sábado, 11 de abril de 2026

SOBRE A ANTIGA CAPELA DA GUARITA parte II


Capela da Guarita abandonada

A Capela de São José, na Guarita, situada entre duas linhas férreas, estava abandonada há mais de um ano pela Paróquia do Alecrim e, após ter-se transformado em esconderijo de maconheiros, tornou-se uma oficina de marcenaria, segundo informava o jornal Diario de Natal em 1980.[1]

De acordo como refido jornal há quase quatro meses que a capelinha de São José virara refúgio para rapazes viciados em maconha, que, “após algumas baforadas no interior do lugar santo, começavam a praticar atos que atentavam contra a moral e os costumes”. Segundo uma moradora das redondezas, a solução era chamar a Rádio Patrulha, "mas muitos corriam e não adiantava nada".[2]

Para dona Maria do Nascimento, esposa de Francisco Pereira do Nascimento, conhecido por "Chicó", a solução foi transformar a capela numa marcenaria, "pois os maconheiros sujaram a igrejinha toda, acabaram com tudo, só ficou o altar". Como Chicó é exímio marceneiro, segundo os moradores da Guarita, o pároco da Igreja de São Pedro, padre João, resolveu permitir que ele tomasse conta da Capela de São José, o santo carpinteiro.[3]

Seu Chicó mora na Travessa Sátiro Dias, nº 2, distante 200 metros da capela imprestável para atos litúrgicos. Graças ao marceneiro, que trabalha pela manhã e à noite no local, (o altar, virou prateleira para guardar latas de tintas e ferramentas), a população da Guarita tem mais sossego. "Meu filho, a polícia vivia aqui pegando os meninos fumando. Era uma confusão danada, havia tiros, tapas, etc. Quando o marceneiro chegou, os viciados foram embora e a polícia não baixou mais aqui. Agora a gente dorme sossegada", disse dona Francisca da Silva.[4]

O estado atual da antiga capela da Guarita.


A capela da Guarita em estado de abandono ja em 1980.






[1] Diário de natal, 09/04/1980,p.10.

 

[2] Op.Cit.

[3] Op.Cit.

[4] Op.Cit.

SOBRE A CAPELA SÃO JOSÉ DA GUARITA parte I

 

         A capela de São José da Guarita é uma antiga capela pertencente a Paróquia de São Pedro do Alecrim, situada na rua Sátiro Dias, na Guarita.

A capela de São José na Guarita é anterior a 1935, pois naquele ano o jornal A Ordem já a citava como uma das capelas filiais da paróquia de São Pedro do Alecrim.

A doadora do terreno para a sua construção foi Candida Dantas,irmão do Mons.Alfredo Pegado Cortês, dedicada auxiliar das varias associações catolicas da paróquia do Alecrim.

“Foi uma das cooperadoras que ajudaram a construção da capela da Guarita, cujo terreno doou”,registrou o jornal A Ordem.[1]

         As missas eram geralmente ali celebradas aos domingos as 08h00.

         Em 27/03/1943 foi dada autorização pelo bispo diocesano ao Vigário para fazer uma procissão de São José na Capela da Guarita e para benzer as imagens de Nossa Senhora da Glória e de Santo Amaro.[2].

        Em 21/10/1945 houve uma concentração Vicentina na Matriz de São Pedro e visita á Conferência de São José, da Guarita

Concentraram-se, os Vicentinos, da Capital, ás 15h, na Matriz de São Pedro, do Alecrim, saindo, incorporados, deste Templo, em romaria á Capela de São José, da Guarita, onde visitaram a Conferencia local.

