sábado, 8 de junho de 2019

A BULA DE CRIAÇÃO DA DIOCESE DE CAICÓ



         Quando se cria uma diocese é expedido pela Santa Sé um documento denominado Bula que é enviado a Nunciatura Apostólica do Brasil que por sua vez a remete a Diocese de origem e por sua vez a remete a diocese criada. O documento é escrito em latim.Eis a seguir o teor da bula de criação da diocese de Caicó, traduzida e publicada do original em latim pelo jornal A Ordem.
PIO, BISPO SERVO DOS SERVOS DE DEUS, AD PERPETUAM REI MEMORIAM
         Das Dioceses, que pela vasta extensão do território dificilmente podem ser governadas por um só Antistite, embora vigilantíssimo, julgamos oportuno separar uma parte e nela erigir novas Dioceses, para que aumentando o número de Pastores, possa o rebanho do Senhora receber frutos mais abundantes.
         Considerando, portanto, estas coisas, e com o conselho dos Nossos Veneráveis Irmãos os Cardeais da Santa Igreja Romana, Propostos a Sagrada Congregação Consistorial, e após voto favorável do Venerável irmão Bento Aloisi Marselia, Arcebispo na Republica Brasileira, resolvemos com a melhor boa vontade anuir aos pedidos do Venerável Irmão Marcolino de Souza Dantas, Bispo de Natal, o qual Nos pediu que, para maior utilidade dos fiéis cristãos, fosse separada uma parte do vasto território de sua Diocese, na qual pudesse ser criada uma nova Diocese.
         Suprido, pois, quanto necessário, o consentimento daqueles a quem interessar ou que presumem lhes interessar, pela plenitude de Nosso poder apostólico subtraímos da referida Diocese de Natal a parte do território que compreende duas paróquias existentes no município de Caicó, e as paróquias dos municípios de Currais Novos, Acari, Jardim do Seridó, Parelhas, Serra Negra, Flores e constituímos e erigimos do território assim separado uma nova Diocese, que na cidade de Caicó, queremos e decretamos seja chamada diocese de Caicó.
         Os limites desta nova Diocese serão: ao Norte os montes da Serra de Santana, a Leste as serras do Doutor, do Ingá e os limites do Estado da Paraíba; ao Sul e ao Oeste os limites do mesmo Estado.
         Constituímos a sede da mesma Diocese na cidade de Caicó, da qual a mesma Diocese, como já dissemos, tomará o nome; além disso a elevamos a dignidade de Cidade Episcopal e lhe atribuímos todos os privilégios e direitos, de que gozam as outras cidades episcopais.
         Fixamos a Catedra episcopal na Igreja Paroquial dedica a Deus em honra de Santa’Ana, existente na mesma cidade, e a elevamos ao grau e à dignidade de Igreja Catedral e lhes  concedemos e aos seus Bispos todos os direitos, privilégios, honras, insígnias, favores e graças, de que gozam e desfrutam, por direito comum, as demais Igrejas Catedrais e seus Prelados, e lhes impomos os ônus e as obrigações  a que estão sujeitos as outras Igrejas Catedrais e seus Antistites.
         Constituímos, além disso, a Diocese de Caicó sufragânea da Igreja Metropolitana da Paraíba, e submetemos seus Bispos ao direito metropolitano do Arcebispo da Paraíba.
         Como, porém, as circunstâncias do tempo presente não permitem que nesta nova Diocese seja constituído logo um Cabido de Cônegos, concedemos que por enquanto em lugar dos cônegos sejam escolhidos e nomeados Consultores Diocesanos de acordo com o Direito.
         Mandamos também que, quanto antes, seja fundado ao menos o Seminário Menor de acordo com as prescrições do Código e as normas das universidades de Estudos, e que também sejam enviados a custa da nova Diocese de Caicó, ininterruptamente, dois jovens escolhidos, ou  ao menos um, para esta alma Cidade, para que sejam educados no Pontifício Seminário Brasileiro, como esperanças da Igreja.
         No que, porém, se refere a Direção, e Administração dessa nova Diocese, a eleição do Vigário Capitular ou do Administrador “Sede Vacante”, aos direitos e obrigações dos clérigos e dos fiéis, e a outras coisas semelhantes, que devem ser observadas, ordenamos o que prescrevem os sagrados cânones a respeito.
