quinta-feira, 6 de junho de 2019

SOBRE A REMODELAÇÃO DO PRÉDIO ESTAÇÃO CENTRAL DE NATAL


Em vista das precárias condições do prédio, o engenheiro Hélio Lobo, diretor da EFCRGN estava submetendo a estação central da ferrovia, situada a praça Augusto Severo, a obras de melhoramentos e ampliações.
Examinadas as razoáveis condições dos alicerces do velho casarão o andar superior, construído de uma espécie de grande sótão, onde funcionava a contabilidade do tráfego, estava sendo ampliado no sentido de cobrir toda a área do andar térreo.
O espaço conquistado proporcionaria salas mais amplas e mais dependências para os serviços.No andar térreo, além dos melhoramentos  nas dependências existentes, seria preparado um salão de espera, com poltronas, para passageiros, e introduzido um serviço de guarda-volumes, mediante a taxa de 0,50 por dia, serviço este que seria uma inovação em Natal, mas tão usado nas ferrovias do sul.
As obras estavam sendo executadas sem verbas especiais com as próprias economias da administração do engenheiro Hélio Lobo, segundo o Diário de Natal. (DIÁRIO DE NATAL, 28/08/1948, p.12).
Segundo o jornal Diário de Natal em 19/09/1949 foram retirados os tapumes de madeira que tapavam parte das obras da nova estação da EFCRGN.
Podia-se assim ver melhor o conjunto arquitetônico e avaliar o quanto iria o prédio favorecer a estética de um dos trechos mais movimentados da cidade.Os que lembravam das velhas paredes vermelhas que por tantos anos dominaram aquela paisagem da praça Augusto Severo não escapavam a uma confrontação mental do que foi e do haveria de ser a nova estação.Era este um dos pontos de revalidação da ferrovia na parte inicial do seu tráfego.




As obras vinham sendo executadas desde 1948 substituiu totalmente o antigo prédio e achavam-se em vias de conclusão e conforme o jornal Diário de Natal “ já agora descobertas para o público, apresentam-se nas linhas do estilo moderno, com seus dois pavimentos dispostos a solucionar certos problemas de administração da estrada”.
Ainda segundo o referido jornal os habitantes e transeuntes da capital potiguar não teriam mais o desprazer de assistir ao costumeiro desconforto com eram aguardadas as pessoas que viajavam para Natal e das que as iam receber.Tais melhoramentos constituíam motivos de criticas desairosa, de protestos silenciosos, de censuras.
Entre os benefícios que deixaria a administração do engenheiro Hélio Lobo estava a nova estação  de passageiros de Natal que representaria um dos mais expressivos e mais úteis beneficio.
Os últimos dias da construção se aproximavam. A mão dos operários corria sobre as últimas providencias.Um grande relógio seria posto  no alto da fachada para indicar a marcha do tempo.E as velhas coisas da primeira estação da primeira ferrovia potiguar seria apenas recordações da terra que evoluía.( DIÁRIO DE NATAL, 20/09/1949,p.5).
A inauguração da nova estação da EFCRGN ocorreu em 27/02/1949 as 11h00. No jornal nacional exibido em sessão no Cine Rio Grande em 09/10/1949 foi exibido um reportagem completa sobre a construção da nova estacão da EFRCGN e da construção do trecho Natal –Angicos.
         Ao que tudo indica a inauguração da nova estação da EFCRGN na Ribeira foi ofuscada pelas comemorações do carnaval daquele ano, pois, o jornal Diário de Natal, nada mais disse a respeito do referido prédio.














A NOVA ESTAÇÃO DE JOÃO PESSOA



         A estação atual de João Pessoa localiza-se próxima ao centro da cidade, no bairro do Varadouro.
A primeira estação
A estação de Parahyba, capital da província (atual estado) da Paraíba, foi oficialmente inaugurada em 07/09/1883, e permaneceu com este nome até 1930, quando então a capital do Estado passou a se chamar João Pessoa.
A primeira estação era formada por dois prédios, a estação propriamente dita e o armazém. Situavam-se no Largo da Gameleira, atual Praça Álvaro Machado no bairro do Varadouro.
            Aspectos da primeira estação de João Pessoa



