quinta-feira, 16 de abril de 2026

SOBRE A IGREJA DE SANTOS REIS

 

    A Igreja de Santos Reis em Natal possui uma carga histórica e simbólica única para Natal, sendo o epicentro de uma das festas populares mais antigas do estado.

    Arquitetura é marcada pela simplicidade. Diferente de grandes catedrais, a arquitetura da igreja de Santos Reis mantém uma sobriedade que reflete sua origem ligada ao povo e aos romeiros. A torre única centralizada é um marco visual forte na paisagem do bairro.

    O estilo neogótico simplificado é marcado pelos arcos ogivais (em ponta) nas portas e janelas, que observamos na imagem, são a assinatura desse estilo. Eles dão dignidade ao templo sem a necessidade de ornamentos excessivamente luxuosos.

     A  localização da igreja é estratégica, situada próxima ao Forte dos Reis Magos e à foz do Rio Potengi, marcando o início da ocupação da cidade naquela direção.

     O fato de ser um santuário dedicado aos Reis Magos (Baltazar, Gaspar e Melchior) torna essa estrutura um "ímã" para as peregrinações que ali se verificavam tradicionalmente.

    A igreja de Santos Reis e a administração de Dom Nivaldo Monte é um registro precioso de como a igreja arquidiocesana se apresentava exatamente no período em que estava sendo elevada ao status de paróquia.

Santuário de Santos Reis, Natal.


SOBRE A PARÓQUIA DE SANTOS REIS


    A  igreja e santuário arquidiocesano de Santos Reis, situada no bairro de mesmo nome na zona leste de Natal já foi um dia igreja matriz e sede paroquial.

    A Paróquia de Santos Reis foi criada a 22 de agosto de 1965, pelo entao Administrador Apostólico de Natal, Dom Nivaldo Monte, tendo sido instalada no dia 06/01/1966, no encerramento da tradicional  festa de dos Santos Reis Magos.

    A festa de Santos Reis é  uma festa das mais tradicionais da capital potiguar e que por isso mesmo atraia (e atrai) toda a população de Natal para tomar parte nas solenidades.

O primeiro pároco e a casa paroquial

    Por provisão datada de 29/11/1965, foi nomeado Vigário Coadjutor "Ad universitatem causarum", da Paróquia de Santos Reis, o padre Guilherme Mirlenbrink, MSF. (A Ordem, 31/07/1965, p.3).

    Ainda de acordo com o citado jornal a  comunidade de Santos Reis estava se preparando para a instalação de sua paróquia que se realizaria dentre em breve. (A Ordem,13/11/1965, p.2).

    A casa paroquial estava sendo construída com a colaboração de todo o bairro. As famílias de Santos Reis não se tinha negado de colaborar para a construção da casa paroquial para abrigar o padre que em breve estaria à frente de sua comunidade.

    O povo espontaneamente vinha dando sua generosa contribuição. As famílias do bairro já estavam se preparando para oferecer toda a mobília para a casa paroquial.

     No começo de dezembro de 1965  haveria uma preparação de toda a comunidade, em forma de um cursinho de renovação paroquial orientado pelo equipe central do Secretariado de Pastoral.

O território da paróquia

    O Administrador Apostólico de Natal, Dom Nivaldo Monte, instalou a paróquia de Santos Reis, às 8 horas.

     A paróquia criada por Dom Nivaldo Monte teria por sede a igreja de Santos Reis, elevada no ato de criação a dignidade de igreja matriz e tendo sob sua jurisdição a Capela do Centro Social Nossa Senhora de Fátima.

    O território da paróquia foi estabelecido com os seguinte limites:

    Lado  oeste: o Rio Potengí.

