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sexta-feira, 3 de julho de 2026

SOBRE A PRIMEIRA PREFEITA DA REGIÃO DO MATO GRANDE

         A primeira mulher eleita em Bento Fernandes e por extensão, a primeira prefeita da região do Mato Grande foi Joana Ferreira da Cruz (dona Noca). Em 1969 foram candidatos a prefeito no município de Bento Fernandes Lidio Fernandes de Oliveira e Francisco Luiz do Amaral, ambos da ARENA e Joana Ferreira da Cruz e Jaime Ferreira de Andrade, também da ARENA.[ Diário de Natal,03/11/1969,p.2]

      O TRE declarou os candidatos Lidio Fernandes de Oliveira e Francisco Luiz do Amaral como inelegíveis.[O primeiro por não ter se afastado 6 meses antes da eleição do cargo de Agente Fiscal e Chefe da Agência de Bento Fernandes (Cargo público) e o segundo por ser genro do então prefeito do município.[Cf.Tribuna do Norte, 08/11/1969,p.5.], por isso a eleição naquele ano em Bento Fernandes ocorreu em chapa única.

      Foi eleita então Joana Ferreira de Andrade e Jaime Ferreira de Andrade, prefeita e vice-prefeito, respectivamente.

      A época da eleição o município de Bento Fernandes contava com 4.679 habitantes, dos quais 875 na cidade e  2. 240 homens e 2.118 mulheres e apenas 1.501 eleitores.[ Diário de Natal, 02/09/1970, p. 14 e Tribuna do Norte, 09/09/1970,p.1, rescpectivamente.]

    Na eleição de 1969 votaram apenas 980 eleitores em Bento Fernandes. [Tribuna do Norte,17/11/1970,p.5]. Em 1972 constavam já 2.256 eleitores.[ Diário de Natal, 13/10/1972, p.3.].

      O primeiro mandato de Joana Ferreira de Andrade ocorreu entre 1970 e 1973.Já em 1976 ela voltaria a concorrer ao cargo novamente tendo vencido o pleito naquele ano para o seu segundo mandato.

     O ano de 1976 foi ano das mulheres candidatas no Rio Grande do Norte.Ao menos 7 prefeitas foram eleitas naquele ano, sendo elas: Marize Bento da Silva (ARENA, Saão Bento do Trairi); Zélia Alves (MDB, Angicos); Maria do Socorro Targino (ARENA, Messias Targino); Joana Ferreira Fernandes (ARENA, Bento Fernandes); Anália Mauricio (ARENA, Sen. Eloi de Souza); Francisca Ferreira de Carvalho (ARENA, Sitio Novo) e Maria das Neves Rodrigues (ARENA, Cel. Ezequiel).[Cf. O Poti, 21/11/1976, p.1.]

     Da primeira gestão de Joana Ferreira da Cruz tem-se que o Tribunal de Contas deu parecer favorável prévio em 1975 para a aprovação das contas da prefeitura de Bento Fernandes relativos ao ano de 1972. [ Diário de Natal,24/06/1975,p.5.]

Sobre o segundo mandato de Joana Ferreira da Cruz

     Conforme o jornal Tribuna do Norte “Mais uma mulher, vai disputar a eleição de novembro. Desta vez, em Bento Fernandes, onde Dona Joana Ferreira da Cruz será por uma das alas da ARENA, enquanto pela ARENA II, Francisco Luiz do Amaral, foi o escolhido. O vice de Dona Joana, ainda não foi definido, assim como o de Francisco Luiz”.[Tribuna do Norte, 27/07/1976,p.12.].

       O recorte do referido jornal fornecem um aspecto importante da história política e social do município de Bento Fernandes, abrangendo um período que transita entre as décadas de 1960, 1970 e meados de 1980.

      Trata-se da trajetória Política de Joana Ferreira da Cruz, identificada como a primeira prefeita de Bento Fernandes. Sua influência política é destacada em diferentes momentos: desde a menção de sua gestão até a notícia de sua candidatura pela ARENA em um pleito de novembro.

     Os textos dos jornais da época mencionam a presença marcante da ARENA (Aliança Renovadora Nacional), o partido de sustentação do regime militar, indicando que a dinâmica política local na época era pautada por divisões internas dentro dessa mesma sigla, como o confronto entre a "ala de Dona Joana" e a "ARENA II" liderada por Francisco Luiz do Amaral.

     O município, desmembrado de Taipu em 1959 com a denominação de Barreto, buscava consolidar sua identidade e autonomia.

      O registro histórico reverencia a memória de Bento Fernandes de Macedo, cuja trajetória de vida e morte trágica está profundamente ligada à fundação e à memória afetiva da cidade.

      A dependência de serviços externos, como a assistência religiosa provida pela paróquia de João Câmara, ilustra a integração regional do município naquela época.

     O conjunto dessas fontes compõe um valioso retrato de uma administração municipal sob o regime militar, focada em obras de infraestrutura básica e na manutenção do controle político local através das estruturas partidárias permitidas na época.

Sobre o município de Bento Fernandes em 1977

   Em 1977 o jornal Diário de Natal apresentou um panorama do município de Bento Fernandes, pelo qual podemos ter uma noção de como se apresentava o mesmo no segundo mandato de Joana Ferreira da Cruz.

     Prefeita: Joana Ferreira da Cruz.

     Vice-Prefeito: José Pinheiro da Silva.

     Vereadores: Arena: Lídio Barbosa de Miranda, Antônio Victor do Nascimento, Luiz Canela de Lima, Silvino Inácio de Melo, Cícero Vitorino da Silva, Wilson Lopes Galvão, João Nicácio Filho.

      Juiz de Direito: Dr. Manuel dos Santos.

      Promotor: Dr. Jair Álvares Vilar.

      Delegado: 3º Sargento Geraldo Nunes da Silva.

     Microrregião: Serra Verde.

     Área: 359 Km².

     População residente: 5.257 habitantes (estimativa/1975).

