Em 07/11/1954 o jornal O Poti
publicou um foto do prédio e na legenda constava que estavam praticamente concluídas
as obras do grande edifício da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional no Rio
Grande do Norte. [1]
Para o citado jornal Mais seria mais
um suntuoso edifício em Natal.
Encravado na Esplanada Silva Jardim,
bairro da Ribeira, “o bonito prédio veio contribuir para o embelezamento da
paisagem urbanística de nossa Capital”.[2]
Além disso, o edifício viria
solucionar o problema de sede para as principais Repartições do Ministério da
Fazenda que eram: Delegacia Fiscal, Delegacia do Tribunal de Contas da União,
Delegacia do Imposto de Rendas e Delegacia do Patrimônio da União.
Ao que estava informado o referido
jornal a inauguração desse conjunto teria lugar no começo do ano de 1955,
restando os retoques finais de acabamento e a instalação do elevador.
Em sua recente viagem ao Rio de
Janeiro o sr. Romulo Tinoco, Delegado Fiscal no Estado, obteve as verbas
destinadas ao término dos trabalhos e à aquisição do mobiliário necessário.
Esse edifício é um marco histórico
importante para a capital potiguar. O prédio mencionado no recorte é o Edifício
Sanatiel Holanda, localizado Esplanada Silva Jardim, na Ribeira.
Aqui estão alguns detalhes históricos
fascinantes sobre ele e o contexto da época:
O
Edifício e sua Arquitetura
O prédio é um exemplar do Modernismo, com
linhas sóbrias e funcionais que contrastavam com as construções coloniais e
ecléticas mais antigas do bairro.
Ele foi construído para centralizar
as repartições do Ministério da Fazenda. Até hoje, o prédio é conhecido por
muitos como o "Edifício da Fazenda".
Na época (provavelmente final dos
anos 40 ou início dos 50), a instalação de um elevador e o acabamento
"suntuoso" eram sinais de grande progresso urbano para Natal.
Novo prédio da Delegacia Fiscal do Tesouro Federal em Natal
Foto: O Poti, 07/11/1954, p.24.
Reconstituição digital.Gemini,2026. Reconstituição digital.Gemini,2026.
O
bairro da Ribeira: o coração de Natal
A Ribeira era, naquele período, o
centro nervoso da cidade:
Porto e Comércio: por estar junto ao
Rio Potengi, era por onde tudo chegava e saía.
Vida Social: o bairro abrigava os
principais cinemas, teatros e hotéis. O texto menciona o "embelezamento da
paisagem", o que mostra que havia um esforço consciente para modernizar a
Ribeira e mantê-la como o cartão-postal da capital.
Declínio e Preservação: com o passar
das décadas, o eixo comercial se deslocou para a Cidade Alta e, depois, para o
bairro de Tirol e Petrópolis. Hoje, a Ribeira é um bairro histórico que luta
pela revitalização, abrigando diversos órgãos públicos e centros culturais.
O Sr. Rômulo Tinoco, mencionado como
Delegado Fiscal, foi uma figura de destaque na administração pública do Rio
Grande do Norte, vindo de uma família influente na política e no direito do
estado.
Dentro de poucos dias a Delegacia
Fiscal do Tesouro Nacional será mudada para suas novas instalações, na
esplanada Silva Jardim, na Ribeira.
“Irá
para seu moderno prédio a Delegacia Fsical”
Já
concluído em 11/06/1955 o majestoso edifício da Esplanada Silva Jardim em magníficas
e completas instalações.[3]
O majestoso edifício de dois andares construído
em linhas modernas, era um dos melhores prédios públicos da Capital potiguar,
estando dotado de salas amplas e confortáveis, nele deveriam funcionar todas as
dependências da Delegacia e órgãos anexos, até então distribuídos e
sacrificados no velho casarão da praça André de Albuquerque.(atual prédio do
Memorial Câmara Cascudo).
Os últimos retoques no prédio estavam
sendo dados, esperando o Delegado Fiscal
promover a mudança durante a segunda quinzena daquele mês de junho, cuja
transferência teria caráter solene estando presentes autoridade da Fazenda
Federal e convidados especiais.
A menção às "linhas
modernas" reforça a transição estética pela qual o bairro da Ribeira
passava na época, consolidando-se como um centro de modernidade institucional.
O prédio apresenta uma linguagem
Eclética de transição para o Modernismo. Embora mantenha a simetria e a
robustez das instituições oficiais da época, ele já demonstra uma limpeza
ornamental que antecipava a arquitetura moderna. É um bloco maciço, composto
por dois pavimentos principais sobre um embasamento (térreo) elevado.
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