segunda-feira, 10 de junho de 2019

PRÉDIOS DAS DÉCADAS DE 1930/40 NA RIBEIRA



         A ideia de modernidade em Natal se via nas construções de prédios de repartições públicas e privadas cujos estilos arquitetônicos transitivam entre o ecletismo, modernismo, arte decó, cubista, etc, e estavam situados no bairro da Ribeira, então centro comercial da capital potiguar.Quando se inaugurava algum prédio nas décadas de 1930/40 em Natal eles eram vistos como melhoramentos que embelezavam ainda mais a cidade e louvavam-se as iniciativas de empreendedores no caso de particulares ou os órgãos governamentais,no caso de prédios públicos.

Novo prédio dos Correios
         O novo prédio dos Correios e Telégrafos de Natal foi autorizado a ser construído em 1932, mas somente em 1936 foi inaugurado.Em 07/04/1936 foi entregue a Diretoria Regional dos Correios e Telégrafos o novo e confortável prédio destinado ao funcionamento dos Correios e Telégrafos da capital, situado nas proximidades do cais do porto.
         O prédio foi erguido em estilo cubista pela companhia Industria Brasileiras Portela S.A que encarregou os serviços ao engenheiro Aldo Castela.(A ORDEM,07/04/1936,p.1).
         O novo prédio situado na esplanada Silva Jardim foi inaugurado em 03/11/1936. (A ORDEM, 01/11/1936, p.1).










Nova sede da Associação Comercial de Natal
         A Associação Comercial de Natal foi fundada em 02/10/1892 e considerada de utilidade pública pelo decreto nº 3.349 de 03 de outubro de 1917.
         Já contava mais de meio século quando foi iniciada a construção do novo edifício sede a ACN em 1937. No dia 25/12/1937 foi lançada a pedra fundamental do novo edifício da Associação Comercial de Natal na avenida Sachet na Ribeira.(A ORDEM, 25/12/1937, p.1).A inauguração do majestoso edifício da Associação Comercial de Natal na avenida Sachet  ocorreu em 19/04/1944 .
        O prédio formado por três pavimentos era um notável melhoramento que enriqueceria a cidade segundo o jornal A Ordem (A ORDEM, 28/03/1944, p.4).

O novo prédio da ACN
         O palacete inaugurado em 19/04/1944 veio embelezar o bairro da Ribeira que aquele período passava por transformações espaciais e urbanística notadamente refletida nas construções de prédios de repartições públicas, comerciais e particulares.







O novo edifício do Banco do Brasil
         Em 1936 havia sido adquirido pelo Banco do Brasil o terreno situado na  Avenida Nísia Floresta, esquina com a rua Silva Jardim, em que seria em breve construído o novo edifício onde funcionaria a agencia local do referido banco.
         Segundo o jornal A Ordem a construção do novo prédio viria dota a capital potiguar de mais um melhoramento. Por sua vez a agencia do referido banco ficaria otimamente instalada e em trecho onde já se achavam funcionando os Correios e Telégrafos em sua nova sede (A ORDEM, 13/11/1936, p.1).
A construção do Banco do Brasil
      Segundo edital que foi publicado pela imprensa, a agencia do Banco do Brasil, iria construir na capital potiguar a sus sede própria, em terreno situado a avenida Duque de Caxias, no bairro da Ribeira.
     O novo edifício que representaria para a capital notável melhoramento teria cinco pavimentos, obedecendo aos mais exigentes requisitos da técnica moderna, com instalações capazes ao crescente desenvolvimento da agencia de Natal, segundo o jornal A Ordem (A ORDEM,21/10/1948, p.8).



      Edifício apresenta estilo modernista com as amplas janelas verticais da fachada.

O Edifício Campielo

         No dia 01/02/1938 as 10h00 foi inaugurado o Edifício Campielo, situado a avenida Sachet, na Ribeira, capital potiguar, de propriedade do Sr. Francisco Varela. Ao ato compareceram o Interventor Federal e outras autoridades. (A ORDEM, 01/12/1938, p.4).

A nova sede do BANDERN
         O Banco do Rio Grande do Norte achava-se otimamente instalado com a inauguração do seu novo, artístico e confortável prédio, edificado a Avenida Tavares de Lira, esquina com a a Avenida Nisia Floresta.





         A construção do prédio obedeceu a direção técnica do prefeito Gentil Ferreira, que era engenheiro também.

