quarta-feira, 12 de junho de 2019

O PROJETO DO PALÁCIO EPISCOPAL DE NATAL


          O palácio episcopal é a residência do bispo/arcebispo de uma diocese/arquidiocese. Em Natal a residência episcopal se localiza na rua Santo Antonio em frente a igreja de mesmo nome na Cidade Alta, nunca foi considerado um palácio episcopal.
        Foi um casarão adquirido quando se preparavam as diligências para a criação do Bispado de Natal que fora criado em 29/12/1909.Ali os bispos passaram a residir e até hoje e assim permanecem.
         Ao que nos consta os 3 primeiros bispos de Natal não fizeram questão da modesta residência destinada a suas altas dignidades episcopais, pois as prioridades da nascente Diocese natalense eram outras mais urgentes.Foi com dom Marcolino Dantas, 4º bispo de Natal que a ideia chegou a ser ventilada, porém, nunca executada.
         Dom Marcolino o fez não pela presunção de poder, mas pelo surto progressista que se refletia sobretudo nas construções modernistas que surgiam dia após dia na capital potiguar, a cidade parecia que saia da letargia e tomava impulso para o desenvolvimento socioeconômico e cultural.
         Por isso Dom Marcolino tencionava construir o Palácio Arquiepiscopal para dotar a Cidade do Natal de mais um melhoramento arquitetônico para embelezar ainda mais a capital potiguar.
      Em 24/12/1930 o suplemento do jornal A Noite publicou que em Natal  “a risonha cidade potiguar terá, dentro em breve, o seu grande e suntuoso palácio do Bispado, com suas linhas de um atraente modernismo, que o arquiteto Mário Maranhão traçou no belo projeto que temos diante dos olhos” (A NOITE, 24/12/1930, p.2).Tratava-se da imagem a baixo da maquete do referido palácio episcopal.

                                       Projeto do palácio Aruiepiscopal de Natal
Foto: A Noite, 24/12/1930, p.2.

        O mesmo projeto  do Palácio Episcopal de Natal de autoria  do arquiteto Mário Maranhão seria apresentado na exposição anual do salão da Escola de Belas Artes em maquete em 1933.
         Segundo o jornal Diário Carioca (25/08/1933, p.12) a maquete foi elogiada como um trabalho de valor onde seu autor com rara originalidade, conseguiu caracterizar, em estilo moderno, um verdadeiro Palácio de Bispo.
         Ainda de acordo com o mesmo jornal o projeto de Mario Maranhão para o Palácio Episcopal de Natal constava de 3 copos, todos tendo como motivo arquitetônico a cruz, sendo que nos corpos laterais ela foi disposta de modo a abrigar as varandas, dando a impressão de acolhimento, simbolizando dessa forma a proteção divina.A concepção não podia ser mais  feliz, dizia o referido jornal.

                                Palácio Episcopal de Natal
Foto: Diário Carioca, 25/08/1933, p.12.

         Se Dom Marcolino Dantas conseguisse levar a bom termo aquela obra, poderia se orgulhar de haver legado à Natal um verdadeiro monumento de arte moderna e o arquiteto Mario Maranhão teria, também, aumentado a série de serviços prestados ao Rio Grande do Norte pela sua tradicional família.
         O bispo de Natal adquiriu a maquete para expô-la na capital potiguar, a fim de que quanto antes, o povo tivesse a noção concreta do valor do majestoso monumento católico, a qual daria em miniatura a nítida impressão do palácio que seria mais um marco de evolução em todos os sentidos na terra potiguar.
         Já o Correio da Manhã dizia que o arquiteto Mario Maranhão apresentava muito bem com o projeto do Palácio Episcopal de Natal com a apresentação da maquete em gesso e as respectivas plantas do primeiro e segundo pavimentos.
         O corpo central do edifício era de ângulo, formado por enorme massa sóbria em forma de cruz, aparecendo ao centro em vitral o símbolo católico para ser iluminado a noite.O aspecto do conjunto agradava muito e dava bem a impressão fisionômica de um palácio religioso.O projeto de Mario Maranhão recebeu medalha de prata na exposição do salão da Escola de Belas Artes.

