O jornal Tribuna do Norte em 1952 fornece valiosas informações sobre o então distrito de Jandaira que remontam as suas evolução histórica.
Jandaira era um dos muitos povoados de Macau dentre os quais se destacava o de Jandaira, por já existir ali um hotelzinho e um grupo escolar. “Só falta um telefone o que seria de grande proveito para aquela gente”, escreveu o cronista do citado jornal. (Tribuna do Norte, 20/09/1952, p.6).
O cemitério havia sido construido (ou reformado) em 1957 durante a administração do prefeito de Lajes, Francisco Cabral.
Em 1958 foi iniciada a construção do açude Jandaira pelo DNOS.
A Estrada Macau Baixa Verde, principalmente no trecho de Jandaira, que estava impraticável, cuja comunicação nos veio por intermédio do ex-vice-Governador **José Varela**, ante ontem tomei as providências para seu conserto e sua manutenção.(Tribuna do Norte,10/02/1961,p.4).
Na mesma estrada, entre João Câmara e Macau, haveremos de atingir o distrito de Jandaíra antes do fim deste ano, para na metade do próximo, possibilitar a ligação permanente, definitiva e imprescindível do nosso maior centro salineiro com a Capital. (Tribuna do Norte,22/10/1961,p.4).
Para visitar as obras da rodovia João Camara-Macau, no trecho compreendido entre João Camara e Jandaira, o Governador seguirá no proximo dia três de janeiro, devendo, ainda, visitar os municipios de Macau. (Tribuna do Norte,30/12/1961,p.4).
De 1.º de setembro de 1961 a 31 de janeiro de 1962 foi concluído o trecho inicial, que liga Baixa Verde (João Camara) a Jandaira, num total de 41 km.
A criação do municipio de Jandaira
Segundo o referido jornal o Chefe do Executivo, em seu último despacho com o Secretário do Interior e Justiça, sancionou a lei da Assembleia que criava o município de Jandaira, desmembrado do de Lajes.(Tribuna do Norte, 09/01/1964,p.2).
A 120 km de Natal, no extremo norte do Estado, está situado o município de Jandaíra, com apenas 353 km². O município de Jandaíra foi desmembrado do de Lajes, pela Lei Estadual n.º 2.836 de 27 de dezembro de 1963, instalada em 29 de janeiro de 1964, foi governada desta data até 14 de fevereiro de 1965, pelo Sr. Severino Matias de Melo, nomeado pelo governador do Estado.
A nova comuna deveria ser instalada imediatamente, devendo o seu prefeito recair em pessoa da livre escolha do Governador, até que o TRE fixasse data para a realização de eleições.Foi nomeado Severino Matias de Melo como primeiro prefeito de Jandaira pelo governador Aluizio Alves.
Sua primeira eleição, para prefeito, vice-prefeito e vereadores, foi realizada no dia 31 de janeiro de 1965 e os eleitos empossados no dia 14 de fevereiro de 1965, com término de mandatos previstos para igual data de 1969.
Em 24/01/1966 o governo do Estado inaugurou um poço tubular em Trincheiras.(Tribuna do Norte,12/01/1966,p.3).
O sr. José dos Santos, prefeito de Jandaíra esteve em 13/02/1966 com o Governador Walfredo Gurgel, acompanhado do sr. Francisco Cabral, para comunicar o êxito da perfuração de poços naquela cidade, primeira esperança de solução do grave problema de abastecimento d'água.
Em convênio com a Prefeitura a CASOL e Ministério de Minas e Energia mandaram para ali duas perfuratrizes. As perfurações já alcançaram lençol de água potável com menos de 40 metros, e prosseguem até encontrar boa vazão horária. Os poços deverão ser equipados em cooperação com a Municipalidade.(Tribuna do Norte,14/02/1967,p.4).
“Sabedoria - Experiência e Dinamismo: Trinômio Administrativo para administrar Nova Jandaira” esse foi o titulo dado pelo jornal Tribuna do Norte a administração da prefeitura de Jandaira em 1968.
O prefeito em 1968 era o sr. José Maria dos Santos, “homem de avançada idade já, mas com um brio, dotação de visão administrativa e considerado pelos seus munícipes como um homem íntegro, dedicado à causa pública e realizador de uma obra administrativa digna dos maiores elogios”.(Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2).
