quinta-feira, 16 de abril de 2026

SOBRE A PRAGA DE GANFANHOTOS EM TAIPU EM 1917

 

    Em 1917 três cidades importantes para a cultura algodoeira do Estado do Rio grande do Norte passaram por uma situação dificil e de grandes prejuizos ecônomicos que foi a praga dos gafanhotos, dentre estas cidades estava Taipu.

    De acordo com o Jornal do Comércio:

    Está confirmada a praga da lagarta rosada nos algodoeiros do Estado, principalmente nos municipios de Taipu, Santa Cruz e Macaíba, de onde enviaram noticias documentadas. O professor Green teve ensejo de mostrar á Republica, de Natal, vários exemplares daquele lagarto apanhados no município de Taipu, onde os prejuízos por ela causados na safra do ano passado foram muito sensíveis”. (Jornal do Comércio (AM), 15/02/1917,p.1).

    Este recorte é uma peça valiosa para entender a dinâmica econômica e social do Rio Grande do Norte no início do século XX. Ele revela como a economia de municípios como Taipu, Santa Cruz e Macaíba estava intrinsecamente ligada ao "ouro branco".

 A Praga da Lagarta Rosada (Pectinophora gossypiella)

    A menção à "lagarta rosada" situa o texto, entre as décadas de 1910 e 1920, quando essa praga atingiu severamente o Nordeste.

    Os impacto econômicos foram muito sensíveis. Para Taipu, que era um polo agrícola, uma quebra na safra de algodão significava não apenas perda de renda para os coronéis e proprietários de terras, mas um impacto direto na subsistência da população local e na arrecadação do Estado.

    É interessante notar a presença de um especialista (provavelmente o entomologista americano Ernest Green, ou um técnico da mesma escola) apresentando provas científicas ao jornal. Isso mostra que já havia uma tentativa de modernização e combate técnico às pragas agrícolas no RN.

Geopolítica e infraestrutura

    O fato de as notícias virem "documentadas" de Taipu, Santa Cruz e Macaíba não é por acaso.Estes municípios eram pontos-chave na malha de escoamento de produção.

    Taipu, especificamente, estava inserido no contexto da expansão ferroviária. A saúde das lavouras de algodão era o que garantia o volume de carga para a linha férrea que você tanto estuda. Sem algodão, toda a rede perdiam sua principal razão comercial.

    O texto cita que o professor mostrou exemplares ao jornal de Natal. Naquela época, A República funcionava como o diário oficial e o grande fórum de debates sobre o progresso do estado.

 Valor para a memória urbana e regional de Taipu

    Para o resgate da memória de Taipu, este recorte prova que o município não era apenas uma parada de trem, mas um protagonista na economia estadual. A praga da lagarta rosada é frequentemente citada em crônicas históricas como um dos fatores que levou à decadência de muitos engenhos e à necessidade de diversificação agrícola no vale do Ceará-Mirim e arredores.

    Este documento é um excelente complemento para o resgate da memória local, pois humaniza a estatística econômica, mostrando a preocupação técnica e o impacto social das dos anos de 1916/17 em Taipu.

    O fatidico episódio ocorrido em Taipu foi retratado no livro "O Homem que Desafiou o Diabo", de Ney Leandro de Castro, o qual relata as aventuras do personagem Ojuara pelo interior do Rio Grande do Norte.

Imagem meramente ilustrativa


 

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