   Bento Fernandes tinha ligação com os seguintes Municípios através das seguintes Rodovias: João Câmara - RN 120 a 19 Km de distância (30 minutos); Poço Branco - carroçável municipal a 36 Km de distância (45 minutos); Taipu - carroçável municipal a 28 Km de distância (40 minutos); Ielmo Marinho - BR 304, RN 120, RN 064 e carroçável municipal, a 36 Km de distância (40 minutos); São Paulo do Potengi - RN 120 a 30 Km de distância (40 minutos); Caiçara do Rio do Vento - BR 304 e RN 120, a 25 Km de distância (30 minutos); Jardim de Angicos - carroçável municipal a 18 Km de distância (30 minutos); Natal - BR 304, BR 226 e RN 120, a 101 Km de distância (1 h e 30 minutos).

   As atividades econômicas eram: culturas agrícolas, pecuária e indústria de transformação.Produtos exportados: algodão e farinha de mandioca. Produtos importados: gêneros alimentícios e tecidos.

      Bento Fernandes tinha em 1977 um Posto de Saúde Municipal. Os alunos de 2º Grau se deslocavam para João Câmara em transporte custeado pela Prefeitura. Havia no município de Bento Fernandes, experiência de eletrificação rural: a fauna da Belo Horizonte foi a primeira. ia ser construído um açude, que prestaria para o saneamento básico da cidade, com capacidade de 1.500.000,00m³ de água.A assistência religiosa em Bento Fernandes era feita pela paróquia de João Câmara.[ Diário de Natal,02/09/1977,p.14.].

     O referido jornal já destacava a época que Dona Joana Ferreira, a então atual Prefeita, fora também a primeira Prefeita de Bento Fernandes, mas que naquele ano de 1977 exercia já o seu segundo mandato.[ Op.Cit.].

     Esse   pequeno perfil enciclopédico ou informativo do município de Bento Fernandes,  é um documento  valioso por  destacar a gestão de Joana Ferreira da Cruz, citada como a primeira prefeita da cidade. O documento também preserva nomes de figuras públicas da época, como juízes, promotores e vereadores, o que é relevante para registros históricos municipais.

    Detalha as dificuldades de infraestrutura rodoviária da época, enfatizando o uso de estradas "carroçáveis" para acessar municípios vizinhos, além de descrever o cenário econômico centrado na agricultura e pecuária.

Marco na história politica de Bento Fernandes e do Mato Grande

      A história política de Bento Fernandes, registra assim um marco importante com a eleição de Joana Ferreira da Cruz em 1969, sendo a primeira mulher a ocupar o cargo de prefeita do município e por extensão primeira mulher a exercer esse cargo na região do Mato Grande. 

   Sua vitória representou não apenas uma mudança na administração municipal, mas também um avanço significativo para a participação feminina na política local, em uma época em que as mulheres ainda enfrentavam grandes obstáculos para conquistar espaços de poder.

    Joana Ferreira da Cruz foi eleita para governar o município no pleito realizado durante o período do regime militar, assumindo a Prefeitura em 31 de janeiro de 1970. Filiada à ARENA, partido que dava sustentação ao governo federal, tornou-se a sexta chefe do Poder Executivo municipal e a primeira mulher a administrar Bento Fernandes. 

    Sua primeira administração ocorreu entre 1970 e 1973, período em que as prefeituras do interior do Rio Grande do Norte conviviam com severas limitações financeiras e forte dependência dos repasses estaduais e federais. Nesse contexto, o trabalho do gestor municipal exigia capacidade de articulação política, planejamento e atenção permanente às necessidades básicas da população.

   Após concluir seu primeiro mandato, Joana Ferreira da Cruz voltou ao comando da Prefeitura ao vencer novamente as eleições, exercendo um segundo período administrativo entre 1977 e 1983. Com isso, consolidou-se como uma das principais lideranças políticas da história de Bento Fernandes, permanecendo por mais de oito anos à frente do Executivo municipal.

   Sua trajetória política demonstra que a presença feminina na administração pública começou a ganhar espaço gradativamente no interior potiguar. Embora o ambiente político da época fosse predominantemente masculino, Joana conquistou a confiança do eleitorado e mostrou que a competência administrativa não dependia do gênero, abrindo caminho para que outras mulheres participassem da vida política municipal.

     Sua eleição também deve ser compreendida dentro da tradição pioneira do Rio Grande do Norte na participação feminina na política brasileira. O estado foi responsável pela eleição da primeira prefeita do Brasil e da América Latina, Alzira Soriano, em 1928, fato que contribuiu para fortalecer o protagonismo das mulheres na política potiguar ao longo das décadas. 

   Mesmo que parte da documentação sobre sua administração ainda seja escassa, a permanência de Joana Ferreira da Cruz por dois mandatos evidencia seu reconhecimento político junto à população. Sua gestão integra uma fase importante da consolidação administrativa de Bento Fernandes, quando o município buscava ampliar sua infraestrutura, fortalecer os serviços públicos e acompanhar as transformações sociais e econômicas ocorridas no Rio Grande do Norte.

    Hoje, Joana Ferreira da Cruz ocupa lugar de destaque na memória política de Bento Fernandes e da região do Mato Grande. Seu nome permanece associado à conquista da representação feminina no Executivo municipal e constitui referência para estudos sobre a história política local, demonstrando que a participação das mulheres foi fundamental na construção das instituições públicas e no desenvolvimento do município.


quarta-feira, 9 de junho de 2021

O MUNICÍPIO DE BENTO FERNANDES (EX BARRETO)

        O município de Bento Fernandes, ex Barreto, é um dos 167  municípios que compõe o território do Rio Grande do Norte. Situado na região do Mato Grande distante 88 km de Natal contando atualmente com 5.493 habitantes e 335 km² de extensão territorial.



      A seguir algumas considerações que contribuem para a memória histórica desse município potiguar.    

Primórdios

         Já em 22/04/1804, Antônio Cavalcanti Bezerra possuía terras no Tabuleiro do Barreto e em 1822 se fazia referência ao Riacho do Barreto.

