sexta-feira, 28 de junho de 2019

O 1º BISPO DE MOSSORÓ



Criada a diocese de Mossoró em 1934 ainda foi preciso aguardar 1 ano e 9 meses para a noticia da nomeação e chegada do 1º bispo tendo sido eleito o primeiro bispo de Mossoró o monsenhor Jaime de Barros Câmara, natural de Santa Catarina.
O então bispo eleito de Mossoró enviou o seguinte despacho telegráfico: “Brusque, Santa Catarina, 2 de janeiro.Exmo Sr. D. Marcolino Dantas, digno Bispo de Natal.Agradecendo as felicitações de V.Excia., pela minha eleição ao episcopado, retribuo os votos de felicidades no Novo ano e quero significar meu desejo de continuar no Apostolado de Vossencia na Diocese de Mossoró.Mos. Jaime Barros Câmara”. (A ORDEM, 04/01/1936, p.1).

Sagração de Dom Jaime Câmara
         No dia 03/02/1936 realizou-se a sagração episcopal de dom Jaime Câmara que havia sido recentemente eleito bispo da nova diocese de Mossoró. A cerimônia ocorreu na catedral de Florianopólis-SC.
A noticia da nomeação de dom Jaime Câmara para assumir o bispado mossoroense causou muita alegria em terras potiguares.
O governador do estado e o bispo de Natal assim se expressaram sobre Dom Jaime Câmara, que havia sido recentemente nomeado antistite para Mossoró.

Dom Jaime de Barros Câmara primeiro bispo de Mossoró


Rafael Fernandes
         Assim se expressou o então governador Rafael Fernandes: “ a humanidade, na ânsia incessante de perfeição, na aquisição dos seus mais nobres elementos de progresso como nos seus múltiplos anseios por um ideal de grandeza, encontrou sempre dentro das normas divinas do catolicismo, esteio inestimável a sua salvaguarda de orientação.Nele realmente, tem as gerações ‘bebido’ o leite da ternura humana’.O bispado de Mossoró irá,d essa forma, estimular as populações sob a sua direção, reanimando os laços espirituais inspiradores dos mais puros sentimentos.No momento que vivemos, caracterizados por um utilitarismo desgraçado e corruptor e por uma avassalante desagregação dos laços de fraternidade,a s forças morais do cristianismo serão, sem dúvida, a barricada ante a qual estacarão os exércitos da anarquia dos espíritos.Seja Dom Jaime Câmara- primeiro bispo de Mossoró- aguardado no seio dos seus diocesanos como tão vivas emoções  de entusiasmo e de espiritualidade, sentimento, do rebanho humano pronto a atender ao pastor que os conduzirá em estadas reta e segura para a fraternidade e a concórdia entre os homens”.

A palavra do bispo de Natal
         As palavras de Dom Marcolino Dantas foram: “Religiosa, civil e eclesiasticamente a Diocese de Mossoró é uma grande vitória. O novo bispo é um farol plantado na zona oeste do Estado do Rio Grande do Norte, para guiar ao redil as ovelhinhas do Senhor. Dom Jaime de Barros Câmara é o pasto que vai ver pela primeira vez, o seu rebanho, é o alvo de todas as atenções, neste momento, e é a coroa dos meus esforços, em favor de Mossoró.

Chegada de dom Jaime Câmara a Natal
         Dom Jaime Câmara partiu do Rio de Janeiro em 12/04/1936 em direção ao Rio Grande do Norte no navio Itaquicé, tendo chegado a capital potiguar em 20/04/1936 devido a atrasos no navio.Grande massa popular aguardava no Cais do Porto o desembarque do primeiro bispo de Mossoró.
         A bordo recebeu Dom Jaime Câmara os primeiros cumprimentos apresentados pela comissão de recepção, do padre Luiz Mota, cura da Catedral de Mossoró e do representante do jornal A Ordem. Em seguida desembarcando o bispo sob aclamações do povo sendo então feitas as apresentações protocolares.

