quarta-feira, 13 de maio de 2026

SOBRE O 'TAIPU FUTEBOL CLUBE'

                 Realizou-se, no dia 16/01/1952, em São Bento do Norte, então distrito do município de Baixa-Verde, o jogo entre o São Bento Esporte Clube e Taipú Futebol Club.

        O quadro do São Bento, que se achava invicto, enfrentaria a representação do  municipio de Taipú, com a seguinte constituição: Manoel d'O; Chocolate e Guidinha; Tião, Lucas e José; Valdetario, Lopatia, Fernando, Raimundo e Carol.Francisco, Canindé e Pinta-cega; Moreira, Totocha e Dequinha; Zé-Ticha, Damazio, Valter, Banga, Baé.(Tribuna do norte, 05/01/1952,p.3).

 A escalação e a identidade local

        No  "quadro" (equipe) de Taipu o que mais chama a atenção é a presença predominante de apelidos, uma característica fortíssima da cultura brasileira e, especificamente, do futebol de várzea e do interior.

    Nomes como Pinta-cega, Totocha, Dequinha, Zé-Ticha, Banga e Baé mostram uma proximidade e uma intimidade entre os jogadores e a comunidade. No jornalismo de época, o registro desses apelidos era a forma oficial de reconhecer os heróis locais.

Formação tática implícita

            Embora os nomes estejam listados em sequência, a divisão por pontos e vírgulas sugere a formação tática clássica da época (provavelmente o WM ou o 2-3-5):

                Francisco, Canindé e Pinta-cega: provavelmente o goleiro e os defensores.

                Moreira, Totocha e Dequinha: a linha média (centromédios/apoiadores).

                Zé-Ticha, Damazio, Valter, Banga, Baé: o ataque de cinco jogadores, comum até a década de 1950.

 Aspectos geopolíticos e esportivos

            O jogo é contra o distrito de São Bento do Norte, a época pertencente ao municipio de Baixa Verde, atual João Câmara. Naquela época, o futebol era o principal motor de integração e competição entre as cidades do interior, servindo como ponto alto da vida social aos domingos.

             Isso situa o evento geograficamente na região do Mato Grande potiguar.

            Este documento é uma peça de memória esportiva. Ele revela que, além da política (como vimos no primeiro recorte), o futebol era o outro grande pilar de mobilização social em Taipu. Ver nomes como "Pinta-cega" e "Totocha" eternizados em um jornal mostra como o esporte era, acima de tudo, humano e comunitário.

SOBRE A VISITA DE ALUIZIO ALVES EM TAIPU EM 1950

        As manifestações recebidas pela caravana da União Popular, que, nos dias 16 e 17/09/1950, visitou os municípios Taipu, Touros, Itaretama (Lajes), Macau e Angicos, foram as mais expressivas para a vitória de seus candidatos no pleito de 3 de outubro.

    A comitiva era constituída do governador José Varela, deputado Manoel Varela, deputado José Augusto, deputado Cosme Lemos e candidato a deputado federal Aluizio Alves.

Tribuna do Norte, 20/09/1950,p.6.

Taipu  e Touros

 

    A primeira cidade visitada foi de Taipu onde a caravana foi recepcionada pelo prefeito Luiz Gomes da Costa, fazendo, em seguida, um grande comício de propaganda dos candidatos da União Popular.Após o café, seguiu a comitiva para Pureza, no município de Touros.

A dinâmica da "União Popular"

    A "União Popular" mencionada era uma coligação política comum na época. O texto destaca o "pleito de 3 de outubro", uma data que foi padrão para eleições gerais no Brasil por muito tempo.

Aspectos da comunicação política

     Antes da era digital e da televisão de massa, a presença física das lideranças era a principal ferramenta de campanha. O governador e os deputados viajavam pelo interior para legitimar os candidatos locais.

     Nota-se que a primeira parada é na casa ou sob a recepção do prefeito (Luiz Gomes, em Taipu), mostrando que a política era feita "de cima para baixo", articulada entre os chefes políticos locais e estaduais.

     O evento central era o discurso em praça pública, utilizado para mobilizar a população e demonstrar força política.O texto do referido jornal mencionava "Pureza, no municipio de Touros". Isso é um detalhe histórico interessante, pois Pureza hoje é um município independente, mas na época era um distrito pertencente a Touros.

