domingo, 13 de setembro de 2026

SOBRE O ANTIGO MERCADO PÚBLICO DE BAIXA VERDE

      Esta fotografia registra o antigo Mercado Público de Baixa Verde, povoado que deu origem ao atual município de João Câmara, na região do Mato Grande.

Restauração por inteligência artificial 

Restauração por inteligência artificial 

Imagem original sem indicação de data e autoria 

     O mercado original teve seu prédio novo inaugurado em setembro de 1927 e ainda pertencente ao município de Taipu. Na época, a vila de Baixa Verde vivia um grande crescimento econômico impulsionado pela chegada da ferrovia em 1910 e pela expansão do cultivo do algodão.

Detalhes da imagem 

     É possível observar ao fundo o casario comercial típico do início do século XX, incluindo estabelecimentos como o da tradicional firma local "José Câmara & Irmãos" (à direita). Na praça em frente, o movimento intenso reflete as feiras livres que reuniam produtores, feirantes e moradores de toda a região.

 Transformação urbana

      O antigo prédio ficava onde hoje é a Praça Baixa Verde. O mercado público original permaneceu no local até 1981, quando foi demolido para reordenação urbana, sendo transferido para um novo prédio na Praça Antônio Justino de Souza. Em 1953, o município de Baixa Verde passou a se chamar oficialmente João Câmara.

sexta-feira, 4 de setembro de 2026

MEMÓRIA DA SAÚDE EM BAIXA VERDE: AS RAÍZES DO CUIDADO EM JOÃO CÂMARA

    Falar sobre a história de Baixa Verde (que mais tarde, em 1953, adotaria o nome de João Câmara em homenagem à sua figura mais ilustre),  é revisitar um tempo em que o desenvolvimento do interior potiguar se confundia com a coragem de sua gente. Entre os desafios enfrentados pelos pioneiros da região, o acesso à saúde e ao bem-estar social ocupava um lugar central e, muitas vezes, dramático.

Os desafios iniciais: da medicina caseira ao isolamento

    Nos primórdios do povoamento e após a emancipação política em 1928, o município de Baixa Verde contava com uma estrutura de saúde extremamente rudimentar.

    Como era comum no sertão nordestino da época, os primeiros socorros dependiam fortemente de práticas caseiras, benzedeiros e de parteiras tradicionais que realizavam os partos nas zonas rurais e no acanhado centro urbano.

    Profissionais formados e unidades de saúde estruturadas eram raridades. Para casos mais graves, os doentes precisavam enfrentar longas viagens em lombos de animais ou nos primeiros trens da Estrada de Ferro até Natal ou centros maiores.

    A saúde pública nos moldes atuais não existia; o suporte vinha muitas vezes de iniciativas religiosas, da solidariedade vicentina e de redes de assistência voluntária que tentavam amparar as famílias em situação de extrema vulnerabilidade.

 A evolução do cuidado e a chegada de novas estruturas

     Com o passar das décadas, o município deu passos importantes para superar esse cenário de isolamento sanitário. A transição de Baixa Verde para João Câmara marcou também uma nova fase na organização urbana e social da cidade.

    A fundação de núcleos de atendimento e o avanço gradual de postos de saúde locais começaram a desenhar a rede de atendimento que hoje culmina no suporte do Hospital Regional Josefa Alves Cordeiro e nas clínicas modernas da região.

     Registros fotográficos e documentos antigos revelam que estruturas precárias deram lugar, a custo de muita luta comunitária e política, a um sistema de saúde mais robusto e acessível para a população camarense.

Legado e transformação

     Hoje, olhar para o passado de Baixa Verde nos faz valorizar cada conquista na área da saúde. O que antes era restrito a condições precárias e improvisadas transformou-se em uma rede que busca atender aos milhares de habitantes de João Câmara e região, honrando a memória daqueles que resistiram e construíram a história do município.

O ambulatório da L.B.A

    O estabelecimento de saúde, até o momento, mais antigo em Baixa Verde trata-se do ambulatório fundado pela Legião da Boa Assistência-L.B.A em convênio com o Serviço de Estadual Reeducação e Assistência Social-SERAS do governo do Estado em 1944.

    Em 03/03/1944 o jornal A Ordem registrou que haviam sido fundados e estavam em funcionamentos os ambulatórios de Assu, Baixa Verde, Macaiba, Santa Cruz, Currais Novos, Florânia, Acari, Lajes e Touros.(A Ordem,03/03/1944,4).