Saudação no Cais do Porto
         De uma calçada próxima o dr. Vicente Lopes produziu uma arrebatadora saudação de boas-vindas ao ilustre recém-chegado.Palavras fácil e penetrantes, o orador saudando Dom Jaime, fez um histórico da formação do Brasil, da obra de catequese, salientando a figura de Anchieta, para dizer que via no primeiro bispo de Mossoró um continuador daquela eficiente evangelização iniciada em nossa pátria pelos jesuítas.Em nome do governo e do povo do Rio Grande do Norte falou o eloquente e jovem tribuno, cerca de 20minutos.
         No meio do povo estava o Bispo Dom Marcolino Dantas, o governador Rafael Fernandes, o presidente da Assembleia Legislativa Mons. João da Mata, o Mons. Alfredo Pegado, vigário geral, o representante do prefeito da capital, o Sr. Mario Eugenio Lyra, o chefe de policia João Medeiros, diretor da saúde pública, Dr. Armando China, o cônego Amâncio Ramalho, diretor de Educação, entre outras autoridades.
         Terminado os aplausos e batidas várias fotografias, formou-se um extenso cortejo de automóveis seguindo nos dois carros da frente o governador Rafael Fernandes, Dom Jaime Câmara e Dom Marcolino Dantas e o mons. Alfredo Pegado.O cortejo parou em frente a catedral saltando Dom Jaime e todos os presentes.Recebido na porta central pelo cura mons. Alves Landim o bispo de Mossoró entrou na igreja ao som de hinos litúrgicos cantados pelo coro de Santa Teresinha.A catedral achava-se literalmente cheia.
         Na capela do santíssimo demorou-se Dom Jaime Câmara alguns instantes, em oração, após o que deixou a Catedral organizando-se novamente o cortejo em direção ao seminário São Pedro.
         No salão de honra do Seminário São Pedro ladeado pelo governador do estado e pelo bispo de Natal e numerosas autoridades civis, militares e religiosas, dom Jaime Câmara foi saudado pelo reitor Pe. José Adelino, que discursou em nome do clero e das forças católicas das duas dioceses sendo muito aplaudido ao terminar.

Agradecimento de Dom Jaime Câmara
         Em resposta, proferiu o homenageado curto mas expressivo discurso.Referiu-se a comovente recepção de que estava sendo alvo, disse que a sua vinda para o Rio Grande do Norte representava como que uma restituiçao do Estado de Santa Catarina, pois foi daqui que havia saido há tempos, para as plagas catarinenses o seu avô materno.Vinha para a terra potiguar sem ambições ou preocupações terrenas, mas como entviado de Deus, para a direção e governo das almas.
Dom Jaime Câmara não havia ainda tomado posse de sua diocese mas que agradecia muito ao bispo Dom Marcolino Dantas que por deferencia a sua pessoa permitiu que o mesmo exercesse suas funções mesmo sem ter tomado posse na referida disocese. Agradeceu ainda ao bispo de Natal pelo carinho e perseverança com que formou o patrimônio do novo bispado.
         Acrescentou ainda quem desde sua sagração pertencia ao Rio Grande do Norte, a Mossoró, a sua Diocese, sentindo-se aqui tão bem quanto em seu Estado natal.Concluiu agradecendo a todos as atenções que vinha recebendo e prometeu tudo fazer em bem do seu rebanho, da felicidade de sua cidade episcopal, de sua Diocese e de todo o Estado.Recebeu muitas palmas ao terminar o discurso. ( A ORDEM, 21/04/1936,p.1).

Saudação de Dom Jaime ao povo potiguar
         Por meio do jornal A Ordem Dom Jaime Câmara fez a seguinte saudação ao povo potiguar em 20/04/1936: “Bem que já informado do carinho com a alma nordestina costuma acolher os que por aqui passam, jamais poderia supor que viesse a tornar-me alvo de tão simpáticas manifestações que me deixaram o coração sumamente penhorado. Cativado por tão afetuosa recepção, saúdo a todos e agradeço, fazendo votos pela prosperidade dos habitantes desta legendária terra potiguar. (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 25/04/1936, p.5).