                                                 Mário Maranhão 
                                                                      Foto: Diário Carioca, 25/08/1933, p.12.
Em 1936 foi adquirido um terreno que seria destinado a construção do palácio dos bispos de Natal na rua Jundiaí no bairro do Petrópolis em Natal.
         Em 1944 o jornal A Ordem dizia: “parece ironia chamar-se Paço ao velho casarão em que mora  o Bispo de Natal”.
         Ainda de acordo com mesmo jornal Eloi de Souza havia escrito dias antes no jornal A república sobre a residencia do prelado natalense o qual merecia ser divulgado e pedia providências. Elói de Souza disse o que viu e o que sentiu, disse o jornal A Ordem.
         Elói de Souza ressaltou a pobreza da casa, a modéstia franciscana em que vivia Dom Marcolino Dantas, o bispo que cuidava dos outros, esquecia de si mesmo, que organizou dioceses para os outros bispos e ficou na humildade do seu bispado, contente pelo bem que fez e satisfeito com o nada que lhe restou.
         Se Dom Marcolino sentia-se bem com a modesta casa em que morava, “nós, porém, não nos podemos sentir assim”, dizia A Ordem.A Diocese de Natal precisava de uma residência para o seu bispo.
         Segundo o referido jornal foi organizada uma comissão pelo Vigário Geral do Bispado, mons. João da Matal e na qual faziam parte o vigário da catedral, os provedores das irmandades do SS Sacramento, do Passos e de São João e os presidentes das associações religiosas da cidade a fim de começar a campanha pela construção do Palácio Episcopal de Natal.
         “Vamos dar a Diocese um Palácio para o Bispo” encerrava o jornal A Ordem. (A ORDEM, 28/01/1944, p.1).
         No terreno adquirido da rua Jundiaí foi erguido pela Arquidiocese de Natal já na década de 1950 um prédio que não sei se chegou a servir de palácio episcopal, porém no prédio foram integrados os serviços sociais da arquidiocese durante o chamado Movimento de Natal e em 1954 criada a Escola de Serviço Social de Natal onde ali funcionou.Atualmente o prédio abriga a Câmara Municipal do Natal.

                                           Câmara Municipal do Natal


       O prédio atual em nada lembra o projeto original do Palácio Episcopal de Natal.

terça-feira, 11 de junho de 2019

O CENTENÁRIO DA PARÓQUIA SÃO PEDRO



Este ano de 2019 marca o centenário da paróquia de São Pedro no Alecrim que foi criada em 17/08/1919 por decreto diocesano de Dom Antonio dos Santos Cabral, o 2º bispo de Natal, tendo sido a primeira paróquia criada por ele e a segunda a ser criada na Capital Potiguar.
O território da nova paróquia foi desmembrado da paróquia Nossa Senhora da Apresentação até então a única paróquia de Natal.
Desde sua criação a paróquia de São Pedro é regida pelos padres missionários da Sagrada Família, congregação de origem alemã.
         O bairro do Alecrim foi oficialmente criado em 23/10/1911, no entanto desde o inicio do século XIX deu-se as primeiras ocupações no espaço que viria ser o bairro.Foi o 4º bairro criado na capital potiguar.Nasceu a sombra  do protetor da Igreja Católica.
         Foi o mons. Alfredo Pegado Cortez, então governador do Bispado quem colocou a pedra fundamental da igreja de São Pedro do Alecrim.

Primórdios 
         A história da paróquia pode ser contada por meio dos escritos do padre Fernando Nolte: “era o Alecrim um subúrbio quase inabitado, quando alguns principais moradores lembraram a ereção de uma igreja para a celebração do culto católico. Auxiliados pelos católicos residentes na cidade e apoiado pelas autoridade eclesiástica, os alecrinenses católicos constituíram em comissão e convidaram o Exmo e Rvmo Sr. Dom Adauto de Miranda Henriques, Bispo Diocesano,para benzer a primeira pedra da dita igreja.Este atendeu ao convite, dignando-se vir até esta cidade, laçando a primeira pedra da dita igreja, conforme se verifica da ata lavrada pelo Tabelião Público...” (DIÁRIO DE NATAL, 16/08/1950, p.6).
         A primeira capela foi construída no ângulo formado pela rua Coronel Estevam e Praça Pedro Américo (Dom Pedro) no ano de 1910 surgindo depos a a igreja de São Pedro que deu lugar a atual.
         A comissão promotora da construção da capela era composta do capitão Antonio Carvalho de Albuquerque Maranhão, Alferes Joaquim Andrade de Araújo e José Vicente ferreira, sob a presidência do Bispo Diocesano, do Adauto de Miranda Henriques, que na solenidade de lançamento da pedra fundamental,usou da palavra dizendo “estimulo os promotores de louvável empresa a fim de que não trepidem um só momento, já que de tão boa vontade tomaram sobre os seus ombros o pesado fardo, no desempenho de que a recompensa será certa e infalível desde que trate de propagar o reino de Deus sobre a Terra”. (DIÁRIO DE NATAL, 16/08/1950, p.6).
A construção da capela foi iniciada e com pouco tempo de construção, verificou-se a insuficiência da resistência da base do edificio causando deste modo algum clamor, que dia a dia aumentava.Em consequência  dos serviços mal orientados, a obra ficou paralisada certo espaço de tempo e o povo se mostrava desanimado com a construção do templo chegando alguns a murmurarem: “jamais o Alecrim possuirá uma igreja”.A própria comissão de construção tornara-se inerte. O desanimo apoderava-se de todos... (DIÁRIO DE NATAL, 16/08/1950, p.6).

