domingo, 26 de julho de 2026

ASPECTOS DE JOÃO CÂMARA EM 1986

As imagens a baixo mostram aspectos da cidade de João Câmara em 1986 onde é possível perceber a configuração da cidade em meados da década de 1980. As imagens foram publicadas em diversas edições do jornal Tribuna do Norte no contexto dos abalos sísmicos ocorridos entre junho e novembro de 1986 no qual resultou em graves consequências para a cidade como os danos estruturais em prédios públicos e residências assim como o abandono da população que quase desertificou a zona urbana do município tamanho foi o pânico da população.

Aspectos de um parque de diversões na praça principal de João Câmara vendo-se em destaque a igreja matriz.

Caminhão do corpo de bombeiros em frente a matriz de João Câmara 

Aspectos de uma rua em João Câmara 

Aspectos noturno de uma rua em João Câmara 

Aspectos da praça principal de João Câmara em 1986.



 

quarta-feira, 22 de julho de 2026

MEMÓRIA DOS ABALOS SÍSMICOS EM TAIPU EM 1986

        Entre junho e novembro de 1986 a região do Mato Grande vivenciou uma série de abalos sísmicos de grandes proporções que causou pânico e desespero em grande parte da população. O maior abalo sentido ocorreu na cidade de João Câmara atingido 5.3 na Escala Richter, parâmetro que mede a intensidade dos tremores de terra, sendo que uma ocorrência dessa magnitude é considerada já um terremoto. As consequências foram devastadoras com rachaduras em casas e prédios públicos, o que forçou o abandono de muitos moradores da cidade de João Câmara. Os abalos foram sentidos em todas as demais cidades da região do Mato Grande. 

      Em Taipu, a população também vivenciou o medo e apreensão dos abalos sísmicos. Casas racharam, famílias inteiras passavam a noite acampadas em barracas em frente as suas residências com medo de desabamentos.As imagens do jornal Tribuna do Norte mostram aspectos de Taipu na altura do cemitério e nelas é possível ver pessoas com malas, possivelmente se retirando da cidade com medo dos abalos. 

       As imagens foram publicadas no referido jornal para ilustrar os abalos em João Câmara, na ocasião o carro do jornal passando pela BR 406 em Taipu viu a situação de famílias fugindo dos tremores que também estavam sendo sentidos em Taipu. 

    Este ano de 2026 ocorre os 40 anos das ocorrências mais devastadoras dos abalos sísmicos da região do Mato Grande. Embora não seja motivo para comemoração é sempre bom trazer a tona a memória desses eventos que tanto impactaram a vida dos moradores de Taipu a época.

Imagem colorizada por Inteligência Artificial.

Imagem colorizada por Inteligência Artificial.

Passagem de nível da BR 406 em Taipu, 1986.

Cemitério de Taipu, 1986.


Fonte: imagens originais: Tribuna do Norte, 21/08/1986, p. 1. Imagens coloridas: colorizadas por Inteligência Artificial.

PS. A Lei Orgânica do Município de Taipu prevê que sejam ministradas noções de simbologias em escolas públicas do município como forma de educar a população para conviver com esse fenômeno geólogico, que embora imprevisível, é totalmente compreensível.

Pesquisa: João Santos, 21/07/2026.

terça-feira, 21 de julho de 2026

MEMÓRIA DO ACESSO A ÁGUA NO MATO GRANDE

      Esta é uma fotografia histórica valiosa que registra um momento importante de infraestrutura e política no interior do Rio Grande do Norte durante o período do Estado Novo (década de 1930).

      Trata-se da visita do interventor federal no Rio Grande do Norte ao poço público construído em cooperação com a IFOCS na localidade da Baixinha,no município de Touros em 18/09/1937, conforme indica a legenda da foto.

Poço público da IFOCS na Baixinha, Touros.

   O poço era constituído de catavento, com  reservatório de alvenaria de capacidade de 10.000 litros e chafariz.