Novo prédio da alfândega de Natal

         Após importantes melhoramentos no prédio da Alfândega, na Esplanada Silva Jardim, a repartição voltou a funcionar naquele prédio no dia 29/01/1940. O ato de reinstalação foi solene e deu-se as 14h00 com a presença de autoridades, chefes  e funcionários de repartições.(A ORDEM,27/01/1940,p.1).




O edifício apresenta estilo eclético fazendo a transição para o modernista.

Edifício Elder
         O majestoso Edifício Elder foi inaugurado em 29/12/1944 as 09h00 solenemente, de propriedade do Sr. Severino Alves Bila, comerciante na capital potiguar.
         O Edifício Elder foi construído pela Cia. Melhoramentos de Natal, sob a administração do Sr. Alipio Dias, estando situado a rua Silva Jardim, 86, confrontando-se com a Alfândega de Natal, e possuía todos os requisitos de uma construção moderna e confortável.
        
O edifico Quinho
      No dia 31/08/1946 as 15h00 foi solenemente inaugurado e dada a benção do majestoso Edifício Quinho, situado a Avenida Duque de Caxias, 80, esquina da rua Ferreira Chaves, no bairro da Ribeira na capital potiguar.
         De propriedade dos Srs. Chaves & Cia, o novo edifício veio enriquecer o patrimônio da cidade, que agora contava com mais um prédio moderno, a altura do progresso da capital, segundo disse o jornal A Ordem (A ORDEM, 27/08/1946, p.3).

Edifício Bila
         O Edifício Bila foi inaugurado em 23/01/1944 que havia sido recentemente construído na Avenida Sachet, na Ribeira.
Em sua alocução o bispo de Natal congratulou-se com o Sr. Severino Alves Bila, que dava mais uma prova de seu espírito dinâmico e empreendedor com a edificação daquele primoroso prédio. Em seguida o interventor federal declarou inaugurado o Edifício Bila.O prédio foi visitado pelo público deixando essa visita ótima impressão sob todos os aspectos técnicos.
                                     Edifício Bila

     O Edifício Bila com seu cunho de majestade, seria para Natal um relevante melhoramento urbano, segundo o jornal A Ordem.Durante a solenidade ouviu-se a banda de música da Força Pública Policial. (A ORDEM, 24/01/1944, p.1).

Edifício Progresso
         Sob a presidência do bispo Dom Marcolino Dantas e com a presença de autoridades, famílias, comerciantes, industriais, jornalistas, além de pessoas convidadas, foi solenemente inaugurado em 01/01/1947 as 10h00 o moderno Edifício Progresso de propriedade do Sr. Manoel Alves Afonso, conceituado comerciante na capital potiguar.
         Instalado a rua Ulisses Caldas, 116 o novo edifício veio enriquecer o trecho das casas comerciais daquela artéria urbana, sendo dotado de uma andar superior, destinado a gabinetes médicos, dentários, etc.
       A benção da Igreja foi dada pelo bispo Dom Marcolino Dantas que em rápidas palavras parabenizou a iniciativa do Sr. Manoel Alves Afonso, dotando a cidade de mais um moderno prédio, onde se achava instalada a sua relojoaria.Em nome deste, agradeceu o Sr. Teodorico Guilherme, que em nome dos presentes felicitou aquele comerciante pela realização da obra.A todos os presentes foram servidas finas iguarias e champagne. (A ORDEM, 03/01/1947, p.4).

Outros prédios
                     Banco do Povo (atualmente sede da Tribuna do Norte)



Edifício Fernando Costa







Grande Hotel de Natal




         O Grade Hotel de Natal foi inaugurado em 13/05/1939.Situado na Av. Duque de Caxias na Ribeira.


                     Estação Central da Estrada de Ferro Sampaio Correia



       O novo edifício da estação ferroviária da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte, posteriormente Estrada de Ferro Sampaio Correia, começou a ser remodelado em 1948 para substituir o antigo chalé do século XIX que havia ali.Foi inaugurado em 1949, tendo em sua nova configuração arquitetônica o estilo modernista arte decó.



                               Edifício em estilo eclético


      Neste edifício funcionou a Recebedoria de Rendas estaduais.O prédio apresenta elementos ecléticos em sua arquitetura.


Edifício sede da Receita Federal



Edifício comercial eme estilo modernista


Edifício em estilo eclético



                                  Edifício sede do Itep em estilo arte decó


Edifício comercil em estilo arte decó


O CENTENÁRIO DA PARÓQUIA DE AREIA BRANCA



Areia Branca é um município localizado no litoral norte do estado do Rio Grande do Norte, na região da Costa Branca, a 330 km da capital do estado, Natal. O município foi emancipado de Mossoró através da Lei nº 10, de 16 de fevereiro de 1892.
Este ano de 2019 marca o ano do centenário de criação da paróquia de Areia Branca.