O senhor do Engenho Carnaubal, em Ceará-Mirim, foi o animador da povoação, ativando a produção agrícola através de compras e auxilio financeiro. Chamava-se Carlos Augusto Carrilho de Vasconcelos (1849-1920) e mandou erguer a capela de São Sebastião.

Em 1839 a região do Barreto registrou a passagem do bispo de Olinda que vindo da freguesia do Angicos passou pela localidade Riacho Fechado margeada pelo rio Ceará-Mirim[1], a época a região compreendia o município de Estremoz, passando a Ceará-Mirim por transferência de sede municipal daquela para esta vila em 1858 e por fim ao município de Taipu a partir de 10/03/1891, permanecendo como distrito de Taipu até a sua emancipação  política e administrativa em 31/12/1958, portanto, 67 anos na condição de distrito de Taipu. O distrito de Barreto estava a 28 km de distância da sede municipal de Taipu.

Como distrito de Taipu

      O povoado de Barreto é citado no Dicionário Corográfico do Brasil em 1913 (ALMANAQUE LAEMMERT: ADMINISTRATIVO, MERCANTIL E INDUSTRIAL, 1913, p.93).

        Como distrito de Taipu consta que a capela do Sagrado Coração de Jesus foi erguida em 1925 em substituição a antiga cujo orago era São Sebastião, pertencente a paróquia de Nossa Senhora do Livramento.

Em 1928 havia já uma escola municipal. De acordo com Anfilóquio Câmara a agência postal no povoado de Barreto foi instalada a 13/02/1934, como posto de verificação de linhas (Câmara, Anfilóquio. Cenários Municipais, 1943, p.393).

A região do Barreto era a região mais árida do município de Taipu e muito carente de acesso a recursos hídricos, por isso, o quando ocorria invernos bons as noticias soavam animadoras como registradas no jornal A Ordem. Em 26/02/1939 o jornal A Ordem registrou que “choveu ontem todo [o dia] continua [o] tempo ameaçador” (A ORDEM, 26/02/1939, p.4), já em 17/03/1939 “chuvas grossas ontem durante 40 minutos” (A ORDEM, 17/03/1939, p.4) e em 19/03/1939 “ chove torrencialmente desde ontem duas horas” (A ORDEM, 19/03/1939, p.4).

         Na viagem de inspeção pelo interior do Estado feita pelo professor Antônio Estevam, inspetor de ensino, comunicou ao cone Amâncio Ramalho, diretor geral do Departamento de Educação, que na povoação de Belo Horizonte do município de Taipu, encontrava-se funcionando regularmente com uma frequência de 25 alunos, uma escola organizada inteiramente por iniciativa particular do Sr. Joaquim Vitorino que, por conta própria construiu o prédio, no qual gastou Cr$ 4:000$000.

         De acordo com o jornal A Ordem o gesto do Sr. Joaquim Vitorino mereceu ser divulgado com aplausos por aqueles que se interessavam pela instrução, pois assim dotou a sua terra de uma escola que vinha satisfazendo as necessidades locais merecendo que o governo, correspondesse ao desejo da população para elevar a referida escola a categoria de escola rudimentar (A ORDEM, 14/05/1937, p.1).

         A ordem pública no distrito de Barreto era exercida por um subdelegado subordinado a delegacia de policia de Taipu, mas oficialmente em 1929 foi criado o distrito policial de Barreto (RELATÓRIOS DOS PRESIDENTES DOS ESTADOS BRASILEIROS, 1929, p.90).

         Em 1935 o jornal A Ordem registrou a nomeação de Antônio Pereira como subdelegado do distrito de Barreto do município de Taipu (A ORDEM, 17/12/1935, p.2).

       Em 17/01/1938 assumiu a regência da Escola Rudimentar de Barreto, no municio de Taipu, a professora Otilia Barbosa.

  A emancipação

         O Distrito foi criado com a denominação de Barreto (ex-povoado), pela Lei Estadual n.º 2.328, de 17/12/1958, subordinado ao município de Taipu e emancipado e elevado à categoria de município com a denominação de Barreto, pela Lei Estadual n.º 2.353-A, de 31/12/1958, desmembrado de Taipu, com sede no distrito de Barreto (ex-povoado), constituído do distrito sede. A instalação do novo município ocorreu em 01/01/1959. Foram desmembrados 359 km² do território de Taipu a formação do novo município de Barreto.

Localização do município de Bento Fernandes.


         O primeiro prefeito eleito do município de Barreto foi Joaquim Câmara, candidato da UDN, tendo sido o que menor maioria obteve conseguindo vencer seu oponente Francisco de Souza com uma margem de apenas 6 votos (O JORNAL,09/10/1959, p.8).O novo município de Barreto se iniciou logo com convulsões políticas as quais ameaçaram a existência do mesmo que foi ameaçado de não mais existir devido as irregularidades que ocorrerão antes de sua criação e na primeira eleição.

         Segundo o Diário de Natal várias irregularidades foram constatadas no alistamento de eleitores do novo município de Barreto, desmembrado havia pouco tempo de Taipu, onde realizar-se-iam eleições no dia 14/10/1959. Depois de oferecida a denúncia ao Tribunal Regional Eleitoral, contra José Francisco de Souza, mais conhecido por José Igapó, o desembargador João Maria Furtado, corregedor eleitoral, foi até o local constando a exigência de vários eleitores transferidos para Barreto sem que ali residissem, bem como falsificações de documentos por José Igapó que possui um carimbo para “alistar” seus eleitores.

         O desembargador fez um completo relatório do que havia observado no município de Barreto, esperando que o TER tomasse as providencias que se faziam necessitarias para punir o fraudador que também era candidato a prefeito do município (DIÁRIO DE NATAL, 19/09/1959, p.5).

        Uma comissão formada pelos deputados estaduais Ângelo Varela, e Abelardo Calafange, foi designada para apurar sobre as irregularidades com a criação do município de Barreto.