        O registro do jornal Tribuna do Norte é um registro valioso do coronelismo e das alianças partidárias do PSD/UDN no Rio Grande do Norte, ilustrando como o poder estadual se deslocava até as bases municipais para garantir votos em uma eleição iminente.

            Já eleito deputado federal Aluizio Alves voltaria a Taipu em 1952, fazendo uma rápida visita na residência do prefeito Luiz Gomes da Costa.(tribuna do norte,04/03/1952,p.1).

 

SOBRE REALIZAÇÕES DO PREFEITO ALBINO GONÇALVES DE MELO EM MACAU EM 1952

    De acordo com o jornal Tribuna do Norte em edição do dia 20/09/1952, dentre as realizações da gestão do prefeito Albino Gonçalves de Melo, equilibrar as despesas do Município, constavam obras de inadiável execução como reaparelhamento da rede elétrica da cidade, com a compra de dois motores de 100 HP, construção do prédio da Usina Força e Luz, construção de um galpão em próprio municipal onde funciona o Jardim da Infância, calçamento das ruas 15 de Novembro, Pedro II, Benjamin Constant, Praça J. da Penha, Amaro Cavalcanti, Joaquim Honório, Praça do Mercado, Martins Ferreira, Praça da Conceição, São José, Pereira Carneiro, Travessas da Conceição, tudo num total de 340 mil metros quadrados, rejuntado a cimento, e considerado impraticável pelas dificuldades de transporte do material e encarecimento da mão de obra.

    Fez ainda correr o meio fio em todas as ruas. Voltou suas vistas para o cemiterio da cidade, eternamente esquecido, e cercado de arame farpado, murando-o definitivamente a pedra, os de agora em vias de conclusão.

    Adquiriu para o município um completo serviço de amplificadores com oito alto-falantes, remodelando para isso um prédio com capacidade para 100 espectadores.

    Adquiriu mais um caminhão destinado aos serviços da Prefeitura, bem como o instrumental completo para a banda de musica do município. Mobiliou o Gabinete do Prefeito e a Secretaria, além da aquisição que fez de máquinas de escrever, calcular e arquivos.

    No distrito de Pendências que é o mais prospero do município, promoveu o Prefeito Albino Gonçalves de Melo, os seguintes melhoramentos: — reparo geral do motor da luz elétrica, prolongamento da rede de iluminação e instalação de contadores, ampliação e remodelação do cemiterio, bem como reparos do mercado publico da Vila. (Tribuna do Norte, 20/09/1952,p.5).

A Usina Força e Luz de Macau

    A análise arquitetônica da Usina de Força e Luz de Macau, com base nos registros históricos de meados do século XX, revela um edifício de caráter industrial e institucional que utiliza a estética para comunicar modernidade e eficiência.

    O prédio é um exemplo clássico da arquitetura utilitária do período, que buscava dignificar as novas infraestruturas urbanas.

 Características arquitetônicas

    O edifício apresenta uma linguagem predominantemente Art Déco, evidenciada pelos frisos horizontais em relevo no topo da platibanda. Essa horizontalidade, contrastada com as pilastras verticais, cria um equilíbrio visual que era símbolo de progresso tecnológico na época.

    Os elementos clássicos são a presença de pilastras caneladas e a base revestida em mármore (ou material que simula a textura marmorizada) sugerem uma transição entre o ecletismo e o moderno, conferindo ao prédio uma imponência incomum para uma usina elétrica.

     O térreo possui grandes portais de ferro com desenhos geométricos, pensados tanto para a ventilação do maquinário interno quanto para a movimentação de equipamentos pesados. As bandeiras de vidro acima das portas garantiam a entrada de luz natural.

 Contexto funcional e urbano

    O letreiro em relevo "USINA DE FORÇA E LUZ" inserido em uma moldura destacada na parte superior da fachada servia como elemento de comunicação direta com a população, reforçando a presença do Estado ou da concessionária na modernização de Macau.

    Importância para Macau: em 1952, a usina era o coração do desenvolvimento da cidade. Localizada em uma área de pavimentação em paralelepípedos, a edificação contrastava com o casario mais simples ao redor, representando o auge da era das utilidades públicas monumentais.

