quarta-feira, 13 de maio de 2026

SOBRE JANDAIRA

        O  jornal Tribuna do Norte em 1952 fornece valiosas informações sobre o então distrito de Jandaira que remontam as suas evolução histórica.

     Jandaira era um dos muitos povoados de Macau dentre os quais se destacava o de Jandaira, por já existir ali um hotelzinho e um grupo escolar. “Só falta um telefone o que seria de grande proveito para aquela gente”, escreveu o cronista do citado jornal. (Tribuna do Norte, 20/09/1952, p.6).

        O cemitério havia sido construido (ou reformado) em 1957 durante a administração do prefeito de Lajes, Francisco Cabral.

        Em 1958 foi iniciada a construção do açude Jandaira pelo DNOS.

    A Estrada Macau Baixa Verde, principalmente no trecho de Jandaira, que estava impraticável, cuja comunicação nos veio por intermédio do ex-vice-Governador **José Varela**, ante ontem tomei as providências para seu conserto e sua manutenção.(Tribuna do Norte,10/02/1961,p.4).

        Na mesma estrada, entre João Câmara e Macau, haveremos de atingir o distrito de Jandaíra antes do fim deste ano, para na metade do próximo, possibilitar a ligação permanente, definitiva e imprescindível do nosso maior centro salineiro com a Capital. (Tribuna do Norte,22/10/1961,p.4).

        Para visitar as obras da rodovia João Camara-Macau, no trecho compreendido entre João Camara e Jandaira, o Governador seguirá no proximo dia três de janeiro, devendo, ainda, visitar os municipios de Macau. (Tribuna do Norte,30/12/1961,p.4).

        De 1.º de setembro de 1961 a 31 de janeiro de 1962 foi concluído o trecho inicial, que liga Baixa Verde (João Camara) a Jandaira, num total de 41 km.

 A criação do municipio de Jandaira

         Segundo o referido jornal o Chefe do Executivo, em seu último despacho com o Secretário do Interior e Justiça, sancionou a lei da Assembleia que criava o município de Jandaira, desmembrado do de Lajes.(Tribuna do Norte, 09/01/1964,p.2).

        A 120 km de Natal, no extremo norte do Estado, está situado o município de Jandaíra, com apenas 353 km². O município de Jandaíra foi desmembrado do de Lajes, pela Lei Estadual n.º 2.836 de 27 de dezembro de 1963, instalada em 29 de janeiro de 1964, foi governada desta data até 14 de fevereiro de 1965, pelo Sr. Severino Matias de Melo, nomeado pelo governador do Estado.

        A nova comuna deveria ser instalada imediatamente, devendo o seu prefeito recair em pessoa da livre escolha do Governador, até que o TRE fixasse data para a realização de eleições.Foi nomeado Severino Matias de Melo como primeiro prefeito de Jandaira  pelo governador Aluizio Alves.

        Sua primeira eleição, para prefeito, vice-prefeito e vereadores, foi realizada no dia 31 de janeiro de 1965 e os eleitos empossados no dia 14 de fevereiro de 1965, com término de mandatos previstos para igual data de 1969.

        Em 24/01/1966 o governo do Estado inaugurou um poço tubular em Trincheiras.(Tribuna do Norte,12/01/1966,p.3).

            O sr. José dos Santos, prefeito de Jandaíra esteve em 13/02/1966 com o Governador Walfredo Gurgel, acompanhado do sr. Francisco Cabral, para comunicar o êxito da perfuração de poços naquela cidade, primeira esperança de solução do grave problema de abastecimento d'água.

            Em convênio com a Prefeitura a CASOL e Ministério de Minas e Energia mandaram para ali duas perfuratrizes. As perfurações já alcançaram lençol de água potável com menos de 40 metros, e prosseguem até encontrar boa vazão horária. Os poços deverão ser equipados em cooperação com a Municipalidade.(Tribuna do Norte,14/02/1967,p.4).

            Sabedoria - Experiência e Dinamismo: Trinômio Administrativo para administrar Nova Jandaira” esse foi o titulo dado pelo jornal Tribuna do Norte a administração da prefeitura de Jandaira em 1968.

            O prefeito em 1968 era o sr. José Maria dos Santos, “homem de avançada idade já, mas com um brio, dotação de visão administrativa e considerado pelos seus munícipes como um homem íntegro, dedicado à causa pública e realizador de uma obra administrativa digna dos maiores elogios”.(Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2).

