terça-feira, 21 de abril de 2026

SOBRE A MATRIZ DE SANTO ANTONIO

 

Em outubro de 1937 o Pe. Bianor Aranha havia  reiniciado os trabalhos da Matriz, “encontrando o povo completamente desanimado pelos malogrados serviços feitos por longos anos, mas consegui com algum sacrifício reanima-lo e levantei o templo sobre fortes colunas de cimento armado, reboquei e ladrilhei a mosaico, estando a parte interna inteiramente limpa e bem iniciada a torre”.[1]

A matriz de Santo Antonio tem 38 metros de comprimento, 16,50 metros de largura  e 12,50 metros de altura, tendo sido a torre construída com 23 metros de altura.

Segundo o Pe. Bianor Aranha “concluída será uma das mais elegantes e majestosas Igrejas do Rio Grande do Norte”.[2]

O povo segundo ele era extremamente generoso e tinha fé de ver realizado o seu mais belo sonho, eu era a remodelação da matriz. “Se eu atingir o fim colimado, todo o mérito da obra pertence de direito ao povo e ao Exmo. Sr. Bispo D. Marcolino que me encorajou fortemente a construir a Matriz de Santo Antonio. Que Deus me auxilie até o final”[3], escreveu referido padre.

A imagem restaurada retrata uma edificação religiosa de imponente porte, típica da arquitetura eclética com fortes influências neoclássicas, comum no interior do Nordeste brasileiro entre o final do século XIX e início do XX.

Eis uma análise detalhada dos elementos arquitetônicos e sociais presentes na imagem restaurada da igreja matriz de Santo Antonio do Salto da Onça.

Composição e estilo

Em termos de verticalidade e simetria a igreja apresenta uma composição tripartida vertical, culminando em uma torre central única e proeminente. A simetria é rigorosa, transmitindo uma sensação de ordem e estabilidade.

Sobre a porta principal, observa-se um frontão triangular clássico. O uso de pilastras em relevo e cimalhas (as molduras horizontais) ajuda a dividir os "andares" da fachada, criando um ritmo visual.

A torre é dividida em estágios. O nível do sino possui aberturas em arco pleno com colunetas, seguido por uma balaustrada e finalizado por um coruchéu (pináculo) piramidal encimado por uma cruz.

 A igreja está situada em uma plataforma elevada. A ampla escadaria de pedra que ocupa toda a largura da fachada é um elemento marcante. Além da função prática de vencer o desnível, ela cria um espaço de transição entre o sagrado (a igreja) e o profano (a praça/rua), servindo historicamente como ponto de encontro social.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

O solo parecia ser de paralelepípedo ou pedras irregulares, reforçando o caráter histórico e urbano da cena.

Três portas de madeira dão acesso ao templo, sugerindo uma nave central e possivelmente corredores laterais. As portas são retangulares e robustas.

No segundo nível, há janelas retangulares simples nas laterais e uma abertura central maior com um balcão e balaustrada, logo acima do portal principal, o que confere certa elegância à fachada.

Contexto social e memória

No pé da escadaria, um pequeno grupo de pessoas (aparentemente crianças e adultos) escala a dimensão do edifício. Isso demonstra a escala monumental da igreja em relação aos habitantes.

Ao fundo, as construções térreas com linhas simples e platibandas escondendo o telhado são características do urbanismo colonial e imperial brasileiro, indicando que a igreja é o coração arquitetônico dessa localidade.

 

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

Interpretação das cores (azul e branco)

A escolha do azul e branco para a colorização é muito feliz para este contexto.Remete à tradição mariana (Nossa Senhora).

É uma combinação clássica na arquitetura colonial luso-brasileira (azulejaria e pintura).

Proporciona um contraste nítido que destaca os detalhes arquitetônicos (molduras em azul sobre o fundo branco), conferindo à imagem uma clareza que o sépia original escondia.

Reconstituição digital por Inteligência Artificial.

É fascinante como a imagem colorizada agora se conecta diretamente com a história de Santo Antônio que tem uma das histórias de formação urbana mais ricas do Agreste Potiguar, e essa igreja é o símbolo máximo disso.

Como se sabe, a história da igreja está ligada a Dona Ana Joaquina de Pontes, a fundadora do povoado em 1850.

A transição do nome popular "Salto da Onça" para "Santo Antônio" ocorreu por influência do Padre Manoel Francisco Borges, de Goianinha, após a celebração da primeira missa. Mas o povo, em sua "resistência documental", nunca deixou o "Salto da Onça" morrer, unindo a fé ao folclore local.

A foto que  mostra a igreja em um estágio de sobriedade clássica. A torre central única, com o coruchéu piramidal que colorizamos em azul, é um marco visual que pode ser visto de vários pontos da cidade.

Matriz de Santo Antonio do Salto da Onça possivelmente anos 195O/6O.



[1] A Ordem, 12/2/1939, p.2.

 [2] Op.Cit.

[3] Op.Cit.

Nenhum comentário:

Postar um comentário