         Conforme havia noticiado o Diário de Natal, o candidato derrotado na eleição daquele município, José Igapó, falou em solicitar a revogação da lei que havia criado o município de Barreto , alegando várias irregularidades entre as quais a de não haver numero de habitantes suficiente para a elevação do distrito a categoria de município, a lei que elevou a vila à distrito era posterior a que criou o município, sendo portanto inconstitucional; a Câmara de Vereadores de Taipu não teria sido considerada quando tramitou o projeto de criação do município de Barreto na Assembleia Legislativa.

         A situação em Barreto não era das mais normais, razão porque foi solicitada a presença de uma comissão de inquérito, a qual deveria apresentar um resultado no mês de março de 1959, quando da convocação extraordinária da Assembleia Legislativa.

       Caso fossem constatadas mesmo as irregularidades apontadas, acreditava o jornal Diário de Natal que seria apresentado projeto de revogação da criação de Barreto.

         Contra a criação do município de Barreto havia a alegação de que a Câmara Municipal de Taipu não foi ouvida a esse respeito, o que motivou aos deputados da oposição a recorrer ao Supremo Tribunal Federal pedindo a anulação da lei que havia criado o município de Barreto.

         Em poder dos responsáveis pelo movimento achava-se uma declaração de membros da Câmara Municipal de Taipu, confirmando o fato e estes iriam solicitar documentos da Assembleia indagando se havia sido encaminhado oficio de consulta.

        Sabendo do que estava ocorrendo, os lideres situacionistas começaram a se movimentar no sentido de que a Câmara de Taipu se pronunciasse, agora, com perspectivas de que fosse favorável a criação de Barreto. De acordo com o jornal Diário de Natal, ignorava-se se a deliberação seria levada em conta pelo Supremo Tribunal Federal (DIÁRIO DE NATAL, 10/11/1959, p.8).

      Em 18/06/1961 o Tribunal Regional Eleitoral começou a averiguar os detalhes da renuncia do prefeito e do vice-prefeito de Barreto, pois documentos haviam suscitado dúvidas.

         Em virtude da  renúncia apresentada por Joaquim Alves da Câmara e José Gomes da Silva, dos cargos de prefeito e vice-prefeito, respectivamente, do município de Barreto, o delegado do PSD solicitou ao Tribunal Regional Eleitoral a fixação da data para a realização de eleições para prover os referidos cargos.

         O TRE resolveu converter o julgamento em diligência para requisitar os livros de atas da Câmara de Vereadores daquele município por ter havido dúvidas sobre a renuncia apresentada pelos documentos que instruíam os autos do processo.Foi relator do processo o juiz Paulo Pereira da Luz (DIÁRIO DE NATAL,18/06/1961,p.7).

         O delegado do PSD recorreu da decisão de do TRE em 18/07/1961 o qual havia adiado a realização das eleições suplementares para os cargos de Prefeito e Vice-prefeito do município de Barreto, em virtude da renuncia dos respectivos titulares e que estavam marcadas para o dia 13/08/1961, tendo sido o pleito marcado para 03/09 (DIÁRIO DE NATAL, 19/07/1961, p.6).

         O TRE aprovou a indicação do juiz Véscio Barreto de Paiva, titular da 4ª Zona Eleitoral, e os nomes de Manoel Nazareno de Araújo e Maria do Livramento Viana para membros da junta apuradora das eleições suplementares que ocorreriam em 03/09/1961 em Barreto (DIÁRIO DE NATAL, 12/08/1961, p.5).

         O resultado das eleições suplementares demonstrou que venceu o Sr. Lidio Fernandes de Oliveira para o cargo de prefeito, que obteve  a maioria de 197 votos que obteve 443 votos enquanto o seu opositor, José Igapó, obteve 246 votos.

         Para o cargo de vice-prefeito o resultado foi 412 votos para Jaime Ferreira de Andrade contra José Barbosa que obteve 255, sendo a maioria a favor de Jaime Ferreira de Andrade de 157. O juiz Véscio Barreto não informou se a comunicação recebida pelo TER informava algum recurso sobre o resultado daquelas eleições suplementares  (DIÁRIO DE NATAL,05/09/1961, p.3).

         Compareceram e votaram 743 eleitores,  deixando de comparecer 242 eleitores.

         E assim foram os primeiros anos do novo município de Barreto.

         O novo município de Barreto tinha ligação com seguintes municípios por rodovias: João Câmara, a 19 km de distancia, Poço Branco, a 36 km de distância, Taipu, a 28 km de distância, Ielmo Marinho, a 36 km de distância, São Paulo do Potengi, a 30 km de distância, Caiçara do Rio do Vento, a 25 km de distância, Jardim de Angicos a 18 km de distância, Natal, a 101 km de distância.Tinha por atividades econômicas a cultura agrícola, pecuária e indústria de transformação. Os produtos exportados eram algodão e farinha de mandioca, já os produtos importados eram os gêneros alimentícios e tecido.

Formação administrativa

        Em divisão territorial datada de 01/07/1960, o município era constituído do distrito sede. Pela Lei Estadual n.º 2.889, de 25/06/1963 foi criado o distrito de Belo Horizonte e anexado ao município de Barreto.

      Em divisão territorial datada de 01/12/1963, o município estava constituído de 2 distritos: Barreto e Belo Horizonte e pela Lei Estadual n.º 3.506, de 16/10/1967, o município de Barreto passou a denominar-se Bento Fernandes. 

      Em divisão territorial datada de 31/12/1968, o município estava constituído de 2 distritos: Bento Fernandes e Belo Horizonte.

Toponímia

Barreto, primitivo nome do município, denominava localidade e riacho, sendo seu topônimo originário de antigo posseiro, tido como fundador da localidade.

 Em 16/10/1967 teve o nome alterado para Bento Fernandes em homenagem a Bento Fernandes de Macedo (1848-1925), agricultor que desde 1870 habitava as campinas daquela região, chegando ao fim da existência honesta e laboriosa com família de 18 filhos. O velho subdelegado de policia ao tentar debelar um tumulto provocado por forasteiros durante uma festividade religiosa foi assassinado em maio de 1925.

