sábado, 11 de abril de 2026

SOBRE A PULVERIZAÇÃO DE CRIAÇÃO DE MUNICIPIOS NO RN EM 1963


Em 1963 ao que parece os nobres deputados estaduais do Rio Grande do Norte estavam com excesso de tempo ocioso ou não tinham mais o que fazer que apresentaram uma enxurrada de projetos pulverizando o território Estado com a criação de novos municipios.

A seguir a lista dos projetos de lei listados no jornal A Ordem que tratavam da criação de novos municípios no Rio Grande do Norte através do desmembramento de cidades existentes.

Projeto nº 47 — Patrício Neto

Criava o Município de João Dias desmembrado do de Alexandria*

Projeto n.º 48   Deputado Patrício Neto

Criava o Município de Pilões desmembrado do de Alexandria*

Projeto n.º 53  — Deputado Francisco Revorêdo

Criava o Município de Tibau desmembrado do de Grossos*

Projeto n.º 54  — Deputado Francisco Revorêdo

Criava o Município de Felipe Camarão desmembrado do de São Gonçalo**

Projeto n.º 80  — Dep. Olavo Montenegro

Criava o Município de Alto do Rodrigues desmembrado do de Pendências*

Projeto n.º 81 De. Florêncio Bezerra

Criava o Município de Porto do Mangue desmembrado de Assú**

Projeto n.º 82  — Dep. Jácio Fiúza.

Criava o Município de Jaçanã desmembrado de Cel. Ezequiel*

 

Projeto n.º 86  — Dep. Valmir Targino

Criava o Município de Olho D'Água do Borges, desmembrado de Almino Afonso*

Projeto n.º 104  — dep. Jácio Fiúza

Criava o Município de Poço Limpo, [Ielmo Marinho], desmembrado do de S. Paulo do Potengi*

Projeto n.º 105 De Jácio Fiúza

Criava o Município de Riachuelo desmembrado do de São Paulo do Potengi*

Projeto n.º 112 Dep. Olavo Montenegro

Criava o Município de Pureza desmembrado do de Touros*

Projeto n.º 121 —Dep. Aderson Dutra

Criava o Mun. de Francisco Dantas, desmembrado do de Portalegre*

Projeto n.º 137— Dep. Patrício Neto

Criava o Município de Baixio de Nazareth desmembrado do de S. Miguel**

Projeto n.º 151 —Dep. Aderson Dutra

Criava o Município de Várzea da Caatinga desmembrado do de Almino Afonso**

Projeto n.º 156 — Dep. Jose Pinto

Criava o Município de Felipe Guerra desmembrado do de Apodi*

Projeto n.º 168 Dep. Joaquim Câmara

Criava o Município de Estremoz desmembrado do de Ceará Mirim*

Projeto n.º 229 Dep. Lauro da Escossia

cria o Município de Barauna desmembrado do de Mossoró**

Projeto n.º 244 — Dep. Luiz de Barros

Criava o Município de Santo Antonio do Potengi**

Projeto n.º 260 — Dep. Asclepiades Fernandes

Criava o Município de Jandaira desmembrado do de Lages*

Projeto n.º 329 Dep. Dari Dantas

Criava o Município de Impoeira [Ipueira], desmembrado do de São João do Sabugi**

Projeto n.º 440 — Dep. Dari Dantas

Criava o Município de Fernando Pedroza desmembrado do de Angico**

Projeto n.º 449 — Dep. Israel Nunes

Criava o Município de Rafael Fernandes desmembrado do de Pau dos Ferros*

Projeto n.º 452 — Dep. Nilson Patriota

Criava o Município de Redinha desmembrado de Natal**

Projeto n.º 497 — Dep. Nilson Patriota

Criava o Município de Tabuleiro Grande desmembrado do de Rodolfo Fernandes*

Projeto n.º 510 — Dep. Boanerges Barbalho

Criava o Município de Passagem desmembrado do de Brejinho*

 

Projeto n.º 559 — Dep. Nilson Patriota

Criava o Município de Pirangi do Sul desmembrado do de Nisia Floresta**

Projeto n.º 616 Dep. Radir Pereira

Criava o Município de Salamandra desmembrado do de Portalegre*

Projeto n.º 678 — Deps. Valdemar Veras e Patrício Neto

Criava o Município de Mata de São Braz desmembrado do de Alexandria e Tte. Ananias**

