quarta-feira, 12 de junho de 2019

O PROJETO DO PALÁCIO EPISCOPAL DE NATAL


          O palácio episcopal é a residência do bispo/arcebispo de uma diocese/arquidiocese. Em Natal a residência episcopal se localiza na rua Santo Antonio em frente a igreja de mesmo nome na Cidade Alta, nunca foi considerado um palácio episcopal.Foi um casarão adquirido quando se preparavam as diligencias para a criação do Bispado de Natal que fora criado em 29/12/1909.Ali os bispos passaram a residir e até hoje assim permanecem.
         Ao que nos consta os 3 primeiros bispos de Natal não fizeram questão da modesta residência destinada a suas altas dignidades episcopais, pois as prioridades da nascente Diocese natalense eram outras mais urgentes.Foi com dom Marcolino Dantas, 4º bispo de Natal que a ideia chegou a ser ventilada porém nunca executada.
         Dom Marcolino o fez não pela presunção de poder, mas pelo surto progressista que se refletia sobretudo nas construções modernistas que surgiam dia após dia na capital potiguar, a cidade parecia que saia da letargia e tomava impulso para o desenvolvimento socioeconômico e cultural.
         Por isso Dom Marcolino tencionava construir o Palácio Episcopal para dota a Cidade do Natal de mais um melhoramento arquitetônico para embelezar ainda mais a capital potiguar.
      Em 24/12/1930 o suplemento do jornal A Noite publicou que em Natal  “a risonha cidade potiguar terá, dentro em breve, o seu grande e suntuoso palácio do Bispado, com suas linhas de um atraente modernismo, que o arquiteto Mario Maranhão traçou no belo projeto que temos diante dos olhos” (A NOITE,24/12/1930,p.2).Tratava-se da imagem a baixo da maquete do referido palácio episcopal.

                                          Palácio Episcopal de Natal
Foto: A Noite,24/12/1930,p.2.

        O mesmo projeto  do Palácio Episcopal de Natal de autoria  do arquiteto Mario Maranhão seria apresentado na exposição anual do salão da Escola de Belas Artes a maquete em 1933.
         Segundo o jornal Diário Carioca (25/08/1933, p.12) a maquete foi elogiada como um trabalho de valor onde seu autor com rara originalidade, conseguiu caracterizar, em estilo moderno, um verdadeiro Palácio de Bispo.
         Ainda de acordo com o mesmo jornal o projeto de Mario Maranhão para o Palácio Episcopal de Natal constava de 3 copos, todos tendo como motivo arquitetônico a cruz, sendo que nos corpos laterais ela foi disposta de modo a abrigar as varandas, dando a impressão de acolhimento, simbolizando dessa forma a proteção divina.A concepção não podia ser mais  feliz, dizia o referido jornal.

                                      Palácio Episcopal de Natal
Foto: Diário Carioca, 25/08/1933, p.12.

         Se Dom Marcolino Dantas conseguisse levar a bom termo aquela obra, poderia se orgulhar de haver legado à Natal um verdadeiro monumento de arte moderna e o arquiteto Mario Maranhão teria, também, aumentado a série de serviços prestados ao Rio Grande do Norte pela sua tradicional família.
         O bispo de Natal adquiriu a maquete para expô-la na capital potiguar, a fim de que quanto antes, o povo tivesse a noção concreta do valor do majestoso monumento católico, a qual daria em miniatura a nítida impressão do palácio que seria mais um marco de evolução em todos os sentidos na terra potiguar.
         Já o Correio da Manhã dizia que o arquiteto Mario Maranhão apresentava muito bem com o projeto do Palácio Episcopal de Natal com a apresentação da maquete em gesso e as respectivas plantas do primeiro e segundo pavimentos.
         O corpo central do edifício era de ângulo, formado por enorme massa sóbria em forma de cruz, aparecendo ao centro em vitral o símbolo católico para ser iluminado a noite.O aspecto do conjunto agradava muito e dava bem a impressão fisionômica de um palácio religioso.O projeto de Mario Maranhão recebeu medalha de prata na exposição do salão da Escola de Belas Artes.

                                                    Mario Maranhão 
                                                                      Foto: Diário Carioca, 25/08/1933, p.12.
Em 1936 foi adquirido um terreno que seria destinado a construção do palácio dos bispos de Natal na rua Jundiaí no bairro do Petrópolis em Natal.
         Em 1944 o jornal A Ordem dizia: “parece ironia chamar-se Paço ao velho casarão em que mora  o Bispo de Natal”.
         Ainda de acordo com mesmo jornal Eloi de Souza havia escrito dias antes no jornal A república sobre a residencia do prelado natalense o qual merecia ser divulgado e pedia providências. Elói de Souza disse o que viu e o que sentiu, disse o jornal A Ordem.
         Elói de Souza ressaltou a pobreza da casa, a modéstia franciscana em que vivia Dom Marcolino Dantas, o bispo que cuidava dos outros, esquecia de si mesmo, que organizou dioceses para os outros bispos e ficou na humildade do seu bispado, contente pelo bem que fez e satisfeito com o nada que lhe restou.
         Se Dom Marcolino sentia-se bem com a modesta casa em que morava, “nós, porém, não nos podemos sentir assim”, dizia A Ordem.A Diocese de Natal precisava de uma residência para o seu bispo.
         Segundo o referido jornal foi organizada uma comissão pelo Vigário Geral do Bispado, mons. João da Matal e na qual faziam parte o vigário da catedral, os provedores das irmandades do SS Sacramento, do Passos e de São João e os presidentes das associações religiosas da cidade a fim de começar a campanha pela construção do Palácio Episcopal de Natal.
         “Vamos dar a Diocese um Palácio para o Bispo” encerrava o jornal A Ordem. (A ORDEM, 28/01/1944, p.1).
         No terreno adquirido da rua Jundiaí foi erguido pela Arquidiocese de Natal já década de 1950 um prédio que não sei se chegou a servir de palácio episcopal, porém no prédio foram integrados os serviços sociais da arquidiocese durante o chamado Movimento de Natal.Atualmente o prédio abriga a Câmara Municipal do Natal.

                                          Câmara Municipal do Natal


       O prédio atual em nada lembra o projeto original do Palácio Episcopal de Natal.

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