Aqui revelaremos os diretores, entre 1904 e 1975.
Entre 1904 e 1908 a EFCRGN foi dirigida por uma comissão ora se revesando entre si os engenheiros que a compunham.Entre 1908 e 1920 a EFCRG esteve sob arrendamento a Empresa de Viação e Construções.A partir de 08/06/1920, a ferrovia passou a ser administrada pelo Governo Federal.
José Matoso Sampaio Correia - 1904-1906.
José Luiz Batista - 1906-1908.
João Proença - 1908-1920.
João Benevides — 1920/1923
Getúlio Nóbrega — 1923/1926
Hermelindo Barros — 1926/1930
Alberto Martins — 1931
Frederico D’ávila Bittencourt — 1931/1932
Norberto da Silva Paes — 1932/1933
Heitor Teixeira Brandão— 1933/34
Eduardo Rios — 1934/1938
José S. Espinheira — 1938/1940
Armilo Monteiro — 1940/1941
Major Antonio C. Zamith — 1942/1944
Alvaro C. Melo — 1944/1947
Hélio Lobo — 1947/1951
João Galvão Medeiros — 1951/1955
Edilson Fonseca — 1955/1956
José H. Bitencourt — 1956/1958
José Manuel Wanderley Filho- 1958
Joaquim Carneiro da Cunha - 1958-1960.
Valdo Sette de Albuquerque - 1960-1963.
Heber Maranhão - 1963-1964
Paulo Feitosa- 08/01 a 03/04/1964
Marco Aurélio Cavalcante - 1964-1975
Nesse ano, (1958) a ferrovia transforma-se em "Rede Ferroviária Federal do Nordeste", abrangendo as Estradas do Rio G. do Norte, Pernambuco e Paraíba, com sede no Recife, sob a direção do engenheiro Lauriston Monteiro.
O Estado do Rio Grande do Norte, ficou sendo apenas uma delegacia apagada, sem brilho e até ridicularizada.
Seu primeiro delegado, José Wanderley Filho, findou sendo assassinado, causando um impacto profundo na Empresa.(Tribuna do Norte,15/03/1977,p.9).
O período a cima citado revela uma transição institucional profunda na malha ferroviária potiguar, culminando em uma perda de autonomia política e administrativa que parece ecoar o sentimento de "decadência" frequentemente relatado na historiografia regional.
A transição para o controle federal (1920)
O ano de 1920 marca o início da gestão direta pelo Governo Federal em 8 de junho de 1920. Esse movimento faz parte de um contexto nacional de centralização das ferrovias, que antes operavam sob regimes de concessão (muitas vezes a empresas inglesas, como a Great Western) ou administrações locais dispersas.
Estabilidade vs. rotatividade dos Diretores
Observando a cronologia, nota-se uma alternância de poder que reflete o clima político do Brasil:
A Era Vargas (1930-1945): percebe-se uma fragmentação maior no início da década de 30 (Dr. Alberto Martins e Frederico D’ávila em 1931). A presença do Major Antonio C. Zamith (1942-1944) destaca a militarização de cargos técnicos durante o Estado Novo, algo comum em setores estratégicos como o transporte ferroviário durante a Segunda Guerra Mundial.
Período Democrático (1945-1958): as gestões de nomes como Dr. Hélio Lobo e João Galvão Medeiros mostram mandatos um pouco mais longos (4 anos), indicando uma tentativa de continuidade administrativa antes da grande reforma de 1957/58.
A Criação da RFN e a "perda de brilho" (1958)
O ponto de inflexão mais dramático na citada ferrovia foi a transformação da ferrovia em Rede Ferroviária Federal do Nordeste (RFN).
Centralização no Recife: transferência da sede para Pernambuco é descrita com amargura. Para o Rio Grande do Norte, isso significou deixar de ser o "centro" de suas próprias decisões ferroviárias para se tornar uma "delegacia apagada".
Impacto no RN: se utilizava termos fortes — "sem brilho e até ridicularizada" — o que demonstrava o impacto não apenas econômico, mas na autoestima e na relevância política do estado dentro do sistema ferroviário nacional.
O Caso José Wanderley Filho
O desfecho trágico sobre o assassinato do primeiro delegado, José Wanderley Filho, serve como uma metáfora da instabilidade e do "impacto profundo" que a nova estrutura administrativa trouxe.
Esse evento é um ponto de interesse para a crônica policial e política da época, selando um período de incertezas para a categoria ferroviária em solo potiguar.
Esse documento é uma fonte valiosa para entender a transição da antiga Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte para o que viria a ser, posteriormente, parte da RFFSA (Rede Ferroviária Federal S.A.). Ele documenta o momento exato em que a autonomia técnica local foi substituída pela burocracia regional centralizada.
José Henrique Bittencourt
Tribuna do Norte, 25/10/1957,p.4.
Reconstituição digital por Inteligência Artificial.
Valdo Sette de AlbuquerqueReconsituição digital por Inteligência Artificial.
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