domingo, 2 de março de 2025

SOBRE UMA POSSÍVEL DESCOBERTA DE PETRÓLEO EM TOUROS

 

         Em 1985 uma notícia deixou o município e a cidade de Touros em ebulição devido a possível descoberta de petróleo no litoral do município em apreço.

         Até aquele momento Touros era uma cidade praieira voltada exclusivamente para o turismo e sua “irmã gêmea” Carnaubinha, ainda virgem, só esperando água, luz e estradas para entrar nos roteiros turísticos também.

         Naquele ano de 1985 as plataformas de prospecção de petróleo já passavam de Rio do Fogo e podiam ser vista contra a linha do horizonte, com a sua imensa estrutura algaraviada.

         Os pescadores divisavam-nas com orgulho e esperança aos visitantes, não denotando o mínimo de receio diante da sua aproximação.

         Quando se viam diante da pergunta sobre poluição, prejuízo para os peixes, para a beleza da praia, etc riam. Acostumados ali, não chegavam bem a ver a beleza do local, pois sentiam mais a sua falta de recursos, de opções de vida, a tristeza.

         Torciam para que surgisse novas torres. Sabiam que, com elas, viriam os homens da Petrobras, com seus navios e os “gringos” das empresas, com seus dólares. (Diário de Pernambuco, 30/03/1985, p.21).

         Tudo não passou de expectativas, pois os prognóstico não se concretizaram e nenhuma plataforma de petróleo ao que se sabe foi montada na região e Touros permaneceu em sua bucólica existência centenária.

    Na realidade as informações acerca da descoberta de petróleo no município de Touros remontam ao ano de 1951.

Por  meio de informações colhidas de pessoas do município de Touros o jornal A Ordem divulgou ter sido descoberto um poço petrolífero naquele município, o qual seria uma sensacional descoberta.( A Ordem,12/09/1951,p.1).

         A noticia, apesar de não ter circulado nos meios oficiais, vinha sendo conformada por pessoas chegadas dos municípios vizinhos de Touros, adiantando-se que vários técnicos federais estariam naquela cidade, em estudos do local onde se dizia jorrar o precioso combustível.

Em 1975 nova noticia da descoberta de petróleo em Touros voltou a circular, quando foi noticiado que trabalhadores de pesquisa de petróleo na Plataforma continental do Rio Grande do Norte havia sido iniciadas em 1974 poderiam ter prosseguimento até o município de Touros, também na Plataforma continental, onde provavelmente seria encontrado o maior depósito de óleo mineral no país, segundo os geólogos de Natal.(Diário da Tarde , 22/01/1975, p.2).

         

 

Aspectos da cidade de Touros em 1985.Fonte:

Diário de Pernambuco, 30/03/1985,p.21.





terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

SOBRE A INSTALAÇÃO DA ÁREA PASTORAL EM POÇO BRANCO

 

Nesta terça-feira, 25/02/2025, às 19 horas, aconteceu a instalação da Área Pastoral do Sagrado Coração de Jesus, na cidade de Poço Branco, durante celebração presidida por Mons. Valquimar Nogueira, vigário geral da Arquidiocese de Natal. Durante a missa, foi lida a provisão do arcebispo Dom João Santos Cardoso nomeando o Padre Willian Bruno dos Santos Costa responsável pela Área Pastoral, que foi desmembrada da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento, de Taipu.

Com a instalação da referida área pastoral de Poço Branco se encerra o último vínculo que havia entre aquela cidade e a de Taipu.

O vínculo histórico e administrativo existiu desde 1891 quando foi criado o município de Taipu até 1962 quando ocorreu a emancipação do então distrito de Poço Branco.

Já o vínculo pastoral ocorreu desde 1913 até a presente data.

A primitiva capela teria sido erguida pela iniciativa de Pedro Leite, antigo morador de Poço Branco, no ano de 1912 e ficava no início da rua Nova, próxima ao comércio, na margem direita do rio Ceará-Mirim.

         Naquele ano a capela pertencia a paróquia de Ceará-Mirim, quando no ano seguinte passou aos cuidados pastorais da recém-criada paróquia de Nossa Senhora do Livramento de Taipu, criada a 18/04/1913.

         Ao longo do tempo além da assistência eclesiástica a paróquia de Taipu esteve em momentos significativos da história de Poço Branco, como a construção da nova igreja em 1970, a construção do centro pastoral em 1980, a atuação da Irmãs dos Imaculado Coração de Maria, a construção de novas capelas que se somaram as já existentes.

         A criação da paróquia em Poço Branco era uma aspiração antiga da população daquele município, sonho esse que se descortina com a criação da área pastoral.

         A cidade já conta com certa estrutura necessária para a futura paróquia como a casa paroquial, o centro pastoral, a igreja em si, que doravante será elevada a dignidade de igreja matriz, sem contar com o povo que assume os movimentos de pastorais que constam na comunidade.

         Ao ser criada em futuro próximo a paróquia a mesma abrangerá o território civil do município de Poço Branco onde constam as demais capela e igrejas que nele há.