     Dominando o lado direito da composição, a torre metálica do catavento (utilizado para bombear água do poço artesiano) é o elemento de maior destaque técnico. Ao fundo, vê-se a estrutura do reservatório de alvenaria com placa comemorativa.

Composição do grupo de pessoas

     Há uma separação social visível no grupo reunido de autoridades/elites. Homens vestindo ternos claros (comuns para o clima tropical), chapéus de aba (estilo panamá ou similar) e sapatos sociais. No centro/esquerda, destaca-se também uma figura com farda militar/policial, indicando a presença de autoridade ostensiva.

 Há também a presença de trabalhadores/população local,  pessoas ao redor e nas pontas trajando roupas mais simples, chapéus de palha e calças folgadas, representando os moradores locais ou trabalhadores da obra.

Contexto histórico e político

       A data 18 de Setembro de 1937 é crucial. Ocorre a menos de dois meses do golpe de 10 de novembro de 1937, que instaurou o Estado Novo por Getúlio Vargas.

   Em setembro de 1937, o governador ( interventor) do Rio Grande do Norte era Rafael Fernandes Gurjão (que governou de 1935 a 1943, permanecendo como interventor federal após o golpe). Muito provavelmente, o homem de terno claro em evidência no centro da imagem é o próprio Rafael Fernandes.

A seca e as obras públicas

   O Nordeste brasileiro passava por constantes crises de estiagem. A inauguração ou inspeção de poços públicos com chafarizes e reservatórios era um grande acontecimento político, simbolizando "progresso", ação estatal e alívio para a população do semiárido/sertão.

Relevância documental

     Esta imagem é um documento histórico rico que ilustra a modernização do interior; o uso de tecnologia (cataventos de ferro) para convivência com a seca no interior potiguar, a ritualística da política coronelista/estadual, a necessidade de deslocamento da comitiva governamental para "inaugurar" ou "visitar" obras básicas, reforçando o paternalismo estatal.

 A memória local

   Este é um registro valioso para a história do município de Touros e da comunidade da "Baixinha", assim como para o resgate da memória do acesso a água na região do Mato Grande.

Colorização por Inteligência Artificial 


domingo, 12 de julho de 2026

SOBRE A ANTIGA CAPELA DE IGAPÓ

      O belo registro trata-se da histórica Capela de Santa Cruz, localizada no tradicional bairro de Igapó, na Zona Norte de Natal. Fundada originalmente em 11 de julho de 1920, o templo é um patrimônio centenário de extrema relevância para a identidade e expansão da capital potiguar.

Capela de Santa Cruz, Igapó. Data ignorada.

    Abaixo, apresento uma análise detalhada dos aspectos arquitetônicos, históricos e sociais evidentes na imagem:

Arquitetura e estrutura do templo

      A capela exibe traços de um estilo eclético simples com forte influência colonial, típico das igrejas do início do século XX no interior e periferias urbanas do Nordeste.

    O frontão é escalofriado desenhando uma silhueta em degraus (escalonada), que emoldura a torre e dá imponência ao edifício principal.

          A torre central é integrada ao corpo da capela. A capela de Santa Cruz tem uma torre sineira única e centralizada, posicionada diretamente acima do portal principal. Ela conta com um arco pleno para o sino e uma cúpula facetada semicircular (estilo bulboso) encimada por uma pequena cruz.

     Três portas com arcos na fachada (uma principal central e duas laterais menores) garantiam o fluxo dos fiéis. O corpo do templo segue uma nave única e comprida, visível pela lateral com suas janelas verticais.

O entorno e a paisagem urbana

    À direita da igreja, destaca-se um imponente cruzeiro de pedra (ou concreto) sobre uma base escalonada. Esse elemento é um marco de fundação territorial e de devoção católica, muito comum no nascimento das comunidades urbanas.

      O entorno exibe a simplicidade da antiga Natal da primeira metade do século XX. Casas baixas com telhado de argila e uma vegetação marcada por coqueiros balançados pelo vento, remetendo à proximidade com as margens do Rio Potengi.