O Presidente do Conselho Particular lembrava aos Presidentes das Conferências Vicentinas a necessidade de convidar todos os confrades para se reunirem a hora e local acima mencionados, a fim de tomarem parte na visita coletiva dos vicentinos á Conferencia de São José.[3]

Missões de frei Damião

         A história da capela de São José da Guarita foi marcada também pelas santas missões realizada pelos missionário capuchinho Frei Damião, como as que se realizaram entre os dias 18 e 20/11/1946,[4]

De acordo com o jornal A Ordem os comunistas não estavam satisfeitos com as pregações do frade capuchinho em Natal  e tinham procurado sabotá-las de todas as formas. Na Guarita, levaram um alto-falante para perturbar a audição dos fiéis, “mas felizmente não encontraram nenhuma casa comercial ou familiar que permitisse a ligação do alto-falante”[5]

Entre os dias 10 e 11/02/1949, novas missões de Frei Damião foram realizadas na capela da Guarita. [6]

Análise do prédio da Capela de São José

A análise do prédio da Capela de São José, localizada na Guarita, revela detalhes importantes sobre sua tipologia arquitetônica e o estado de conservação no momento do registro histórico:

Estilo e tipologia arquitetônica

    Arquitetura da capela e estritamente religiosa vernacular. O edifício apresenta linhas simples, características de capelas de pequeno porte do início do século XX no interior e em bairros periféricos de grandes cidades brasileiras.

Possui um frontão triangular clássico, com uma pequena cruz ou adorno no topo. A entrada principal é marcada por um arco de volta inteira (pleno), um elemento comum na arquitetura de influência colonial e neoclássica.

A fachada segue uma composição simétrica, com pilastras laterais que emolduram o corpo principal do edifício.

Fonte Diario de Natal,1980.

         As laterais contam com janelas altas e estreitas, possivelmente para garantir a iluminação natural e ventilação, mantendo a privacidade do ambiente litúrgico.O telhado é de duas águas, utilizando telhas cerâmicas aparentes, típicas da região.

Localização estratégica

 A capela foi construída entre duas linhas férreas, a linha da GWBR que partia de Natal para Nova Cruz e a linha da EFCRGN que partia de Natal para Lajes e Macau, o que sugere que ela atendia à comunidade ferroviária ou aos moradores que se estabeleceram no entorno dos trilhos na Guarita.

A imagem restaurada e o texto do jornal Diário de Natal de 1980 confirmam um estado avançado de deterioração. A pintura externa está descascada, revelando o reboco ou a alvenaria subjacente, e a vegetação cresce desordenadamente à frente do prédio.

O edifício sofreu uma "profanação" funcional ao ser transformado de templo religioso em oficina de marcenaria. O relato menciona que o altar, antes sagrado, passou a servir como prateleira para latas de tintas e ferramentas.

O prédio passou de um centro comunitário religioso para um refúgio de marginalidade antes de ser ocupado pela oficina, refletindo a falta de manutenção institucional por parte da Paróquia na época.

Este prédio é um exemplo do patrimônio histórico-arquitetônico que muitas vezes se perde ou é transformado devido ao crescimento urbano e ao deslocamento das comunidades paroquiais.

Colorizado por Gemini


A antiga capela da Guarita numa possivel retauração e recuperação urbana do seu entorno.

Estado atual da capela da Guarita.










[1] A ordem,09/01/1948,p.4

[2] a ordem,27/03/1943,p.1

[3] A Ordem ,20/10/1945,p.1

[4] a ordem,07/11/1946,p.1

[5] a ordem, 27/1/1946,p.4.

[6] A Ordem,05/02/1949,p.4

sábado, 28 de março de 2026

SOBRE A COLETORIA DE RENDAS DE TAIPU


O prédio onde se situa a prefeitura de Taipu foi inicialmente destinado a Coletoria Federal de Rendas, ou seja, uma repartição pública fedral, responsavel por coletar os impostos de ordem federal, notadamente na Estrada de Ferro Sampaio Correia, entre outros.

A Coletoria de Rendas de Taipu

Em 01/09/1955 o Presidente da República sancionou, a resolução legislativa do Congresso Nacional, que criara coletorias federais em numerosos municípios de todo o País, dentre as quais a da cidade de Taipu.[1]

A criação dessa coletoria estava baseada em exposição de motivos do Ministério da Fazenda, que mencionava a necessidade de ampliar a rede fiscal da União nas unidades federadas.

O  referido decreto previu a criação de 600 funções de auxiliares de coletoria, o que  daria margem à admissão de extranumerários mensalistas.

A administração Pública: a expansão do Estado em Taipu

O documento sobre a criação das Coletorias Federais contextualiza a integração da cidade à rede fiscal e administrativa da União.

