terça-feira, 4 de junho de 2019

CINEMAS DE NATAL



A primeira sala de projeção de Natal foi denominada de Cine Politeama depois de um concurso público para a escolha do nome e pertencia a firma Gurgel & Paiva tendo sido inaugurada em 08/12/1911.
         Já o primeiro cinema falado da capital potiguar foi inaugurado em 10/104/1931 tendo sido ele o Cine São Pedro onde foi exibido naquela data o filme “General Crak” que obteve extraordinário sucesso,sendo a empresa obrigada a repetir o filme até depois da meia noite.(DIÁRIO DE PERNAMBUCO,11/04/1931,p.2).
Antigamente só havia em Natal o cinema São Pedro e o REX, na Cidade Alta. Em 1947 o jornal A Ordem apontou que haviam nada menos que 7 cinemas espalhados pela capital potiguar da Ribeira ao Alecrim,s em falar no majestoso Rio Grande que estavam em construção naquele ano na Av. Deodoro.Eram os seguintes em funcionamento naquele ano de 1947:
         O Cine Popular, na Ribeira, o Cine Rex, na Cidade Alta, o Cine Paroquial, o São Pedro e o São Luiz, no bairro do Alecrim.
         Para o jornal A Ordem não restava dúvida que este aspecto da vida citadina era sinal do progresso e um atestado de que a população já exigia mesmo maior número de cinemas.
         O referido jornal dizia ainda que “ainda bem que Natal apresente notável progresso material, é preciso também que os natalenses compreendam a elevada finalidade educativa do cinema, e somente prestigiem filmes dignos de serem vistos, pois nossa querida terra também precisa progredir moral e socialmente”. (A ORDEM, 15/09/1947, p. 4).

O Cinema São Luiz
Situado na Avenida 2 (Rua Presidente Bandeira), no Bairro Alecrim. Foi inaugurado no pós-guerra, em 1946, com o filme “Amar, foi minha ruína”
         No dia 26/10/1946 seria inaugurado solenemente o Cine São Luiz de propriedade da firma Lopes Varela & Cia.
         No dia 16/10/1046 o repórter do jornal A Ordem visitou as dependências do suntuoso prédio  do Cine São Luiz situado a rua Presidente Bandeira, no Alecrim em companhia do Sr. Heitor Varela, um dos proprietários.
       Tratava-se realmente de uma obra importante pelo que representava para o progresso da capital potiguar, bastando dizer que até aquele momento já haviam despendido pelos proprietários do novo cinema cerca de um milhão de cruzeiros.O prédio era de construção moderna, com fachada sóbria mais muito expressiva, o imóvel estava apto para a finalidade a que se destinava, em virtude de sua ótima localização e conforto com que foi construído.
         Com ambos os lados isolados, o Cine São Luiz comportava mil poltronas no seu salão de sessões que media  30 x 19,40 metros, sendo a cobertura de telhas Eternit e forrado de selotex, que muito concorria para  a perfeição do som.A tela era de porcelana e toda a aparelhagem era da RCA Victor, constituída de um Fotofone de luxo, alto-falantes reforçados, dois projetores “Brenker”, com lentes objetivas extra-luminosas, e dois movitones com estabilizadores giratórios, estando encarregados da montagem o engenheiro eletrotécnico George Gatis e seu filho Raimundo Gatis.
         O Cine São Luiz dispunha ainda de um balcão destinado as autoridades e pessoas gradas, além de sala de espera, camarins e banheiros, tendo ainda janelas de ventilação.
         




       As sessões do Cine São Luiz seriam continuas nos domingos e feriados. (A ORDEM, 17/10/1946,p.6).
        No dia 24/10/1946 foi exibida uma sessão especial de experiência para as autoridades e representantes da imprensa e rádio da capital, tendo sido focalizados interessantes e novas películas, tais como desenhos animados, e tecnicolor, jornais, trailers e uma parte do filme de estreia Amara foi minha ruína.
         Foi notada pela imprensa a boa qualidade das máquinas com que  era dotado o Cine São Luiz, pela perfeição do som e pela nitidez da focalização  das películas.
         A nota da redação dizia que o filme era apropriado apenas para adultos de critério formado. (A ORDEM,25/10/1946,p.4).
Queixas do povo
         Os frequentadores do Cine São Luiz reclamaram por meio do jornal A Ordem solicitando medidas da Cia Força e Luz no sentido da não faltar energia elétrica como estava acontecendo em certo ramal do Alecrim prejudicando o funcionamento daquele cinema e causando aborrecimentos ao que iam assistir as sessões cinematográficas (A ORDEM,06/05/1947,p.3).
Outra queixa dos frequentadores fazia apelo para dirigentes do Cine São Luiz no sentido de dotar medidas que facilitassem a entrada e saida dos frequentadores daquela casa de diversão, quando se realizavam duas sessões a noite.
         Adiantavam os reclamantes que assim que terminava a sessão de 18h00 abria-se a corrente para que os que iriam assistir a 2ª sessão sem entretanto se esperar que o salão ficasse livre, o que motivava grande dificuldade para as famílias.