Aspecto social e humano

       O elemento mais rico da fotografia é o grupo de moradores (adultos e muitas crianças) posicionado solenemente à frente da porta principal. Esse tipo de registro costumava ser feito em ocasiões festivas, como o dia da inauguração, festas de padroeiros ou após as missas dominicais, provando que a capela sempre foi o ponto focal de convergência social e cultural do bairro de Igapó.

Nota histórica

    Nas décadas seguintes, essa região passou por profundas modificações urbanas, e a própria capela sofreu reformas estruturais significativas ao longo do século XX para acompanhar o crescimento da Zona Norte. Atualmente, a praça em frente ao templo homenageia o memorável Padre Tiago Theisen, figura central no desenvolvimento social daquela comunidade.

Colorização por Inteligência Artificial.



sexta-feira, 10 de julho de 2026

SOBRE AS ESCOLAS RADIOFÔNICAS DE TAIPU

        Em 11/03/1958 o jornal Tribuna do Norte noticiou que seriam inataladas inicialmente 10 Escolas Radiofônicas em Taipu.

    Havia o interesse por parte da Emissora de Educação Rural (Rádio Rural de Natal) na instalação das referidas escolas radiofônicas em Taipu.

    De acordo com o referido jornal: "Prosseguindo na série de visitas aos municípios, esteve terça-feira, em Taipú, um representante da Emissora de Educação Rural Ltda. Como nos demais lugares, anteriormente percorridos, o interesse de Taipú pela emissora, também é grande.(Tribuna do Norte, 11/03/1958, p.5).

    Rádio especializada para o campo, vem de encontro aos anseios do nosso sertanejo, apresentando uma programação educativa, ao lado de muita música, noticiário, novena, palestras, etc. Em maio estará no ar, podendo desta data em diante qualquer receptor captar a Emissora de Educação Rural, na frequência de 1.80 kcs."

Em Taipu

      Durante a permanência do representante da rádio rural em Taipu foi realizado terça-feira, às 20 horas, no Centro Social local, uma reunião para explanação sobre a Emissora e o objetivo das Escolas Radiofônicas, compareceram autoridades e o povo em geral.

    Na quarta-feira foram visitadas as localidades de Contador, Poço Branco e Gameleira, povoados onde funcionarão Escolas Radiofônicas.

Localização das Escolas

    Dado ao interesse local e aos entendimentos mantidos seriam instalados no município de Taipu, logo após o início de funcionamento da Emissora de Educação Rural, Escolas Radiofônicas em Poço Branco, Gameleira, Cajueiro, Boa Vista, Contador, Barreto, Maracajaú e na sede do município.

    Havia possibilidades de colocação de escolas radiofônicas, brevemente, em Juazeiro, Serra Pelada e Duas Passagens.

    Este recorte jornalístico documenta um projeto educacional significativo para a região de Taipu.

     O projeto visava atender aos "anseios do nosso sertanejo" através de uma rádio especializada que oferecia programação educativa, noticiários, palestras e música.

    A iniciativa previa a instalação inicial de 10 escolas radiofônicas, cobrindo diversas localidades do município, como Poço Branco, Gameleira, Cajueiro, Boa Vista, Contador, Barreto, Maracajaú, a sede do município, com possibilidades de expansão para Juazeiro, Serra Pelada e Duas Passagens.

     A realização de uma reunião no Centro Social local, com a presença de autoridades e da população em geral, evidencia o esforço coletivo para a implementação desse sistema de ensino radiofônico em Taipu.

        As Escolas Radiofônicas de Taipu funcionaram até meados da décadad e 1970.

 

SOBRE A MATERNIDADE DE TAIPU

    Segundo o jornal Tribuna do Norte pela Associação de Proteção à Maternidade de Taipu vinha funcionando a Maternidade de Taipu, que foi inaugurada a 12 de maio de 1957, no dia das Mães.(Tribuna do Norte, 03/01/1958, p.5).

    Em 03/01/1958 o mesmo jornal registrou que "A frente da Maternidade de Taipú vamos encontrar o pe. Luiz Lucena, vigário local, e o sr. Severino Guedes, presidente do Centro Social. Ambos oferecem a melhor de sua colaboração em prol daquele estabelecimento.(Op.Cit).