         Quanto ao clero, determinamos que no mesmo tempo em que as Letras de ereção desta nova Diocese forem executadas, sejam considerados a ela incardinados os clérigos que legitimamente habitam em seu território.
         Constituirão a Mesa episcopal os emolumentos da Cúria, as ofertas que costumam fazer os fieis, em cujo beneficio foi criada a Diocese, além do que para esse  fim já foi reunido.
Queremos finalmente que os Documentos e Atos referentes a Diocese de Caicó,aos seus clérigos e fieis, sejam entregues pela Cúria da Diocese de Natal à cúria da nova Diocese, para se conservarem em seu arquivo.
         Delegamos para executar tudo que acima foi disposto e constituído, o Venerável Irmão bento Aloisi Masella, Núncio Apostólico na República Brasileira, acima nomeado, a quem concedemos todas as faculdades para isso necessária e oportunas, também de subdelegar para efeito de que se trate, qualquer homem constituído em dignidade eclesiástica, e lhe impomos a obrigação de enviar, quanto antes, à Sagrada Congregação Consistorial um autêntico exemplar da execução dos Atos.
         Estas presentes Letras e tudo que nelas está contido mesmo que aqueles a quem interessar ou que presumirem lhes interessar. Dignos embora de menção especifica e individual, não tenham sido ouvidos ou não tenham consentido, em tempo algum podem ser controvertidas ou impugnadas por vicio de subrpração, obpreção, de nulidade ou intenção Nossa, e por qualquer outro defeito, mesmo substancial ou inadvertido, pois por ciência certa e plenitude do poder feitas e emanadas, ficam e permanecem válidas, obtém e alcançam sues íntegros e plenos efeitos, e devem ser inviolavelmente observadas por aqueles a quem se refere; se, pelo contrário, acontecer que se atente algo contra elas, seja por quem for revestido de qualquer autoridade, por ciência ou ignorância, queremos e determinamos que seja inteiramente nulo e irrito, não obstando, enquanto possível, as regras contrárias publicadas nos Concílios Sinodais, Provinciais, Gerais ou Universais, e as Constituições ou Ordenações Apostólicas especiais, e qualquer outras Disposições contrárias dos Romanos Pontífices, Nossos Predecessores, mesmo dignas de especial menção, todas as quais derrogamos pelas Presentes.
         Queremos finalmente que se dê o valor que se dá a estas Letras as suas cópias mesmo impressa, se exibidas ou mostradas, constando que sejam assianda pelo punho de algum escrivão público e munidas com o selo de um varão constituído em oficio e dignidade eclesiástica.
          A ninguém, pois, é licito contradizer este documento de desmembração, ereção, concessão, sujeição, estatuto, mandamento, delegação, derrogação e vontade Nossa.
         Se alguém, contudo, temerariamente o presumir, atentar, reconheça-se ter incorrido na indignação de Deus Onipotente e dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo.
         Dado em Roma, em São Pedro, no ano do Senhor mil novecentos e trinta e nove, no dia vinte e cinco do mês de novembro, primeiro ano do Nosso Pontificado.
(a)  Cardial Rossi-Secretário da Congregação Consistorial.
Pio Cardial Boggiano-Chanceler da S. Igreja Romana.
Jorge  Stara Tedde-Adjunto dos Estudos da Chanc.Apost.
Alfredo Vitalli-Protonotário Apostólico.
Francisco Anibal Ferretti-Protonotário apostólico.
Domingo Francini-Escriturário Apostólico.
     Expedida no dia 17 de Janeiro , do ano primeiro do Pontificado.
Pelo Oficial do Selo Pontificio
Alfredo Marini.
Reg. Na Chancelaria Apostólica Vol. LXII, n. 48
Luis Trussardi.
Transcrito tal qual traduzido pelo jornal A Ordem (27/07/1940, p.1-2).
         O papa que criou a Diocese de Caicó foi Pio XII.Enquanto não foi nomeado o primeiro bispo e este tomasse posse da Diocese foi nomeado como Administrador Diocesano Sede Vacante Dom Marcolino Dantas, bispo de Natal.