Prédio da Usina de Força e Luz de Macau,1952.


Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

Significado histórico

     A preservação visual deste edifício, através de técnicas de restauração e colorização, permite observar que a arquitetura industrial daquele período não era meramente funcional; havia uma preocupação estética em integrar a infraestrutura ao tecido urbano de forma elegante, utilizando materiais nobres na base e ornamentos geométricos que resistiram ao tempo como testemunhas do auge econômico da região.

   A Maternidade de Macau

        A análise arquitetônica da Maternidade de Macau, com base no registro de 1952, revela um exemplar significativo da transição entre o ecletismo tardio e os primeiros impulsos modernistas no interior do Rio Grande do Norte.

     O edifício apresenta uma composição simétrica e sóbria, característica de prédios institucionais de saúde da época. A fachada é marcada por um corpo central levemente avançado e elevado, que funciona como o ponto focal da entrada principal.

         Nota-se o uso de platibandas (muretas que escondem o telhado), decoradas com frisos horizontais que remetem ao estilo Art Déco. Esse detalhe era comum em obras públicas que buscavam transmitir uma imagem de progresso e higiene.

        Apesar da platibanda na fachada principal, o corpo posterior revela um telhado de telhas cerâmicas tipo "marselhesa" ou colonial, comum em construções do período para garantir o escoamento térmico em regiões de clima quente.

Prédio da maternidade de Macau,1952.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial

Contexto funcional e urbano

         As janelas são amplas e dispostas de forma rítmica, o que sugere uma preocupação direta com a ventilação cruzada e a iluminação natural, diretrizes fundamentais para o funcionamento de uma maternidade na década de 1950.

        A estrutura frontal conta com um muro baixo vazado em elementos decorativos de concreto (combogós ou similares), que delimitam o espaço privado sem isolar completamente o prédio da calçada.

Importância Histórica

     O registro fotográfico de 1952 captura o edifício em seu pleno funcionamento, servindo como um marco da infraestrutura social de Macau. A restauração e colorização das imagens ajudam a evidenciar o contraste entre os tons pastéis da fachada e a aridez do terreno ao redor, reforçando o papel do prédio como um oásis de assistência técnica e urbana na paisagem da cidade.

A Prefeitura de Macau

        A análise arquitetônica do prédio da Prefeitura Municipal de Macau, com base no registro de 1952, revela uma edificação imponente que exemplifica o rigor das construções civis oficiais da primeira metade do século XX no Rio Grande do Norte.

    Diferente da Maternidade, que flerta com o Art Déco, a sede do governo municipal apresenta uma linguagem mais vinculada ao Ecletismo, com forte inspiração neoclássica.

     O edifício é um sobrado de dois pavimentos com uma fachada rigorosamente simétrica. O corpo central é destacado por pilastras em relevo e um frontão curvo no topo, reforçando a autoridade da instituição que abriga.

    Nota-se a presença de molduras decoradas acima das janelas (sobrevergas) e frisos horizontais que percorrem toda a extensão da fachada, conferindo textura e ritmo visual à construção.

        As janelas do pavimento superior são altas, do tipo "de abrir", protegidas por bandeiras de vidro, enquanto as do pavimento térreo seguem o mesmo alinhamento vertical, garantindo uma estética monumental e equilibrada.

     O portal central, no nível da rua, é emoldurado por um arco de descarga decorativo, funcionando como o eixo de circulação principal que distribui o fluxo para o interior do prédio.

Prédio da prefeitura de Macau,1952.

Contexto urbano e social

         A foto mostra o prédio situado em uma esquina, uma posição de destaque no traçado urbano que enfatiza sua importância como marco civil.

        A presença do poste de madeira com múltiplos isoladores de cerâmica e os carros de época (como o Ford Bigode visível na restauração) contextualizam Macau como um centro urbano em desenvolvimento, impulsionado pela economia salineira.

         Os transeuntes vestidos de forma formal (chapéus e ternos) indicam que o entorno da Prefeitura era o coração administrativo e social da cidade, onde a vida pública se concentrava em 1952.

