domingo, 30 de março de 2025

SOBRE A ESTAÇÃO DA COROA

 

         A estação da Coroa foi a estação inicial da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte-EFCRGN, estando a mesma situada a margem esquerda do rio Potengi, atualmente no bairro Salinas, na zona norte da capital potiguar.

         Inicialmente a estação pertenceu a Estrada de Ferro do Ceará-Mirim, cuja construção teve início em 08/12/1890, conforme indica o jornal A República:

         “Sabemos, por cartas recebidas do Rio, que os estudos definitivos sobre a estrada de ferro do Ceará-Mirim, já foram apresentados à aprovação do ministro da agricultura. O digno concessionário da estrada consta-nos que vai [ilegível] entender-se com os seus agentes aqui, a fim de serem lançados quanto antes os fundamentos da estação da Coroa”. (A República,21/05/1890, p.2).

         Na inauguração dos trabalhos da Estrada de Ferro do Ceará-Mirim o jornal Gazeta do Natal registrou que: “a concorrência de povo e de cidadãos importantes à estação da Coroa foi enorme ou antes foi esplendida. Houve ali mesmo um lauto almoço oferecido a todos convivas que se dignaram de assistir àquela ruidosa festa do trabalho, progresso e civilização”. (Gazeta do Natal,13/12/1890, p.2).

A inauguração dos trabalhos de construção da Estrada de Ferro do Ceará-Mirim

         A solenidade de inauguração dos trabalhos de construção da Estrada de Ferro do Ceará-Mirim ocorreu em 08/12/1890 com pompas e formalidades de estilo.

De acordo com o relato do jornal A República das 06h30 as 07h30 da manhã daquele dia começou a afluir ao local da festa a população que ali se congregou.

         Estava a estação da Coroa verdejamente ornamentada, fingindo na parte que fica em frente a cidade e ao rio Potengi um bosque denso, assinalado por diversas bandeiras e galhardetes, que se estendiam até a parte oposta do edifício.

        Aproximadamente das 08h00 o governador Manoel do Nascimento Castro e Silva, dirigiu-se com o pessoal ao lugar designado, fez uma rápida e eloquente alocução inaugural, pediu para proclamar o ato ao engenheiro chefe Brunet, o qual depois de confirmar a inauguração, entregou ao governador uma pá dourada, com a qual ele lançou a primeira pá de terra, seguindo-se-lhe a gentilíssima e espirituosa esposa do engenheiro Brunet, que inteligentemente disse quere ser das primeiras a dar o exemplo edificante do trabalho, fazendo todos os circunstantes o mesmo.

         Foi fotografado pelo engenheiro João Vieira da Cunha o belo quadro daquela reunião do trabalho e da inteligência. Após isso voltou-se à estação da Coroa que ficava a vista e ali o engenheiro João Vieira leu a ata de inauguração daquela futurosa empresa, depois do que o Dr. Diógenes da Nobrega felicitou em breve alocução o florescimento da pátria riograndense, “fazendo votos para que esse espirito de iniciativa neste solo abençoado perdurasse sucessivamente em todas as gerações por vir”.

         Seguiu-se um lauto banquete situado naquele meio pitoresco e de aspecto campestre circundado de ramos e folhagens, tomando todos lugar de pé à mesa, ideia original e que causou-se harmoniosamente com a disposição da festa, durante a qual tocava a curtos intervalos uma banda de música.

       Ao champange levantaram-se diversos brindes. Seguiram-se outras mesas, prolongando-se a festa até ao meio-dia.(A Republica,09/12/1890,p.2).

         De acordo com o relato acima já havia um edifício identificado como estação da Coroa naquela data.

A EFCRGN

         O trecho inicial da Estrada de Ferro do Ceará-Mirim foi encampado pelo governo Federal o qual o transformou na Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte-EFCRGN em 1903.

         Em 1904 os trabalhos de construção da EFCRGN tiveram início por uma comissão chefiada pelo engenheiro José Matoso Sampaio Correia.