                                               Catedral de Caicó


O BISPADO DE CAICÓ



         O próximo mês marcará o aniversário de 80 anos da criação do Bispado de Caicó que ocorreu em 1939, por isso demos início a uma série de postagens sobre a referida circunscrição eclesiástica do Seridó potiguar.
Quando foi criada a diocese de Natal o bispado compreendia todo o território do estado do Rio Grande do Norte. Em 1934 foi criado o bispado de Mossoró, instalado no ano seguinte. Em 1939 foi a vez de ser criada a diocese de Caicó cujo o bispado abrangeria toda a região do Seridó potiguar.
         A ideia de dividir o território do Rio Grande do Norte em outras dioceses se iniciou com o segundo bispo de Natal, dom Antonio dos Santos Cabral, diante da extrema necessidade pastoral e administrativa, dom José Pereira Alves prosseguiu com as iniciativas, mas foi com Dom Marcolino Dantas que as ideias se efetivaram.

O patrimônio da futura diocese
No Paço Episcopal em Natal estiveram no dia 28/08/1937 com o bispo Dom Marcolino Dantas, o padre Ambrósio silva, vigário de Acari e o Sr. Dinarte Mariz, para em nome da comissão encarregada de completar o patrimônio da futura diocese de Caicó, fazer entrega da importância que faltava para completar o citado patrimônio. O auxilio foi na quantia de 40 contos de réis. O patrimônio total era de 200 contos, sendo 100 contos em apólices federais e 100 contos em apólices estaduais.
         Foi dado assim, mais um passo no sentido de ser constituído no Estado mais uma Diocese e por consequência, mais foco de irradiação religiosa, moral e social do Estado. (A ORDEM, 29/08/1937, p.1).

           A baixo a igreja matriz de Caicó que seria elevada a dignidade de Catedral com a criação do bispado.

A publicação da bula de criação da diocese de Caicó
         No encerramento da festa de Santa Ana, padroeira de Caicó, em 26/07/1940, realizou-se antes da missa solene uma sessão magna para a leitura da Bula “E Dioccesibus” com que foi criada a nova Diocese de Caicó.
Representando Dom Marcolino Dantas, foi presidente dessa sessão o monsenhor Paulo Heroncio, por delegação especial do referido bispo.
         Esteve presente todos os sacerdotes e prefeitos do Seridó, como também todas as demais autoridades da cidade.
         A sessão teve como orador oficial o pe. Walfredo Gurgel, Vigário da Catedral. O prefeito de Caicó, Inácio Dias, saudou Dom Marcolino Dantas, em nome do Seridó na pessoa do seu digno representante.
         Durante a solenidade tocaram em frente a catedral a Banda de Música local Recreio Caicoense.

sexta-feira, 7 de junho de 2019

AS 7 MARAVILHAS DE NATAL



         O cronista social Veríssimo de Melo lançou em sua coluna do jornal O Poti uma enquete com a seguinte pergunta: Quais as 7 maravilhas da Cidade do Natal? A enquete teve 21 respostas publicadas entre os dias 29/11/1955 e 28/01/1956 (com um hiato entre os dias 26/12/1955 e 07/01/1956).
         Segundo o referido cronista “naturalmente, Natal tem muitas maravilhas, no bom sentido do vocábulo, porque, no sentido pejorativo, tem inúmeras.Eu quero saber quais as sete maravilhas verdadeiras”.
Ficou curioso pra saber quem foi que respondeu a enquete e quais foram as 7 maravilhas por eles listadas da capital potiguar? Não matarei o dileto leitor de curiosidade, ei-las:
            Quais as sete maravilhas da cidade do natal?
         Foi  o próprio Veríssimo de Melo quem iniciou as responder a enquete (O POTI, 29/11/1955, p.7):
1. A ponta do Pinto em Areia Preta, o local mais fotografado da cidade.
2. A enseada de Ponta Negra, numa tarde de sol.
 3. A torre da Igreja de Santo Antonio.
4. O rio Potengi visto ao crepúsculo.
5. As estátuas dos garotos na entrada do Grupo Escolar Augusto Severo.
6. O Forte dos Reis Magos, apesar do abandono em que se encontra.
7. Cascudinho[1].
         O escritor Câmara Cascudo foi o segundo a responder a enquete. Eis a sua lista (O POTI, 30/11/1955, p.7):

