segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O GINÁSIO DE TAIPU: A POLITICAGEM QUE RETARDOU A SUA CRIAÇÃO

 

         Entre o final da década de 1960 e inicio da década de 1970,  o deputado estadual Magnus Kelly, filho de Taipu, empreendeu uma campanha em seus dois mandatos na Assembleia Legislativa pela criação de um ginásio em Taipu para oferecer o ensino de segundo grau aos jovens da cidade.

         Entretanto, como se verá a seguir a criação desse ginásio viria a ser um pomo de discórdia entre vereadores, a prefeitura de Taipu e o referido deputado estadual, que como sempre acontece, a politicagem mesquinha em Taipu, é sempre o fator que retarda seu desenvolvimento.É fato.

No expediente da Assembleia Legislativa de 14/06/1975 o deputado Vivaldo Costa se solidarizou com o deputado Magnus Kelly apoiado pelo deputado Dary Dantas para a criação de um ginásio em Taipu.[1]

         Em 23/08/1975 o deputado Magnus Kelly afirmou que não poderia deixar de elogiar o comportamento e a ação do governador Tarcisio Maia, mostrando-se sensível a reivindicação que não era apenas sua, nem do seu partido, mas de toda a população do municipio de Taipu.

         Fez o apelo a Arena para que o projeto de criação do Ginásio de Taipu pelo prefeito tivesse o apoio unanime da Câmara Municipal, sem nenhuma conotação partidária e beneficio de Taipu, para que já a partir de 1976 os jovens da cidade pudessem estudar no curso ginasial sem a necessidade de buscar esta modalidade de ensino noutras cidades, com enormes sacrifícios.[2]

         Em 26/11/1975 o deputado Magnus Kelly denuncio na tribuna da Assembleia Legislativa que os 7 vereadores da Câmara Municipal de Taipu se recusavam a aprovar a mensagem do prefeito criando um ginásio municipal que funcionaria já no ano de 1976 com o apoio do governo do Estado, através da Secretaria de Educação.

         Segundo o deputado o comportamento dos vereadores de Taipu era motivado pelo fato da mensagem de criação do estabelecimento de ensino ter se constituído numa sugestão de sua autoria, e, portanto, tal atitude classificava como mesquinha, pois para a solução de problemas educacionais deveria se esquecida as cores partidárias.[3]

         Ao fazer a denúncia, o deputado Mgnus Kelly disse que em favor da cidade de Taipu preferia renunciar a paternidade da luta que há anos vinha empreendendo no sentido de dotar Taipu de um ginásio.

         Sugeriu, na oportunidade, que o mérito do seu trabalho fosse transferido para os deputados Dary Dantas e Márcio Marinho, da Arena, do mesmo partido dos vereadores de Taipu que não queriam aprovar o projeto da criação do ginásio.

         Em aparte, o deputado Márcio Marinho disse que nem ele nem o seu companheiro de bancada aceitariam aquele preço.Aceitariam sim, a sua participação na luta para que a aspiração do povo de Taipu se concretizasse.Ambos apresentaram palavras de solidariedade ao deputado Magnus Kelly se comprometeram a oferecer o apoio a sua luta por considerá-la da maior significação.

         O deputado Magnus Kelly disse ainda que vinha lutando pela criação de um ginásio em Taipu desde seu primeiro mandato, mas que somente no segundo mandato havia conseguido sensibilizar as autoridades.

         O secretário de Educação, o professor João Faustino em atendimento à sua reivindicação se comprometera a oferecer a prefeitura de Taipu todas as condições necessárias para que o estabalecimento de ensino pleiteado viesse a funcionar a partir de 1976.

Acontecia que para tal seria necessário que o prefeito enviasse à Câmara uma mensagem criando o ginásio.

         Mas, como o estabelecimento iria apresentar a vitória para um deputado da oposição, os vereadores preferiram não aprovar a mensagem.

         Diante disso, o deputado Magnus Kelly resolveu lutar no sentido de conseguir recursos visando a construção de um prédio próprio para que Taipu pudesse criar finalmente o seu ginásio, evitando que seus estudantes continuassem se deslocando diariamente para Ceará-Mirim, a fim de frequentar a escola.

                Em 02/04/1976 o deputado estadual Magnus Kelly, do MDB, voltou a comentar o problema da necessidade de um ginásio para a população escolar de Taipu, fazendo referência aos elogios justos que muitos dos membros da bancada arenista vinham fazendo nos últimos dias pela instalação de estabelecimentos de ensino de primeiro e segundo graus em várias cidades do interior do Estado.

Mostrou que isto significava que o governador Tarcisio Maia ouvia o apelo e dava atenção à Assembleia Legislativa, valorizando seus pleitos.

         Havia várias legislaturas que se vinha debatendo pela obtenção de um ginásio para a cidade de Taipu, pois os que queriam ali estudar tinham de deslocar-se todos os dias para Ceará-Mirim, a falta de um estabelecimento que na cidade pudesse ministrar o curso de que necessitavam.

         O deputado lamentou que até aquele momento não se tivesse concretizado a promessa e o esforço do secretário de educação, João Faustino, por conta de trabalho impatriótico de alguns vereadores da Arena de Taipu que não recebiam o apoio das lideranças mais responsáveis pelo partido governista.