Significado histórico

        O prédio da Prefeitura não era apenas um centro administrativo, mas um símbolo de estabilidade e ordem. A análise da estrutura revela uma construção sólida, feita para durar, utilizando técnicas de alvenaria de pedra e cal ou tijolos maciços, típicas de obras públicas que visavam atravessar décadas mantendo a sobriedade e a elegância.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

Fonte: Tribuna do Norte, 20/09/1952, p.5.

terça-feira, 12 de maio de 2026

SOBRE DUDÉ ELIAS: O ARTISTA ESQUECIDO DE TAIPU


    Dudé Elias (Joselias Medeiros, Taipu 1957, São Paulo,2013) foi um escultor reconhecido por sua arte em todo Estado do Rio Grande do Norte, menos, é claro, na sua cidade de origem, a "doce e amada Taipu" (contém ironia), terra onde só se valoriza o “povo de fora”, como diz um velho ditado das terras do papagaios.

Tribuna do Norte, 22/11/1979,p.18.

        Em 22/11/1979 o jornal Tribuna do Norte publicou uma matéria a respeito do referido artista taipuense e sua arte. Eis a seguir o texto completo da matéria.

Elias: criatividade a serviço de uma arte maior

     Todo material utilizado para se fazer uma escultura tem a característica de ser duro, resistente e de proporcionar um tipo de polimento como nenhum outro material. Isto significa que o escultor, quando pretende usar a luz como elemento de composição, só encontra na junção entre cimento e barro um instrumento adequado de trabalho. Assim, Elias José Medeiros vai recriando/transformando barro e cimento em artesanato, para desenvolver seus trabalhos expressivos.

        Elias, como é conhecido, em Natal, escultor que no momento exibe um elenco de peças em diversas residências da cidade, é um artesão que consegue retirar proveito de cimento com extrema maestria. As sombras e a luminosidade trabalhadas no material contribuem para a construção das formas, dotando-as de um certo ar de mistério. Aqui fica evidente sua preocupação artesanal na transformação de elementos quase-químicos, num resultado final artístico de grande nível.

 TRIDIMENSIONAL

        Ao se tocar com as mãos a superfície das esculturas, na parede de uma residência na Praia do Meio, elas são irradiavelmente frias, mas olhando-as, parecem irradiar calor. A luminosidade que surge do polimento das áreas das peças cria massas de luz, que sob a lei da pregnância — uma linha seccionada por traços tem a característica de mostrar como uma linha contínua — constrói a forma tridimensional, embora a matéria seja escavada e côncava ou insinue ligeiramente um volume. Tudo na obra de Elias é intencional, e isto prova a variedade de temas que ele aborda, mesmo tendo como base os trabalhos de seu grande influenciador, Jordão, com quem trabalhou durante algum tempo.

        O artista, portanto, trabalha a luz como uma forma virtual da escultura. Fora esta qualidade artesanal, é preciso ainda salientar a suavidade com que Elias elabora as linhas ondulantes — inspiradas no desenho do corpo humano —, que se seguem em movimentos circulares, criando sempre uma forma doce, e ao mesmo tempo interligando os espaços abertos e fechados. Essas linhas têm ritmo natural e conferem um quê de erótico às esculturas. Algumas áreas das peças são corroídas, em oposição a outras muito polidas: o contraste valoriza mais a superfície polida das esculturas.

        As esculturas de Elias insinuam a imagem, sugerem formas, deixando ao espectador a tarefa de complementá-las, e até mesmo de recriá-las. Cada indivíduo vê aquilo que lhe parece, embora a fantasia mitológica sempre parta do objeto real do projeto artístico feito pelo escultor. Elias sabe como ninguém recriar temas e abordagens que sugere todo um lado vivencial, de magia e lenda: são sereias e mitos que sobrevivem em nossas mentes e tem uma ligação direta com os mistérios do mar potiguar.

        O artista oferece ao público, fora a fruição estética, é claro, uma visão excelente de artesanato profissional do escultor. Isto fica evidente quando ele acrescenta: "Procuro fazer um trabalho sempre com bases na minha vivência. Não acredito em saturação de mercado dentro deste campo. As pessoas que procuram comprar ou mandar fazer artes são pessoas que possuem um nível cultural elevado. Daí não vejo porque o medo de saturação de mercado. E se existir algo busco na madeira uma fonte de novo caminho-escultural."