         De acordo com o jornal Gazera de Notícias no mês de novembro de 1904 já haviam sido realizados diversos trabalhos na EFCRN, dentre eles a continuação das obras da estação da Coroa e da parada de Aldeia Velha (Igapó). (Gazeta de Notícias ,30/12/1904,p.1).

         Já em 25/08/1905 o referido jornal registrou que a estação da Coroa teve um grande avanço na sua construção e breve deveria ficar concluída. (Gazeta de Notícias ,25/08/1905, p.3).

         No mês de junho de 1905 foi iniciado o assentamento da linha dentro da estação da Coroa e na parte fronteira.

        A parada de Igapó, situada no km 4, que já tinha as fundações e os muros da plataforma desde o ano de 1904 foi recomeçada, tendo já sido iniciado o assentamento das madeiras da cobertura da plataforma. (Gazeta de Notícias,20/09/1905, p.1).

         O engenheiro chefe da comissão de estudos contra as secas no Rio Grande do Norte comunicou ao ministro da agricultura, Lauro Muller, terem sido executados importantes serviços na EFCRGN durante o mês de outubro de 1905, dentre esses serviços a estação da Coroa estava quase concluída, faltando apenas o ladrilhamento a cimento.

A parada de Igapó já estava pronta, devendo ser iniciados dentro de poucos dias a pintura e o prescintamento do telhado. (Gazeta de Notícias,24/11/1905,p.1).

Assim, é de crer-se que a comissão de construção da EFCRGN fez acréscimos ou remodelamentos no edifício já existente da estação da Coroa, a qual seria a estação inicial dessa estrada de ferro.

A inauguração da EFCRGN

         A primeira seção da EFCRGN no trecho entre a estação da Coroa e a cidade de Ceará-Mirim foi inaugurado em 13/06/1906 e contou com a presença do então presidente da República, Afonso Pena.

         Os jornais da época não falam que houve a inauguração da estação da Coroa, mas sim as paradas de Igapó e Estremoz e a estação de Ceará-Mirim naquele dia.

A ponte de atracação

         Em 26/03/1907 o engenheiro chefe da EFCRGN comunicou haver sido concluída a ponte provisória de atracação na estação da Coroa, começando assim o serviço de passagem no rebocador “Ceará-Mirim” com partida de Natal as 08h10 as segundas, quartas e sextas; as terças, quintas e sábados a partida de Natal se dava as 15h10.A volta ocorreria sempre 10 minutos depois da chegada ou partida do trem. preço da passagem no rebocador custava 100 réis, cada volume de bagagem pagaria igualmente 100 réis, ficando as malas de mão isentas da cobrança.(A Republica,26/03/1907,p.1).

         Em 15/07/1907 o jornal A República registrou que estava sendo construído o grande trapiche de 120 metros na estação da Coroa, segundo o referido jornal “obra de uma solides admirável”. (A República,15/07/1907, p.2).

Chefe da estação

         Em 24/07/1907 Joaquim Bezerra de Melo que ocupava até então cargo de chefe da estação da Coroa foi nomeado armazenista da EFCRGN.A República ,24/07/1907, p.1).

O estado da ponte de atracação

         Em 1911 o estado da ponte de desembarque da estação da Coroa era lastimável devido a falta de conservação, estando o lastro já apodrecido, havendo muitas aberturas, constituindo uma ameaça à segurança dos passageiros. (Jornal do Commercio (AM),14/06/1911, p.4).

         No ano de 1917 foi inaugurado o tráfego de passageiros até Natal pela ponte sobre o rio Potengi (ponte de Igapó), utilizando para isso o trecho da linha da Estrada de Ferro de Natal a Independência (Guarabira-PB) arrendada a GWBR no trecho entre as Quintas e a Ribeira, até a estação provisória da EFCRGN.

         O tráfego de passageiros e bagagens continuou a ser realizado pela estação provisória de Natal, o tráfego de mercadorias pela estação da Coroa, na margem esquerda do rio Potengi, e o de animais pela parada de Igapó no km 4, a partir da estação da Coroa.

