sábado, 8 de fevereiro de 2020

AS ATIVIDADES DA FIRMA JOÃO CÂMARA & IRMÃOS : UM GRANDE CENTRO PROPULSOR DA EXPANSÃO ECONÔMICA DO RIO GRANDE DO NORTE EM 1933



         Reproduzimos a seguir uma matéria do jornal Diário de Pernambuco de 24/12/1933 sobre as atividades da firma João Câmara & Irmãos.
Os maravilhosos resultados colhidos na lavoura algodoeira na chapada da Baixa Verde, pela beleza da cultura e impressionante uniformidade do terreno, é não só uma demonstração evidente das grandiosas possibilidades do Estado do Rio Grande do Norte como também um exemplo frisante e nobre da capacidade do homem.
O homem e a terra
Porque se por um lado temos a admirar a excelência da terra dadivosa e boa, necessitando apenas de cuidados e métodos que lhe amaine a riqueza natural, há também e muito principalmente que louvar o esforço e o trabalho humano que por estas regiões nordestinas vivem tão entregues a mão do destino, sem contar coma cooperação de quem pode e deve fomentar as suas atividades.
         O solo ubertoso e rico lá se encontrava triste  e abandonado a espera de quem quisesse revolvê-lo e torná-lo útil a pátria  comum transformando-o num grande e futuroso núcleo de atividade concorrendo eficientemente para o desenvolvimento da economia norteriograndense, quiçá nacional.
         O home surgiu e, com o seu denodado esforço a sua inteligência e pertinência, qualidades inerentes e próprias do nordestino, depois de um período de trabalho racional e profícuo, auxiliado pelos poderes públicos através do conhecimento de novos métodos de cultura, pode, finalmente, realizar o seu objetivo transformando aquela zona antigamente desabitada, num grande centro de trabalho.
         É a propósito do que era antigamente a chapada da Baixa Verde que hoje apresenta aspecto tão impressivo de desenvolvimento, ainda já bem pouco tempo dizia o Dr. Mário Câmara, Interventor federal naquele Estado, em entrevista concedida a esta folha.
O que era a chapada da Baixa Verde
         O que era Baixa Verde há pouco anos passados dizem as estatísticas e os fato.Uma zona desabitada e triste, entregue a sua própria sorte.E o que ali tem se conseguido através da construção de poços  feitos pelos poderes públicos, é formidável.em redor da cada poço existe uma aglomerado humano.E o que os técnico acabam de afirmar é que a plantação realizada na Chapada da Baixa Verde é extraordinária pela uniformidade da cultura e do terreno.E para dizer mais eloquentemente sobre a fecundidade da terra da Baixa Verde, basta informar que este município concorrerá este ano com cerce de 10% da safra do Estado ou sejam, 1.500.000 quilos de algodão.Também na Chapada do Apodi, cuja configuração é semelhante a da Baixa Verde, pretendemos dentro em breve iniciar trabalho idêntico.
         Assim como Apodi e Baixa Verde, existem não somente no Rio Grande do Norte, mas em várias zonas desta região nacional, terrenos ubérrimos e fecundos carecendo do trabalho inteligente e proveitoso do homem que lhes proporcione maior desenvolvimento de suas possibilidades.
         E se meditarmos um pouco sobre o futuro do Nordeste, as suas qualidades geológicas e naturais, então havemos de nos convencer que a grandeza econômica desta vasta e poderosa região reside justamente na cultura racional e na exploração industrial de suas fibras, em cujo lugar o algodão pela sua magnífica e privilegiada situação está naturalmente colocado em primeiro plano.
         Necessário apenas se torna que os poderes públicos e as classes ativas se interessem vivamente pelo momentoso problema, incluindo-se no meio de suas mais importantes cogitações tendentes a ampliar o patrimônio material da nação.
E, então, o potencial econômico do Nordeste há de se firmar seguramente no concerto federativo, como uma das mais sólidas colunas em que se assentará a riqueza nacional.
O perfil de um home de ação
         A firma João Câmara & Irmãos que hoje usufrui de um largo e merecido destaque no seio das classes conservadoras do Estado do Rio Grande do Norte, mercê da sua magnífica situação, é, incontestavelmente, fruto de um labor honesto e construtor.
         Desenvolvendo um trabalho eficaz e persistente para a expansão dos seus negócios, e , consequentemente, em favor da economia daquele Estado, bem destacado é o posto que a referida organização ocupa no seio do honrado comércio potiguar.