O almanaque Laemert cita Bento Fernandes como um dos três suplentes de delegado do município de Taipu (ALMANAQUE LAEMMERT: ADMINISTRATIVO, MERCANTIL E INDUSTRIAL (RJ),1927,p.1119), possivelmente exercendo a função de subdelegado no distrito de Barreto onde residia.

O mesmo almanaque o cita como um dos agricultores e lavradores que constavam no município de Taipu (ALMANAQUE LAEMMERT: ADMINISTRATIVO, MERCANTIL E INDUSTRIAL (RJ), 1913, p.1307) condição  citada até 1925.

O município de Bento Fernandes na década de 1970

         De acordo com o jornal Diário de Natal foram eleitos Joana Ferreira da Cruz e Jaime Ferreira de Andrade, prefeita e vice-prefeito, respectivamente do município de Bento Fernandes (DIÁRIO DE NATAL, 29/01/1970, p.7).

         Duas agroindústrias contribuíam para a economia do município de Bento Fernandes, que eram a Má Qualhada e ADISA.

         Adauto Rocha e os filhos José, Hélio e Bira, contrataram com a INDUPLAN a elaboração de um projeto agroindustrial para o aproveitamento do potencial de sua propriedade “Má Qualhada” no município de Bento Fernandes.

         Naquela fazenda já existiam quase 4 mil pés de abacaxis, e com a aprovação do projeto esse numero seria aumentado, bem como seria efetuado um plantio racional de cajueiro para o aproveitamento industrial da polpa, suco e da castanha (O POTI,16/08/1970, p.10).

A empresa Agropecuária Diamante S.A-ADISA, cujo diretor-presidente era Antonio Soares da Rocha, proprietário rural em Taipu,  foi constituída com recursos dos incentivos fiscais da SUDENE. A ADISA adquiriu em 1970 um trator CBT 1000 com todos os implementos necessários a mecanização de sua fazenda Jurumenha, no município de Bento Fernandes.

Já em 1973 Jaime Ferreira de Andrade era quem exercia o cargo de prefeito naquele município (DIÁRIO DE NATAL, 15/02/1973, p.11).

         O deputado estadual Dalton Melo, líder da ARENA, endereçou apelo ao diretor do DER-RN no sentido de incluir no programa rodoviário do Estado 1975/1976 a construção da estrada que ligava a cidade de Bento Fernandes a BR-304 aquela época em leito natural (DIÁRIO DE NATAL, 10/09/1975, p.5).

        Em 1976 a SUDENE firmou convenio com o DNOCS para a construção do açude Sossego em Bento Fernandes (DIÁRIO DE NATAL, 10/06/1976, p.7).

       Em 1977 era prefeita Joana Ferreira da Cruz, o vice-prefeito, José Pinheiro da Silva. Os vereadores eram: Lídio Barbosa de Miranda, Antonio Victor do Nascimento, Luiz Canela de Lima, Silvino Inácio de Melo, Cicero Vitorino da Silva, Wilson Lopes Galvão, João Nicácio Filho. O juiz de direito era Dr. Manuel dos Santos, o promotor: Dr. Jair Alvares Vilar e o delegado era 3º sargento Geraldo Nunes da Silva.

        A cidade de Bento Fernandes possuía um posto de saúde municipal. Os alunos de 2ª grau tinha que se deslocar para João Câmara em transporte custeado pela prefeitura. No município de Bento Fernandes começava a ser executado o programa de eletrificação rural tendo sido a fazenda Belo Horizonte a primeira a receber tal beneficio. Naquele ano de 1977 iria ser construído o açude que prestaria para o saneamento básico da cidade com capacidade para 1.500.000,00m³ de água. A assistência religiosa era feita pela paróquia de João Câmara (DIÁRIO DE NATAL, 02/09/1977, p.14). 

        Naquele ano de 1977 seriam construídos pela Secretaria de Transportes do Governo do Estado 8 açudes objetivando principalmente o saneamento básico em municípios carentes de mananciais subterrâneos, incluindo o município de Bento Fernandes com a construção do Açude Barreto com capacidade de 1.500.000,000m³, cujo projeto e orçamento foram elaborados desde 1975 pelo DNOCS ( DIÁRIO DE NATAL, 31/08/1977, p.2)

         No ano de 1978 o deputado estadual Antonio Câmara havia requisitado providencias no sentido de serem implantadas rodovias interligando os municípios da região do Mato Grande que estavam segundo ele praticamente isolados entre si, assim, queira ele que fosse construída a RN-064, ligando os municípios de Ceará-Mirim a Touros e a RN-120 ligando João Câmara a Bento Fernandes, salientando não apenas o lado econômico da construção dessas estradas, mas também o social.    

Posto da TELERN                                                                           

         O posto da TELERN de Bento Fernandes seria instalado em agosto de 1978 (DIÁRIO DE NATAL, 17/01/1978, p.8), no entanto, o Posto de Serviço da TELERN em Bento Fernandes só seria instalado no ano seguinte.

         De acordo com o Diário de Natal a TELERN comunicava aos seus usuários que estavam ativados os Postos de Serviço de Bento Fernandes, onde os usuários daquela cidade poderiam realizar ligações interurbanas para qualquer cidade do Estado e do País devendo se dirigir ao referido OS e solicitar a ligação a telefonista, já os assinantes das demais cidades para ligarem para Bento Fernandes deveriam discar 101 e solicitar a chamada (DIÁRIO DE NATAL,22/02/1979, p.17).

Inauguração da energia de Paulo Afonso        

         O governador Cortez Pereira inaugurou em 12/07/1974 o serviço de distribuição de energia elétrica  vinda da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso-BA por meio da COSERN (DIÁRIO DE NATAL,12/07/1974, p.4).

         Mais uma cidade do Rio Grande do Norte ganhava assim a energia elétrica da Usina Hidrelétrica de Paulo Afonso-BA. Na noite de 14/07/1974, onde o governador Corte Pereira, na presença dos diretores da COSERN, prefeito e população da cidade, presidiu a inauguração do novo sistema de energia elétrica de Bento Fernandes, onde existia uma população de 4.680 habitantes, sendo 927 na zona urbana e 3.753 na zona rural.