 CARREIRA

        Iniciando sua carreira dentro deste processo criativo em 1977, Elias acredita que o andamento de sua trajetória criativa pode estar vinculada ao processo evolutivo que o artista vai sofrendo no percurso de tempo. Para ele "o artista é a continuação da vida" ligado no desenvolvimento de suas propostas mais urgente. Optando por um caminho mais livre e criativo ele aceita que sua obra possa ser comparada com a de artistas que se posiciona diante da realidade mais precisa. "O artista é a continuidade do homem, em qualquer situação mais abrangente".

        O marco inicial da carreira de Elias está diretamente ligado com o trabalho realizado em Taipu, onde realizou um painel com dez metros focalizando uma sereia. Aqui fica evidente uma busca constante dentro da mitologia brasileira um andamento ligeiro para a conclusão de trabalhos que refletem uma realidade vivencial. "Eu cresci escutando histórias de sereia, peixe grande e outros pontos do folclore potiguar. Então essa temática fica bem clara dentro de nossa posição. Meu trabalho procura fazer esta clareza nos temas que tento focalizar".(Tribuna do norte, 22/11/1979,p.18. Os grifos são nossos).

        O texto da mencionada matéria oferece um mergulho profundo na técnica e na filosofia de Elias José Medeiros, revelando como ele elevou o uso de materiais rústicos, como o cimento e o barro, ao status de "arte maior".

        Aqui está uma análise dividida pelos eixos principais do artigo:

 A alquimia dos materiais e a técnica "quase-química"

    O texto destaca uma característica fascinante: a transformação de materiais tradicionalmente frios e brutos (cimento e barro) em algo que irradia calor e mistério.

Domínio da luz

        Elias não esculpia apenas a matéria; ele esculpia a luz. O artigo menciona o uso de polimentos estratégicos para criar "massas de luz" e o jogo entre superfícies polidas e áreas "corroídas", o que confere tridimensionalidade e profundidade às peças, mesmo quando são escavadas ou côncavas.

Contraste sensorial

        Existe uma dualidade interessante citada — a peça é fria ao toque (pela natureza do cimento), mas transmite calor ao olhar, evidenciando uma maestria técnica que subverte a natureza do material.

 A estética: entre o humano e o erótico

         A influência das linhas ondulantes do corpo humano é um ponto central. O autor do texto observa que Elias utiliza movimentos circulares para criar formas "doces" e rítmicas, que conferem um tom sutilmente erótico às esculturas. Essa suavidade contrasta com a dureza do material, humanizando o concreto e o barro.

 A Mitologia Potiguar e o "lado vivencial"

         Este é talvez o ponto mais rico para a história cultural da região. A obra de Elias não é meramente decorativa; ela é narrativa e identitária.

         O artista utiliza mitos que "sobrevivem em nossas mentes", como sereias e mistérios marinhos.

Referência a Taipu

         O texto identifica um marco geográfico e artístico crucial: o painel de dez metros em Taipu, focado em uma sereia. Isso mostra como Elias transpôs as histórias que ouviu na infância ("peixe grande", "sereias") para monumentos físicos, imortalizando o folclore local em escala monumental.

 A filosofia do artista e o mercado

         Elias demonstrava uma postura confiante sobre a relevância da arte. Ele rejeita a ideia de saturação de mercado, acreditando que o público de "nível cultural elevado" sempre buscará a expressão artística autêntica.

        Ao afirmar que "o artista é a continuidade da vida", ele deixa claro que sua obra é um processo em constante mudança, mencionando inclusive a disposição de transitar para outros materiais, como a madeira, se necessário.

 Genealogia artística

     O texto estabelece uma linhagem importante ao citar Jordão como seu grande influenciador e mestre. Isso situa Elias dentro de uma tradição de escultores que souberam trabalhar a plasticidade de materiais de construção, transformando-os em patrimônio artístico residencial e público em Natal e no interior do estado.

        O artigo apresenta Elias como um artista que domina a Psicologia da Forma (citando inclusive a lei da pregnância). Ele não entrega uma imagem pronta, mas "insinua a imagem", convidando o espectador a completar a obra com sua própria percepção.