O Cine Rex
O Cine Rex foi construído em 1936 e ficava na Av. Rio Branco 674. Em 1947 o Cine Rex passou por grandes melhoramentos, além da reforma do seu palco, foram feitos revestimentos das paredes com celotex, adaptação da tela plástica, de elevado custo e segundo o jornal A Ordem essas telas de plástico eram melhores que as de porcelana.O Cine Rex teria novas aparelhos de projeção e de som.
         O novo equipamento adquirido pela empresa Rex era da marca Super Simplex, adotadas pelos cinemas Metro do Rio.Antigamente era de distribuição exclusiva da Western Eletric, no Brasil e atualmente pertencia a firma I.E Ekerman, de São Paulo, cujo chefe foi em julho aos EUA adquirir 8 dessas instalações para os cinemas de propriedade do Sr. Luiz Severino Ribeiro da capital federal.
         A tela plástica como afirmado a cima era da melhor do gênero e da marca Walker, e o conjunto de retificadores adquiridos para o Rex da marca Strong, suportava 50 amperes possibilitando uma projeção ultra explendores.
         as novas lentes objetivas eram de fabricação moderna e da marca Kalmorgen.A principal parte do som, a cabeça, custou 40.000,00, elevando-se os outros equipamentos a Cr$ 200.000,00 e a reforma do salão de projeção Cr$4 300.000,00 isto porque havia sido forrado de selotex.
Com tais melhoramentos o Cine Rex se tornaria uma casa de diversões das mais modernas e bem aparelhadas não somente da capital potiguar mas também do Estado e mesmo do país, segundo o jornal a ordem ( 10/09/1947, p.1).
         A reabertura do Cine Rex seria no dia 13/09/1947 com a exibição do filme colorido “ Acontece que sou rico”, apresentando-se no palco as cantoras da terra Linda e Dirce Batista.

O Cine Lux
         O Cine Lux foi inaugurado as 15h30 do dia 13/09/1947, sendo de propriedade do Sr. Pedro Pereira de Brito e localizado no largo da feira do bairo da Quintas.
         O novo cinema que iria proporcionar programa de primeira ordem para a população daquele recanto da capital potiguar, exibiria na sua inauguração e no dia seguinte duas sessões diárias, filmes educativos, variedades mundiais e comédias e cobraria preços de acordo com os propósitos do seu proprietário de favorecer as classes pobres. (A ORDEM, 13/09/1947, p.1).
         A instalação dos aparelhos do Cine Lux esteve a cargo da empresa Carlos Lamas.

O Cine Alecrim
         No mesmo dia 13/09/1947 foi inaugurado o Cine Alecrim as 19h00 de propriedade da empresa de Cinema Popular Ltda e situado a praça Gentil Ferreira no Alecrim.
         A aparelhagem desse cinema pertenceu ao Cine Rex e o mesmo se achava muito bem instalado em prédio próprio.A sessão inaugural foi dedicada as autoridades e a imprensa com a exibição do filme ‘Perseguidos.Tinha como gerente do novo cinema Sr. Cristovam Bezerra.As sessões se realizavam as 15h30, 18h00 e 20h00 (A ORDEM,13/09/1947,p.1).
A inauguração do Cine Alecrim esteve presente o prefeito Silvio Pedrosa e representantes da imprensa.
         Na inauguração foram servidos champagne e cerveja aos presentes e na tela foram exibidos vários jornais e slots.
         O salão dispunha de 400 poltronas e conforme anunciou o gerente Cristovam Bezerra ali seriam exibidos filmes a preço populares. (A ORDEM, 15/09/1947, p.1).