           Esta será a segunda paróquia desmembrada da paróquia de Taipu, tendo sido a primeira a de Nossa Senhora Mãe dos Homens em João Câmara em 13/12/1929.



Pe. Willian Bruno, responsável pela Área Pastoral

 

Fonte: https://www.arquidiocesedenatal.org.br/post/arquidiocese-instala-%C3%A1rea-pastoral-em-po%C3%A7o-branco

Crônicas taipuenses: SOBRE A ANTIGA CAPELA DE POÇO BRANCO

terça-feira, 12 de novembro de 2024

SOBRE A AGÊNCIA DOS CORREIOS DE LAJES-RN E ANGICOS-RN

 

         Em 1933 a revista Vida Doméstica apresentou os tipos padronizados dos prédios da agências dos correios que seriam construídas pelo Brasil.

         No Rio Grande do Norte foi definido como prédio da agência dos correios em Angicos e Lajes o tipo III para construção das referidas agências que teria a topologia mostrada na imagem abaixo.

Fonte: Vida Domestica (RJ), 1933,p.43.

           A agência dos correios de Angicos está situada a Rua José Rufino, naquela cidade, já a de Lajes está localizada na Travessa Monsenhor João da Mata Paiva, daquela cidade.

              Agência dos Correios de Angicos



                                      Agência dos Correios de Lajes







segunda-feira, 28 de outubro de 2024

A PRIMEIRA PREFEITA DE PEDRO VELHO-RN

 

 

      Sem dúvidas o que se verá adiante constitui-se o mais importante acontecimento que ocorreu no município de Pedro Velho na década de 1950.  

       O mais desconcertante ocorrido nas eleições municipais realizadas no Estado em 1952 ocorreu em Pedro Velho onde por maioria de apenas 7 votos foi eleita Maria Doralice Teixeira, que concorreu como candidata de oposição.

         De fato o elemento feminino predominou naquelas eleições em vários municípios, não apenas em número, nas filas a porta das mesas receptoras, mas em atividades nas ruas como cabos eleitorais, encaminhando e orientando eleitores.

         Em Pedro Velho, ocorreu algo fantástico, a começar pelo registro dos candidatos.

         Até as 15h00 do dia em que se devia encerrar o prazo de registro, não havia aparecido o candidato de oposição habilitado perante a Justiça Eleitoral, para concorrer ao pleito em Pedro Velho.

         De casa em casa havia ele sido procurado, mas ninguém aceitara o cometimento.

         Não era tanto a falta de coragem de enfrentar os chefes tradicionais do município, mas principalmente a ausência de fé, mesmo sob o regime do voto secreto, em qualquer possibilidade de êxito nas urnas.

        Maria Doralice Teixeira foi eleita prefeita de Pedro Velho, fato considerado inédito na vida do município, onde tradicionalmente só o situacionismo vencia. Foi talvez a maior surpresa das eleições municipais daquele ano de 1952 em todo Estado.

         Maria Doralice Teixeira concorreu as eleições municipais pela UDN.

         Maria Doralice Teixeira era uma moça que há pouco tempo havia deixado o curso de contabilidade do Colégio Imaculada Conceição, em Natal, do ano de 1943.

         De volta ao município de Pedro Velho ajudava o pai na escrituração da loja de sua propriedade.

         Faltando poucos minutos para terminar o prazo de registro Maria Doralice Teixeira efetuou sua candidatura no TRE para surpresa e espanto de todos.

 Não  houve tempo para comícios em praça pública. A propaganda limitou-se a simples distribuição de chapas. No dia do pleito, duas rezes foram abatidas e seis residências de correligionários na cidade garantiram a “bóia” dos eleitores procedentes dos distritos.

         A apuração de Pedro Velho se verificou na sede da zona eleitora, que a época era em Canguaretama, onde estava presente Maria Luci Lira e Silva, única delegada do partido e exclusiva artífice da candidatura da amiga que havia ficado incrédula, lá no município de origem.

         Os escrutinadores em Canguaretama começaram a contar os votos de Pedro Velho, esvaziadas as sete urnas da cidade, saiu Maria Doralice Teixeira com maioria de 188 votos sobre o opositor. Maria Luci Lira e Silva, delegada do partido, começou a acreditar na possibilidade da eleição da amiga. Entraram, porém, as duas últimas urnas, as do distrito de Montanhas e a maioria de 188 votos começou a diminuir.

A angústia acabou com as derradeiras resistências dos nervos da delegada. Mas, Lagoa de Montanhas também cansou, ao atingir ali o adversário a maioria de 181.Restavam sete votos, os sufrágios fatais, que asseguraram a Maria Doralice a prefeitura de Pedro Velho. A junta proclamou a eleita. Maria Luci, ao ouvir o veredito das urnas desmaiou, não resistiu aos 22 dias de intenso trabalho.

         Concluída a apuração no município de Pedro Velho constatou-se a vitória de Maria Doralice Teixeira por maioria de 7 votos sobre seu oponente Genival Azevedo, coligação PSD-PSP.

         O eleitorado a época era de 2.185 votantes.