Projeto n.º 689 — Dep. Olavo Montenegro

Criava o município de Carnaubais desmembrado do de Assú**

Projeto n.º 715 — Dep Diniz Câmara, Lael Xavier de Lucena,

Criava o Município de Lucrecia desmembrado do de Martins*

Projeto n.º 758 — Dep. Assunção de Macêdo

Criava o Município de Renovação desmembrado do de Santana de Matos**

Projeto n.º 779 — Dep. Assunção de Macêdo

Criava o Município de São José da Passagem desmembrado do de Santana de Matos**

Projeto n.º 780 — Dep. Assunção de Macêdo

Criava o Município de Bodó desmembrado do de Santana de Matos**

Projeto n.º 815 — Dep. Nilson Patriota e outros.

Criava o Município de Bom Lugar desmembrado do de Itaú**

Projeto n.º 843 — João Aureliano

Criava o Município de Sen. Georgino Avelino desmembrado do de Arêz*

Fonte : A Ordem, 12/10/1963, p.8.*Municipio criado naquele ano.**Municipio não criado naquele ano.

Essa lista de projetos de lei revela um momento histórico de intensa efervescência política e territorial no Rio Grande do Norte, entre o final dos anos 50 e início dos anos 60.

Eis uma análise detalhada do que esses recortes representam:

O fenômeno do "Municipalismo"

O documento registra a tentativa (e em muitos casos, o sucesso) de transformar distritos ou povoados em cidades autônomas. Esse movimento era comum para: Descentralizar o poder: Reduzir a dependência de capitais regionais (como Alexandria, Santana de Matos e Açú), captar recursos: novos municípios passavam a receber cotas diretas de impostos e fundos governamentais e fortalecimento de lideranças locais: a criação de um município criava cargos de prefeito e vereadores, consolidando o poder de famílias ou grupos políticos regionais.

Protagonismo político

Alguns nomes se repetem, indicando quais deputados estavam mais ativos na articulação territorial da época:

 Patrício Neto, muito focado na região do Alto Oeste (Alexandria/João Dias/Pilões).

Assunção de Macêdo, responsável por propor o desmembramento de várias áreas de Santana de Matos (Bodó, Renovação, São José da Passagem).

Nilson Patriota, ativo em diferentes frentes, desde a Grande Natal (Redinha) até o interior (Tabuleiro Grande).

Jácio Fiúza, focado na região do Potengi.

Toponímia e curiosidades geográficas

Cidades que mudaram de nome: vários projetos usavam nomes que não se consolidaram ou mudaram. Por exemplo: "Baixio de Nazareth" (hoje apenas Baixio), "Impoeira" (atualmente Ipueira) e "Várzea da Caatinga" (que se tornou Lucrécia ou parte de Almino Afonso).

Projetos que não prosperaram como cidades independentes: alguns nomes listados como municípios propostos acabaram permanecendo como distritos ou bairros. O caso mais notável é a Redinha (Projeto 452), que continua sendo um bairro de Natal, e Felipe Camarão (Projeto 54), que corresponderia a região da margem esquerda da BR 406,correspondente aos atuais bairros de Jardim Lola, Amarante e Rego Moleiro em São Gonçalo do Amarante. Já Santo Antonio do Potengi seria criado tambem por desmebramento do atual municipio de São Gonçalo do Amarante, ambos seriam atualmente uns dos mais populosos da Região Metropolitana de Natal, assim como da Redinha que teria em torno de 300 mil habitantes,correspondente a toda região norte da Capital potiguar.

Reconfiguração do mapa

O recorte mostra como grandes municípios "mães" seriam reduzidos para dar origem a novos vizinhos.

Alexandria perderia território para João Dias, Pilões e Mata de São Braz. Destes, apenas João Dias e Pilões foram de fato criados.

Santana de Matos seria a base para a criação de Bodó e outras localidades. Bodo viria a ser criado em 1992.

Assú deu origem a Porto do Mangue e Carnaubais.

Esses projetos são uma "fotografia" da formação da identidade geográfica do Rio Grande do Norte. Se esses projetos não tivessem existido, o mapa do estado teria hoje apenas metade das cidades atuais, e o poder político estaria muito mais concentrado em poucos centros urbanos.

Entretanto, caso todos os projetos tivessem sido aprovados o mapa do Estado atualmente seria totalmente diferente do que e o atualmente.

De todos os 34 projetos apresentados em 1963, foram efetivamente criados 19 e 15 não vingaram naquele momento.

