sexta-feira, 5 de junho de 2026

SOBRE INAUGURAÇÃO DE PRÉDIOS ESCOLARES DE ESTREMOZ EM 1950

 

Em 1950 ocorreu a visita do Governador José Varela ao município de Ceará-Mirim e à vila de Extremoz.

Em companhia do deputado Manoel Varela de Albuquerque, candidato á sucessão governamental, de Romulo Wanderley, Diretor do Departamento de Educação, e do sr. Luiz Moura, chefe de Divisão do Departamento de Agricultura, o Governador José Varela visitou, 23/07/1950, o município de Ceará-Mirim, a fim de inaugurar três prédios escolares.[1]

Às 9h30 chegou o governador. á vila de Estremoz, onde o aguardava o sr. Vital Correia, vice-prefeito do município, acompanhado de inúmeras pessoas de influência política e social, estando formados os alunos das Escolas Reunidas Felipe Camarão, tendo á frente as respectivas professoras.

A escola de Estivas

Após pequena demora, rumou a comitiva governamental para o povoado de Estivas, sendo festivamente recebida.

No prédio da Escola Rural, recém-construída, foi levado a efeito um programa em honra do Chefe do Governo e das demais autoridades presentes. As alunas Riselda Carneiro e Francisca Araujo, da Escola Isolada de Estivas, e Guiomar Carneiro e Nil... [ilegivel], da Escola Isolada de Pedrinhas declamaram poesias cívicas.

A seguir, Joaquim Luiz saudou o Governador José Varela, exaltando a obra de governo realizada, inclusive a pacificação da família potiguar.

Falaram, depois, o dr. Romulo Wanderley, o Deputado Manoel Varela de Albuquerque e o Governador José Varela, que declarou inaugurado o prédio da Escola Rural da localidade e disse que, atendendo ao apelo da população de Estivas, ia mandar atacar, imediatamente, os serviços de uma estrada ligando aquele próspero povoado a estrada de Natal.

Na residência do sr. Manoel Carneiro foi oferecido um almoço á comitiva governamental.

A escola de Poço

No lugar Poço, o governador José Varela inaugurou o prédio da escola que mandara construir. Ali, estavam os alunos devidamente formados, sob a direção da professora Esmeralda Teixeira e Silva. Fizeram-se ouvir as alunas Maria das Virgens do Nascimento, Nisia Floresta de Amorim e Iraci Soares, em poesias cívicas.

Sobre a solenidade falou a diretora da Escola, seguindo-se com a palavra o dr. Romulo Wanderley, Governador José Varela e deputado Manoel Varela de Albuquerque.

A escola de São Miguel

Por fim, a comitiva se dirigiu ao povoado São Miguel acompanhada dos alunos e da professora da Escola de Poço, assim como do sr. Vital Correia, João Alves de Melo e senhora, Félix Falcão e muitos outros.

Na residência do tenente [?] Pedro Costa, oficial reformado da Polícia Militar, foram os visitantes cumprimentados por muitas pessoas, inclusive humildes trabalhadores, que pleitearam do Governador a concessão de terras do Estado, nas quais vinham trabalhando há muitos anos. O governador prometeu atendê-los por julgar de justiça o que pretendem.

Ali falaram o Governador José Varela, Deputado Manoel Varela e o dr. Romulo Wanderley, tendo saudado o governador o sr. Felix Falcão.

Depois, foi procedida à inauguração do prédio em que passará a funcionar a escola de Poço.

O regresso

Às 19 horas o governador e comitiva estavam de regresso a capital.

Essas informações são verdadeiras relíquias históricas! Elas registram com detalhes uma comitiva política marcante para a região de Ceará-Mirim e Estremoz.

Analisando o teor do texto, há pontos muito ricos que nos ajudam a entender a época em que José Varela foi governador do Rio Grande do Norte.

A viagem do governador teve como ponto central a inauguração de três prédios escolares, passando pelas Escolas Reunidas Felipe Camarão em Estremoz, pela Escola Rural de Estivas e pela Escola de Poço.

É muito interessante notar como o civismo era forte. Em todas as paradas, as crianças ficavam "devidamente formadas" e as alunas recitavam "poesias cívicas" para o governador. O texto do citado jornal faz questão de nominar as meninas (como Riselda Carneiro, Francisca Araújo, Maria das Virgens, Nísia Floresta e Iraci), imortalizando esses nomes no arquivo histórico.

Além das escolas, o governador aproveitou o clamor popular em Estivas para prometer o início imediato das obras de uma estrada ligando o povoado a Natal, mostrando como o isolamento das comunidades era um grande desafio na época.

O texto começa mencionando que o deputado Manoel Varela de Albuquerque estava na comitiva e era o "candidato à sucessão governamental". Ou seja, aquela viagem oficial de inaugurações também funcionava como uma poderosa engrenagem de campanha política (o famoso "corpo a corpo" no interior), levando o herdeiro político do governador para ser visto e atrealado às benfeitorias.

O relato do jornal Tribuna do Norte mostra como a comitiva era recebida pelas elites locais, com banquetes na casa de cidadãos ilustres (como o almoço na residência do Sr. Manoel Carneiro).

Por outro lado, o trecho final em São Miguel revela um contraste social importante: o encontro do governador com "humildes trabalhadores". Eles usaram a rara presença da autoridade máxima do estado para pleitear a concessão das terras onde já trabalhavam há muitos anos. O registro diz que o governador prometeu atendê-los "por julgar de justiça o que pretendem" — um vislumbre das antigas lutas por terra e reconhecimento na região.

         A Escola Rudimentar de Estivas foi criada pelo decreto nº 233, de 23 de maio de 1924.

         Pelo decreto nº 309, de 25 de setembro de 1937 foi transferida do lugar Estiva de Cima para o Núcleo São Miguel, a escola isolada que ali funcionava.

Não encontramos a data de criação da escola isolada do Poço.



[1] Tribuna do Norte, 25/07/1950, p.6.

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