         O resultado geral da apuração em Pedro Velho para prefeito em 1952 foi 529 votos para Maria Doralice Teixeira e 522 para Genival Coelho de Azevedo. Para vice-prefeito Benedito Barbosa obteve 529 e José Pereira de Souza 522.

Maria Doralice Teixeira assumia as rédeas do município em circunstâncias invejáveis pressa com que foi lançada sua candidatura não deixou tempo para compromissos exceto com o povo que a elegeu. Poderia assim fazer muito pelo seu povo.

Ao falar a reportagem do Diário de Natal referiu-se a construção do cemitério público, ponte sobre o rio Piquiri, reconstrução da escola isolada de Ingá, cujo prédio desabou havia tres anos, rodovias, instrução, saúde e reforço financeiro à cooperativa local.[1]

Maria Doralice casou em 03/03/1956 com  o  poeta Benedito Geraldo Maia, após o qual passou a assinar-se Maria Doralice Teixeira Maia.

O casamento foi realizado na igreja matriz de Pedro Velho oficiado pelo vigário da paróquia o Pe. Jalmir de Albuquerque Silva, celebrado com efeitos civis, sendo testemunhas por parte da noiva, o Dr. José Targino e sua esposa, Maria Luiza Targino, e por parte do noivo o deputado federal Djalma Aranha Marinho e sua esposa Linda Cavalcanti Marinho, tendo comparecido grande número de pessoas amigas e parentes dos nubentes que gozavam na cidade de grande conceito.

De  retorno da viagem nupcial Maria Doralice Teixeira Maia, acompanhada do seu esposo, foi homenageada na casa de seus pais por parte de parentes, amigos e correligionários.

No mesmo dia deu entrevista ao jornal O Poti, no qual declarou que prentendia continuar dirigindo os destinos de Pedro Velho com a mesma boa intenção com que vinha mantendo, sem deixar de volver, mesmo em Natal os seu olhos e espiríto para os problemas coletivos.

         Perguntada se tinha um plano a executar naquele momento, assim respondeu:

         -No dia trinta e um de março, quando completará o terceiro ano de minha administração, lançarei a pedra fundamental para a construção do Posto de Saúde, como também darei inicio a construção do nosso campo Santo, além de dar inicio a concretização de um parque infantil e de um chafariz.

         Concluindo a entrevista expôs ainda a prefeita:

-tão logo me seja oportuno realizarei o levantamento da ponte sobre o rio Piquiri, que divide o nosso Município com o Canguaretama, e de uma praça no Centro da cidade, problemas que tem constituído minha única preocupação.[2]

Maria Doralice Teixeira registrando sua candidatura

Fonte: Diário de Natal, 11/12/1952,p.1.

Na imagem está Maria Doralice ao centro fazendo o registro de sua candidatura ao lado de sua amiga e mentora politica Maria Luci.

 



[1] Diário de Natal, 11/12/1952, p.1.

 

[2] O Poti, 25/03/1956,p.6.

 

sábado, 7 de setembro de 2024

SOBRE A PARADA DE MELANCIAS

 

         A parada de Melancias foi uma parada da linha tronco da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte-EFCRGN construída no povoado de mesmo nome a época município de Taipu, atualmente distrito do município de Poço Branco.

         O aviso nº 201, de 09 de setembro de 1918, do ministério da viação e obras públicas, resolveu autorizar a construção de uma parada entre as estações de de Taipu e Baixa Verde, aprovando igualmente o respectivo orçamento no valor de 1:632$027.O aviso foi publicado no Diário Oficial da União em 11/09/1918.

         Foi estabelecido o local em Melancias, a época pertencente ao município de Taipu, atualmente localizado no município de Poço Branco.

         A parada de Melancias foi inaugurada em 08/09/1919.

                O Jornal, do Rio de Janeiro publicou da seguinte forma a notícia da construção da parada de Melancias: “o inspetor federal das estradas comunicou ao ministro da Viação que a população da localidade denominada Melancias, entre as estações de Taipu e Baixa Verde, construiu e ofereceu a esta estrada uma parada com o mesmo nome”. (O Jornal (RJ), 14/08/1919, p.6).

         A parada foi incorporada ao tráfego de acordo com a autorização nº 201, de 1918.

         Não obstante isso, os doadores da parada e Melancias pediram ao ministro da Viação a mudança do nome da parada para Desembargador Ferreira Chaves.

Ferreira Chaves foi governador do Rio Grande do Norte pela segunda vez de 1 de janeiro de 1914 até 31 de dezembro de 1920.

No entanto, o requerimento encabeçado por Joaquim Alves da Rocha e outros, pedindo a mudança do nome da parada foi indeferido por despacho do ministério da viação e obras públicas, o qual justificou o indeferimento à vista dos avisos nº 173 que proibia dar nomes de pessoas vivas às estações. (O Paíz (RJ), 15/08/1919, p.4).

Ao que parece a parada de Melancias foi desativada na década de 1960 pois, a mesma não consta nos horários de trens dessa época.

Na imagem a baixo é possível ver a estrutura em metal e parte da plataforma da antiga parada de Melancias. 

Ruínas da parada de Melancias