domingo, 16 de junho de 2019

O PREFEITO DE SÃO GONÇALO QUE NASCEU EM TAIPU



O município de São Gonçalo do Amarante na Região Metropolitana de Natal, já teve um prefeito que é natural de Taipu.Trata-se do ex-prefeito Hamilton Santiago.
O então Prefeito Hamilton Rodrigues Santiago, nascido na cidade de Taipu, se mudou para São Gonçalo do Amarante na década de 1960, quando passou a gerenciar a cerâmica de Santo Antônio do Potengi, de propriedade do seu amigo Aldo Barreto. Antes de entrar para a vida pública, Hamilton Santiago ajudou muitos amigos em campanhas eleitorais.
E foi partindo deste trabalho que ele foi conquistando a confiança da população de São Gonçalo, um município que contava  em 1977 com cerca de 22 mil habitantes. Num pleito renhido, onde teve como principal opositora a senhora Hélia de Barros, Hamilton conseguiu se eleger prefeito, por uma diferença expressiva de 777 votos, nas eleições de 1977. Foi essa sua primeira participação direta na política, vinculado ao antigo MDB.

                       Hamilton Rodrigues Santiago
Foto: RN Econômico,1979.

Ao ser eleito tinha 46 anos e jovem na política. O então prefeito Hamilton Santiago se revelou um habilidoso homem público, evitando os conflitos com as facções contrárias à sua administração. Graças a esse seu método, São Gonçalo do Amarante despertou para o progresso.
Do Governo Lavoisier Maia, recebeu apoio e incentivo. Em função da prosperidade industrial da região, com o complexo UEB dos povoados de Jardim Lola e do Gancho e mais as várias cerâmicas instaladas em localidades possuidoras de um solo barrento, rico em liga calcária, a região caracterizou-se por uma maior vocação ceramista.
Essas indústrias todas, reunidas, formavam o suporte econômico do município. Hamilton se orgulhava das possibilidades de São Gonçalo e está sempre atento a colaborar com o seu progresso.
De sua gestão a frente do poder executivo no município de São Gonçalo do Amarante entre 1978 e 1982 se destacam o que se segue, segundo o que foi publicado em informe publicitário na revista RN Econômico:

EDUCAÇÃO
Entre as metas de sua administração, Hamilton Santiago deu muita ênfase à Educação, à Saúde e ao Bem-Estar. Em primeiro lugar, e a guisa de muito esforço, entre as primeiras realizações do seu governo podem ser destacados: a conclusão da Escola Municipal de 1º o e 2º graus "D. Joaquim de Almeida", obra que contribuiu para o aumento de espaços físicos para o ensino; a construção da Escola Municipal "Leonel Mesquita", de 1º grau, no povoado do Rio da Prata; outra escola de 1º o grau, construída em convênio com o PAEM, Escola "Luiz de França Lima"; no distrito de Genipapo, foi concluída a Escola Municipal de 1º grau "Monsenhor Walfredo Gurgel"; e, ainda no campo educacional, concluiu a restauração das escolas municipais dos povoados de Poço de. Pedra, Guanduba e de Oiteiros.
Além desses empreendimentos, o prefeito se preocupou com a situação das crianças pobres da região e implantou unidades do Projeto Casulo, em convênio com a LBA, sendo a Prefeitura responsável pela sua manutenção.
Além deste convênio, a prefeitura manteve outros com o PAEM, MOBRAL
e Merenda Escolar, todos visando o desenvolvimento de Educação no Município.

SAÚDE
Nesta área, o prefeito Hamilton Santiago registrou  para a região mais realizações do que as administrações anteriores. O abastecimento d'água dos distritos de Rego Moleiro, Santo Antônio do Potengi e da própria sede do Município, em convênio com a Fundação SESP, proporcionou aos moradores da região mais conforto e higiene. Paralelamente,atendendo aos anseios do povo, foi construído o Mini-Posto de Saúde "Maria Ezilda Santiago", e foram instaladas fossas sépticas e lavanderias no Distrito de Santo Antônio do Potengi, com previsão de no segundo semestre deste ano serem construídas outras fossas sépticas na sede do Município. Para melhorar os serviços de assistência médica, a prefeitura providenciou a aquisição de uma ambulância tipo Caravan.
E, para concluir a profícua atuação de Hamilton Santiago nesta área foi dado início no começo deste ano, à construção do serviço autônomo de águas e esgotos de São Gonçalo do Amarante, onde iria funcionar o escritório do SESP local.