    Criada em 1942 por Darcy Vargas (esposa do presidente Getúlio Vargas), a Legião Brasileira de Assistência (L.B.A) originou-se com o objetivo inicial de prestar assistência às famílias dos pracinhas e soldados convocados para a Segunda Guerra Mundial, expandindo-se rapidamente para o atendimento social, materno-infantil e de saúde nas comunidades carentes de todo o Brasil.

    No Rio Grande do Norte, a atuação da L.B.A esteve profundamente vinculada a figuras de destaque político e social da época, como Aluízio Alves, que articulou parcerias para a construção de obras de forte impacto assistencial. 

    Essa trajetória reflete os esforços pioneiros para estruturar a rede de saúde e proteção social em municípios do interior e da Grande Natal, transformando realidades marcadas pelo isolamento e pela escassez de recursos médicos nas décadas de 1940 e 1950.

    O ambulatório fundado em Baixa Verde em 1944 buscava fornecer medicamentos e realizar pequenos atendimentos de saúde a pessoas pobres.

A APAMI e a Maternidade: as origens e a necessidade de assistência

     A trajetória da APAMI (Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância) e da maternidade em João Câmara (antiga Baixa Verde) representa um dos capítulos mais importantes da solidariedade e da luta social pela saúde no interior do Rio Grande do Norte.

 O contexto de fundação

    Em 1951 já havia sido criada a Associação de Proteção a Maternidade e a Infância de Baixa Verde, entidade social criada para servir de mantenedora da maternidade de Baixa Verde.

    Naquele ano a referida instituição recebeu do governo federal a verba de Cr$ 100.000,00 (Diário de Natal ,10/12/1951,p.6), essa verba deveria ser utilizada para construção do prédio da maternidade.

    Entretanto, a construção do edifício que seria destinado a abrigar o estabelecimento de sáude tão aguardado na cidade demoraria quase uma década para ser inaugurado.

    Em 1953 o prédio se encontrava com a sua construção paralisada, no mesmo ano em que o município se viu atingido pelos efeitos da grande seca que ocorreu naquele ano, onde milhares de pessoas acorreram a cidade em busca de melhores condições sobrecarregaando as estruturas da cidade.

    Em 1956 o prédio estava quase concluido, porém, enfretava uma situação inusitada, sendo habitado por familias de indigentes.

    Em 1957 assumiu a paróquia o então padre Luis Lucena Dias, que diante da situação inusitada e percebendo a extrema necessidade de serviços na área de saúde no municipio, abdicou de habitar na casa paroquial, doando-a para que ali fosse instalada a maternidade.

    No ano de 1959 a situação do prédio que fora construido para servir de maternidade ainda não havia sido resolvida, mas a diretoria da APAMI s emobilizou para instalar os serviços de ambulatório ainda que de forma précaria.

     A criação da unidade e da associação na região esteve ligada à intensa mobilização comunitária e religiosa, com forte atuação vinculada ao histórico da Paróquia local, para suprir a carência crônica de atendimento médico voltado às gestantes, mães e recém-nascidos.

    A iniciativa ganhou forte impulso na década de 1950 (com registros históricos apontando marcos de estruturação por volta de 1957), servindo como um braço essencial de amparo social em uma época em que o poder público estadual ou federal mal conseguia capilarizar serviços básicos de saúde pelo interior sertanejo.

O Papel da APAMI para João Câmara e Região

    Ao longo das décadas, a Maternidade da APAMI tornou-se o pilar do suporte obstétrico, pediátrico e de clínica médica básica para João Câmara e diversos municípios vizinhos do território do Mato Grande.

    Como muitas instituições filantrópicas de saúde no Brasil, a APAMI enfrentou historicamente inúmeros desafios de custeio, crises financeiras e dependência de convênios ou subvenções públicas para manter as portas abertas à população de baixa renda.

Na imagem o prédio da maternidade de João Câmara ainda em construção, possivelmente em meados da década de 1950.

    Em momentos críticos de sua trajetória, incluindo períodos de paralisação ou risco de fechamento por endividamento, a sociedade civil organizada, lideranças locais e campanhas de doação mobilizaram-se fortemente para salvar e reabrir a unidade, reconhecendo seu valor vital para a salvaguarda de vidas na região.

    O legado da APAMI em João Câmara confunde-se com a própria história de emancipação e cuidado humanitário do antigo vale de Baixa Verde, eternizando o esforço coletivo para garantir o direito básico ao nascimento seguro e à saúde materno-infantil.