Cine Popular
Em 1948 ocorreu um incêndio no Cine Popular ocorrido as 21h30 na segunda sessão do cinema situado a Esplanada Silva Jardim.
         O fogo ocorreu na cabine do operador, na máquina projetora quando passavam as três ultimas partes do filme da noite, o “Far West” Cavaleiros do Oeste. A máquina paralisou e o foco de luz provocou a combustão do celuloide e o consequente incêndio da fita.
         As labaredas atingiram longe o teto do prédio mas foram rapidamente dominadas a lata d’água.
         O filme foi considerado de perda total.Era de propriedade de Leonel Correia da praça do Recife, estando segurado em Cr$ 10.000, importância que representava menos da metade do valor do filme, segundo declarou o Sr. Alberto Josuá, proprietário do Cinema Popular.Os estragos no prédio foram mínimos. (DIÁRIO DE NATAL, 15/04/1948, p.6).
         Quem assistiu o filme Cinema Paradiso certamente se transportará para  cena do incêndio do cinema presente nesse filme e que remete ao que ocorreu segundo o descrito a cima.

O cinema paroquial do Alecrim
         A primeira exibição do Cinema Paroquial do Alecrim ocorreu as 19h30 do dia 27/06/1947 estreando com o filme “Flores do pó”, uma película que representava o triunfo de uma alma dedicada a espinhosa missão de educar.
         A partir de então haveria sessões todas as noites ao preço de Cr$ 3,00 (A ORDEM, 27/06/1947, p.4).
         Estava localizado na rua Fonseca e Silva no Alecrim.

O cinema paroquial do Tirol
         Por iniciativa da Ação Católica Brasileira com a colaboração do vigário da paróquia, o cônego Luis Vanderelei, foi inaugurado em 14/05/1955 o cinema paroquial do Tirol que teria exibições todos os sábados no salão anexo a matriz do Tirol.
        Os filmes que seriam exibidos pertenciam a cadeia de mantida pelo Circulo de Cinema Católicos, que tinha sede no Recife, sendo portanto, películas escolhidas e de longa metragem de conteúdo católico.
         Segundo o jornal o Poti a sessão de inauguração teve avultada assistência de pessoas tendo sido cobrado preços populares sem visar lucros, apenas para garantir o aluguel dos filmes e despesas de energia elétrica.
         O programa seria fixado para sábados, domingos e segundas, inclusive com horários especiais para crianças. (O POTI, 18/05/1955, p.3).

O CINE RIO GRANDE



         Segundo o jornal Diário de Pernambuco em 15/02/1945 foi organizada em Natal uma empresa constituída pelos Srs. Rui Moreira Paiva, Otacílio Maia, João Massena e Raul Ramalho com a finalidade especial de constituírem uma nova casa de diversões na capital potiguar sob a denominação de ‘Cine-teatro Rio Grande’, tendo sido já adquirido o terreno na Av. Deodoro esquina com a Praça Pio X onde deveria ser iniciada dentro de 15 dias a construção do prédio destinado ao referido cinema e a inauguração prevista para 6 meses.(DIÁRIO DE PERNAMBUCO,15/02/1945,p.8).A construção durou na realidade 4 anos.
                A planta do Cine Rio Grande se deve ao engenheiro Joaquim Pinto Romeira e foi construído sob as vistas do construtor Joaquim Vitor de Holanda, no qual apresenta-se num estilo bem moderno,  igualmente no tocante toda as suas equipagem e mobiliário.


         A aparelhagem era da RCA Vitor que proporcionava muita nitidez no som e na projeção e era tida como sendo uma das mais perfeitas da indústria cinematográfica do pós-guerra.Os frequentadores não teriam que suportar durante a projeção o calor tão grande, isto graça ao sistema de ventilação empregado na construção do Cine Rio Grande, o que representava um passo sobre os demais cinemas existentes na capital potiguar.
         Além disso, estavam alinhadas em filas nada menos que 1.699 poltronas estofadas.
A benção do edifício
         A benção do edifício foi dada pelo bispo diocesano dom Marcolino Dantas as 17h00.
A Inauguração
A inauguração do luxuoso prédio do cinema Rio Grande foi programada para o dia 12/02/1949. A obra foi calculada em vários milhões de cruzeiros.O filme escolhido para ser exibido na inauguração foi “um belo tecnicolor ‘Minha Rosa Silvestre, inédito no Brasil que de certo agradará ao grande público que acorrerá no dia 12 a nova casa de diversões da Praça Pio X”.
         No dia anterior as 21h00 foi dedicada uma avant-premier para as autoridades do referido filme.(A ORDEM,07/02/1949, p.2).
         Conforme o jornal A Ordem o público teria a oportunidade de assistir as 20h00 do dia 12/02/1949 a solenidade do novo e moderno cinema da capital potiguar, localizado na Av. Deodoro com a Praça Pio X, cuja construção foi feita nos moldes da moderna técnica de construir, iniciada havia algum tempo atrás mas que só naquele ano fora concluído, o que representava a suntuosidade da obra.(A ORDEM,09/02/1949,p.1).



