domingo, 2 de março de 2025

SOBRE AS CAPELAS DE RIO DO FOGO

 


         É por nós desconhecida a origem da capela de Rio do Fogo, presentemente sob o orago de Nossa Senhora dos Navegantes.Da existência das capelas que atualmente compõem-se a paróquia de Rio do Fogo tem-se o que se segue.

         Em 1941 o Pe Bianor Aranha, vigário da paróquia de Touros, visitou a capela de Rio  do Fogo onde teve a oportunidade de presidir a cerimônia da 1ª comunhão de 30 crianças instruídas pela piedosa catequista Francisquinha Ribeiro, segundo o jornal A Ordem “alma cheia de virtudes cristãs”. (A Ordem,07/08/1941,p.2).

         Naquele ano de 1941 também foi organizada diversas comissões de conservação das capelas da paróquia de Touros.

         Para a capela de Rio do Fogo foi composta a seguinte comissão: Eliseu Ribeiro, José Monteiro de Souza, Antonio Sotéro Galvão, José Gaspar de Oliveira, Miguel Gomes Ribeiro, Luiz Ciriaco da Cunha, Francisco Alves da Costa, José Celestino de Andrade e Severino Eugenio.

         A catequista era Ester Ciriaco da Cunha.Naquele ano houve a realização da primeira comunhão de 33 crianças. (a ordem,17/10/1941,p.2).

         Na capela de Zumbi a comissão de conservação foi composta de Valfredo da Costa Pereira, Antonio Miguel do Nascimento, Otavio da Costa Pereira,Miguel Cardoso e Antonio Gomes da Silva.

         Como zeladoras Sebastiana Rocha, Maria Silva, Maria Gomes, Brazilina Ferreira e Auta Ferreira.

         Como catequista Brazilina Ferreira, Maria Francisca da Silva e Sebastiana Francisca da Rocha.Realizou-se a primeira comunhão de 42 crianças naquele ano de 1941.

         Na capela de Pititinga a comissão de zeladoras foi composta pelas senhoras Luiza de França Costa, Maria de Paiva, Josina Cruz Cavalcanti, Isaura Paiva, Honorina Marias Medeiros, as jovens Isabel Araújo, Luiza Martins, Iracema Caldas, Laura Miranda e Silva e Pureza Almeida.

         Já as catequistas foram Santa Araújo, Adelaide Costa, Luiza Martins e Joana Miranda e Silva.

         Encarregados da conservação foram Pedro Lucas e Silva, Manoel Correia Nascimento, Pedro Paiva e Francisco Trajano.

A PRIMEIRA MISSÃO DE FREI DAMIÃO EM RIO DO FOGO


         A primeira missão de Frei Damião em Rio do Fogo ocorreu entre os dias 20 e 22/06/1947.

         De acordo com o jornal A Ordem a vila de Rio do Fogo acorreu pressurosa ao encontro do virtuoso frade Frei Damião para ministrar ali as santas missões.

         As ruas apresentavam-se com aspecto festivo ornamentadas com bandeirinhas, e arcadas.Na arcada principal, onde deveria entrar o missionário, lia-se a inscrição: “SALVE FREI DAMIÃO, mensageiro de Deus junto ao povo católico”.

         As 15h00, ao espocar de foguetões e sobre o delírio dos fiéis, dava entrada na povoação o estimado missionário capuchinho acompanhado do padre Antônio Antas, vigário da freguesia de Touros.

         Ao penetrar Frei Damião na primeira arcada, recebeu em nome do povo de Rio do Fogo o sr. José Porto Filho, que  disse da satisfação de todos desde quando for a anunciada a visita do amado missionário àquela localidade.

         Durante 3 dias o frade missionário permaneceu em Rio do Fogo na realização das santas missões, ministrando, confessando, crismando, batizando e casando os fiéis ali residentes.