         Em aparte o deputado Márcio Marinho, esclareceu que o secretário de Educação, preocupado com as postulações dos jovens que queriam estudar em Taipu prometera que logo voltasse da região Oeste do Estado iria até a cidade de Taipu verificar as necessidades reais da população escolar na procura de uma solução adequada, dando sugestão de que como primeiro passo o prefeito de Taipu tomasse providências de institucionalizar o ginásio, através de uma lei municipal.

A partir daí viriam as outras etapas em consonância com os desejos e a expectativa da comunidade.[4]

Em 17/06/1978 foi destinada pelo deputado Henrique Alves uma subvenção de Cr$ 5.000,00 para a construção do prédio do Ginásio de Taipu.[5]

         Em 23/06/1976 o deputado Magnus Kelly esperava que um dia tivesse êxito o seu esforço que há muito vinha fazendo para dotar a cidade de Taipu de um ginásio, o que não fora conseguido, apesar da ajuda que lhe deram e dava os deputados arenista Dary Dantas e Márcio Marinho, pela compreensão dos vereadores arenistas de Taipu que sabotavam qualquer solução pois com uma ou outra exceção era interessado no sistema de transporte dos alunos de Taipu para Ceará-Mirim, alguns alferindo lucros mensais superiores a seis mil cruzeiros.[6]

         Já em 20/10/1978 o deputado Magnus Kelly, responsável pela implantação do Ginásio de Taipu, falou sobre o assunto quando abordara as implicações que estavam retardando sua inauguração.

         Afirmava o parlamentar que depois de intensa luta pela implantação do Ginásio, problemas políticos regionais estavam dificultando seu funcionamento. Contudo, ele tranquilizava a juventude e dizia que no ano de 1979 seria decisivo para a consolidação do Ginásio.[7]

         No meio dessa intriga política marcada por egos inflamados quem ficavam prejudicados eram os jovens que precisavam estudar.

         A mentalidade mesquinha e tosca dos vereadores de Taipu atrasou assim o inicio de uma nova fase da educação de Taipu que foi a criação do seu Ginásio. A pergunta que se faz é pra que serve então a Câmara de Vereadores de Taipu? Como antes, hoje em dia não serve pra outra coisa a não ser atrasar o desenvolvimento de Taipu.[8]

Independente das bandeiras políticas coube ao deputado Magnus Kelly, atuar em projetos, requerimentos, apelos e contatos na busca de soluções para os problemas do municipio de Taipu na década de 1970.

         Ele foi constante nas reclamações, ao tempo do governador Walfredo Gurgel para conseguir a construção do prédio do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima, localizado no Alto da Bela Vista em Taipu.

         Ele conseguiu a construção e posteriormente a ampliação do prédio na rua Antonio Gomes da Costa, inclusive a quadra de esportes da escola, que era inicialmente mantida pelo Grupo de Escoteiros Dom Bosco.

         Conseguiu verba com os deputados federais do seu partido e sua própria, conseguindo em dois anos construir o prédio destinado ao funcionamento do Ginásio de Taipu, que embora funcionando, não fora inaugurado por divergências políticas. Coisas de Taipu![9]

         O prédio da Escola Professora Clotilde de Moura Lima passou por uma restauração em 1985. Em 1995 foi realizada nova reforma e ampliação no prédio, acrescentando-se novas salas de aulas.

Ao final da década de 1970, Taipu apresentava um sistema educacional mais robusto, mais integrado às políticas estaduais e federais e mais presente no cotidiano da população.

A expansão da obrigatoriedade escolar, a reorganização curricular, a profissionalização docente e os investimentos em alfabetização de adultos transformaram a educação em um dos pilares da vida comunitária.

Nesse período, a escola deixou de ser um espaço restrito de aprendizagem básica e tornou-se instituição estratégica para o desenvolvimento social e cultural do município.

Os anos 1970, assim, configuram um marco de consolidação e modernização da educação taipuense, preparando o terreno para os avanços que se intensificariam nas décadas seguintes e garantindo que a escola ocupasse lugar central na formação das novas gerações.

 

Prédio da Escola Estadual Professora Clotilde de Moura Lima, década de 1970, colorizada por Inteligência Artificial.

Prédio da Escola Estadual Professora Clotilde de Moura Lima, década de 1970.Foto: Biblioteca IBGE.



[1] Diário de Natal, 14/06/1975, p.5.

[2] Diário de Natal, 23/08/1975, p.5.

[3] Op. Cit., 26/11/1975,p.5

[4] Diário de Natal, 02/04/1076, p.3.

[5] O Poti, 17/06/1976, p.9.

[6] Diário de Natal, 23/06/1976, p.2.

[7] Op. Cit, 20/10/1978, p.5.

[8] Essa uma opinião minha, e embora ela e nada sejam a mesma coisa, tenho o direito de expressá-la, doa a quem doer.

[9] O referido deputado ainda subvencionava com verba pessoal a APAMI de Taipu, igualmente por ele reconhecida como de utilidade pública a nível estadual.

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