OBRAS
 Larga atuação vinha sendo desenvolvida no setor de bem-estar, com a finalidade de proporcionar mais interesse da gente local pelas coisas da terra.Em primeiro lugar, estava a preocupação de dar melhor aspecto à cidade, melhorando suas ruas. E para isso foram pavimentadas as ruas Pio XII, José Mesquita, Poty Cavalcanti, Irmã Almeida e a Gonçalo Pinheiro. Em fase de pavimentação, em Santo Antônio do Potengi, estavam as ruas São José e Santo Antônio.
O lazer tem sua presença viva dentro da comunidade e nada se compara com o trabalho desenvolvido pelo prefeito no tocante à melhoria urbanística da cidade. Para este ano, estão previstas a construção da Praça Pública de São Gonçalo; melhoramentos na fachada da cidade, providenciando-se na Rua principal a elevação de canteiros, assentamento de mosaicos, e a construção de uma estrutura de cimento armado, para colocação de um relógio público. Todos esses serviços têm contado, como fonte de financiamento, com os recursos próprios do município, e do Fundo de Participação. A implantação de um moderno sistema telefônico com Posto de Serviço da TELERN, é outra melhoria que merece ser destacada.

SERVIÇOS URBANOS
 A limpeza pública e a estética da cidade também estão na pauta das realizações do prefeito Hamilton Santiago. Para melhor execução desses serviços ele providenciou a aquisição de uma basculante para a coleta de lixo, além de manter uma equipe constante de pessoal no serviço de limpeza da cidade, com o que proporciona mais empregos à população. A energia também foi outro aspecto importante da linha de realizações da prefeitura. Foram feitas eletrificações dos povoados e distritos de Rego Moleiro, Barreiros, Utinga, da Rua 31 de Março, Jardim Lola, e a eletrificação que parte do Gancho (próximo ao distrito de Igapó) ao conjunto Amarante, e uma estação secundária entre Jenipapo e Poço de Pedras. As previsões de eletrificação para este ano reúnem aos distritos e povoados de Serrinha, Igreja Nova, Guanduba e Oiteiros.
No setor Rodoviário municipal, o prefeito se empenhou em dotar o município de boas estradas vicinais. Para isso construiu dois barreiros no distrito de Santo Antônio do Potengi, um em Coqueiros, quatro em Guanduba, dois em Utinga, dois em Alagadiço, dois em barro Duro, dois em Chã Moreno, dois em Taporá, dois em Rio da Prata, um em Catambueira, e um em Jenipapo.
Fazendo parte do mesmo plano rodoviário, a prefeitura local, instalou abrigos rodoviários nas localidades de Igreja Nova, Bela Vista, Poço de Pedras, Jenipapo, Guanduba, Santo Antônio do Potengi, conjunto Amarante, Gancho e
Ponte de Igapó. Além disso, a administração deu assistência permanente na conservação das principais estradas e da sinalizadora rodoviária do município.
Esses serviços, considerados de vital importância para o desenvolvimento da região, provocou na gente de São Gonçalo ares de tranquilidade, segurança e confiança na administração municipal, personificada no prefeito Hamilton Santiago, um homem simples e amigo, permanentemente voltado para os problemas do povo.

Fonte: RN Econômico, 1980, p.40-41.

         Em tempo: o autor do blog não conhece o referido ex-prefeito e não teve intenção de promover política nesta postagem, o fez tão somente por ser o aludido cidadão natural de Taipu e como tal interessa ao propósito do blog.

A NOVA E DEFINITIVA SEDE DA CÂMARA MUNICIPAL DE NATAL



Depois de viver quase 30 anos como nômades, sem uma casa certa onde se fixar, instalados em sobrelojas ou em fundos de prédios nem sempre cedidos de bom grado, os vereadores de Natal teriam, enfim, uma nova e definitiva sede em 1975.

