domingo, 22 de março de 2026

A INAUGURAÇÃO DO PRÉDIO DA DELEGACIA FISCAL DO TESOURO FEDERAL EM NATAL

 

No dia 10/07/1955 foi oficialmente inaugurado o novo prédio da Delegacia Fiscal do Tesouro Federal no Rio Grande do Norte, na Esplanada Silva Jardim, do novo edifício da Delegacia Fiscal no Estado do Rio Grande do Norte, o qual viria servir, também, de sede para todas as repartições fazendárias federais existentes no Estado, com exceção, apenas, da Alfândega que já dispunha de prédio próprio.

Pelo Bispo Auxiliar, Dom Eugênio Sales, foi oficiada a Benção da Igreja ás 15,00 horas. “Logo após ao hasteamento do Pavilhão Nacional Dom Eugenio Sales, Bispo Auxiliar dará a benção da Igreja ás novas instalações, seguindo-se as solenidades do acontecimento de hoje."[1]

O edifício, que foi construído pela Empresa de Construções Civis, dirigida pelo sr. Roberto Freire, em quatro pavimentos, e poderia ser considerado um dos mais belos edifícios da capital potiguar a época.

Para a solenidade de inauguração, se encontravam em Natal, Mário Camara, chefe da Casa Civil do Presidente da Republica e  representante no ato e o sr. Adalberto Garcia, que representava o Ministro da Fazenda no ato inaugural.


Ato de inauguração do edificio da Delegacia Fiscal do Tesouro Federal em Natal.
Foto: O Poti,17/07/1955, p.14.

A inauguração do novo prédio da Delegacia Fiscal do Rio Grande do Norte foi um acontecimento de grande repercussão nos meios fazendários de todo o país. No clichê o sr. Jurandir Sitaro da Costa quando pronunciava um discurso alusivo à data, vendo-se também o Mário Câmara, ex-interventor federal, que veio ao Estado como representante do Presidente da Republica"

O homem discursando ao microfone é  Jurandir Sitaro da Costa, e ao lado dele (provavelmente o senhor de terno cinza ao centro) está o Mário Câmara, representante oficial do Presidente da República. À esquerda, de vestes litúrgicas, vemos Dom Eugênio Sales.

A presença de Mário Câmara (Chefe da Casa Civil de Getúlio Vargas na época) e de figuras como Teodorico Bezerra mostra que esta era uma das obras federais mais importantes de Natal naquele período.

Na solenidade de inauguração em apreço estiveram presentes também o Governador Silvio Pedroza, deputados federais Eider Varela, José Arnaud e Teodorico Bezerra e ainda autoridades federais, estaduais e municipais.

Pontos de interesse

Construtora e responsável: a Empresa de Construções Civís, dirigida pelo Sr. Roberto Freire, como a responsável pela obra.

Divergência de Pavimentos: É curioso notar que o primeiro texto menciona "dois andares", enquanto o relato do dia da inauguração refere "quatro pavimentos". Isto pode dever-se à inclusão do embasamento e de um eventual sótão ou recuo na contagem técnica.

Representação Federal: a presença de Mário Câmara, ex-interventor federal no Rio Grande do Norte na década de 1930 (representando o Presidente da República) e Adalberto Garcia (pelo Ministro da Fazenda) demonstra a relevância nacional que a obra teve para a infraestrutura de Natal na época.

Instituições Abrigadas: o edifício foi projetado para centralizar todas as repartições fazendárias, exceto a Alfândega, que já possuía sede própria (também na Ribeira).

Responsabilidade Técnica: a confirmação da Empresa de Construções Civís, sob direção de Roberto Freire, é um dado crucial para o seu levantamento sobre a execução da obra.

Personagens Políticos: a presença de figuras como o Governador Silvio Pedroza e os deputados Eider Varela e Teodorico Bezerra situa o evento no auge da importância política da Ribeira.

Divergência de Descrição: Note que um texto cita "dois andares" e o outro "quatro pavimentos". Isso geralmente ocorre quando se conta apenas os andares de escritórios versus a estrutura total (incluindo térreo/embasamento e possivelmente um pavimento recuado ou subsolo).

 

Descrição do prédio

 A fachada é marcada por uma sequência rítmica de janelas retangulares. O que chama a atenção são as pilastras simplificadas (elementos verticais) que percorrem toda a altura do prédio entre as janelas, conferindo uma sensação de imponência e verticalidade.

Conta com ornamentação sóbria. Abaixo e acima das janelas, nota-se o uso de molduras geométricas e painéis em baixo-relevo, típicos do estilo Art Déco institucional, muito comum em prédios governamentais da década de 40.

O edifício possui uma "quina cortada" (chanfro) onde se localiza a entrada principal ou um conjunto de janelas de destaque, uma solução arquitetônica inteligente para prédios localizados em esquinas ou grandes esplanadas, como a Silva Jardim.


Novo edificio da Delegacia Fiscal do Tesouro Federal em Natal
Foto: O Poti, 10/07/1955,p.24

Rescontituição digital.Gemini, 2026.Pode conter erros.

Rescontituição digital.Gemini, 2026.Pode conter erros.


A foto sugere o uso de massa raspada ou pó de pedra, acabamentos que eram extremamente populares em Natal naquela época por sua durabilidade e estética austera.

As janelas parecem ser de madeira com múltiplas divisões de vidro, o que era o padrão antes da popularização do alumínio e dos grandes panos de vidro.

Relação com o entorno

O prédio foi "encravado" na Esplanada Silva Jardim. Sua arquitetura foi projetada para ser vista de longe, destacando-se como um "majestoso edifício" que representava o poder do Tesouro Nacional e a modernização da Ribeira em relação ao antigo casarão da Cidade Alta.





[1] O Poti,10/07/1955,p.1.

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