Uma nova comissão
         A construção da igreja de São Pedro ia pouco a pouco caindo no esquecimento popular.As moças e rapazes que passavam na praça Pedro Américo olhavam e não divisavam que na confluência de duas ruas frente ao passeio público estavam as paredes cobertas de lodo e seu interior cheio de sujeiras e que as palavras do Bispo haviam se perdido no espaço.
A iniciativa de demolir as paredes coube ao dr. Antonio Soares, que propôs a autoridade eclesiástica, nova comissão de construção da igreja de São Pedro.
Foi iniciado uma nova construção que teve orientação do padre Fernando Nolte, missionário da Sagrada Familia, que tinha chegado a Natal com o intuito de catequizar e ajudar no apostolado do bairro que crescia na capital potiguar.
No ato de lançamento da “segunda“ pedra fundamental estavam presentes o governador Joaquim Ferreira Chaves, Antonio Soares, secretário, Aristoteles Costa, Capitão Antonio Cavalcanti de Albuquerque Maranhão, Alfredo Manso Maciel, Candido Henrique de Medeiros, Felizardo Toscano de Brito, Silvino Bezerra Neto, Antonio Basilio, Miguel Leandro (tabelião) e muitos outros nomes de destaque da época. (DIÁRIO DE NATAL, 16/08/1950, p.6).
O cônego Estevam José Dantas, morador do bairro, foi o primeiro incentivador da construção do templo, uma vez que surgia a necessidade dos moradores ouvirem a missa aos domingos e dias santos. Nos dias de preceitos os cultos religiosos era realizados na residência do cônego Estevam ou na capela do cemitério do Alecrim, obrigando o sacerdote erigir em sua própria residência uma capelinha pois, muitos dos habitantes do bairro se negavam a assistir a missa no cemitério.A capela provisória foi colocada sob a proteção de Saõ Geraldo, protetor provisório do bairro, enquanto se construía a igreja definitiva dedica a São Pedro.
Em julho de 1918, um ano e sete meses após o lançamento da 1ª pedra, Dom Antonio dos Santos Cabral, bispo diocesano, em companhia do jesuíta padre Pacheco, esteve em visita pastoral ao bairro e “distribuiu largamente ao povo os socorros e as consolações da santa religião”.Com essa visita pastoral começou a nova fase na vida religiosa do Alecrim.Criou-se o Centro do Apostolado da Oração que congregava os fieis numa espécie de associção e tendo por obrigação reunir-se toda a 1ª sexta-feira de cada mês.Seu primeiro orientador, o padre Fernando também foi encarregado por essa época de dirigir aquela porção do seu rebanho, dando jurisdição semi-paroquial e desempenhando as funções do seu ministério na capela de São Geraldo que em breve se tornaria insuficiente par ao crescente número de fiéis que pressurosos iam procurar cumprir os seus deveres de piedade.
O projeto de igreja primitiva foi encomendado pelo dr. Antonio Soares ao engenheiro Herculano Ramos.Esse projeto porém, não foi aprovado pela comissão, mas sim utilizado para a construção de uma capela no bairro do Tirol (igreja de Santa Teresinha).