1. Minha casa brasileira, “com Certeza”.
2. A praia de Areia Preta.
3. A enseada de Ponta Negra.
4. Crepúsculo no Potengi.
5. Luar na areia.
6. O Forte do Reis Magos.
7. Manhã de sol.
Segundo Veríssimo de Meloa lista foi feita  num encontro casual onde o escritor Luis da Câmara Cascudo, sem titubear fez sua lista das 7 maravilhas de Natal.Pelo menos 3 das 7 maravilhas coincidiram com as de Veríssimo de Melo.
A senhorita Clarisse Palma, poetisa, fundadora do Clube dos Sete, figura de destaque social e artístico da cidade respondeu da seguinte forma (O POTI, 02/12/1955, p.7):
1. O céu, mais azul do que das outras terras[2].
2. O clima.
3. Os rochedos de Areia Preta.
4. A praia da Redinha.
5. O novo farol em Mãe Luiza[3].
6. O crepúsculo no Potengi.
7. A ponta da praia de Mãe Luiza, com aquela casinha branca rodeada de coqueiros e a qual dediquei uma poesia, há anos, quando ali havia apenas uma palhoça.
         Em 04/12/1955 foi a vez do pintor Newton Navarro responder (O POTI, 04/12/1955,p.15):
1. A casa da minha avó, a av. Rio Branco, n. 697.
2. Os versos de Otoniel Meneses.
3. Uma véspera de Reis, a noitinha, no alto da Limpa.
4. Os morros do Tirol.
6. O Potengi e a Casa de Cascudo, que são a mesma coisa[4].
7. O trio Albmar, Neto e modestamente este seu criado...
Bruno Pereira, magistrado, jornalista dos mais combativos e brilhantes da terra, membro da Academia Norteriograndense de Letras fez a sua lista (O POTI, 06/12/1955,p.7):
1.A Escola Doméstica, monumento imperecível a memória de Henrique Castriciano.
2. O céu, nos promontórios da estação das chuvas[5].
3. Os morros numerosos do Tirol, na paz elisea das tardes[6].
4. A subida do rio até Macaíba, à luz das estrelas[7].
5. O panorama da cidade visto de avião.
6. A partida das jangadas dos pescadores para o alto mar, aos primeiros albores da manhã.
7. O Forte dos Reis, inerme sentinela de um passado heroico e sempre vivo.
O juiz de direito Eutiquiano Reis fez a seguinte lista (O POTI, 07/12/1955, p.7):
1. Vida e paixão do Atlântico, na Circular[8].
2. A Fortaleza.
3.A Escola Doméstica.
4.A “Yemanjá”.
5.L’heure Du Berger, no “Grande Ponto”.
6.tugúrio da Jaguarari.
7.Os silêncios noturnos da cidade.
Em 08/12/1955 Romulo Wanderley, jornalista, advogado, professor respondeu (O POTI,08/12/1955,p.7):
1.O mar.
2.A Fortaleza dos Reis Magos.
3.As peixadas e caraguejadas.
4. Newton, Albmar e outros cidadãos do mesmo padrão[9].
5. As noites de luar na praia de Areia Preta.
6. O rio Potengi.
7..................................................................................[10].
         O advogado, professor e jornalista João Medeiros Filho respondeu (O POTI, 10/12/1955, p.7):
1. O clima do Tirol.
2. O caju da Redinha, do sitio de Baroncio Guerra.
3. O carnaval no Aeroclube.
4. A vista do mar da balaustrada de Petropólis.
5. A vida provinciana e amiga,s em a batalha do Rio de Janeiro.
6. Conviver com Veríssimo de Melo, Câmara Cascudo e outros bichos...
7. O estado de sitio, sem execução.
         O fiscal de consumo do Recife, Potiguar Fernandes, num encontro na av. Tavares de Lyra, foi pedido que respondesse a enquete sobre as sete maravilhas da cidade do Natal, ao que ele adiantou:
         “- Pois não. A minha resposta é esta” (O POTI, 11/12/1955, p.7):
1. Luis da Câmara Cascudo.
2. Luis da Câmara Cascudo.
3. Luis da Câmara Cascudo.
4. Luis da Câmara Cascudo.
5. Luis da Câmara Cascudo.
6. Luis da Câmara Cascudo.
7. Luis da Câmara Cascudo.
O contista José Pinto Junior apresentou a seguinte lista (O POTI, 13/12/1955, p.7):
1. A radiodifusora ultrassônica de Luiz Romão.
2. O conjunto residencial para operários da Estada de Ferro Sampaio Correia.
3. O Matadouro Público Municipal (igual ao de Chicago).
4. A inspetoria de Transito de Natal.
5. O serviço de transporte coletivos, inclusive o de bondes da Força e Luz.
6. O relógio da Estação Central da Sampaio Correia (de noite trabalha com um só ponteiro luminoso e faz todos o serviço).Entretanto, o relógio da balaustrada da Junqueira Aires é pior.
7. O serviço de Assistência a Mendicância.
         A lista de José Pinto Junior era uma critica feroz as coisas da cidade a época.
         O professor de português José do Patrocínio fez essa lista.(O POTI, 17/12/1955, p.7):
1. As tertúlias do Bar Cisne, mas com os amigos Dr. João Medeiros Filho, Vivi, prof. Saturnino de Paiva, Melquiades e com outros que, as vezes, se nos apresentam a nós.
2. A candidata pela Academia Potiguar de Línguas ao Concurso de Miss 1955, Srta. Nina Carvalho[11].
3. Uma reunião do clube dos Inocentes, na casa de Cascudo.
