A imagem
publicada no jornal A Ordem de 1942 e restauradas por Ineligência Artificial da
Matriz de Santana da cidade de Santana do Matos revelam um templo em uma fase intermediária
muito importante da sua evolução arquitetônica, já ampliado, mas ainda com
características tradicionais do sertão.
Contexto histórico da igreja
A
origem da igreja está diretamente ligada à fundação da cidade que surgiu a
partir de uma capela votiva dedicada a Sant’Ana, construída após uma promessa
durante uma seca, o que deu origem ao povoado.
Posteriormente,
essa capela foi ampliada até se tornar matriz, com obras concluídas por volta
de 1931, ou seja, poucos anos antes da foto de 1942.
A Ordem, O8/O8/1942, p.3. Reconstituição digital de Inteligência Artificial.
Portanto,
a imagem mostra a igreja ainda “recente”, praticamente na sua forma inicial de
matriz ampliada.
Composição arquitetônica
A
igreja apresenta uma composição bastante clara e organizada com a fachada
principal em estrutura simétrica com duas torres laterais, o corpo central com
frontão triangular simples e três portas no térreo, alinhadas (tipologia
clássica de matriz).
Essa
organização indicava forte influência de modelos tradicionais, mas já com
simplificação.
As
torres são o elemento mais marcante da igreja em tela. Altas e esbeltas,
reforçando verticalidade, são coroadas por agulhas piramidais (flechas) e aberturas
em arco para os sinos.
Esse
tipo de torre não é barroco puro, já indicava influência eclética com tendência
ao neogótico simplificado, comum no início do século XX no interior nordestino.
Linguagem
estilística
A igreja
não era “pura” em estilo, ela mistura referências e elementos do barroco
simplificado presente na organização da fachada e volumetria,, do Neoclássico
presente na simetria e no frontão triangular e do Neogótico discreto presente nas
torres mais pontiagudas e verticais
Essa
mistura é típica de igrejas sertanejas reformadas no início do século XX,
quando não havia um projeto acadêmico rígido, mas sim adaptações práticas.
| Reconstituição digital de Inteligência Artificial, respectivamente. |
Corpo
da nave
A lateral visível indicava uma nave única alongada, paredes lisas, com poucos ornamentos, pequenas aberturas (ventilação e iluminação) e telhado em duas águas, típica de uma arquitetura funcional, adaptada ao clima quente e seco.
Implantação e entorno
A
igreja aparecia isolada em terreno amplo, cercada por estrutura simples (cerca
de madeira) e com poucas construções ao redor
Isso
reforçava o papel central da igreja na cidade e um estágio urbano ainda pouco
consolidado em 1942
Leitura
da fase construtiva (1942)
A
foto Ordem registra um momento muito específico: a igreja de Santana do Matos já
ampliada (pós-1931) e ainda sem as reformas posteriores dos anos 1950 (que
introduziram elementos mais góticos mais marcantes).
Ou seja, é uma versão “de transição” entre a
capela original e a matriz mais desenvolvida.
Interpretação
arquitetônica final
A
Matriz de Santana em 1942 pode ser definida como uma arquitetura religiosa
sertaneja eclética com base colonial (planta e fachada) e influências do neoclássico
e neogótico simplificado.
A
igreja representava bem a evolução típica das matrizes do interior do Nordeste:
nascendo como capela simples, crescendo com a cidade e incorporada a elementos
de diferentes estilos ao longo do tempo.
Na imagem
de 1942, ela ainda mantinha equilíbrio entre tradição e modernização, com
destaque para as torres, que já apontavam para uma busca de maior
monumentalidade mesmo em contexto rural.
| Reconstituição digital de Inteligência Artificial, respectivamente. |
Ps.Permitida a reprodução desde que citado o blog.
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