A posse de Dom Jaime
         Conforme estava anunciado o bispo Dom Jaime Câmara embarcou de avião em 26/04/1936 para Mossoró via Areia Branca.A despedida na capital potiguar ocorreu no cais da Tavares de Lira as 06h00 comparecendo o bispo de Natal dom Marcolino Dantas, representantes do clero e da imprensa e autoridades.O avião partiu depois das 06h30 chegando em Areia Branca as 08h00.Nesta localidade dom Jaime celebrou a primeira missa em território de sua diocese.O governador Rafael Fernandes foi de Mossoró a Areia Branca encontrar-se com dom Jaime.
         As classes conservadoras ofereceram uma banquete a dom Jaime, as 13h00. Partindo o bispo em trem especial para Mossoró, em companhia do governador do estado e das respectivas comitivas.
         A chegada a Mossoró deu-se as 17h00, no meio de indescritível entusiasmo do povo.
         Realizou-se a posse solene, logo em seguida, na Catedral de Santa Luzia, servindo de paraninfos da cerimônia o bispo Dom Marcolino Dantas e o governador Rafael Fernandes.
         Fez a oração congratulatória o padre Paulo Heroncio, enviado especial do jornal A Ordem e antigo vigário de Mossoró. Os bispos de Natal e Cajazeiras fizeram-se representar respectivamente pelo cônego Amâncio Ramalho e o padre Abdon Pereira, já o arcebispo da Paraíba foi representado pelo padre Luiz Monte.
         No banquete de 100 talheres, oferecido a Dom Jaime Câmara as 21h00, houve uma tocante homenagem ao santo padre Pio XI.

Em Areia Branca
         As 11h00 depois de uma magnífica viagem o Sr. Bispo D. Jaime Câmara chegou a esta cidade, onde foi festivamente recebido por grande massa popular,escolas e autoridades locais, tendo tocado a banda de música.
         Depois do desembarque o bispo a frente do povo que ansioso e alegremente o aguardava, dirigiu-se a matriz, onde foi saudado pelo Sr. Cunha Mota, secretario da prefeitura em nome dos areiabranquenses.
Em seguida o bispo celebrou missa explicando o evangelho do dia.Após a missa dirigiu-se para a residência do prefeito onde ficou hospedado e onde recebeu grande número de visitas.As 10h00 chegou de Mossoró acompanhado de grande comitiva composta de representantes do clero, autoridades, comerciantes, do tido de guerra, o governador Rafael Fernandes, que foi recebido por Dom Jaime Câmara, o povo, escolas e autoridades presentes.
Nesse mesmo dia foi inaugurada a Praça da Conceição marcar o festivo acontecimento.
As 15h00 o bispo tomou um trem especial na estação de Porto Franco que o conduziria a cidade de Mossoró em companhia do governador Rafael Fernandes e respectivas comitivas.

Em Mossoró
         Foi recebido na estação por grande multidão, autoridades, associações, colégios e escolas, falando o juiz distrital dr. Epitácio Fernandes.com todos os seus paramentos, dirigiu-se para a Catedral, fazendo entrada solene, estando presentes, especialmente convidados o representante do bispo de Natla, o governador do estado que foram os paraninfos da posse.
         O cônego Amancio Ramalholeu as bulas pontificais passando-se a leitura da ata pelo padre Jorge O’Grady,proferindo, então o padre Paulo Heroncio a oração congratulatória.Seguiu-se solene Te Deum cantado pelas alunas do Colégio Sagrado Coração de Maria.
         A cidade achava-se engalanada e cheia de escudos do Rio Grande do Norte e Santa Catarina reinando intenso entusiasmo. (A ORDEM, 28/04/1936, p.1).