Situação econômica em 1968

        Em todo o município existiam a indústria de cal de pedra. Existiam 25 fornos próprios para fabricação de cal e que funcionam mensalmente. O funcionamento desses fornos era feito da seguinte maneira: pesagem e duração de um para o outro, 10 dias.

        A produção era estimada em 500 sacos de cal, sendo que a produção dos demais não é igual. Esta produção é exportada para Natal e municípios circunvizinhos.

        O comércio, por sua vez, era muito fraco, existiam apenas pequenos mercantis, uma pequena padaria e uma pequena farmácia, além de uma bomba de gasolina e um restaurante. Na agricultura, o plantio de algodão, agave, milho e feijão predominam, sendo que o mais explorado é o do algodão.

        Com relação à produção do ano passado, o algodão não foi produzido em um milhão de quilos, enquanto a produção de agave atingindo a casa dos 150 mil quilos, a do milho cerca de 11 mil e a de feijão 80 mil.

        O algodão e o agave são colocados para as indústrias mais próximas, em João Câmara e Lages.

       Quanto à pecuária a região é criação de município, sendo que o bovino é o mais importante pela existência de um maior número, seguido pelos ovinos e caprinos.


Prefeitura de Jandaíra em 1968.Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2.
Restauração digital por Inteligência Artificial.



Demografia em 1968

        Existiam na zona urbana da cidade 433 habitantes, sendo 172 homens e 187 mulheres, 41 crianças de 7 a 14 anos, sendo 23 do sexo masculino e 18 do feminino. De mais de 14 anos existem 10 homens e 3 mulheres e menores de 7 anos, 72 homens e 74 mulheres.

Especificação da zona urbana

 

Menores de 7 anos de idade

 Homens

Mulheres

72

74

De 7 a 14 anos de idade

23  

18

De mais de 14 anos de idade

10

3

De maior idade

122

185

    Na zona suburbana residiam 385 pessoas, sendo:

 

 Menores de 7 anos

Homens

Mulheres

59

75

De 7 a 14 anos

35

37

 De mais de 14 anos

70

16

Maiores de idade

58

75

      Na zona rural existiam 558 habitantes, assim discriminados:

 

Menores de 7 anos

homens

mulheres

154

145

De 7 a 14 anos

151

158

 De mais de 14 anos

 163

172

Maiores de idade

 758

276

No resumo geral, apresentava-se:

 

Menores de 7 anos

homens

mulheres

285

245

De 7 a 14 anos

209

263

De mais de 14 anos

 599

191

Maiores de idade

518

457

         Apresentando um total geral de 1.216 homens e 1.161 mulheres, numa população de 2.376 habitantes. Este levantamento foi realizado por determinação do prefeito municipal e teve a duração de 90 dias, quando do cadastramento dos prédios existentes no município.

Finanças

        O movimento financeiro dos anos de 1965, 66 e 67 apresentaram uma receita e uma despesa equilibradas, não apresentando déficit em nenhum dos anos primeiros da atual administração.

        No ano de 1965 a receita foi de NCr$ 2.823,34 para uma despesa de NCr$ 1.536,34. No ano de 1966, a receita foi de 23.639,14 e uma despesa de NCr$ 22.381,02. Já no ano de 1967, a receita foi de NCr$ 41.561,52 com uma despesa de NCr$ 34.431,04.

       No movimento acima especificado estão incluídos todos os auxílios recebidos pelo município que sejam federais, estaduais ou municipais. Em 1965, como está descrito, foi realizada uma despesa de NCr$ 1.536,34.

            Nesta despesa estava incluída a aquisição de ferramenta necessária para o conserto de poços tubulares, como sejam: chaves, correntes, etc. Este foi o primeiro material adquirido pela prefeitura.

         Em 1966, numa despesa apresentada de NCr$ 22.381,02, estão incluídos NCr$ 7.500,00 gastos na construção da sede própria da prefeitura municipal; NCr$ 1.193,95 gastos na conservação dos próprios públicos como a restauração total do mercado, cemitério e delegacia de polícia; NCr$ 993,50 gastos na aquisição de um motor marca Yanmar e de uma bomba Itauera, para o poço tubular de Aroeira Direita.