Dos 15 que não foram criados em 1963, apenas 4 foram criados em outros momentos,como Baraunas,em 1981 e Carnaubais, Porto do Mangue, Bodo e Fernando Pedroza, em 1992.

SOBRE A ANTIGA CAPELA DA GUARITA parte III


         Alem das missas semanais a vida religiosa da antiga na capelinha da de São  José na Guarita estava atrelada aos festejos do orago da capela.

         Das realizações das festas de São  José na Guarita tem-se o que se segue.

Em 19/03/1936 o jornal A Ordem registrou “terá lugar no próximo domingo, 22, a festa em honra do glorioso S., no bairro do Alecrim”.[1]

Constaria a festa  de um tríduo que teria inicio no dia 19/03/1936 e seria celebrado ás 18h30.

No sábado á noite teria uma barraquinha cujo resultado reverteria-se em beneficio da capela. No domingo haveria missa ás 9h, havendo ás 15h00 da tarde a fundação da Pia União do Trânsito de S. José e após, ás 16h00, a procissão, á qual seguir-se-ia o leilão.

Uma devota de São José, interessada pelo zelo da capelinha solicitava aos devotos a esmola de qualquer donativo para o leilão ou barraca. Aos que se dignassem atender a tão justa solicitação pedia-se o obséquio de levar a dádiva á residência dos vigários do Alecrim ou do sr. Celso Amaro na Guarita.

Celso Amaro aparece como um dos organizadores da festa de São José de Guarita.Ele era comerciante e residente a rua Sátiro Dias, nas proximidades da capela.

Em 20/03/1938 encerrando os festejos dedicados a São José na Guarita, houve missa cantada, ás 9,30. À tarde, ás 16h, realizou-se uma procissão percorrendo o bairro da Guarita.[2]

Antes da procissão, houve, ás 15h, a entrega das fitas da Pia União de São José aos novos associados.

Em 16/03/1939 havia começado o tríduo preparativo para a Festa de São José na Guarita daquele ano.[3]

No dia19/03/1939  houve missa ás 09h oficiada pelo o pe. Carlos Franik. Às 16h realizou-se a benção do novo Estandarte de São José.Em seguida houve a procissão, em que participaram inúmeras associações, que percorreu as principais ruas daquele bairro. Ao recolher-se a procissão foi dada a benção do S. S. Sacramento.

À noite de 18 e 19/03/1939 funcionou uma barraca em beneficio da Festa.

Na Capela de S. José da Guarita, iniciou-se em 28/03/1940, o tríduo em honra de São José, cuja festa seria realizada no dia 31.

O tríduo teve inicio ás 19h sendo presidido por um padre da Sagrada Família. No dia da festa, houve missa ás 6h30, com comunhão geral e procissão á tarde.[4]

Em virtude dos trabalhos realizados na Capela da Guarita, somente no dia 14/09/1941 realizar-se-ia a festa de São José naquela capela, promovida pela Pia União de São José. Essa festa seria precedida de um novenário, o qual se inicia ás 19h.

No domingo, 1ª noite de novena, haveria, ás 17h, o hasteamento da bandeira, com a benção do Altar e do Sino, sendo oficiante das cerimônias o Mons. João da Mata, Vigário Geral da Diocese. Após os exercícios diários haveria quermesse e outros divertimentos populares, tocando a banda de musica dos Escoteiros do Alecrim.[5]

No dia da festa haveria missa cantada ás 8h, com comunhão geral das associadas e devotos de São José. Às 16h sairia a procissão pelas ruas daquele bairro, conduzindo a imagem do glorioso Santo, sendo dada ao recolher a benção do SS. Sacramento. Após, haveria, além dos divertimentos populares, um animado leilão.

Iniciou-se ás 19 horas do dia 18/03/1943 na Capela de São José, na Guarita, o triduo preparatorio á festa do Santo Patrono, que se realizará no proximo domingo.

Celebrada pelo revmo. pe. José Biesinger, coadjutor da Matriz do Alecrim, haverá amanhã, ás 7 horas, missa com comunhão geral dos fieis.

Todas ás noites, depois do triduo, funcionará uma barraca, cujo rendimento será para as obras da Capela.[6]

Ás 19h do dia 09/03/1944 na capela da Guarita, teve inicio o novenario em honra do glorioso São José.

