terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A ESCOLA PRIMÁRIA DA POVOAÇÃO DE TAIPU: ORIGEM, FUNÇÃO SOCIAL E SIGNIFICADOS HISTÓRICOS


A escola de instrução primária da povoação de Taipu foi criada pela Lei nº 566, de 21 de dezembro de 1864.A época a povoação integrava o território do municipio de Ceará-Mirim e dava já sinais de desenvolvimento socioeconomico.

Ela inscreve-se no movimento mais amplo de expansão do ensino elementar no Rio Grande do Norte ao longo do século XIX.

Num período em que a instrução pública ainda era rarefeita, sobretudo nas pequenas povoações rurais, a instalação de uma cadeira de primeiras letras representou um marco civilizatório e um ponto de inflexão na história local.

Taipu, então uma comunidade em formação às margens do rio Ceará-Mirim, das rotas de gado e dos pequenos núcleos agrícolas, recebeu a escola como instrumento de ordem, progresso e integração ao projeto provincial de modernização.

O contexto que antecedeu sua criação é revelador. A década de 1860 foi marcada pela preocupação das autoridades provinciais em reduzir o analfabetismo e estabelecer vínculos mais sólidos entre o governo e as comunidades do interior.

Nas vilas e povoações que emergiam a partir da expansão agrícola, surgia a necessidade de garantir formação básica a crianças de famílias dedicadas à pecuária, à lavoura de subsistência e às atividades comerciais incipientes.

A escola de Taipu foi fundada para atender esse público, funcionando inicialmente em casas cedidas por moradores influentes e sustentada por modesta subvenção pública.

O professor nomeado para dirigir a aula de primeiras letras exercia papel central na vida comunitária.

Além de ensinar leitura, escrita, cálculo e elementos de moral e civismo, atuava como mediador entre o poder provincial e os moradores. A escola, embora simples, tornou-se local de reuniões, divulgação de avisos oficiais e resolução de questões práticas da rotina do povoado.

Numa comunidade marcada pela oralidade, o domínio da leitura e da escrita passava a representar distinção e oportunidade.

O cotidiano escolar seguia o método individual, predominante no período, com forte disciplina, uso de cartilhas e exercícios repetitivos. As turmas eram pequenas, variando conforme as safras, o clima e as demandas das famílias agricultoras.

Meninos e meninas frequentavam o mesmo espaço, embora em horários alternados, prática comum em zonas rurais da província para lidar com a escassez de professores e a falta de instalações adequadas.

A presença da escola também provocou mudanças graduais na cultura local. Famílias passaram a valorizar mais a instrução formal, e alguns alunos seguiram caminhos que os conduziram a funções administrativas, cargos públicos ou atividades de comércio, elevando o prestígio da comunidade. O domínio da escrita favoreceu a circulação de documentos, contratos e registros, contribuindo para o ordenamento social e econômico de Taipu.

Ao longo das décadas seguintes, a escola primária fundada em 1864 serviu como semente para outras iniciativas educacionais. A ampliação de matrículas, a chegada de novos professores e a construção de espaços próprios acompanharam o crescimento da povoação, que mais tarde se consolidaria como município.

 A instituição inicial, apesar de rudimentar, estabeleceu o fundamento simbólico e material da educação em Taipu, tornando-se uma referência permanente de memória coletiva.

Não há indicios de onde poderia ter sido o local da escola primária de Taipu, geralmente ela funcionava na casa do professor ou numa casa alugada para essa finalidade pela prefeitura.

Em 1866 foram postas em concurso diversas cadeiras de instrução primária na província, dentres estas a de Taipu, tendo sido plenamente aprovado Tassino Xavier de Menezes para provê-la.[1]

Em 31/01/1871 o professor pimário da povoação de Taipu foi removido para a de Arez.[2]

Não há maiores informações sobre o funcionamento da escola primária de Taipu.

Geralmente as escolas primárias funcionavam nas casas dos respectivos professores ou em casas cedidas para essa finalidade.

Não informação de onde funcionava a escola primária da povoação de Taipu.

         Segundo o relatório do governo provincial as escolas existentes não tinham casas cômodas em que se estabelecessem, nem os alunos bancos para assentar-se e mesas para escrever.

         O emprego de meios para que a promessa constitucional de acesso gratuito ao ensino fosse cumprida e a instrução animada, parecia ao presidente da província não só uma necessidade indeclinável como de rigoroso dever para aqueles , que tinham a missão de velar na guarda da constituição e promover a prosperidade pública.

         Para ele, derramar a instrução e protegê-la, se não era o primeiro dever da autoridade, era a realização de um grande principio eminentemente humanitário e civilizador.

         A gratuidade da instrução primária prometida pela constituição do império ainda não tinha tido inteira aplicação.

         A província pagava ao professor, mas não fornecia ao aluno os meios de adquiri a instrução.[3]

         A escola primária masculina de Taipu funcionou até por volta de 1890, quando pelo decreto nº 95, de 28 de fevereiro de 1891 foi restabelecida a cadeira de instrução primária do sexo masculino  da povoação de Taipu.[4]

A escola primária da povoação de Taipu de 1864 não foi apenas um equipamento público; foi o eixo organizador de um processo de formação cidadã que permaneceria vivo na comunidade.

Sua criação revelou o esforço da povoação em integrar-se ao mundo letrado, fortalecendo identidades, estruturando sociabilidades e abrindo horizontes para gerações que encontrariam na instrução o caminho para seu próprio desenvolvimento.



[1] Exposição do Presidente da Província do Rio Grande do Norte, 1866, p.9.

[2] Relatório do presidente da Província do Rio Grande do Norte, 1871, p.11.

[3] Relatório do Vice-Presidente da Província do Rio Grande do Norte, 1873, p.15.

[4] Decretos do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, 1891, p.146.

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