Entre
1944 e 1945 a matriz de Ceará-Mirim
passou por significativas reformas e melhoramentos sob o paroquiato do mons.
Celso Cicco.
Em artigo sobre o assunto em questão o jornal A
Ordem expos um artigo em que afirmava
“O
aspecto dos templos são como as fisionomias das Paróquias: todos se parecem uns
com os outros. Todos os Templos se parecem. No entanto há os modestos e
humildes; enquanto outros são mais belos, mais solenes, mais austeros.
A Matriz de Ceará-Mirim é,
sem favor, o maior e o mais belo Templo católico do nosso Estado. Situada em ótimo
local, bem no centro da Cidade dos Canaviais, as torres altas, erguem-se
sobranceiras e dominam majestosamente todo o perímetro urbano do Municipio.
E'
uma suntuoso edifício de linhas simples, mas graves e imponentes que, sobre lhe
darem aspecto de rara beleza, oferecem aos que a contemplam a nítida sensação
das coisas que não passam, que se eternizam. Não resta duvida que o motivo é de
justa alegria para uma cristandade o possuir tal Igreja. Porque as Igrejas são,
na realidade, verdadeiros símbolos nas Paróquias. Simbolo de Catolicismo, de fé
viva, de zelo decidido, de ardente tenacidade.
E a
Matriz de Ceará-Mirim é bem o
símbolo mais sugestivo dos ideais cristãos dos seus filhos”.[1]
| Reconstituição digital por Inteligência Aritficial e Vida Doméstica, março de 1948, p.99, respectivamente. |
Em
pouco mais de dez anos, que era o tempo de paroquiato de Monsenhor Celso Cicco
em Ceará-Mirim, em que ele tinha despendido tantas energias e o melhor do seu
zelo sacerdotal, o referido Templo passou, internamente, por profundas reformas
exigidas, “já por imperativos arquitetônicos e estéticos, já pelo progresso dos
novos tempos, que o transformaram completamente, emprestando-lhe uma aparência inédita,
uma visão absolutamente diferente da imagem do passado. De tal modo transformam
os monumentos a estética e o bom gosto amparados numa vontade enérgica”.[2]
Quase
concluído o plano de embelezamento interno, voltava-se agora o Monsenhor Cicco,
com toda a alma, para a urgência dos reparos externos da Matriz do seu povo.
A
empresa era arrojada e o projeto já havia sido ultimado, elevando-se a receita
para mais de Cr$ 40.000,00. “Todos os óbices, porém, serão sobrepujados, as
dificuldades todas serão vencidas”. [3]
Porque
o Monsenhor Vigario contava com a boa vontade dos seus numerosos paroquianos. “Como
de todas as outras vezes em que se fez mister sua ajuda, eles acolheram, com um
franco e resoluto apoio, a ideia tão necessária quão justa e impreterível de
uma reforma exterior da Igreja em que receberam o Batismo e a Primeira
Comunhão, da Matriz que muito estremecem e que já conta, nas suas vetustas
paredes, uma tradição gloriosa”.
E
todos, ricos e pobres, aprestaram-se a trazer ao dinâmico Vigário a sua
generosa contribuição, sem a qual, diga-se de passagem, impossível seria
levarem-se a bom termo os trabalhos do novo empreendimento.
É
de salientar-se o gesto do Sr. Milton Varela que ofereceu ao Monsenhor Cicco
todo o mosaico necessário para as calçadas. “Tendo-se em vista a extensão do
piso em metros quadrados, que sem duvida ascende a mais de 300, podemos avaliar
a generosidade da oferta, que chamamos de presente régio”.
Aliás,
não era essa a primeira vez que o sr. Milton Varela tinha tido desses gestos.
Foi ele também que, anos atrás, com sua esposa brindou o altar mor de Nossa
Senhora da Conceição, com um custoso e belíssimo sacrário de mármore branco.
E
era assim que, dentro em breve, depois de ter experimentado uma reforma que ia
do revestimento das torres com cimento colorido ao piso do grande patamar e das
calçadas de mosaico, surgiria, “inteiramente renovado, na cristianíssima Cidade
de Ceará-Mirim, o mais belo monumento que ela possui, para gaudio da fé e
alegria dos olhos do seu povo cristão e educado”.[4]
Contribuição dos fieis para a limpeza
externa da Matriz
Contribuição
dos fieis para a limpeza externa da Matriz, revestimento das torres a cimento
colorido, reboco total de uma das fachadas, rodapé geral de cimento rústico,
meio-fio e mosaico no patamar e calçadas, inclusive a pintura de portas e
janelas.
Em
12/07/1944 Monsenhor Celso Cico, Vigário
de Ceará-Mirim divulgou no jornal A Ordem os nomes das pessoas que contribuíram
para os trabalhos de reformas da matriz.[5]
|
Doador
|
Oferta |
|
Milton Varela |
Todo
o mosaico para o patamar e calçadas [300m²] |
|
D. Maria Cavalcanti de Oliveira Correia |
Cr$
2.000,00 |
|
Dr. José Varela |
Cr$
1.200,00 |
|
saldo da festa da Padroeira e juros vencidos |
Cr$
1.200,00 |
|
Contribuintes |
Cr$ 1.000,00 |
|
Manoel
Emidio de França, Heraclio Ribeiro Filho, Luiz Lopes Varela, Paulo Lopes
Varela e Ubaldo Bezerra |
Cr$ 500,00 |
|
Simeão
Barreto, Antonio Basilio, Vital Correia, Onofre Soares, D. Maria Ester
Varela, e João Severiano da Camara; |
Cr$ 450,00 |
|
F.
Correia & Cia |
Cr$ 400,00 |
|
J.
Coutinho & Cia |
Cr$ 300,00 |
|
Enéas
Cavalcanti, Francisco Leopoldino Cavalcanti, Antonio Gentil Fonseca e
Euclides Cavalcanti |
Cr$ 250,00 |
|
Manoel
Pereira e Brasilicio Francisco Campos |
Cr$ 200,00 |
|
Dr.
Arino Barreto, Dr. João Vicente da Costa, Pedro Varela, João Teixeira de
Farias, Davi França, João Juvenal Ribeiro Dantas, D. Fefa Cavalcanti Rocha,
Dr. Olavo Montenegro, Ernani Cabral, Aguinaldo Tinoco, Dr. Fabio Dantas, José
Varela Sobrinho e Virgilio Luiz de Melo |
Cr$ 100,00 |
|
Francisco
Dantas, Cleto Brandão, José Carrilho da Fonseca e Silva, José Paulo da Rocha
e D. Maria Anunciada Carrilho |
Cr$ 50, 00 |
A Ordem, 15/O7/1944, p.4.
Em edição do dia 13/11/1945 o jornal A
Ordem registrou que estavam ainda em trabalhos, a Matriz de Ceará-Mirim.
“Grandes
trabalhos vêm sendo executados na Igreja Matriz de Ceará-Mirim, sob a direção
do incansável Monsenhor Celso Cicco, pároco arcipreste da circunscrição eclesiástica
de Ceará-Mirim”.[6]
O
Vigário apelava para a boa vontade dos filhos de Ceará-Mirim, residentes lá e na
capital, para prestarem seu auxilio nos empreendimentos que vinha realisando.
Estava ele procedendo a colocação do forro das naves laterais, o revestimento
da capela-mor, o piso das naves, além da artística pintura a óleo, “tudo
convergindo para a beleza do maior templo católico do Rio Grande do Norte”,
escreveu o referido jornal.[7]
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