A DIOCESE DE MOSSORÓ



         A Diocese ou Bispado de Mossoró foi a segunda circunscrição eclesiástica criada no Rio Grande do Norte co território desmembrado da então Diocese de Natal em 1934. A seguir alguns recortes que remetem a história desse bispado.

Primórdios
         Em 1921 o então bispo de Natal Dom Antônio dos Santos Cabral iniciou as tratativas para a criação do bispado de Mossoró.
Dom José Pereira Alves seu sucessor reavivou a ideia em 1925 chegando a criar varias comissões para tratar da organização do patrimônio. Foi quando se verificou a generosidade do benemérito capitalista Miguel Faustino que doou um palacete à futura diocese para servir de palácio do bispo, imóvel avaliado em 50 contos de réis.

O anseio do povo sertanejo por uma diocese
         Segundo o jornal  A Província o povo sertanejo da região oeste potiguar agitava-se no sentido de ser brevemente traduzida em realidade a criação da diocese de Mossoró cuja a linha divisória seria o Rio Piranhas em seu curso de sul ao norte na sua foz em Macau.
         Para isso já subia em mais de 40 contos a subscrição para a a organização do patrimônio da futura diocese entre as freguesias daquela circunscrição , sendo 25 contos de Mossoró, 3 contos de Assu e 2 contos cada uma das freguesias de Pau dos Ferros e São Miguel, Patu, Campo Grande, Apodi, Caraúbas, Martins e  Portalegre.( A PROVÍNCIA,27/09/1915,p.1).
Ainda segundo o referido jornal faltava apenas o beneplácito do bispo da Paraíba dom Adauto de Miranda Henriques, que naquele ano exercia a função de Administrador Apostólico devido a sede vacante do Bispado de Natal o qual aguardava a chegada do novo bispo sucessor do resignatário dom Joaquim de Almeida, que só ocorreria em 1918.
         De acordo com aquele jornal o Rio Grande do Norte pensava em se emancipar eclesiasticamente da Paraiba com a criação das dioceses de Mossoró na região oeste e outro bispado na região do Seridó cuja sede orbitava entre  Jardim de Piranhas, Caicó ou Macau que se limitaria com a futura diocese de Mossoró pelo rio Piranhas e com a futura Sé Metropolitana de Natal pela serra da Borborema. (A PROVÍNCIA, 01/10/1915, p.4). Como se sabe a sede do Bispado do Seridó recaiu sobre a cidade de Caicó.

