segunda-feira, 6 de julho de 2026

A EVOLUÇÃO DEMOGRÁFICA DE BENTO FERNANDES

         A história demográfica de Bento Fernandes, município situado na região do Mato Grande, no Rio Grande do Norte, está diretamente relacionada aos processos de ocupação territorial, às transformações econômicas e às mudanças sociais ocorridas ao longo dos séculos XX e XXI.

    Assim como diversos municípios do interior potiguar, Bento Fernandes apresentou períodos de crescimento populacional, estabilidade e redução demográfica, refletindo as condições econômicas e os movimentos migratórios característicos do Nordeste brasileiro.

    Durante boa parte do século XX, a economia local esteve baseada na agricultura familiar e na pecuária de pequeno porte. Essas atividades sustentavam a permanência das famílias no campo, contribuindo para o crescimento da população rural.

   A vida comunitária organizava-se em torno das propriedades agrícolas, das capelas, das escolas rurais e das feiras livres, formando uma sociedade fortemente ligada às atividades agropecuárias.

    A seguir um quadro da evolução demográfica de Bento Fernandes a logo do tempo.

Ano

População

Observação

1940

2.573

Censo/19940.

Distrito de Taipu

1950

2.912

Censo/1950.

Distrito de Taipu

1960

3.654

Censo/1960

1961

6.531

O município se chamava Barreto

1964

6.531

 

1968

6.792

 

1970

4.278

Censo/1970

1971

4.349

 

1976

5.257

 

1980

4.764

Censo/1980

1985

4.822

Estimada/residente

1986

4.818

Estimada/residente

1989

4.945

Estimada/residente

1991

4.930

Censo/1991

1994

4.369

Estimada/residente

1995

4.326

Estimada/residente

1999

4.772

Estimada/residente

2000

4.780

Censo/2000

2000

4.731

Residente

2010

5.113

Residente total

2022

4.807

Censo/2022

Fonte: Anuário Estatístico do Brasil, 1961, p.48; 1964, p.79; 1968, p.52; 1971, p.61; 1976, p.97; 1985, p.73; 1986, p.63; 1989, p.16; 1994, p.212; 1995, p.236; 1999, p.257;2000, p.266;  2010, p.531.

 

     Entre 1940 e 1959 o distrito de Barreto figurava no município de Taipu, tendo sido emancipado em 31/12/1959.

      Em 1961 da população total residente 530 estavam na zona Urbana e 6.001 na zona rural.

      Nas décadas de 1960, 1970 e 1980, o município passou a sentir os efeitos das secas prolongadas, da mecanização agrícola e da concentração de oportunidades econômicas em centros urbanos maiores.

        Esses fatores estimularam intensos fluxos migratórios em direção a Natal, às cidades do Sudeste brasileiro e, posteriormente, a outros estados, reduzindo o ritmo de crescimento populacional.


Cidade de Bento Fernandes

     O processo de urbanização também modificou a distribuição espacial da população. Muitos moradores deixaram as comunidades rurais para residir na sede municipal, onde passaram a encontrar maior acesso aos serviços públicos, comércio, educação e saúde.

    Ainda assim, Bento Fernandes preserva uma importante população rural, característica comum aos municípios de pequeno porte do Mato Grande.

    Os levantamentos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que o município possuía 5.113 habitantes no Censo de 2010.

     Já o Censo Demográfico de 2022 registrou 4.807 habitantes, representando uma redução populacional no período intercensitário. A densidade demográfica passou a ser de aproximadamente 15,97 habitantes por km², evidenciando a baixa ocupação territorial típica dos municípios interioranos do Rio Grande do Norte.

   Outro aspecto relevante refere-se ao envelhecimento da população. A redução da natalidade e a saída de jovens em busca de oportunidades educacionais e profissionais contribuíram para o aumento da participação dos idosos na composição etária do município.

      Essa realidade impõe novos desafios ao poder público, especialmente nas áreas de saúde, assistência social e previdência.