    Lado  norte: Oceano Atlântico até o limite da Paróquia Nossa Senhora de Lourdes (Ato Juruá no Tirol), dali seguindo em direção sul pela linha divisória das duas paróquias até a esquina do Hospital das Clínicas e da cadeia até a Lagoa do Jacó. Dali, até encontrar a rua Lucas Bicalho, ao encontrar a rua Lucas Bicalho, ao encontro do eixo da Rua Décio da Fonseca. Pelo eixo da Rua Décio da Fonseca em direção oeste até os limites da empresa Standard. Pelos limites da Standard até encontrar o Clube da Aeronáutica e o Rio Potengí. (A Ordem, 11/12/1965, p.4).

Centro  de peregrinação

    A Igreja de Santos Reis se tornava nos dias de festa de Santos Reis um verdadeiro centro de peregrinação para lá convergindo milhares de romeiros de toda a cidade.

    Diante disso, o Secretariado arquidiocesano de Pastoral, em colaboração com a paróquia vai lançar na comunidade de Santos Reis, durante a festa de 1966, uma experiência de Pastoral dos Centros de Peregrinação através de um programa que seria executado por religiosas da cidade e leigos do próprio bairro.

    Semelhante experiência se fazia também na paróquia de Touros.

    O programa elaborado constava do seguinte:

Dia 3, 4 e 5

— preparação para a festa

Missa às 6 horas.

Pregação e Bênção do S. S. Sacramento, às 19 hs.

Local: Igreja de Santos Reis

Dia 6 — Celebração da festa

Missas comunitárias: meia noite, 6, 7, 8, e 17 horas.

Missa solene, às 9 horas.

Para maior participação dos romeiros, haverá ainda:

— Batismo comunitário, no dia 6, às 10 horas, com preparação

— Confissões, no dia 5, a partir das 22 horas

— Exposição bíblica, no dia 4, a partir das 19 horas

    A equipe coordenadora da festa estava fazendo um apelo a todos aqueles que iriam ao bairro de Santos Reis durante a festa, para que dessem à sua peregrinação um verdadeiro espírito cristão. (A Ordem, 02/01/1965,p.4).

    A paróquia de Santos Reis foi extinta em 1982 pelo mesmo dom Nivaldo Monte que a criou em 1964 tendo seu território sido incorporado a paróquia da Sagrada Familia das Rocas criada naquele mesmo ano.

                                          Diário de Natal, 23/12/1982,p.5

 

Diário de Natal,30/06/1984,p.5.





SOBRE A PRAGA DE GANFANHOTOS EM TAIPU EM 1917

 

    Em 1917 três cidades importantes para a cultura algodoeira do Estado do Rio grande do Norte passaram por uma situação dificil e de grandes prejuizos ecônomicos que foi a praga dos gafanhotos, dentre estas cidades estava Taipu.

    De acordo com o Jornal do Comércio:

    Está confirmada a praga da lagarta rosada nos algodoeiros do Estado, principalmente nos municipios de Taipu, Santa Cruz e Macaíba, de onde enviaram noticias documentadas. O professor Green teve ensejo de mostrar á Republica, de Natal, vários exemplares daquele lagarto apanhados no município de Taipu, onde os prejuízos por ela causados na safra do ano passado foram muito sensíveis”. (Jornal do Comércio (AM), 15/02/1917,p.1).

    Este recorte é uma peça valiosa para entender a dinâmica econômica e social do Rio Grande do Norte no início do século XX. Ele revela como a economia de municípios como Taipu, Santa Cruz e Macaíba estava intrinsecamente ligada ao "ouro branco".

 A Praga da Lagarta Rosada (Pectinophora gossypiella)

    A menção à "lagarta rosada" situa o texto, entre as décadas de 1910 e 1920, quando essa praga atingiu severamente o Nordeste.

    Os impacto econômicos foram muito sensíveis. Para Taipu, que era um polo agrícola, uma quebra na safra de algodão significava não apenas perda de renda para os coronéis e proprietários de terras, mas um impacto direto na subsistência da população local e na arrecadação do Estado.