 O hospital João Câmara

    Em 1950 O deputado Dioclecio Duarte apresentou para o orçamento de 1951 as emendas concernentes a auxílios e subvenções para instituições do Rio Grande do Norte, dentre as quais estava o Hospital João Câmara de Baixa Verde que receberia a verba de Cr$ 200.000,00.(Diário de Natal, 26/11/1950,p.8).

    Teria o ambulatório criado em 1944 sido transformado em hospital?

    Em 1952 o jornal A Ordem registrou que o referido hospital receberia uma nova a verba de Cr$ 200.000,00. (A Ordem, 23/12/1952,p.1).

    Em 1955 o hospital João Câmara receberia verba de Cr$ 100.000,00 (Tribuna do Norte,13/01/1955,p.4).

    Em 1963 foi apresentado um requerimento do deputado Pedro Lucena no sentido de que fosse feito apelo ao Presidente da República para recuperação do Hospital de João Câmara.(Diário de Natal ,20/06/1963,p.2).

    Em 1971 o deputado Dari Dantas anunciou na Assembleia Legislativa que havia conseguido pelo Funrural  meios para a conclusão do Hospital Regional da cidade de João Câmara que abrangia uma das regiões mais carentes de assistência médico-hospitalar do Estado. Em sua companhia e na do prefeito Manuel Anacleto de Lima, o Governador Cortez Pereira visitára em julho de 1971 o prédio que se levantava com contribuições do Governo Federal na cidade de João Câmara e cujas obras estavam paralisadas. Na oportunidade solicitaram do Governador que  incluísse aquela obra como integrante do seu plano prioritário de assistência hospitalar no interior.(Diário de Natal, 07/08/1971,p.2).

    Eis em breve linhas o resgate da memória sobre os serviços de saúde ao longo do tempo no município de Baixa Verde/João Câmara.A pesquisa não está completa e poderão ser acrescentadas novas informações ao longo de novas descobertas.

Na imagem colorização por inteligência artificial do prédio da maternidade de João Câmara em construção.

 Memória

 

  

Fonte: Cosme Souza, cedidas..

     Nas imagens a casa paroquial de João Câmara que foi cedida pelo Mons.Lucena para ser a maternidade da cidade. O edifício passou por reformas para se adequar a nova finalidade.

Fonte: Cosme Souza, cedida.

         Na imagem possivelmente a inauguração da Maternidade APAMi de João Câmara no final da década de 1950 ou inicio da década de 1960.A maternidade recebeu o nome de Noêmia Lucena, mãe do Mons. Luis Lucena Dias, em agradecimento por ter ele cedido a casa paroquial para nela ser instalada a maternidade.

 

 Nas imagens a cima o prédio da Maternidade APAMI de João Câmara, possivelmente na década de 1980.Fonte: Cosme Souza, cedida.

     

        Na imagem a cima um evento em frente a maternidade APAMI de João Câmara onde é possível vê o Mons. Lucena (de braço erguido) em posição de bêncão. Ainda estão presentes o então arcebispo de Natal, Dom Heitor de Araújo Sales (ao centro), Pe. Cláudio Régio da Silva Bezerra (a esquerda de camisa preta), então Adm. Paroquial de Taipu.Fonte: Cosme Souza, cedida.

 

 

Na imagem pessoas em frente a maternidade APAMI de João Câmara, possivelmente na década de 1990. Fonte: Cosme Souza, cedida.

 

 

Fonte: Cosme Souza, cedidas. 

Nas imagens a cima o prédio do Hospital Dr. Raimundo Peni (Hospital Regional de João Câmara).  

 

                                                Fonte: Cosme Souza, Cedida.

    Na imagem a cima o prédio que fora construido par aser a maternidade APAMI de João Câmara visivelmente em estado de abandono, porém, usado como moradia para retirantes, visto na imagem uma mulher na calçada. 

 

 

 

Fonte: Cosme Souza, cedida. 

Nas imagens a cima detalhes do prédio que seria a  maternidade de João Câmara em construção.

 

 Fonte: Cosme Souza, cedida. 

    Na imagem a cima o prédio que seria a maternidade de  João Câmara já transformado na Escola Estadual Cícero Varela.