          E essa situação de proeminência conquistada através de incessantes períodos de um labor dinâmico e produtivo é notadamente devida ao Sr. João Severiano Câmara, esse singular figura de homem de ação e de inteligência que graças a um esforço honesto e nobre, soube tão dignamente construir o sólido pedestal em  que se assenta a firma João Câmara & Irmãos.
         O que o Sr. João Câmara realizou nestes últimos anos a frente dos  negócios de sua firma em espaço de tempo relativamente curto representa pois, por uma brilhante vitória e vale por uma eloquente afirmação de trabalho.
         Quando em 1914, o Sr. João Câmara escudado apenas na sua vontade férrea de vencer e no seu espírito pertinente,iniciou os seus negócios, Baixa Verde ainda não havia sido elevada a categoria de cidade, não passava de uma simples povoação.
         Contando, assim, com a sua capacidade foi que o referido cavalheiro juntamente com seus irmãos Jeronimo  e Alexandre  Rodrigues da Câmara, constitui naquele ano a firma João Câmara & Irmãos, que mais tarde havia de se tornar uma das mais interessantes e poderosas organizações do Estado, exercitando proficuamente a sua atividade na indústria, na lavoura e na pecuária,de maneira tão benéfica para a comunhão norteriograndense.
O desenvolvimento dos negócios da firma João Câmara & Irmãos
       Sempre animada do desejo de dotar o seu Estado de um núcleo de trabalho e de progresso que mais tarde servisse não só de paradigma de honestidade e de esforço mas também de estimulo a iniciativa semelhantes,os quais concorreriam desse modo proficuamente para o progresso comercial do Rio Grande do Norte, a firma João Câmara & Irmãos foi procurando cada vez mais ampliar o seu raio de ação o que pouco a pouco, conseguiu devido ao seu denodado esforço.
         Foi assim que novos campos de ação foram abertos para a referida firma, com o desdobramento de seus negócios nos quais passaram a se incluir criação de gado vacum e caprino, plantações de algodão, instalações de maquinismos para descaroçamento do referido produto, tornando-se desse modo, os Sr. João Câmara & Irmãos uns dos maiores agricultores e produtores do Estado.
A cultura algodoeira na chapada da Baixa Verde realizada pela firma João Câmara & Irmãos
         A situação dos referidos agricultores e industriais onde tem feito se sentir mais beneficamente é justamente no município.
         Ai, nessa localidade, que há poucos anos atrás não passava de uma simples povoação pobre e desabitada, entregue a tristeza do seu próprio destino, é que verdadeiramente dinâmica e operosa foi a ação do Sr. João Câmara.
         Realizando uma tarefa eminentemente interessante e patriótica, qual seja, de criar novos ramos para a atividade nordestina, procurando expandir as possibilidades naturais da região, com o fomento de sua economia, o Sr. João Câmara pode assim pouco tempo depois a golpes de trabalho e de energia ver a sua obra coroada do mais completo êxito.
         E hoje a lavoura do algodão da Baixa Verde que os  técnicos não cansam de louvar como uma das surpreendentes e interessantes dadas a cultura magnífica e uniformidade do terreno, vai servindo como uma advertência proveitosa e um estimulo formidável para tentamentos indenticos.
         E assim que o no novel município de Baixa Verde atualmente produz cerca de 1.500.000 quilos de algodão em pluma ou seja, cerca de 10% da produção de todo Estado, quota essa inteiramente extraída das plantações feitas pela firma João Câmara & Irmãos.
Uma usina para o beneficiamento do algodão
         De tal maneira tem se desenvolvido os negócios da referida organização agrícola, industrial e comercial,mercê os magníficos resultados colhido com a cultura racional do outro branco na Chapada em apreço, onde os poços artesianos tiveram uma influencia tão decisiva que as necessidades produtivas da firma excedem a capacidade da atual usina de beneficiar o algodão.
         Desse modo no próximo ano será instalada uma nova usina, com aparelhagem moderníssima e com maior capacidade produtora.
         A atual usina produz 10.000 quilos em 14 horas e a capacidade das novas instalações comportará produzir 15.000 quilos em 10 horas.
         Uma Prensagem coma as mais modelares disposições será também ali instalada para maior eficiência do produto.