Uma longa trajetória
Desde 1948, época da redemocratização do país, o legislativo natalense já ocupou oito sedes, a maior parte, por favor, de outros órgãos. A situação sempre deixou os vereadores como que humilhados, mas nunca lhes conseguiu arrefecer a crença de que um dia se instalariam condignamente.
Naquele ano a Câmara funcionava em prédio alugado à Assembleia Estadual (atualmente Assembleia Legislativa) onde hoje está instalado o Tribunal de Contas. Em seguida foi para o Salão Nobre do Teatro Alberto Maranhão, cedido, obviamente, por uma curta temporada. Dali para o Edifício Quinho, na Avenida Duque de Caxias, a mudança se deu apenas enquanto terminou um e começou outro período legislativo. Num salão da antiga Casa Bancária Norteriograndense (rua Frei Miguelinho, na Ribeira) ela funcionou até se transferir para o 1.° andar do Banco do Rio Grande do Norte, na avenida Tavares de Lira, onde não ficou por muito tempo e novamente retornou ao Teatro Alberto Maranhão onde foi cedido acomodações não mais no Salão Nobre e sim na parte dos fundos do teatro.
Por um período até certo ponto longo, comparado com os demais, os vereadores se reuniram no local onde  funcionava o curso de balé do TAM, para logo depois saírem para o 2.° andar do Edifício Campiello, do então escritório da Algodoeira  São Miguel, na Av. Duque de Caxias. Dali,  subiram para a Cidade Alta, se instalando no prédio da praça André de Albuquerque, aonde haviam estado também os deputados. E de onde saíram, para o amplo prédio da rua Jundiaí.

A Nova Câmara
Ao então presidente da Câmara, vereador Érico de Souza Hackradt, pode-se tranquilamente ser computada a maior parcela de empenho para que o prédio da antiga Escola de Serviço Social fosse adquirido à Universidade Federal do Rio Grande do Norte-UFRN para que, depois de reformado e adaptado, servisse de sede própria ao legislativo municipal.
Para que os entendimentos chegassem a bom termo,  houve também a colaboração decidida do Prefeito Jorge Ivan Cascudo Rodrigues e o cumprimento da palavra do Reitor Genário Alves da Fonseca.

                          Câmara Municipal do Natal
Foto: RN Econômico, 1975.

A nova Sede da Câmara Municipal do Natal  ocorreu a partir do instante em que a Escola de Serviço Social se transferiu para o Campus Universitário.
Inicialmente, foi firmado um contrato de aluguel mas, o presidente da Câmara Êrico de Souza Hackradt, já se estava tratando do processo de compra definitiva.
Numa área de 2.000 m² de construção, a sede própria do poder legislativo municipal se instalava no mesmo dia em que o vereador Êrico de Souza Hackradt entrega o cargo de presidente ao seu sucessor.
A adaptação do prédio, que ficou no valor de cerca de Cr$ 1,5 milhão (incluindo mobiliário e decoração), sendo feita pela Construtora Cimob. Nos dois pavimentos em forma de V, a nova Câmara teria salas e ambientes para abrigar: gabinete do presidente, chefia de gabinete, gabinetes para o 1 ° e o 2.° vice-presidentes, gabinetes para o 1.° e 2.° secretários, salas de reunião para a ARENA e para o MDB (os dois únicos partidos políticos no Brasil a época), sala de estar para os vereadores, salão de recepção, sala de imprensa, biblioteca gabinetes para as lideranças, sala das comissões técnicas, almoxarifado, arquivo, laboratório fotográfico, pequeno ambulatório, plenário, centra telefônica, consultoria jurídica, duas cantinas, uma lanchonete e casa para administrador.






