sexta-feira, 10 de julho de 2026

SOBRE A MATERNIDADE DE TAIPU

    Segundo o jornal Tribuna do Norte pela Associação de Proteção à Maternidade de Taipu vinha funcionando a Maternidade de Taipu, que foi inaugurada a 12 de maio de 1957, no dia das Mães.(Tribuna do Norte, 03/01/1958, p.5).

    Em 03/01/1958 o mesmo jornal registrou que "A frente da Maternidade de Taipú vamos encontrar o pe. Luiz Lucena, vigário local, e o sr. Severino Guedes, presidente do Centro Social. Ambos oferecem a melhor de sua colaboração em prol daquele estabelecimento.(Op.Cit).

    Todavia, convém ressaltar que o autor da iniciativa de uma Maternidade para Taipu, foi do Pe. José Luiz da Silva, antigo vigário local.

    Por outro lado, o prefeito Tamires Miranda vinha colaborando incansavelmente com a Maternidade com 8 mil cruzeiros, para cobrir parte das despesas.

    Na esfera estadual, a atuação do Secretário de Estado da Saúde tinha sido das melhores, colaborando na medida do possível, com a Maternidade de Taipu.

    “Com poucos recursos financeiros, técnicos e materiais, vem atendendo às necessidades da Região. Tem apenas 3 leitos e boas instalações e um enfermeiro, atendem satisfatoriamente os clientes”.(op.Cit).

    Estes registros destacam o esforço comunitário e político para estabelecer serviços de saúde básicos em Taipu.

     A Maternidade de Taipu foi inaugurada em 12 de maio de 1957, no dia das Mães, sendo uma iniciativa inicialmente proposta pelo antigo vigário local, o padre José Luiz da Silva.

     O funcionamento da instituição contava com o apoio de lideranças locais, como o vigário Luiz Lucena e o presidente do Centro Social, Severino Guedes, além do suporte financeiro do prefeito Tamires Miranda e da colaboração da Secretaria de Estado da Saúde.

Prédio onde funcionou inicialmente a meternidade APAMI de Taipu

     O relato descreve uma estrutura modesta ("poucos recursos financeiros, técnicos e materiais", "apenas 3 leitos"), mas enfatiza o impacto positivo no atendimento às necessidades da região.

        A maternidade APAMI de Taipu foi uma grande obra social da paróquia de Taipu que funcionou até o ano de 2024 quando foi extinta.O prédio da maternidade estava situado a rua Cel. Manoel Eugênio, centro de taipu.

Prédio da matenridade APAMI de Taipu a rua Cel. Manoel Eugênio,1983.


APAMI de Taipu, 2002


APAMI de Taipu, 2004

Ruinas do prédio da maternidade APAMI de Taipu, 2011.






SOBRE A CRIAÇÃO DA PARÓQUIA DE CERRO-CORÁ

      Por decreto Diocesano assinado pelo Bispo Diocesano de Caicó, D. José Adelino Dantas, foi criada a Paróquia de Cerro Corá 28 abril de 1957.

     Em 01/05/1957 o jornal Tribuna do Nort ergistrou que o Bispo Diocesano de Caicó assinou decreto criando a Paróquia de Cerro Corá, que até então pertencia à paróquia de Currais Novos.


Igreja matriz de Cerro-Corá

       A criação da nova paróquia se revestiu de caráter festivo, tendo sido realizadas, dia 28 de abril, solenidades na sede do município, onde seria, igualmente, instalada a sede da paróquia.

    A sessão solene, na matriz de Cerro-Corá, foi presidida pelo Bispo Diocesano, D. José Adelino Dantas, e secretariada pelo Vereador Major Severino Bezerra de Andrade.

    Estiveram presentes altas autoridades, inclusive o Prefeito municipal, industrial Sérvulo Pereira de Araújo, toda a Câmara Municipal, o Monsenhor Paulo Herôncio, Vigário de Currais Novos, o Padre Osório Galvão, o Capuchinho Frei Geraldo, Major Rubens Pereira, o deputado Wilson Pereira e representações religiosas das Capelas de Sítio de Dentro, Lagoa Nova e Recanto, que passaram a pertencer à nova Paróquia de Cerro Corá.

