O
início da construção do mercado público da então vila de Estremoz remete ao ano
de 1953 na administração do prefeito de Ceará-Mirim, Roberto Varela.
Segundo a Tribuna do Norte para a
construção do mercado de Estremoz, fora aberto em agosto de 1953 pela Câmara de
Vereadores de Ceará-Mirim um crédito especial de Cr$ 50.000,00, cuja construção
seria iniciada no mais curto espaço de tempo.[1]
Esta informação registra justamente o
momento de planejamento e anúncio da obra pela Câmara Municipal de Ceará-Mirim.
O valor mencionado de Cr$ 50.000,00
ajuda a reforçar o cenário de investimentos institucionais.
Não encontramos maiores informações a
respeito do andamento das obras e de sua consequente inauguração.
Humberto Peregrino em crônica sobre
Estremoz publicada na revista Careta em 1959 escreveu que: “o Mercado é novo,
estilo cafona. Sortimento não tem, a não ser de bebidas, no que é farto,
principalmente quanto a cachaça, cerveja, vermute”.[2]
| Antigo mercado público em Estremoz.Sem indicação e data. |
O citado cronista criticava duramente o
resultado final da obra (classificando o edifício concluído como um Mercado
novo, estilo cafona" e sem sortimento de mercadorias).
A julgar pelo padrão da fachada (com o topo em
estilo platibanda recortada/escalonada) e a presença marcante de um poste de
iluminação pública antigo bem à frente, o cenário se alinha perfeitamente com a
identidade visual do antigo Mercado Público de Estremoz (historicamente grafado
com "X", embora a pronúncia e registros antigos às vezes flutuem, porém,
o correto é com “S”).
A platibanda (a parede que esconde o
telhado) era muito utilizada para dar uma sensação de imponência e modernidade
às sedes de mercados, prefeituras e galpões comerciais da época.
A rua de terra batida, a fiação elétrica
singular e a própria textura da imagem reforçam um registro fotográfico feito
provavelmente entre as décadas de 1970 e 1980, capturando o cotidiano pacato da
cidade fora do eixo monumental da estação ferroviária.
Diferente da imponente estação de trem da cidade (visto em registros da mesma época, onde o fluxo de pessoas e o comércio eram o foco principal), esta imagem traz uma perspectiva puramente comunitária e afetiva.
Antigamente, os mercados públicos não eram
apenas locais de compra, mas o verdadeiro coração social da cidade, onde as
famílias moravam perto, as crianças brincavam na rua e a vida comunitária
orbitava.
Em resumo, a imagem é um belíssimo
registro de memória. Ela preserva não apenas as feições da infância daquela
época, mas serve como documento histórico arquitetônico que ajuda a validar a
paisagem urbana do antigo centro de Estremoz.
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