     Ao mesmo tempo, observa-se a melhoria gradual dos indicadores sociais. A ampliação da escolarização, a expansão dos programas de transferência de renda, o fortalecimento da atenção básica em saúde e os investimentos em infraestrutura urbana contribuíram para elevar as condições de vida da população, mesmo diante do pequeno crescimento econômico observado nas últimas décadas.

     As perspectivas demográficas para Bento Fernandes indicam a continuidade do desafio de manter sua população residente. A geração de empregos, o fortalecimento da agricultura familiar, os investimentos em educação, tecnologia e empreendedorismo poderão desempenhar papel fundamental na permanência dos jovens e na redução dos fluxos migratórios.

  Dessa forma, compreender a evolução demográfica de Bento Fernandes significa compreender também sua história econômica, política e social. Os números revelam não apenas a quantidade de habitantes, mas refletem as escolhas, dificuldades e estratégias de sobrevivência construídas por sucessivas gerações de bento-fernandenses.

     A população permanece como o principal patrimônio do município, sendo responsável pela preservação de sua identidade cultural, de suas tradições e de sua memória histórica.

     A evolução da população de Bento Fernandes demonstra as transformações econômicas e sociais vividas pelo município ao longo das últimas décadas.

    Após um período de crescimento demográfico durante a segunda metade do século XX, observa-se, mais recentemente, uma tendência de redução populacional, fenômeno comum em diversos municípios do interior do Rio Grande do Norte em razão da migração para centros urbanos maiores e da diminuição da taxa de natalidade.

    Os dados censitários revelam que Bento Fernandes experimentou crescimento contínuo entre 1940 e 1991, período marcado pela consolidação do município, pela expansão da agricultura familiar e pelo aumento natural da população. Nas décadas seguintes, entretanto, o crescimento perdeu intensidade em razão das mudanças econômicas e das migrações para cidades de maior porte.

   O Censo de 2010 registrou 5.113 habitantes, representando o maior contingente populacional da história do município. Já o Censo de 2022 contabilizou 4.807 habitantes, indicando uma redução de aproximadamente 6% em relação ao levantamento anterior. A taxa média anual de crescimento tornou-se negativa, refletindo o envelhecimento da população, a diminuição da fecundidade e a saída de jovens em busca de oportunidades de estudo e trabalho.

   Apesar dessa redução, Bento Fernandes mantém características típicas dos pequenos municípios do interior potiguar, preservando fortes vínculos comunitários, expressiva população rural e relevante patrimônio histórico e cultural.

     O desafio para as próximas décadas consiste em promover o desenvolvimento econômico, ampliar a geração de empregos e criar condições para fixar a população jovem, assegurando a continuidade do crescimento social e da qualidade de vida dos bento-fernandenses.

     A estimativa populacional mais recente do IBGE indica cerca de 4.911 habitantes em 2025, sugerindo relativa estabilidade após a redução observada no Censo de 2022.

SOBRE A REFORMA DA MATRIZ DO ALECRIM

         Em 1952 escreveu o professor Otto Guerra “parece que o padre Marinho Stenzel não gosta de andar sem um aperreio dos grandes. Outrem era o magnífico salão paroquial, que lhe custou muita canseira e preocupações. Afinal, conseguiu os recursos para pagar toda aquela obra tão util.Agora, ele está enfrentando a remodelação total da Matriz de São Pedro do Alecrim. Quem passar uns tempos sem lá ir, como sucedeu conosco, fica viva e agradavelmente impressionado com o que já está feito, dando ideia do que será a futura matriz.

      O sr. Arcebispo Diocesano, ontem, durante a missa da Pascoa dos Operários, elogiou, com muita razão, o esforço e a dedicação do vigário incansavel.

      Hoje o Alecrim é meio Natal, praticamente. Multiplicam-se as missas na Matriz, desde a madrugada e sempre cheia.