O patrimônio da futura diocese
Ventilada a criação do Bispado Mossoroense começaram a surgir apoios para a efetivação da ideia.O industrial coronel Miguel Faustino telegrafou ao bispo diocesano oferecendo um palacete para a residência do bispo da futura Diocese de Mossoró (A UNIÃO, 15/01/1925, p.4).
A fim de ser deliberada a formação do patrimônio da futura diocese de Mossoró reuniram-se algumas pessoas gradas da paróquia, atendendo ao convite prévio do Mons. Almeida Barreto, arcipreste da paróquia.
Por essa época já havia tomado posse o terceiro bispo de Natal, Dom José Pereira, que já trabalhava pela constituição do patrimônio da futura diocese de Mossoró. Os católicos da região oeste potiguar continuavam assim a tomar grande interesse pela criação da diocese de Mossoró, no entanto com a transferência de Dom José Pereira para a Diocese de Niterói-RJ em 1928 mais uma vez a criação do bispado teve que esperar a chegada do seu sucessor para prosseguir.
Segundo o Jornal do Comércio de Manaus achava-se em estado de deterioração o palacete doado ao futuro bispado de Mossoró. Na época da doação estava maio ou menos conservado, mas, tempos depois, o abandono completo envolveu aquele elegante edifício, que se via agora ameaçado de ruínas. (JORNAL DO COMERCIO,AM,29/02/1928,p.1).
Em 1929 assumiu a Diocese de Natal Dom Marcolino Dantas, que já de imediato se empenhou na organização do patrimônio da futura diocese de Mossoró e na ornamentação do palácio episcopal, onde já eram muitos os auxílios que estavam vindo ao encontro do desejo do antistite, tendo o Sr. Vicente Fernandes oferecido a mobília completa para o palácio de Santa Luzia. (JORNAL DO COMERCIO, AM, 23/01/1930, p.1).
A Dom Marcolino Dantas coube a organização definitiva do patrimônio e a criação da Cátedra Mossoroense. Em dezembro de 1929, indo a Mossoró dom Marcolino Dantas restaurou as antigas comissões, de patrimônio, incluindo também elementos novos.Nesse mesmo ano a Assembleia Legislativa do Estado votou o auxilio de 100 contos em apólices estaduais para o patrimônio do futuro bispado.O projeto foi sancionado pelo então governador Juvenal Lamartine.
         Tendo a Santa Sé aconselhado o aumento do patrimônio para 200 contos como condição para a criação da nova diocese, mais uma vez se manifestou a benemerência do Sr. Miguel Faustino que a pedido de Dom Marcolino fez uma oferta de 120 contos de apólices federais.O Dr. Antonio Soares do Couto ofereceu também 5 contos em apólices estaduais.
         No dia 02/04/1935 a tarde no tabelião Machado, o cônego J. Cabral devidamente autorizado por uma procuração do bispo de Natal, D. Marcolino Dantas, assinou a escritura de doação que o Sr. Miguel Faustino do Monte e sua esposa Elita Souto do Monte fizeram de 120 apólices federais de 1 conto de réis cada uma, para a formação do patrimônio da Diocese de Mossoró recentemente criada. (A CRUZ, 05/05/1935, p.1).

A criação da Diocese de Mossoró
A Diocese de Mossoró foi erigida canonicamente em 28/07/1934, pelo Papa Pio XI, através da bula papal Pro Ecclesiarum Ommiun, desmembrada da Diocese de Natal (hoje arquidiocese), tendo como sé episcopal a Igreja Matriz de Santa Luzia.
A notícia de sua criação chegaria a Mossoró em 14/09/1934, quando o padre Luiz Ferreira da Cunha Motta, vigário da paróquia de Santa Luzia, recebeu um telegrama do bispo de Natal, dom Marcolino Esmeraldo de Souza Dantas dando ciência do ocorrido.
Em 18/11/1934, a diocese foi oficialmente instalada na igreja matriz de Mossoró doravante elevada a dignidade de catedral.
Por ato de Dom Aloisio Massela, Núncio Apostólico nomeou Dom Marcolino Dantas como Administrador do novo bispado até a posse do seu primeiro bispo.

                           A catedral de Mossoró em 1938
Fonte: Revista Excelcior,1938.

O território da diocese
A nova diocese era sufragânea da Arquidiocese da Paraíba, em João Pessoa e compreendia um território composto por 13 paróquias e uma área de 18 847 km².
A seguir o elenco das paróquias que compreendia inicialmente o Bispado de Mossoró, de acordo com a ordem de sua criação.
Nº de ordem
Cidade
Paróquia
Data de criação
Observação
1
Assú.
São João Batista.
24/06/1726
---------
2
Pau dos Ferros
Nossa Senhora da Conceição
19/12/1756
-----------
3
Portalegre
Nossa Senhora da Conceição
09/12/1761
----------
4
Apodi
Nossa Senhora da Conceição e São João Batista
22/02/1762
-----------
5
Campo Grande
Santana
31/10/1837
Lei provincial nº 17
6
Martins
Senhora da Conceição
02/11/1840
Lei provincial nº 52
7
Mossoró
Santa Luzia
27/10/1842
Lei provincial nº 87
8
Patu
Nossa Senhora das Dores
03/04/1852
Lei provincial nº 260
9
Caraúbas
São Sebastião
01/09/1858
lei provincial nº 408
10
São Miguel de Pau dos Ferros (atual São Miguel)
São Miguel
09/09/1875
lei provincial nº 706
11
Areia Branca
Nossa Senhora da Conceição
08/09/1919
Decreto  diocesano de Dom Antonio dos Santos Cabral, 2º bispo de Natal.
12
Luiz Gomes
Santana
08/12/1920
Decreto diocesano de dom Antonio dos Santos Cabral.
13
Mossoró
Sagrado Coração de Jesus (atual São Manoel)
23/07/1926
Decreto  diocesano de Dom José Pereira Alves, 3º bispo de Natal.
Com a elevação da Diocese de Natal à arquidiocese, em 16 de fevereiro de 1952, a Diocese de Mossoró torna-se sufragânea desta arquidiocese]

