quinta-feira, 4 de junho de 2026

TAIPU SEGUNDO O MONS. SEVERINO BEZERRA

 

         Em 30/11/1963 o jornal católico A Ordem publicou um texto do mons. Severino Bezerra sobre o município de Taipu com destaque para a origem de sua capela que é a atual igreja matriz de cidade, vejamos:

“No grupo das pequenas cidades do nosso Estado, está incluída a de Taipu, situada à margem direita do rio Ceará Mirim, zona da via férrea.

É uma cidade que não apresenta notável desenvolvimento, quer na sua vida econômica, como na agrícola, dado como fator disto a pequenez do seu território e a pobreza do seu povo. Outrora, foi Taipu um município de grande extensão de terra, porém, em época passada e no presente, cedeu partes do seu território para formação de novas comunas, como João Câmara e Poço Branco, que lhe vieram empobrecer e reduzir ao estado atual.[1]

O nome Taipu é de origem tupi, alterado na grafia Ita-ipú, que quer dizer pedra na lagoa.

O povoamento do seu território, vem do século passado, conhecido pelo nome de Taipu do Melo, propriedade de Domingos Henrique de Oliveira e Manoel Bento, adquirida depois por compra, por Bernardo José da Costa Gadelha, sendo parte integrante do município de Extremoz e posteriormente, do Ceará Mirim.

Bernardo José da Costa Gadelha, desejando ver na sua propriedade o surgimento de um núcleo de população e aliando a esse voto uma devoção a Nossa Senhora do Livramento, resolveu, ele e sua mulher, d. Maria do Carmo, doar um pedaço de terra, para edificação de uma capela àquela Senhora.

Encontrando-se em São Gonçalo [do Amarante], em visita pastoral, o bispo diocesano, Dom João da Purificação Marques Perdigão, a 2 de outubro de 1839, Bernardo José, chega à presença do prelado com um requerimento, pedindo licença para edificar uma capela a Nossa Senhora do Livramento, no Taipu do Melo, com direito a celebração de Missas. O bispo anuiu seu pedido, na condição, de que seja antes doado o patrimônio e para a bênção litúrgica da capela, seja ela examinada pelo vigário de Extremoz.

Não sabemos porque o Bernardo José, demorou na execução da tão desejada capela da concessão diocesana, é feita a escritura pública do patrimônio, no cartório de Ceará Mirim, a 29 de outubro de 1861.

A capela de Taipu, parece não ter sido construída às expensas do Bernardo, porque na escritura, ele põe uma cláusula: "esta doação só terá efeito se for construída a capela de N. S. do Livramento, do contrário, perderá a validade e então o terreno voltará para os doadores ou seus herdeiros".

A doação que data 29 de outubro de 1861, [é] o seguinte: 125 braças, pegando da Lagoa denominada Buraca para o sul e de leste a oeste até onde der as 125 braças. Compreende hoje o patrimônio, a parte maior da rua principal da cidade, onde se vê no início um marco de pedra.

Construída a capela, ficou sob a jurisdição da freguesia de Extremoz. Capela pequena, quase no formato de uma simples casa de oração, tendo uma só nave, com paredes fechadas, entrada única pela frente. Por muito tempo passou a capela completamente em preto, sem reboco.

Com o desenvolvimento relativo do povoado, a capela foi sofrendo remodelação, até que nasceu nos habitantes do Taipu, a ideia da criação da freguesia, até então, eclesiasticamente, atrelado ao Ceará Mirim.

O povo se reuniu, para levar avante a ideia da criação da paróquia e tendo satisfatoriamente a aprovação do vigário do Ceará-Mirim, padre Arnolo Fernandes, despacharam ao bispo diocesano dom Joaquim de Almeida, a 21 de setembro de 1911, um abaixo assinado, no qual, 147 homens puseram sua assinatura nesse documento encabeçado pelo presidente e vice da Intendência, Manoel Eugênio Pereira de Andrade e João Soares da Silva; os três juízes distritais, Miguel Eustáquio da Cruz, Pedro Guedes de Paiva Fonseca e Cândido Ferreira de Miranda; adjunto de promotor, João Ferreira de Miranda Câmara; o delegado de polícia, Vicente Rodrigues da Câmara; e o tabelião público, José Martins Fernandes.