      Qualquer movimento religioso que se promova naquele populoso bairro, de gente simples e cheia de boa vontade é sempre com numeroso concurso de gente.

      Eis porque a reforma da antiga matriz era indispensavel. Como também é indispensável que o povo do Alecrim ajude o seu vigário. As obras precisam ir avante para que tenhamos, em breve, uma vasta e bonita Matriz.

      Movimento assim como o do Alecrim encontramos em Campina Grande, quando lá estivemos ha uns 3 anos atrás. Dava gosto ver-se.

       E é preciso nos lembrarmos dos muitos que não vão à Igreja, nem aos domingos. E que precisam ser catequisados, convencidos de que não basta ser católico de estatística, mas cumpridor da lei".(A Ordem,19/05/1952, p.4).

      E assim foi que a aprtir daquele ano importantes melhoramentos foram introduzidos na Igreja de São Pedro, no Alecrim, inclusive com a reforma total do forro do templo e acréscimo de partes laterais.

     Confiada à direção dos Padres da Sagrada Família, a Matriz do Alecrim, que vinha dia a dia se firmando no conceito de todos os católicos do populoso bairro, tanto pela operosidade dos sacerdotes que a dirigem, como também pela devoção dos componentes das irmandades que têm sede naquele templo.


Reconstituição por inteligência aritficial.

    

        Na imagem a cima  a reconstituitução por inteligência aritficial da igreja do Alecrim a époc ada sua reforma e ampliação.Esse resgate histórico é fantástico! 

       A imagem original publicada no jornal O Poti em 1955 capturava justamente um momento crucial de sua evolução arquitetônica: a grande reforma e ampliação ocorrida na década de 1950 (concluída em meados de 1955). 

        Sob a liderança dos padres missionários da Sagrada Família, com forte influência de figuras como o Padre Martinho e o Padre Fernando Stenzel, a igreja primitiva de linhas mais simples foi expandida para comportar o rápido crescimento da população do Alecrim, que se consolidava como o bairro mais popular e comercial da capital potiguar.

        Alguns pontos históricos fascinantes sobre esse registro:

A estátua na torre

       Na imagem, mesmo antes da reforma, destaca-se no topo a grande imagem de São Pedro, que mede 2,50 metros. Ela foi trazida de navio do Rio de Janeiro e colocada na torre original ainda em junho de 1919, tornando-se o grande símbolo visual do bairro.

O processo de modernização

    A remoção dos andaimes de madeira rústica, dos antigos postes de madeira e do emaranhado de fios elétricos na nossa linha de edições digitais reconstrói o visual imponente que a Matriz ganhou após a conclusão das obras.

O estilo colonial e ocre

     A escolha do reboco liso associado ao ocre colonial e ao branco devolve à edificação o calor e a dignidade dos templos tradicionais da região daquela época, destacando suas colunas em relevo, os arcos das janelas e os novos volumes da nave ampliada.

     Essa reconstituição acabou funcionando como uma verdadeira "máquina do tempo" visual, transformando um registro granulado de canteiro de obras em uma bela representação da Matriz de São Pedro revitalizada. É um belíssimo pedaço da história urbana e religiosa de Natal!


Reconstituição por inteligência aritficial.

Reconstituição por inteligência aritficial.

                                                   O Poti, 26/06/1955, p.9.

Na foto, um aspectos da Igreja quando em reforma.




sexta-feira, 3 de julho de 2026

SOBRE O MERCADO PÚBLICO DE PAU DOS FERROS EM 1956

         As imagens a baixo mostram o registro histórico do Mercado Público de Pau dos Ferros em 1956, elas preservam  a memória visual do edifício do Mercado Público de Pau dos Ferros.

   As características arquitetônicas do edificio destaca a fachada clássica da construção, evidenciando o frontão ornamentado central e as linhas sóbrias que caracterizam o estilo arquitetônico do período.

