quinta-feira, 4 de junho de 2026

SOBRE O MERCADO PÚBLICO DE ESTREMOZ

 

         O início da construção do mercado público da então vila de Estremoz remete ao ano de 1953 na administração do prefeito de Ceará-Mirim, Roberto Varela.

         Segundo a Tribuna do Norte para a construção do mercado de Estremoz, fora aberto em agosto de 1953 pela Câmara de Vereadores de Ceará-Mirim um crédito especial de Cr$ 50.000,00, cuja construção seria iniciada no mais curto espaço de tempo.[1]

         Esta informação registra justamente o momento de planejamento e anúncio da obra pela Câmara Municipal de Ceará-Mirim.

O valor mencionado de Cr$ 50.000,00 ajuda a reforçar o cenário de investimentos institucionais.

Não encontramos maiores informações a respeito do andamento das obras e de sua consequente inauguração.

Humberto Peregrino em crônica sobre Estremoz publicada na revista Careta em 1959 escreveu que: “o Mercado é novo, estilo cafona. Sortimento não tem, a não ser de bebidas, no que é farto, principalmente quanto a cachaça, cerveja, vermute”.[2]

Antigo mercado público em Estremoz.Sem indicação e data.

O citado cronista criticava duramente o resultado final da obra (classificando o edifício concluído como um Mercado novo, estilo cafona" e sem sortimento de mercadorias).

 A estrutura que aparece na foto possui fortes características arquitetônicas de prédios públicos e comerciais construídos entre o início e meados do século XX no interior do Nordeste, particularmente no Rio Grande do Norte.

   A julgar pelo padrão da fachada (com o topo em estilo platibanda recortada/escalonada) e a presença marcante de um poste de iluminação pública antigo bem à frente, o cenário se alinha perfeitamente com a identidade visual do antigo Mercado Público de Estremoz (historicamente grafado com "X", embora a pronúncia e registros antigos às vezes flutuem, porém, o correto é com “S”).

A platibanda (a parede que esconde o telhado) era muito utilizada para dar uma sensação de imponência e modernidade às sedes de mercados, prefeituras e galpões comerciais da época.

 A rua de terra batida, a fiação elétrica singular e a própria textura da imagem reforçam um registro fotográfico feito provavelmente entre as décadas de 1970 e 1980, capturando o cotidiano pacato da cidade fora do eixo monumental da estação ferroviária.

Diferente da imponente estação de trem da cidade (visto em registros da mesma época, onde o fluxo de pessoas e o comércio eram o foco principal), esta imagem traz uma perspectiva puramente comunitária e afetiva.

 Antigamente, os mercados públicos não eram apenas locais de compra, mas o verdadeiro coração social da cidade, onde as famílias moravam perto, as crianças brincavam na rua e a vida comunitária orbitava.

Em resumo, a imagem é um belíssimo registro de memória. Ela preserva não apenas as feições da infância daquela época, mas serve como documento histórico arquitetônico que ajuda a validar a paisagem urbana do antigo centro de Estremoz.

Reconstituição digital por inteligência artificial.



[1] Tribuna do Norte,08/08/1953,p.5.

[2] Humberto Peregrino in: Careta ,ed.2644,1959,p.6.

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