Em 1895, no governo Álvaro Machado foi feito o calçamento e a urbanização do Largo, dando melhores condições aos usuários da Estação Conde d'Eu, como era conhecida na época. Em 1920, observava-se junto à plataforma, um curral para conter o gado que era embarcado na estação.
A nova estação
O decreto n° 7.693 de 20 de agosto de 1941 aprovou o projeto e orçamento da GWBR para a construção da nova estação de João Pessoa, armazém e plataforma na linha norte no ramal de Cabedelo (DIÁRIO DE NOTICIAS, 20/09/1941, p.2).A nova estação de João Pessoa seria construída próxima a antiga.
Em entrevista ao Diário de Pernambuco o superintendente da GWBR Manoel Leão disse sobre sua ida a capital paraibana para tratar do inicio das obras:
         “Em primeiro lugar quero informar que vai ser satisfeita uma velha aspiração  paraibana, que é a construção, nesta capital da nova estação da Greta Western, deliberação já definitivamente resolvida, a que se seguirá o desenvolvimento de um grande plano de obras, do qual algumas já foram iniciadas”.Segundo o superintendente seria gastos mais de 3 mil contos de réis no desenvolvimento desse plano.
o que seria a futura estação da capital paraibana
o projeto para uma nova estação em João Pessoa datava desde 1922 mas que ficaram atravancados no ministério da viação por inúmeros impasses de ordem técnica e burocrática, mas que graças ao interventor Rui Carneiro o projeto pode enfim ser concretizado quando da sua ida a capital federal.
o certo era que a cidade de João Pessoa continuava apresentando o feio contraste que era a estação , dentro dos seus modernos aspectos urbanos, enquanto o comércio paraibano experimentava prejuízos com  a falta de acomodações oferecidas pelo velho edifício da GWBR.
      Varias hipóteses foram estudadas para a solução do caso.Pensou-se numa remodelação do edificio da estação primitiva e preferiu-se finalmente pela construção de uma nova estação dotada de instalações adequadas ao grande movimento de transporte de carga e passageiros confluindo para a capital paraibana e par ao porto de Cabedelo.
O novo edifício, segundo o engenheiro Manoel Leão seria construído em linhas neoclássicas e custaria a GWBR cerca de mil contos de réis.
               Aspectos da estacão atual de João Pessoa






               Armazéns anexo a estação de João Pessoa


         O Governo Federal emprestou 630 mil contos para as obras.A construção do edifício seria feita  de acordo com o plano de urbanização da cidade, tanto quanto possível obedecendo ao sistema Nestor Figueiredo.A nova estação se situaria no extremo do prolongamento da rua Barão do Triunfo, nas imediações da antiga Casa Vergara, justamente onde existia o espinhal do velho porto fluvial da cidade.
         O interventor rui Carneiro visitou esse local junto com o engenheiro Manoel Leão  e o prefeito Francisco Cícero em 28/12/1940 na qual determinou a locação da quadra para o inicio das obras que se daria a começar em janeiro de 1941 logo que fosse ultimado pelos engenheiros da GWBR o projeto “ dessa grande obra bem digna da cidade e dos paraibanos”. (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 31/12/1940, p.5).Ainda segundo o mesmo jornal  a estação antiga seria demolida.
10/11/1942 nova estação de João Pessoas foi inaugurada apresentando o prédio características mais modernistas com linhas retas, marquise, mezanino, fachadas sem adornos, esquadrias de ferro e vidro.
                 Pátio interno da estação de João Pessoa





A NOVA ESTAÇÃO FERROVIÁRIA CENTRAL DE NATAL



         O engenheiro Helio Lobo, diretor da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte-EFCRGN, ao regressar do Rio de Janeiro trouxe na bagagem algumas novidades para os natalenses, dentre estas estava a construção de um novo prédio para a estação central das estradas de ferro do estado.A noticia foi considerada sumamente agradável, muito embora tivesse que desaparecer da paisagem urbana da capital potiguar uma das fachadas mais conhecidas da cidade e um dos pontos mais frequentados que era a antiga estação da Great Western, que havia passado aquele tempo do domínio daquela companhia inglesa para o patrimônio nacional.
         A substituição das instalações centrais das duas estradas de ferro, reunidas que serviam ao Estado já era tempo de ser objeto de estudo e decisão, segundo adiantava ao jornal Diário de Natal o engenheiro Helio Lobo.
         A antiga estação era considerada de arquitetura antiquada, sem comodidades e até mesmo sem uma gare suficiente.