Situação econômica em 1968
Em todo o município existiam a indústria de cal de pedra. Existiam 25 fornos próprios para fabricação de cal e que funcionam mensalmente. O funcionamento desses fornos era feito da seguinte maneira: pesagem e duração de um para o outro, 10 dias.
A produção era estimada em 500 sacos de cal, sendo que a produção dos demais não é igual. Esta produção é exportada para Natal e municípios circunvizinhos.
O comércio, por sua vez, era muito fraco, existiam apenas pequenos mercantis, uma pequena padaria e uma pequena farmácia, além de uma bomba de gasolina e um restaurante. Na agricultura, o plantio de algodão, agave, milho e feijão predominam, sendo que o mais explorado é o do algodão.
Com relação à produção do ano passado, o algodão não foi produzido em um milhão de quilos, enquanto a produção de agave atingindo a casa dos 150 mil quilos, a do milho cerca de 11 mil e a de feijão 80 mil.
O algodão e o agave são colocados para as indústrias mais próximas, em João Câmara e Lages.
Quanto à pecuária a região é criação de município, sendo que o bovino é o mais importante pela existência de um maior número, seguido pelos ovinos e caprinos.
Prefeitura de Jandaíra em 1968.Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2.
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Demografia em 1968
Existiam na zona urbana da cidade 433 habitantes, sendo 172 homens e 187 mulheres, 41 crianças de 7 a 14 anos, sendo 23 do sexo masculino e 18 do feminino. De mais de 14 anos existem 10 homens e 3 mulheres e menores de 7 anos, 72 homens e 74 mulheres.
Especificação da zona urbana
Menores de 7 anos de idade | Homens | Mulheres |
72 | 74 | |
De 7 a 14 anos de idade | 23 | 18 |
De mais de 14 anos de idade | 10 | 3 |
De maior idade | 122 | 185 |
Na zona suburbana residiam 385 pessoas, sendo:
Menores de 7 anos | Homens | Mulheres |
59 | 75 | |
De 7 a 14 anos | 35 | 37 |
De mais de 14 anos | 70 | 16 |
Maiores de idade | 58 | 75 |
Na zona rural existiam 558 habitantes, assim discriminados:
Menores de 7 anos | homens | mulheres |
154 | 145 | |
De 7 a 14 anos | 151 | 158 |
De mais de 14 anos | 163 | 172 |
Maiores de idade | 758 | 276 |
No resumo geral, apresentava-se:
Menores de 7 anos | homens | mulheres |
285 | 245 | |
De 7 a 14 anos | 209 | 263 |
De mais de 14 anos | 599 | 191 |
Maiores de idade | 518 | 457 |
Apresentando um total geral de 1.216 homens e 1.161 mulheres, numa população de 2.376 habitantes. Este levantamento foi realizado por determinação do prefeito municipal e teve a duração de 90 dias, quando do cadastramento dos prédios existentes no município.
Finanças
O movimento financeiro dos anos de 1965, 66 e 67 apresentaram uma receita e uma despesa equilibradas, não apresentando déficit em nenhum dos anos primeiros da atual administração.
No ano de 1965 a receita foi de NCr$ 2.823,34 para uma despesa de NCr$ 1.536,34. No ano de 1966, a receita foi de 23.639,14 e uma despesa de NCr$ 22.381,02. Já no ano de 1967, a receita foi de NCr$ 41.561,52 com uma despesa de NCr$ 34.431,04.
No movimento acima especificado estão incluídos todos os auxílios recebidos pelo município que sejam federais, estaduais ou municipais. Em 1965, como está descrito, foi realizada uma despesa de NCr$ 1.536,34.
Nesta despesa estava incluída a aquisição de ferramenta necessária para o conserto de poços tubulares, como sejam: chaves, correntes, etc. Este foi o primeiro material adquirido pela prefeitura.
Em 1966, numa despesa apresentada de NCr$ 22.381,02, estão incluídos NCr$ 7.500,00 gastos na construção da sede própria da prefeitura municipal; NCr$ 1.193,95 gastos na conservação dos próprios públicos como a restauração total do mercado, cemitério e delegacia de polícia; NCr$ 993,50 gastos na aquisição de um motor marca Yanmar e de uma bomba Itauera, para o poço tubular de Aroeira Direita.