Criada a paróquia de Taipu, com o título de Nossa Senhora do Livramento, pelo primeiro bispo de Natal, ela recebeu o seu primeiro vigário na pessoa do padre Jeferson Urbano Rodrigues.

Transformada com as honras de Matriz, a primitiva capela, começou a ser modificada no segundo paroquiato, exercido pelo Mons. Celso Cicco e continuada pelos seus sucessores.

Um padre filho do Taipu, dirigindo como vigário encarregado, os destinos espirituais daquele povo, o Cônego Rui Miranda levou a efeito uma grande reforma na Igreja Matriz. Acrescentou mais alguns metros em comprimento; construiu uma torre; reformou o piso; embelezou o interior com imagens e — alfaias, pondo assim, a Matriz de Taipu, a altura que merece para o culto divino.

Não temos uma data certa da construção da capela, após a doação do patrimônio pelo Bernardo José Gadelha, no entanto, podemos julgar que tenha sido em 1862 ou 63 e desse modo, a atual Matriz entra na data de seu jubileu, no primeiro centenário de sua construção.Mons. Severino Bezerra”[2]

Aspectos da primeira matriz de Taipu, possivelmente inicio do século XX.

            O destaque do texto a cima é para a iniciativa da população para a criação da paróquia, cujo a baixo assinado contou com a assinatura de 147 homens, tendo sido o referido documento apresentado ao bispo diocesano de Natal em 21/09/1911, pouco mais de 3 após a posse de Dom Joaquim de Almeida ter tomado posse como o primeiro bispo da Diocese de Natal, tendo ele criado a paróquia de Nossa Senhora do Livramento de Taipu em 18/04/1913, ou seja, 1 ano e 7 meses após a petição solicitada ao prelado potiguar.
            O primeiro pároco, Pe. Jeferson Urbano Rodrigues fora secretário de dom Joaquim de Almeida quando de sua posse como o primeiro bispo da diocese do Piauí, atual arquidiocese de Teresina entre 1906 e 1910.No Rio Grande do Norte fora vigário paróquia de Ceará-Mirim, ficando encarregado da capela de Taipu que compreendia ainda as capelas de Poço Branco e do Contador, as únicas que se tem noticia que existiam na região a época.
         O primeiro pároco de /taipum no entanto, passou pouco menos de um ano com tal,posto que já em 1914 havia abandonado a batina para casar-se com uma jovem de Ceará-Mirim, tornando-se depois professor em Natal e depois no Rio de Janeiro, ondefixou residência.
           A recém criada paróquia de Taipu ficou sob a responsabilidade do Cônego Celso Cicco, que como encarregado deu inicio a ampliação da capela para torná-la de fato uma matriz.

Reconstituição digital por inteligência artificial.



[1] O referido autor faltou mencionar o município de Barreto, atual Bento  Fernandes, desmembrado de Taipu em 1959.

[2] A ordem, 30/11/1963, p.6.O grifo é nosso.


SOBRE A VILA FERROVIÁRIA DE CEARÁ-MIRIM

 




A Vila Ferroviária de Ceará-Mirim (historicamente ligada à antiga Estrada de Ferro Central do Rio Grande do Norte) possui um papel fundamental na transição econômica e urbana da região a partir do início do século XX.

A vila ferroviária de Ceará-Mirim foi construída entre 1954 e 1955 na gestão do diretor da EFS, Edilson Fonseca em parceria com a prefeitura de Ceará-Mirim.

Ceará-Mirim era o coração do chamado "Vale Verdejante", uma região historicamente caracterizada pelos grandes engenhos de açúcar. A chegada dos trilhos e a consolidação da estação e da vila ferroviária mudaram completamente a dinâmica local.

Antes da ferrovia, o transporte da produção dependia de rotas fluviais ou de tração animal. A linha férrea conectou diretamente Ceará-Mirim a Natal, facilitando o escoamento rápido do açúcar e dos produtos agrícolas regionais.

Assim como ocorria com os produtos de Monte Alegre que iam para a capital, a ferrovia facilitava o fluxo diário de mercadorias, tecidos e alimentos que movimentavam o comércio do interior rumo ao litoral.