Prédio da prensa de algodão da firma João Câmara & irmãos em Baixa Verde

O município Baixa Verde na expansão econômica do estado do Rio Grande do Norte
         O atual município de Baixa Verde é evidentemente um produto de atividade do Sr. João Câmara que conseguiu inteligentemente coordenar todos os elementos necessários a sua grandeza econômica, tornando-o um dos municípios que mais eficientemente concorrem para a receita estadual dada a sua atividade produtora.
         E se novas plantações forem propicia,tudo faz crer que o município de Baixa Verde seja o maior centro de algodão de todo Estado.

Sede da firma João Câmara & Irmãos em Baixa Verde

 A expansão comercial da organização
         O desenvolvimento da organização tem sido tão notável nestes últimos tempos que esses incansáveis batalhadores que são os Srs. João, Jerônimo e Alexandre Câmara instalaram filiais de sua firma em Pedra Preta e Serra Verde.
As fazendas São Pedro, Olho D’Água e Serra Verde
         Também os Sr. João Câmara & Irmãos desdobraram nobremente a sua atividade, interessando-se na indústria pecuária.
         Assim que são proprietários das fazendas São Pedro, Olho D’Água e Serra Verde, com irrigação de poços construídos em cooperação com os Governos da União, do Estado e do Município e onde é cultivado o gado vacum e caprino.

Visita do interventor federal Mário Câmara as plantações de algodão
da firma João Câmara & Irmãos na fazenda São Pedro

A fábrica Santa Terezinha em Natal para o fabrico de óleos vegetais
         Também muito benéfica tem sido a cooperação prestada pelos Sr. João Câmara & Irmãos em favor do progresso industrial de sua terra.
         A “Fábrica Santa Terezinha”, de sua propriedade localizada e Natal, a Avenida Almino Afonso, 45, é dotada de excelentes e modelares instalações, ocupando uma área de 54.000 metros quadrados.
         Destina-se ao fabrico de óleos vegetais extraídos do algodão, produzindo artigos que rivalizam francamente com os melhores similares.
Ao serviço da “Fábrica Santa Terezinha” estão 50 operários que dispõem de toda a assistência social.

Sede da fábrica Santa Terezinha na rua Almino Afonso na Ribeira em Natal.
Visita do interventor federal Mário Câmara as instalações da fábrica Santa Terezinha.Mário Câmara está o centro ao lado de seu pai Augusto Leopoldo Câmara e a esquerda está João Câmara.

Outras atividades dos Srs. João Câmara & Irmãos
         Os Sr. João Câmara & Irmãos como dissemos, cada vez mais vão ampliando as suas atividades. Assim é que o seu sócio principal faz parte da firma Severo Gomes & Cia.
Estabelecida em Natal com escritório de comissões e representações da firma A. Farine, estabelecimento que usufrui de ótimo conceito no seio do comércio exportador e importador.
A gerência geral em Natal
A gerencia geral da firma João Câmara & irmãos, em Natal,na “Fábrica Santa Terezinha” está entregue ao estimado calvalheiro Sr. Anibal Calmo Costa.
         Espírito empreendedor e inteligente, gozando de francas simpatias no seio das classes conservadoras,o Sr. Anibal Calmon Costa que também é estabelecido com escritório de representação a rua Frei Miguelinho, 129, foi ultimamente eleito 1º secretário da Associação Comercial de Natal.
A firma João Câmara & Irmãos como se vê faz-se sentir tão fortemente em favor  da expansão econômica do seu Estado, é pois, uma organização verdadeiramente modelar que muito enaltece os foros de cultura e adiantamento do honrado comércio potiguar.

Fonte: Diario de Pernambuco, 24/12/1933, p.17.

INAUGURAÇÃO DO FÓRUM DE TAIPU



Dando prosseguimento ao seu programa de terceiro ano de governo o mons. Walfredo Gurgel inaugurou o Fórum Desembargador José Gomes da Costa em Taipu.
         O prefeito de Taipu, Geraldo Lins de Oliveira, e a juíza da comarca, Gilka Farkat, expediram convites a várias autoridades civis e jurídicas do Estado, sendo grande o número de pessoas que começou na manhã do dia 31/01/1969, a se deslocar para Taipu. Foi a primeira comarca de primeira entrância a ser inaugurada naquele fórum judiciário. (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 31/01/1969, p.7).
         Em 1984 o prédio do fórum passou por reformas até 2004 quando foi reformado novamente.
         A comarca de Taipu foi extinta em 2018.