            Durante o exercício de 1966, apenas uma situação gravíssima, a estiagem, pois esta castigou em cheio a região e, sem condições, por falta de ferramentas, a prefeitura foi forçada a gastar NCr$ 2.891,90, na construção de 8 km de estradas e na conservação de mais 94 km das diversas estradas existentes no município, sendo que durante os meses de março e abril, contávamos com 143 homens para trabalhar sem possuirmos ferramentas, como seja, carro de mão etc.

            Este trabalho foi realizado com a ajuda dos "Alimentos para a Paz", além de mais NCr$ 383,00 com limpeza pública e de NCr$ 4.576,10 com o destocamento de matos dentro da cidade, com respectivo transporte e deixando o funcionalismo em dia e a prefeitura munida de material de expediente.

            Em 1967 veio a perfuração de poços tubulares, inicialmente pelo Ministério das Minas e Energia, com as despesas feitas pela prefeitura. Igualmente outro poço perfurado em convênio CASOL—CONESP, também com ajuda da prefeitura. Posteriormente, veio a instalação do poço perfurado pelo Ministério das Minas e Energia, uma instalação moderna, cara e eficiente, pois serve bem à população e que custou aproximadamente NCr$ 8.000,00. Depois veio a construção do Matadouro, ainda não concluído, porque fomos para a construção de uma sala de aula no lugar "Tubibal", neste município, já concluída e brevemente inaugurada.

        Veio depois o financiamento de silos metálicos feito pelo BANDERN—INDA—ANCAR e depois pela prefeitura, veio o fornecimento de enxadas manuais, formicida e inseticida pela prefeitura, aos pequenos agricultores com 50% de abatimento e a saúde com convênio com a Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Lages, mantenedora do Hospital Maternidade Aluízio Alves, naquela cidade.

        I — Câmara Municipal: A Câmara Municipal representava uma percentagem de 22.5% destinada àquele legislativo, sobre o orçamento do município.

I      I — Governo Municipal: o governo municipal tinha anualmente um subsídio de NCr$ 360,00 e o vice-prefeito de NCr$ 240,00.

       III — Serviço de Administração Geral: pela secretaria da prefeitura funciona a Tesouraria, pois o secretário responde pelo expediente do Tesoureiro, além da Junta do Serviço Militar.

        V — Serviço de agricultura e abastecimento: aos pequenos agricultores foi fornecido pela Prefeitura Municipal, enxadas manuais, formicida e inseticida com 50% de abatimento e financiado com prazo de um ano, silos metálicos para armazenamento da produção.

        V — Educação e Cultura: no município existem quatro escolas primárias, sendo que apenas duas estão em funcionamento — a de Trincheiras e a de São Geraldo, denominada Escola Municipal Manoel Alves Filho, que contaram no exercício passado com 43 alunos que receberam, além das escolas, todo o material necessário para o seu estudo, ou seja: cadernos, lápis e borrachas, gratuitamente fornecidos pela prefeitura.

        VI — Saúde: a prefeitura mantinha convênio com a Associação de Proteção e Assistência à Maternidade e à Infância de Lages, mantenedora do Hospital Maternidade Aluízio Alves, para atender aos munícipes que ali chegam em busca de serviço médico, dentário etc. Além dêste convênio a prefeitura ainda tem que deslocar para Natal, Macau, João Câmara, para melhor atender à saúde dos que não podem se tratar.

        VII — Serviços Urbanos: um ligeiro retrospecto do que tinha Jandaíra em 1968: três poços tubulares, quando anteriormente dispunha de apenas um, precário; uma prefeitura moderna, um investimento importante para o município; uma sala de aula em Tubibal, construída pela atual administração; um matadouro em fase de construção; um mercado restaurado; um cemitério também restaurado; uma camioneta para atender as necessidades da Edilidade e dos munícipes; um equipamento para conserto dos poços tubulares; um equipamento mecânico funcionamento em um poço tubular; um motor Yanmar e uma bomba Itauna, funcionando em Aroeira Direita.

    Todos estes investimentos foram anexados ao patrimônio do Município pela atual administração José  Maria dos Santos. (Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2).

         Em novembro de 1974 o governador Cortez Pereira já havia inaugurado a luz elétrica fornecida pela Cosern em Jandaira.(Tribuna do Norte, 10/11/1974, p.8).


Prédio não identificado em Jandaíra, 1968.Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2.

Reconstituição digital por inteligência Artificial.