A festa esteve sob o patrocinio da Pia União de São José e fazendo as pregações o revmo. frei Antonio, do Convento dos capuchinhos da Cidade Alta.

No dia da festa houve missa cantada ás 8 horas, realizando-se á tarde uma procissão com a imagem do glorioso São José, que ao recolher, foi dada a benção do SS. Sacramento.[7]

Desde o dia 10/03/1944 vinha se realizando, na Capela da Guarita, um novenário, promovido pela Pia União de São José, em honra do seu glorioso patrono.[8]

Grande era o comparecimento de fiéis as celebrações ali realizadas, fazendo as pregações o frei Antonio, do Convento dos Capuchinhos na capital.

No domingo, houve missa cantada ás 8h, realizando-se á tarde, imponente procissão. Ao recolher, foi dada a benção do SS. Sacramento.

Promovida pela Pia União de São José da capela da Guarita, realizou-se, 19/03/1944, a festa do Glorioso Patriarca. Houve missa cantada ás 8 horas, pelo  Frei Antonio, que pregou ao Evangelho. Avultado foi o número de pessoas que participou do Banquete Eucaristico.[9]

À tarde saiu em procissão a imagem do Glorioso Santo, sendo ao recolher dada a benção do Santissimo.

Em 19/03/1947 na capela de São José, na Guarita, no bairro do Alecrim, o dia  estava  sendo festivamente comemorado. Precedida de um novenario, encerra-se a festa de S. José, tendo havido ás 6 horas missa de comunhão geral, com grande assistencia de fieis.[10]

De acordo com o padre Luis, pároco da Capela de São José, da Guarita, bairro do Alecrim, foram iniciados hoje os festejos em honra do glorioso São José. Os aludidos festejos tiveram caráter simples, constando do seguinte programa:

 

Dia 10 — ás 18.30 horas — Levantamento da Bandeira da festa.

 

De 11 a 18 — ás 6.00 horas — Missa em ação de graça e ás 19.30 horas — Novenas patrocinadas por D. D. Noitarios.

 

Dia 19 — ás 7.30 horas — Missa cantada acompanhada por orgãos, ás 16 horas — Procissão e ás 17,00 horas — Benção e encerramento.[11]

Antiga capelinha de São  José, na Guarita, no bairro do Alecrim, construida na rua Satiro Dias.

Queixas do povo

As famílias residentes na Guarita, reclamavam, por intermédio do jornal A Ordem, providências da Prefeitura de Natal no sentido de mandar remover o grande montão de lixo que estava sendo formado em frente á capela dali, causando má impressão a todos que por ali transitavam.[12]

“A reclamação é justa, e esperamos que a nossa edilidade tome as medidas necessárias”, registrou o referido jornal.

O recorte do texto do jornal demonstra que o local onde estava situada a capela já começava a da sinais de decadência.

O Padroeiro da Guarita

 São José foi proclamado por Pio IX o Patrono da Igreja Universal, o santo é tambem o Patrono da boa morte.

Mas outros muitos titulos podem lhe ser dados, com toda justiça. Ele é modelo dos chefes de familia, pela sua dedicação sem par, pelo zelo incessante, pelos excepcionais cuidados que prestou á sua esposa e ao filho adotivo, de que legalmente aparecia como o pai.

É  tambem o exemplo vivo do bom operario, cumprindo com exatidão os deveres profissionais, entregue a um labor de simples marceneiro.

Aparece-nos, ainda, como um modelo de cidadão, cumprindo as determinações legais que não contrariem sua consciencia, embora dificeis, como aquela do recenseamento, que o obrigou a tão longa viagem, de Nazaré, a Belém.

Como isto é diferente dos tempos de hoje em que de tudo se reclama, em que se prega a revolta, em que os comunistas procuram, mais uma vez, agitar o mundo, destruindo a unidade da familia, a segurança do Estado, a santidade da Igreja!

Nestes tempos atribulados precisamos recorrer constantemente a São José. Na sua enciclica contra o comunismo, o saudoso Pio XI declarou que para apressar a paz de Cristo no reino de Cristo, colocava a ingente ação da Igreja contra o comunismo.

Outras festas

         Alem das festas do padroeiro na capela da  Guarita se realizavam outras celebrações religiosas que eram parte da vida pastoral da antiga capelinha.