         O ato inaugural cujo inicio foi as 21h00 contou com a presença do governador José Varela a qual estiveram presentes também autoridades e elementos destacados da sociedade potiguar.
         Desde as 20h00 se verificou o deslocamento para a praça Pio X e circunvizinhanças de grande número de curiosos, enquanto entravam no magnífico cinema, autoridades, representantes da imprensa, pessoas gradas e famílias especialmente convidadas.
A iluminação externa realçava a claridade e a beleza, enquanto no recinto da casa de espetáculos, não menor claridade era apresentada.
         Com a presença do governador do estado, do capitão de mar e guerra Heitor Batista Coelho, comte da Base Naval, do secretario geral do estado, do Sr. Mario Lira, prefeito da capital, mons. João da Mata, representando o bispo diocesano, além de outras autoridades e representantes da imprensa teve inicio o ato de inauguração que foi transmitido pela Rádio Poti.




         Do palco do cinema usou a palavra inicialmente o Sr.Otávio Maia, chefe da firma proprietária do Cine Rio Grande, que fez um relato completo das atividades da empresa, desde a idealização até aquele presente momento.
         Dando por inaugurada a luxuosa casa de diversões da avenida Deodoro, falou rapidamente o governador José Varela que se congratulou com os proprietários pelo grande empreendimento ora concretizado.Em seguida foram exibidos trailers dos próximos filmes a serem exibidos pelo Cine Rio Grande.
         a impressão de todos foi a melhor possível,devido a nitidez do som e filmagem, como também pelo conforto que oferecia suas poltronas estufadas.(DIÁRIO DE NATAL, 12/02/1949,p.6).
O primeiro filme exibido no Cine Rio Grande
         As sessões para o público foram iniciadas no dia seguinte com a apresentação do grandioso tecnocolor da Warner Bros Minha Rosa Silvestre estrelado por Dennis Morgan, tendo sido a primeira sessão as 15h00.Após a exibição deste filme foi exibido outro igualmente inédito e não menos maravilhoso denominado Paixão e Fúria, com Humphrey Bogart, Laurea Bacall e outros astros de Hollywood.
         O celuloide que foi exibido na inauguração do Cine Rio Grande foi “um tecnicolor dos mais caros dos últimos anos, sendo justo o interesse que vem sendo despertado o mesmo em nossa cidade, pois esta é a primeira apresentação do filme no País”.(DIÁRIO DE NATAL,11/02/1949,p.6).
         A Empresa Rio Grande Ltda estabeleceu o preço do ingresso fixado em Cr$ 7,20 para adultos e Cr$ 4,20 para estudantes. (A ORDEM, 11/02/1949, p.4).
Segundo o Diário de Natal ao ser inaugurado o Cine Rio Grande “ a nova casa de projeções é considerada das maiores da América do Sul, constituindo por isso empreendimento de vulto dos proprietários, que dotarão a cidade de uma casa de diversões a altura do nosso progresso” (DIÁRIO DE NATAL,02/02/1949,p.6).
Visita as dependências do Cine Rio Grande
         O repórter do Diário de Natal percorreu as dependências do Cine Rio Grande acompanhado do Sr. Ruy Moreira Paiva, um dos proprietários do cinema.
         O repórter colheu a melhor impressão possível da arquitetura como também do conforto de suas poltronas estufadas em numero de 1600.Segundo o proprietário o cinema tinha ainda capacidade para mais 400 poltronas que não foram colocadas para proporciona melhor conforto aos frequentadores.
         Com essa medida as filas de poltronas ficaram mais afastadas como também próximo a tela não foi colocada três filas como era possível ver.
         A cabine de projeção oferecia conforto ao técnico, como também facilidade em referencia as projeções devido a grande eficiência dos maquinários da RCA Victor, cuja nitidez foi verificada pelo repórter, com a apresentação de um pequeno filme. A tela devido sua ótima confecção cooperava da maneira mais eficiente para a melhor visibilidade dos filmes (celuloides).