    Todavia, convém ressaltar que o autor da iniciativa de uma Maternidade para Taipu, foi do Pe. José Luiz da Silva, antigo vigário local.

    Por outro lado, o prefeito Tamires Miranda vinha colaborando incansavelmente com a Maternidade com 8 mil cruzeiros, para cobrir parte das despesas.

    Na esfera estadual, a atuação do Secretário de Estado da Saúde tinha sido das melhores, colaborando na medida do possível, com a Maternidade de Taipu.

    “Com poucos recursos financeiros, técnicos e materiais, vem atendendo às necessidades da Região. Tem apenas 3 leitos e boas instalações e um enfermeiro, atendem satisfatoriamente os clientes”.(op.Cit).

    Estes registros destacam o esforço comunitário e político para estabelecer serviços de saúde básicos em Taipu.

     A Maternidade de Taipu foi inaugurada em 12 de maio de 1957, no dia das Mães, sendo uma iniciativa inicialmente proposta pelo antigo vigário local, o padre José Luiz da Silva.

     O funcionamento da instituição contava com o apoio de lideranças locais, como o vigário Luiz Lucena e o presidente do Centro Social, Severino Guedes, além do suporte financeiro do prefeito Tamires Miranda e da colaboração da Secretaria de Estado da Saúde.

Prédio onde funcionou inicialmente a meternidade APAMI de Taipu

     O relato descreve uma estrutura modesta ("poucos recursos financeiros, técnicos e materiais", "apenas 3 leitos"), mas enfatiza o impacto positivo no atendimento às necessidades da região.

        A maternidade APAMI de Taipu foi uma grande obra social da paróquia de Taipu que funcionou até o ano de 2024 quando foi extinta.O prédio da maternidade estava situado a rua Cel. Manoel Eugênio, centro de taipu.

Prédio da matenridade APAMI de Taipu a rua Cel. Manoel Eugênio,1983.


APAMI de Taipu, 2002


APAMI de Taipu, 2004

Ruinas do prédio da maternidade APAMI de Taipu, 2011.






SOBRE A CRIAÇÃO DA PARÓQUIA DE CERRO-CORÁ

      Por decreto Diocesano assinado pelo Bispo Diocesano de Caicó, D. José Adelino Dantas, foi criada a Paróquia de Cerro Corá 28 abril de 1957.

     Em 01/05/1957 o jornal Tribuna do Nort ergistrou que o Bispo Diocesano de Caicó assinou decreto criando a Paróquia de Cerro Corá, que até então pertencia à paróquia de Currais Novos.


Igreja matriz de Cerro-Corá

       A criação da nova paróquia se revestiu de caráter festivo, tendo sido realizadas, dia 28 de abril, solenidades na sede do município, onde seria, igualmente, instalada a sede da paróquia.

    A sessão solene, na matriz de Cerro-Corá, foi presidida pelo Bispo Diocesano, D. José Adelino Dantas, e secretariada pelo Vereador Major Severino Bezerra de Andrade.

    Estiveram presentes altas autoridades, inclusive o Prefeito municipal, industrial Sérvulo Pereira de Araújo, toda a Câmara Municipal, o Monsenhor Paulo Herôncio, Vigário de Currais Novos, o Padre Osório Galvão, o Capuchinho Frei Geraldo, Major Rubens Pereira, o deputado Wilson Pereira e representações religiosas das Capelas de Sítio de Dentro, Lagoa Nova e Recanto, que passaram a pertencer à nova Paróquia de Cerro Corá.

    O Decreto Diocesano foi assinado nessa solenidade pelo Bispo D. José Adelino e lido aos presentes pelo Monsenhor Paulo Herôncio.

    Usaram da palavra na ocasião, o Bispo da Diocese, o Prefeito Sérvulo Pereira, o representante de Lagoa Nova, Sr. José Luis Victor e o Monsenhor Paulo Herôncio. (Tribuna do Norte, 01/05/1957,p.4).

