Esta é uma fotografia histórica valiosa que registra um momento importante de infraestrutura e política no interior do Rio Grande do Norte durante o período do Estado Novo (década de 1930).
Trata-se da visita do interventor federal no Rio Grande do Norte ao poço público construído em cooperação com a IFOCS na localidade da Baixinha,no município de Touros em 18/09/1937, conforme indica a legenda da foto.
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| Poço público da IFOCS na Baixinha, Touros. |
O poço era constituído de catavento, com reservatório de alvenaria de capacidade de 10.000 litros e chafariz.
Dominando o lado direito da composição, a torre metálica do catavento (utilizado para bombear água do poço artesiano) é o elemento de maior destaque técnico. Ao fundo, vê-se a estrutura do reservatório de alvenaria com placa comemorativa.
Composição do grupo de pessoas
Há uma separação social visível no grupo reunido de autoridades/elites. Homens vestindo ternos claros (comuns para o clima tropical), chapéus de aba (estilo panamá ou similar) e sapatos sociais. No centro/esquerda, destaca-se também uma figura com farda militar/policial, indicando a presença de autoridade ostensiva.
Há também a presença de trabalhadores/população local, pessoas ao redor e nas pontas trajando roupas mais simples, chapéus de palha e calças folgadas, representando os moradores locais ou trabalhadores da obra.
Contexto histórico e político
A data 18 de Setembro de 1937 é crucial. Ocorre a menos de dois meses do golpe de 10 de novembro de 1937, que instaurou o Estado Novo por Getúlio Vargas.
Em setembro de 1937, o governador ( interventor) do Rio Grande do Norte era Rafael Fernandes Gurjão (que governou de 1935 a 1943, permanecendo como interventor federal após o golpe). Muito provavelmente, o homem de terno claro em evidência no centro da imagem é o próprio Rafael Fernandes.
A seca e as obras públicas
O Nordeste brasileiro passava por constantes crises de estiagem. A inauguração ou inspeção de poços públicos com chafarizes e reservatórios era um grande acontecimento político, simbolizando "progresso", ação estatal e alívio para a população do semiárido/sertão.
Relevância documental
Esta imagem é um documento histórico rico que ilustra a modernização do interior; o uso de tecnologia (cataventos de ferro) para convivência com a seca no interior potiguar, a ritualística da política coronelista/estadual, a necessidade de deslocamento da comitiva governamental para "inaugurar" ou "visitar" obras básicas, reforçando o paternalismo estatal.
A memória local
Este é um registro valioso para a história do município de Touros e da comunidade da "Baixinha", assim como para o resgate da memória do acesso a água na região do Mato Grande.
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| Colorização por Inteligência Artificial |


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