Fórum de Taipu, década de 1970.

Fórum de Taipu, década de 1970.

Inauguração do fórum de Taipu,1969.

Fórum de Taipu,2015.


















sábado, 1 de fevereiro de 2020

A ENCHENTE DO RIO CURIMATAU QUE DESTRUIU AS CIDADES DE NOVA CRUZ E PEDRO VELHO EM 1901


A extraordinária enchente do rio Curimatau ocorreu no dia 13/05/1901 ocasionando grandes prejuízos em Nova Cruz e em Cuitezeiras (atual Pedro Velho).No dia 12/05/1901 a cheia do rio Curimatau atingiu Nova Cruz, onde cairam algumas casas da vila de Nova Cruz, inclusive a casa que servia de cadeia.Já no dia seguinte, desabaram diversos edifícios da Vila de Cuitezeiras que ficou quase submergida pelas águas que invadiram as ruas de modo a não dar tempo a fuga aos seus habitantes, tendo também a enchente destruído a ponte sobre o rio logo depois da passagem do trem horário. (RELATÓRIO GOVERNO, 1901, p.138).
       Para ilustrar o relato a cima e ter uma noção das enchentes do rio Curimatau a seguir imagens das enchentes nesse rio em 1964.






Em Cuitezeiras
De Cuitezeiras escreveram os habitantes no jornal A República e republicado no Diário de Pernambuco:
         Na manhã de 13 do corrente fui sacudido fora do leito pelos brados angustiosos da população desta vila, anunciando o transbordamento do indômito Curimatau, cujas águas em marche-marche vertiginoso, invadiam as ruas se dar tempo a fuga.
         É indescritível o pânico geral, a angustia que se lia em todos os semblantes.
         Tive apenas tempo de abrir todas as portas de minha casa e atravessar a rua em que moro, para a casa fronteira, mais elevada.
         Da rua da Cruz, principio da vila, até a casa do cidadão Jacó, seu termino, todas as famílias abandonaram os lares inundados com águas pelos joelhos, em busca da igrejinha da gloriosa Santa Rita, único asilo respeitado pela enchente.
         O pequeno templo não comportava a multidão, que enchia em brados de terror, em súplicas ferventes.
         Salvas as famílias com grandes dificuldades, porque a impetuosidade da corrente era enorme sendo necessários muitas vezes quatro homens para o transporte de uma senhora ou uma criança, cuidou-se então, de escolher as mercadorias e moveis que flutuavam, grande parte já arrastados pelas águas.
O trabalho durou todo o dia e a noite, mas o prejuízo, foi ainda assim, de uma terça parte dos haveres da população.
         A casaria,em geral, ficou arruinada, caindo totalmente alguns prédios.
         A lavoura alcançada pela enchente perdeu-se por completo.
         A noite,quando veio o escoamento das águas, ficamos patinando sobre uma camada de lama de mais de um palmo de espessura.
         Não posso entrar nos detalhes das cenas parciais, de dor e de perigo que ocorreram.
         Como specimem: uma menina corria para a igreja e de súbito sumiu-se num abismo aberto pelas águas, sendo heroicamente salva pelo bravo moço Francisco Trigueiro.
         Duas famílias,a do promotor Joaquim Scipião e do presidente da intendência, coronel Manoel Lopes, que no primeiro momento tentaram abrigar-se no sitio Retiro, sofreram torturas indizíveis, sendo esta obrigado a retroceder para o povoado e aquela somente por esforços extraordinários e louvável sangue frio dos coronéis Fabrício Maranhão e Enéas Medeiros e do valente nadador Francisco de Barros, logrado atingir a referida eminência tal era a profundidade da enchente e a velocidade da correnteza.
         Homens bravos [ilegível...] e arrancavam os cabelos.
         Para que dizer mais?
        Não se é consolação dizer que, a para de tantos males, vamos ter o solo inundado com um vigor novo e espantoso para o plantio, acrescendo que os canaviais pouco sofreram especialmente a usina ilha Maranhão, que vai ter safra aumentada pelo adubo que trouxe-lhe a enchente.
         A população unanime proclama e agradece a solicitude com que o governo, logo que teve o primeiro aviso da catástrofe, comunicado em telegrama do ilustre Homem de Siqueira, providenciou para o salvamento e amparo dos inundados. (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 26/06/1901, p.1).
        A baixo as  ruínas da capela de Santa Rita em Pedro Velho





quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

SOBRE A BARRAGEM DE POÇO BRANCO




         Em janeiro de 2020 se comemora os 50 anos de inauguração da barragem de contenção sobre o rio Ceará-Mirim construída a época no distrito de Poço Branco no município de Taipu.
 Histórico da barragem
         A história da Barragem Taipu também é um dos capítulos especiais, no longo livro sobre o Nordeste que talvez jamais seja escrito.
A obra foi estudada e projetada inicialmente em 1935, pelo então IFOCS (Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas), destinava-se, principalmente, ao controle das cheias do fértil vale do rio Ceará-Mirim, onde existiam três usinas de açúcar, além da sua total irrigação.
Somente muito tempo depois, já sob a jurisdição do Departamento Nacional de Obras Contras as Secas-DNOCS, novos e definitivos estudos foram levantados, adaptando-a melhor as reais condições hidrológicas.Uma área de aproximadamente 10.000 hectares poderia ser irrigada, por gravidade, podendo ser aumentada, consideravelmente, por bombeamento.
                Canteiro de obras da Barragem Taipu
Fonte: Revista Manchete, 1965,p.103.

O vale do Ceará-Mirim
         O vale do rio Ceará-Mirim era de uma produtividade enorme. O próprio DNOCS estava providenciando um estudo global dos recursos do grande vale, inclusive levantamentos sobre sua área cultivável, possibilitando, desta forma, uma programação racional e dirigida da futura irrigação.
Tais medidas valorizariam, ainda mais, os trabalhos da Barragem Taipu, proporcionalmente, maiores benefícios para as populações vizinhas.

Informações técnicas sobre a Barragem
         Os trabalhos estavam entregues desde 1963 a Construtora Nóbrega & Machado Ltda, firma genuinamente nordestina e dirigida pelos engenheiros Vauban Bezerra e Wilson e Milton Nóbrega, “com espírito empreendedor de trabalhar pela valorização e pelo progresso da terra comum” (REVISTA MANCHETE, 1965, p.102).
         O projeto constava de um maciço de terra compactada, com zoneamento bilateral, terminando os taludes, tanto de montante com de jusante, por enrocamento de proteção.
         O maciço divide-se em duas partes bem distintas: a barragem principal, com 640 metros de comprimento, correspondente ao fechamento do vale propriamente dito e a barragem auxiliar, com 280 metros, de onde a altura máxima de 10 metros, já estava inteiramente concluída.

                            Vista das obras da Barragem Taipu
                                        Fonte: Revista Manchete, 1965,p.103.
                                       Ao fundo é possível vê o macico da barragem principal.

         O vertedouro, localizado na ombreira esquerda, entre a barragem auxiliar e o acampamento, tem o comprimento na crista de 177 metros, o que permitia com que permitia uma lâmina de 2 metros, uma descarga da ordem de 2.000m³ de água por segundo. Os principais serviços a serem concluídos davam a seguinte estimativa:
Escavações: 31.000 m³.
Maciço: 1.630m³.
Concreto e alvenaria: 8.700 m³.
Na cota de coroamento do vertedouro, o açude acumularia um volume de 135 milhões de m³ e cobriria uma área de 1.307 hectares.
         Ressalte-se que as terras banhadas pelo lago formado da barragem eram inteiramente áridas e despovoadas, sendo de pouca monta os prejuízos econômicos que seriam verificados após o enchimento do lago da barragem e inundação das terras circunvizinhas.
Para a conclusão de um projeto desta envergadura, a Construtora Nóbrega & Machado concentrava em Taipu o poderio técnico da sua organização.
Eram máquinas e homens que trabalhavam ininterruptamente, para cumprir fielmente os prazos estabelecidos nos contratos.

