quarta-feira, 13 de maio de 2026

SOBRE REALIZAÇÕES DO PREFEITO ALBINO GONÇALVES DE MELO EM MACAU EM 1952

    De acordo com o jornal Tribuna do Norte em edição do dia 20/09/1952, dentre as realizações da gestão do prefeito Albino Gonçalves de Melo, equilibrar as despesas do Município, constavam obras de inadiável execução como reaparelhamento da rede elétrica da cidade, com a compra de dois motores de 100 HP, construção do prédio da Usina Força e Luz, construção de um galpão em próprio municipal onde funciona o Jardim da Infância, calçamento das ruas 15 de Novembro, Pedro II, Benjamin Constant, Praça J. da Penha, Amaro Cavalcanti, Joaquim Honório, Praça do Mercado, Martins Ferreira, Praça da Conceição, São José, Pereira Carneiro, Travessas da Conceição, tudo num total de 340 mil metros quadrados, rejuntado a cimento, e considerado impraticável pelas dificuldades de transporte do material e encarecimento da mão de obra.

    Fez ainda correr o meio fio em todas as ruas. Voltou suas vistas para o cemiterio da cidade, eternamente esquecido, e cercado de arame farpado, murando-o definitivamente a pedra, os de agora em vias de conclusão.

    Adquiriu para o município um completo serviço de amplificadores com oito alto-falantes, remodelando para isso um prédio com capacidade para 100 espectadores.

    Adquiriu mais um caminhão destinado aos serviços da Prefeitura, bem como o instrumental completo para a banda de musica do município. Mobiliou o Gabinete do Prefeito e a Secretaria, além da aquisição que fez de máquinas de escrever, calcular e arquivos.

    No distrito de Pendências que é o mais prospero do município, promoveu o Prefeito Albino Gonçalves de Melo, os seguintes melhoramentos: — reparo geral do motor da luz elétrica, prolongamento da rede de iluminação e instalação de contadores, ampliação e remodelação do cemiterio, bem como reparos do mercado publico da Vila. (Tribuna do Norte, 20/09/1952,p.5).

A Usina Força e Luz de Macau

    A análise arquitetônica da Usina de Força e Luz de Macau, com base nos registros históricos de meados do século XX, revela um edifício de caráter industrial e institucional que utiliza a estética para comunicar modernidade e eficiência.

    O prédio é um exemplo clássico da arquitetura utilitária do período, que buscava dignificar as novas infraestruturas urbanas.

 Características arquitetônicas

    O edifício apresenta uma linguagem predominantemente Art Déco, evidenciada pelos frisos horizontais em relevo no topo da platibanda. Essa horizontalidade, contrastada com as pilastras verticais, cria um equilíbrio visual que era símbolo de progresso tecnológico na época.

    Os elementos clássicos são a presença de pilastras caneladas e a base revestida em mármore (ou material que simula a textura marmorizada) sugerem uma transição entre o ecletismo e o moderno, conferindo ao prédio uma imponência incomum para uma usina elétrica.

     O térreo possui grandes portais de ferro com desenhos geométricos, pensados tanto para a ventilação do maquinário interno quanto para a movimentação de equipamentos pesados. As bandeiras de vidro acima das portas garantiam a entrada de luz natural.

 Contexto funcional e urbano

    O letreiro em relevo "USINA DE FORÇA E LUZ" inserido em uma moldura destacada na parte superior da fachada servia como elemento de comunicação direta com a população, reforçando a presença do Estado ou da concessionária na modernização de Macau.

    Importância para Macau: em 1952, a usina era o coração do desenvolvimento da cidade. Localizada em uma área de pavimentação em paralelepípedos, a edificação contrastava com o casario mais simples ao redor, representando o auge da era das utilidades públicas monumentais.

Prédio da Usina de Força e Luz de Macau,1952.


Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

Significado histórico

     A preservação visual deste edifício, através de técnicas de restauração e colorização, permite observar que a arquitetura industrial daquele período não era meramente funcional; havia uma preocupação estética em integrar a infraestrutura ao tecido urbano de forma elegante, utilizando materiais nobres na base e ornamentos geométricos que resistiram ao tempo como testemunhas do auge econômico da região.