Palácio Padre Miguelinho
O novo prédio da Câmara foi denominado "Palácio Padre Miguelinho", designação que teve o aval do historiador Luiz da Câmara Cascudo que sobre a escolha do nome ele se dirigiu ao presidente da Câmara, em carta datada de 29/01/1975, nos seguintes termos:
Envio minha plena concordância para o nome do Padre Miguelinho ser dado ao Palácio da Câmara Municipal. Natalense da Ribeira, no final da rua que tem seu nome, filho de natalense, de família sempre notada e participante da movimentação social e política, tornou-se, por seu sacrifício, uma égide histórica, serena e consciente na impressionante conduta, inesquecível e suprema na dignidade do Dever.
Homem de cultura, professor de Retórica no Seminário de Olinda, orador de aplauso e renome, Secretário do Governo Republicano em 1817, o exemplo é imperecível e comovedor na tranquilidade das afirmativas, diante do Tribunal, convencido que sua vida não  fora inútil e menos o destemor perdido nas folhas do processo criminal.
Todos esses valores, sublimados e supremos ao Morto, devem constituir
lembrança serena na quotidianidade normal da nossa conduta, na dignidade
consagradora das atitudes ante os problemas da coletividade, levados ao plenário da Câmara Municipal de sua, de nossa Cidade. Não vamos comparar cada vereador ao PADRE MIGUELINHO, mas não esqueça cada vereador do homem e da vida do padrinho nominal de sua sede.

A Câmara em 1975
Ao ser instalada a nova sede da Câmara Municipal do Natal a mesma estava composta por 21 vereadores (11 do MDB e 10 da ARENA) sendo eles: Antônio Cortez, Bernardo Gama, Clovis Varela, Osvaldo Garcia, Érico Hackradt, Gilberto Rodrigues, José Barbosa, João Lucena, Lourival Bezerra, Lourenço Gonçalves, Paulo Herôncio (MDB); Antonio Félix, Armando Viana, Antônio Godeiro, Carlos Alberto Moreira Dantas, Elesbão de Macedo, José Lourenço, José Pinto Freire, Luiz Sérgio Medeiros, Olímpio Procópio e Sílvio Abrantes.


Fonte: Revista RN Econômico, 1975.

O PRÉDIO DA DELEGACIA FISCAL DA RECEITA FEDERAL EM NATAL




Criada em 31/01/1898, como Delegacia Fiscal do Tesouro Federal o órgão sofreu ao longo do tempo mutação em  seu próprio nome e atribuições.
Inicialmente esteve sediada no prédio onde hoje o Memorial Câmara Cascudo, na Praça André de Albuquerque.
 Depois  de alguns decretos e disposições legais que modificaram as suas atribuições, era mudado em 29/04/1954, para Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional.As instalações foram reformadas, no imponente prédio da Esplanada Silva Jardim.
         Atualmente no edifício funciona a Delegacia do Ministério da Fazenda do Rio Grande do Norte.



                                 Delegacia do Ministério da Fazenda 
Foto: Revista RN Econômico,1974.






quinta-feira, 13 de junho de 2019

DESCRIÇÃO DE ESTREMOZ EM 1933




                A vila de Estremoz é uma das primeiras vilas construídas no Brasil, no entanto era também uma da mais decadentes que se conhecia no Rio Grande do Norte na década de 1930.A época Estremoz figurava como distrito do município de Ceará-Mirim.Eis a seguir um apanhando histórico da situação de Estremoz naquele período.
         Não obstante se achar próxima a uma lagoa em cujas margens a agricultura vinha sendo muito incrementada, Estremoz estava apenas a poucos quilômetros da capital, contando em 1933 com três viagens de trens diárias de ida e volta ( a estação ali foi inaugurada em 13/06/1906 pelo então presidente da República  Afonso Pena).
         Segundo o jornal Diário de Pernambuco naquele ano de 1933 a vila em quase nada havia melhorado no tocante a edificações e movimento de negócios.

A igreja de São Miguel Arcanjo e Nossa Senhora dos Prazeres
         A igreja local, cujo orago era São Miguel Arcanjo e Nossa Senhora dos Prazeres foi levantada havia cerca de 300 anos, pelos jesuítas incumbidos da catequese dos índios. Era um templo muito espaçoso, conservando ainda, na fachada e no interior, apesar das grandes reformas por que tinha passado já no século XX, o estilo colonial em que foi construída.Na imagem a baixo é possível vê a antiga igreja de Estremoz
Foto: Revista O Malho,1923.

      Na arcada principal havia em alto relevo a coroa portuguesa e nos altares encontravam-se ainda imagens trazidas pelos navegadores lusitanos de outrora. Em nichos, na sacristia, existiam também três imagens, as quais, segundo a tradição, foram encontradas na lagoa.