Começou mal o Cine Rio Grande
         Quando da inauguração do Cine Rio Grande os proprietários foram procurar o bispo dom Marcolino Dantas para pedir as bênçãos da Igreja para aquela casa de diversões.
         Atendendo ao convite, o Sr. Bispo diocesano, pediu aos empresários que não se fizesse exibições atentatórias a moral.
         Pois bem, não se passaram muitos dias e já se verificara a primeira desatenção a esse pedido da autoridade eclesiástica.
         O Cine Rio Grande anunciou nos jornais, inclusive no próprio órgão oficial do estado (A República) que viria por ai uma certa cubana “mulher de fogo” cuja a fama de trejeitos e atitudes menos recontadas é tal que como se sabia, o Sr. Juiz de  menores do Recife proibiu a entrada de menores até 21 anos.
         Ao que constava o povo paraibano não consentiu que essa estrangeira exibisse as suas indecências em João Pessoa.



Fonte:A Ordem,23/02/1949,p.3.


A AGÊNCIA DO BANCO DO POVO DE NATAL



O banco do povo era instituição bancária com sede em Recife-PE instalado em 27/04/1920 que abriu agências filiais em Natal e em outras cidades do nordeste. Em Natal a filial do Banco do Povo foi aberta em 07/08/1942 e funcionou provisoriamente por 2 anos no primeiro andar do edifício Mossoró, na praça Augusto Severo, 107, na Ribeira.
Entre 1942 e 1944 um imponente edifício foi construído para ser a sede própria do referido banco, prédio este que segundo o jornal A Ordem viria a enriquecer o patrimônio urbanístico da cidade(A ORDEM,17.08/1944,p.6). O novo prédio sede do banco do povo foi erguido na av Duque de Caxias, 106, esquina com a rua Nísia Floresta, na Ribeira.

Foto:Diário de Pernambuco,20/08/1944,p.9.

       A inauguração do novo prédio da filia do banco do povo ocorreu no dia 17/08/1944 as 08h00. Segundo o jornal Diario de Pernambuco “não foi um acontecimento apenas de significação local, mas de repercussão em todo o Nordeste, onde se exerce, cada vez mais,, amplas e proveitosas, as atividades do conceituado estabelecimento de crédito [...]”.(DIÁRIO DE PERNAMBUCO,20/08/1944,P.9).
         Distinguindo-se cada vez mais com a preferência dos homens da agricultura, da indústria, do comércio e do público em geral teve que abrir filiais e escritórios em vários estados e no interior de Pernambuco, de modo a atender a sua grande clientela.
Deu  a benção solene ao novo edifício o mons. João da Mata Paiva, vigário geral da diocese, logo após o Dr. Paulo Viveiros, consultor jurídico do Banco do Povo, fez um discurso, no qual se referiu as progressistas atividades do estabelecimento no terreno econômico da terra potiguar.


Foto: Diário de Natal, 17/08/1948,p.8

Para assistir a solenidade de inauguração, vieram a Natal os senhores comendadores Antonio Álvares de Carvalho Lages e Antonio Martins do Eirado, diretores do banco do povo, Srs. Miguel Gastão de Oliveira, gerente da matriz, além de autoridades civis,militares e imprensa.
         Ao meio-dia foi oferecido um lauto almoço no Grande Hotel pelos diretores do banco do povo as autoridades representativas da vida comercial e industrial do estado e convidados presentes a solenidade de inauguração. Os diretores do banco do povo visitaram ainda o hospital Miguel Couto, o bispo diocesano, Dom Marcolino Dantas, outros pontos da cidade também foram percorridos pelos visitantes, aos quais ao Sr. João Câmara, grande comerciante e industrial conterrâneo, oferecendo este um jantar  a noite, em sua residência, tendo comparecido elevado número de pessoas gradas.
     Atualmente o prédio onde funcionou  a agência do Banco do Povo é a sede do jornal Tribuna do Norte.



Fonte: Google Earth,2019.