   A Maternidade de Macau

        A análise arquitetônica da Maternidade de Macau, com base no registro de 1952, revela um exemplar significativo da transição entre o ecletismo tardio e os primeiros impulsos modernistas no interior do Rio Grande do Norte.

     O edifício apresenta uma composição simétrica e sóbria, característica de prédios institucionais de saúde da época. A fachada é marcada por um corpo central levemente avançado e elevado, que funciona como o ponto focal da entrada principal.

         Nota-se o uso de platibandas (muretas que escondem o telhado), decoradas com frisos horizontais que remetem ao estilo Art Déco. Esse detalhe era comum em obras públicas que buscavam transmitir uma imagem de progresso e higiene.

        Apesar da platibanda na fachada principal, o corpo posterior revela um telhado de telhas cerâmicas tipo "marselhesa" ou colonial, comum em construções do período para garantir o escoamento térmico em regiões de clima quente.

Prédio da maternidade de Macau,1952.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial

Contexto funcional e urbano

         As janelas são amplas e dispostas de forma rítmica, o que sugere uma preocupação direta com a ventilação cruzada e a iluminação natural, diretrizes fundamentais para o funcionamento de uma maternidade na década de 1950.

        A estrutura frontal conta com um muro baixo vazado em elementos decorativos de concreto (combogós ou similares), que delimitam o espaço privado sem isolar completamente o prédio da calçada.

Importância Histórica

     O registro fotográfico de 1952 captura o edifício em seu pleno funcionamento, servindo como um marco da infraestrutura social de Macau. A restauração e colorização das imagens ajudam a evidenciar o contraste entre os tons pastéis da fachada e a aridez do terreno ao redor, reforçando o papel do prédio como um oásis de assistência técnica e urbana na paisagem da cidade.

A Prefeitura de Macau

        A análise arquitetônica do prédio da Prefeitura Municipal de Macau, com base no registro de 1952, revela uma edificação imponente que exemplifica o rigor das construções civis oficiais da primeira metade do século XX no Rio Grande do Norte.

    Diferente da Maternidade, que flerta com o Art Déco, a sede do governo municipal apresenta uma linguagem mais vinculada ao Ecletismo, com forte inspiração neoclássica.

     O edifício é um sobrado de dois pavimentos com uma fachada rigorosamente simétrica. O corpo central é destacado por pilastras em relevo e um frontão curvo no topo, reforçando a autoridade da instituição que abriga.

    Nota-se a presença de molduras decoradas acima das janelas (sobrevergas) e frisos horizontais que percorrem toda a extensão da fachada, conferindo textura e ritmo visual à construção.

        As janelas do pavimento superior são altas, do tipo "de abrir", protegidas por bandeiras de vidro, enquanto as do pavimento térreo seguem o mesmo alinhamento vertical, garantindo uma estética monumental e equilibrada.

     O portal central, no nível da rua, é emoldurado por um arco de descarga decorativo, funcionando como o eixo de circulação principal que distribui o fluxo para o interior do prédio.

Prédio da prefeitura de Macau,1952.

Contexto urbano e social

         A foto mostra o prédio situado em uma esquina, uma posição de destaque no traçado urbano que enfatiza sua importância como marco civil.

        A presença do poste de madeira com múltiplos isoladores de cerâmica e os carros de época (como o Ford Bigode visível na restauração) contextualizam Macau como um centro urbano em desenvolvimento, impulsionado pela economia salineira.

         Os transeuntes vestidos de forma formal (chapéus e ternos) indicam que o entorno da Prefeitura era o coração administrativo e social da cidade, onde a vida pública se concentrava em 1952.

Significado histórico

        O prédio da Prefeitura não era apenas um centro administrativo, mas um símbolo de estabilidade e ordem. A análise da estrutura revela uma construção sólida, feita para durar, utilizando técnicas de alvenaria de pedra e cal ou tijolos maciços, típicas de obras públicas que visavam atravessar décadas mantendo a sobriedade e a elegância.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

Fonte: Tribuna do Norte, 20/09/1952, p.5.

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