A
imagem apresentada no jornal A Ordem em 1937 e restaurada e colorizada da
Igreja Matriz de Santa Rita de Cassia de Santa Cruz, é um registro valioso da transição
arquitetônica e da importância religiosa na região do Trairi.
A
seguir está uma análise detalhada baseada nos elementos visuais e no contexto
histórico da época.
Arquitetura e estilo
A
Matriz de Santa Cruz em 1937 exibia um estilo Colonial Tradicional com forte influência
do Barroco Sertanejo.
O
elemento mais marcante era o frontão ondulado com volutas simples, que dava um
aspecto de "movimento" à fachada. No centro, há um nicho que costuma
abrigar a imagem da padroeira ou do padroeiro.
A
igreja possuía uma torre única à direita, com um telhado piramidal (agulha) bem
definido. Em 1937, o relógio e os sinos eram instrumentos vitais para organizar
a rotina de trabalho e oração da cidade.
| Restauração digital por Inteligência Artificial e A Ordem,2O/O5/1937, p.1, respectivamente. |
As
três portas no térreo e as três janelas no coro (nível superior) seguem a regra
clássica de simetria, garantindo iluminação natural e ventilação para a nave
principal.
Estética
e cores
A
restauração nas cores branco e marrom (madeira) reflete a sobriedade das
construções da época.
O
branco das paredes servia não apenas por estética, mas para refletir a forte
luz solar da região, mantendo o interior ligeiramente mais fresco.
As
portas e janelas de madeira escura contrastam com a alvenaria, destacando o
trabalho de marcenaria da época, que era robusto e feito para durar décadas.
Contexto
urbano de 1937
Nesta
década, Santa Cruz passava por um período de consolidação como polo regional.
A área em frente à igreja aparece com pedras
irregulares ou terra batida, indicando um urbanismo ainda em fase inicial de
pavimentação.
A
limpeza visual da imagem sugere uma cidade baixa, onde a igreja era, sem
dúvida, o edifício mais imponente e o ponto de referência para todos os
habitantes.
Simbolismo religioso e social
Em
1937, a Igreja Matriz era o centro de todas as decisões sociais e eventos
importantes de Santa Cruz.
Festa
de Santa Rita de Cássia. A cidade já nutria uma forte devoção a Santa Rita. A
igreja era o palco das grandes promessas e romarias que começavam a moldar o
turismo religioso que hoje define a cidade (agora famosa pela estátua gigante).
Olhar
para esta foto de 1937 é ver a "raiz" da fé sertaneja. É uma
arquitetura que não tenta ser luxuosa, mas sim sólida e acolhedora, como o
próprio povo da região.
Esta
análise nos mostra que a Matriz de Santa Cruz em 1937 era a representação
perfeita do sertão: resiliente, simples em sua forma, mas imponente em sua
presença. Ela serviu de base para as futuras ampliações e para a identidade
visual que a cidade ostenta até hoje.
É
interessante notar como a arquitetura religiosa do RN em 1937 era padronizada
para transmitir segurança e tradição em um período de mudanças políticas e
sociais no Brasil.
Histórico
A freguesia
de Santa Rita de Cássia, na então povoação de Santa Rita da Cachoeira, também
conhecida com o nome de Santa Cruz de Inharé foi criada Por lei provincial n.
24, de 27 de março de 1835, que teve como o primeiro vigário o padre João Jerônimo
da Cunha, que a regeu durante cinco anos.
Unida
como era a igreja ao Estado, os atos de criação de paroquias eram assinados
pelo poder civil.
Quatro anos antes da criação,ou seja, em 1831, existia a capela de Santa Rita de Cássia, edificada por Lourenço da Rocha e seu irmão João da Rocha e José Rodrigues da Silva, á qual deram, alem do patrimônio e alfaias, a respectiva imagem e paramentos, obtendo ainda provisão para a celebração de missas.
Um
fato importante convém ressaltar, aliás muito comum em todos os núcleos de
população do Brasil. E' que foi sob o influxo da Igreja que se verificou o
progresso de Santa Cruz. Ainda não havia o Municipio, pois se sabe que este só
foi criado em 1876 e já a paróquia funcionava havia quarenta anos.
Essa
precedência do fator espiritual sobre o fator político é um dos característicos
da nossa tradição histórica, que sempre deve ser lembrada para mostrar que o
Brasil, na sua origem, é obra da Igreja Católica.[1]
Coube
ao Pe. Benjamin Costa Sampaio celebrar o centenário de criação da paróquia entre
12 e 15/12/1935.
Nenhum comentário:
Postar um comentário