A criação da paróquia
A planta aprovada pela comissão de construção de 1918 foi elaborada pelo agrimensor Luiz Ceciliano de França, servindo como base para a construção da nova igreja. Uma, já havia sido demolida na fase do “respardo” e sobre ela começaram os alicerces da atual igreja.
Esse  trabalho não se fez conforme  a planta, mas com certas variações.Depois de estudar a planta,o padre Fernando Nolte viu as circunstancias que haviam em seguir o dito projeto e de acordo com o bispo diocesano, levando em conta os trabalhos de alicerces já feitos, remodelou a planta radicalmente, e assim começou em fins de setembro de 1918 a construção conforme a nova planta, deixando esse legado o padre Fernando Nolde, no livro de Tombo da igreja de São Pedro.
É oportuno a transcrição deixada pelo vigário da paróquia do Alecrim, o padre Fernando Nolde:
Não se pode descrever essa fase dos primeiros trabalhos, sem mencionar a generosidade do Bispo Diocesano e do governador do Estado, dr. Joaquim Ferreira Chaves, que foram os braços-fortes da construção, como também dos membros da Conferencia de São Pedro que muito se prestaram para angariar donativos no bairro do Alecrim.Assim, amparados pela autoridade eclesiástica e civil e auxiliado pelo povo do bairro e da cidade empenhei-me na construção de uma PARTE da igreja, a qual se completou em principio de maio de 1919.
No dia 04/05/919, as 08h00, o monsenhor Alfredo Pegado, acolitado pelos padres Fernando Nolde e Elesbão Gurgel procedeu a benção da primeira parte da igreja que tinha sido erigida.Achavam-se presentes os representantes do governador do Estado, desembargador Horácio Barreto e o capitão Luis Júlio, muitas pessoas gradas e grande número de fiéis.
Terminado o ato religioso o mons. Alfredo Pegado fez discurso congratulando-se com o povo pelo grande melhoramento e concitou o povo a continuar e auxiliar o zeloso padre Fernando Nolde que tanto se dedicava a construção desse templo.
No dia seguinte ao da benção, foram reiniciados os trabalhos.Por inciativa de Perceval Caldas foi aberta uma subscrição para compra do sino que foi bento e colocado no dia 29/06/1919, festa do Padroeiro do Alecrim.
Quando o Bispo Diocesano dom Antonio dos Santos Cabral, voltou para uma visita pastoral viu o grande impulso que tinha tomado o bairro e no encerramento de sua visita prometeu a criação da paróquia, a segunda da capital.
No dia 17/08/1919 na Praça Pedro Américo (atual Dom Pedro II) ao som da Banda dos Escoteiros do Alecrim, juntavam-se os alunos do Grupo Escolar Frei Miguelinho, religiosos e fiéis para receberem solenemente o Bispo Diocesano e o Vigário Geral.Os sinos repicavam alegremente.Grande, e não se poderia imaginar menos, a satisfação do povo por ver coroados os seus esforços e por ter aonde mais dignamente assistir a celebração dos santos mistérios da religião.



Na voz vibrante de monsenhor Alfredo Pegado, leu-se o seguinte: Havemos por bem, usando de um poder da nossa jurisdição ordinária, dividir em duas a dita paróquia de Nossa Senhora da Apresentação desmembrando dela o território de outra paróquia com sua sede na nova igreja de São Pedro, em parte já construída no subúrbio do Alecrim e cujos limites serão os seguintes: com a Paróquia de Natal se dividirá pelo Riacho Lagoa Seca, começando do lugar que deságua no Rio Potengi  e subindo pelo seu curso que atravessa o Baldo até aquela Lagoa, onde encontra a Avenida Alexandrino de Alencar, daí seguindo na direção da mesma avenida até ao ponto em que esta vai atingir o oceano,com as freguesias de Papari (Nisia Floresta), São José de Mipibu, Macaiba e São Gonçalo; as extremas serão as mesmas que separam da Nossa Senhora da Apresentação de Natal.Dado e passado  nesta Episcopal Cidade de Natal, sob nosso sinal e selo das Nossas Armas, aos 15 de Agosto de 1919.foi assim criada a Paróquia de São Pedro, do Alecrim.
Terminada a solenidade, Dom Antonio disse o seguinte:
“O que se passa no meu coração, no coração de um Bispo, não o podeis compreender.Em um dia como o de hoje nãoé só a ereção da paróquia que me alegra, é também a escolha do seu padroeiro, aquele que é a pedra angular da Igreja.Sinto o meu coração de Bispo pulsar de um modo ainda não experimentado pois, é a PRIMEIRA PARÓQUIA que crio, depois de haver empunhado o báculo”. (DIÁRIO DE NATAL, 16/08/1950, p.6).
No mesmo dia 17 foi benta a imagem de São Pedro que saiu em procissão pelas principais ruas da cidade.


Foto: A Ordem,1935.