 

 

                        

domingo, 26 de julho de 2026

ASPECTOS DE JOÃO CÂMARA EM 1986

As imagens a baixo mostram aspectos da cidade de João Câmara em 1986 onde é possível perceber a configuração da cidade em meados da década de 1980. As imagens foram publicadas em diversas edições do jornal Tribuna do Norte no contexto dos abalos sísmicos ocorridos entre junho e novembro de 1986 no qual resultou em graves consequências para a cidade como os danos estruturais em prédios públicos e residências assim como o abandono da população que quase desertificou a zona urbana do município tamanho foi o pânico da população.

Aspectos de um parque de diversões na praça principal de João Câmara vendo-se em destaque a igreja matriz.

Caminhão do corpo de bombeiros em frente a matriz de João Câmara 

Aspectos de uma rua em João Câmara 

Aspectos noturno de uma rua em João Câmara 

Aspectos da praça principal de João Câmara em 1986.



 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

MEMÓRIA DOS ABALOS SÍSMICOS EM TAIPU EM 1986

        Entre junho e novembro de 1986 a região do Mato Grande vivenciou uma série de abalos sísmicos de grandes proporções que causou pânico e desespero em grande parte da população. O maior abalo sentido ocorreu na cidade de João Câmara atingido 5.3 na Escala Richter, parâmetro que mede a intensidade dos tremores de terra, sendo que uma ocorrência dessa magnitude é considerada já um terremoto. As consequências foram devastadoras com rachaduras em casas e prédios públicos, o que forçou o abandono de muitos moradores da cidade de João Câmara. Os abalos foram sentidos em todas as demais cidades da região do Mato Grande. 

      Em Taipu, a população também vivenciou o medo e apreensão dos abalos sísmicos. Casas racharam, famílias inteiras passavam a noite acampadas em barracas em frente as suas residências com medo de desabamentos.As imagens do jornal Tribuna do Norte mostram aspectos de Taipu na altura do cemitério e nelas é possível ver pessoas com malas, possivelmente se retirando da cidade com medo dos abalos. 

       As imagens foram publicadas no referido jornal para ilustrar os abalos em João Câmara, na ocasião o carro do jornal passando pela BR 406 em Taipu viu a situação de famílias fugindo dos tremores que também estavam sendo sentidos em Taipu. 

    Este ano de 2026 ocorre os 40 anos das ocorrências mais devastadoras dos abalos sísmicos da região do Mato Grande. Embora não seja motivo para comemoração é sempre bom trazer a tona a memória desses eventos que tanto impactaram a vida dos moradores de Taipu a época.

Imagem colorizada por Inteligência Artificial.

Imagem colorizada por Inteligência Artificial.

Passagem de nível da BR 406 em Taipu, 1986.

Cemitério de Taipu, 1986.


Fonte: imagens originais: Tribuna do Norte, 21/08/1986, p. 1. Imagens coloridas: colorizadas por Inteligência Artificial.

PS. A Lei Orgânica do Município de Taipu prevê que sejam ministradas noções de simbologias em escolas públicas do município como forma de educar a população para conviver com esse fenômeno geólogico, que embora imprevisível, é totalmente compreensível.

Pesquisa: João Santos, 21/07/2026.

terça-feira, 21 de julho de 2026

MEMÓRIA DO ACESSO A ÁGUA NO MATO GRANDE

      Esta é uma fotografia histórica valiosa que registra um momento importante de infraestrutura e política no interior do Rio Grande do Norte durante o período do Estado Novo (década de 1930).

      Trata-se da visita do interventor federal no Rio Grande do Norte ao poço público construído em cooperação com a IFOCS na localidade da Baixinha,no município de Touros em 18/09/1937, conforme indica a legenda da foto.

Poço público da IFOCS na Baixinha, Touros.

   O poço era constituído de catavento, com  reservatório de alvenaria de capacidade de 10.000 litros e chafariz.

     Dominando o lado direito da composição, a torre metálica do catavento (utilizado para bombear água do poço artesiano) é o elemento de maior destaque técnico. Ao fundo, vê-se a estrutura do reservatório de alvenaria com placa comemorativa.

Composição do grupo de pessoas

     Há uma separação social visível no grupo reunido de autoridades/elites. Homens vestindo ternos claros (comuns para o clima tropical), chapéus de aba (estilo panamá ou similar) e sapatos sociais. No centro/esquerda, destaca-se também uma figura com farda militar/policial, indicando a presença de autoridade ostensiva.

 Há também a presença de trabalhadores/população local,  pessoas ao redor e nas pontas trajando roupas mais simples, chapéus de palha e calças folgadas, representando os moradores locais ou trabalhadores da obra.