         Em 1921 o serviço de cargas que se fazia pela estação da Coroa, na outra margem do rio Potengi, apesar de feita a ligação pela ponte de Igapó, passou a ser realizado em Natal na estação provisória, com economia do dispendioso serviço da travessia por barcos. (Relatório do Ministério da Viação e Obras Públicas,1921, p.63).

         A estação provisória ficava situada num prédio junto a estação da GWBR nas margens do rio Potengi e voltada para a rua do Comércio na Ribeira. É atualmente o centro de treinamento da CBTU.

A desativação

         Com a unificação do tráfego na margem direita do Potengi (Ribeira) a estação da Coroa na margem esquerda perdeu sua funcionalidade chegando a ficar abandonada e sem uso e com o passar do tempo foi demolida.

A estação pitoresca

         Infelizmente a demolição da estação da Coroa privou os potiguares e os transeuntes de observarem o que seria uma das estações mais pitorescas do RN, posto que a estação ficava totalmente ilhada quando a maré subia.

         A estação da Coroa estava situada sob um aterro que ia da margem do rio Potengi passando por dentro do mangue até a Aldeia Velha (Igapó) o que também era mais um atrativo da EFCRGN a passagem do trem por dentro do mangue, que por sua vez era motivo de reclamação dos usuários dos trens devido a emanação de mosquitos que ali havia naquele trecho de pântano.

As ruinas da estação da Coroa

         Presentemente ainda é possível observar em meio a vegetação de mangue as ruinas da estação da Coroa assim como parte das estruturas do aterro do Salgado.

 




Aspectos da estação da Coroa. Fonte: Arquivo Nacional, sem indicação de data.

Do cais da Tavares de Lyra na margem direita do Potengi era possível vê a estação da Coroa na margem oposta do referido rio conforme indica a seta na imagem a cima.

A trilha onde antes percorria os trilhos da EFCRGN no aterro do Salgado que partia da estação da Coroa indo até a parada de Igapó.

Restos das construções do aterro do Salgado.

A estação da Coroa 



Em meio a vegetação de mangue o que restou da estação da Coroa.




Pesquisa e texto: João Santos, 15/03/2025.

domingo, 9 de março de 2025

SOBRE O PRÉDIO DA ESTAÇÃO CENTRAL DE NATAL DA EFCRGN

 


Em março de 1910 o jornal A República expôs em seu escritório uma redução fotográfica da planta do edifício da estação inicial da EFCRGN, que foi remetida pelo engenheiro Décio Fonseca, diretor da citada ferrovia.

O decreto nº 7.953, de 14  de abril de 1910 aprovou o projeto e o orçamento na importância de 193:962$890 para a construção da estação inicial da EFCRGN compreendendo as acomodações para o escritório da fiscalização e da administração, organizadas pelo empreiteiro e arrendatário da EFCRGN, na forma do contrato e constantes dos planos e demais documentos.

O referido decreto foi publicado no Diário Oficial no dia 29/05/1910.

O prédio da estação inicial da EFCRGN foi construído na Esplanada Silva Jardim no bairro da Ribeira em Natal.

         O projeto do edifício da estação inicial da EFCRGN apresentava um edifício de dois pavimentos divididos em dois corpos por uma torre central encimada por um relógio.

         No primeiro pavimento estariam situados no extremos norte o armazém de carga e bagagem e no extremo sul o salão de restaurante, no centro do edifício haveria uma passagem que daria acesso à plataforma de embarque, ficando à direita desta passagem o salão da agência e telégrafo, despachante e correio e à esquerda os salões de tráfego e de espera; aos lados ficariam as escadas que dariam acesso ao segundo pavimento e os banheiros.

         No segundo pavimento estariam situados os escritórios administrativos da empresa e da fiscalização da ferrovia por parte do governo federal.

          Em 1913 o edifício já se achava concluído esperando apenas que se fizesse a linha de ligação da estação provisória situada nas imediações do rio Potengi  e rua do Comércio na Ribeira, o que não se realizou logo devido as questões envolvendo uma longa polêmica criada no projeto de criação dessa linha cujos trilhos deveriam cortar toda a rua do Comércio, ou seja, uma área urbana e densamente povoada na capital potiguar, o que gerou grandes discussões para tentar resolver o problema para se fazer chegar a linha até a estação central da Esplanada Silva Jardim.