Prédio não identificado em Jandaíra, 1968.Tribuna do Norte, 10/12/1968,p.2.






SOBRE O 'TAIPU FUTEBOL CLUBE'

                 Realizou-se, no dia 16/01/1952, em São Bento do Norte, então distrito do município de Baixa-Verde, o jogo entre o São Bento Esporte Clube e Taipú Futebol Club.

        O quadro do São Bento, que se achava invicto, enfrentaria a representação do  municipio de Taipú, com a seguinte constituição: Manoel d'O; Chocolate e Guidinha; Tião, Lucas e José; Valdetario, Lopatia, Fernando, Raimundo e Carol.Francisco, Canindé e Pinta-cega; Moreira, Totocha e Dequinha; Zé-Ticha, Damazio, Valter, Banga, Baé.(Tribuna do norte, 05/01/1952,p.3).

 A escalação e a identidade local

        No  "quadro" (equipe) de Taipu o que mais chama a atenção é a presença predominante de apelidos, uma característica fortíssima da cultura brasileira e, especificamente, do futebol de várzea e do interior.

    Nomes como Pinta-cega, Totocha, Dequinha, Zé-Ticha, Banga e Baé mostram uma proximidade e uma intimidade entre os jogadores e a comunidade. No jornalismo de época, o registro desses apelidos era a forma oficial de reconhecer os heróis locais.

Formação tática implícita

            Embora os nomes estejam listados em sequência, a divisão por pontos e vírgulas sugere a formação tática clássica da época (provavelmente o WM ou o 2-3-5):

                Francisco, Canindé e Pinta-cega: provavelmente o goleiro e os defensores.

                Moreira, Totocha e Dequinha: a linha média (centromédios/apoiadores).

                Zé-Ticha, Damazio, Valter, Banga, Baé: o ataque de cinco jogadores, comum até a década de 1950.

 Aspectos geopolíticos e esportivos

            O jogo é contra o distrito de São Bento do Norte, a época pertencente ao municipio de Baixa Verde, atual João Câmara. Naquela época, o futebol era o principal motor de integração e competição entre as cidades do interior, servindo como ponto alto da vida social aos domingos.

             Isso situa o evento geograficamente na região do Mato Grande potiguar.

            Este documento é uma peça de memória esportiva. Ele revela que, além da política (como vimos no primeiro recorte), o futebol era o outro grande pilar de mobilização social em Taipu. Ver nomes como "Pinta-cega" e "Totocha" eternizados em um jornal mostra como o esporte era, acima de tudo, humano e comunitário.

SOBRE A VISITA DE ALUIZIO ALVES EM TAIPU EM 1950

        As manifestações recebidas pela caravana da União Popular, que, nos dias 16 e 17/09/1950, visitou os municípios Taipu, Touros, Itaretama (Lajes), Macau e Angicos, foram as mais expressivas para a vitória de seus candidatos no pleito de 3 de outubro.

    A comitiva era constituída do governador José Varela, deputado Manoel Varela, deputado José Augusto, deputado Cosme Lemos e candidato a deputado federal Aluizio Alves.

Tribuna do Norte, 20/09/1950,p.6.

Taipu  e Touros

 

    A primeira cidade visitada foi de Taipu onde a caravana foi recepcionada pelo prefeito Luiz Gomes da Costa, fazendo, em seguida, um grande comício de propaganda dos candidatos da União Popular.Após o café, seguiu a comitiva para Pureza, no município de Touros.

A dinâmica da "União Popular"

    A "União Popular" mencionada era uma coligação política comum na época. O texto destaca o "pleito de 3 de outubro", uma data que foi padrão para eleições gerais no Brasil por muito tempo.

Aspectos da comunicação política

     Antes da era digital e da televisão de massa, a presença física das lideranças era a principal ferramenta de campanha. O governador e os deputados viajavam pelo interior para legitimar os candidatos locais.

     Nota-se que a primeira parada é na casa ou sob a recepção do prefeito (Luiz Gomes, em Taipu), mostrando que a política era feita "de cima para baixo", articulada entre os chefes políticos locais e estaduais.

     O evento central era o discurso em praça pública, utilizado para mobilizar a população e demonstrar força política.O texto do referido jornal mencionava "Pureza, no municipio de Touros". Isso é um detalhe histórico interessante, pois Pureza hoje é um município independente, mas na época era um distrito pertencente a Touros.