         Para receber o beneficio a cidade preparou uma festa que começou bem cedo com desfile de estudantes pelas ruas da cidade. No inicio da noite, a população concentrou-se na rua principal onde assistiu a um filme sobre o Rio Grande do Norte. A festa maior, entretanto aconteceu as 20h15 quando o governador cumprindo mais uma etapa de seu programa de inaugurações acionou o dispositivo que fez iluminar a cidade com a energia de Paulo Afonso.


Inauguração da energia elétrica em Bento Fernandes. Foto: O Poti, 14/07/1974, p.3.


        
O presidente da ARENA no município, Francisco Canindé de Oliveira, representando o prefeito Jaime Ferreira de Andrade e o povo de Bento Fernandes, fez da inauguração uma oportunidade para agradecer ao governo do Estado os benefícios já levados a comunidade. Aproveitou também para reivindicar a construção de uma ponte sobre o rio Ceará-Mirim que durante o inverno dificulta o acesso a cidade. O governador Cortez Pereira em seguida informou que os estudos com esta finalidade já estavam sendo realizados.

         Na festa da inauguração da energia elétrica em Bento Fernandes, uma das maiores lideranças da região, dona Joana Ferreira da Cruz, conhecida como dona Noca, era uma das mais entusiasmadas, e após, a solenidade de inauguração afirmou: “já participei de grandes festas aqui. Mas esta pela importancia do acontecimento foi realmente a que me deixou mais feliz”.

         O presidente da COSERN, Benvenuto Pereira, lembrou outras vezes que havia visitado Bento Fernandes e falou da escuridão em que vivia a cidade. Acrescentou que se sentia satisfeito por ter de voltar mais uma vez “sendo que desta vez para trazer, cumprindo orientação do governador Cortez Pereira, a energia de Paulo Afonso que ilumina as ruas antes mergulhadas na escuridão”.

         O prefeito do município, Jaime Ferreira de Andrade, comentou depois sobre a alegria por ter sido a inauguração da energia de Paulo Afonso realizada em sua administração.

         O governador Cortez Pereira lembrou ainda Joaquim Vitorino “uma das grandes figuras que conheci”, líder e criador no municipio falecido havia algum tempo.No final, o governador falou da importância da energia de Paulo Afonso para a cidade de Bento Fernandes (O POTI,14/07/1974,p.3).

          Em 1978 foi solicitado a Cosern a instalação de um escritório na cidade de Bento Fernandes.

O município de Bento Fernandes na década de 1980

         O Governo do Estado por meio da Companhia de Habitação Popular do Rio Grande do Norte-COHAB-RN construiu o Conjunto Bento Fernandes, no município de mesmo nome, cuja solenidade de inauguração ocorreu em 02/03/1983 as 09h00.        

         Foram construídas 30 unidades habitacionais cujo valor global foi de Cr$ 13.487.874,55 onde seriam atendidas até 150 pessoas. Os recursos foram do Banco Nacional da Habitação e obras financiadas por meio do programa FICA-Financiamento de Reforma e Ampliação de Moradias (DIÁRIO DE NATAL, 02/03/1983, p.3).  

As inaugurações das agências do BNB e do abastecimento de água na cidade de Bento Fernandes ocorreu em 08/03/1983 assim como a construção do escritório local da CAERN (DIÁRIO DE NATAL, 08/03/1983, p.5).

         Em 1985 a prefeitura de Bento Fernandes, através do prefeito Jaime Andrade, efetuou a entrega de várias obras públicas à comunidade, dentre elas a reforma geral do mercado público, a instalação de uma TV pública na praça Santos Dumont, o calçamento nas praças Frei Henrique de Coimbra e Santos Dumont, a garagem municipal destinada ao trator e outros implementos da prefeitura.

  Naquele ano também foi inaugurado a eletrificação nos povoados Riacho Fechado e Riacho de Paus, antigas reivindicações dos habitantes daquelas localidades, feita mediante convenio firmado entre a prefeitura, COSERN e STOP.

         Funcionando na prefeitura, a Junta de Serviço Militar em breve estaria sendo instalada em prédio construído exclusivamente para a tender aos jovens do município, que era uma antiga reivindicação do secretário Francisco Canindé de Andrade.

         Em funcionamento desde julho de 1985, o Centro Social Joana Ferreira da Cruz, tinha como presidente Maria do Livramento Freire, tendo o Centro Social sido uma homenagem a Dona Noca, ex-prefeita do município.

         O Flamengo continuava em alta na campanha do Campeonato interiorano/85 promoção do Diário de Natal/Rádio Poti e Fenat (O POTI, 22/09/1985, p.23).

         Em audiência com o governador José Agripino, o prefeito Jaime Andrade, do município de Bento Fernandes conseguiu a construção da ponte que separava o centro da cidade do Alto do Rondon já encaminhado ao DER para fazer a concorrência pública.

         No dia 12/10/1985 comemorou-se a festa da padroeira, Nossa Senhora Aparecida, com barracas, leilões e festa dançante no clube muicipal ao som do grupo Zincaros. Segundo o jornal  O Poti, muita gente viria das cidades vizinhas para prestigiar a festa.

         O Centro Social Joana Ferreira da Cruz estava realizando um levantamento das necessidades da população de Bento Fernandes, para encaminhar reivindicações junto aos órgãos competentes e a equipe do Centro contaria com o apoio técnico da concluinte de Serviço Social Liranita Oliveira Dantas.

         Dentro de um mês aproximadamente o município estaria recebendo o sinal da TV Bandeirantes, até aquela data a cidade já recebia o sinal das TV Globo e TV Universitária. Um contrato de serviço foi firmado com a Satel para a aquisição de uma antena repetidora com recursos exclusivos da prefeitura (O POTI,12-13/10/1985,p.22).

         O Centro Social Joana Ferreira da Cruz através da sua diretora e do prefeito Jaime Andrade junto ao governador José Agripino, conseguiu a liberação de recursos na ordem de Cr$ 40.000.000 para a construção da sede própria da entidade que prestava assistência a comunidade (O  POTI,29/12/1985, p.24).