Durante o exercício de 1966, apenas uma situação gravíssima, a estiagem, pois esta castigou em cheio a região e, sem condições, por falta de ferramentas, a prefeitura foi forçada a gastar NCr$ 2.891,90, na construção de 8 km de estradas e na conservação de mais 94 km das diversas estradas existentes no município, sendo que durante os meses de março e abril, contávamos com 143 homens para trabalhar sem possuirmos ferramentas, como seja, carro de mão etc.
Este trabalho foi realizado com a ajuda dos "Alimentos para a Paz", além de mais NCr$ 383,00 com limpeza pública e de NCr$ 4.576,10 com o destocamento de matos dentro da cidade, com respectivo transporte e deixando o funcionalismo em dia e a prefeitura munida de material de expediente.
Em 1967 veio a perfuração de poços tubulares, inicialmente pelo Ministério das Minas e Energia, com as despesas feitas pela prefeitura. Igualmente outro poço perfurado em convênio CASOL—CONESP, também com ajuda da prefeitura. Posteriormente, veio a instalação do poço perfurado pelo Ministério das Minas e Energia, uma instalação moderna, cara e eficiente, pois serve bem à população e que custou aproximadamente NCr$ 8.000,00. Depois veio a construção do Matadouro, ainda não concluído, porque fomos para a construção de uma sala de aula no lugar "Tubibal", neste município, já concluída e brevemente inaugurada.
Veio depois o financiamento de silos metálicos feito pelo BANDERN—INDA—ANCAR e depois pela prefeitura, veio o fornecimento de enxadas manuais, formicida e inseticida pela prefeitura, aos pequenos agricultores com 50% de abatimento e a saúde com convênio com a Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Lages, mantenedora do Hospital Maternidade Aluízio Alves, naquela cidade.
I — Câmara Municipal: A Câmara Municipal representava uma percentagem de 22.5% destinada àquele legislativo, sobre o orçamento do município.
I I — Governo Municipal: o governo municipal tinha anualmente um subsídio de NCr$ 360,00 e o vice-prefeito de NCr$ 240,00.
III — Serviço de Administração Geral: pela secretaria da prefeitura funciona a Tesouraria, pois o secretário responde pelo expediente do Tesoureiro, além da Junta do Serviço Militar.
V — Serviço de agricultura e abastecimento: aos pequenos agricultores foi fornecido pela Prefeitura Municipal, enxadas manuais, formicida e inseticida com 50% de abatimento e financiado com prazo de um ano, silos metálicos para armazenamento da produção.
V — Educação e Cultura: no município existem quatro escolas primárias, sendo que apenas duas estão em funcionamento — a de Trincheiras e a de São Geraldo, denominada Escola Municipal Manoel Alves Filho, que contaram no exercício passado com 43 alunos que receberam, além das escolas, todo o material necessário para o seu estudo, ou seja: cadernos, lápis e borrachas, gratuitamente fornecidos pela prefeitura.
VI — Saúde: a prefeitura mantinha convênio com a Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Lages, mantenedora do Hospital Maternidade Aluízio Alves, para atender aos munícipes que ali chegam em busca de serviço médico, dentário etc. Além dêste convênio a prefeitura ainda tem que deslocar para Natal, Macau, João Câmara, para melhor atender à saúde dos que não podem se tratar.
VII — Serviços Urbanos: um ligeiro retrospecto do que tinha Jandaíra em 1968: três poços tubulares, quando anteriormente dispunha de apenas um, precário; uma prefeitura moderna, um investimento importante para o município; uma sala de aula em Tubibal, construída pela atual administração; um matadouro em fase de construção; um mercado restaurado; um cemitério também restaurado; uma camioneta para atender as necessidades da Edilidade e dos munícipes; um equipamento para conserto dos poços tubulares; um equipamento mecânico funcionamento em um poço tubular; um motor Yanmar e uma bomba Itauna, funcionando em Aroeira Direita.
Todos estes investimentos foram anexados ao patrimônio do Município pela atual administração José Maria dos Santos. (Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2).
Em novembro de 1974 o governador Cortez Pereira já havia inaugurado a luz elétrica fornecida pela Cosern em Jandaira.(Tribuna do Norte, 10/11/1974, p.8).
Prédio não identificado em Jandaíra, 1968.Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2.
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