Contexto histórico e político

       A data 18 de Setembro de 1937 é crucial. Ocorre a menos de dois meses do golpe de 10 de novembro de 1937, que instaurou o Estado Novo por Getúlio Vargas.

   Em setembro de 1937, o governador ( interventor) do Rio Grande do Norte era Rafael Fernandes Gurjão (que governou de 1935 a 1943, permanecendo como interventor federal após o golpe). Muito provavelmente, o homem de terno claro em evidência no centro da imagem é o próprio Rafael Fernandes.

A seca e as obras públicas

   O Nordeste brasileiro passava por constantes crises de estiagem. A inauguração ou inspeção de poços públicos com chafarizes e reservatórios era um grande acontecimento político, simbolizando "progresso", ação estatal e alívio para a população do semiárido/sertão.

Relevância documental

     Esta imagem é um documento histórico rico que ilustra a modernização do interior; o uso de tecnologia (cataventos de ferro) para convivência com a seca no interior potiguar, a ritualística da política coronelista/estadual, a necessidade de deslocamento da comitiva governamental para "inaugurar" ou "visitar" obras básicas, reforçando o paternalismo estatal.

 A memória local

   Este é um registro valioso para a história do município de Touros e da comunidade da "Baixinha", assim como para o resgate da memória do acesso a água na região do Mato Grande.

Colorização por Inteligência Artificial 


domingo, 12 de julho de 2026

SOBRE A ANTIGA CAPELA DE IGAPÓ

      O belo registro trata-se da histórica Capela de Santa Cruz, localizada no tradicional bairro de Igapó, na Zona Norte de Natal. Fundada originalmente em 11 de julho de 1920, o templo é um patrimônio centenário de extrema relevância para a identidade e expansão da capital potiguar.

Capela de Santa Cruz, Igapó. Data ignorada.

    Abaixo, apresento uma análise detalhada dos aspectos arquitetônicos, históricos e sociais evidentes na imagem:

Arquitetura e estrutura do templo

      A capela exibe traços de um estilo eclético simples com forte influência colonial, típico das igrejas do início do século XX no interior e periferias urbanas do Nordeste.

    O frontão é escalofriado desenhando uma silhueta em degraus (escalonada), que emoldura a torre e dá imponência ao edifício principal.

          A torre central é integrada ao corpo da capela. A capela de Santa Cruz tem uma torre sineira única e centralizada, posicionada diretamente acima do portal principal. Ela conta com um arco pleno para o sino e uma cúpula facetada semicircular (estilo bulboso) encimada por uma pequena cruz.

     Três portas com arcos na fachada (uma principal central e duas laterais menores) garantiam o fluxo dos fiéis. O corpo do templo segue uma nave única e comprida, visível pela lateral com suas janelas verticais.

O entorno e a paisagem urbana

    À direita da igreja, destaca-se um imponente cruzeiro de pedra (ou concreto) sobre uma base escalonada. Esse elemento é um marco de fundação territorial e de devoção católica, muito comum no nascimento das comunidades urbanas.

      O entorno exibe a simplicidade da antiga Natal da primeira metade do século XX. Casas baixas com telhado de argila e uma vegetação marcada por coqueiros balançados pelo vento, remetendo à proximidade com as margens do Rio Potengi.

Aspecto social e humano

       O elemento mais rico da fotografia é o grupo de moradores (adultos e muitas crianças) posicionado solenemente à frente da porta principal. Esse tipo de registro costumava ser feito em ocasiões festivas, como o dia da inauguração, festas de padroeiros ou após as missas dominicais, provando que a capela sempre foi o ponto focal de convergência social e cultural do bairro de Igapó.

Nota histórica

    Nas décadas seguintes, essa região passou por profundas modificações urbanas, e a própria capela sofreu reformas estruturais significativas ao longo do século XX para acompanhar o crescimento da Zona Norte. Atualmente, a praça em frente ao templo homenageia o memorável Padre Tiago Theisen, figura central no desenvolvimento social daquela comunidade.

Colorização por Inteligência Artificial.



sexta-feira, 10 de julho de 2026

SOBRE AS ESCOLAS RADIOFÔNICAS DE TAIPU

        Em 11/03/1958 o jornal Tribuna do Norte noticiou que seriam inataladas inicialmente 10 Escolas Radiofônicas em Taipu.

    Havia o interesse por parte da Emissora de Educação Rural (Rádio Rural de Natal) na instalação das referidas escolas radiofônicas em Taipu.