         A estação central de Natal passaria assim por uma grande reforma o qual passaria a ser um prédio moderno, com os seus principais serviços administrativos aproximados entre si e no centro da cidade. ( DIÁRIO DE NATAL, 31/05/1948,p.5).
         Já o jornal A Ordem dizia “não podemos deixar de salientar aqui, por outro lado o bom gosto do Sr. Diretor da Estrada de Ferro Central, dotando tão importante ferrovia do Estado de uma confortável e luxuosa estação central.Aliada a todos os requisitos da arquitetura moderna indispensáveis da uma perfeita obras a Gare Central que se ergue na Augusto Severo [...]”.(A ORDEM, 06/02/1950,p.4).
         A capital potiguar perderia assim  uma dos aspectos tradicionais da cidade que era a estação central da antiga GWBR. Em seu lugar deveria surgir um edifício novo, de novo estilo e de novas grandezas.
         Em 25/08/1948 o jornal Diário de Natal já registrava que o antigo prédio estava sendo demolido pelo martelo dos pedreiros.



          A cidade, devia ser muito atrasada, cheias de alagadiços e de desertos quando se fez o contrato da construção da estrada de ferro, em 1874, pelo sistema dos privilégios de longo prazo, as  plantas não correspondiam aos interesses mútuos, tanto assim que foram modificadas em 1877, quando o governo autorizou o funcionamento, com o nome de “Imperial Brazilian Natal and Nova Cruz Railway Company Limited”, com o capital de menos de seis milhões de cruzeiros.
         Em 1880 foi inaugurada a estrada, mas somente em outubro  de 1881 era aberto ao tráfego a primeira seção entre Natal e São José de Mipibu.Em 1882 funcionava a segunda seção entre São José de Mipibu e Montanhas  e no ano seguinte a terceira seção entre Montanhas e Nova Cruz.
         Esses dados históricos tem a função de indicar a época provável da existência da casa que por tantos anos serviu de estação inicial da nossa primeira ferrovia.
         Não se sabe se as modificações externas vieram modificando a primitiva construção. Mas, de qualquer maneira, com a sua feição achalesada, nunca deixou de dar uma impressão tranquila de um passado de 70 anos.
         Segundo o jornal Diário de Natal a praça Augusto Severo teria dentro de poucos meses sobre esse ponte histórico da cidade um marco de civilização contemporânea.Linhas modernas, simples, retas, formariam a futura estação da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte.
         Segundo o mesmo jornal, os trabalhos começaram com afinco.Não era demais pensar que a nova obra prosseguisse no mesmo ritmo.
         O jornal dizia ainda que de fato a cidade não olhava com bons olhos para a velha estação onde não havia mais nem onde se esperar alguém ou se aguardar o minuto de tomar um vagão. (DIÁRIO DE NATAL, 25/08/1948,p.5).








quarta-feira, 5 de junho de 2019

SOBRE A ESTAÇÃO DE ITAPASSAROCA



         Itapassaroca é um distrito do município de Ceará-Mirim cujo local estava no traçado do prolongamento da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte.
         Após a inauguração da EFCRGN em 13/06/1906 os trabalhos dessa ferrovia prosseguiram em direção a região do Seridó do estado.
       Em 14/11/1906 a estação de Itapassaroca foi inaugurada solenemente. A estação estava situada a 7 km após a cidade de Ceará-Mirim. Na inauguração discursou o engenheiro José Luiz Batista saudando ao ministro  da viação Lauro Muller, o senador Pedro Velho e a comissão construtora da EFCRGN.( DIÁRIO DE PERNAMBUCO,01/12/1906,p.1).
         Até aquela data o trecho total da ferrovia era de 45 km em tráfego.
         Sobre a inauguração da estação de Itapassaroca escreveu o jornal Diário do Natal:
         Teve lugar ontem a inauguração de mais um trecho da Estrada de Ferro Central – o de Ceará-Mirim a Itapassaroca.
        As duas horas da tarde partiu desta capital um trem especial, conduzindo as autoridades principais do Estado e demais convidados para assistirem ao ato da inauguração, regressando a noite. (DIÁRIO DO NATAL, 15/11/1906, p.2).O jornal felicitava a comissão por mais este melhoramento prestado ao Estado.
         O trecho inaugurado tinha 11,189 km, ficando a partir dessa data elevada a extensão em tráfego de 45 km, já a linha telegráfica em serviço era de 56 km já alcançando a vila de Taipu. Os trabalhos se dividiam em duas seções: tráfego e construção.
         Em 19/11/1906 foi publicado o aviso de inicio do tráfego entre a estação de Ceará-Mirim e Itapassaroca conforme mostrado a baixo.