O decreto nº 10.114, de 5 de março de 1913 aprovara os estudos definitivos e o orçamento da linha de ligação da estação central da EFCRGN à ponte de Igapó na extensão de 8,138,30 km.

A ligação de Igapó à estação central e oficinas da EFCRGN na Esplanada Silva Jardim, na Ribeira, foi aprovada desde 1913 por decreto do governo federal, tendo para isto sido construída uma ponte sobre o rio Potengi, que custou cerca de 3.000 contos.

         Para efetuar essa ligação foram feitos repetidos estudos e sobre eles se manifestaram a Inspetoria de Portos, Rios e Canais, que para dar o seu parecer, solicitou a opinião do chefe de uma das seções da Inspetoria, Sérgio Saboia, que achando-se então em Recife, foi até Natal verificar pessoalmente qual seria a melhor solução.

         Ouviu-se também o chefe da construção e tráfego das estradas de ferro federais no Estado, que pelas informações oficiais ficou provado não ser conveniente fazer desapropriações não valor mínimo de 1.200 contos até do prejuízo decorrente da demolição do edifício da Alfândega e da atual estação da EFCRGN (a provisória) quando com despesa menor e com resultado mais proveitoso seria possível fazer a ligação.

         Daí resultou no fato do ministro ter concordado com a solução proposta pelo engenheiro Aguiar Moreira, conforme constava da publicação no Diário Oficial de 29 [...]

         “em resposta ao vosso oficio nº 529/S, de 13 de outubro do ano próximo passado, referente aos requerimentos em que a Companhia de Viação e Construções, empreiteira arrendatária da Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte, pede que seja modificado, no trecho que defronta com o bairro comercial da cidade de Natal, o projeto da linha de ligação desta cidade a Igapó, aprovado pelo decreto nº 10.114, de 5 de março de 1913, declaro-vos para os devidos efeitos, que nas ordens de serviço que tiverdes de expedir, por intermédio do chefe da fiscalização, para execução das obras aprovadas pelo referido decreto, podeis autorizar as modificações propostas no vosso mencionado oficio, com as quais estou de acordo”.

         O decreto de 1913 aprovando a ligação não se referia as desapropriações a fazer e era por isto que a despesa de que cogitou parecia inferior a que teria de ser realmente feita.

Enquanto não se resolvia a questão o prédio ficou em desuso até 1919 quando foi ocupado pela Inspetoria Federal de Obras Contra as Secas-IFOCS, atual DNOCS, para servir de escritório das obras de açudes e barragens em construções no interior do Estado.

         Terminada as atividades da IFOCS a EFCRGN requisitou a devolução do prédio da estação inicial da Esplanada Silva Jardim em 1922.

         O prédio chegou a funcionar somente como escritório administrativo da EFCRGN e nunca como estação de passageiros e cargas.

         Em 1939 o tráfego de cargas e passageiros foi concentrado todo na estação da Praça Augusto Severo que até então pertencia a GWBR que operava no trecho entre Natal e Nova Cruz, cujo trecho fora devolvido pela GWBR e incorporado a EFCRGN naquele ano.

 

Fonte: Brazil Ferro Carril (RJ),1910, p.17; 1916, p.15

Planta do edifício da estação inicial da EFCRGN em 1913.Fonte: Brasil no Século Vinte, 1913.





terça-feira, 4 de março de 2025

SOBRE AS COLÔNIAS DE PESCADORES DO RN EM 1936


      Em 1936 a pesca no Estado do Rio Grande do Norte vinha sendo aos poucos reorganizada.

         A Federação das Colônias de Pescadores vinha agindo, muito embora, com alguma dificuldade, recompondo algumas Colônias mais próximas da Capital, em vista da deficiência de vias de transporte para as outras mais afastadas.

         Fora da Capital, a Federação vinha encontrando alguns obstáculos para resolver alguns casos de pescadores, que se julgavam donos de terrenos da Marinha, sem os aforarem, e que não permitiam que os pescadores levantassem seus rachos nas proximidades, prescisando as vezes esta instituição agir com violência para resolver casos desta natureza.