sexta-feira, 31 de maio de 2019

O PRÉDIO DA ALFÂNDEGA DE NATAL


Eis um apanhado histórico do prédio da Alfândega de Natal, atual Delegacia Regional da Receita Federal, localizado na Esplanada Silva Jardim na Ribeira.
       Em 20/03/1926 foi aberto um edital de concorrência pública para a construção do edifício da Alfândega de Natal, porém, a construção só inicio em 1928.
       No dia 15/06/1928 foi solenizado o ato de lançamento da pedra fundamental do edifício da Alfândega de Natal, cuja construção foi encarregada ao engenheiro Otávio Tavares.
Ao ato estiveram presentes o presidente do estado, Juvenal Lamartine, os auxiliares do governo, altas autoridades federais e estaduais e outras pessoas de representação.Usou a palavra, em primeiro lugar, o delegado fiscal do Tesouro Nacional, que explicou a finalidade da solenidade.Em seguida, falou o presidente Juvenal Lamartine congratulando-se com o Estado pelo grande melhoramento e enaltecendo a ação do presidente da República.Por fim o engenheiro Otávio Tavares agradeceu o comparecimento  das autoridades presentes.(O PAÍZ, 16/06/1928, p.7).
Em 26/06/1928 a delegacia fiscal recebeu o crédito de 380 contos de réis destinados a construção do novo edifício da Alfândega de Natal.
            Em 1929 o ministro da Fazenda, Oliveira Botelho, recebeu de Natal o seguinte telegrama:
“Tenho a honra de comunicar a V. Ex., que acabo de receber  as chaves do novo edifício da Alfândega de Natal, cujas obras estão concluídas e feitas sob minha responsabilidade de acordo com a ordem de V. Ex., prevalecendo-me do ensejo, cumpro o dever de apresentar a V Ex., meus melhores votos de perenes felicidades no ano que hoje começa. Saudações respeitosas (a) Alexandre Colares, Delegado Fiscal”. ( JORNAL DO BRASIL, 05/01/1929, p.10).
     O edifício da Alfândega de Natal, era o primeiro entre outros diversos, cuja  reconstrução foi autorizada e iniciada na administração do Sr. Oliveira Botelho.

Foto: Diário de Pernambuco, 1933.
Transfência 
Segundo o Jornal do Recife, o diretor geral da Fazenda Nacional autorizou transferência da alfândega de Natal para um  prédio particular, visto achar-se em ruínas o prédio próprio nacional em que funcionava aquela repartição e não haver outro imóvel da União disponível na capital.(JORNAL DO RECIFE, 21/10/1937,p.1).
Já em 1940 a Alfândega de Natal voltou a funcionar no antigo prédio o qual fora reconstruído na administração do inspetor Eurico Seabra.
Após importantes melhoramentos no prédio da Alfândega, situado a Esplanada Silva Jardim, a repartição voltaria a funcionar ali a partir do dia 29/01/1940.
O ato de reinstalação seria solene e se realizaria as 14h00 com a presença de autoridades, chefes e funcionários das repartições. (A ORDEM, 27/01/1940, p.1).
Entre os presentes estavam o interventor federal, Rafael Fernandes,o  representante do bispo, mons. Alfredo Pegado.Inaugurando os melhoramentos do prédio, o inspetor da Alfândega, Eurico Seabra Melo, proferiu um discurso historiando a marcha dos trabalhos até sua conclusão.
As obras foram autorizadas pelo Presidente da República, a vista de exposição de motivos do ministro da Fazenda.Foram confiados os serviços a direção técnica dos engenheiros Gentil Ferreira de Souza e Alvim Schinmelphheng, sendo executados pelos construtor Carlos Lima.O valor das obras foi de 60:000$000.(A ORDEM, 29/01/1940, p.1).






Prédio da Delegacia da Receita Federal de Natal, antiga Alfândega



OS 3 ELEVADORES QUE HAVIAM EM NATAL EM 1949



         Há 70 anos passados a capital potiguar possuía apenas 3 prédios com elevadores segundo a crônica jornalística do Diário de Natal em 29/05/149.
         Dizia a referida crônica:
         Possuímos três elevadores nesta faz de nossa evolução social: o do hospital Miguel Couto (o primeiro instalado) o do Grande Hotel e o do Edifício Fernando Costa. Depois, nada mais surgiu.Entretanto, outros edifícios que necessitam de elevadores tem aparecido : na rua Duque de Caxias, o Edifício Varela, o Edifício Campielo, o Edifício Bila, o Edifício  Quinho, na Rua Silva Jardim, o Edifício Elder, na rua Ulisses Caldas o Edifício Progresso, o Edifício Magally.
         Já existia o Edifício Aureliano, na Praça Augusto Severo. São prédios elevados, de três pavimentos com escadarias suficientemente incômodas.
         A baixo os três edifícios citados a cima e que possuíam elevadores em Natal.

                                   Hospital Miguel Couto, atual HUOL

                Edifício Fernando Costa (Secretaria de Fomento Agrícola)

                                   Edifício do Grande Hotel de Natal












Fonte: Diário de Natal, 29/05/1949, p.5.