As ruínas do convento
Em Estremoz viam-se ainda as ruínas do convento edificado ao lado da igreja, bem como o extenso subterrâneo que partindo de um dos corredores laterais desta, toavam a direção da lagoa.
         A descoberta desse subterrâneo foi feita por pessoas que, desde o século XIX ali eram levadas por sonhos e aparições e que por mesmo tinha empregado muito tempo e dinheiro em escavações a procura de tesouros.

Outros monumentos de Estremoz
         Em frente a igreja havia um e majestoso cruzeiro e igualmente um pelourinho onde costumavam açoitar os escravos da vila.
         Pouco adiante, no centro da praça, divisava-se um prédio bastante carcomido e destelhado, era a antiquíssima Casa de Câmara e Cadeia. As espessas paredes, apesar do abandono e da vegetação que surgia em vários pontos, sustentavam ainda muitos cardeiros, que davam a ruína um aspecto bem bizarro.
                             Ruinas da Casa de Câmara e Cadeia




Fotos: Revista Cruzeiro,1938.

         Na havia ruas. Existia apenas uma grande praça em torno da qual via-se quase todas as casas da localidade.A baixo pode se vê aspectos da Vila de Estremoz ao fundo

                                                                        Fotos: Revista Cruzeiro,1938.
Após  a revolução de 1935
         Entretanto, após a revolução de 1935, já se notava certa diferença na vida de Estremoz.
         Naquele ano de 1933 a prefeitura de Ceará-Mirim construiu um pequeno mercado e estava edificando um grupo escolar em frente a estação ferroviária da EFCRGN. Duas boas vivendas estavam também quase concluídas.O poder público, pois já estava se voltando para esse lugar que era um dos mais históricos do nordeste do Brasil.
         Se fosse levado a efeito o aumento do lastro da ponte de Igapó de modo a permitir a passagem de automóveis, Estremoz seria uma das localidades mais beneficiadas com tal medida.

A festa de São Miguel
         No domingo dia 08/10/1933 realizou-se a festa de São Miguel, padroeiro da Vila. Desde a véspera, a noite a EFCRGN fizera correr um trem de recreio entre Natal e Ceará-Mirim onde desceram muitas pessoas em Estremoz para prestigiar a festa do padroeiro daquela Vila.
Pelas 11h00 foi celebrada pelo vigário de Ceará-Mirim, cônego Celso Cicco, uma missa. Excelente orquestra e um grupo de gentis senhoritas de Natal ocuparam o coro da tradicional igreja.
         No centro da praça, o público tomou parte em varias diversões, que decorreram em perfeita ordem. (diário de Pernambuco, 27/10/1933, p.7).

Criação das Escolas Reunidas de Estremoz
         Pelo Departamento de Educação foi criado na povoação de Estremoz, município de Ceará-Mirim, duas Escolas Reunidas em 28/02/1934, ficando nelas absorvidas a escola rudimentar já existente. (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 28/02/1934, p.4).

                                      Escolas Reunidas de Estremoz
Foto: Diário de Pernambuco,1934.

Em tempo
         Segundo Câmara Cascudo o vocábulo Estremoz deve ser grafada com S e não com X, pois a toponímia se deu em homenagem a Vila de Estremoz na região do Alentejo em Portugal, e como tal se escreve desde tempos antigos dessa forma ESTREMOZ.


quarta-feira, 12 de junho de 2019

EXPLICANDO O PROJETO DO EDIFÍCIO DOS CORREIOS DE NATAL


O projeto do edifício destinado a Diretoria Regional do Correios e Telégrafos em Natal foi de autoria do engenheiro Paulo Candiota e foi ele quem apresentou o seu projeto em artigo publicado na Revista da Diretoria de Engenharia do Rio de Janeiro (nº.5,  ano 2, 1933, p.5-7).Eis o teor do referido artigo transcrito do original apenas com correções ortográficas que foram atualizadas conforme a normativa atual.