Durante o tempo em que a matriz esteve em reforma em 1936 as missas foram celebradas no Colégio de Nossa Senhora das Neves.
Os trabalhos de construção da primeira igreja só foram concluídos em julho de 1937 onde se gastou a importância de 8.334$000 (oito contos, trezentos e trinta e quatro mil réis).
A reforma e ampliação da matriz começou em 1950. No ano de 1951 foram iniciados os serviços de ampliação da Matriz pelo vigário padre Martinho Stensel. Foi construído um novo altar-mor, como também dois laterais, dois púlpitos e duas sacristias.
“Recompensando as lutas e dificuldades que foram empregadas para  a concretização desse obra tão importante, ela se ergue hoje ampla e majestosa dominando e e evocando o bairro do Alecrim” disse o padre José Venilson de Araújo, missionário da Sagrada Família, que foi o primeiro vigário brasileiro da paróquia do Alecrim (DIÁRIO DE NATAL, 16/08/1950, p.6).
O vigário da paróquia do Alecrim começou a executar seu plano de aumentar a tradicional igreja da praça Dom Pedro II.
Segundo jornal A Ordem naquela época o templo já estava pequeno para conter os fiéis que diariamente ali iam praticar a sua religião.
O bairro populosíssimo do Alecrim tinha em 1950 já duas paróquias, a São Pedro e a São Sebastião, daí a necessidade de ser ampliada a matriz o que seria realizado graças ao apostolado incansável do seu virtuoso pároco o Pe. Martinho.
         Quem observava aos domingos o movimento de fiéis em torno do referido templo poderia concluir como foi oportuna a ideia daquele sacerdote.As missas dominicais, na matriz de São Pedro erma muito concorridas.Todos os recantos da matriz se repetiam, horários diferentes, mas sempre uma multidão se comprimia na igreja do Príncipe da Igreja.( A ORDEM,17/05/1950,p.2).
         Os planos do padre Martinho eram sempre arrojados, como se sabiam, como, por exemplo, o amplo salão paroquial. E para a reforma da capela mor da matriz não poderia ter outra atitude.
         Idealizou e pretendia executar com as bênçãos de Deus e com o apoio do Sr. Bispo Diocesano, dom Marcolino Dantas, e dos católico em geral, uma grandiosa obra.
         O povo que sempre ajudava nas boas iniciativas, estava empolgado com a ideia do vigário do Alecrim, e tudo fazia crer que dentro em breve teria a capital potiguar um templo mais amplo, mais moderno, a altura portanto, do progresso crescente do populoso bairro do Alecrim, cuja a população não se cansava de trabalhar para o seu desenvolvimento espiritual.
A remodelação da igreja matriz de São Pedro no Alecrim terminou parcialmente em 1954.





          Sobre os antigos alicerces foi edificada uma das mais importantes, bonitas e maiores igreja de Natal.

         Naquele ano seria realizada a cerimônia de sagração episcopal de Dom Eugênio de Araújo Sales, bispo auxiliar de Natal, em virtude da matriz de São Pedro ser mais ampla que a Catedral Metropolitana.

São Pedro na torre da igreja
        Uma das primeiras providências do padre Fernando Nolde foi adquirir no Rio de Janeiro a imagem de São Pedro que veio de navio até Natal. Medindo 2.50 m e foi colocada na torre da igreja no dia 29/06/1919. Antes , porém, foi levada em procissão pelas  principais ruas da Capital.


















A NOVA SEDE DO BANDERN



         O Banco do Rio Grande do Norte achava-se otimamente instalado com a inauguração do seu novo, artístico e confortável prédio, edificado a Avenida Tavares de Lira, esquina com a a Avenida Nisia Floresta.
Segundo o jornal A Ordem a inauguração ocorreu em 14/01/1939 as 15h00 com a presença de numerosas pessoas do comércio, autoridades e famílias, além de representantes da imprensa.
         Deu a benção do novo edifício o bispo diocesano Dom Marcolino Dantas, dirigindo após palavras de congratulações pelo belo melhoramento que vinha aumentar os encantos da nossa terra. Salientou ainda  o espírito progressista do Interventor federal, Rafael Fernandes e do prefeito Gentil ferreira, elogiando o esforço da atual administração daquele estabelecimento bancário.
         O presidente do BANDERN fez em seguida um estudo histórico das atividades do Banco desde sua fundação em 1906, explicando a norma em relação aos interesses do estabelecimento e aos seus clientes. A agradeceu o apoio que lhe tem dado o governo, de ordem material e moral.Tocou durante a festa a banda de música da Força Pública.A partir do dia 16/01/1939 os serviços passariam a funcionar no novo edifício.