    De acordo com o referido jornal: "Prosseguindo na série de visitas aos municípios, esteve terça-feira, em Taipú, um representante da Emissora de Educação Rural Ltda. Como nos demais lugares, anteriormente percorridos, o interesse de Taipú pela emissora, também é grande.(Tribuna do Norte, 11/03/1958, p.5).

    Rádio especializada para o campo, vem de encontro aos anseios do nosso sertanejo, apresentando uma programação educativa, ao lado de muita música, noticiário, novena, palestras, etc. Em maio estará no ar, podendo desta data em diante qualquer receptor captar a Emissora de Educação Rural, na frequência de 1.80 kcs."

Em Taipu

      Durante a permanência do representante da rádio rural em Taipu foi realizado terça-feira, às 20 horas, no Centro Social local, uma reunião para explanação sobre a Emissora e o objetivo das Escolas Radiofônicas, compareceram autoridades e o povo em geral.

    Na quarta-feira foram visitadas as localidades de Contador, Poço Branco e Gameleira, povoados onde funcionarão Escolas Radiofônicas.

Localização das Escolas

    Dado ao interesse local e aos entendimentos mantidos seriam instalados no município de Taipu, logo após o início de funcionamento da Emissora de Educação Rural, Escolas Radiofônicas em Poço Branco, Gameleira, Cajueiro, Boa Vista, Contador, Barreto, Maracajaú e na sede do município.

    Havia possibilidades de colocação de escolas radiofônicas, brevemente, em Juazeiro, Serra Pelada e Duas Passagens.

    Este recorte jornalístico documenta um projeto educacional significativo para a região de Taipu.

     O projeto visava atender aos "anseios do nosso sertanejo" através de uma rádio especializada que oferecia programação educativa, noticiários, palestras e música.

    A iniciativa previa a instalação inicial de 10 escolas radiofônicas, cobrindo diversas localidades do município, como Poço Branco, Gameleira, Cajueiro, Boa Vista, Contador, Barreto, Maracajaú, a sede do município, com possibilidades de expansão para Juazeiro, Serra Pelada e Duas Passagens.

     A realização de uma reunião no Centro Social local, com a presença de autoridades e da população em geral, evidencia o esforço coletivo para a implementação desse sistema de ensino radiofônico em Taipu.

        As Escolas Radiofônicas de Taipu funcionaram até meados da décadad e 1970.

 

SOBRE A MATERNIDADE DE TAIPU

    Segundo o jornal Tribuna do Norte pela Associação de Proteção à Maternidade de Taipu vinha funcionando a Maternidade de Taipu, que foi inaugurada a 12 de maio de 1957, no dia das Mães.(Tribuna do Norte, 03/01/1958, p.5).

    Em 03/01/1958 o mesmo jornal registrou que "A frente da Maternidade de Taipú vamos encontrar o pe. Luiz Lucena, vigário local, e o sr. Severino Guedes, presidente do Centro Social. Ambos oferecem a melhor de sua colaboração em prol daquele estabelecimento.(Op.Cit).

    Todavia, convém ressaltar que o autor da iniciativa de uma Maternidade para Taipu, foi do Pe. José Luiz da Silva, antigo vigário local.

    Por outro lado, o prefeito Tamires Miranda vinha colaborando incansavelmente com a Maternidade com 8 mil cruzeiros, para cobrir parte das despesas.

    Na esfera estadual, a atuação do Secretário de Estado da Saúde tinha sido das melhores, colaborando na medida do possível, com a Maternidade de Taipu.

    “Com poucos recursos financeiros, técnicos e materiais, vem atendendo às necessidades da Região. Tem apenas 3 leitos e boas instalações e um enfermeiro, atendem satisfatoriamente os clientes”.(op.Cit).

    Estes registros destacam o esforço comunitário e político para estabelecer serviços de saúde básicos em Taipu.

     A Maternidade de Taipu foi inaugurada em 12 de maio de 1957, no dia das Mães, sendo uma iniciativa inicialmente proposta pelo antigo vigário local, o padre José Luiz da Silva.

     O funcionamento da instituição contava com o apoio de lideranças locais, como o vigário Luiz Lucena e o presidente do Centro Social, Severino Guedes, além do suporte financeiro do prefeito Tamires Miranda e da colaboração da Secretaria de Estado da Saúde.