              Máquinas e trabalhadores da Barragem Taipu




                                                 Fonte: Revista Manchete, 1965,p.102-103.
Segundo a revista Manchete eram mais de 200 operários que se encontravam nos canteiros de obra da barragem, onde a construtora mantinha uma escola, serviço médico-dentário, em funcionamento permanente (REVISTA MANCHETE, 1965, p.102).Além disso cinco engenheiros residiam na obra, em tempo integral, acompanhando assim, a cada momento, o desenrolar da atividades o campo.
Para o andamento das obras existiam 50 caminhões basculantes de 7 m³, 4 motoniveladores, 8 carregadeiras de 2 e ¾ jardas cúbica, 6 tratores D7, 6 tratores de pneus (CBT) e 5 rolos vibratórios, que represetavam parte do grande equipamento concentrado na Barragem Taipu, para melhor rendiemnto da tarefa. (REVISTA MANCHETE, 1965, p.102).

A visita do ministro Juarez Tavora
Em 1965 o ministro Juarez Távora acompanhado do General Nelso Felício dos Santos, diretor geral do DNOS, visitaram as obras da Barragem Taipu acompanhados de técnicos e segundo o a revista Manchete “teve um significado todo especial para aquela região nordestina”.
Ainda de acordo com a referida revista a Barragem era de importância socioeconômica das maiores, localizada numa das mais férteis e ricas regiões do Rio Grande do Norte.
         A construção da Barragem se arrastava década após décadas, sem que pudesse oferecer a concretização do seu planejamento, sofrendo toda sorte de problemas e atrasos.
          Segundo a revista Manchete o ministro Juarez Távora e os diretores do DNOS se mostraram vivamente impressionados como andamento dos trabalhos na barragem, que estava definitivamente incorporada ao desenvolvimento e a integração de grande área do Rio Grande do Norte.
    Ministro Juarez Távora (centro) em visita as obras da barragem
   Fonte: Revista Manchete, 1965,p.103.
     
         Os dados e informações técnicas sobre o projeto foram explicados,como todos os detalhes ao Marechal Juarez Távora, que ficou inteirado do andamento das tarefas e das diversas etapas do empreendimento.
         Com a liberação dos recursos federais para a conclusão das obras esperava-se em breve inaugurar a barragem que “representará a concretização de um sonho de trintas anos, constituindo mais um marco do governo Castelo Branco na formação de um novo Nordeste”.
                A barragem já concluída e inaugurada em 1970

Fonte: Revista Manchete, 1970, p.192.

PS: embora Poço Branco já fosse município á época da publicação da matéria na referida revista, a obra era tida pelo Governo Federal como Barragem Taipu, optamos por deixar assim.Evitando os proselitismo, bairrismo e paixões topográficas, deve-se dá a Cesár o que é de Cesar, a barragem historicamente pertence mais ao município de Taipu do que ao de Poço Branco, mesmo tendo este levado consigo a obra toda quando de sua emancipação política em 1963.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2020

A EPOPEIA DE JEAN MERMOZ



Jean Mermoz foi um aviador francês que fazia a travessia do Oceano Atlântico a serviço da empresa Aeropostale que mantinha um escritório as margens do rio Potengi em Natal como base para distribuição de correspondências que eram expedidas para América do Sul.
Jean Mermoz foi um personagem bastante conhecido da capital potiguar na década de 1930 e em Natal há uma escola no bairro do Bom Pastor que lhe homenageia.
O relato a seguir é sobre a travessia feita por Jean Mermoz e seu dois companheiros de voo entre São Luis do Senegal e Natal em 1930.
                                    Jean Mermoz