         Foi realizada 11/01/1985 a solenidade de colação de grau dos concluintes do 1º grau da Escola Estadual Senador João Câmara. A turma Francisco Canindé de Andrade teve como patrono o prefeito Jaime Ferreira de Andrade, com homenagens especiais ao Dr. Hélio Xavier de Vasconcelos, secretário estadual de educação , Francisca Figueiredo Souza, chefe do 40º NURE, Joana Ferreira da Cruz, ex-prefeita, José Nicácio Neto, diretor da escola, Iberê Ferreira de Souza, secretário de assuntos de governo, José Robenilson Ferreira, ex-secretário da educação do município, Floriano Barbosa de Miranda, vice-prefeito e Elione Fernandes Bezerra, supervisora da escola.

         No dia 04/01/1986 foi publicado no Diário Oficial do Estado o edital de licitação para a construção da ponte sobre o riacho Bezerra com 30 metros de comprimento. A ponte era uma antiga reivindicação do prefeito Jaime Ferreira de Andrade junto ao governo do Estado, cuja obra beneficiaria muito o município, haja vista que, no período de inverno a cidade ficava privada de locomoção para as localidades de Alto Rondon, Riacho Paus, Inhandu, Jurumenha, ocasionando assim prejuízos aos produtores de leite, como também aos estudantes que deixavam de frequentar a escola devido o riacho não dar passagem.

     Foi concluído pelo Departamento de Obras da Prefeitura, a pavimentação a paralelepípedos das praças Frei Henrique de Coimbra e Santos Dumont. A realização dessas obras foi concretizada com recursos próprios do erário municipal e iniciado o serviço de calçamento da rua Tiradentes e o prefeito concluiria todas as ruas da zona urbana até o final do seu mandato (O POTI,12/01/1986, p.22).

O município de Bento Fernandes na década de 2000

As principais atividades econômicas do município eram a agropecuária, o extrativismo e o comércio. Com relação à infraestrutura, o município possuía 01 Agência e 01 posto dos Correios e 19 empresas com CNPJ ( IDEMA, 2001).

Nos anos 2000 o município de Bento Fernandes tinha na rede de saúde  01 hospital, 01 Unidade Mista, 01 Centro de Saúde, 01 Posto de Saúde e 15 leitos.

Na área educacional, o município possuía 30 estabelecimentos de ensino, sendo 10 de ensino pré-escolar, 19 de ensino fundamental e 01 de ensino médio. Da população total, 64,60% eram alfabetizados.

Aspectos da cidade de Bento Fernandes.


O município possuía 932 domicílios, sendo 456 urbanos e 476 na área rural. Destes, 588 têm abastecimento d’ água através da rede geral, 21 através de poço ou nascente e 323 por outras fontes. Apenas 407 domicílios eram atendidos pela coleta regular de lixo.

Demografia

         O censo de 1960 acusou uma população de 6.504 habitantes, dos quais 3.362 homens e 3.142 mulheres. Foi o primeiro levantamento oficial da população de Barreto após a criação do município.

         Aquele censo apontou ainda que haviam 1.180 domicílios, dos quais 627 eram próprios e 553 em outras condições e apenas 16 casas tinha acesso a iluminação elétricas.

O censo de 1970 apontou uma população de 4.353 habitantes, dos quais 836 na zona urbana e 3.029 na zona rural. Em 1975 a estimativa da população era de 5.257 habitantes, que não se confirmou conforme os dados do Censo de 1980 que apontou uma população de 4.642 habitantes, sendo 3.267 homens, e 2.275 mulheres.

Aquele Censo apontou que na cidade de Bento Fernandes eram 3.669 habitantes, dos quais 1.876 homens e 1.823 mulheres. Já no distrito de Belo Horizonte eram 943 habitantes, sendo 491 homens e 442 mulheres.

O Censo de 1991 demonstrou uma população de 4.463, dos quais 2.227 homens e 2.236 mulheres.

Segundo o censo de 2000, a população total residente era de 4.709 habitantes, dos quais 2.468 são do sexo masculino (52,40%) e 2.241 do sexo feminino (47,60%), sendo que 2.044 viviam na área urbana (43,40%) e 2.665 na área rural (56,60%).

A população em 2005 foi estimada em 4.863 habitantes (IBGE/2005). A densidade demográfica é de 14,05 hab/km².

Eleitores

         O município de Bento Fernandes contava em 1972 com 2.256 eleitores (DIÁRIO DE NATAL, 13/10/1972, p.3), em 1978 constava 2.106 eleitores  (DIÁRIO DE NATAL, 24/10/1978, p.18) e em 1982 o município de Bento Fernandes contava 2.726 eleitores (O POTI, 17/10/1982, p.7).



Antiga capela do Sagrado Coração de Jesus do antigo distrito de Barreto. Desativada, atualmente compõe o patrimônio histórico da cidade de Bento Fernandes, pode ser vista as margens de RN120 que liga a cidade a João Câmara.

Igreja de Nossa Senhora Aparecida atual padroeira de Bento Fernandes. A igreja atual de Bento Fernandes teve seu inicio em 1957 por iniciativa do Pe. Lucilo Alves, a época pároco de Taipu.


[1] Riacho Fechado é atualmente distrito do município de Bento Fernandes.


segunda-feira, 6 de julho de 2026

A EVOLUÇÃO DEMOGRÁFICA DE BENTO FERNANDES

         A história demográfica de Bento Fernandes, município situado na região do Mato Grande, no Rio Grande do Norte, está diretamente relacionada aos processos de ocupação territorial, às transformações econômicas e às mudanças sociais ocorridas ao longo dos séculos XX e XXI.

    Assim como diversos municípios do interior potiguar, Bento Fernandes apresentou períodos de crescimento populacional, estabilidade e redução demográfica, refletindo as condições econômicas e os movimentos migratórios característicos do Nordeste brasileiro.

    Durante boa parte do século XX, a economia local esteve baseada na agricultura familiar e na pecuária de pequeno porte. Essas atividades sustentavam a permanência das famílias no campo, contribuindo para o crescimento da população rural.