    Este recorte jornalístico documenta um marco administrativo e religioso importante para a região Seridó, assim como para a cidade de Cerro-Corá.

     A criação da Paróquia de Cerro-Corá representou a autonomia em relação à Paróquia de Currais Novos, à qual pertencia anteriormente.

     Com a nova estruturação, as comunidades (capelas) de Sítio de Dentro, Lagoa Nova e Recanto passaram a integrar a nova paróquia.

     A solenidade, descrita com "caráter festivo", contou com a presença de diversas figuras de autoridade, demonstrando a relevância do evento para o município na época, unindo esferas civis (Prefeito, Câmara, Deputado) e eclesiásticas (Bispo, Monsenhor, Padre, Frei).

SOBRE A FESTA DO INVERNO EM TAIPU EM 1957

    Em 01/05/1957 o jornal Tribuna do Norte registrou que haveria a Festa do Inverno, promovida pela JAC (Juventude Agrária Católica) de Taipu.

    Segundo o referido jornal: "Festa inédita participará o povo de Taipú nos dias 9 a 12 de maio. Estará assim reunida naquele município toda a comunidade local para comemorar e agradecer a Deus as Riquezas das Chuvas”.(Tribuna do Norte, 01/05/1957, p.4).

    Assim sendo, era a primeira vez que se realizaria aquela festa e provalvmente em beneficio das obras da igreja matriz que se estavam realizando naquele ano.

Significado cultural

    A  "Festa do Inverno" em Taipu, era um evento que celebrava a gratidão pelas chuvas. Em regiões onde a agricultura e a vida cotidiana dependem fortemente do ciclo de precipitações, essa celebração reflete uma profunda conexão entre fé religiosa e o calendário natural.

O protagonismo da JAC

    O evento era promovido pela JAC (Juventude Agrária Católica). A JAC teve um papel fundamental no Brasil, especialmente entre as décadas de 1950 e 1960, na formação de jovens rurais, incentivando a conscientização social e o desenvolvimento comunitário através da ótica cristã.

Caráter inédito

      Ao descrever a celebração como uma "Festa inédita", o registro jornalístico sublinha o aspecto inovador da iniciativa para a época, marcando uma ocasião especial de união para toda a "comunidade local".

O programa

    Estava assim organizado o programa da Festa:

Dia 9 — Quinta-feira — Mocidade. A chuva molha a terra, tornando-a fecunda.

     Ás  6h30 hs — Missa Recitada;

     Ás  10h15 horas — Círculos de Estudo no Centro Social;

    Ás  17h00 horas — Bênção dos campos;

    Ás 19h00 horas — Pregação — A graça cai sobre a mocidade tornando-a feliz

     — Bênção — Cinema.

Dia 10 — Sexta-feira — Páscoa das crianças

    Caiu a chuva do Céu.

    Ás 6h30 horas — Missa com cânticos.

    Ás 10h15 horas — Reunião para crianças.

    Ás  17h00 horas — Bênção nos campos contra lagartas

    Ás 19h00 horas — Pregação — Louvai o menino, ao Senhor

     — Bênção — Cinema.

Dia 11 — Sábado:

    Ás  7h00 horas — Missa explicada.

    Ás 10h00 horas — Programa na Amplificadora Paroquial.

    Ás 17h00 horas — Bênção dos rebanhos.

    Ás 19h00 horas — Pregação — Trabalhar na terra, por amor de Deus, também é rezar.

      — Bênção — Cinema.

Dia 12 — 3º domingo de Páscoa — Dia das Mães — Páscoa das mães 

    A terra molhada dá à planta a seiva que robustece o fruto.

     Ás  6h30 horas — Missa (Páscoa das mães).

    A Eucaristia dá à mãe a graça que robustece os filhos.

    Ás  9h00 horas — Missa solene (cantada) em Ação de Graças pelo inverno deste ano.

    Ás  16h00 horas — No Centro Social — preleção para os agricultores.