A primeira paróquia criada no bispado de Mossoró
A primeira paróquia criada já no bispado de Mossoró foi a de Nossa Senhora da Conceição em Alexandria pelo decreto diocesano de dom Jaime de Barros Câmara, 1º bispo de Mossoró, em 25/10/1936. 

Notas
Com dom Jaime vieram 6 seminarista do sul para Mossoró.O padre Leão Medeiros veio e Belo Horizonte a convite de Dom Jaime Câmara para trabalhar na nova diocese.
Constava que o padre Luiz Mota seria nomeado secretário do bispado, cargo que exerceria cumulativamente com o de cura da Catedral.
Antes de sua partida para Mossoró o bispo dom Jaime Câmara deu uma entrevista ao jornal A Ordem sobre o seu plano de ação a frente do seu Bispado.(A ORDEM, 26/04/1936,p.1   p.4).

O clero
Ao ser criado o bispado de Mossoró fazia parte do clero os seguintes sacerdotes:
Padre Luiz Mota,paróquia de Santa Luzia em Mossoró.
Padre Elesbão Gurgel, paróquia do Sagrado Coração de Jesus.
Padre Benedito Saboia de Castro, paróquia de Apodi.
Padre Omar Cascudo, paróquia de Pau dos Ferros e Luiz Gomes.
Padre Francisco Mario, paróquia de São Miguel de Pau dos Ferros.
Padre Frederico Pastors, paróquia de Patu.
Padre Julio Alves Bezerra, paróquia de Assu.
Padre Raimundo Leão, paróquia de Caraúbas e Encarregado de Campo Grande.
Padre Manoel Lucena, paróquia de Areia Branca.

Cooperadores
Padre João Wagner e Carlo Teisen nas paróquias de Martins, Patu e Portalegre.

Uso de ordens
Padre Jorge O’Grady capelão do  Colégio Sagrado Coração de Maria e Diretor do Ginásio Santa Luzia.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

AS OBRAS DE REMODELAÇÃO DA MATRIZ DE CEARÁ-MIRIM



Segundo se publicava no jornal A Ordem “a matriz de Ceará-Mirim é sem favor, o maior e o mais belo Templo católico do nosso Estado”.
Situado em ótimo local, bem no centro da Cidade dos Canaviais, as torres altas, erguem-se sobranceiras e dominam majestosamente todo o perímetro urbano do Município.
É um suntuoso edifício de linhas simples, mas grave e imponentes que sobre lhe darem aspectos de rara beleza, oferecem a nítida sensação das coisas que não passam, que se eternizam.
Não resta dúvida que o motivo é de justa alegria para uma cristandade o possuir tal Igreja.Porque as Igrejas são, na realidade verdadeiros símbolos na Paróquias.Símbolo de Catolicismo, de fé viva, de zelo decidido, de ardente tenancidade. E a matriz de Ceará-Mirim o é bem o mais sugestivo dos ideais Crist]ao dos seus filhos.
Em pouco mais de 10 anos em que o Cônego Celso Cicco paroquiava em Ceará-Mirim, ele já havia despendido tantas energias e o melo do seu zelo sacerdotal na manutenção da referida matriz.
O templo havia passado por profundas reformas internamente, exigidas já por imperativos arquitetônicos e estéticos, já pelo progresso dos novos tempos, que o transformaram completamente, emprestando-lhe uma aparência inédita, uma visão absolutamente diferente da imagem do passado.De tal modo transformam os monumentos a estética e o bom gosto amparados numa vontade enérgica.