A implantação de uma estação ferroviária geralmente vinha acompanhada de uma pequena vila operária ou de um núcleo de residências construído para abrigar os trabalhadores da linha (maquinistas, agentes de estação, operários de manutenção).

Essas vilas seguiam a identidade arquitetônica inglesa ou os padrões republicanos da época, com casas geminadas, coberturas de telha e fachadas sóbrias.

A estação se tornava o novo "centro" da vida pública. Era ao redor dela que surgiam hotéis, armazéns de carga, novas mercearias e feiras livres, rivalizando muitas vezes com o antigo centro histórico moldado em torno da igreja matriz.

As estações ferroviárias e suas vilas adjacentes eram a grande "porta de entrada" de qualquer autoridade na cidade. Como pudemos observar nas transcrições anteriores, as comitivas governamentais (como as dos governadores José Varela e Aluízio Alves) costumavam desembarcar nesses eixos de transporte para dar início às suas agendas, onde eram recebidos por bandas de música, alunos enfileirados e lideranças políticas locais.

Hoje, a memória da vila ferroviária em Ceará-Mirim e nos municípios vizinhos da Grande Natal (como as linhas que cortam Extremoz) representa um valioso patrimônio histórico material. Embora o transporte de passageiros de longa distância tenha encolhido no país ao longo da segunda metade do século XX, o traçado ferroviário continua marcado na geografia urbana e na identidade cultural do povo potiguar.

Tribuna do Norte, 25/12/1955, p.33.


reconstituição digital por inteligênia artificial



Tribuna do Norte, 25/12/1955,p.33.

Reconstituição digital por inteligência artificial.


SOBRE ESTREMOZ EM 1959

 

        O escritor e cronista potiguar (imortal da Academia Brasileira de Letras, vulgo puxadinho do PT) Humberto Peregrino, escreveu uma crônica na revista Careta em 1949 a qual faz uma interessante retrato da então vila de Estremoz que ele havia visitado, vejamos:

“Antes não tivesse ido a Extremoz para ver o que vi. Do que outrora era a bela igreja e o colégio dos primeiros tempos da colonização, restam de pé, apenas, umas poucas paredes. Tanto cavaram á volta, em busca dos tesouros que teriam sido escondidos pelos jesuítas, que a construção colonial desapareceu substituída por uma igreja pobre, reles. O cruzeiro, é verdade, ainda resiste, porém troncho, ameaçado, também não passa de uma ruína. Nas ruas penduram-se fios elétricos sem função. Seriam para dar luz elétrica ao lugar. Promessa eleitoral que estacou nos fios... Contudo a política sempre deixou algo: um diretor de estrada de ferro, Sampaio Correia, que queria fazer-se deputado (e o alcançou) colocou água encanada, derivada da farta caixa d’água de abastecimento dos trens.


Aspectos de Estremoz no inicio do século XX.Cartão postal.


A Cadeia velha, outra construção colonial, também foi suprimida. Restou, apenas, uma fatia de parede, agora servindo de muro ao quintal do padre, como excêntrico apêndice á igreja. E como humilha a construção moderna aquele resíduo da passada!...

O Mercado é novo, estilo cafona. Sortimento não tem, a não ser de bebidas, no que é farto, principalmente quanto a cachaça, cerveja, vermute.

Na atual Extremoz, desfigurada pelos cobiçosos que lhe destruíram as construções coloniais fazendo escavações infrutíferas, e ludibriada pelos políticos que lhe acenavam com progressos materiais cuja concessão se interrompeu no momento exato em que os votos foram obtidos, nessa Extremoz atual, desfigurada e ludibriada, de bom mesmo só encontrei a vendinha de d. Luísa Morais, instalada bem ao lado do Mercado, sob a sombra generosa de uma imensa mangueira antiga. Simpática e viva, d. Luisa sabe informar e agradar.

Dignos das tradições de Extremoz são também os grudes de d. Joana do Café, a quem visitei em busca dos ditos. E fiquei pensando, enquanto os devorava com delicia, que nada mais restará de Extremoz no dia em que deixarem de existir, também, os grudes de d. Joana do Café”.[1]

O texto transcrito a cima é uma crônica de viagem contundente e melancólica, na já citada revista Careta em 1959por Humberto Peregrino. O autor relata sua visita à histórica então vila de Estremoz com um tom que mistura desilusão, crítica político-social e um profundo saudosismo cultural.