    O Decreto Diocesano foi assinado nessa solenidade pelo Bispo D. José Adelino e lido aos presentes pelo Monsenhor Paulo Herôncio.

    Usaram da palavra na ocasião, o Bispo da Diocese, o Prefeito Sérvulo Pereira, o representante de Lagoa Nova, Sr. José Luis Victor e o Monsenhor Paulo Herôncio. (Tribuna do Norte, 01/05/1957,p.4).

    Este recorte jornalístico documenta um marco administrativo e religioso importante para a região Seridó, assim como para a cidade de Cerro-Corá.

     A criação da Paróquia de Cerro-Corá representou a autonomia em relação à Paróquia de Currais Novos, à qual pertencia anteriormente.

     Com a nova estruturação, as comunidades (capelas) de Sítio de Dentro, Lagoa Nova e Recanto passaram a integrar a nova paróquia.

     A solenidade, descrita com "caráter festivo", contou com a presença de diversas figuras de autoridade, demonstrando a relevância do evento para o município na época, unindo esferas civis (Prefeito, Câmara, Deputado) e eclesiásticas (Bispo, Monsenhor, Padre, Frei).

SOBRE A FESTA DO INVERNO EM TAIPU EM 1957

    Em 01/05/1957 o jornal Tribuna do Norte registrou que haveria a Festa do Inverno, promovida pela JAC (Juventude Agrária Católica) de Taipu.

    Segundo o referido jornal: "Festa inédita participará o povo de Taipú nos dias 9 a 12 de maio. Estará assim reunida naquele município toda a comunidade local para comemorar e agradecer a Deus as Riquezas das Chuvas”.(Tribuna do Norte, 01/05/1957, p.4).

    Assim sendo, era a primeira vez que se realizaria aquela festa e provalvmente em beneficio das obras da igreja matriz que se estavam realizando naquele ano.

Significado cultural

    A  "Festa do Inverno" em Taipu, era um evento que celebrava a gratidão pelas chuvas. Em regiões onde a agricultura e a vida cotidiana dependem fortemente do ciclo de precipitações, essa celebração reflete uma profunda conexão entre fé religiosa e o calendário natural.

O protagonismo da JAC

    O evento era promovido pela JAC (Juventude Agrária Católica). A JAC teve um papel fundamental no Brasil, especialmente entre as décadas de 1950 e 1960, na formação de jovens rurais, incentivando a conscientização social e o desenvolvimento comunitário através da ótica cristã.

Caráter inédito

      Ao descrever a celebração como uma "Festa inédita", o registro jornalístico sublinha o aspecto inovador da iniciativa para a época, marcando uma ocasião especial de união para toda a "comunidade local".

O programa

    Estava assim organizado o programa da Festa:

Dia 9 — Quinta-feira — Mocidade. A chuva molha a terra, tornando-a fecunda.

     Ás  6h30 hs — Missa Recitada;

     Ás  10h15 horas — Círculos de Estudo no Centro Social;

    Ás  17h00 horas — Bênção dos campos;

    Ás 19h00 horas — Pregação — A graça cai sobre a mocidade tornando-a feliz

     — Bênção — Cinema.

Dia 10 — Sexta-feira — Páscoa das crianças

    Caiu a chuva do Céu.

    Ás 6h30 horas — Missa com cânticos.

    Ás 10h15 horas — Reunião para crianças.

    Ás  17h00 horas — Bênção nos campos contra lagartas

    Ás 19h00 horas — Pregação — Louvai o menino, ao Senhor

     — Bênção — Cinema.

Dia 11 — Sábado:

    Ás  7h00 horas — Missa explicada.

    Ás 10h00 horas — Programa na Amplificadora Paroquial.

    Ás 17h00 horas — Bênção dos rebanhos.

    Ás 19h00 horas — Pregação — Trabalhar na terra, por amor de Deus, também é rezar.

      — Bênção — Cinema.

Dia 12 — 3º domingo de Páscoa — Dia das Mães — Páscoa das mães 

    A terra molhada dá à planta a seiva que robustece o fruto.

     Ás  6h30 horas — Missa (Páscoa das mães).