                                  
Diário do Natal, 20/11/1906, p.1.

     Em 17/03/1919 manifestou-se um violento incêndio na parada de Itapassaroca, da EFCRGN, tendo o fogo danificado, além do prédio da estação, vários cereais e sacos de lã que ali estavam aguardando o transporte.O incêndio teve inicio devido a fagulhas soltas da locomotiva Nº 7 que naquele dia trafegara pelo trecho (JORNAL DO COMÉRCIO, 17/03/1919, p.1).

        De acordo com o relatório do ministério de viação e obras públicas em 1922 na estação de Itapassaroca, foi feito além de uma instalação constante de dois compartimentos, uma casa para moradia do agente-telegrafista. (RELATÓRIO DO MINISTÉRIO DA VIAÇÃO E OBRAS PÚBLICAS, 1922,p.144).

Em 1924 foram imensos os prejuízos causados a agricultura e propriedades particulares devido ao rigoroso inverno daquele ano. A povoação de Itapassaroca, a margem da linha férrea da EFCRGN ficou completamente inundada. O governo enviou embarcações com pessoal da policia marítima a fim de socorrer as vitimas. Os prejuízos materiais foram totais. As enchentes provocaram a interrupção do tráfego da EFCRGN.
Em 1925 havia uma plantação de eucaliptos em Itapassaroca, tendo sido junto com Estremoz os locais de pioneirismo dessa cultura no estado.
Em 1929 segundo a revista Excelsior, Itapassaroca era um importante centro de lavra de algodão e criação de gado (EXCELSIOR, 1929, p.66).
A estação de Itapassaroca esteve em funcionamento até 01/05/1963 quando por meio de aviso a Delegacia Regional da Rede Ferroviária do Nordeste em Natal comunicava na imprensa o fechamento de estações dentre as quais as de São José, Baldum e Itapassaroca. (DIÁRIO DE NATAL, 24/04/1963, p.2).A justificativa para o fechamento dessas estações eram serem as mesmas antieconômicas.
O prédio da estação de Itapassaroca permaneceu em pé até meados da década de 1970 quando foi demolida.
Não encontramos nenhuma imagem da estação de Itapassaroca.