Fortalecimento fiscal. A sanção do decreto pelo Presidente da República visava ampliar a "rede fiscal da União", criando 600 novas funções de auxiliares de coletoria em todo o país.

  Impacto local. Para uma cidade como Taipu, a presença de uma Coletoria Federal significava maior relevância administrativa e a formalização das atividades econômicas locais perante o Governo Federal.

 Geografia administrativa: Este tipo de documento é fundamental para entender como o Estado brasileiro se "interiorizou" e como municípios do Rio Grande do Norte foram integrados a essa nova estrutura burocrática no século passado.


Antigo prédio da coletoria de rendas de Taipu já transformado em sede da Prefeitura.
Colorização: Gemini, 2026.

Foto original: Biblioteca IBGE.Data ignorada.

                   

       No inicio da década de 1980 o prédio da coletoria de rendas foi transformado na sede da prefeitura de Taipu, situação que perdura até o presente momento.

Sobre o prédio

O edifício da antiga coletoria de rendas de Taipu que abriga atualmente a prefeitura apresenta uma arquitetura intrigante que reflete um período de transição no Brasil, possivelmente entre as décadas de 1930 e 1950. Embora pareça modesto em comparação com as grandes obras metropolitanas, ele exibe clareza e funcionalidade, com traços claros de dois estilos principais:

Platibanda e simetria (influência Neoclássica/Eclética):

A fachada principal exibe uma forte simetria, com o corpo central elevado onde está a porta principal, ladeado por duas alas laterais com janelas. Essa composição é típica da tradição neoclássica e eclética, que buscava ordem e solenidade para os edifícios públicos.

 O uso da platibanda (o muro que esconde o telhado) é um elemento chave. Ele foi muito popularizado no final do século XIX e início do XX para "modernizar" as fachadas, eliminando a visão dos beirais coloniais e dando uma aparência mais robusta e urbana.

Geometria e despojamento (Influência Art Déco/Protometropolitana):

A influência mais marcante é a do Art Déco, visível na simplificação das formas e na ornamentação geométrica sutil.

A inscrição "PREFEITURA" (à esquerda) e "MUNICIPAL" (à direita) em letras de relevo geometricamente precisas é um traço quintessencial do Art Déco. O letreiro não é um mero apêndice, mas parte integrante da composição da fachada.

Corpo central

O ressalto geométrico sobre a porta principal, que quebra a horizontalidade da platibanda, é um detalhe geométrico simples que adiciona interesse visual e destaca a entrada, comum no Art Déco.

Janelas

As janelas eram simples, com molduras retas, sem a ornamentação rebuscada dos estilos anteriores. Elas serviam a um propósito funcional de iluminação e ventilação, mas mantêm a coerência geométrica.

Contexto e significado

Este prédio não é apenas uma estrutura; é um símbolo de um período de "modernização" das cidades do interior do Brasil. A escolha do Art Déco para um edifício público, mesmo que em uma escala modesta, representava a aspiração ao progresso e à organização burocrática e urbana.

A escadaria frontal

A escadaria de acesso elevado e centralizado acentua a formalidade do prédio, criando uma separação entre a "rua" e a "autoridade" municipal.

A colorização e a interpretação do passado

A colorização foi baseada em estudos de padrões cromáticos históricos comuns para edifícios públicos dessa fase.

Tons de bege ou creme eram comuns para as paredes, com detalhes em branco para molduras e elementos de relevo. O rodapé escuro e a porta em tom de madeira trazem contraste e realçam a base da estrutura.

Esta análise e restauração oferecem uma janela para o passado de Taipu, mostrando como a cidade abraçou a modernidade em sua arquitetura administrativa.

O prédio passou por alterações ao longo do tempo o que descaracterizou sua arquitetura original.



[1] Jornal do Brasil,02/09/1955,p.7.

 



SOBRE A CRIAÇÃO DA MATERNIDADE APAMI PELO CENTRO SOCIAL DOM BOSCO DE TAIPU


A Maternidade da APAMI de Taipu representa um dos marcos mais importantes da história da saúde no município. Mais do que um equipamento de atendimento médico, a instituição se consolidou como símbolo de cuidado, solidariedade e construção coletiva ao longo das décadas.