         A construção do prédio obedeceu a direção técnica do prefeito Gentil Ferreira, que era engenheiro também, sendo despendido na obra, incluindo o mobiliário, 239:000$.O mobiliário com as divisórias e balcões, era todo novo,sendo executado pela Casa Holanda, do Recife e custou 57:000$.
         No andar térreo funcionaria a contabilidade, caixas, sala de espera, gabinetes do diretor-presidente e do diretor-gerente, portaria, vestiário para homens e senhoras (banheiros) e a casa forte (cofre), que foi construída obedecendo aos modernos requisitos da arquitetura.
         No 1º andar funcionariam a contabilidade interna e o salão de reunião dos acionistas, já no 2º andar ficaria o arquivo.
Considerando inaugurado o prédio, o Interventor Federal Rafael Fernandes, disse que o fazia com muita satisfação, pois desde o começo do seu governo tomou consigo mesmo o compromisso de dar ao Banco do Rio Grande do Norte o prestigio de que necessitava e a sua administração a mais ampla autonomia para o cabal desempenho das suas funções. Cumprimentou os dirigentes daquela casa bancária pela inauguração de sua nova sede, índice de prosperidade e de esforço bem dirigido.
         Seguiu-se no pavimento superior a aposição dos retratos de Pedro Velho, Tavares de Lira e Rafael Fernandes, discursando durante a cerimônia o secretário geral do estado, Aldo Fernandes que se reportou a cada uma dos homenageados. (A ORDEM, 15/01/1939, p.1).





O edifício sede do BANDERN apresenta um estilo arquitetônico com elementos ecléticos.




O NOVO EDIFÍCIO DO BANCO DO BRASIL



         Em 1936 havia sido adquirido pelo Banco do Brasil o terreno situado na  Avenida Nísia Floresta, esquina com a rua Silva Jardim, em que seria em breve construído o novo edifício onde funcionaria a agencia local do referido banco.
         Segundo o jornal A Ordem a construção do novo prédio viria dota a capital potiguar de mais um melhoramento. Por sua vez a agência do referido banco ficaria otimamente instalada e em trecho onde já se achavam funcionando os Correios e Telégrafos em sua nova sede (A ORDEM, 13/11/1936, p.1).

A construção do Banco do Brasil
         Segundo edital que foi publicado pela imprensa, a agencia do Banco do Brasil, iria construir na capital potiguar a sua sede própria, em terreno situado a avenida Duque de Caxias, no bairro da Ribeira.
       


          O novo edifício que representaria para a capital notável melhoramento teria cinco pavimentos, obedecendo aos mais exigentes requisitos da técnica moderna, com instalações capazes ao crescente desenvolvimento da agencia de Natal, segundo o jornal A Ordem (A ORDEM,21/10/1948, p.8).





A NOVA SEDE DA ASSOCIAÇÃO COMERCIAL DE NATAL



         A Associação Comercial de Natal foi fundada em 02/10/1892 e considerada de utilidade pública pelo decreto nº 3.349 de 03 de outubro de 1917.
         Já contava mais de meio século quando foi iniciada a construção do novo edifício sede a ACN em 1937.

Lançamento da primeira pedra do novo edifício da Associação Comercial de Natal
         As 09h30 do dia 25/12/1937 foi lançada a pedra fundamental do novo edifício da Associação Comercial de Natal na avenida Sachet na Ribeira.(A ORDEM, 25/12/1937, p.1).
         Foi marcada para os primeiros dias de abril do ano de 1944 a solenidade de inauguração do majestoso edifício da Associação Comercial de Natal na avenida Sachet.
         O prédio formado por três pavimentos era um notável melhoramento que enriqueceria a cidade segundo o jornal A Ordem (A ORDEM, 28/03/1944, p.4).A inauguração, no entanto ocorreu no dia 19/04/1944 durante as comemorações do aniversário do presidente Getúlio Vargas na capital potiguar.


Foto: A Ordem,1944.

O novo prédio da ACN
         O palacete inaugurado em 19/04/1944 veio embelezar o bairro da Ribeira que aquele período passava por transformações espaciais e urbanística notadamente refletida nas construções de prédios de repartições públicas, comerciais e particulares.
         A ideia de um novo prédio para a ACN surgiu em 1929, em 1937 foi feita a solenidade de lançamento da pedra fundamental do novo edifício que ficou concluído somente em 1944 quando foi inaugurado numa das principais avenidas da capital Potiguar, a avenida Sachet, atualmente Duque de Caxias.



Foto; Revista Fon Fon,1948.
         O palacete sede da ACN apresenta estilo eclético e modernista.