A primitiva capela
A primitiva capela de Nossa Senhora da Conceição foi edificada a partir do ano de 1885, quando o frei capuchinho italiano Frei Venâncio realizava suas missões de fé e esperança para o pequeno povoado. A construção teve inicio pela capela-mor e aos poucos foi sendo acrescida.
Nessa época, Frei Venâncio, induzia o povo a chamar o local de Porto da Conceição, nome que por muito tempo, muita gente se referia a localidade dessa forma.
         A época da sua construção o Rio Grande do Norte estava ligado eclesiasticamente ao bispado de Olinda (atualmente Arquidiocese de Olinda e Recife), tendo sido o 21º Bispo daquele bispado, Dom José Pereira da Silva Barros (1881-1890) autorizado a construção da capela.
                               Capela antiga de Areia Branca
Foto: Areia Branca Bela.

         Em 1894 foi criado o bispado da Paraíba, o qual ficou subordinado o Rio Grande do Norte, a capela de areia Branca, portanto, passou a jurisdição daquela diocese até 29/12/1909 quando foi criado o bispado de Natal abrangendo todo o território do atual estado do Rio Grande do Norte.

                              Aspecto do Porto de Areia Branca em 1936
Foto: A Ordem,1936.


A criação da paróquia
         A paróquia de Nossa Senhora da Conceição de Areia Branca foi criada em 08/09/1919 pelo decreto diocesano de Antonio dos Santos Cabral, 2º bispo de Natal. A época todo o território do  Rio Grande do Norte fazia parte do bispado de Natal.
         Dom Antonio dos Santos Cabral viu a necessidade premente de cuidar com desvelo o rebanho a si confiado. Foi seu primeiro pároco o renomado padre Afonso Lopes.
         A paróquia de Areia Branca esteve sob a jurisdição da Diocese de Natal até 1934 quando foi criado o bispado de Mossoró passando a esta circunscrição desde então.
         Areia Branca era a época uma pequena cidade debruçada sobre o Atlântico, vibrou de entusiasmo com o ato do então bispo de Natal. A cidade viveu dias de intenso júbilo porque estava satisfeita uma aspiração dos católicos que, até então se viam privados da assistência dos Divinos Mistérios.

                                  Matriz atual de Areia Branca


         Desde aquele dia memorável a fé católica se acentuou cada vez mais nos corações dos fieis podendo-se deste modo, aquilatar os benefícios advindos com a criação da paróquia.
       Vários sacerdotes de assinaladas virtudes ocuparam o viagariato daquela terra cuidando com desvelo, o aprisco a si confiado. O amor as causas de Deus foi crescendo.A fé difundiu-se através dos rolar dos tempos culminando com a celebração do 1º Congresso Eucarisitico Paroquial em 1938.Ocasião em que mais uma vez Areia Branca mostrou sua solidariedade com os são princípios do Catecismo.
      Sob a orientação do incansável mons. Leão Medeiros, o Congresso foi um acontecimento marcante na vida religiosa daquela terra. Presidido pelo bispo de Mossoró, dom Jaime Câmara, o Congresso arrancou o coração daquele santo antistite um epíteto para Areia Branca: Cidade Eucaristia”. ( A ORDEM, 26/09/1944, p.3).






domingo, 9 de junho de 2019

O TERRITÓRIO DA DIOCESE DE CAICÓ



O bispado de Caicó foi criado abrangendo toda a região do Seridó potiguar, no entanto, haviam apenas 8 paróquias naquele ano de 1939 quando se deu a criação da Diocese. A diocese de Sant´Ana, cuja sede episcopal é Caicó, foi instalada oficialmente, no dia 28/07/1940.
Ao ser criada o território da diocese compreendia uma área territorial de 9.372 Km² e uma população de cerca de 100.000 habitantes segundo informações do Anuário Diocesano da Diocese de Caicó 2019.
As 8 primeiras paróquias

Eis quais eram as 8 primeiras paróquias que compunham o território do bispado de Caicó ao ser criado.


Caicó
Paróquia de Santana, criada em 15/04/1748. Elevada a dignidade de Catedral em 25/11/1939.