         Outro caso que a Federação vinha trabalhando era o de se conseguir acabar nas praias, a cobrança de um imposto de embarcações de pesca que certos municipios taxavam, o que até aquele nomento não havia sido possivel, e que principalmente depois que a Capitania deixou de intervir na pesca e esta instituição por si só não se julgava com a autoridade e competência para resolver certos casos, uma vez que não tinha uma autoridade da Marinha ou do Ministério da Agricultura com quem pudesse a Federação se entender a respeito.

         Naquele ano de 1936 o número de Colônias de Pescadores havia se elevado a 19 com 18.708 pescadores matriculados na Capitania dos Portos, e alguns mal orientados por pessoas que tinha a má vontade para com as colonônias de pescdores, e mesmo viciados com o perdão que todo ano tinham da Diretoria de Portos e Costas, negavam-se ao cumprimento de seus deveres para com suas colonias, motivo pelo qual esta instituição expediu ordens para todos os presidentes para punir a todo o pescador que não cumprissa sua obrigação  sem motivo justificado; pois se o pescador tinha dinheiro para gastar em jogos e outras cousas sem utilidade para si e sua familia, também teria para pagar uma insignificante importância de dois mil réis que seria aplicada em seu beneficio e de sua familia, como estava provado com os socorros que a Federação autorizara aos presidentes daas Coloônias, e a mesma tinham feito com muitos pescadores e pessoas de sua familia, auxilaindo com dinheiro, remédio e hospital.

A Z-1 (Caiçara)

         A Z-1, estava situada em Caiçara, então municipio de Baixa Verde, com zona de abrangência em toda a costa desde Morrinhos até Canto de Baixo.Mantinha três escolas para filhos dos pescadores, estava próspera, já por ser a que maior número de colonos tinha, já por ser onde se fazia a maior pesca de “voador”, e em vista de afluirem, de todas as Colônias, muitos pescadores, a ponto de se conta para mais de 100 embarcações de pesca em cada safra.

         Dias havia que as embarcações matavam de 300 a 400 “voadores” regressando à Vila à noite.

         Desembarcado, era o peixe tratado pelas mulheres, emlavados, após o que era vendido de 50$00 a 100$00 o milheiro.

         A época do “voador” era de abril a setembro, concindindo com a safra do “dourado” (Coriphaena hippurus), que era muito abundante e vendido por unidade, de acordo com o tamanho.

         Havia também na época invernosa, a pesca com a rede de tresmalho, sendo com fartura colhidos a Serra (Sarda sarda), Pescadas diversas e muitos outros peixes comuns da região.

A Z-2 (Touros)

         A Z-2, tinha sua sede em Touros, sendo sua zona de abrangência toda a costa daquele municipio.

         As pescarias eram feitas de linha e tresmalhos.A safra principal era de novembro a abril, conforme a carreira do peixe, que consistia em Pescada, Bagre Branco e outras espécies, que erma vendidas de acordo com o tamanho e peso.

         Tempos havia que aparecia o “voador” que também tinha sua safra muito regular.

         Havia uma lagoa, um pouco central, que era riquissima de peixes de água doce, porém, os pescaroes não estavam aparelhados com o material necessário para efetuar pescarias ali, em virtude do fundo da mesma.

A Z-3 (Rio do Fogo)

         A Z-3 tinha sua sede em Rio do Fogo e zona de abrangência da costa desde a Gameleira até a margem esquerda do Rio do Fogo.

         Mantina duas escolas primárias para filhos de pescadores.

         A sua safra de peixes, de covos, consistia em garajuba, ariaco, carauna  e pescarias de peixe de alto mar.

         Esta Colônia era das que possuia curral de apanhar peixes que fazia boa safra de xaréu e outros peixes.

         A referida zona possuia uma lagoa que era uma verdadeiro viveiro de peixes dos mais apreciados.No entanto,, não podia ser explorada por falta de material adequado para uma pescaria mais rentavel.

