Em 1952 escreveu o professor Otto Guerra “parece que o padre Marinho Stenzel não gosta de andar sem um aperreio dos grandes. Outrem era o magnífico salão paroquial, que lhe custou muita canseira e preocupações. Afinal, conseguiu os recursos para pagar toda aquela obra tão util.Agora, ele está enfrentando a remodelação total da Matriz de São Pedro do Alecrim. Quem passar uns tempos sem lá ir, como sucedeu conosco, fica viva e agradavelmente impressionado com o que já está feito, dando ideia do que será a futura matriz.
O sr. Arcebispo Diocesano, ontem, durante a missa da Pascoa dos Operários, elogiou, com muita razão, o esforço e a dedicação do vigário incansavel.
Hoje o Alecrim é meio Natal, praticamente. Multiplicam-se as missas na Matriz, desde a madrugada e sempre cheia.
Qualquer movimento religioso que se promova naquele populoso bairro, de gente simples e cheia de boa vontade é sempre com numeroso concurso de gente.
Eis porque a reforma da antiga matriz era indispensavel. Como também é indispensável que o povo do Alecrim ajude o seu vigário. As obras precisam ir avante para que tenhamos, em breve, uma vasta e bonita Matriz.
Movimento assim como o do Alecrim encontramos em Campina Grande, quando lá estivemos ha uns 3 anos atrás. Dava gosto ver-se.
E é preciso nos lembrarmos dos muitos que não vão à Igreja, nem aos domingos. E que precisam ser catequisados, convencidos de que não basta ser católico de estatística, mas cumpridor da lei".(A Ordem,19/05/1952, p.4).
E assim foi que a aprtir daquele ano importantes melhoramentos foram introduzidos na Igreja de São Pedro, no Alecrim, inclusive com a reforma total do forro do templo e acréscimo de partes laterais.
Confiada à direção dos Padres da Sagrada Família, a Matriz do Alecrim, que vinha dia a dia se firmando no conceito de todos os católicos do populoso bairro, tanto pela operosidade dos sacerdotes que a dirigem, como também pela devoção dos componentes das irmandades que têm sede naquele templo.
Na imagem a cima a reconstituitução por inteligência aritficial da igreja do Alecrim a époc ada sua reforma e ampliação.Esse resgate histórico é fantástico!
A imagem original publicada no jornal O Poti em 1955 capturava justamente um momento crucial de sua evolução arquitetônica: a grande reforma e ampliação ocorrida na década de 1950 (concluída em meados de 1955).
Sob a liderança dos padres missionários da Sagrada Família, com forte influência de figuras como o Padre Martinho e o Padre Fernando Stenzel, a igreja primitiva de linhas mais simples foi expandida para comportar o rápido crescimento da população do Alecrim, que se consolidava como o bairro mais popular e comercial da capital potiguar.
Alguns pontos históricos fascinantes sobre esse registro:
A estátua na torre
Na imagem, mesmo antes da reforma, destaca-se no topo a grande imagem de São Pedro, que mede 2,50 metros. Ela foi trazida de navio do Rio de Janeiro e colocada na torre original ainda em junho de 1919, tornando-se o grande símbolo visual do bairro.
O processo de modernização
A remoção dos andaimes de madeira rústica, dos antigos postes de madeira e do emaranhado de fios elétricos na nossa linha de edições digitais reconstrói o visual imponente que a Matriz ganhou após a conclusão das obras.
O estilo colonial e ocre
A escolha do reboco liso associado ao ocre colonial e ao branco devolve à edificação o calor e a dignidade dos templos tradicionais da região daquela época, destacando suas colunas em relevo, os arcos das janelas e os novos volumes da nave ampliada.
Essa reconstituição acabou funcionando como uma verdadeira "máquina do tempo" visual, transformando um registro granulado de canteiro de obras em uma bela representação da Matriz de São Pedro revitalizada. É um belíssimo pedaço da história urbana e religiosa de Natal!
Reconstituição por inteligência aritficial.
O Poti, 26/06/1955, p.9.
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