                                             Foto: Anuário Diocesano da Diocese de Caicó, 2019
Acari
Paróquia de Nossa Senhora da guia, criaa pela lei provincial nº 15 de 15/03/1835.

                                         Foto: Anuário Diocesano da Diocese de Caicó, 2019

Jardim  do Seridó
Paróquia Nossa Senhora da Conceição, criada pela lei provincial nº 337 de 04 de setembro de 1856.


                                          Foto: Anuário Diocesano da Diocese de Caicó, 2019

Serra Negra
Paróquia de Nossa Senhora do Ó, criada pela lei provincial nº 408 de 01 de setembro de 1858.


                                         Foto: Anuário Diocesano da Diocese de Caicó, 2019.

São Miguel de Jucurutu (atualmente Jucurutu)
Paróquia de São Sebastião, criada pela lei provincial n° 707 de 01 de setembro de 1874.

                                                Foto: Anuário Diocesano da Diocese de Caicó, 2019.

Currais Novos
Paróquia de Santana, criada pela lei provincial nº 893 de 20 de fevereiro de 1884.

                                       Foto: Anuário Diocesano da Diocese de Caicó, 2019.

Flores (Atualmente Florânia)
Paróquia de São Sebastião, criada por decreto diocesano de dom Adauto de Miranda Henrique, bispo da Paraíba, em 05/04/1904.

                                             Foto: Anuário Diocesano da Diocese de Caicó, 2019.

Parelhas
Paróquia de São Sebastião, criada por decreto diocesano de 08/12/1920, por Dom Antonio dos Santos Cabral, 2º bispo de Natal.
                                           Foto: Anuário Diocesano da Diocese de Caicó, 2019.


A primeira paróquia do bispado de Caicó
Já a primeira paróquia criada após a criação do bispado de Caicó foi a Paróquia de Nossa Senhora dos Remédios em Cruzeta por ato de diocesano de 13/11/1944 de Dom José de Medeiros Delgado, primeiro bispo de Caicó.


Foto: Anuário Diocesano da Diocese de Caicó, 2019.


O PRIMEIRO BISPO DE CAICÓ



         
        O primeiro bispo da Diocese de Caicó foi Dom José de Medeiros Delgado (28/07/1905-09/03/1988).A seguir apanhados históricos sobre sua nomeação para o bispado do Seridó.
        Em março 1940 a Santa Sé criara a Diocese de Caicó, antiga aspiração dos católicos da região do Seridó potiguar.Foi uma noticia acolhida festivamente em todo o Estado.
      Um ano depois chegava a noticia ainda mais auspiciosa, que foi a nomeação do primeiro bispo para aquela Diocese.
         A Santa Sé escolheu para o elevado posto o monsenhor José de Medeiros Delgado, vigário de Campina Grande.
         O nome do monsenhor Delgado era conhecido em todo o nordeste pela sua cultura, sua piedade e grande zelo apostólico, que o animou a grandes empreendimentos.

Telegrama que comunica a nomeação do prelado caicoense
O Bispo Diocesano de Natal recebeu o seguinte telegrama do Sr. Núncio Apostólico:
PETRÓPOLIS, 18-Exmo Bispo Natal. Monsenhor Delgado, Vigário de Campina Grande, nomeado Bispo de Caicó. Núncio Apostólico.Mons. José Delgado fez os seus estudos na Universidade Gregoriana, em Roma, conta 34 anos de idade e nasceu no município de Pombal.Felicitamos os católico da nova Diocese pelo Bispo que vai ter e tornamos extensivas essas felicitações ao Exmo Sr. Bispo D. Marcolino Dantas,pelo êxito alcançado em prol da criação daquele Bispado.(A ORDEM,18/03/1940,p.1).

A sagração episcopal
  A sagração episcopal ocorreu em 29/06/1941 na catedral de Nossa Senhora das Neves em João Pesoa-PB, tendo sido presidida pelo arcebispo da Paraiba dom Moises coelho, sendo consagrantes Dom Marcolino Dantas, bispo de Natal, Dom Jaime Câmara, bispo de Mossoró, Dom João da Mata, Bispo de Cajazeiras, que havia sido naquela data removido para Manaus-AM.
         Entre os paraninfos estava o interventor federal no Rio Grande do Norte, Rafael Fernandes, especialmente convidado pelo prelado caicoense.
         Cerimônia de sagração ocorreu as 06h00 da manhã. Ao meio-dia foi oferecido pelo Arcebispo um banquete aos bispos presentes a solenidade.A noite foi entoado o Te Deum, com sermão de D. Mario Vilas-Boas, bispo de Garanhuns-PE.

