Essa imagem retrata uma das propostas arquitetônicas para a Catedral Metropolitana de Natal, elaborada em 1966. É um registro histórico fascinante, pois mostra uma transição estética e conceitual profunda antes da escolha do projeto final de Marconi Grevi (o que conhecemos hoje).
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| Foto: Tribuna do Norte, 1966. |
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| Reconstituição digital por Inteligência Artificial. |
A seguir está uma análise técnica e contextual dessa estrutura:
Estética e estilo
O projeto reflete o Modernismo tardio brasileiro da década de 1960. Diferente da catedral atual, que é brutalista e piramidal, este design de 1966 apresentava uma leveza maior através de formas curvas e orgânicas.
A abóbada parabólica
O elemento central é uma grande cobertura em arco (que seria em estrutura metálica). Esse formato não é apenas estético; ele permite vencer grandes vãos sem a necessidade de colunas internas, liberando o espaço para a assembleia dos fiéis.
Integração com o vidro
A fachada frontal seria composta por uma grande parede de vidro dividida por uma modulação geométrica. Isso sugere uma busca por transparência e luz natural, simbolizando uma igreja mais aberta e conectada com o mundo exterior.
Elementos simbólicos
O Campanário separado. À direita da estrutura principal, observa-se uma torre isolada (campanário) de forma prismática ou triangular. Essa separação entre o corpo da igreja e a torre é uma característica comum no modernismo, herdada de tradições europeias antigas, mas reinterpretada com linhas retas e limpas.
Volume horizontal
O projeto se desenvolve de forma mais horizontal e integrada ao terreno, ao contrário da verticalidade extrema das catedrais góticas ou da monumentalidade "ascendente" do projeto final que foi construído.
O contexto de 1966
Em 1966, a Igreja Católica estava sob forte influência do Concílio Vaticano II. Esse evento mudou a forma como os templos eram projetados.O altar deveria ser o centro das atenções; a proximidade entre o padre e os fiéis era prioridade e a arquitetura deveria ser funcional e despojada de excessos ornamentais.
Este projeto de 1966 queria seguir à risca essa "limpeza" visual, focando na pureza da forma e no uso de materiais industriais como o concreto armado e o vidro.
Por que não foi construído?
Projetos de catedrais naquela época passavam por muitas revisões devido a custos de engenharia e mudanças na administração da arquidiocese. A proposta final de Marconi Grevi, inaugurada apenas em 1988, acabou optando por uma estética muito mais impactante e monumental (a pirâmide invertida), que se tornou o marco visual da cidade.
Este desenho é um "elo perdido" que mostra que Natal quase teve uma catedral com uma linguagem visual muito próximo ao Palácio dos Esportes na praça Pedro Velho no centro da capital potiguar, do qual foi inspiração por Dom Nivaldo Monte, que pensava em uma catedral ampla, funcional e de fácil construção.
Críticas
O projeto apresentado recebeu inúmeras críticas tanto de engenheiros e arquitetos com da imprensa e opinião pública.
As críticas giravam em torno do formato da arquitetura que visivelmente seria uma cópia do Palácio dos Esportes e que segundo a opinião dos engenheiros era incompatível com uma catedral.
Além de "catedral ginásio de esportes " o projeto recebeu a alcunha de "catedral balcão" e " catedral armazém". Diante das críticas o projeto foi engavetado.
O barato que sairia caro
O ditado popular que diz que as vezes o barato pode sair caro poderia muito bem ser aplicado nesse primeiro projeto para a nova Catedral Metropolitana de Natal. A intenção de se fazer um templo grande, funcional e barato, na verdade se mostraria o contrário como de fato aconteceu com o projeto escolhido em 1972 que é a catedral atual, a qual levou 15 anos para ser concluída as custas de somas vultosas.


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