         Foram 3 dias de festa espiritual, notando-se o enorme desejo do povo conhecer de perto a Frei Damião, cujas mãos eram avidamente beijadas.

         Para a recepção do missionário em apreço foi composta a seguinte comissão: Eliseu Gomes Ribeiro; José Teixeira e José Monteiro, ficando Frei Damião hospedado em casa deste último.

         O povo em massa, num verdadeiro sentimento de fé religiosa, cercou o amado frade de indesejavel carinho, ouvindo-o contritamente com muita obediência.

         Foi assim até o último dia das santas missões quando depois da procissão e benção, teve que partir Frei Damião em direção a Maracajaú.

         Nessa ocasião à grande massa de povo cercou o frade capuchinho como que se quisesse o impedir de partir confundindo-se o delírio com tristeza.

         Os fiéis atropelavam-se uns aos outros ao beijarem a mão de Frei Damião, que aos poucos pode atravessar a multidão, até tomar a charrete que o conduziu a Maracajaú.

         Foi um espetáculo comovente que se verificou-se naquele momento, segundo o cronista que relatou a visita de Frei Damião ao jornal A Ordem.Todos agrupados na praia seguiram com o olhar uns e outros Sairam correndo atrás do veiculo que conduzia o missionário para ficarem mudos, estáticos, que momentos antes exteriorizavam alegrias e satisfação.

”Resta-nos apenas, hoje, uma pungente saudade de tudo quanto assistimos durante os dias da Santa Missão em Rio do Fogo.Que os céus atendendo as nossa súplicas, nos mandem novamente, esse denodado e competente pastor da almas enferma”, escreveu o cronista J.P ao citado jornal.(a ordem,03/07/1947,p.2).

Frei Damião em Pititinga

         A visita a povoação de Pititinga ocorreu em julho de 1947, ali auxiliado pelo Pe. Antonio Antas, vigário de Touros, realizou inúmeros casamentos, batizados, comunhões, crismas, tendo pronunciado proveitosas práticas acompanhadas de procissão, cânticos e benção.(A Ordem, 07/07/1947,p.4).

NOTAS PARA A HISTÓRIA DO MUNICÍPIO DE RIO DO FOGO


         O município de Rio do Fogo teve sua criação ocorrida em 1995, assim, neste ano de 2025 será a comemoração dos seus 30 anos de criação, sendo assim um dos mais jovens municípios criados no Estado, entretanto sua história remonta a épocas passadas distantes e que merecem ainda olhares que descortinem mais amplamente os subterrâneos do seu passado.

         A seguir alguns fragmentos que podem contribuir para a história desse pequeno, porém, pitoresco município do litoral potiguar que desponta a cada dia com sua vocação turística.

Descrição de Pititinga Em 1883

         Pititinga é uma das localidades litoraneas mais antigas do Rio Grande do Norte, sendo ponto de referência para navegadores desde os tempos da colonização potiguar, atualmente integra o território do municipio de Rio do Fogo.

         A Enseada de Pititinga foi assim descrita pela revista maritima brasileira: “assaz conhecida pela aluvião de coqueiros espalhados por entre muitas pequenas casa, que forma uma povoação muito pitoresca.

         A ponta da Enseada da Pititinga está a uma milha e meia distante da Ponta de Maracajaú.(Revista Maritma Brazileira ,1883,p.634).

A escola primária de Zumbi

         A lei Nº 935, de 21 de março de 1885, assinada pelo então presidente da provincia Altino Correia de Araújo, criou a cadeira de primeiras letras para o sexo masculine na povoação de Zumbi, do municipio de Touros.(Coleção de Leis Provincials do Rio Grande do Norte, 1885, p.4).

         Já a lei nº 999, de 05 de abril de 1887, assinada pelo presidente da provincial, Francisco Pereira de Carvalho, transferiu a referida escola de instrução primária de Zumbi para a povoação de São Bento.(Coleção de Leis Provincials do Rio Grande do Norte,1887,p.23-24).