O autor abre o texto com um desabafo forte: "Antes não tivesse ido a Extremoz para ver o que vi". O motivo de seu choque é a degradação do patrimônio colonial.

Ele relata que a antiga e bela igreja e o colégio jesuítico foram praticamente destruídos porque as pessoas "cavaram à volta" em busca de supostos tesouros enterrados pelos padres. Essa lenda do "ouro jesuíta" era muito comum no Brasil e, infelizmente, causou a ruína de muitos monumentos históricos.

O cronista lamenta que a arquitetura imponente do passado tenha sido substituída por uma igreja "pobre, reles" e um mercado de estilo "cafona", restando apenas ruínas (como o cruzeiro troncho e um pedaço da antiga cadeia que virou muro de quintal).

Um dos pontos mais interessantes do texto é a denúncia do cenário político da época, que hoje reconhecemos como o clássico clientelismo e o voto de cabresto.

Os fios elétricos "sem função" pendurados nas ruas servem como uma metáfora visual perfeita para as promessas de campanha que "estacaram nos fios" assim que as eleições passaram.

 O autor cita nominalmente o engenheiro e político Sampaio Correia, ironizando que a política "sempre deixou algo". A instalação da água encanada na cidade não foi um projeto de saneamento planejado, mas sim um subproduto da infraestrutura ferroviária usada pelo candidato para se autopromover e conseguir se eleger deputado.

 A  cidade foi "ludibriada pelos políticos que lhe acenavam com progressos materiais cuja concessão se interrompeu no momento exato em que os votos foram obtidos".

Após pintar um quadro sombrio de destruição e corrupção, o cronista encontra o verdadeiro valor de Extremoz nas pessoas comuns e nas tradições que resistem à margem da política oficial.Ele destaca a "vendinha de d. Luisa Morais", descrita como um espaço agradável e acolhedor sob a sombra de uma mangueira antiga.

O ápice afetivo do texto está nos famosos grudes de dona Joana do Café. O grude (uma iguaria tradicional da região, feita à base de goma de mandioca e coco) é visto pelo autor como a última fronteira da identidade local.

O texto termina com uma reflexão quase profética e poética: "nada mais restará de Extremoz no dia em que deixarem de existir, também, os grudes de d. Joana do Café".

O autor conclui que, quando a história material (os prédios, as igrejas) é destruída pela ganância e pelo descaso do Estado, a alma de um lugar passa a residir estritamente no seu patrimônio imaterial — nos afetos, na memória e nos sabores preservados pelo seu povo. É um registro histórico valioso sobre a transição dolorosa de uma antiga vila colonial para a modernidade negligenciada do interior brasileiro.

 

 



[1] Careta ,ed.2644,1959,p.6.

SOBRE O MERCADO PÚBLICO DE ESTREMOZ

 

         O início da construção do mercado público da então vila de Estremoz remete ao ano de 1953 na administração do prefeito de Ceará-Mirim, Roberto Varela.

         Segundo a Tribuna do Norte para a construção do mercado de Estremoz, fora aberto em agosto de 1953 pela Câmara de Vereadores de Ceará-Mirim um crédito especial de Cr$ 50.000,00, cuja construção seria iniciada no mais curto espaço de tempo.[1]

         Esta informação registra justamente o momento de planejamento e anúncio da obra pela Câmara Municipal de Ceará-Mirim.

O valor mencionado de Cr$ 50.000,00 ajuda a reforçar o cenário de investimentos institucionais.

Não encontramos maiores informações a respeito do andamento das obras e de sua consequente inauguração.

Humberto Peregrino em crônica sobre Estremoz publicada na revista Careta em 1959 escreveu que: “o Mercado é novo, estilo cafona. Sortimento não tem, a não ser de bebidas, no que é farto, principalmente quanto a cachaça, cerveja, vermute”.[2]

Antigo mercado público em Estremoz.Sem indicação e data.

O citado cronista criticava duramente o resultado final da obra (classificando o edifício concluído como um Mercado novo, estilo cafona" e sem sortimento de mercadorias).