Origem e contexto histórico

A criação da APAMI em Taipu está inserida em um movimento mais amplo ocorrido no Brasil ao longo do século XX, quando associações filantrópicas surgiram com o objetivo de suprir a carência de serviços públicos de saúde, especialmente voltados à maternidade e à infância.

Em um período em que o acesso à assistência médica era limitado no interior do Rio Grande do Norte, a maternidade da APAMI tornou-se essencial para garantir partos mais seguros e acompanhamento básico às gestantes. Sua implantação refletiu o esforço conjunto de lideranças locais, profissionais de saúde e da própria comunidade.

Realizou-se no dia 09/12/1956 na cidade de Taipu a instalação da sociedade promotora da construção da Maternidade local.Trata-se da Associação de Proteção a Maternidad e Infância de Taipu-APAMI.[1]

Participaram da solenidade o Bispo Auxiliar de Natal, Dom Eugênio de Araújo Sales; o Prefeito Tamires Miranda e autoridades municipais, havendo na ocasião uma sessão com a presença de toda sociedade de Taipu.

Em comemoração ao acontecimento realizou-se ainda no mesmo dia, em Taipu, um jantar festivo onde participaram as figuras mais representativas do Município.

A instalação da Sociedade pró-construção da Maternidade  foi fruto da iniciativa do Centro Social Dom Bosco, entidade ligada a Paróquia de Nossa Senhora do Livramento de Taipu, em 1953.

Função social e importância local

Durante muitos anos, a maternidade foi o principal local de nascimento de gerações de taipuenses. Ali, histórias de vida começaram, consolidando um vínculo afetivo profundo entre a instituição e a população.

Entre suas principais funções, destacavam-se:

  • Atendimento a gestantes em condições de vulnerabilidade
  • Realização de partos e cuidados neonatais básicos
  • Apoio à saúde da mulher e da criança
  • Acolhimento humanizado em momentos decisivos

A atuação da APAMI contribuiu diretamente para a redução de riscos no parto e para a melhoria dos indicadores de saúde no município.

A Maternidade da APAMI de Taipu representou um capítulo significativo da história local, evidenciando a importância da organização comunitária na construção de serviços essenciais.





Mais do que um edifício, ela simbolizou cuidado, nascimento e pertencimento , elementos fundamentais para a identidade de uma cidade.

  O papel do Centro Social

A informação a cim além de indentificar uma ação importante para o municipio de Taipue no campo da saúde, reforça a importância do Centro Social de Taipu Dom Bosco como o motor por trás das grandes obras sociais da cidade.

 A articulação política e religiosa

         A presença do Bispo Auxiliar de Natal e do Prefeito em um jantar festivo mostra como a elite e o clero trabalhavam em conjunto para o desenvolvimento institucional de Taipu.

A ação social do Centro Social e da Maternidade

Em 1958 uma equipe de técnicos de educadores da Campanha Nacional de Educação Rural, encabeçada pela Sra. Maria de Lourdes Vieira visitou a cidade de Taipu onde conheceram o trabalho desenvolvido pelo Centro Social Dom Bosco e pela Maternidade APAMI.

Segundo o Jornal do Comércio: “em Taipu, após visitarmos a residência do presidente do Centro Social, pessoa moça, de certa cultura e boa situação financeira, fomos, em sua companhia, visitar a Maternidade, que é uma dependência do Centro. A Maternidade era uma das grandes aspirações da comunidade, e, para concretizar esse ideal, o Centro contou com a colaboração do prefeito local. [2]

A Maternidade funcionava com três leitos, duas salas para o médico e para curativos, e injeções, com bom estoque de medicamentos. Duas encarregadas trabalhavam, pois o médico só comparecia ali uma vez por semana.

O controle é feito por meio de fichas e papeletas. Havia, ainda, em funcionamento, um gabinete dentário e o Posto Médico, que funcionava numa das salas do Centro Social Dom Bosco, cujo encarregado visitava as localidades todos os sábados.