4. As festas dos concludentes neste mês de dezembro.
5. O Instituto de Educação, tendo como diretores Protássio Melo e Celestino Pimentel.
6. Palestrar com o crítico literário Antonio Pinto.
7. De apreciar as grandes realizações do Governo Silvio Pedroza no setor educacional.
         Em 18/12/1955 o escritor João Alfredo Cortez (Conde de Miramonte[12]), autor de Cinza de Coivara, apresentou a seguinte lista. (O POTI, 18/12/1955, p.7):
1. O teatro Carlos Gomes, que é uma joia arquitetônica de rara beleza[13].
2. O soberbo conjunto de edifícios e luxuriante com arborização da Base Naval, que ameniza o calor tropical.Entretanto, houve alguém que quase derrubou todas as arvores de Natal, deixando-a caustica pela inclemência do sol a favor dos “pés de pau”.
3.A Avenida Circular, quando está repleta de donas boas.
4. A Praça Pio X, antes de ser construída a “atual Catedral, que veio inutilizar o último logradouro público que ainda nos restava”.
5. A Srta. Maria José Varela, Miss Rio Grande do Norte.
6. O Castelo Miramonte (modéstia a parte) que foi construído apenas para os amigos dedicados assinarem seus nomes na torre.
7. Imprópria a resposta até a sétima geração.
         A lista do professor José Saturnino de Paiva foi esta (O POTI, 21/12/1955, p.7):
1. Entregar dois cruzeiros ao condutor de auto-lotação e ouvir-lhe perguntar: Tem quinhentos réis ai?
2. Perguntar a empregada: O café está pronto?
3. Não senhor. A água não chegou.
4. Ir ao cinema, dia de série. Sentar-se junto de um analfabeto que pagou o ingresso de um camarada para lesse as legendas do filme, a aguentar a chateação, firme, até o fim.
5. Pedir uma cerveja bem gelada. Ouvir o garçom dizer não temos Bhrama, porém posso arranjar ali defronte, a 22 cruzeiros cada “tubo”.
6. Ouvir censuras de semianalfabeto a jornalistas e escritores, porque, contrariam esta ou aquela regrinha de uma gramática insulsa e indigesta.
7. Saber que existe alguém que se delicia lendo, pela manhã,as reportagens e “enquetes” de Veríssimo de Melo, em “ O Poti”.
         Com exceção da sétima, todas eram coisas curiosas que existiam na cidade.
         O teatrólogo Sandoval Wanderely fez a sua lista na antevéspera do Natal (O POTI, 23/12/1955, p.7):
1. A Maternidade Januario Cicco.
2. O Teatro Carlos Gomes.
3. A Escola Doméstica.
4. A Base Naval.
5. A Base Aérea de Parnamirim.
6. O Instituto de Educação.
7. A Av. Presidente Café Filho (Circular).
         O diretor do Instituto de Educação, Gurmecindo Saraiva fez a sua lista na véspera de Natal (O POTI, 24/12/1955, p.7):
1. Parnamirim[14].
2. A devoção do Padre João Maria[15].
3. O Instituto de Música.
4. A Fortaleza dos Reis Magos.
5. A Avenida Circular.
6. A Ponte de Igapó.
7. Miguel Ferreira Neto.
No dia de Natal o cronista social Paulo Macedo apresentou sua lista das Sete Maravilhas de Natal (O POTI, 25/12/1955,p.7):
1. A garota Ana Tereza, “beleza, simpatia e distinção”, filha do Sr. Durval Paiva.
2. A reportagem social de “O Poti”.
3. A presença do Prof. Antonio Pinto de Medeiros no setor educacional da cidade.
4. A palestra da Srta. Nina Carvalho, Miss Praia 1955.
5. A Praia de Ponta Negra.
6. O Palácio do Rádio.
7. A água.
         Em 08/01/1956 o tenente Luiz Viana, potiguar de Taipu, residente no Rio de Janeiro e segundo Verisismo de Melo, jornalista, poeta, filosofo a Krishamurt, apolítico, assim respondeu a enquete (O POTI, 08/01/1955, p.7):
1. O clima.
2. Areia Preta.
3. Praia do Meio.
4. O  Potengi.
5. A Redinha.
6. Ponta Negra.
7. A mulher natalense.
         Otoniel Meneses, o príncipe dos poetas natalenses, assim fez sua lista (O POTI, 13/01/1955,p.7):
1. O Albergue Noturno.
2. As 4 palmeiras do Colégio dos Salesianos.
3. O Potengi, visto do patamar da  Igreja do Rosário.
4. O instituto de Educação.
5. A escola gratuita Raquel Figner, no bairro do Carrasco.
6.O ABC F.C.
7. O bisturi de José Tavares.
         O último a responder a enquete foi o cônego Jorge O’Grady de Paiva (O POTI, 28/01/1956,p.7):
1. Forte dos Reis Magos.
2. Palácio do Governo.
3. Traçado da Cidade Alta.
4. Ponte de Igapó.
5. Parnamirim.
6. Farol da praia do Pinto.
7. Escola Doméstica.
Segundo o citado sacerdote era digno de menção o questionário sobre as 7 maravilhas da Cidade, “em que a diversidade de opiniões revelava quanto havia, realmente, de singular e admirável em nossa capital”.
         E vós, ó pobre mortal leitor, que não foi consultado pelo finado jornal O Poti se quiser fazer sua lista das 7 maravilhas de Natal nesse humilde blog esteja a vontade para o fazer nos comentários.





