quarta-feira, 8 de julho de 2026

SOBRE A ATUAL MATRIZ DE SANTA CRUZ

      A pedra fundamental da nova igreja matriz de Santa Cruz foi lançada no dia 21/03/1955 e de acordo com o o jornal O Poti: ” houve a solenidade da tenção e lançamento da pedra fundamental da nova matriz da cidade de Santa Cruz, que tem, como vigário o Pe. Emerson Negreiros. A comissão desta Arquidiocese, de arte sacra, está estudando a planta do novo templo, que será construído com o apoio de todos os católicos daquele próspero município." (O Poti,24/03/1955,p.4).

    O lançamento da "pedra fundamental" é um marco simbólico tradicional na construção de igrejas católicas, representando o início oficial das obras e o fundamento espiritual do novo edifício.

    O envolvimento da "comissão de arte sacra" da Arquidiocese indica que a construção de templos não era apenas uma iniciativa local, mas acompanhada pelas autoridades eclesiásticas, garantindo que o projeto seguisse diretrizes estéticas e litúrgicas adequadas.


Igreja matriz de Santa Cruz

    A atual matriz de Santa Rita de Cássia em Santa Cruz teve sua construção no inicio da década de 1950 em substituição da antiga vista a cima.Na realidade houve a remodelação e ampliação da igreja matriz, dando a mesma uma nova configuração arquitetônica.

    Houve uma festa em beneficio da construção da nova matriz, realizada na ultima semana de dezembro de 1954.

    As comissões diretoras das barracas e do Pastoril de dezembro de 1954 entregaram ao Padre Emerson negreiros, pároco, no dia 1.º de janeiro de 1955, em praça pública, as importância seguintes:

DO AZUL .................................................................... Cr$ 31.562,00

        Assinam-se: Sr. Anisio Nunes de Carvalho, Sra. D. Maria Haydée de Lula Fiuza e Sra. Alda Curê.

DO ENCARNADO..................................................... Cr$ 30.830,00

        Assinam-se: Dr. Democrito Ramos da Rocha, Sra. Dra. Nitalma Elyne Rocha e Srta. Terezinha Fonsêca Cure

         Total: Cr$ 62.392,00.

         Na manhã seguinte as senhoras encarregadas das Barracas trouxeram mais Cr$ 240,00, resultado do funcionamento do Bar, na noite anterior, depois da apuração.

        O Pe. emerson negreiros, pároco, recebeu no total geral Cr$ 62.632,00.

        Total  das despesas           .......................................... Cr$ 18.885,10.

        Saldo .......................................................................Cr$ 43.746,90.

        Este foi o saldo da Festa em beneficio da construção da Matriz de Santa Cruz, realizada na última semana de dezembro de 1954, com a sua prestação geral de contas sob a responsabilidade do Pe. Alcides Pereira da Silva, coadjutor da Paróquia.

       O Monsenhor Emerson Negreiros renunciou a paróquia de Santa Rita de Cássia em Santa Cruz em 1965, de onde era vigário colado havia 10 anos.

       Ele foi residir em Natal onde pretendia exercer o magistério, possivelmente na Faculdade de Filosofia para a qual já havia recebido convite.

 

segunda-feira, 6 de julho de 2026

A EVOLUÇÃO DEMOGRÁFICA DE BENTO FERNANDES

         A história demográfica de Bento Fernandes, município situado na região do Mato Grande, no Rio Grande do Norte, está diretamente relacionada aos processos de ocupação territorial, às transformações econômicas e às mudanças sociais ocorridas ao longo dos séculos XX e XXI.

    Assim como diversos municípios do interior potiguar, Bento Fernandes apresentou períodos de crescimento populacional, estabilidade e redução demográfica, refletindo as condições econômicas e os movimentos migratórios característicos do Nordeste brasileiro.

    Durante boa parte do século XX, a economia local esteve baseada na agricultura familiar e na pecuária de pequeno porte. Essas atividades sustentavam a permanência das famílias no campo, contribuindo para o crescimento da população rural.

   A vida comunitária organizava-se em torno das propriedades agrícolas, das capelas, das escolas rurais e das feiras livres, formando uma sociedade fortemente ligada às atividades agropecuárias.

    A seguir um quadro da evolução demográfica de Bento Fernandes a logo do tempo.

Ano

População

Observação

1940

2.573

Censo/19940.

Distrito de Taipu

1950

2.912

Censo/1950.

Distrito de Taipu

1960

3.654

Censo/1960

1961

6.531

O município se chamava Barreto

1964

6.531

 

1968

6.792

 

1970

4.278

Censo/1970

1971

4.349

 

1976

5.257

 

1980

4.764

Censo/1980

1985

4.822

Estimada/residente

1986

4.818

Estimada/residente

1989

4.945

Estimada/residente

1991

4.930

Censo/1991

1994

4.369

Estimada/residente

1995

4.326

Estimada/residente

1999

4.772

Estimada/residente

2000

4.780

Censo/2000

2000

4.731

Residente

2010

5.113

Residente total

2022

4.807

Censo/2022

Fonte: Anuário Estatístico do Brasil, 1961, p.48; 1964, p.79; 1968, p.52; 1971, p.61; 1976, p.97; 1985, p.73; 1986, p.63; 1989, p.16; 1994, p.212; 1995, p.236; 1999, p.257;2000, p.266;  2010, p.531.

