A escola de instrução primária da povoação de Taipu foi criada pela Lei
nº 566, de 21 de dezembro de 1864.A época a povoação integrava o território do municipio de Ceará-Mirim e dava já sinais de desenvolvimento socioeconomico.
Ela inscreve-se no movimento mais amplo de expansão do ensino elementar
no Rio Grande do Norte ao longo do século XIX.
Num período em que a instrução pública ainda era rarefeita, sobretudo
nas pequenas povoações rurais, a instalação de uma cadeira de primeiras letras
representou um marco civilizatório e um ponto de inflexão na história local.
Taipu, então uma comunidade em formação às margens do rio Ceará-Mirim, das
rotas de gado e dos pequenos núcleos agrícolas, recebeu a escola como
instrumento de ordem, progresso e integração ao projeto provincial de
modernização.
O contexto que antecedeu sua criação é revelador. A década de 1860 foi
marcada pela preocupação das autoridades provinciais em reduzir o analfabetismo
e estabelecer vínculos mais sólidos entre o governo e as comunidades do
interior.
Nas vilas e povoações que emergiam a partir da expansão agrícola, surgia
a necessidade de garantir formação básica a crianças de famílias dedicadas à
pecuária, à lavoura de subsistência e às atividades comerciais incipientes.
A escola de Taipu foi fundada para atender esse público, funcionando
inicialmente em casas cedidas por moradores influentes e sustentada por modesta
subvenção pública.
O professor nomeado para dirigir a aula de primeiras letras exercia
papel central na vida comunitária.
Além de ensinar leitura, escrita, cálculo e elementos de moral e
civismo, atuava como mediador entre o poder provincial e os moradores. A
escola, embora simples, tornou-se local de reuniões, divulgação de avisos
oficiais e resolução de questões práticas da rotina do povoado.
Numa comunidade marcada pela oralidade, o domínio da leitura e da
escrita passava a representar distinção e oportunidade.
O cotidiano escolar seguia o método individual, predominante no período,
com forte disciplina, uso de cartilhas e exercícios repetitivos. As turmas eram
pequenas, variando conforme as safras, o clima e as demandas das famílias
agricultoras.
Meninos e meninas frequentavam o mesmo espaço, embora em horários
alternados, prática comum em zonas rurais da província para lidar com a
escassez de professores e a falta de instalações adequadas.
A presença da escola também provocou mudanças graduais na cultura local.
Famílias passaram a valorizar mais a instrução formal, e alguns alunos seguiram
caminhos que os conduziram a funções administrativas, cargos públicos ou
atividades de comércio, elevando o prestígio da comunidade. O domínio da
escrita favoreceu a circulação de documentos, contratos e registros,
contribuindo para o ordenamento social e econômico de Taipu.
Ao longo das décadas seguintes, a escola primária fundada em 1864 serviu
como semente para outras iniciativas educacionais. A ampliação de matrículas, a
chegada de novos professores e a construção de espaços próprios acompanharam o
crescimento da povoação, que mais tarde se consolidaria como município.
A instituição inicial, apesar de
rudimentar, estabeleceu o fundamento simbólico e material da educação em Taipu,
tornando-se uma referência permanente de memória coletiva.
Não há indicios de onde poderia ter sido o local da escola primária de Taipu, geralmente ela funcionava na casa do professor ou numa casa alugada para essa finalidade pela prefeitura.
Em 1866 foram postas em concurso diversas cadeiras de instrução primária
na província, dentres estas a de Taipu, tendo sido plenamente aprovado Tassino
Xavier de Menezes para provê-la.[1]
Em 31/01/1871 o professor pimário da povoação de Taipu foi removido para
a de Arez.[2]
Não há maiores informações sobre o funcionamento da escola primária de
Taipu.
Geralmente as escolas primárias funcionavam nas casas dos respectivos
professores ou em casas cedidas para essa finalidade.
Não informação de onde funcionava a escola primária da povoação de
Taipu.
Segundo o relatório do governo
provincial as escolas existentes não tinham casas cômodas em que se
estabelecessem, nem os alunos bancos para assentar-se e mesas para escrever.
O emprego de meios para que a promessa
constitucional de acesso gratuito ao ensino fosse cumprida e a instrução
animada, parecia ao presidente da província não só uma necessidade indeclinável
como de rigoroso dever para aqueles , que tinham a missão de velar na guarda da
constituição e promover a prosperidade pública.
Para ele, derramar a instrução e
protegê-la, se não era o primeiro dever da autoridade, era a realização de um
grande principio eminentemente humanitário e civilizador.
A gratuidade da instrução primária
prometida pela constituição do império ainda não tinha tido inteira aplicação.
A província pagava ao professor, mas
não fornecia ao aluno os meios de adquiri a instrução.[3]
A escola primária masculina de Taipu
funcionou até por volta de 1890, quando pelo decreto nº 95, de 28 de fevereiro de 1891 foi restabelecida a cadeira de instrução primária do sexo masculino da povoação de Taipu.[4]
A escola primária da povoação de Taipu de 1864 não foi apenas um
equipamento público; foi o eixo organizador de um processo de formação cidadã
que permaneceria vivo na comunidade.
Sua criação revelou o esforço da povoação em integrar-se ao mundo
letrado, fortalecendo identidades, estruturando sociabilidades e abrindo
horizontes para gerações que encontrariam na instrução o caminho para seu
próprio desenvolvimento.
[1] Exposição do
Presidente da Província do Rio Grande do Norte, 1866, p.9.
[2] Relatório do presidente
da Província do Rio Grande do Norte, 1871, p.11.
[3] Relatório do
Vice-Presidente da Província do Rio Grande do Norte, 1873, p.15.
[4] Decretos do Governo do
Estado do Rio Grande do Norte, 1891, p.146.
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