 Inauguração dos foroletes de Rio do Fogo, Gameleira e Pitintiga

         De acordo com o jornal A Nação em 15/02/1933 foram inaugurados os faroletes de Gameleira, Rio do Fogo e Pititinga, no canal de São Roque.(A Nação,15/02/1933,p.5).

O distrito policial de Rio do Fogo

         Em 12/01/1936 foi criado no município de Touros dois distritos policiais com as denominações de Rio do Fogo e São Miguel do Gostoso, obedecendo aos limites traçados na  portaria do chefe de polícia, tendo sido nomeados para as funções de subdelegados, Miguel Gomes  Ribeiro e José Domingues Vital, respectivamente.

         No tocante ao subdelegado de Rio do Fogo, Miguel Gomes Ribeiro, assumiu as suas funções naquele distrito em 22/02/1936.( A Ordem, 22/02/1936,p.3).

Nova casa do faroleiro de Rio do Fogo

         Em 1936 foi inaugurada a nova casa do faroleiro de Rio do Fogo pelo almirante Aristide Guimarães, assim como as de Gameleira e Pititinga.(a ordem, 15/03/1941,p.1).

 Supressão do cartório

         O cartório de registro civil de Rio do Fogo foi suprimido por meio de decreto estadual em 31/12/1938.(a ordem,26/11/1938,p.1). Ignora-se a data de criação e os motivos que levaram a tal medida por parte do governo.

O decreto nº 974, de 26 de outubro de 1935, concedeu subvenção a escola particular mantida pela professora Francisca de Souza Ribeiro em Rio do Fogo.(Decretos do Governo do Estado do Rio Grande do Norte,1935,p.292).

Em 1942 constava a escola rudimentar de Pitintinga, do municipio de Touros.(Decretos do Governo do Estado do Rio Grande do Norte,1942,p.245).

O Decreto nº 1.154, de 25 de janeiro de 1943, transferiu a escola isolada de Pititinga, do município de Touros, para o lugar Varzea de Dentro, do municipio de Ceará-MirimDecretos do Governo do Estado do Rio Grande do Norte,1943,p.189).

Educação

Criação da escola de Rio do Fogo

O decreto nº 466, de 31 de janeiro de 1930 criou a escola rudimentar de Rio do Fogo, no município de Touros.

(Decretos do Governo do Estado do Rio Grande do Norte,1930,p.33).

 Subvenção a escola particular de Pititinga

O decreto nº 232, de 23 de dezembro de 1936 concedeu subvenção a escola particular mantida pela professora Adelaide Costa, em Pititinga. (Atos Legislativos e Decretos do Governo do Estado do Rio Grande do Norte, 1936,p.498).

         Por decreto assinado em 19/06/1946 pelo interventor federal no Rio Grande do Norte foi criada a escola isolada de Pititinga.( A Ordem,21/06/1946,p.4).

Professoras

         O jornal A Ordem das décadas de 1930/40 registrou as diversas nomeações e transferências de professoras da vila de Rio do Fogo, como as que se seguem.

         A professora Raquel Natália de Paiva foi nomeada em 22/01/1939 para escola isolada de Rio do Fogo, do município de Touros.(a ordem,22/01/1939,p.1), entretanto, a referida professora foi exonerada a pedido em 21/03/1939, três meses depois de sua nomeação conforme consta no citado jornal.(a ordem,21/03/1939,p.4).

         Para substituir a professora Raquel Natália de Paiva foi nomeada em 25/03/1939 a professora diplomada Zilda Barbosa Lima.(a ordem,25031939,p.1).A referida professora foi transferida  do cargo de professora efetiva da escola isolada de Rio do Fogo em 17/01/1940 para uma das escolas reunidas da vila de Sacramento, no município de Santana do Matos.