    É interessante notar a presença de um especialista (provavelmente o entomologista americano Ernest Green, ou um técnico da mesma escola) apresentando provas científicas ao jornal. Isso mostra que já havia uma tentativa de modernização e combate técnico às pragas agrícolas no RN.

Geopolítica e infraestrutura

    O fato de as notícias virem "documentadas" de Taipu, Santa Cruz e Macaíba não é por acaso.Estes municípios eram pontos-chave na malha de escoamento de produção.

    Taipu, especificamente, estava inserido no contexto da expansão ferroviária. A saúde das lavouras de algodão era o que garantia o volume de carga para a linha férrea que você tanto estuda. Sem algodão, toda a rede perdiam sua principal razão comercial.

    O texto cita que o professor mostrou exemplares ao jornal de Natal. Naquela época, A República funcionava como o diário oficial e o grande fórum de debates sobre o progresso do estado.

 Valor para a memória urbana e regional de Taipu

    Para o resgate da memória de Taipu, este recorte prova que o município não era apenas uma parada de trem, mas um protagonista na economia estadual. A praga da lagarta rosada é frequentemente citada em crônicas históricas como um dos fatores que levou à decadência de muitos engenhos e à necessidade de diversificação agrícola no vale do Ceará-Mirim e arredores.

    Este documento é um excelente complemento para o resgate da memória local, pois humaniza a estatística econômica, mostrando a preocupação técnica e o impacto social das dos anos de 1916/17 em Taipu.

    O fatidico episódio ocorrido em Taipu foi retratado no livro "O Homem que Desafiou o Diabo", de Ney Leandro de Castro, o qual relata as aventuras do personagem Ojuara pelo interior do Rio Grande do Norte.

Imagem meramente ilustrativa


 

SOBRE A IGREJA MATRIZ DE CEARÁ-MIRIM


    A  Igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição, em Ceará-Mirim  é um dos maiores patrimônios arquitetônicos do Rio Grande do Norte.Esta igreja é um exemplar magnífico e possui características que a tornam única no cenário potiguar.

    A imagem a baixo foi publicada na revista de circulação nacional Excelsior em 1929 e foi por ela que se baseou a análise a seguir.

Estilo arquitetônico e imponência

    Diferente de muitas matrizes coloniais do século XVIII, a Matriz de Ceará-Mirim é um símbolo do apogeu do Ciclo do Açúcar no vale do Ceará-Mirim.

    Apresenta elementos do ecletismo e neogótico, como as torres em formato de agulha (piramidais) que vemos na foto são uma marca forte do estilo neogótico, muito popular nas reformas e construções do século XIX e início do XX no Brasil. Elas conferem à igreja uma verticalidade que simboliza a "ascensão aos céus".

    Por suas proporções monumentais é uma das maiores igrejas do Estado, refletindo a riqueza dos antigos senhores de engenho da região, que financiavam essas obras como demonstração de prestígio e fé.

     A fachada é tripartite. O corpo central é ladeado pelas duas torres imponentes. A presença de cinco portas de entrada na base indica um templo de grande capacidade, preparado para receber a elite e o povo durante as grandes festas da padroeira.

    As Janelas do coro se situam a cima das portas, as janelas de arco pleno garantem a ventilação e iluminação natural do coro e da nave central.

    Na imagem, percebe-se o desnível do terreno e o adro à frente. Esse espaço elevado funcionava como uma zona de transição entre o profano (a rua/campo) e o sagrado (o interior do templo).

Contexto urbano e histórico

     Na época em que essa foto original foi tirada (1929), a igreja dominava a paisagem, cercada por uma vegetação que incluía as carnaúbas e palmeiras visíveis à esquerda caracterisiticos do  Vale do Ceará-Mirim. Enquanto muitas vilas eram feitas de taipa, Ceará-Mirim se destacou por suas construções robustas em alvenaria, e a Matriz é o "coração" desse projeto urbanístico que acompanhou o desenvolvimento ferroviário e agrário do município.