         Os pescadors geralmente eram muitos pobres e não podiam contar com o apoio a não de Federação, para aquisição de seus engenhos, porém, esta não estava em condições de auxiliá-los a contento, por falta de recursos.

         Era ainda efetuada uma pescaria muito rudimentar e incapaz de produzir uma melhor safra.

A Z-4 (Natal)

         A Z-4, tinha sua sede no Canto do Mangue, em Natal, sendo sua area de abrangência ambas as margens do rio Potengi e costa até Ponta Negra.

         Mantinha uma escola primária e um grupo de escoteiros do mar, também composto de filhos de pescadores.

         Esta colonia também tinha sua safra de peixes do alto mara, nos meses de novembro a março.Era adotada a tresmalho nos meses de janeiro a maio.Fazia-se também a pesca do “voador”, nos meses de junho a setembro.

A Z-5 (Pititinga) 

         A Z-5 tinha sua sede em Pititinga e sua area de abrangência da margem esquerda do rio Punaú, toda a costa, até a margem esquerda do rio Piracabú.

         Mantinha duas escolas primárias, estava nas mesmas condições da Z-13, tendo safra de tresamalhos nos meses de outubro a março.

         Existia também uma lagoa nas mesmas condições que a Z-3, um verdaeiro viveiro.

A Z-6 (Canguaretama)

         A Z-6 estava sediada em Canguaretama e sua zona de abrangência compreendia a margem direita do rio Catu, toda a costa e margem esquerda do rio Cunhaú.

         Tinha sua safra de tresmalhos em ambas as margens, como também era a zona de maior safra de carangueijo, possuia ainda um belissimo viveiro de peixes de sua propriedade, com mais de 1 km de extensão, onde todos os anos era praticada a pesaca, no mês de março, com bom resultado.

A Z-7 (Galinhos)

         A Z-7 estava sediada em Galinhos, então municipio de Baixa Verde, compreendia a margem direita do rio Camurupim, todas as margens dos rios Pisa Sal, Amargosinho, Tomas, Furado de Cima, Galos, Galinhos e costa até Bicudas.

         Tinha sua safra de “voadores nos meses de agosto a outubro e de tresmalhos nos meses de novembro a março.Mantinha uma escola primária.

A Z-8 (Areia Branca)

         A Z-8 tinha sua sede na cidade de Areia Branca, compreendendo toda a costa, desde o ,imite do Ceará, ambas as margens do rio Mossoró e tdoa a costa até   o Rosado.

         Foi incorporada nela a Z-19, sendo por isto uma das maiores do Estado.

         Sua safra de peixe do alto mar era nos meses de outubro a fevereiro, como também a de agulha, nos meses de agosto a dezembro, nos de novembro a março, nos núcleos de Redonda, Ponta do Mel e Rosado, era a melhor safra de agulha, e nos meses de agosto a setembro, os pescadores se empregavam na pesca do camurupim, que era bem avultada quando o ano era de bom inverno.

A  Z-9 (Macau)

         a Z-9 tinha sua sede na cidade de Macau, sua zona de abrangência era toda a margem do rio Assu, até Macau, compreendendo duas margens, toda a margem direita do rio Cavalos, costa e margem esquerda do rio Umburanas.

         Mantinha duas escolas primárias para filhos de pescadores, uma em Macau e outra no núcleo de Alagamar, também tinha safra de peixe do alto mar nos meses de outubro a dezembro, e da época invernosa faziam os pescadores de tresmalho grande safra de bagre mandimm colhendo centenas de milheiros do referido peixe, que era excelente pelo seu sabor e bastante procurado pelos cearenses, que vinham comprar para vender nos engenhos do Estado.

         Também tinha safra de cavalas no mês de junho, quando o ano era bom de inverno, chegando os pescadores a matar centenas por dia.

A Z-10 (Pirangi)

A Z-10 tinha sua sede no municipio de Papari (Nisia Floresta), sua zona compreendia a margem direita do rio Cururu, toda a costa e ambas as amrgens do rio Camurupim e margem esquerda do rio Tibau, até Carnaúbas.