O terreno destinado a receber a construção era de forma retangular e situado em uma esquina formada por uma ampla avenida[1] e uma rua menos importante, que ia em direção perpendicular ao cais do porto no Rio Potengi e por onde circulava uma linha da estrada de ferro[2] medindo por aquela 34,25m e por esta 31,15m.
Para que ficasse a construção mais ou menos dentro dos limites da verba de 400:000$000, reservada para tal finalidade, a Diretoria do Material do Departamento dos Correios de Telégrafos, estabeleceu previamente que fosse fixado em 350$000 por m² de pavimento o custo provável da construção.
O edifício foi projetado mais ou menos dentro destes limites, somando as áreas dos dois pavimentos 627m², exceto a garagem que mediria 41m² e cuja base de preço por metro quadrado era menor.
         O projeto do edifício foi estudado de forma a oferecer, não só ao público como aos funcionários que nele trabalhariam o Maximo de conforto e comodidade. Assim é, que a planta foi estudada satisfazendo plenamente a todas as exigências de distribuição para maior eficiência de trabalho, que requeria um edifício deste gênero, que eram as seguintes:
1º- Completa independência da parte procurada pelo público da outra destinada aos funcionários.
2º-Circulaçaõ perfeita ligando entre si todas as dependências.
3º-Disposiçao de todos os guichês ao alcance rápido do público e acesso fácil as dependências procuradas por este.
4º-Distinção perfeita do serviço de valor do sem valor, com ligação fácil de ambos com a manipulação, e direta dos guichês de valor com a Tesouraria.
5º ligação rápida dos guichês de taxa telegráfica com a sala de aparelhos e desta para a expedição.
6º-Ligação direta da sala dos carteiros e estafetas com a de manipulação e de expedição.
7º- Serviço de carga e descarga da correspondência direta na manipulação e do material no almoxarifado.
8º-Colocação isolada da usina devido a exalação de gases das pilhas e baterias.
         Quanto ao partido arquitetônico de fachada a ser adotado, por si só a situação do terreno, indicava, pela grande diferença de importância entre as artérias nas quais ele ficava situado. O partido arquitetônico do ângulo, isto é, aquele no qual esta parte do edifício dominava, fazendo-se por ai o acesso principal ao mesmo, não seria plausível, em vista de ficar esta em posição oposta a direção da parte central da cidade.

                                   Fachada principal e lateral

                              Vista aérea vendo-se o pátio de serviços 

         Por isso foi escolhido como partido mais lógico o do complexo domínio da fachada da Avenida, em cujo eixo foi localizada a entrada principal.
     O acesso ao edifício seria feito por três entradas distintas: uma destinada exclusivamente ao público, outra aos funcionários e uma terceira aos veículos.A primeira, localizada na fachada principal dando para a grande Avenida, se faria por uma espaçosa porta de ferro batido, que abriria-se diretamente, sobre o grande hall do publico, para o qual dava todos os guichês.A segunda seria feita pela fachada lateral que daria sobre a rua onde transitava a estrada de ferro, dando logo acesso ao hall de serviço.A terceira, também pela Avenida, seria feita por um grande portão que daria aceso ao pátio de serviço, para onde daria as plataformas de carga da conferencia e almoxarifado e aonde se acharia localizada a garagem.
         Tanto a entrada principal como a de veículos tiveram que ser pela mesma Avenida por que não poderia ser de outra forma em vista do tráfego da estrada de ferro pela outra rua.
         Aproveitando, no entanto, o trânsito da estrada de ferro por esta rua, foi prevista a entrada de serviço que daria para ela bastante espaçosa, a fim de facilitar, por um pequeno ramal por meio de vagonetes, a carga e descarga da correspondência dos vagões diretamente na plataforma da sala de manipulação.
         No grande hall do publico estariam localizados todos os guichês; em frente as portas de entrada estaria a caixa de coleta, a sua esquerda os guichês de valor como os de venda de selos, taxa telegráfica, emissão de vales, pagamento do pessoal e saldo de agências e registro sem valor; a direita os sem valor como aérea, expressa, registro sem valor, posta restante e colis posteuax.
         A direita de quem entrava no grande hall do público e dando para este localizaria um dos corpos laterais da fachada principal desenvolvendo-se a escada principal de aceso do público ao segundo pavimento e assim como também o serviço de informações, um pequeno depósito e portaria.
Esta última ficaria junto a escada comunicando-se o exterior por uma pequena porta de emergência, que facilitaria o acesso direto a sala de aparelhos, independente de passagem do grande hall.Teria por fim esta entrada facilitar o serviço noturno do telegrafo com dispensa de porteiro e sem despesa de iluminação do grande hall, atingindo-se esta entrada que ficava próxima, pelo portão de veículos que dava para a Avenida.
         No corpo lateral da esquerda, também dando diretamente para o grande hall do publico estava localizado o serviço de assinantes compreendendo: a manipulação, o guichê de entrega de registrado e as caixas de assinantes.
         A parte de serviço estava dividida em 5 grupos: Diretoria Geral, serviço econômicos, tráfego telegráfico, tráfego postal e linhas e instalações.
         No 1º pavimento a direita de quem entrava dando para o pátio estava localizada a tesouraria para onde davam todos os guichês de valor, o arquivo, a casa forte e o compartimento de registrados com valor.
A esquerda, dando sobre a fachada lateral estava localizado o serviço de tráfego postal, que compreendia um amplo salão de manipulação tendo em uma das extremidades, a dependência do chefe do tráfego e auxiliares e na outra a de manipulação dos carteiros ligados diretamente ao hall de serviço, tendo este salão ligação direta com a sala de conferencias, que dava com a plataforma de carga sobre o pátio, assim como também com os diversos guichês sem valor, e compartimentos destes, como: o de registrados sem valor, collis postauex, entrega de registrados e assinantes e ainda com a manipulação, caixa de assinantes, caixa de coleta e tesouraria.
                               Planta do 1º pavimento