(a ordem,17/01/1940,p.1).

 em 09/02/1940 a professora de 4ª classe Noemi Barbosa Lima foi nomeada para ter exercício na escola isolada de Rio do Fogo.(a ordem,09/02/1940,p.4), substituindo assim aquela anteriormente citada, ocorreu, pois, que Noemi Barbosa Lima pediu sua remoção da escola isolada de Rio do Fogo para a escola do Campo de Sementes de Sacramento, em Santana do Matos.(Op. Cit., 18/03/1940,p.2).

         Em 03/08/1940 constava Francisquinha Ribeiro como professora da escola rudimentar do Rio do Fogo (a ordem,03/08/1940,p.4), a mesma professora é citada em 1948 com o nome Francisquinha de Melo Torres(Diário de Natal,21/08/1948,p.5), talvez, acrescentado o nome de casada.

A professora de 4ª classe Aliete Cardoso foi removida a pedido da escola isolada de Rio do Fogo em 06/08/1942. (a ordem,06/08/1942,p.2).

A Colônia de Pecadores de Rio do Fogo

         A Colônia de Pescadores Z-3 de Rio de Fogo já existia em 1922, contando naquele ano com um elevado número de colonos e mantendo duas escolas primárias, sendo uma em Rio do Fogo, sede da Colônia, e outra em Zumbi.(a voz do mar,1922,p.8).

a Colônia de Pescadores Z-3 foi depois denominada Comandante Frederico Vilar, com sede em Rio do Fogo e abrangendo a zona que ia desta vila até à Gameleiras. A Z-3 compreendia assim toda a zona da costa desde a ponta da Gameleira até a margem esquerda do Rio do Fogo.

         Sua safra de peixes consistia em guarajuba, ariacó, caraúna  e pescaria de peixe do alto mar.Possuía ainda curral de apanhar peixes que fazia boa safra de xaréu e outros peixes.

         Em 1924 constava como membros da diretoria Henrique de Oliveira, delegado; Manoel Ferreira da Costa, presidente; Luiz Ferreira da Costa, secretário e Manoel Celestino Andrade, tesoureiro.(a voz do mar,1924,p.41).

         Em 01/10/1924 foi fundada pela Colônia Z-3 Comandante Frederico Vilar duas escolas, sendo a Escola Comandante Gumercindo Loretti na praia de Rio do Fogo e a Escola Dr. José Augusto na de Perobas. (a voz do mar,1924,p.17).

         Em 1929 constava que a Colônia Z-3 estava denominada de Comandante Nereu Correia (a voz do mar,1929,p.31), teria mudado de nome ou seria outra?.

         As colônias Z-2, Z-3 e Z-5, situadas, respectivamente em Touros, Rio do Fogo e Pitintinga, possuíam riquíssimas lagoas, que eram verdadeiros viveiro das espécies das mais variadas e apreciadas, sem que, no entanto, fossem exploradas proveitosamente por falta de aparelhos aperfeiçoados que pudessem dar uma pesca mais rentável.

         Os pescadores, geralmente muito pobres, não contavam com o apoio de qualquer espécie para a aquisição de seus afazeres e praticavam uma pesca ainda muito rudimentar, que era incapaz, por isso mesmo, de produzir uma melhoria em sua situação socioeconômica.

         Entre as muitas lagos piscosas da região, contava-se a conhecida por nome de Baião, distante 3 milhas da praia de Maracajaú, extendendo-se por 2 milhas e entre 5 e 6 milhas de profundidade, pertencendo a Colônia Z-5. Nela havia, além de outras espécies, o peixe denominado “tapacá”, considerado excelente pelo seu sabor; a lagoa da Mutuca, próxima a praia de Pititinga, possuía as mesmas variedades de peixes da anterior, tendo sido sondada desde 1877 pelo velho pescador Manoel Gomes da Silva e possuindo este apenas uma vara de 5 braças, não tendo sido encontrado o seu fundo.

