No dia 10/07/1955 foi oficialmente
inaugurado o novo prédio da Delegacia Fiscal do Tesouro Federal no Rio Grande
do Norte, na Esplanada Silva Jardim, do novo edifício da Delegacia Fiscal no
Estado do Rio Grande do Norte, o qual viria servir, também, de sede para todas
as repartições fazendárias federais existentes no Estado, com exceção, apenas,
da Alfândega que já dispunha de prédio próprio.
Pelo Bispo Auxiliar, Dom Eugênio
Sales, foi oficiada a Benção da Igreja ás 15,00 horas. “Logo após ao
hasteamento do Pavilhão Nacional Dom Eugenio Sales, Bispo Auxiliar dará a
benção da Igreja ás novas instalações, seguindo-se as solenidades do
acontecimento de hoje."[1]
O edifício, que foi construído pela
Empresa de Construções Civis, dirigida pelo sr. Roberto Freire, em quatro
pavimentos, e poderia ser considerado um dos mais belos edifícios da capital
potiguar a época.
Para a solenidade de inauguração, se
encontravam em Natal, Mário Camara, chefe da Casa Civil do Presidente da
Republica e representante no ato e o sr.
Adalberto Garcia, que representava o Ministro da Fazenda no ato inaugural.
| Ato de inauguração do edificio da Delegacia Fiscal do Tesouro Federal em Natal. Foto: O Poti,17/07/1955, p.14. |
A
inauguração do novo prédio da Delegacia Fiscal do Rio Grande do Norte foi um
acontecimento de grande repercussão nos meios fazendários de todo o país. No
clichê o sr. Jurandir Sitaro da Costa quando pronunciava um discurso alusivo à
data, vendo-se também o Mário Câmara, ex-interventor federal, que veio ao
Estado como representante do Presidente da Republica"
O
homem discursando ao microfone é Jurandir Sitaro da Costa, e ao lado dele
(provavelmente o senhor de terno cinza ao centro) está o Mário Câmara,
representante oficial do Presidente da República. À esquerda, de vestes
litúrgicas, vemos Dom Eugênio Sales.
A presença de Mário Câmara (Chefe da Casa Civil de Getúlio Vargas na época) e de figuras como Teodorico Bezerra mostra que esta era uma das obras federais mais importantes de Natal naquele período.
Na solenidade de inauguração em apreço estiveram presentes também o Governador Silvio Pedroza, deputados federais Eider Varela, José Arnaud e Teodorico Bezerra e ainda autoridades federais, estaduais e municipais.
Pontos de interesse
Construtora
e responsável: a Empresa de Construções Civís, dirigida
pelo Sr. Roberto Freire, como a
responsável pela obra.
Divergência
de Pavimentos: É curioso
notar que o primeiro texto menciona "dois andares", enquanto o relato
do dia da inauguração refere "quatro pavimentos". Isto pode dever-se
à inclusão do embasamento e de um eventual sótão ou recuo na contagem técnica.
Representação
Federal: a presença de Mário Câmara, ex-interventor federal no Rio
Grande do Norte na década de 1930 (representando o Presidente da
República) e Adalberto Garcia (pelo
Ministro da Fazenda) demonstra a relevância nacional que a obra teve para a
infraestrutura de Natal na época.
Instituições
Abrigadas: o edifício
foi projetado para centralizar todas as repartições fazendárias, exceto a
Alfândega, que já possuía sede própria (também na Ribeira).
Responsabilidade Técnica: a
confirmação da Empresa de Construções Civís, sob direção de Roberto Freire, é
um dado crucial para o seu levantamento sobre a execução da obra.
Personagens Políticos: a presença de
figuras como o Governador Silvio Pedroza e os deputados Eider Varela e
Teodorico Bezerra situa o evento no auge da importância política da Ribeira.
Divergência de Descrição: Note que um
texto cita "dois andares" e o outro "quatro pavimentos".
Isso geralmente ocorre quando se conta apenas os andares de escritórios versus
a estrutura total (incluindo térreo/embasamento e possivelmente um pavimento
recuado ou subsolo).
Descrição
do prédio
A fachada é marcada por uma sequência rítmica
de janelas retangulares. O que chama a atenção são as pilastras simplificadas
(elementos verticais) que percorrem toda a altura do prédio entre as janelas,
conferindo uma sensação de imponência e verticalidade.
Conta com ornamentação sóbria. Abaixo
e acima das janelas, nota-se o uso de molduras geométricas e painéis em
baixo-relevo, típicos do estilo Art Déco institucional, muito comum em prédios
governamentais da década de 40.
O edifício possui uma "quina
cortada" (chanfro) onde se localiza a entrada principal ou um conjunto de
janelas de destaque, uma solução arquitetônica inteligente para prédios
localizados em esquinas ou grandes esplanadas, como a Silva Jardim.
| Novo edificio da Delegacia Fiscal do Tesouro Federal em Natal Foto: O Poti, 10/07/1955,p.24 |
| Rescontituição digital.Gemini, 2026.Pode conter erros. |
| Rescontituição digital.Gemini, 2026.Pode conter erros. |
A foto sugere o uso de massa raspada
ou pó de pedra, acabamentos que eram extremamente populares em Natal naquela
época por sua durabilidade e estética austera.
As janelas parecem ser de madeira com
múltiplas divisões de vidro, o que era o padrão antes da popularização do
alumínio e dos grandes panos de vidro.
Relação
com o entorno
O prédio foi "encravado" na
Esplanada Silva Jardim. Sua arquitetura foi projetada para ser vista de longe,
destacando-se como um "majestoso edifício" que representava o poder
do Tesouro Nacional e a modernização da Ribeira em relação ao antigo casarão da
Cidade Alta.
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