sábado, 11 de abril de 2026

SOBRE A CAPELA SÃO JOSÉ DA GUARITA parte I

 

         A capela de São José da Guarita é uma antiga capela pertencente a Paróquia de São Pedro do Alecrim, situada na rua Sátiro Dias, na Guarita.

A capela de São José na Guarita é anterior a 1935, pois naquele ano o jornal A Ordem já a citava como uma das capelas filiais da paróquia de São Pedro do Alecrim.

A doadora do terreno para a sua construção foi Candida Dantas,irmão do Mons.Alfredo Pegado Cortês, dedicada auxiliar das varias associações catolicas da paróquia do Alecrim.

“Foi uma das cooperadoras que ajudaram a construção da capela da Guarita, cujo terreno doou”,registrou o jornal A Ordem.[1]

         As missas eram geralmente ali celebradas aos domingos as 08h00.

         Em 27/03/1943 foi dada autorização pelo bispo diocesano ao Vigário para fazer uma procissão de São José na Capela da Guarita e para benzer as imagens de Nossa Senhora da Glória e de Santo Amaro.[2].

        Em 21/10/1945 houve uma concentração Vicentina na Matriz de São Pedro e visita á Conferência de São José, da Guarita

Concentraram-se, os Vicentinos, da Capital, ás 15h, na Matriz de São Pedro, do Alecrim, saindo, incorporados, deste Templo, em romaria á Capela de São José, da Guarita, onde visitaram a Conferencia local.

O Presidente do Conselho Particular lembrava aos Presidentes das Conferências Vicentinas a necessidade de convidar todos os confrades para se reunirem a hora e local acima mencionados, a fim de tomarem parte na visita coletiva dos vicentinos á Conferencia de São José.[3]

Missões de frei Damião

         A história da capela de São José da Guarita foi marcada também pelas santas missões realizada pelos missionário capuchinho Frei Damião, como as que se realizaram entre os dias 18 e 20/11/1946,[4]

De acordo com o jornal A Ordem os comunistas não estavam satisfeitos com as pregações do frade capuchinho em Natal  e tinham procurado sabotá-las de todas as formas. Na Guarita, levaram um alto-falante para perturbar a audição dos fiéis, “mas felizmente não encontraram nenhuma casa comercial ou familiar que permitisse a ligação do alto-falante”[5]

Entre os dias 10 e 11/02/1949, novas missões de Frei Damião foram realizadas na capela da Guarita. [6]

Análise do prédio da Capela de São José

A análise do prédio da Capela de São José, localizada na Guarita, revela detalhes importantes sobre sua tipologia arquitetônica e o estado de conservação no momento do registro histórico:

Estilo e tipologia arquitetônica

    Arquitetura da capela e estritamente religiosa vernacular. O edifício apresenta linhas simples, características de capelas de pequeno porte do início do século XX no interior e em bairros periféricos de grandes cidades brasileiras.

Possui um frontão triangular clássico, com uma pequena cruz ou adorno no topo. A entrada principal é marcada por um arco de volta inteira (pleno), um elemento comum na arquitetura de influência colonial e neoclássica.

A fachada segue uma composição simétrica, com pilastras laterais que emolduram o corpo principal do edifício.

Fonte Diario de Natal,1980.

         As laterais contam com janelas altas e estreitas, possivelmente para garantir a iluminação natural e ventilação, mantendo a privacidade do ambiente litúrgico.O telhado é de duas águas, utilizando telhas cerâmicas aparentes, típicas da região.

Localização estratégica

 A capela foi construída entre duas linhas férreas, a linha da GWBR que partia de Natal para Nova Cruz e a linha da EFCRGN que partia de Natal para Lajes e Macau, o que sugere que ela atendia à comunidade ferroviária ou aos moradores que se estabeleceram no entorno dos trilhos na Guarita.

A imagem restaurada e o texto do jornal Diário de Natal de 1980 confirmam um estado avançado de deterioração. A pintura externa está descascada, revelando o reboco ou a alvenaria subjacente, e a vegetação cresce desordenadamente à frente do prédio.

O edifício sofreu uma "profanação" funcional ao ser transformado de templo religioso em oficina de marcenaria. O relato menciona que o altar, antes sagrado, passou a servir como prateleira para latas de tintas e ferramentas.

O prédio passou de um centro comunitário religioso para um refúgio de marginalidade antes de ser ocupado pela oficina, refletindo a falta de manutenção institucional por parte da Paróquia na época.

Este prédio é um exemplo do patrimônio histórico-arquitetônico que muitas vezes se perde ou é transformado devido ao crescimento urbano e ao deslocamento das comunidades paroquiais.

Colorizado por Gemini


A antiga capela da Guarita numa possivel retauração e recuperação urbana do seu entorno.

Estado atual da capela da Guarita.










[1] A ordem,09/01/1948,p.4

[2] a ordem,27/03/1943,p.1

[3] A Ordem ,20/10/1945,p.1

[4] a ordem,07/11/1946,p.1

[5] a ordem, 27/1/1946,p.4.

[6] A Ordem,05/02/1949,p.4

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