      Nos aspectos urbanos a presença das árvores alinhadas na calçada, o calçamento da via e as sombras projetadas oferecem um vislumbre de como era a ocupação urbana e a paisagem ao redor do mercado naquela época.

    A restauração por meio de inteligência artificial permitiu maior clareza nos detalhes da fachada e na legibilidade dos textos que acompanham o registro, facilitando a análise de sua importância histórica para o município.

Restauração por inteligência aritficial.

                                                                     Tribuna do Norte, 21/12/1956, p.5.

Colorização por inteligência artificial.



SOBRE A PRIMEIRA PREFEITA DA REGIÃO DO MATO GRANDE

         A primeira mulher eleita em Bento Fernandes e por extensão, a primeira prefeita da região do Mato Grande foi Joana Ferreira da Cruz (dona Noca). Em 1969 foram candidatos a prefeito no município de Bento Fernandes Lidio Fernandes de Oliveira e Francisco Luiz do Amaral, ambos da ARENA e Joana Ferreira da Cruz e Jaime Ferreira de Andrade, também da ARENA.[ Diário de Natal,03/11/1969,p.2]

      O TRE declarou os candidatos Lidio Fernandes de Oliveira e Francisco Luiz do Amaral como inelegíveis.[O primeiro por não ter se afastado 6 meses antes da eleição do cargo de Agente Fiscal e Chefe da Agência de Bento Fernandes (Cargo público) e o segundo por ser genro do então prefeito do município.[Cf.Tribuna do Norte, 08/11/1969,p.5.], por isso a eleição naquele ano em Bento Fernandes ocorreu em chapa única.

      Foi eleita então Joana Ferreira de Andrade e Jaime Ferreira de Andrade, prefeita e vice-prefeito, respectivamente.

      A época da eleição o município de Bento Fernandes contava com 4.679 habitantes, dos quais 875 na cidade e  2. 240 homens e 2.118 mulheres e apenas 1.501 eleitores.[ Diário de Natal, 02/09/1970, p. 14 e Tribuna do Norte, 09/09/1970,p.1, rescpectivamente.]

    Na eleição de 1969 votaram apenas 980 eleitores em Bento Fernandes. [Tribuna do Norte,17/11/1970,p.5]. Em 1972 constavam já 2.256 eleitores.[ Diário de Natal, 13/10/1972, p.3.].

      O primeiro mandato de Joana Ferreira de Andrade ocorreu entre 1970 e 1973.Já em 1976 ela voltaria a concorrer ao cargo novamente tendo vencido o pleito naquele ano para o seu segundo mandato.

     O ano de 1976 foi ano das mulheres candidatas no Rio Grande do Norte.Ao menos 7 prefeitas foram eleitas naquele ano, sendo elas: Marize Bento da Silva (ARENA, Saão Bento do Trairi); Zélia Alves (MDB, Angicos); Maria do Socorro Targino (ARENA, Messias Targino); Joana Ferreira Fernandes (ARENA, Bento Fernandes); Anália Mauricio (ARENA, Sen. Eloi de Souza); Francisca Ferreira de Carvalho (ARENA, Sitio Novo) e Maria das Neves Rodrigues (ARENA, Cel. Ezequiel).[Cf. O Poti, 21/11/1976, p.1.]

     Da primeira gestão de Joana Ferreira da Cruz tem-se que o Tribunal de Contas deu parecer favorável prévio em 1975 para a aprovação das contas da prefeitura de Bento Fernandes relativos ao ano de 1972. [ Diário de Natal,24/06/1975,p.5.]

Sobre o segundo mandato de Joana Ferreira da Cruz

     Conforme o jornal Tribuna do Norte “Mais uma mulher, vai disputar a eleição de novembro. Desta vez, em Bento Fernandes, onde Dona Joana Ferreira da Cruz será por uma das alas da ARENA, enquanto pela ARENA II, Francisco Luiz do Amaral, foi o escolhido. O vice de Dona Joana, ainda não foi definido, assim como o de Francisco Luiz”.[Tribuna do Norte, 27/07/1976,p.12.].