    A Eucaristia dá à mãe a graça que robustece os filhos.

    Ás  9h00 horas — Missa solene (cantada) em Ação de Graças pelo inverno deste ano.

    Ás  16h00 horas — No Centro Social — preleção para os agricultores.

    A planta para ser frondosa é preciso aparar os galhos que lhe roubam a seiva. A mãe é como a planta.

    Confissão para os homens — Sorteio de campinadeiras, enxadas, carroça e outros materiais agrícolas.

    Ás 19h00 horas — Procissão luminosa de Nossa Senhora de Fátima na véspera de sua aparição.

    Missa da páscoa dos agricultores, coroando a "Festa do Inverno".

    Este programa reforçava a forte ligação entre o cotidiano rural, a fé religiosa e a natureza:

Simbologia agrária e religiosa

     O programa utilizava a metáfora da chuva como uma bênção divina ("A chuva molha a terra, tornando-a fecunda" e "Caiu a chuva do Céu").

Proteção das colheitas

     Um aspecto interessante é a menção à "Bênção nos campos contra lagartas", que demonstra como a religiosidade era integrada às preocupações práticas da agricultura local, buscando proteção espiritual para as plantações contra pragas.

Atividades da época

    A programação incluía elementos comuns de eventos paroquiais daquele período, como a celebração de missas, momentos de formação (Círculos de Estudo, reuniões para crianças) e o entretenimento noturno com "Cinema".

    A programação do sábado reforçava a natureza rural da festividade, incluindo a "Bênção dos rebanhos" e a pregação que une trabalho e fé: "Trabalhar na terra, por amor de Deus, também é rezar".

Tecnologia e comunicação

    A menção ao "Programa na Amplificadora Paroquial" ilustra o uso de sistemas de som locais — muito comuns na época em cidades pequenas — para levar informações e mensagens religiosas a toda a comunidade.

    O final da programação conclui com um forte tom educativo e prático:

Apoio à produção

     O "Sorteio de campinadeiras, enxadas, carroça e outros materiais agrícolas" demonstra que a festa tinha uma função concreta de auxílio ao desenvolvimento técnico da lavoura local.

Conexão espiritual e prática

      A "preleção para os agricultores" e a "Missa da páscoa dos agricultores" consolidam a proposta do evento de integrar a vida religiosa com o trabalho e o sustento da terra.

Encerramento

    A procissão luminosa de Nossa Senhora de Fátima, realizada na véspera de sua aparição, fecha o ciclo de celebrações com um elemento importante da devoção mariana no Brasil.

     Este é mais um episódio para fortalecer a memória local assim como da paróquia de Taipu.

SOBRE A REFORMA DA MATRIZ DE TAIPU

     A reforma e ampliação da igreja matriz de Taipu era um sonho e uma necessidade antiga tanto da comunidade católica, como dos padres que assumiram a paróquia na década de 1950, devido ao aumento da população e o tamanho da igreja que se tornava pequena para os atos litúrgicos.

    Coube ao Pe. José Luiz da Silva dá inicio aos trabalhos de ampliação da matriz.

    Para realizar a obra grandiosa além de contar com a ajuda dos católicos taipuenses, a paróquia realizou diversos eventos para auxiliar no andamento dos serviços.

    Em 12/01/1957 o jornal Tribuna do Norte registrou que naquele dia uma grande festa se realizaria, na cidade de Taipu, onde toda a renda seria revertida na construção da torre da Matriz de Taipu.(Tribuna do Norte, 12/01/1957, p.4).

    Desde o dia 4 de janeiro que vinha sendo executado o programa organizado pelo padre José Luiz, vigário de Taipu, e que tem como objetivo reverter o resultado líquido da Festa, na construção da Torre da Matriz.

    Ainda segundo o citado jornal: “O trabalho do Padre José Luiz, bem auxiliado pelo Prefeito Tamires Miranda e demais autoridades locais, é destes que merece todo o apoio e que, desde o início, tem contado com a mais franca ajuda de todos os taipuenses que já ofertaram mais de 30 garrotes para o grande Leilão a ser levado a efeito”.(Op.Cit).

       Na imagem a baixo a igreja matriz de Taipu vendo-se o inicio das obras de ampliação da igreja.