SOBRE A ESTRADA DE FERRO CENTRAL DO RIO GRANDE DO NORTE



         Assumida pelo Governo Federal em 1903 a antiga Estrada de Ferro do Ceará-Mirim agora passava a denominação de Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte cuja a finalidade passava a ser a de ser uma via de penetração para o interior do estado a fim de alcançar as regiões produtoras como o Seridó, Central, Sertão, Mato Grande e o vale do Ceará-Mirim, trazendo para natal as produções agrícolas dessas regiões, notadamente o algodão e o açúcar, além de promover trabalho para os milhares de flagelados da seca que se verificava no ano de 1904.
         Naquele ano eram desoladoras as noticias do Rio Grande do Norte.Para termos uma noção basta citar até 22/02/1904 a comissão do engenheiro Sampaio Correia alistou 1.600 retirantes no serviço da estrada de Ceará-Mirim e suspendeu o alistamento. A capital estava inundada de famintos e continuava a receber centenas deles diariamente. Os vapores de Mossoró chegavam abarrotados, ficando ainda em Areia Branca centenas de famílias.
         Na capital potiguar, milhares aguardavam, mendigando, passagem nos vapores do Lloyd, a secretaria do governo arrolou 2004 imigrantes, continuando o arrolamento.A lotação dos paquetes do Lloyd já estavam completa até maio e estavam perdidas as esperanças de inverno.
O Diário Oficial publicou as instruções para o estudo e construção de obras contra os efeitos da seca no estado do Rio Grande do Norte.
          A comissão para esse fim nomeada teria por objetivo:
         A construção da Estada de Ferro do Ceará-Mirim e o melhoramento de outras vias de comunicação que ligassem os pontos afetados pela seca aos de fácil comunicação com os melhores mercados e aos centros produtores.
      A construção de obras de açudagem nos pontos mais convenientes e que não exigissem trabalhos importantes de alvenaria, mas pudesses, entretanto, satisfazer as necessidades urgentes provenientes da seca e a construção onde fosse conveniente e exequível.
        O estudo do traçado mais conveniente de uma estrada de ferro que partindo do ponto mais apropriado do litoral, atravessasse a região assolada pela seca, compreendendo o estudo comparativo dos portos de Mossoró, Macau e Natal.
         A indicação dos açudes que pudessem resistir a três anos de seca e que deveriam ser construídos na referida região, e bem assim o estudo daqueles que o governo julgasse necessário fazer, compreendendo o das obras complementares de irrigação.
       O estudo dos poços profundos mais convenientes, tendo em vista a natureza geológica da região e os demais estudos e construções que o governo determinar.
       Por ser de caráter temporário estava a comissão formada pelo respectivo pessoal em seu quadro: 1 engenheiro-chefe, 1 primeiro engenheiro,2 chefes de seção, 2 engenheiros ajudantes, 3 condutores de 1 classe, 3 condutores de 2ª classe, 1 desenhista, 1 escriturário, 1 amanuense, 1 armazenista e 1 secretário-pagador. (A NOTICIA, 02/03/1904, p.1).
      Nos jornais de Natal constava que a chegada da comissão de engenheiros produziu ótima impressão pela atividade, critério e energia desenvolvidas pelo chefe da mesma. Foram empregados imediatamente retirantes em serviços convenientes para o principio da construção da estrada de ferro do Ceará-Mirim.O povo estava a satisfeito e o comércio agradecido.
       Os serviços de combate a seca no Rio Grande do Norte prosseguiam com a construção da Estrada de Ferro do Natal ao Ceará-Mirim, já ligados por linhas telegráficas e os tudo da linha de penetração, de açudagem e de portos.A comissão encarregada de estudos e construções contra a seca no Rio Grande do Norte executou durante o mês de janeiro de 1905 importantes obras para o assentamento do leito da Estrada de Ferro Natal a Ceará-Mirim.
         A estação da Coroa teve um grande avanço na sua construção e em breve deveria se concluída. A muralha do aterro nº 1, em Salgado, também estavam quase terminadas.Ficaram prontos o bueiro da estaca 618x13 e o pontilhão de sangradouro do açude Vilar, na estaca 379x45.A comissão fez colocar no km 4 uma grande caixa d’água e bem assim um moinho de vento para acionar a bomba de alimentação que forneceria água para a mesma.



                                                                                    Arquivo Nacional

         A ponte de Extremoz ficou concluída, iniciando-se logo o assentamento do estrado menor, trabalho este que já ia bem adiantado.
         Do corte nº 1 foi extraído um volume de 4.500 metros cúbicos de terra, que foram conduzidos em trens de lastro.A comissão esperava terminar no mês de fevereiro vários trabalhos iniciados e começar outros cujos estudos já estavam feitos. (A NOTICIA, 21/08/1905,p.2).
          O ministro da viação recebeu um telegrama em 28/11/1905 no qual o engenheiro-chefe da comissão  Carneiro da Rocha levava ao conhecimento do ministro que havia terminado naquele dia o assentamento do último trilho da Estrada de Ferro do Ceará-Mirim, ficando a linha com 22,500 km de extensão, o resto do leito ficaria pronto até o dia 20 do mês de dezembro.(A UNIÃO, 28/11/1905,p.1).
         O engenheiro Carneiro da Rocha também comunicou ao ministro da viação que havia terminado a construção da ponte de Extremoz no km 24 da Estrada de Ferro do Ceará-Mirim.
        Em 29/12/1905 foi enviado ao ministro da indústria e viação o relatório do engenheiro chefe constando os trabalhos realizados durante o mês de novembro, pela comissão de estudos e construção de obras contra a seca no Rio Grande do Norte.
        Pelo relatório foi informado que ficou terminada a construção do paredão de Igapó, continuando a construção do barracão destinado as oficinas e deposito, ficou concluída a construção da caixa d’água n.º 2, inclusive o assentamento do moinho de vento, que acionava a bomba de alimentação da caixa, tendo dado começo ao reboco da estação de Ceará-Mirim e a construção da cobertura foi iniciada.Os pilares da caixa d’água n. 5 já achava construído.Quanto ao movimento de terra, o lastro transportou um volume de terras de 1.086 metros cúbicos, com um transporte médio de 3.700 metros e forma feitas também outras obras de menor importância. (CORREIO DA MANHÃ, 29/12/1905, p.1).