       O recorte do referido jornal fornecem um aspecto importante da história política e social do município de Bento Fernandes, abrangendo um período que transita entre as décadas de 1960, 1970 e meados de 1980.

      Trata-se da trajetória Política de Joana Ferreira da Cruz, identificada como a primeira prefeita de Bento Fernandes. Sua influência política é destacada em diferentes momentos: desde a menção de sua gestão até a notícia de sua candidatura pela ARENA em um pleito de novembro.

     Os textos dos jornais da época mencionam a presença marcante da ARENA (Aliança Renovadora Nacional), o partido de sustentação do regime militar, indicando que a dinâmica política local na época era pautada por divisões internas dentro dessa mesma sigla, como o confronto entre a "ala de Dona Joana" e a "ARENA II" liderada por Francisco Luiz do Amaral.

     O município, desmembrado de Taipu em 1959 com a denominação de Barreto, buscava consolidar sua identidade e autonomia.

      O registro histórico reverencia a memória de Bento Fernandes de Macedo, cuja trajetória de vida e morte trágica está profundamente ligada à fundação e à memória afetiva da cidade.

      A dependência de serviços externos, como a assistência religiosa provida pela paróquia de João Câmara, ilustra a integração regional do município naquela época.

     O conjunto dessas fontes compõe um valioso retrato de uma administração municipal sob o regime militar, focada em obras de infraestrutura básica e na manutenção do controle político local através das estruturas partidárias permitidas na época.

Sobre o município de Bento Fernandes em 1977

   Em 1977 o jornal Diário de Natal apresentou um panorama do município de Bento Fernandes, pelo qual podemos ter uma noção de como se apresentava o mesmo no segundo mandato de Joana Ferreira da Cruz.

     Prefeita: Joana Ferreira da Cruz.

     Vice-Prefeito: José Pinheiro da Silva.

     Vereadores: Arena: Lídio Barbosa de Miranda, Antônio Victor do Nascimento, Luiz Canela de Lima, Silvino Inácio de Melo, Cícero Vitorino da Silva, Wilson Lopes Galvão, João Nicácio Filho.

      Juiz de Direito: Dr. Manuel dos Santos.

      Promotor: Dr. Jair Álvares Vilar.

      Delegado: 3º Sargento Geraldo Nunes da Silva.

     Microrregião: Serra Verde.

     Área: 359 Km².

     População residente: 5.257 habitantes (estimativa/1975).

   Bento Fernandes tinha ligação com os seguintes Municípios através das seguintes Rodovias: João Câmara - RN 120 a 19 Km de distância (30 minutos); Poço Branco - carroçável municipal a 36 Km de distância (45 minutos); Taipu - carroçável municipal a 28 Km de distância (40 minutos); Ielmo Marinho - BR 304, RN 120, RN 064 e carroçável municipal, a 36 Km de distância (40 minutos); São Paulo do Potengi - RN 120 a 30 Km de distância (40 minutos); Caiçara do Rio do Vento - BR 304 e RN 120, a 25 Km de distância (30 minutos); Jardim de Angicos - carroçável municipal a 18 Km de distância (30 minutos); Natal - BR 304, BR 226 e RN 120, a 101 Km de distância (1 h e 30 minutos).

   As atividades econômicas eram: culturas agrícolas, pecuária e indústria de transformação.Produtos exportados: algodão e farinha de mandioca. Produtos importados: gêneros alimentícios e tecidos.

      Bento Fernandes tinha em 1977 um Posto de Saúde Municipal. Os alunos de 2º Grau se deslocavam para João Câmara em transporte custeado pela Prefeitura. Havia no município de Bento Fernandes, experiência de eletrificação rural: a fauna da Belo Horizonte foi a primeira. ia ser construído um açude, que prestaria para o saneamento básico da cidade, com capacidade de 1.500.000,00m³ de água.A assistência religiosa em Bento Fernandes era feita pela paróquia de João Câmara.[ Diário de Natal,02/09/1977,p.14.].

