sexta-feira, 27 de março de 2026

SOBRE A INAUGURAÇÃO DO PRÉDIO DA PREFEITURA MUNICIPAL DE GOIANINHA

 

    De acordo com o jornal A Ordem o prefeito Jeronimo Cabral, já havia reassumido em 27/11/1944 as funções de Chefe do executivo municipal, estando empenhado em prosseguir na sua dinâmica administração em benefício de sua terra, que já lhe deve incontaveis melhoramentos, pretendendo inaugurar no mês de dezembro, o novo prédio que estava construindo para a sede da Prefeitura Municipal.

    Conforme telegrama  enviado ao jornal A Ordem em 13/01/1945, foi adiada, sine-die, a solenidade da inauguração do novo edifício da prefeitura local, construído sob a administração do sr. Jeronimo Cabral.

     O  tom de expectativa para a inauguração em dezembro de 1944,  teve qu eser contido em razão do evento precisar ser adiado sine-die.

    O ato que estava marcado para o  dia 20/01/1945, ficou, assim, transferido para outra oportunidade, devido a um desarranjo no motor da usina elétrica.

     O jornal A Ordem reforçava a imagem do prefeito Jerônimo Cabral como um administrador "dinâmico", destacando a construção da sede própria como um dos "incontáveis melhoramentos" de sua gestão em Goianinha.

De acordo com o jornal A Ordem a cidade de Goianinha esteve em festas, no dia 03/02/1945, por ocasião da inauguração do magnifico prédio da Prefeitura Municipal, construído pelo sr. Jeronimo Cabral, operoso prefeito do município.[1]

Ainda segundo o referido jornal o edifício que era bastante espaçoso para a sua finalidade, possuindo ainda uma ala para o Fórum" da Comarca.

Ao ato da inauguração estiveram presentes o professor Francisco Coutinho, diretor do Departamento das Municipalidades, o representante do Interventor Federal, prefeitos dos municípios vizinhos, pessoas de representação da cidade e de Goianinha.

Inicialmente usou da palavra o dr. Lauro Pinto, juiz de direito da Comarca, que terminou pedindo que fosse o edifício inaugurado pelo representante do Interventor após o que, no salão de honra, foi feita a aposição do retrato do general Antonio Fernandes Dantas, chefe do executivo norteriograndense.

Discursou por essa ocasião o acadêmico Nelson Negreiros, promotor público, em agradecimento pela criação da Comarca de Goianinha.

Em seguida realizou-se na residência do prefeito Jeronimo Cabral um lauto almoço, oferecido a todos os convidados. Saudando o prefeito falou o dr. Lauro Pinto, o qual agradeceu ao dr. Nestor dos Santos Lima que levantou o brinde de honra ao Interventor Federal.


Antigo prédio da prefeitura de Goianinha


Sobre o prédio

Analisar a arquitetura da antiga sede da Prefeitura de Municipal de Goianinha, é observar um exemplar clássico da transição entre o estilo colonial e a modernidade nas cidades do interior do Nordeste brasileiro

O prédio apresenta características marcantes do Estilo Eclético com forte influência do Art Déco, que foi muito comum em obras públicas no Brasil entre as décadas de 1930 e 1950.

Principais Elementos Arquitetônicos

A fachada é rigorosamente simétrica, o que transmite uma sensação de ordem, autoridade e equilíbrio — valores desejados para um edifício de administração pública. O corpo central é ligeiramente mais elevado, destacando a entrada principal.

Podemos notar traços do Art Déco em detalhes específicos:

A ausência de ornamentos rebuscados (como os do Barroco) e a preferência por molduras retas acima das janelas e portas.

O uso da platibanda (esse "muro" que esconde o telhado) decorada com frisos horizontais e detalhes em relevo que reforçam a horizontalidade do prédio.

O topo do prédio possui um leve escalonamento central onde se lê "Prefeitura Municipal".

As janelas são amplas e retangulares, pensadas para garantir a ventilação cruzada e a iluminação natural, essenciais para o conforto térmico no clima tropical do Rio Grande do Norte antes da era do ar-condicionado.

É perceptível que o prédio possui um pé-direito alto, o que confere imponência e ajuda a manter o ambiente interno mais fresco, já que o ar quente tende a subir.

Esse tipo de construção simboliza um período de urbanização das cidades potiguares, onde as antigas casas coloniais davam lugar a prédios com "cara de progresso". O uso de tons pastéis (como o bege e o branco vistos na foto) era o padrão para destacar os relevos arquitetônicos sob a luz do sol.

O prédio é um patrimônio que guarda a memória administrativa e política de Goianinha, servindo como um marco visual no centro da cidade.

Atualmente o prédio abriga a secretaria de saúde do município.


[1] A Ordem, 05/02/1945,p.1.

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