Dados biográficos
Dom José de Medeiros Delgado nasceu em Malta, a época distrito de Pombal, atualmente município paraibano, em 28/07/1905. Foram seus pais Manoel Delgado e Francisca de Medeiros Delgado.
Fez seus primeiros estudos em Serra Negra, no vizinho Rio Grande do Norte, e depois em Malta, no seu estado natal.
Fez o curso preparatório e filosófico no seminário da Paraiba e o curso de teologia na Universidade Gregoriana em Roma.
Ordenou-se na cidade de João Pessoa em 02/06/1929, recebendo o presbiterato das mãos de arcebispo da Paraíba, dom Adauto de Miranda Henriques.
Foi nomeado coadjutor da paróquia de Bananeiras e depois coadjutor de Campina Grande.
A 02/02/1931 foi nomeado Vigário da igreja matriz de Campina Grande, cargo que a Santa Sé o escolheu par ao sólio de Caicó, contava 34 anos.


                                  Dom José Delgado


Carta pastoral e o simbolismo litúrgico das armas episcopais de Dom José Delgado
As armas episcopais de Dom José Delgado fala na linguagem heráldica e simbólica da liturgia do batismo, ponto inicial da vida cristã.Em sua primeira carta pastoral saudando o clero e diocesanos, Dom Delgado traçou seu programa de ação nos três capítulos: Vida cristã, paróquia e ação católica.
A vida cristã era o principal objetivo do seu futuro apostalado; ou melhor,era a continuação do seu antigo apostolado paroquial.A vida cristã, base da vida espiritual, alicerce de todo edifício religioso, fundamento de toda vida moral está em contraposição a vida paganizada que assustadoramente se infiltrava na família e na sociedade moderna.
O ponto de vista primário de Dom José Delgado era cristianizar a família, sanar a sociedade, restaurar tudo em Cristo “Instaurare omnia in Christo”, para isto utilizando-se da ação católica e principalmente de um clero santo e bem formado.A ação católica era a cooperação dos leigos no apostolado hierárquico da Igreja e agiria em funções da vida cristã independentemente da hierarquia eclesiástica. “nada sabemos da diocese e de suas possibilidades, mas enquanto os fatos não nos disserem outra coisa, julgamos que não há um recanto da terra, onde houver párocos e fiéis em que não se possa e não se deva fundar a Ação Católica”, disse Dom José Delgado.
Ainda discorreu o prelado caicoense longamente sobre a Ação Católica e a vida cristã, ordenando aos párocos que em três domingos seguidos a tarde antes da benção fosse lida a sua carta pastoral com a explicação da parte referente a paróquia.
A paróquia na expressão de Dom Delgado era uma parcela mimosa da diocese dentro do grande rebanho do Senhor.Desejava o novo bispo ver em cada paróquia dois um mais sacerdotes “Cremos não ser possível elevar uma diocese sem olhar nela o clero, máxime o paroquial, elevando o patrimônio paroquial para sustento de dois ou mais sacerdotes na paróquia”, disse.Ademais que o sacerdote deve ser pobre.“nosso primeiro cuidado como bispo será promover com os párocos a criação de um ambiente de espiritualidade mais intensa e mais viva na paróquia para a elevação de tudo, sem excetuar o próprio pároco.Bem sabemos como a ausência desse clima faz mal ao sacerdote”.

O escudo episcopal
Como a vida cristã era iniciada no Batismo, no simbolismo da liturgia deste foi inspirado o escudo episcopal de D. José Delgado.

Explicação do brasão de Dom José Delgado
As ondas representam a água da fonte batismal também fonte da vida cristã espiritual. A letra psi grega tem a forma de uma pomba voltada verticalmente para baixo, símbolo do Espírito Santo cujos dons se recebem no Batismo, fonte do renascimento espiritual conforme o dialogo de Jesus e Nicodemos, e ensino e a prática da Igreja.Depois, na benção da pia batismal no sábado de aleluia tomam-se três velas em forma da letra psi representando o Espírito Santo; daí vem o uso da letra grega na liturgia da Igreja.
Completava o escudo o atual e expressivo dístico: “Ita Pater Sim” (Sim, Pai), extraído do evangelho de Mateus 11, 26, recordando de maneira incisiva e prática o problema capital da vida Cristã, a obediência. A obediência cria, conserva e desenvolve a Vida Cristã. (A ORDEM, 28/06/1941,p.1).