    A planta para ser frondosa é preciso aparar os galhos que lhe roubam a seiva. A mãe é como a planta.

    Confissão para os homens — Sorteio de campinadeiras, enxadas, carroça e outros materiais agrícolas.

    Ás 19h00 horas — Procissão luminosa de Nossa Senhora de Fátima na véspera de sua aparição.

    Missa da páscoa dos agricultores, coroando a "Festa do Inverno".

    Este programa reforçava a forte ligação entre o cotidiano rural, a fé religiosa e a natureza:

Simbologia agrária e religiosa

     O programa utilizava a metáfora da chuva como uma bênção divina ("A chuva molha a terra, tornando-a fecunda" e "Caiu a chuva do Céu").

Proteção das colheitas

     Um aspecto interessante é a menção à "Bênção nos campos contra lagartas", que demonstra como a religiosidade era integrada às preocupações práticas da agricultura local, buscando proteção espiritual para as plantações contra pragas.

Atividades da época

    A programação incluía elementos comuns de eventos paroquiais daquele período, como a celebração de missas, momentos de formação (Círculos de Estudo, reuniões para crianças) e o entretenimento noturno com "Cinema".

    A programação do sábado reforçava a natureza rural da festividade, incluindo a "Bênção dos rebanhos" e a pregação que une trabalho e fé: "Trabalhar na terra, por amor de Deus, também é rezar".

Tecnologia e comunicação

    A menção ao "Programa na Amplificadora Paroquial" ilustra o uso de sistemas de som locais — muito comuns na época em cidades pequenas — para levar informações e mensagens religiosas a toda a comunidade.

    O final da programação conclui com um forte tom educativo e prático:

Apoio à produção

     O "Sorteio de campinadeiras, enxadas, carroça e outros materiais agrícolas" demonstra que a festa tinha uma função concreta de auxílio ao desenvolvimento técnico da lavoura local.

Conexão espiritual e prática

      A "preleção para os agricultores" e a "Missa da páscoa dos agricultores" consolidam a proposta do evento de integrar a vida religiosa com o trabalho e o sustento da terra.

Encerramento

    A procissão luminosa de Nossa Senhora de Fátima, realizada na véspera de sua aparição, fecha o ciclo de celebrações com um elemento importante da devoção mariana no Brasil.

     Este é mais um episódio para fortalecer a memória local assim como da paróquia de Taipu.

SOBRE A REFORMA DA MATRIZ DE TAIPU

     A reforma e ampliação da igreja matriz de Taipu era um sonho e uma necessidade antiga tanto da comunidade católica, como dos padres que assumiram a paróquia na década de 1950, devido ao aumento da população e o tamanho da igreja que se tornava pequena para os atos litúrgicos.

    Coube ao Pe. José Luiz da Silva dá inicio aos trabalhos de ampliação da matriz.

    Para realizar a obra grandiosa além de contar com a ajuda dos católicos taipuenses, a paróquia realizou diversos eventos para auxiliar no andamento dos serviços.

    Em 12/01/1957 o jornal Tribuna do Norte registrou que naquele dia uma grande festa se realizaria, na cidade de Taipu, onde toda a renda seria revertida na construção da torre da Matriz de Taipu.(Tribuna do Norte, 12/01/1957, p.4).

    Desde o dia 4 de janeiro que vinha sendo executado o programa organizado pelo padre José Luiz, vigário de Taipu, e que tem como objetivo reverter o resultado líquido da Festa, na construção da Torre da Matriz.

    Ainda segundo o citado jornal: “O trabalho do Padre José Luiz, bem auxiliado pelo Prefeito Tamires Miranda e demais autoridades locais, é destes que merece todo o apoio e que, desde o início, tem contado com a mais franca ajuda de todos os taipuenses que já ofertaram mais de 30 garrotes para o grande Leilão a ser levado a efeito”.(Op.Cit).

       Na imagem a baixo a igreja matriz de Taipu vendo-se o inicio das obras de ampliação da igreja.

Arquivo da paróquia de Taipu.