         Para a história de Taipu e do Rio Grande do Norte, Elias foi o escultor que deu corpo de cimento aos sonhos e lendas do povo potiguar.

        Elias foi embora de Taipu, sacudindo a poeira dos sapatos pra nunca mais voltar depois que sua obra prima a Sereia por ele esculpida em cimento armado na praça Dez de Março foi destruida.Sentindo-se desvalorizado em seu trabalho, como tantos outros artistas locais, foi radicar-se em São Paulo onde veio a falecer em 2013.

        As autoridades constituidas e eleitas de Taipu (prefeitos e vereadores) nunca repararam o erro cometido tanto ao aritsta como a cidade (a Sereia de Dudé Elias foi o primeiro monumento artistico construido em Taipu), reconstruindo o monumento, ao contrário, ao lono dos anos sempre deixaram a praça mais feia e sem mounumentos artisticos, parecendo o fiofó de quem realizou as reformas da praça ao longo do tempo.

Colorização por meio de Inteligência Artificial.


SOBRE A CRIAÇÃO DO GINÁSIO DE TAIPU

 

      Em discurso proferido em 17/07/1975 na Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte, o deputado estadual e taipuense, disse em seu discurso que só dependia tão somente de uma mensagem do Prefeito à Câmara Municipal para que a cidade de Taipu para que a cidade passasse a contar com um Ginásio para o ensino de 1º grau (quatro ultimas séries).

    O  deputado Magnus Kelly  acabava de receber Oficio do Secretário da Educação, João Faustino Ferreira Neto, em resposta a diversos apelos formulados na Assembleia Legislativa para que Taipu tivesse o seu Ginásio.

    Segundo o parlamentar, no Oficio, o Secretário esclareceu os pontos principais da questão, partindo do princípio de que este tipo de ensino é de responsabilidade do Governo Municipal.

    Adiantava Magnus que com a boa vontade do Secretário e uma Mensagem do Prefeito de Taipu à Câmara o problema poderia ser solucionado, uma vez que já existem verbas com esta finalidade destinados pelo Ministério da Educação e até agora não utilizadas. Referidas verbas foram postas no Orçamento pelo parlamentar que afirma "no setor de educação não deve haver discriminação partidária".

    No Oficio ao Deputado Magnus Kelly, o secretário informava reconhecer as limitações financeiras das Prefeituras, não podendo furtar-se a uma participação nos encargos advindos na manutenção, comprometendo-se a colocar com a cessão de professores, fornecimento de equipamentos escolares e material didático e colocar até à disposição da Prefeitura de Taipu, para funcionamento provisório, o prédio do Grupo Escolar Clotilde de Moura Lima, situado no Alto da Bela Vista e assistência técnica, .

    A Secretaria é ainda posta à disposição da Prefeitura para qualquer orientação nesse sentido.

    Acreditava Magnus Kelly que “agora, finalmente, Taipu venha a contar com o seu Ginásio, evitando que os estudantes locais da faixa do 1º grau tenham que se deslocar diariamente para Ceará Mirim, a fim de poderem prosseguir os estudos”. (Tribuna do Norte, 17/07/1975,p.2).

    O discurso do referido deputado sobre o Ginásio de Taipu é um exemplo clássico da política da época.

    Vemos a articulação entre o deputado (Magnus Kelly) e o governo estadual para levar o ensino de 1º grau (atual Fundamental II) para o município.

      A menção de que os alunos precisavam se deslocar para Ceará-Mirim para estudar ressalta o isolamento educacional que essas cidades enfrentavam antes da criação de suas próprias instituições.

      Como se sabe o embate entre a prefeitura de Taipu e o então deputado estadual, motivado por disputas politicas e egos inflamados, retardou a criação do Ginásio de Taipu, tendo sido o mesmo criado em 1977 e seu prédio definitivo somente inaugurado em 1978, na rua Antonio Gomes da Costa (rua do Fogo).Coisas de Taipu!



Deputado Magnus Kelly em discurso na tribuna da Assembleia Legislativa defendendo a criação do Ginásio de Taipu, atual Escola Estadual Prof. Clotilde de Moura Lima. Tribuna do Norte, 17/07/1975,p.2.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.