[1] O Escritor Luis da Câmara Cascudo. Cascudinho era seu apelido.
[2] Exagero poético.
[3] Que havia sido inaugurado no ano anterior.
[4] Bajulação poeticamente exagerada.
[5] Hoje em dia as chuvas na capital potiguar são prenuncio de calamidade na cidade.
[6] Se refere as dunas que chegavam te o atual Parque das Dunas, a época eram os limites naturais inabitados da capital.
[7] De fato paisagem edílica.
[8] Avenida  Circular, que começa nas proximidades do atual prédio da Caixa Econômica  até o Baldo onde se descortina uma panorâmica do rio Potengi.
[9] Artistas, intelectuais, etc.
[10] Não elencou a sétima maravilha deixando a mesma provavelmente para apreciação do leitor do jornal.
[11] Naquele tempo concursos de misses eram coisas sérias.
[12] O titulo era meramente figurativo.
[13] Atual Alberto Maranhão.
[14] A época era distrito de Natal.
[15] Hoje nem tanto.

O RELÓGIO DA ESTAÇÃO CENTRAL DE NATAL



         Aos serem inauguradas as estações ferroviárias se inaugurava igualmente um novo costume na cidade, o de marcar o tempo pelas partidas e chegadas dos trens, por isso eram instalados relógios visíveis aos olhos dos passageiros e transeuntes.