 A estrutura que aparece na foto possui fortes características arquitetônicas de prédios públicos e comerciais construídos entre o início e meados do século XX no interior do Nordeste, particularmente no Rio Grande do Norte.

   A julgar pelo padrão da fachada (com o topo em estilo platibanda recortada/escalonada) e a presença marcante de um poste de iluminação pública antigo bem à frente, o cenário se alinha perfeitamente com a identidade visual do antigo Mercado Público de Estremoz (historicamente grafado com "X", embora a pronúncia e registros antigos às vezes flutuem, porém, o correto é com “S”).

A platibanda (a parede que esconde o telhado) era muito utilizada para dar uma sensação de imponência e modernidade às sedes de mercados, prefeituras e galpões comerciais da época.

 A rua de terra batida, a fiação elétrica singular e a própria textura da imagem reforçam um registro fotográfico feito provavelmente entre as décadas de 1970 e 1980, capturando o cotidiano pacato da cidade fora do eixo monumental da estação ferroviária.

Diferente da imponente estação de trem da cidade (visto em registros da mesma época, onde o fluxo de pessoas e o comércio eram o foco principal), esta imagem traz uma perspectiva puramente comunitária e afetiva.

 Antigamente, os mercados públicos não eram apenas locais de compra, mas o verdadeiro coração social da cidade, onde as famílias moravam perto, as crianças brincavam na rua e a vida comunitária orbitava.

Em resumo, a imagem é um belíssimo registro de memória. Ela preserva não apenas as feições da infância daquela época, mas serve como documento histórico arquitetônico que ajuda a validar a paisagem urbana do antigo centro de Estremoz.

Reconstituição digital por inteligência artificial.



[1] Tribuna do Norte,08/08/1953,p.5.

[2] Humberto Peregrino in: Careta ,ed.2644,1959,p.6.

quarta-feira, 3 de junho de 2026

SOBRE O MOTRIZ EM SÃO RAFAEL

     Essas imagens restauradas registram um momento de extrema relevância para a história ferroviária do Rio Grande do Norte que foi a inauguração do trecho ferroviário e da estação de São Rafael.

        O evento ocorreu oficialmente em 12 de janeiro de 1956, quando a administração da Estrada de Ferro Sampaio Correia (antiga Estrada de Ferro Central do RN) abriu ao tráfego o prolongamento que vinha desde a estação de Oscar Nelson.

            Analisando os detalhes históricos presentes no registro, destacam-se pontos fundamentais:

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial 

 A "Motriz"

       Como a inscrição da época já anunciava a "Chegada da 1ª composição", o trem inaugural que aparece cercado pela multidão é, na verdade, uma automotriz (popularmente chamada de "o motriz").   

   Esse veículo a diesel representava a modernização do transporte de passageiros no estado, tendo sido destinado às linhas potiguares pelo Governo Federal no final da década de 1940.

          Na imagem restaurada a cima é possível ver a automotriz que realizou a inauguração da estação de São Rafael.

A estação de São Rafael

        O prédio da estação, visível à esquerda com sua grande cobertura para o pátio de manobras, tornou-se a estação terminal desse tronco da ferrovia.

     O prolongamento dos trilhos seguiu até as margens do Rio Piranhas, mas as obras foram abandonadas antes de cruzar o rio, consolidando São Rafael como o ponto final da linha.

           Na imagem restaurada a cima vê-se parte da estação em primeiro plano e ao fundo a casa do agente da estação, ambos submersos, assim como o foi toda a cidade da são Rafael no início da década de 1980.

 Um registro de uma cidade submersa

     Além do valor histórico-ferroviário, essa fotografia carrega uma carga emocional e memorialística imensa. A antiga cidade de São Rafael e a sua estação ferroviária foram completamente submersas na década de 1980 pelas águas da Barragem Engenheiro Armando Ribeiro Gonçalves.

       A restauração traz nitidez à fisionomia do antigo prédio e à comoção da população local, que se reuniu em massa para celebrar a chegada definitiva dos trilhos, eternizando a memória da velha São Rafael que hoje repousa sob as águas.

Restauração digital por Inteligência Artificial 

Inauguração da estação de São Rafael.

O motriz na inauguração da estação de São Rafael.