       Duas interessantes barracas foram construídas no pátio da igreja, recebendo as mesmas os nomes do ABC e América.

       A festa seria encerrada, com o seguinte programa:

       Dia 13 de Janeiro — Ás 6h30 Missa com cânticos — Primeira Comunhão

      Ás 9h00: Missa solene, com a presença do Bispo Auxiliar D. Eugênio Sales;

      Às 16,00, Procissão de Encerramento. (Op.Cit).

    Este  é um registro valioso da história local e das dinâmicas sociais de meados do século XX em Taipu. Alguns pontos se destacam:

Engajamento comunitário

    O texto ilustra como, naquela época, a construção de obras de grande porte (como a torre de uma igreja Matriz) dependia fundamentalmente da mobilização popular e de eventos beneficentes organizados pela paróquia.

    A doação de "30 garrotes" para um leilão é um exemplo claro de uma economia baseada em bens rurais sendo revertida para fins comunitários.

Vida política e religiosa

     A menção ao "Prefeito Tamires Miranda" trabalhando em conjunto com o "Padre José Luiz" demonstra a tradicional união entre as esferas de poder público e religioso no interior brasileiro da época.

Figura histórica

    A presença de Dom Eugênio Sales (que viria a se tornar Cardeal e uma figura de grande relevância nacional na Igreja Católica) para uma "Missa solene" confere um caráter de importância regional ao evento, sugerindo que a festa era um marco significativo para a cidade.

Curiosidade cultural

    A existência de barracas nomeadas "ABC" e "América" no pátio da igreja revela a forte influência da rivalidade dos clubes de futebol potiguares (o "Clássico Rei" do RN) até mesmo em eventos religiosos e festivos daquele tempo.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

SOBRE O PROJETO NEOGÓTICO DA NOVA CATEDRAL DE NATAL

         As imagens a seguir  apresentam  uma proposta arquitetônica de estilo neogótico clássico, caracterizada por elementos como as torres agulhadas (flechas), o grande rosáceo central na fachada e os arcos ogivais, típicos dessa estética que buscava resgatar a grandiosidade das catedrais medievais europeias.

Reconstituição por inteligência artificial

Reconstituição por inteligência artificial.

      Sobre o projeto de George Monier para a Catedral de Natal, datado de 1933, é importante destacar alguns pontos:

     O projeto de Monier é um capítulo fascinante na história da arquitetura de Natal. Em 1933, buscava-se uma nova identidade para o centro religioso da capital potiguar, e o neogótico era, na época, um dos estilos mais prestigiados para edifícios institucionais e religiosos, transmitindo perenidade e autoridade espiritual.

A estética Neogótica

     Diferente da proposta moderna da atual catedral metropolitana, o projeto de 1933 era extremamente ornamental e verticalizado.

     O foco estava na complexidade dos detalhes em pedra, na simetria rigorosa das torres e na dramaticidade da fachada, elementos que se afastam completamente do minimalismo que o modernismo, décadas depois, traria para a construção que foi efetivamente executada em Natal.

O "Sonho" que não se concretizou

     O projeto de George Monier reflete uma visão que não chegou a sair do papel da maneira pretendida, mantendo-se hoje como uma peça importante do acervo histórico e documental da arquitetura potiguar.

    Era um projeto ousado idealizado por Dom Marocolino Dantas, então Bispo de Natal, que acreditava que a capital potiguar merecia uma catedral a altura do seu desenvolvimento socioeconômico a época.

    Ele simboliza o desejo daquela época de dotar a cidade com uma "catedral monumental" seguindo os moldes europeus de grande tradição cristã.

    Analisar esse projeto e compará-lo ao estilo adotado para  a nova catedral de Natal na década de 1970 ajuda a compreender como o pensamento arquitetônico em Natal mudou radicalmente em menos de 40 anos: passamos de um desejo pelo historicismo clássico e decorativo para o arrojo estrutural do concreto armado e das formas geométricas puras.


Reconstituição por inteligência artificial

Tribuna do Norte,29/10/1967,p.17.