Em 1950 ocorreu a visita do Governador
José Varela ao município de Ceará-Mirim e à vila de Extremoz.
Em companhia do deputado Manoel Varela de
Albuquerque, candidato á sucessão governamental, de Romulo Wanderley, Diretor
do Departamento de Educação, e do sr. Luiz Moura, chefe de Divisão do
Departamento de Agricultura, o Governador José Varela visitou, 23/07/1950, o município
de Ceará-Mirim, a fim de inaugurar três prédios escolares.[1]
Às 9h30 chegou o governador. á vila de
Estremoz, onde o aguardava o sr. Vital Correia, vice-prefeito do município,
acompanhado de inúmeras pessoas de influência política e social, estando
formados os alunos das Escolas Reunidas Felipe Camarão, tendo á frente as
respectivas professoras.
A
escola de Estivas
Após pequena demora, rumou a comitiva
governamental para o povoado de Estivas, sendo festivamente recebida.
No prédio da Escola Rural, recém-construída,
foi levado a efeito um programa em honra do Chefe do Governo e das demais
autoridades presentes. As alunas Riselda Carneiro e Francisca Araujo, da Escola
Isolada de Estivas, e Guiomar Carneiro e Nil... [ilegivel], da Escola Isolada
de Pedrinhas declamaram poesias cívicas.
A seguir, Joaquim Luiz saudou o
Governador José Varela, exaltando a obra de governo realizada, inclusive a
pacificação da família potiguar.
Falaram, depois, o dr. Romulo
Wanderley, o Deputado Manoel Varela de Albuquerque e o Governador José Varela,
que declarou inaugurado o prédio da Escola Rural da localidade e disse que,
atendendo ao apelo da população de Estivas, ia mandar atacar, imediatamente, os
serviços de uma estrada ligando aquele próspero povoado a estrada de Natal.
Na residência do sr. Manoel Carneiro
foi oferecido um almoço á comitiva governamental.
A
escola de Poço
No lugar Poço, o governador José Varela
inaugurou o prédio da escola que mandara construir. Ali, estavam os alunos
devidamente formados, sob a direção da professora Esmeralda Teixeira e Silva.
Fizeram-se ouvir as alunas Maria das Virgens do Nascimento, Nisia Floresta de
Amorim e Iraci Soares, em poesias cívicas.
Sobre a solenidade falou a diretora da
Escola, seguindo-se com a palavra o dr. Romulo Wanderley, Governador José
Varela e deputado Manoel Varela de Albuquerque.
A
escola de São Miguel
Por fim, a comitiva se dirigiu ao
povoado São Miguel acompanhada dos alunos e da professora da Escola de Poço,
assim como do sr. Vital Correia, João Alves de Melo e senhora, Félix Falcão e
muitos outros.
Na residência do tenente [?] Pedro
Costa, oficial reformado da Polícia Militar, foram os visitantes cumprimentados
por muitas pessoas, inclusive humildes trabalhadores, que pleitearam do
Governador a concessão de terras do Estado, nas quais vinham trabalhando há
muitos anos. O governador prometeu atendê-los por julgar de justiça o que
pretendem.
Ali falaram o Governador José Varela,
Deputado Manoel Varela e o dr. Romulo Wanderley, tendo saudado o governador o
sr. Felix Falcão.
Depois, foi procedida à inauguração do
prédio em que passará a funcionar a escola de Poço.
O
regresso
Às 19 horas o governador e comitiva
estavam de regresso a capital.
Essas informações são verdadeiras
relíquias históricas! Elas registram com detalhes uma comitiva política
marcante para a região de Ceará-Mirim e Estremoz.
Analisando o teor do texto, há pontos
muito ricos que nos ajudam a entender a época em que José Varela foi governador
do Rio Grande do Norte.
A viagem do governador teve como ponto
central a inauguração de três prédios escolares, passando pelas Escolas
Reunidas Felipe Camarão em Estremoz, pela Escola Rural de Estivas e pela Escola
de Poço.
É muito interessante notar como o
civismo era forte. Em todas as paradas, as crianças ficavam "devidamente
formadas" e as alunas recitavam "poesias cívicas" para o
governador. O texto do citado jornal faz questão de nominar as meninas (como
Riselda Carneiro, Francisca Araújo, Maria das Virgens, Nísia Floresta e Iraci),
imortalizando esses nomes no arquivo histórico.
Além das escolas, o governador
aproveitou o clamor popular em Estivas para prometer o início imediato das
obras de uma estrada ligando o povoado a Natal, mostrando como o isolamento das
comunidades era um grande desafio na época.
O texto começa mencionando que o
deputado Manoel Varela de Albuquerque estava na comitiva e era o
"candidato à sucessão governamental". Ou seja, aquela viagem oficial
de inaugurações também funcionava como uma poderosa engrenagem de campanha
política (o famoso "corpo a corpo" no interior), levando o herdeiro
político do governador para ser visto e atrealado às benfeitorias.
O relato do jornal Tribuna do Norte mostra
como a comitiva era recebida pelas elites locais, com banquetes na casa de
cidadãos ilustres (como o almoço na residência do Sr. Manoel Carneiro).
Por outro lado, o trecho final em São
Miguel revela um contraste social importante: o encontro do governador com
"humildes trabalhadores". Eles usaram a rara presença da autoridade
máxima do estado para pleitear a concessão das terras onde já trabalhavam há
muitos anos. O registro diz que o governador prometeu atendê-los "por
julgar de justiça o que pretendem" — um vislumbre das antigas lutas por
terra e reconhecimento na região.
A Escola Rudimentar de Estivas foi
criada pelo decreto nº 233, de 23 de maio de 1924.
Pelo decreto nº 309, de 25 de setembro
de 1937 foi transferida do lugar Estiva de Cima para o Núcleo São Miguel, a
escola isolada que ali funcionava.
Não encontramos a data de criação da
escola isolada do Poço.
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