Prédio onde funcionou inicialmente a meternidade APAMI de Taipu

     O relato descreve uma estrutura modesta ("poucos recursos financeiros, técnicos e materiais", "apenas 3 leitos"), mas enfatiza o impacto positivo no atendimento às necessidades da região.

        A maternidade APAMI de Taipu foi uma grande obra social da paróquia de Taipu que funcionou até o ano de 2024 quando foi extinta.O prédio da maternidade estava situado a rua Cel. Manoel Eugênio, centro de taipu.

Prédio da matenridade APAMI de Taipu a rua Cel. Manoel Eugênio,1983.


APAMI de Taipu, 2002


APAMI de Taipu, 2004

Ruinas do prédio da maternidade APAMI de Taipu, 2011.






SOBRE A CRIAÇÃO DA PARÓQUIA DE CERRO-CORÁ

      Por decreto Diocesano assinado pelo Bispo Diocesano de Caicó, D. José Adelino Dantas, foi criada a Paróquia de Cerro Corá 28 abril de 1957.

     Em 01/05/1957 o jornal Tribuna do Nort ergistrou que o Bispo Diocesano de Caicó assinou decreto criando a Paróquia de Cerro Corá, que até então pertencia à paróquia de Currais Novos.


Igreja matriz de Cerro-Corá

       A criação da nova paróquia se revestiu de caráter festivo, tendo sido realizadas, dia 28 de abril, solenidades na sede do município, onde seria, igualmente, instalada a sede da paróquia.

    A sessão solene, na matriz de Cerro-Corá, foi presidida pelo Bispo Diocesano, D. José Adelino Dantas, e secretariada pelo Vereador Major Severino Bezerra de Andrade.

    Estiveram presentes altas autoridades, inclusive o Prefeito municipal, industrial Sérvulo Pereira de Araújo, toda a Câmara Municipal, o Monsenhor Paulo Herôncio, Vigário de Currais Novos, o Padre Osório Galvão, o Capuchinho Frei Geraldo, Major Rubens Pereira, o deputado Wilson Pereira e representações religiosas das Capelas de Sítio de Dentro, Lagoa Nova e Recanto, que passaram a pertencer à nova Paróquia de Cerro Corá.

    O Decreto Diocesano foi assinado nessa solenidade pelo Bispo D. José Adelino e lido aos presentes pelo Monsenhor Paulo Herôncio.

    Usaram da palavra na ocasião, o Bispo da Diocese, o Prefeito Sérvulo Pereira, o representante de Lagoa Nova, Sr. José Luis Victor e o Monsenhor Paulo Herôncio. (Tribuna do Norte, 01/05/1957,p.4).

    Este recorte jornalístico documenta um marco administrativo e religioso importante para a região Seridó, assim como para a cidade de Cerro-Corá.

     A criação da Paróquia de Cerro-Corá representou a autonomia em relação à Paróquia de Currais Novos, à qual pertencia anteriormente.

     Com a nova estruturação, as comunidades (capelas) de Sítio de Dentro, Lagoa Nova e Recanto passaram a integrar a nova paróquia.

     A solenidade, descrita com "caráter festivo", contou com a presença de diversas figuras de autoridade, demonstrando a relevância do evento para o município na época, unindo esferas civis (Prefeito, Câmara, Deputado) e eclesiásticas (Bispo, Monsenhor, Padre, Frei).

SOBRE A FESTA DO INVERNO EM TAIPU EM 1957

    Em 01/05/1957 o jornal Tribuna do Norte registrou que haveria a Festa do Inverno, promovida pela JAC (Juventude Agrária Católica) de Taipu.

    Segundo o referido jornal: "Festa inédita participará o povo de Taipú nos dias 9 a 12 de maio. Estará assim reunida naquele município toda a comunidade local para comemorar e agradecer a Deus as Riquezas das Chuvas”.(Tribuna do Norte, 01/05/1957, p.4).

    Assim sendo, era a primeira vez que se realizaria aquela festa e provalvmente em beneficio das obras da igreja matriz que se estavam realizando naquele ano.

Significado cultural

    A  "Festa do Inverno" em Taipu, era um evento que celebrava a gratidão pelas chuvas. Em regiões onde a agricultura e a vida cotidiana dependem fortemente do ciclo de precipitações, essa celebração reflete uma profunda conexão entre fé religiosa e o calendário natural.