 

     Entre 1940 e 1959 o distrito de Barreto figurava no município de Taipu, tendo sido emancipado em 31/12/1959.

      Em 1961 da população total residente 530 estavam na zona Urbana e 6.001 na zona rural.

      Nas décadas de 1960, 1970 e 1980, o município passou a sentir os efeitos das secas prolongadas, da mecanização agrícola e da concentração de oportunidades econômicas em centros urbanos maiores.

        Esses fatores estimularam intensos fluxos migratórios em direção a Natal, às cidades do Sudeste brasileiro e, posteriormente, a outros estados, reduzindo o ritmo de crescimento populacional.


Cidade de Bento Fernandes

     O processo de urbanização também modificou a distribuição espacial da população. Muitos moradores deixaram as comunidades rurais para residir na sede municipal, onde passaram a encontrar maior acesso aos serviços públicos, comércio, educação e saúde.

    Ainda assim, Bento Fernandes preserva uma importante população rural, característica comum aos municípios de pequeno porte do Mato Grande.

    Os levantamentos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que o município possuía 5.113 habitantes no Censo de 2010.

     Já o Censo Demográfico de 2022 registrou 4.807 habitantes, representando uma redução populacional no período intercensitário. A densidade demográfica passou a ser de aproximadamente 15,97 habitantes por km², evidenciando a baixa ocupação territorial típica dos municípios interioranos do Rio Grande do Norte.

   Outro aspecto relevante refere-se ao envelhecimento da população. A redução da natalidade e a saída de jovens em busca de oportunidades educacionais e profissionais contribuíram para o aumento da participação dos idosos na composição etária do município.

      Essa realidade impõe novos desafios ao poder público, especialmente nas áreas de saúde, assistência social e previdência.

     Ao mesmo tempo, observa-se a melhoria gradual dos indicadores sociais. A ampliação da escolarização, a expansão dos programas de transferência de renda, o fortalecimento da atenção básica em saúde e os investimentos em infraestrutura urbana contribuíram para elevar as condições de vida da população, mesmo diante do pequeno crescimento econômico observado nas últimas décadas.

     As perspectivas demográficas para Bento Fernandes indicam a continuidade do desafio de manter sua população residente. A geração de empregos, o fortalecimento da agricultura familiar, os investimentos em educação, tecnologia e empreendedorismo poderão desempenhar papel fundamental na permanência dos jovens e na redução dos fluxos migratórios.

  Dessa forma, compreender a evolução demográfica de Bento Fernandes significa compreender também sua história econômica, política e social. Os números revelam não apenas a quantidade de habitantes, mas refletem as escolhas, dificuldades e estratégias de sobrevivência construídas por sucessivas gerações de bento-fernandenses.

     A população permanece como o principal patrimônio do município, sendo responsável pela preservação de sua identidade cultural, de suas tradições e de sua memória histórica.

     A evolução da população de Bento Fernandes demonstra as transformações econômicas e sociais vividas pelo município ao longo das últimas décadas.

    Após um período de crescimento demográfico durante a segunda metade do século XX, observa-se, mais recentemente, uma tendência de redução populacional, fenômeno comum em diversos municípios do interior do Rio Grande do Norte em razão da migração para centros urbanos maiores e da diminuição da taxa de natalidade.

    Os dados censitários revelam que Bento Fernandes experimentou crescimento contínuo entre 1940 e 1991, período marcado pela consolidação do município, pela expansão da agricultura familiar e pelo aumento natural da população. Nas décadas seguintes, entretanto, o crescimento perdeu intensidade em razão das mudanças econômicas e das migrações para cidades de maior porte.

   O Censo de 2010 registrou 5.113 habitantes, representando o maior contingente populacional da história do município. Já o Censo de 2022 contabilizou 4.807 habitantes, indicando uma redução de aproximadamente 6% em relação ao levantamento anterior. A taxa média anual de crescimento tornou-se negativa, refletindo o envelhecimento da população, a diminuição da fecundidade e a saída de jovens em busca de oportunidades de estudo e trabalho.

   Apesar dessa redução, Bento Fernandes mantém características típicas dos pequenos municípios do interior potiguar, preservando fortes vínculos comunitários, expressiva população rural e relevante patrimônio histórico e cultural.

     O desafio para as próximas décadas consiste em promover o desenvolvimento econômico, ampliar a geração de empregos e criar condições para fixar a população jovem, assegurando a continuidade do crescimento social e da qualidade de vida dos bento-fernandenses.

     A estimativa populacional mais recente do IBGE indica cerca de 4.911 habitantes em 2025, sugerindo relativa estabilidade após a redução observada no Censo de 2022.