Arquivo da paróquia de Taipu.

       Duas interessantes barracas foram construídas no pátio da igreja, recebendo as mesmas os nomes do ABC e América.

       A festa seria encerrada, com o seguinte programa:

       Dia 13 de Janeiro — Ás 6h30 Missa com cânticos — Primeira Comunhão

      Ás 9h00: Missa solene, com a presença do Bispo Auxiliar D. Eugênio Sales;

      Às 16,00, Procissão de Encerramento. (Op.Cit).

    Este  é um registro valioso da história local e das dinâmicas sociais de meados do século XX em Taipu. Alguns pontos se destacam:

Engajamento comunitário

    O texto ilustra como, naquela época, a construção de obras de grande porte (como a torre de uma igreja Matriz) dependia fundamentalmente da mobilização popular e de eventos beneficentes organizados pela paróquia.

    A doação de "30 garrotes" para um leilão é um exemplo claro de uma economia baseada em bens rurais sendo revertida para fins comunitários.

Vida política e religiosa

     A menção ao "Prefeito Tamires Miranda" trabalhando em conjunto com o "Padre José Luiz" demonstra a tradicional união entre as esferas de poder público e religioso no interior brasileiro da época.

Figura histórica

    A presença de Dom Eugênio Sales (que viria a se tornar Cardeal e uma figura de grande relevância nacional na Igreja Católica) para uma "Missa solene" confere um caráter de importância regional ao evento, sugerindo que a festa era um marco significativo para a cidade.

Curiosidade cultural

    A existência de barracas nomeadas "ABC" e "América" no pátio da igreja revela a forte influência da rivalidade dos clubes de futebol potiguares (o "Clássico Rei" do RN) até mesmo em eventos religiosos e festivos daquele tempo.

quinta-feira, 9 de julho de 2026

SOBRE O PROJETO NEOGÓTICO DA NOVA CATEDRAL DE NATAL

         As imagens a seguir  apresentam  uma proposta arquitetônica de estilo neogótico clássico, caracterizada por elementos como as torres agulhadas (flechas), o grande rosáceo central na fachada e os arcos ogivais, típicos dessa estética que buscava resgatar a grandiosidade das catedrais medievais europeias.

Reconstituição por inteligência artificial

Reconstituição por inteligência artificial.

      Sobre o projeto de George Monier para a Catedral de Natal, datado de 1933, é importante destacar alguns pontos:

     O projeto de Monier é um capítulo fascinante na história da arquitetura de Natal. Em 1933, buscava-se uma nova identidade para o centro religioso da capital potiguar, e o neogótico era, na época, um dos estilos mais prestigiados para edifícios institucionais e religiosos, transmitindo perenidade e autoridade espiritual.

A estética Neogótica

     Diferente da proposta moderna da atual catedral metropolitana, o projeto de 1933 era extremamente ornamental e verticalizado.

     O foco estava na complexidade dos detalhes em pedra, na simetria rigorosa das torres e na dramaticidade da fachada, elementos que se afastam completamente do minimalismo que o modernismo, décadas depois, traria para a construção que foi efetivamente executada em Natal.

O "Sonho" que não se concretizou

     O projeto de George Monier reflete uma visão que não chegou a sair do papel da maneira pretendida, mantendo-se hoje como uma peça importante do acervo histórico e documental da arquitetura potiguar.

    Era um projeto ousado idealizado por Dom Marocolino Dantas, então Bispo de Natal, que acreditava que a capital potiguar merecia uma catedral a altura do seu desenvolvimento socioeconômico a época.

    Ele simboliza o desejo daquela época de dotar a cidade com uma "catedral monumental" seguindo os moldes europeus de grande tradição cristã.

    Analisar esse projeto e compará-lo ao estilo adotado para  a nova catedral de Natal na década de 1970 ajuda a compreender como o pensamento arquitetônico em Natal mudou radicalmente em menos de 40 anos: passamos de um desejo pelo historicismo clássico e decorativo para o arrojo estrutural do concreto armado e das formas geométricas puras.


Reconstituição por inteligência artificial

Tribuna do Norte,29/10/1967,p.17.