Em
outubro de 1937 o Pe. Bianor Aranha havia reiniciado os trabalhos da Matriz, “encontrando
o povo completamente desanimado pelos malogrados serviços feitos por longos
anos, mas consegui com algum sacrifício reanima-lo e levantei o templo sobre
fortes colunas de cimento armado, reboquei e ladrilhei a mosaico, estando a
parte interna inteiramente limpa e bem iniciada a torre”.[1]
A
matriz de Santo Antonio tem 38 metros de comprimento, 16,50 metros de
largura e 12,50 metros de altura, tendo
sido a torre construída com 23 metros de altura.
Segundo o Pe. Bianor Aranha “concluída
será uma das mais elegantes e majestosas Igrejas do Rio Grande do Norte”.[2]
O
povo segundo ele era extremamente generoso e tinha fé de ver realizado o seu
mais belo sonho, eu era a remodelação da matriz. “Se eu atingir o fim colimado,
todo o mérito da obra pertence de direito ao povo e ao Exmo. Sr. Bispo D.
Marcolino que me encorajou fortemente a construir a Matriz de Santo Antonio.
Que Deus me auxilie até o final”[3],
escreveu referido padre.
A
imagem restaurada retrata uma edificação religiosa de imponente porte, típica
da arquitetura eclética com fortes influências neoclássicas, comum no interior
do Nordeste brasileiro entre o final do século XIX e início do XX.
Eis
uma análise detalhada dos elementos arquitetônicos e sociais presentes na
imagem restaurada da igreja matriz de Santo Antonio do Salto da Onça.
Composição e estilo
Em
termos de verticalidade e simetria a igreja apresenta uma composição tripartida
vertical, culminando em uma torre central única e proeminente. A simetria é
rigorosa, transmitindo uma sensação de ordem e estabilidade.
Sobre
a porta principal, observa-se um frontão triangular clássico. O uso de
pilastras em relevo e cimalhas (as molduras horizontais) ajuda a dividir os
"andares" da fachada, criando um ritmo visual.
A
torre é dividida em estágios. O nível do sino possui aberturas em arco pleno
com colunetas, seguido por uma balaustrada e finalizado por um coruchéu
(pináculo) piramidal encimado por uma cruz.
A igreja está situada em uma plataforma
elevada. A ampla escadaria de pedra que ocupa toda a largura da fachada é um
elemento marcante. Além da função prática de vencer o desnível, ela cria um
espaço de transição entre o sagrado (a igreja) e o profano (a praça/rua),
servindo historicamente como ponto de encontro social.
Reconstituição digital por Inteligência Artificial.
O
solo parecia ser de paralelepípedo ou pedras irregulares, reforçando o caráter
histórico e urbano da cena.
Três
portas de madeira dão acesso ao templo, sugerindo uma nave central e
possivelmente corredores laterais. As portas são retangulares e robustas.
No
segundo nível, há janelas retangulares simples nas laterais e uma abertura
central maior com um balcão e balaustrada, logo acima do portal principal, o
que confere certa elegância à fachada.
Contexto
social e memória
No
pé da escadaria, um pequeno grupo de pessoas (aparentemente crianças e adultos)
escala a dimensão do edifício. Isso demonstra a escala monumental da igreja em
relação aos habitantes.
Ao
fundo, as construções térreas com linhas simples e platibandas escondendo o
telhado são características do urbanismo colonial e imperial brasileiro,
indicando que a igreja é o coração arquitetônico dessa localidade.
Reconstituição digital por Inteligência Artificial.
Interpretação
das cores (azul e branco)
A
escolha do azul e branco para a colorização é muito feliz para este contexto.Remete
à tradição mariana (Nossa Senhora).
É
uma combinação clássica na arquitetura colonial luso-brasileira (azulejaria e
pintura).
Proporciona
um contraste nítido que destaca os detalhes arquitetônicos (molduras em azul
sobre o fundo branco), conferindo à imagem uma clareza que o sépia original
escondia.
Reconstituição digital por Inteligência Artificial.
É
fascinante como a imagem colorizada agora se conecta diretamente com a história
de Santo Antônio que tem uma das histórias de formação urbana mais ricas do
Agreste Potiguar, e essa igreja é o símbolo máximo disso.
Como
se sabe, a história da igreja está ligada a Dona Ana Joaquina de Pontes, a
fundadora do povoado em 1850.
A
transição do nome popular "Salto da Onça" para "Santo
Antônio" ocorreu por influência do Padre Manoel Francisco Borges, de Goianinha,
após a celebração da primeira missa. Mas o povo, em sua "resistência documental",
nunca deixou o "Salto da Onça" morrer, unindo a fé ao folclore local.
A
foto que mostra a igreja em um estágio
de sobriedade clássica. A torre central única, com o coruchéu piramidal que
colorizamos em azul, é um marco visual que pode ser visto de vários pontos da
cidade.
Matriz de Santo Antonio do Salto da Onça possivelmente anos 195O/6O.
Nenhum comentário:
Postar um comentário