O protagonismo da JAC

    O evento era promovido pela JAC (Juventude Agrária Católica). A JAC teve um papel fundamental no Brasil, especialmente entre as décadas de 1950 e 1960, na formação de jovens rurais, incentivando a conscientização social e o desenvolvimento comunitário através da ótica cristã.

Caráter inédito

      Ao descrever a celebração como uma "Festa inédita", o registro jornalístico sublinha o aspecto inovador da iniciativa para a época, marcando uma ocasião especial de união para toda a "comunidade local".

O programa

    Estava assim organizado o programa da Festa:

Dia 9 — Quinta-feira — Mocidade. A chuva molha a terra, tornando-a fecunda.

     Ás  6h30 hs — Missa Recitada;

     Ás  10h15 horas — Círculos de Estudo no Centro Social;

    Ás  17h00 horas — Bênção dos campos;

    Ás 19h00 horas — Pregação — A graça cai sobre a mocidade tornando-a feliz

     — Bênção — Cinema.

Dia 10 — Sexta-feira — Páscoa das crianças

    Caiu a chuva do Céu.

    Ás 6h30 horas — Missa com cânticos.

    Ás 10h15 horas — Reunião para crianças.

    Ás  17h00 horas — Bênção nos campos contra lagartas

    Ás 19h00 horas — Pregação — Louvai o menino, ao Senhor

     — Bênção — Cinema.

Dia 11 — Sábado:

    Ás  7h00 horas — Missa explicada.

    Ás 10h00 horas — Programa na Amplificadora Paroquial.

    Ás 17h00 horas — Bênção dos rebanhos.

    Ás 19h00 horas — Pregação — Trabalhar na terra, por amor de Deus, também é rezar.

      — Bênção — Cinema.

Dia 12 — 3º domingo de Páscoa — Dia das Mães — Páscoa das mães 

    A terra molhada dá à planta a seiva que robustece o fruto.

     Ás  6h30 horas — Missa (Páscoa das mães).

    A Eucaristia dá à mãe a graça que robustece os filhos.

    Ás  9h00 horas — Missa solene (cantada) em Ação de Graças pelo inverno deste ano.

    Ás  16h00 horas — No Centro Social — preleção para os agricultores.

    A planta para ser frondosa é preciso aparar os galhos que lhe roubam a seiva. A mãe é como a planta.

    Confissão para os homens — Sorteio de campinadeiras, enxadas, carroça e outros materiais agrícolas.

    Ás 19h00 horas — Procissão luminosa de Nossa Senhora de Fátima na véspera de sua aparição.

    Missa da páscoa dos agricultores, coroando a "Festa do Inverno".

    Este programa reforçava a forte ligação entre o cotidiano rural, a fé religiosa e a natureza:

Simbologia agrária e religiosa

     O programa utilizava a metáfora da chuva como uma bênção divina ("A chuva molha a terra, tornando-a fecunda" e "Caiu a chuva do Céu").

Proteção das colheitas

     Um aspecto interessante é a menção à "Bênção nos campos contra lagartas", que demonstra como a religiosidade era integrada às preocupações práticas da agricultura local, buscando proteção espiritual para as plantações contra pragas.

Atividades da época

    A programação incluía elementos comuns de eventos paroquiais daquele período, como a celebração de missas, momentos de formação (Círculos de Estudo, reuniões para crianças) e o entretenimento noturno com "Cinema".

    A programação do sábado reforçava a natureza rural da festividade, incluindo a "Bênção dos rebanhos" e a pregação que une trabalho e fé: "Trabalhar na terra, por amor de Deus, também é rezar".

Tecnologia e comunicação

    A menção ao "Programa na Amplificadora Paroquial" ilustra o uso de sistemas de som locais — muito comuns na época em cidades pequenas — para levar informações e mensagens religiosas a toda a comunidade.

    O final da programação conclui com um forte tom educativo e prático:

Apoio à produção

     O "Sorteio de campinadeiras, enxadas, carroça e outros materiais agrícolas" demonstra que a festa tinha uma função concreta de auxílio ao desenvolvimento técnico da lavoura local.

Conexão espiritual e prática

      A "preleção para os agricultores" e a "Missa da páscoa dos agricultores" consolidam a proposta do evento de integrar a vida religiosa com o trabalho e o sustento da terra.

Encerramento

    A procissão luminosa de Nossa Senhora de Fátima, realizada na véspera de sua aparição, fecha o ciclo de celebrações com um elemento importante da devoção mariana no Brasil.

     Este é mais um episódio para fortalecer a memória local assim como da paróquia de Taipu.