    Considerando a história das linhas ferroviárias (como a EFCRGN) e a arquitetura institucional do Rio Grande do Norte, esta igreja é um ponto de conexão vital. Ela testemunhou a transição do transporte por tração animal para os trilhos que cortaram o vale, ligando a fé e o progresso econômico da época.

    A restauração da foto ajuda a visualizar a textura original das torres e a brancura da cal que contrastava com o céu azul do sertão litorâneo.

Fonte: Excelsior, 1929, p.66.

Colorização: Gemini, 2026.




segunda-feira, 13 de abril de 2026

 SOBRE A PRIMEIRA COLAÇÃO DE GRAU DO CURSO DE MAGISTÉRIO DA ESCOLA ESTADUAL ADÃO MARCELO DA ROCHA: UM MARCO NA EDUCAÇÃO DE TAIPU

A colação de grau da primeira turma do curso de Magistério da Escola Estadual Adão Marcelo da Rocha, realizada em 1985, representa um dos momentos mais significativos da história educacional de Taipu. Mais do que uma cerimônia formal, aquele evento simbolizou o início de uma nova fase para a formação de professores na região e o fortalecimento da educação como instrumento de transformação social.

Na década de 1980, o acesso à formação docente ainda era limitado em muitas cidades do interior. A criação do curso de Magistério em Taipu surgiu como uma resposta concreta à necessidade de qualificar profissionais para atuar nas escolas locais. A primeira turma, portanto, carregava não apenas o peso da expectativa institucional, mas também o sonho coletivo de uma comunidade que via na educação um caminho para o progresso.

A cerimônia de colação de grau foi marcada por emoção, orgulho e esperança. Familiares, professores e autoridades locais reuniram-se para celebrar a conquista daqueles novos profissionais, que passariam a exercer um papel fundamental no desenvolvimento educacional do município. Cada formando ali presente simbolizava uma vitória — pessoal e coletiva — diante das dificuldades enfrentadas ao longo da trajetória escolar.

O impacto dessa primeira turma foi imediato e duradouro. Muitos daqueles professores formados em 1985 passaram a atuar nas redes pública e privada, contribuindo diretamente para a melhoria da qualidade do ensino em Taipu e em cidades vizinhas. Ao levar conhecimento, valores e compromisso para dentro das salas de aula, eles ajudaram a formar novas gerações de estudantes, perpetuando um ciclo virtuoso de educação.

Além disso, a colação de grau de 1985 consolidou a importância da Escola Estadual Adão Marcelo da Rocha como um polo formador de educadores. A instituição passou a ser reconhecida não apenas pelo ensino básico, mas também pela sua contribuição decisiva na preparação de profissionais capazes de transformar realidades.

Relembrar esse momento é valorizar a memória educacional de Taipu. É reconhecer o esforço dos pioneiros que acreditaram na educação como ferramenta de mudança e que, com dedicação, ajudaram a construir os alicerces do ensino no município. A primeira turma de Magistério não apenas concluiu um curso — ela inaugurou uma história de compromisso com o saber e com o futuro.

Hoje, ao olhar para trás, percebe-se que aquele ato de 1985 ultrapassou os limites de uma simples formatura. Ele se tornou um símbolo de avanço, de identidade e de esperança para toda uma comunidade.

A Escola Estadual Adão Marcelo da Rocha foi instalada no prédio do antigo Grupo Escolar Professora Clotilde de Moura Lima situado no Alto da Bela Vista em Taipu, após a transferência do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima para o prédio construído na rua Antonio Gomes da Costa (rua do Fogo).

Na imagem é possível ver 26 formandos perfilados no patamar de igreja matriz após a missa de ação de graças pela colação de grau do referido curso de magistério.

Grato a vereadora Analice Viana pela cessão da foto.

Preservar essa memória é também educar.

Turma pioneira do curso de Habilitação ao Magistério da Escola Estadual Adão Marcelo da Rocha de Taipu.Foto: Acervo Analice Viana.