         Há ainda as lagoas Cotia, Atoleiro, Fonseca e Punaú, estas duas últimas na zona da Colônia Z-5 e recebendo água salgada; na zona da Colônia Z-3 se situa a grande lagoa do Fogo, verdadeiro mar povoada de peixes dos mais valiosos, sem contudo, ser exploradas convenientemente por causa de sua profundidade e falta de aparelhos por parte dos pescadores.

         Na zona abrangida pela Colônia Z-2 se situa a lagoa conhecida por Boqueirão, que em nada ficava a desejar as suas congêneres já citadas.

         Os pescadores da região, que se contavam por centenas, apelavam por meio da revista A Voz do Mar para os poderes públicos para que lhes fossem facilitada pelo menos a aquisição de maquinários próprios ao exercício mais eficiente do para o seu trabalho.(a voz do mar,1932,p.26).

Em 1936 as duas escolas ainda eram mantidas pela Colônia Z-3.(a voz do mar,1937,p.16).

A Sede da Colônia de Pescadores de Rio do Fogo estava em construção em 1937 e segundo a revista A Voz do Mar era uma das melhores que existia no litoral potiguar, estando a Colônia constituida por 220 pescadores matriculados.(A Voz do Mar,1937,p.16).

Em 1940 foi reaberta a escola noturna Joaquim Terra da Costa, mantida pela Colônia Z-3, sob a regência da professora Joana de Souza Ribeiro.(A Voz do Mar ,1940,p.18).

A Colônia Z-3 Comandante Frederico Vilar, sediada na vila de Rio do Fogo foi reorganizada em 1941 onde foram eleitos para sua diretoria naquele ano: Luiz Joaquim do Nascimento, president; Juvenal Gabriel, secretário e Manoel Monteiro, tesoureiro.(A Voz do Mar, 1941,p.15).

         Dos eventos socioculturais promovidos pela Colônia Z-3 de Rio do Fogo tem-se o registro da trasladação da imagem de São Pedro da localidade de Rio do Fogo para a vila de Touros em 24/06/1944.

         De acordo com o jornal A Ordem naquele dia as 08h, no salão de honra da Colônia, teve lugar a inauguração do retrato do presidente da mesma Baltazer Miranda, que havia falecido recentemente, por iniciativa de Ricardo da Cruz, representante da comissão executive da pesca do Estado.

         Ao ato compareceram além de grande número de Pescadores, o Pe. Vicente de Freitas, vigário de Baixa Verde e encarregado da paróquia de Touros, Severino Moura, prefeito de Touros, o tenente-comandante do destacamento federal em Rio do Fogo exercendo a função de delegado de policia, as professoras e alunas do grupo escolar local.

         Sobre o significado da homeneagem ao ex-presidente da Colônia Z-3, discursou Ricardo da Cruz, tendo o aluno Josivam Ribeiro da Cruz descerrado a Bandeira que encobria o retrato de Baltazer Miranda.

         Após essa solenidade segue-se a imponente procissão fluvial, composta por diversas embarcações, inclusive jangadas, a fim de trasladar a imagem de São Pedro, patrono dos Pescadores, da localidade do Rio do Fogo para a cidade de Touros.(a ordem, 17/07/1944,p.3).

         A atual  Colônia de Pescadores de Rio do Fogo está localizada na Praça Pescadores 125, na cidade de Rio do Fogo.

A Colonia de Pescadores de Pititinga

A Colônia de Pescadores Z-5 localizada em Pititinga na margem esquerda do rio Punaú, toda a costa até a margem esquerda do rio Piracabú.

         Mantinha duas escolas primárias. (A Voz do Mar ,1936,p.18).

Novas casas para faroleiros

De acordo com a Revista Marítima Brazileira em 1949 foram construídas novas casas para moradia de faroleiros nos farolete de Rio do Fogo, Gameleira e Pititinga. (Revista Marítima Brazileira ,1949,p.48).

