa do fieis no culto.
A
planta da nova catedral apresenta um formato trapezoidal, tendo dois
pavimentos, a nave num único vão e o subsolo destinado a cúria metropolitana. O
acesso ao interior da nave da catedral se dá por três portas principais e duas
posteriores, sendo as três principais de talhas.
O
presbitério tem formato circular com raio de 6 metros, no centro uma grande
cruz em acrílico também medindo 6 metros.
A área da nave mede 2. 870 m² e a do subsolo
2. 658 m², o afastamento lateral máximo mede 26m e o mínimo 16m.A parte
posterior da catedral mede 30 metros de altura onde seria ocupada por um vitral
de 26 m de altura por 36m de largura, representando a aurora matutina. Em
frente a catedral fica uma cruz tridimensional de 20 metros de altura. Mede 60
metros de comprimento e 45 de largura num total de 10.000² de terreno.
O
projeto previa ainda no restante do terreno a construção de jardins fontes
luminosas e lagos. A área construída da nova catedral ocupa 30% da área
destinada a construção que era a antiga praça Pio XII.
A
nova catedral de Natal foi a segunda obra em concreto protendido construída no
Rio Grande do Norte, tendo sido a primeira a ponte rodoferroviária de Igapó.
As obras foram orçadas em 3 milhões de
cruzeiros, só os vitrais custariam 800 mil e seriam importados da Bélgica. Se
pretendia inaugurar em 1975. As plantas e a maquete ficaram prontas em 1972.
Projeto de Marconi Grevy.Imagens recriada por IA. |
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