Jean Dabry, o único sobrevivente relembra as horas dramáticas no inferno de Pot-Au-Noir
Quando, as 8 horas da manhã de 13 de maio de 1930, pusemos os pés em Natal, vindos de São Luiz do Senegal, de onde partimos as 11 horas do dia 12, havíamos realizados uma dupla façanha que nos enchia de orgulho: a primeira travessia postal do Atlântico Sul e o recorde mundial, por hidroavião, de distancias em linha reta, até então em poder dos americanos.
Finalidade da travessia
Mermoz, Dabry e Gimié trabalhavam para a Compagnie Generale Aéropostale que desde 1 de março de 1928, mantinha serviços postais entre Tolosa e Buenos Aires.
         A travessia do Atlântico, porém, era feita em pequenos navios.Mermoz resolveu realizar todo o trajeto por via área , atendendo, assim com grande destemor, aos desejos da empresa.Os 3.137 km de distancia entre São Luiz (Senegal) e Natal foram cobertos em 21 horas e 10 minutos.Nesse voo o “comte  De La Vauix” trouxe 130 kg de correspondências.
Horas dramáticas no ‘pot–au-noir’
Dabry disse ao repórter que um dos momentos mais emocionantes da travessia foi transpor o ‘pot-au-noir’, a grande muralha de nuvens negras e espessas que impede todas a visibilidade em pleno voo.
-Quando nos aproximamos do ‘pot-au-noir’, disse Dabry, avisei Mermoz.Lembro-me de que , momentos depois, o rádio de bordo recebia uma mensagem no limiar da misteriosa parede negra do pot-au-noir.Mermoz, por alguns instantes, largou o comando e o vi com os olhos marejados de lágrimas.Mas logo as lagrimas se dissiparam e Mermoz se preparou para transpor o grande obstáculo.Foram horas dramáticas.Quando em criança imaginava cavernas malditas de feiticeros, não passava pela mente imagem mais funesta do que a linha sob as vistas.Tinhamos a impressão de estar navegando no caos primitivo.No seio desse universo obscuro, distiguiamos grossas counas de chuva e vultos gigantescos que ora nos pareciam castelos, ora nos pareciam animais pré-históricos turbilhando a nossa frente num movimento atordoante.Em dado momento, Mermoz, meio sufocado pôs a cabeça par afora da cabine a procura de ar ouro.Um jato de vapor atingiu-lhe os olhos, deixando-o de sustentar com firmeza o comando.Depois de mais de três horas,vimos um prodígio.a lua cheia, em todo seu resplendor, banhava com a sua luz o céu e o mar.Passara o perigo.
O fim do “Comte de La Vauix”
Dabry ressaltou também a bravura de Mermoz no naufrágio do Comte de La Vauix.Na volta do aparelho, foi tal o mau tempo que se fez necessária uma amerissagem forçada de Mermos. Quando tocou na superfície do oceano,uma baleeira do Phocée já estava perto.Toda a correspondência foi salva.E já nos estávamos afastando do loca, prosseguiu, quando Mermoz de um salto voltou, ao avião.fora desligar o motor.Só então é que voltou para a baleeira, contemplando pesarosamente o fim do Comte de La Vauix, que afundava docemente.
O avião monoplano de flutuadores Latecoere 28, pesava mais de 50 toneladas e era movido por um motor de 50 cv.Havia deixado Sanit Louis do Senegal as 11 horas e pela madrugada do dia 13 sobrevoava as ilhas São Paulo e Fernando de Noronha.A chegada a costa brasileira, a 13 de maio, de manhã cedo, é uma pagina clássica de Mermoz.
         - Diante de mim- escreveu ele em “Mês Vols”- na linha do horizonte, destacou-se lentamente um rochedo.Reconheci a ponta de São Roque.Fiquei pasmado, o estomago se contraiu e senti uma pancada no coração. Julguei que o meu espírito se desprendia do corpo e não tive mais controle dos meus movimentos. O aparecimento de terra depois de ter sulcado o oceano me deslumbrou. Foi um minuto emocionante, o grnade minuto de nossa viagem.Soltei um grito e Dabry e Gimie acorreram.Não abri a boca.Dabry exclamou: São  Roque.Num mesmo ímpeto, estritamente solidários, sentimos a força da nossa colaboração e experimentamos a mesmo embriaguez, a da vitória.Natal estava sob nós e fiz uma curva ao cabo de um instante e ‘piquei’ para a base da Aeropostale instalada as margens do rio Potengui [sic].
                                 Avião Latecoere 28 Comte de La Vauix
Foi num avião desse modelo que Jean Mermoz fez a travessia do Oceano  Atlântico em 1930

        
Mermoz desapareceu no Atlantico a 7 de dezembro de 1936.O radio-operador Gimie, que o acompanhava na travessia com  o navegador Jean Dabry, caiu em serviço aéreo na África do Norte, a 13 de janeiro de 1949.
Fonte: Revista Motor, Rio de Janeiro, 1957, p.6.



                               Escola Estadual Jean Mermoz em Natal