Na visita a sede do Centro Social a referida equipe encontrou o clube juvenil reunido, onde estavam trabalhando num projeto novo, de trabalhos manuais em palha, em seguida, dariam início ao tricô.

O aprendizado era feito entre as jovens do clube. No Centro Social havia, funcionado, no ano de 1957, um jardim de infância.

Segundo  citado jornal “o movimento de Taipu é intenso e o Centro mantém, com circulação periódica, um jornalzinho, "O Papagaio".

Este recorte é um testemunho do esforço comunitário e político para dotar a cidade de infraestrutura básica de saúde.

A transição para a gestão religiosa (Anos 60)

Um marco fundamental na história do Centro Social e da Maternidade de Taipu ocorreu em 1964.

    Sob a orientação de Dom Eugênio Sales, a administração dessas instituições (e da própria paróquia) foi entregue às Irmãs da Congregação do Imaculado Coração de Maria.

    Entre as figuras de maior destaque nesse período está a Irmã Natalina Maria Rossetti. Ela não apenas administrou a saúde e o social, mas tornou-se uma figura histórica mundial por ser uma das primeiras mulheres autorizadas pelo Vaticano a realizar batismos e casamentos devido à escassez de padres.

O papel do Centro Social na comunidade

A presidência do Centro não cuidava apenas da burocracia, mas de um complexo que incluía:

    Comunicação: A manutenção do jornal "O Papagaio", que circulava periodicamente.

    Saúde: A gestão da Maternidade de Taipu e do posto médico que atendia as localidades rurais aos sábados.

    Educação e Cultura: O Jardim de Infância e o clube juvenil de trabalhos manuais.

    Fase Civil (Anos 40-50): Liderada por jovens da elite local (o presidente "moço e culto").

    Fase das Irmãs (Pós-1964): A gestão da Irmã Natalina, que colocou Taipu no radar do Vaticano e expandiu o Centro Social para o modelo que muitos ainda lembram hoje.

 



[1] O Poti,12/12/1956,p.4.

[2] Jornal do Comércio (RJ),25/05/1958,p.4.

sexta-feira, 27 de março de 2026

O COLOSSO DO MATO GRANDE: A PONTE DO UMARI EM TAIPU


 

        No coração da região do Mato Grande, ergueu-se uma obra que transcende sua função prática e se transformou em símbolo de identidade, memória e desenvolvimento: a Ponte do Umari, em Taipu, construida no km 60 da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte-EFCRGN.

        A obra em apreço merece o epiteto de “Colosso do Mato Grande”, pois além de ser uma grandiosa estrutura de engenharia ferroviária,  essa estrutura não apenas conectava margens, mas também histórias, pessoas e gerações.É  uma das mais impressionantes obras de engenharia da história regional.  essa estrutura se consolidou como símbolo do avanço ferroviário e do processo de integração territorial no interior potiguar.

        Foi a maior obra de engenharia ferroviária da EFCRGN até 1916 quando foi inaugurada na mesma ferrovia a ponte de Igapó em Natal.

Uma obra de integração regional

    A Ponte do Umari desempenhou um papel fundamental na mobilidade local, facilitando o deslocamento entre comunidades rurais e a sede do município de Taipu, além de conectar o municipio entre as localidades da região do Mato Grande e do sertão potiguar.

    Por meio dela a Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte-EFCRG estendeu seus trilhos e levou o progresso a região em tela.

Com a construção da ponte, houve uma transformação significativa na dinâmica da região. O escoamento da produção agrícola tornou-se mais eficiente, o acesso a serviços essenciais, como saúde e educação, foi ampliado, e a integração entre localidades ganhou um novo ritmo.

 Engenharia e imponência

         A grandiosidade da Ponte do Umari justifica o apelido de “colosso”. Sua estrutura robusta, pensada para resistir às variações do regime hídrico do rio, evidencia a importância estratégica da obra.

    Construida com 5 vãos de 50 metros cada, totalizando 250 metros de extensão em estrutura de ferro e pilares de concreto na altura de 8 metros entre o leito do rio e o assoalho da ponte, tendo sido inaugurada em 10/09/1910.

    Mais do que concreto e aço, a ponte representava um marco de engenharia adaptado às necessidades do território e às condições naturais da região.