        O registro do jornal Tribuna do Norte é um registro valioso do coronelismo e das alianças partidárias do PSD/UDN no Rio Grande do Norte, ilustrando como o poder estadual se deslocava até as bases municipais para garantir votos em uma eleição iminente.

            Já eleito deputado federal Aluizio Alves voltaria a Taipu em 1952, fazendo uma rápida visita na residência do prefeito Luiz Gomes da Costa.(tribuna do norte,04/03/1952,p.1).

 

SOBRE REALIZAÇÕES DO PREFEITO ALBINO GONÇALVES DE MELO EM MACAU EM 1952

    De acordo com o jornal Tribuna do Norte em edição do dia 20/09/1952, dentre as realizações da gestão do prefeito Albino Gonçalves de Melo, equilibrar as despesas do Município, constavam obras de inadiável execução como reaparelhamento da rede elétrica da cidade, com a compra de dois motores de 100 HP, construção do prédio da Usina Força e Luz, construção de um galpão em próprio municipal onde funciona o Jardim da Infância, calçamento das ruas 15 de Novembro, Pedro II, Benjamin Constant, Praça J. da Penha, Amaro Cavalcanti, Joaquim Honório, Praça do Mercado, Martins Ferreira, Praça da Conceição, São José, Pereira Carneiro, Travessas da Conceição, tudo num total de 340 mil metros quadrados, rejuntado a cimento, e considerado impraticável pelas dificuldades de transporte do material e encarecimento da mão de obra.

    Fez ainda correr o meio fio em todas as ruas. Voltou suas vistas para o cemiterio da cidade, eternamente esquecido, e cercado de arame farpado, murando-o definitivamente a pedra, os de agora em vias de conclusão.

    Adquiriu para o município um completo serviço de amplificadores com oito alto-falantes, remodelando para isso um prédio com capacidade para 100 espectadores.

    Adquiriu mais um caminhão destinado aos serviços da Prefeitura, bem como o instrumental completo para a banda de musica do município. Mobiliou o Gabinete do Prefeito e a Secretaria, além da aquisição que fez de máquinas de escrever, calcular e arquivos.

    No distrito de Pendências que é o mais prospero do município, promoveu o Prefeito Albino Gonçalves de Melo, os seguintes melhoramentos: — reparo geral do motor da luz elétrica, prolongamento da rede de iluminação e instalação de contadores, ampliação e remodelação do cemiterio, bem como reparos do mercado publico da Vila. (Tribuna do Norte, 20/09/1952,p.5).

A Usina Força e Luz de Macau

    A análise arquitetônica da Usina de Força e Luz de Macau, com base nos registros históricos de meados do século XX, revela um edifício de caráter industrial e institucional que utiliza a estética para comunicar modernidade e eficiência.

    O prédio é um exemplo clássico da arquitetura utilitária do período, que buscava dignificar as novas infraestruturas urbanas.

 Características arquitetônicas

    O edifício apresenta uma linguagem predominantemente Art Déco, evidenciada pelos frisos horizontais em relevo no topo da platibanda. Essa horizontalidade, contrastada com as pilastras verticais, cria um equilíbrio visual que era símbolo de progresso tecnológico na época.

    Os elementos clássicos são a presença de pilastras caneladas e a base revestida em mármore (ou material que simula a textura marmorizada) sugerem uma transição entre o ecletismo e o moderno, conferindo ao prédio uma imponência incomum para uma usina elétrica.

     O térreo possui grandes portais de ferro com desenhos geométricos, pensados tanto para a ventilação do maquinário interno quanto para a movimentação de equipamentos pesados. As bandeiras de vidro acima das portas garantiam a entrada de luz natural.

 Contexto funcional e urbano

    O letreiro em relevo "USINA DE FORÇA E LUZ" inserido em uma moldura destacada na parte superior da fachada servia como elemento de comunicação direta com a população, reforçando a presença do Estado ou da concessionária na modernização de Macau.

    Importância para Macau: em 1952, a usina era o coração do desenvolvimento da cidade. Localizada em uma área de pavimentação em paralelepípedos, a edificação contrastava com o casario mais simples ao redor, representando o auge da era das utilidades públicas monumentais.

Prédio da Usina de Força e Luz de Macau,1952.


Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

Significado histórico

     A preservação visual deste edifício, através de técnicas de restauração e colorização, permite observar que a arquitetura industrial daquele período não era meramente funcional; havia uma preocupação estética em integrar a infraestrutura ao tecido urbano de forma elegante, utilizando materiais nobres na base e ornamentos geométricos que resistiram ao tempo como testemunhas do auge econômico da região.

   A Maternidade de Macau

        A análise arquitetônica da Maternidade de Macau, com base no registro de 1952, revela um exemplar significativo da transição entre o ecletismo tardio e os primeiros impulsos modernistas no interior do Rio Grande do Norte.

     O edifício apresenta uma composição simétrica e sóbria, característica de prédios institucionais de saúde da época. A fachada é marcada por um corpo central levemente avançado e elevado, que funciona como o ponto focal da entrada principal.

         Nota-se o uso de platibandas (muretas que escondem o telhado), decoradas com frisos horizontais que remetem ao estilo Art Déco. Esse detalhe era comum em obras públicas que buscavam transmitir uma imagem de progresso e higiene.

        Apesar da platibanda na fachada principal, o corpo posterior revela um telhado de telhas cerâmicas tipo "marselhesa" ou colonial, comum em construções do período para garantir o escoamento térmico em regiões de clima quente.

Prédio da maternidade de Macau,1952.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial

Contexto funcional e urbano

         As janelas são amplas e dispostas de forma rítmica, o que sugere uma preocupação direta com a ventilação cruzada e a iluminação natural, diretrizes fundamentais para o funcionamento de uma maternidade na década de 1950.

        A estrutura frontal conta com um muro baixo vazado em elementos decorativos de concreto (combogós ou similares), que delimitam o espaço privado sem isolar completamente o prédio da calçada.

Importância Histórica

     O registro fotográfico de 1952 captura o edifício em seu pleno funcionamento, servindo como um marco da infraestrutura social de Macau. A restauração e colorização das imagens ajudam a evidenciar o contraste entre os tons pastéis da fachada e a aridez do terreno ao redor, reforçando o papel do prédio como um oásis de assistência técnica e urbana na paisagem da cidade.

A Prefeitura de Macau

        A análise arquitetônica do prédio da Prefeitura Municipal de Macau, com base no registro de 1952, revela uma edificação imponente que exemplifica o rigor das construções civis oficiais da primeira metade do século XX no Rio Grande do Norte.

    Diferente da Maternidade, que flerta com o Art Déco, a sede do governo municipal apresenta uma linguagem mais vinculada ao Ecletismo, com forte inspiração neoclássica.

     O edifício é um sobrado de dois pavimentos com uma fachada rigorosamente simétrica. O corpo central é destacado por pilastras em relevo e um frontão curvo no topo, reforçando a autoridade da instituição que abriga.

    Nota-se a presença de molduras decoradas acima das janelas (sobrevergas) e frisos horizontais que percorrem toda a extensão da fachada, conferindo textura e ritmo visual à construção.

        As janelas do pavimento superior são altas, do tipo "de abrir", protegidas por bandeiras de vidro, enquanto as do pavimento térreo seguem o mesmo alinhamento vertical, garantindo uma estética monumental e equilibrada.

     O portal central, no nível da rua, é emoldurado por um arco de descarga decorativo, funcionando como o eixo de circulação principal que distribui o fluxo para o interior do prédio.

Prédio da prefeitura de Macau,1952.

Contexto urbano e social

         A foto mostra o prédio situado em uma esquina, uma posição de destaque no traçado urbano que enfatiza sua importância como marco civil.

        A presença do poste de madeira com múltiplos isoladores de cerâmica e os carros de época (como o Ford Bigode visível na restauração) contextualizam Macau como um centro urbano em desenvolvimento, impulsionado pela economia salineira.

         Os transeuntes vestidos de forma formal (chapéus e ternos) indicam que o entorno da Prefeitura era o coração administrativo e social da cidade, onde a vida pública se concentrava em 1952.

Significado histórico

        O prédio da Prefeitura não era apenas um centro administrativo, mas um símbolo de estabilidade e ordem. A análise da estrutura revela uma construção sólida, feita para durar, utilizando técnicas de alvenaria de pedra e cal ou tijolos maciços, típicas de obras públicas que visavam atravessar décadas mantendo a sobriedade e a elegância.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

Fonte: Tribuna do Norte, 20/09/1952, p.5.