         Mantinha uma escola primária, tinha sua safra de tresmalho, quando os pescadores faziam boa safra de tainha, nos meses de setembro a janeiro, com também de xaréu.

A Z-11 (Baia Formosa)

         A Z-11 tinha sua sede em Baia Formosa, então municipio de Canguaretama, compreendendo a área da margem esquerda do rio Cunhaú, toda a costa e margem esquerda do rio Guju.

         Esta Colonia mantinha duas escolas primárias e tinha sua safra de peixes do alto mar  e nos meses de outubro a dezembro a da albacora, quando alfuia grande número de embarcações de pescadores, a fim de fazerem a safra do referido peixe, dias havia que os pescadores chegavam a matar centenas de albacoras, que eram vendidas para o interior do Estado e dos vizinhos; os compradores do peixe mandavam fritar em postas a fim de ter mais durabilidade.

A Z-12 (Tibau do Sul)

A Z-12 tinha sua sede em Tibau do Sul, então municipio de Goianinha, compreendendo a zona da margem direita do rio Jacu, Catu e margem esquerda da lagoa de Guarairas.

Mantinha uma escola primária, sendo a safar de camarão na época invernosa e da tainha e de siris, que eram muito procurados pelo seu sabor.

Nos meses de setembro a janeiro, fazia na referida zona a pesca dos peixe de alto mar, outrora os pescadores faziam uma tapagem com redes de malhas tão miudas que apanhavam milhares de peixes pequenos, que eram vendidos nas feiras em litros.

Entretanto, essa prática doi proibida pela Federação de Colônia de Pescadores tendo sido as redes recolhidas e levadas para a Capitania dos Portos onde foram destruidas.

A  Z-13 (Surubajá)

         A  Z-13 tinha sua sede em Muriú e compreendia toda a zona da costa desde a margem direita do dio Maxaranguape até a ponta de Jacumã.

         Também mantinha duas escolas para filhos de pescadores.

         Sua safra de peixe do alto mar era nos meses de outubro a janeiro, e a da tresmalho nos meses de janeiro a março quando os pescadores faziam boas pescarias de tainha e xaréu, vendendo-os para o interior do Estado.

A Z-15 (Maxaranguape)

         A Z-15 tinha sua sede na vila de Maxaranguape, então pertencente ao municipio de Ceará-Mirim, sua zona compreendia toda a costa desde a margem direita do rio do Fogo até as duas margens do rio Maxaranguape.

         Mantinha duas escolas prima´ria e tinha as safras igualmente com as da Z-14.

A Z-16 (Aguamaré)

         A Z-16 tinha sua sede em Aguamaré (atual Guamaré), então municipio de Macau, sua zona compreendia as margens do rio Aguamaré e costa, até a ponta de Tubarão.

         Mantinha escola e tinha sua safra igual a da Z-7.

A Federação de Colônias de Pescadores achava que esta Colônia deveria ser anexada a Z-7, em vista daquela ter maior número de colonos e estar em melhores condições, possuindo sede própria e melhor localização.

A  Z-17 (Barreiras)

         a Z-17 tinha sua sede em Barreiras, municipio de Macau, com zona de abrangência a margem direita do rio Umburanas, costa e margem esquerda do rio Tubarão e costa.

         Mantinha duas escolas primárias para filhos de pescadores e safra de peixe do alto mar nos meses de outubro a janeiro, e a de peixes de tresmalhos nos meses de janeiro a julho, época em que o peixe de carreira afluia a costa na maioria saréu, curimã, tainhas, espada, pescada, guarana (bicuda pequena) e saúna-roliça.

A Z-18 (Canto do Mangue)

         A Z-18 tinha sua sede no Canto do Mangue, municipio de Assu, sua zona compreendia toda a costa, desde Pedra Grande, limite de Areia Branca, até Rosário, Canto do Mangue, as duas margens do rio das Conchas, e seus afluente, costa e margem esquerda do rio dos Cavalalos e afluentes da margem esquerda do rio Assu.