     Sua presença na paisagem também chama atenção: imponente, ela se destaca como um elemento visual forte, monumental, que reforça o sentimento de pertencimento da população local.




Ponte do Umari, 1913.Acervo do IHGRN.Colorizada digitalemente.

        A Ponte do Umari destaca-se por sua estrutura metálica robusta, característica das grandes obras ferroviárias do período. Projetada com base em técnicas de engenharia importadas e adaptadas às condições locais, a ponte evidencia o nível de sofisticação alcançado na época.

         Sua extensão e altura, aliadas ao cenário natural do vale, conferem à obra um aspecto monumental — justificando plenamente o apelido de “colosso”. Mais do que uma simples travessia, trata-se de um marco visual e técnico que impressiona até os dias atuais.

 A expansão ferroviária e o contexto histórico

     No início do século XX, o Rio Grande do Norte vivia um período de transformações impulsionadas pela expansão das ferrovias. A EFCRGN tinha como objetivo ligar o litoral ao interior, facilitando o transporte de mercadorias, especialmente produtos agrícolas, e promovendo o desenvolvimento econômico da região.

         Foi nesse contexto que surgiu a necessidade de transpor o rio Ceará-Miria, na altura da localdiade de Umari em Taipu, um obstáculo natural que dificultava a continuidade da linha férrea.A solução veio com a construção de uma ponte de grandes proporções, capaz de suportar o peso das locomotivas e garantir a segurança da operação ferroviária.

 Importância econômica e social

        Durante décadas, a ponte desempenhou papel fundamental no funcionamento da malha ferroviária potiguar. Por ela passaram cargas, passageiros, histórias e expectativas de progresso. A ferrovia encurtou distâncias, integrou comunidades e dinamizou a economia do Mato Grande.A Ponte do Umari, nesse sentido, foi peça-chave para o escoamento da produção e para a circulação de pessoas, contribuindo diretamente para o desenvolvimento de Taipu e de toda a região.

 Memória e patrimônio

     Com o declínio do transporte ferroviário ao longo do século XX, muitas estruturas foram abandonadas ou perderam sua função original. Ainda assim, a Ponte do Umari permanece como testemunho material de um período marcante da história.]

    Hoje, ela é reconhecida como um patrimônio histórico e afetivo, despertando o interesse de pesquisadores, historiadores e moradores locais. Sua preservação é fundamental para manter viva a memória da ferrovia no Rio Grande do Norte.

    O “Colosso do Mato Grande” não é apenas uma obra de engenharia: é um símbolo de uma época em que os trilhos representavam progresso, conexão e transformação. Construída pela EFCRGN entre 1907 e 1910, a Ponte Ferroviária do Umari segue imponente, lembrando a todos da importância histórica da ferrovia para o desenvolvimento do interior potiguar.

    Valorizar essa estrutura é reconhecer o papel das infraestruturas históricas na construção da identidade regional e na preservação da memória coletiva.

Memória, patrimônio e identidade regional

        Para além de sua função logística, a ponte carrega um profundo valor simbólico. Ela é testemunha das transformações sociais e econômicas do Mato Grande, acompanhando o crescimento de Taipu e o fortalecimento das relações entre suas comunidades.A  ponte surgiu como símbolo de superação e progresso.

        A Ponte do Umari já pode ser considerada um patrimônio afetivo da população de Taipu. Sua relevância ultrapassa o aspecto funcional, consolidando-se como um elemento de identidade regional. Ela representa a capacidade de transformação de uma obra pública quando alinhada às reais necessidades da população.

        Preservar sua história, seja por meio de registros fotográficos, relatos orais ou iniciativas de valorização cultural, é também preservar a memória do Mato Grande e de seu povo.

        O “Colosso do Mato Grande” não é apenas uma ponte. É um marco de desenvolvimento, um elo entre passado e presente, e um símbolo da força de uma região que constrói, dia após dia, sua própria história.

        Valorizar a Ponte do Umari é reconhecer a importância das infraestruturas que moldam o território e impactam diretamente a vida das pessoas. Em Taipu, ela não apenas ligou margens,  ela conectou vidas.