A Estrada de Santa Luzia a Rio do Fogo

         A estrada que ligava as localidade de Saco de Santa Luzia e Rio do Fogo, no município de Touros, foi inaugurada em 18/04/1959.

         De acordo com o Diário de Natal o ato  inaugural constou do simples corte de fita e vários  discursos, notadamente o de Dinarte Mariz então governador do Estado, o qual relembrou o instante em que prometera a construção daquela via de acesso entre o litoral e o centro do Estado.(Diário de Natal,22/04/1959,p.1).

         A nova estrada fazia parte de um plano que uniria todas as localidades litorâneas, que viviam da pesca, nos centros abastecedores, o que provocaria mais facilidade de transporte do pescado, que principalmente o de Rio do Fogo, era feito através das praias consumindo o máximo de tempo e esforço dos pescadores quando não encarecendo de 20 para 80 cruzeiros o quilo do produto

Escola radiofônica

         Em abril de 1958 a Emissora de Educação Rural, da Arquidiocese de Natal, atual Rádio Rural de Natal, percorreu o município de Touros visitando além da sede municipal as localidades de São Miguel do Gostoso, São José, Cajueiro, Pititinga, Barra de Maxaranguape, Pureza, Saco de Santa Luzia e Rio do Fogo.

         Essas visitas teve por finalidade tartar dos primeiros preparativos de instalação das Escolas Radiofônicas de alfabetização de adultos.

         De acordo com o jornal O Poti o interesse de todo o municipio era grande, surgindo da parte de sua população a melhor receptividade com relação a Emissora da Arquidiocese de Natal.(O Poti,18/04/1958,p.6).

         Cerca de 12 escolas radiofônicas seriam instaladas no município de Touros naquele ano, as quais seriam um grande passo para a extinção do analfabetismo na região, segundo o citado jornal.

         O vigário de Touros a época, o Pe Luis Lucena Dias, estava bastante empenhado em levar à frente a iniciativa e notava-se em todos os lugares o interesse da população analfabeta em aprender a ler e escrever pelo rádio.


Aspectos do centro de Rio do Fogo.


SOBRE UMA POSSÍVEL DESCOBERTA DE PETRÓLEO EM TOUROS

 

         Em 1985 uma notícia deixou o município e a cidade de Touros em ebulição devido a possível descoberta de petróleo no litoral do município em apreço.

         Até aquele momento Touros era uma cidade praieira voltada exclusivamente para o turismo e sua “irmã gêmea” Carnaubinha, ainda virgem, só esperando água, luz e estradas para entrar nos roteiros turísticos também.

         Naquele ano de 1985 as plataformas de prospecção de petróleo já passavam de Rio do Fogo e podiam ser vista contra a linha do horizonte, com a sua imensa estrutura algaraviada.

         Os pescadores divisavam-nas com orgulho e esperança aos visitantes, não denotando o mínimo de receio diante da sua aproximação.

         Quando se viam diante da pergunta sobre poluição, prejuízo para os peixes, para a beleza da praia, etc riam. Acostumados ali, não chegavam bem a ver a beleza do local, pois sentiam mais a sua falta de recursos, de opções de vida, a tristeza.

         Torciam para que surgisse novas torres. Sabiam que, com elas, viriam os homens da Petrobras, com seus navios e os “gringos” das empresas, com seus dólares. (Diário de Pernambuco, 30/03/1985, p.21).

         Tudo não passou de expectativas, pois os prognóstico não se concretizaram e nenhuma plataforma de petróleo ao que se sabe foi montada na região e Touros permaneceu em sua bucólica existência centenária.

    Na realidade as informações acerca da descoberta de petróleo no município de Touros remontam ao ano de 1951.

Por  meio de informações colhidas de pessoas do município de Touros o jornal A Ordem divulgou ter sido descoberto um poço petrolífero naquele município, o qual seria uma sensacional descoberta.( A Ordem,12/09/1951,p.1).