   A vida comunitária organizava-se em torno das propriedades agrícolas, das capelas, das escolas rurais e das feiras livres, formando uma sociedade fortemente ligada às atividades agropecuárias.

    A seguir um quadro da evolução demográfica de Bento Fernandes a logo do tempo.

Ano

População

Observação

1940

2.573

Censo/19940.

Distrito de Taipu

1950

2.912

Censo/1950.

Distrito de Taipu

1960

3.654

Censo/1960

1961

6.531

O município se chamava Barreto

1964

6.531

 

1968

6.792

 

1970

4.278

Censo/1970

1971

4.349

 

1976

5.257

 

1980

4.764

Censo/1980

1985

4.822

Estimada/residente

1986

4.818

Estimada/residente

1989

4.945

Estimada/residente

1991

4.930

Censo/1991

1994

4.369

Estimada/residente

1995

4.326

Estimada/residente

1999

4.772

Estimada/residente

2000

4.780

Censo/2000

2000

4.731

Residente

2010

5.113

Residente total

2022

4.807

Censo/2022

Fonte: Anuário Estatístico do Brasil, 1961, p.48; 1964, p.79; 1968, p.52; 1971, p.61; 1976, p.97; 1985, p.73; 1986, p.63; 1989, p.16; 1994, p.212; 1995, p.236; 1999, p.257;2000, p.266;  2010, p.531.

 

     Entre 1940 e 1959 o distrito de Barreto figurava no município de Taipu, tendo sido emancipado em 31/12/1959.

      Em 1961 da população total residente 530 estavam na zona Urbana e 6.001 na zona rural.

      Nas décadas de 1960, 1970 e 1980, o município passou a sentir os efeitos das secas prolongadas, da mecanização agrícola e da concentração de oportunidades econômicas em centros urbanos maiores.

        Esses fatores estimularam intensos fluxos migratórios em direção a Natal, às cidades do Sudeste brasileiro e, posteriormente, a outros estados, reduzindo o ritmo de crescimento populacional.


Cidade de Bento Fernandes

     O processo de urbanização também modificou a distribuição espacial da população. Muitos moradores deixaram as comunidades rurais para residir na sede municipal, onde passaram a encontrar maior acesso aos serviços públicos, comércio, educação e saúde.

    Ainda assim, Bento Fernandes preserva uma importante população rural, característica comum aos municípios de pequeno porte do Mato Grande.

    Os levantamentos realizados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstram que o município possuía 5.113 habitantes no Censo de 2010.

     Já o Censo Demográfico de 2022 registrou 4.807 habitantes, representando uma redução populacional no período intercensitário. A densidade demográfica passou a ser de aproximadamente 15,97 habitantes por km², evidenciando a baixa ocupação territorial típica dos municípios interioranos do Rio Grande do Norte.

   Outro aspecto relevante refere-se ao envelhecimento da população. A redução da natalidade e a saída de jovens em busca de oportunidades educacionais e profissionais contribuíram para o aumento da participação dos idosos na composição etária do município.

      Essa realidade impõe novos desafios ao poder público, especialmente nas áreas de saúde, assistência social e previdência.

     Ao mesmo tempo, observa-se a melhoria gradual dos indicadores sociais. A ampliação da escolarização, a expansão dos programas de transferência de renda, o fortalecimento da atenção básica em saúde e os investimentos em infraestrutura urbana contribuíram para elevar as condições de vida da população, mesmo diante do pequeno crescimento econômico observado nas últimas décadas.

     As perspectivas demográficas para Bento Fernandes indicam a continuidade do desafio de manter sua população residente. A geração de empregos, o fortalecimento da agricultura familiar, os investimentos em educação, tecnologia e empreendedorismo poderão desempenhar papel fundamental na permanência dos jovens e na redução dos fluxos migratórios.

  Dessa forma, compreender a evolução demográfica de Bento Fernandes significa compreender também sua história econômica, política e social. Os números revelam não apenas a quantidade de habitantes, mas refletem as escolhas, dificuldades e estratégias de sobrevivência construídas por sucessivas gerações de bento-fernandenses.

     A população permanece como o principal patrimônio do município, sendo responsável pela preservação de sua identidade cultural, de suas tradições e de sua memória histórica.

     A evolução da população de Bento Fernandes demonstra as transformações econômicas e sociais vividas pelo município ao longo das últimas décadas.

    Após um período de crescimento demográfico durante a segunda metade do século XX, observa-se, mais recentemente, uma tendência de redução populacional, fenômeno comum em diversos municípios do interior do Rio Grande do Norte em razão da migração para centros urbanos maiores e da diminuição da taxa de natalidade.

    Os dados censitários revelam que Bento Fernandes experimentou crescimento contínuo entre 1940 e 1991, período marcado pela consolidação do município, pela expansão da agricultura familiar e pelo aumento natural da população. Nas décadas seguintes, entretanto, o crescimento perdeu intensidade em razão das mudanças econômicas e das migrações para cidades de maior porte.

   O Censo de 2010 registrou 5.113 habitantes, representando o maior contingente populacional da história do município. Já o Censo de 2022 contabilizou 4.807 habitantes, indicando uma redução de aproximadamente 6% em relação ao levantamento anterior. A taxa média anual de crescimento tornou-se negativa, refletindo o envelhecimento da população, a diminuição da fecundidade e a saída de jovens em busca de oportunidades de estudo e trabalho.

   Apesar dessa redução, Bento Fernandes mantém características típicas dos pequenos municípios do interior potiguar, preservando fortes vínculos comunitários, expressiva população rural e relevante patrimônio histórico e cultural.

     O desafio para as próximas décadas consiste em promover o desenvolvimento econômico, ampliar a geração de empregos e criar condições para fixar a população jovem, assegurando a continuidade do crescimento social e da qualidade de vida dos bento-fernandenses.

     A estimativa populacional mais recente do IBGE indica cerca de 4.911 habitantes em 2025, sugerindo relativa estabilidade após a redução observada no Censo de 2022.