                                                                                     Arquivo Nacional

         Em agosto de 1905 foi iniciado o assentamento da linha dentro da estação da Coroa e na parte fronteira.O aterro nº 1 recebeu grande volume de terras, sendo que para protegê-lo das marés foi construído um paredão, no qual foi empregado um revestimento de 173,464m³ de pedra seca e 379,26m³ com argamassa de cimento, cal e areia.
         A parada de Igapó situada no km 4, já tinha as fundações e os muros da plataforma feitos, desde o ano de 1904, foi recomeçada, tendo já sido iniciado o assentamento das madeiras da cobertura da mesma plataforma.



                                                                                Arquivo Nacional
          A ponte de Extremoz ficou concluída, sendo as experiência feitas com grande êxito.A parada de Extremoz também já estava concluída, assim como o pontilhão da estaca 372x10, que também serviria de sangradouro ao açude Vilar.Foi iniciada a construção do bueiro aberto da estaca 1270x9, sendo retirada da cavação 6,189m³ de terra.Ainda no mês em apreço foi iniciada a construção da estação de Ceará-Mirim tendo sido lançada a primeira pedra no dia 16/08/1905.
         O movimento de terra com a construção da linha tinha sido grande, esperando-se que até novembro ficasse pronto o leito da linha até Ceará-Mirim, não chegando até a cidade de Natal porque a dotação feita no orçamento não permitiu a compra do material necessário para esse trabalho. (GAZETA DE NOTICIAS, 20/09/1905, p.1).

Afonso Pena
         O governador do Rio Grande do Norte, Tavares de Lyra, recebeu um telegrama o qual dizia que em 12/06/1906 havia chagado a capital potiguar, tendo sido recebido com excepcional manifestação de entusiasmo e apreço.Foi oferecido um banquete oficial ao presidente e no dia seguinte seria inaugurada Estrada de Ferro do Ceará-Mirim.
         As 07h00 do dia 13/06/1906 partiu para Ceará-Mirim na ponta extrema dos trilhos que ficava no km 16 onde ali se fez a cerimônia oficial da inauguração do tráfego da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte.
         Fez a respectiva declaração o engenheiro Carneiro da Rocha e em seguida discursou o presidente Afonso Pena.
         Em seguida a comitiva se dirigiu até a cidade de Ceará-Mirim onde seriam feitas outras homenagens ao presidente. O povo que aguardava os visitantes saudou-os entusiasticamente.




Arquivo Nacional

         Após a inauguração houve almoço na casa do juiz de direito dr. Bezerra oferecido ao presidente Afonso Pena que agradeceu ao referido juiz.
Após a inauguração o presidente partiu no dia seguinte para Fortaleza-Ce, antes telegrafou ao governador Tavares de Lyra dizendo que Ceará-mirim havia causado belíssima impressão com sua várzea coberta de canaviais.
         Ainda  a respeito da inauguração do trecho da EFCRGN na casa do engenheiro chefe da construção da 2ª seção em Ceará-Mirim foi servido lanche a que compareceram os representantes da imprensa.
         Foram feitos brindes ao engenheiro Sampaio Correia, pelo dr. Ávila, a engenharia brasileira, por Gustavo de Melo, ao ministro da viação Lauro Muller, pelo engenheiro Leite.
         A EFCRGN da qual o trecho inaugurado pelo presidente Afonso Pena entre Natal e Ceará-Mirim tinha a estação inicial a margem  esquerda do rio Potengi, em frente a capital potiguar e dirigia-se para a zona do sertão, que através de leste a oeste e de norte a sul entroncaria-se com a Estrada de Ferro de Baturité-CE.
         Em território potiguar acompanhava a linha de penetração os vales dos rios Ceará-Mirim e Piranhas-Assu, percorrendo os municípios de São Gonçalo, Ceará-Mirim, Taipu, Jardim de Angicos, Angicos, Santana do Matos e Caicó.Em território paraibano atravessaria os municípios de Soure, Pombal, Brejo da Cruz e Cajazeiras.
         O trecho que iria de Natal a Caicó, cidade que ficava próxima as divisas dos estados do Rio Grande do Norte e da Paraíba, teria 330 km de extensão, com rampas máximas de 2,2 % e curvas de raio mínimos de 120 metros, sendo de 2.831m³ o movimento de terra.
         A ferrovia nunca chegou ao destino projetado inicialmente tendo os trilhos chegado até as margens do rio Piranhas em Jucurutu.