SOBRE A REFORMA DA MATRIZ DO ALECRIM

         Em 1952 escreveu o professor Otto Guerra “parece que o padre Marinho Stenzel não gosta de andar sem um aperreio dos grandes. Outrem era o magnífico salão paroquial, que lhe custou muita canseira e preocupações. Afinal, conseguiu os recursos para pagar toda aquela obra tão util.Agora, ele está enfrentando a remodelação total da Matriz de São Pedro do Alecrim. Quem passar uns tempos sem lá ir, como sucedeu conosco, fica viva e agradavelmente impressionado com o que já está feito, dando ideia do que será a futura matriz.

      O sr. Arcebispo Diocesano, ontem, durante a missa da Pascoa dos Operários, elogiou, com muita razão, o esforço e a dedicação do vigário incansavel.

      Hoje o Alecrim é meio Natal, praticamente. Multiplicam-se as missas na Matriz, desde a madrugada e sempre cheia.

      Qualquer movimento religioso que se promova naquele populoso bairro, de gente simples e cheia de boa vontade é sempre com numeroso concurso de gente.

      Eis porque a reforma da antiga matriz era indispensavel. Como também é indispensável que o povo do Alecrim ajude o seu vigário. As obras precisam ir avante para que tenhamos, em breve, uma vasta e bonita Matriz.

      Movimento assim como o do Alecrim encontramos em Campina Grande, quando lá estivemos ha uns 3 anos atrás. Dava gosto ver-se.

       E é preciso nos lembrarmos dos muitos que não vão à Igreja, nem aos domingos. E que precisam ser catequisados, convencidos de que não basta ser católico de estatística, mas cumpridor da lei".(A Ordem,19/05/1952, p.4).

      E assim foi que a aprtir daquele ano importantes melhoramentos foram introduzidos na Igreja de São Pedro, no Alecrim, inclusive com a reforma total do forro do templo e acréscimo de partes laterais.

     Confiada à direção dos Padres da Sagrada Família, a Matriz do Alecrim, que vinha dia a dia se firmando no conceito de todos os católicos do populoso bairro, tanto pela operosidade dos sacerdotes que a dirigem, como também pela devoção dos componentes das irmandades que têm sede naquele templo.


Reconstituição por inteligência aritficial.

    

        Na imagem a cima  a reconstituitução por inteligência aritficial da igreja do Alecrim a époc ada sua reforma e ampliação.Esse resgate histórico é fantástico! 

       A imagem original publicada no jornal O Poti em 1955 capturava justamente um momento crucial de sua evolução arquitetônica: a grande reforma e ampliação ocorrida na década de 1950 (concluída em meados de 1955). 

        Sob a liderança dos padres missionários da Sagrada Família, com forte influência de figuras como o Padre Martinho e o Padre Fernando Stenzel, a igreja primitiva de linhas mais simples foi expandida para comportar o rápido crescimento da população do Alecrim, que se consolidava como o bairro mais popular e comercial da capital potiguar.

        Alguns pontos históricos fascinantes sobre esse registro:

A estátua na torre

       Na imagem, mesmo antes da reforma, destaca-se no topo a grande imagem de São Pedro, que mede 2,50 metros. Ela foi trazida de navio do Rio de Janeiro e colocada na torre original ainda em junho de 1919, tornando-se o grande símbolo visual do bairro.

O processo de modernização

    A remoção dos andaimes de madeira rústica, dos antigos postes de madeira e do emaranhado de fios elétricos na nossa linha de edições digitais reconstrói o visual imponente que a Matriz ganhou após a conclusão das obras.

O estilo colonial e ocre

     A escolha do reboco liso associado ao ocre colonial e ao branco devolve à edificação o calor e a dignidade dos templos tradicionais da região daquela época, destacando suas colunas em relevo, os arcos das janelas e os novos volumes da nave ampliada.

     Essa reconstituição acabou funcionando como uma verdadeira "máquina do tempo" visual, transformando um registro granulado de canteiro de obras em uma bela representação da Matriz de São Pedro revitalizada. É um belíssimo pedaço da história urbana e religiosa de Natal!


Reconstituição por inteligência aritficial.

Reconstituição por inteligência aritficial.

                                                   O Poti, 26/06/1955, p.9.

Na foto, um aspectos da Igreja quando em reforma.




sexta-feira, 3 de julho de 2026

SOBRE O MERCADO PÚBLICO DE PAU DOS FERROS EM 1956

         As imagens a baixo mostram o registro histórico do Mercado Público de Pau dos Ferros em 1956, elas preservam  a memória visual do edifício do Mercado Público de Pau dos Ferros.

   As características arquitetônicas do edificio destaca a fachada clássica da construção, evidenciando o frontão ornamentado central e as linhas sóbrias que caracterizam o estilo arquitetônico do período.

      Nos aspectos urbanos a presença das árvores alinhadas na calçada, o calçamento da via e as sombras projetadas oferecem um vislumbre de como era a ocupação urbana e a paisagem ao redor do mercado naquela época.

    A restauração por meio de inteligência artificial permitiu maior clareza nos detalhes da fachada e na legibilidade dos textos que acompanham o registro, facilitando a análise de sua importância histórica para o município.

Restauração por inteligência aritficial.

                                                                     Tribuna do Norte, 21/12/1956, p.5.

Colorização por inteligência artificial.