                      A matriz e Ceará-Mirim em 1900
Revista da Semana, 1901.

O plano de embelezamento interno da matriz estava quase concluído pelo já monsenhor Celso Cicco e se debruçava com urgência para os reparos externos. As obras eram arrojadas e o projeto já havia se elevado em Cr$ 40.000,00.
O monsenhor Celso Cicco contava com a boa vontade dos seus numerosos paroquianos.Como de todas as outras vezes em que se fez mister sua ajuda, eles acolheram,com um franco e resoluto apoio, a ideia tão necessária quão justa e impreterível de uma reforma exterior da Igreja em que recebeu o Batismo e a Primeira comunhão, da Matriz que muito estremecem e que já conta, nas suas vetustas paredes, uma tradição gloriosa.E todos, rico e pobres, aprestam-se a trazer ao dinâmico Vigário a sua generosa contribuição, sem a qual, diga-se de passagem, impossível seria levarem-se a bom temo os trabalhos do novo empreendimento.
O Sr. Milton Varela  ofereceu ao Monsenhor Celso Cicco todo o mosaico preciso para as calçadas ( mais de 300m²) a generosidade da oferta, foi considerada um presente régio.Foi também o Sr. Milton Varela que, anos antes, com sua esposa brindou o altar-mor de Nossa Senhora da Conceição, com um custoso e belíssimo sacrário de mármore branco.
A reforma externa abrangia o revestimento das torres com cimento colorido, piso do grande patamar e calçadas a mosaico, limpeza externa, reboco total de uma das fachadas, rodapé geral de cimento rústico, meio-fio e pintura de portas e janelas. Essa reforma daria um aspecto inteiramente renovado a Matriz na “Cristianíssima Cidade de Ceará-Mirim”, o mais belo monumento que ela possuía, para gáudio da fé e alegria dos olhos de seu povo cristão e educado. (A ORDEM, 15/07/1944, p.4).
No ano seguinte os trabalhos se concentraram no forro das naves laterais, o revestimento da capela-mor, o piso das naves, além da artística pintura a óleo “tudo convergindo para a beleza do maior templo católico do Rio Grande do Norte” (A ORDEM12,/11/1945, p.4).
O monsenhor Celso Cicco apelava a boa vontade dos filhos de Ceará-Mirim residentes lá e na capital, para prestarem seu auxílios na continuação das obras de embelezamento da Matriz.
Em 1946 mais uma campanha foi realizada pelo monsenhor Celco Cicco para a aquisição de um excelente alto falante para a matriz de Ceará-Mirim.Segundo A Ordem mais uma vez estava aquele sacerdote dando prova de sua incansável ação apostólica em dotar aquela matriz de mais esse melhoramento que há tempo faz sentir, para o que contava com a generosidade dos paroquianos (A ORDEM, 25/06/1946, p.1).
Já em 1951 foi a vez da aquisição do relógio para uma das torres da matriz. O relógio com dois mostradores com diâmetro  de 1,5m, tendo sido adquirido na cidade de Juazeiro do Norte-CE de fabricação do Instituto Salesiano.Incluindo as despesas de montagem o equipamento ficaria com o valor de Cr$ 32.000,00.Um dispositivo especial ligaria o relógio aos sinos, de maneira que ele bateria todas as horas, podendo ser ouvido a quilômetros de distancia (A ORDEM,10/05/1951,p.1).Foi mais uma iniciativa elogiada do monsenhor Celco Cicco para o embelezamento da igreja matriz de Ceará-Mirim.

                                     Matriz de Ceará-Mirim


Fotos: João Batista dos Santos, 2014.2015.


Fonte: A ORDEM, 1945, 1946, 1951.