Em 30/11/1963 o jornal católico A Ordem
publicou um texto do mons. Severino Bezerra sobre o município de Taipu com
destaque para a origem de sua capela que é a atual igreja matriz de cidade,
vejamos:
“No grupo das pequenas cidades do nosso
Estado, está incluída a de Taipu, situada à margem direita do rio Ceará Mirim,
zona da via férrea.
É uma cidade que não apresenta notável
desenvolvimento, quer na sua vida econômica, como na agrícola, dado como fator
disto a pequenez do seu território e a pobreza do seu povo. Outrora, foi Taipu
um município de grande extensão de terra, porém, em época passada e no
presente, cedeu partes do seu território para formação de novas comunas, como
João Câmara e Poço Branco, que lhe vieram empobrecer e reduzir ao estado atual.[1]
O nome Taipu é de origem tupi, alterado
na grafia Ita-ipú, que quer dizer pedra na lagoa.
O povoamento do seu território, vem do
século passado, conhecido pelo nome de Taipu do Melo, propriedade de Domingos
Henrique de Oliveira e Manoel Bento, adquirida depois por compra, por Bernardo
José da Costa Gadelha, sendo parte integrante do município de Extremoz e
posteriormente, do Ceará Mirim.
Bernardo José da Costa Gadelha,
desejando ver na sua propriedade o surgimento de um núcleo de população e
aliando a esse voto uma devoção a Nossa Senhora do Livramento, resolveu, ele e
sua mulher, d. Maria do Carmo, doar um pedaço de terra, para edificação de uma
capela àquela Senhora.
Encontrando-se em São Gonçalo [do Amarante], em
visita pastoral, o bispo diocesano, Dom João da Purificação Marques Perdigão, a
2 de outubro de 1839, Bernardo José, chega à presença do prelado com um
requerimento, pedindo licença para edificar uma capela a Nossa Senhora do
Livramento, no Taipu do Melo, com direito a celebração de Missas. O bispo anuiu
seu pedido, na condição, de que seja antes doado o patrimônio e para a bênção
litúrgica da capela, seja ela examinada pelo vigário de Extremoz.
Não sabemos porque o Bernardo José,
demorou na execução da tão desejada capela da concessão diocesana, é feita a
escritura pública do patrimônio, no cartório de Ceará Mirim, a 29 de outubro de
1861.
A capela de Taipu, parece não ter sido
construída às expensas do Bernardo, porque na escritura, ele põe uma cláusula:
"esta doação só terá efeito se for construída a capela de N. S. do
Livramento, do contrário, perderá a validade e então o terreno voltará para os doadores
ou seus herdeiros".
A doação que data 29 de outubro de
1861, [é] o seguinte: 125 braças, pegando da Lagoa denominada Buraca para o sul
e de leste a oeste até onde der as 125 braças. Compreende hoje o patrimônio, a
parte maior da rua principal da cidade, onde se vê no início um marco de pedra.
Construída a capela, ficou sob a
jurisdição da freguesia de Extremoz. Capela pequena, quase no formato de uma
simples casa de oração, tendo uma só nave, com paredes fechadas, entrada única
pela frente. Por muito tempo passou a capela completamente em preto, sem reboco.
Com o desenvolvimento relativo do
povoado, a capela foi sofrendo remodelação, até que nasceu nos habitantes do Taipu,
a ideia da criação da freguesia, até então, eclesiasticamente, atrelado ao
Ceará Mirim.
O povo se reuniu, para levar avante a ideia
da criação da paróquia e tendo satisfatoriamente a aprovação do vigário do
Ceará-Mirim, padre Arnolo Fernandes, despacharam ao bispo diocesano dom Joaquim
de Almeida, a 21 de setembro de 1911, um abaixo assinado, no qual, 147 homens
puseram sua assinatura nesse documento encabeçado pelo presidente e vice da
Intendência, Manoel Eugênio Pereira de Andrade e João Soares da Silva; os três
juízes distritais, Miguel Eustáquio da Cruz, Pedro Guedes de Paiva Fonseca e
Cândido Ferreira de Miranda; adjunto de promotor, João Ferreira de Miranda
Câmara; o delegado de polícia, Vicente Rodrigues da Câmara; e o tabelião
público, José Martins Fernandes.
Criada a paróquia de Taipu, com o
título de Nossa Senhora do Livramento, pelo primeiro bispo de Natal, ela
recebeu o seu primeiro vigário na pessoa do padre Jeferson Urbano Rodrigues.
Transformada com as honras de Matriz, a
primitiva capela, começou a ser modificada no segundo paroquiato, exercido pelo
Mons. Celso Cicco e continuada pelos seus sucessores.
Um padre filho do Taipu, dirigindo como
vigário encarregado, os destinos espirituais daquele povo, o Cônego Rui Miranda
levou a efeito uma grande reforma na Igreja Matriz. Acrescentou mais alguns
metros em comprimento; construiu uma torre; reformou o piso; embelezou o
interior com imagens e — alfaias, pondo assim, a Matriz de Taipu, a altura que
merece para o culto divino.
Não temos uma data certa da construção da capela, após a doação do patrimônio pelo Bernardo José Gadelha, no entanto, podemos julgar que tenha sido em 1862 ou 63 e desse modo, a atual Matriz entra na data de seu jubileu, no primeiro centenário de sua construção.Mons. Severino Bezerra”[2]
| Aspectos da primeira matriz de Taipu, possivelmente inicio do século XX. |
[1] O
referido autor faltou mencionar o município de Barreto, atual Bento Fernandes, desmembrado de Taipu em 1959.
[2]
A ordem, 30/11/1963, p.6.O grifo é nosso.