         Pelos que se analisa das imagens da antiga estação ferroviária da Ribeira, inaugurada em 27/09/1881, o relógio deveria ser instalado no salão principal interno da mesma, pois não se veem o equipamento no frontispício externo do prédio.
         Entre 1948 e 1949 o edifício da  estação central da Ribeira passou por uma ampla remodelação arquitetônica e nessa reforma foi instalado o relógio externo na fachada voltada para a Praça Augusto Severo.A instalação do equipamento agradou não somente aos usuários dos trens da EFSc mas também aos funcionários do comércio do entorno da praça, dos funcionários de repartições públicos e transeuntes em geral.
       A baixo detalhe da fachada da antiga estação da Ribeira,onde se percebe que não havia relógio na fachada externa




         A novidade, porém, durou pouco, pois já em 07/02/1951 o jornal A Ordem dizia: Há vários dias que o relógio da Estação loca da Estrada de Ferro “Sampaio Correia”, perdeu a noção do tempo.Ora adiantava, ora atrasava, fazendo com que as pessoas que se orientam por ele, cheguem adiantadas ou atrasadas nas Repartições onde trabalham”.(A ORDEM,07/02/1951, p.1).
Noutra edição o mesmo jornal dizia: o relógio da estação local da Estrada de Ferro “Sampaio Correia” amanheceu sem os ponteiros.Não sabemos se estão no conserto ouse foram retirados de uma vez.O certo é que não se vê mais aquelas duas enormes setas apontando os números no mostrador do velho cronometro que permanece no alto do prédio da “Sampaio Correia”.Acontece, porém, que o relógio está fazendo falta a muita gente que por ele se orientava.Será que vai permanecer assim por muito tempo? (A ORDEM, 02/12/1951, p.4).
O relógio elétrico da estação da Ribeira
Em 08/01/1955 foi inaugurado um novo relógio elétrico mandado construir pela direção da EFSC que assim substituiu o havia ali na fachada da estação.
Tratava-se do primeiro e até então único relógio elétrico existente na capital potiguar e segundo o jornal O Poti “estamos certos que prestará inestimáveis serviços a população, principalmente as pessoas que trabalham no comércio”.(O POTI,09/01/1955,p.16).
A baixo é possível ver o relógio da fachada da estação da Ribeira


         Em 1957 se dizia no jornal Diário de Natal: “não temos até agora, no centro da cidade, um ponto de atender aos olhares de uma população que se distribui por muitos setores de trabalho e de passeio, um relógio certo, grande, elevado e de confiança”(DIÁRIO DE NATAL,17/08/1957,p.5).
Em 08/05/1959 o Diário de Natal publicava que: “estamos sem saber como regular os nossos relógios, Natal ainda não possui um mostrador central de confiança nessa questão de hora certa, que envolve tantos interesses da atividade social”.
         O velho relógio da catedral estava restrito a um minguado trecho da cidade. As sirenes da Usina da Força e Luz davam as primeiras horas úteis, mas com alguma confusão e sem mecanismo preciso. As horas fornecidas pelos programas de rádio nunca coincidiam e os relógios “suíços” muitas vezes enganavam o cidadão.
         O tal gigante da EFSC embirrou com o povo da cidade e resolveu não trabalhar mais, acabando com a paciência e o crédito dos melhores mecânicos especialistas, o esqueleto artístico da Junqueira Aires era uma lembrança histórica de um bom governador como foi Alberto Maranhão. (DIÁRIO DE NATAL,08/05/1959,p.5).
         Inegavelmente, Natal não dispunha de relógio público, apenas funcionavam com certa regularidade os que estavam instalados na torre da Catedral e o do frontispício da estação da EFSC, este último, entretanto, regulava normalmente, alguns dias por semana, porque raramente o viam marcando as horas com exatidão.
Por ser elétrico o relógio da EFSC sofria constantes panes, deixando a todos que se orientavam por seus ponteiros em verdadeira confusão. Os ponteiros quebravam e a noite o mostrador luminoso permanecia apagado.
        Em 1975 o grande relógio da fachada da estação Ferroviária da Ribeira havia sido retirado sem qualquer explicação, quebrando uma tradição presente em quase todas as grandes estações ferroviárias do país.
      Na imagem a baixo pode-se vê a fachada da estação sem o relógio que havia sido retirado em 1975.


       Nas imagens seguintes vê-se  o relógio que foi reposto na fachada da estação central da Ribeira, desta vez um pouco menor que o que fora posto na década de 1950.