         A noticia, apesar de não ter circulado nos meios oficiais, vinha sendo conformada por pessoas chegadas dos municípios vizinhos de Touros, adiantando-se que vários técnicos federais estariam naquela cidade, em estudos do local onde se dizia jorrar o precioso combustível.

Em 1975 nova noticia da descoberta de petróleo em Touros voltou a circular, quando foi noticiado que trabalhadores de pesquisa de petróleo na Plataforma continental do Rio Grande do Norte havia sido iniciadas em 1974 poderiam ter prosseguimento até o município de Touros, também na Plataforma continental, onde provavelmente seria encontrado o maior depósito de óleo mineral no país, segundo os geólogos de Natal.(Diário da Tarde , 22/01/1975, p.2).

         

 

Aspectos da cidade de Touros em 1985.Fonte:

Diário de Pernambuco, 30/03/1985,p.21.





terça-feira, 25 de fevereiro de 2025

SOBRE A INSTALAÇÃO DA ÁREA PASTORAL EM POÇO BRANCO

 

Nesta terça-feira, 25/02/2025, às 19 horas, aconteceu a instalação da Área Pastoral do Sagrado Coração de Jesus, na cidade de Poço Branco, durante celebração presidida por Mons. Valquimar Nogueira, vigário geral da Arquidiocese de Natal. Durante a missa, foi lida a provisão do arcebispo Dom João Santos Cardoso nomeando o Padre Willian Bruno dos Santos Costa responsável pela Área Pastoral, que foi desmembrada da Paróquia de Nossa Senhora do Livramento, de Taipu.

Com a instalação da referida área pastoral de Poço Branco se encerra o último vínculo que havia entre aquela cidade e a de Taipu.

O vínculo histórico e administrativo existiu desde 1891 quando foi criado o município de Taipu até 1962 quando ocorreu a emancipação do então distrito de Poço Branco.

Já o vínculo pastoral ocorreu desde 1913 até a presente data.

A primitiva capela teria sido erguida pela iniciativa de Pedro Leite, antigo morador de Poço Branco, no ano de 1912 e ficava no início da rua Nova, próxima ao comércio, na margem direita do rio Ceará-Mirim.

         Naquele ano a capela pertencia a paróquia de Ceará-Mirim, quando no ano seguinte passou aos cuidados pastorais da recém-criada paróquia de Nossa Senhora do Livramento de Taipu, criada a 18/04/1913.

         Ao longo do tempo além da assistência eclesiástica a paróquia de Taipu esteve em momentos significativos da história de Poço Branco, como a construção da nova igreja em 1970, a construção do centro pastoral em 1980, a atuação da Irmãs dos Imaculado Coração de Maria, a construção de novas capelas que se somaram as já existentes.

         A criação da paróquia em Poço Branco era uma aspiração antiga da população daquele município, sonho esse que se descortina com a criação da área pastoral.

         A cidade já conta com certa estrutura necessária para a futura paróquia como a casa paroquial, o centro pastoral, a igreja em si, que doravante será elevada a dignidade de igreja matriz, sem contar com o povo que assume os movimentos de pastorais que constam na comunidade.

         Ao ser criada em futuro próximo a paróquia a mesma abrangerá o território civil do município de Poço Branco onde constam as demais capela e igrejas que nele há.

           Esta será a segunda paróquia desmembrada da paróquia de Taipu, tendo sido a primeira a de Nossa Senhora Mãe dos Homens em João Câmara em 13/12/1929.



Pe. Willian Bruno, responsável pela Área Pastoral

 

Fonte: https://www.arquidiocesedenatal.org.br/post/arquidiocese-instala-%C3%A1rea-pastoral-em-po%C3%A7o-branco

Crônicas taipuenses: SOBRE A ANTIGA CAPELA DE POÇO BRANCO