                                         Planta do 2º pavimento

         Dando sobre o pátio estavam localizados as salas de conferencia postal, de expedição do serviço telegráfico e de estafetas e carteiros com ligação rápida com o hall de serviço, e ainda os vestiários e aparelhos sanitários para homens e senhoras, dado para a galeria de circulação.
Nos fundos estaria situados o Hal de serviço que dava sobre uma área de entrada para a fachada lateral e o almoxarifado, com plataforma de carga para o pátio. No hall, estava localizado o monta cargas, que também serviria diretamente o almoxarifado, facilitando desta forma a subida ou descida de qualquer carga do hall do 1º pavimento para o do 2º ou para o almoxarifado e daí rapidamente para o exterior ou interior do edifício.Ligando todas estas dependências haveria uma galeria de circulação  que daria para o hall de serviço.
No 2º pavimento se localizaria a Diretoria Geral que ocuparia a fachada principal do edifício, com acesso rápido pela ampla escadaria do hall do público, e que compreendia a sala do contínuo, sala  de espera, gabinete do Diretor e auxiliares, sala do protocolo e expediente, seguindo-se a contadoria seccional, biblioteca e abrangendo parte da fachada lateral os serviços econômicos e arquivo.
         O serviço de tráfego telegráfico separado pela galeria de circulação da Diretoria Geral e dando sobre o pátio, também com acesso rápido pela escada do grande hall do público, compreendia a sala do chefe de tráfego telegráfico e auxiliares, a grande sala de aparelhos e suas dependências, arquivo do dia e uma pequena oficina com ligação direta por meio de tubos com o guichê da taxa telegráfica e com a sala de expedição no 1º pavimento.
Nos fundos, dando sobre a fachada lateral, tinha-se as dependências do serviço das linhas e instalações e rádio que eram: a sala de inspetores e guarda-fios, sala de praticantes, rádio e por último a usina elétrica que daria para o pátio de distribuição que se compunha de salas de bateria e do quadro de distribuição.Dando para o pátio estariam localizados: um avarandado para café e na mesma posição que os de baixo, os vestiários e aparelhos sanitários para homens e senhoras.
Como no 1º pavimento todas as dependências davam para uma galeria de circulação, que ai, ligava o hall de serviço com a escada de acesso do hall do público, estabelecendo uma ligação perfeita entre todas as dependências.
                            Detalhes da fachada principal e lateral


                                        Detalhes da fachada principal


                         Fundo do edifício pela av. Duque de Caxias



                                     Detalhes do edifício em 3d


                               Detalhes da fachada principal 
Fotos: Google Earth, 2019.




[1] Atual Esplanada Silva Jardim, na Ribeira.
[2] Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte.Era a linha de contorno que dava até a Estação central da Esplanada Silva Jardim, atual sede do DNOCS.