domingo, 22 de março de 2026

SOBRE O PRÉDIO DA DELEGACIA FISCAL DO TESOURO NACIONAL EM NATAL

 

Em 07/11/1954 o jornal O Poti publicou um foto do prédio e na legenda constava que estavam praticamente concluídas as obras do grande edifício da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional no Rio Grande do Norte. [1]

Para o citado jornal Mais seria mais um suntuoso edifício em Natal.

Encravado na Esplanada Silva Jardim, bairro da Ribeira, “o bonito prédio veio contribuir para o embelezamento da paisagem urbanística de nossa Capital”.[2]

Além disso, o edifício viria solucionar o problema de sede para as principais Repartições do Ministério da Fazenda que eram: Delegacia Fiscal, Delegacia do Tribunal de Contas da União, Delegacia do Imposto de Rendas e Delegacia do Patrimônio da União.

Ao que estava informado o referido jornal a inauguração desse conjunto teria lugar no começo do ano de 1955, restando os retoques finais de acabamento e a instalação do elevador.

Em sua recente viagem ao Rio de Janeiro o sr. Romulo Tinoco, Delegado Fiscal no Estado, obteve as verbas destinadas ao término dos trabalhos e à aquisição do mobiliário necessário.

Esse edifício é um marco histórico importante para a capital potiguar. O prédio mencionado no recorte é o Edifício Sanatiel Holanda, localizado Esplanada Silva Jardim, na Ribeira.

Aqui estão alguns detalhes históricos fascinantes sobre ele e o contexto da época:

O Edifício e sua Arquitetura

 O prédio é um exemplar do Modernismo, com linhas sóbrias e funcionais que contrastavam com as construções coloniais e ecléticas mais antigas do bairro.

Ele foi construído para centralizar as repartições do Ministério da Fazenda. Até hoje, o prédio é conhecido por muitos como o "Edifício da Fazenda".

Na época (provavelmente final dos anos 40 ou início dos 50), a instalação de um elevador e o acabamento "suntuoso" eram sinais de grande progresso urbano para Natal.


Novo prédio da Delegacia Fiscal do Tesouro Federal em Natal
Foto: O Poti, 07/11/1954, p.24.


Reconstituição digital.Gemini,2026.

Reconstituição digital.Gemini,2026.


O bairro da Ribeira: o coração de Natal

A Ribeira era, naquele período, o centro nervoso da cidade:

Porto e Comércio: por estar junto ao Rio Potengi, era por onde tudo chegava e saía.

Vida Social: o bairro abrigava os principais cinemas, teatros e hotéis. O texto menciona o "embelezamento da paisagem", o que mostra que havia um esforço consciente para modernizar a Ribeira e mantê-la como o cartão-postal da capital.

Declínio e Preservação: com o passar das décadas, o eixo comercial se deslocou para a Cidade Alta e, depois, para o bairro de Tirol e Petrópolis. Hoje, a Ribeira é um bairro histórico que luta pela revitalização, abrigando diversos órgãos públicos e centros culturais.

O Sr. Rômulo Tinoco, mencionado como Delegado Fiscal, foi uma figura de destaque na administração pública do Rio Grande do Norte, vindo de uma família influente na política e no direito do estado.

Dentro de poucos dias a Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional será mudada para suas novas instalações, na esplanada Silva Jardim, na Ribeira.

“Irá para seu moderno prédio a Delegacia Fsical”

         Já concluído em 11/06/1955 o majestoso edifício da Esplanada Silva Jardim em magníficas e completas instalações.[3]

O majestoso edifício de dois andares construído em linhas modernas, era um dos melhores prédios públicos da Capital potiguar, estando dotado de salas amplas e confortáveis, nele deveriam funcionar todas as dependências da Delegacia e órgãos anexos, até então distribuídos e sacrificados no velho casarão da praça André de Albuquerque.(atual prédio do Memorial Câmara Cascudo).

Os últimos retoques no prédio estavam sendo dados, esperando o  Delegado Fiscal promover a mudança durante a segunda quinzena daquele mês de junho, cuja transferência teria caráter solene estando presentes autoridade da Fazenda Federal e convidados especiais.

A menção às "linhas modernas" reforça a transição estética pela qual o bairro da Ribeira passava na época, consolidando-se como um centro de modernidade institucional.

O prédio apresenta uma linguagem Eclética de transição para o Modernismo. Embora mantenha a simetria e a robustez das instituições oficiais da época, ele já demonstra uma limpeza ornamental que antecipava a arquitetura moderna. É um bloco maciço, composto por dois pavimentos principais sobre um embasamento (térreo) elevado.



[1] O Poti, 07/11/1954, p.24..

[2] Op.Cit.

[3] O Poti, 11/06/1955,p.8

Nenhum comentário:

Postar um comentário