     O referido jornal já destacava a época que Dona Joana Ferreira, a então atual Prefeita, fora também a primeira Prefeita de Bento Fernandes, mas que naquele ano de 1977 exercia já o seu segundo mandato.[ Op.Cit.].

     Esse   pequeno perfil enciclopédico ou informativo do município de Bento Fernandes,  é um documento  valioso por  destacar a gestão de Joana Ferreira da Cruz, citada como a primeira prefeita da cidade. O documento também preserva nomes de figuras públicas da época, como juízes, promotores e vereadores, o que é relevante para registros históricos municipais.

    Detalha as dificuldades de infraestrutura rodoviária da época, enfatizando o uso de estradas "carroçáveis" para acessar municípios vizinhos, além de descrever o cenário econômico centrado na agricultura e pecuária.

Marco na história politica de Bento Fernandes e do Mato Grande

      A história política de Bento Fernandes, registra assim um marco importante com a eleição de Joana Ferreira da Cruz em 1969, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita do município e por extensão primeira mulher a exercer esse cargo na região do Mato Grande. 

   Sua vitória representou não apenas uma mudança na administração municipal, mas também um avanço significativo para a participação feminina na política local, em uma época em que as mulheres ainda enfrentavam grandes obstáculos para conquistar espaços de poder.

    Joana Ferreira da Cruz foi eleita para governar o município no pleito realizado durante o período do regime militar, assumindo a Prefeitura em 31 de janeiro de 1970. Filiada à ARENA, partido que dava sustentação ao governo federal, tornou-se a sexta chefe do Poder Executivo municipal e a primeira mulher a administrar Bento Fernandes. 

    Sua primeira administração ocorreu entre 1970 e 1973, período em que as prefeituras do interior do Rio Grande do Norte conviviam com severas limitações financeiras e forte dependência dos repasses estaduais e federais. Nesse contexto, o trabalho do gestor municipal exigia capacidade de articulação política, planejamento e atenção permanente às necessidades básicas da população.

   Após concluir seu primeiro mandato, Joana Ferreira da Cruz voltou ao comando da Prefeitura ao vencer novamente as eleições, exercendo um segundo período administrativo entre 1977 e 1983. Com isso, consolidou-se como uma das principais lideranças políticas da história de Bento Fernandes, permanecendo por mais de oito anos à frente do Executivo municipal.

   Sua trajetória política demonstra que a presença feminina na administração pública começou a ganhar espaço gradativamente no interior potiguar. Embora o ambiente político da época fosse predominantemente masculino, Joana conquistou a confiança do eleitorado e mostrou que a competência administrativa não dependia do gênero, abrindo caminho para que outras mulheres participassem da vida política municipal.

     Sua eleição também deve ser compreendida dentro da tradição pioneira do Rio Grande do Norte na participação feminina na política brasileira. O estado foi responsável pela eleição da primeira prefeita do Brasil e da América Latina, Alzira Soriano, em 1928, fato que contribuiu para fortalecer o protagonismo das mulheres na política potiguar ao longo das décadas. 

   Mesmo que parte da documentação sobre sua administração ainda seja escassa, a permanência de Joana Ferreira da Cruz por dois mandatos evidencia seu reconhecimento político junto à população. Sua gestão integra uma fase importante da consolidação administrativa de Bento Fernandes, quando o município buscava ampliar sua infraestrutura, fortalecer os serviços públicos e acompanhar as transformações sociais e econômicas ocorridas no Rio Grande do Norte.

    Hoje, Joana Ferreira da Cruz ocupa lugar de destaque na memória política de Bento Fernandes e da região do Mato Grande. Seu nome permanece associado à conquista da representação feminina no Executivo municipal e constitui referência para estudos sobre a história política local, demonstrando que a participação das mulheres foi fundamental na construção das instituições públicas e no desenvolvimento do município.