         Mantinha uma escola para filhos de pescadores, e tinha sua safra de peixe do alto mar nos meses de outrubro a janeiro, quando começava a do peixe de tresmalho, até o mês de julho, quando era nessa época que os pescadores faziam boas pescarias de bagre-mandim e tainhas; havia também uma pescaria no mês de abril, no núcleo do Canto das Conchas, onde os pescadores matavam de tresmalhos grande quantidade de cação-lixa.

A Z-19 (Barra do Rio)

         A Z-19 tinha sua sede em Barra do Rio, então municipio de Ceará-Mirim, com zona de abrangência desde a costa de Pitangui as duas margens do rio Ceará-Mirim e seus afluentes e costa, até a ponta de Genipabu.

         Também mantinha três escolas primárias para filhos de pescadores, e tinha sua safra de peixe do alto mar nos núcleos de Pitangui e Genipabu nos meses de outubro a janeiro, e a de tresmalho no núcleo de Barra do Rio, de outubro a abril.Também grande havia uma safra de camarão na época invernosa, como também grande quantidade de trairas acará e outras qualidades, um pouco distante do litoral, em terrenos da referida zona existia uma lagoa com grande abundância de diversas espécies de peixes, mas os pescadores não podiam fazer boas pescarias, em vista de não poderem penetrar no leito da mesma, devido aos jacarés.

         Diziam os pescadores que tinham visto grande quantidade de camurupins, caranhas, curimãs, cumurins e muitos outros peixes.

A Z-20 (Ponta Negra)

A Z-20 tinha sua sede em Ponta Negra, Natal, sendo sua zona de abrangência toda a costa, desde a Ponta do Pinto até Pirangi do Norte.

         Fazia uma safra de peixe de tresmalho, nos meses de outrubro a fevereiro.

         A Federação achava que em virtude do número muito reduzido de pescadores que não ultrapassava de 50 deveria esta Colônia ser incorporada a Z-4 que era a zona mais próxima.

Considerações

         A  Z-13 (Surubajá) foi citada com sede em Muriú, porém Surubajá era o antigo nome do atula municipio de Senador Georgino Avelino. Teria havido confusão ao ser transcrito o relatório da Federação das Colonias para a referida revista? Deixamos como assim o encontramos.

 

A citada revista divulgou no inicio que havia 19 Colônias, mas como visto foram enumeradas 20 Colônias.

A Colônia Z-14 não foi descrita na citada revista mas citada como existisse em referencia a Z-15.


Síntese das Colônias de Pescadores do RN em 1937

Designação

Sede

Nº pescadores inscritos

Nº de escolas

Situação

Colônia Z-1

 

Caiçara

 

258

 

3

Organizada

Colonia Z-2

Touros

197

 

Organizada

Sede própria

Colonia Z-3

Rio do Fogo

220

3

Sede em construção

Colonia Z-4

Natal

323

1

Sede própria

Colonia Z-5

Pititinga

211

1

Sede alugada

Organizada

Colonia Z-6

Canguaretama

----

------

desorganizada

Colonia Z-7

Galinhos

185

1

Organizada

Colonia Z-8

-----

------

-----

------

Colonia Z-9

Macau

235

---

Sede alugada

Colonia Z-10

Pirangi do Sul

185

---

Sede alugada

desorganizada

Colonia Z-11

Baia Formosa

185

2

Organizada

Sede alugada

Colonia Z-12

Tibau do Sul

---

2

Sem sede própria

Organizada

Colonia Z-13

Surubajá

285

1

Organizada

Sede própria

Colonia Z-14

Muriú

183

2

Sede própria

Organizada

Colonia Z-15

Maxaranguape

189

2

Desorganizada

Colonia Z-16

Guamaré

85

--

Desorganizada

Sem sede

Colonia Z-17

Barreiras

184

2

Sede própria

Colonia Z-18

Canto do Mangue (Assu)

168

1

Organizada

Colonia Z-19

Barra do Rio

224

2

Sede própria










  

















Fonte:   A Voz do Mar, 1936,p.17-20. 

A Voz do Mar, 1937,p.16-17.

 

A Voz do Mar, 1937,p.16-17.