Celebrando a entrada do ano de 1936 houve, na Guarita, ás 3 horas da manhã de 1º de janeiro, uma missa celebrada na capela de S. José, pelo padre Theodoro Schuster, sendo convidados, por intermédio do jornal A Ordem, todos os moradores daquele arrabalde.[13]

A festa dos Reis Magos foi celebrada festivamente na Guarita em 1937, houve missa na capela de São José, na Guarita, ás 8h. A missa foi celebrada a pedido da Confraria do Transito de São José.[14]

Sob os auspícios da Juventude Feminina Católica, os operários do Cortume São Francisco fizeram 17/061945 sua páscoa, na missa que foi celebrada pelo  padre Henrique Kleffner, vigário cooperador da paróquia do Alecrim.[15]

A tocante cerimônia realizou-se ás 7h na capela da Guarita, situada naquele populoso bairro. A seguir foi servido um café a todos os comungantes.



[1] A ordem,19/03/1936,p.1

 

[2] A ordem, 20/03/1938,p.1

[3] A Ordem ,18/03/1939,p.4

[4] A Ordem ,28/03/1940,p.1

[5] A Ordem ,02/09/1941,p.1

[6] A Ordem,18/03/1943,p.1.

[7] A Ordem,09/03/1944,p.1.

[8] A Ordem,17/03/1944,p.1

[9] Aordem, 20/03/1944,p.1

[10] A ordem, 19/03/1947, p.4.

[11] A Ordem, 10/03/1947, P.1.

[12] A Ordem, 18/06/1948 ,p.5.

[13] A Ordem 29/12/1936,p.1

[14] A Ordem,05/01/1937,p.4

[15] A ordem,16/06/1945,p.6

 

SOBRE A NOVA IGREJA DA GUARITA

 

A comparação entre as duas imagens revela uma transformação profunda na Capela de São José, na Guarita, refletindo diferentes momentos da sua história e da sua relação com a comunidade.

A nova igreja de São Jose foi construída na Rua vereador Pereira Pinto, na Guarita.

Eis uma análise detalhada da evolução do prédio:

         Como se percebe pela analise das duas igrejas, a nova foi uma transformação arquitetônica e estética em relação a primeira.

A capela original apresentava uma arquitetura vernacular simplificada. Tinha um frontão triangular clássico, uma única porta em arco de volta inteira e pilastras simples nas laterais da fachada. Era um prédio de nave única, baixo e integrado à escala do bairro ferroviário.

 O prédio atual da igreja de São Jose e  uma construção de grande porte que  tornou muito mais eclético e monumental a igreja da Guarita.

A nova fachada é mais alta e possui dois pavimentos aparentes.Foram adicionadas volutas (elementos curvos nas laterais superiores), pequenas torres (cupulinos) nas extremidades e uma janela tripla central com arcos que remetem ao estilo neorromânico ou neogótico.

O uso de tons de amarelo com detalhes em branco realça os elementos decorativos, conferindo uma presença visual muito mais forte no cenário urbano atual.

         A primeira capela registra o período de decadência extrema, quando o local servia de esconderijo e marcenaria improvisada. A igreja atual mostra uma igreja plenamente ativa, bem cuidada e revitalizada.

Igreja atual da Guarita, construída na Rua vereador Pereira Pinto.

A primeira igreja da Guarita situada na rua Satiro Dias.

Enquanto na primeira foto a cruz no topo era quase imperceptível ou estava em meio a um prédio degradado, a versão atual ostenta três cruzes (uma central e duas nas torres laterais), reforçando sua identidade como templo católico.

 Contexto Urbano

Na imagem antiga, vemos um terreno de terra batida e vegetação rasteira desordenada. Na imagem atual, a igreja está perfeitamente integrada à malha urbana, com calçada pavimentada, portões de ferro para segurança e pintura conservada.

A presença de iluminação externa (projetores na fachada) e o revestimento cerâmico na base das paredes indicam uma preocupação moderna com a durabilidade e a manutenção do patrimônio.

A igreja atual da Guarita é um exemplo notável de resiliência do patrimônio comunitário. Do abandono total e à descaracterização funcional (marcenaria) da primeira capela para se tornar um marco arquitetônico muito mais elaborado do que o original.

 Embora a capelinha das linhas simples da capela primitiva evoquem ao sentimento de nostalgia do passado da Guarita,  a atual igreja, ganhou em imponência e continua sendo um ponto de referência histórico para a região da Guarita e do Alecrim, inclusive com porte de igreja matriz caso no futuro vier a se tornar paroquia.