sábado, 2 de abril de 2022

A NOVA CATEDRAL DE NATAL (PARTE 4) A CATEDRAL NEORROMÂNICA

 

       Com a nomeação para Administrador Apostólico da Arquidiocese de Natal de Dom Eugênio Sales em 1954 a ideia da construção de uma Nova Catedral voltou a ser discutida, dessa vez com um novo projeto a fim de atender as circunstâncias da época no tocante ao custo da construção[1].

       O novo projeto apresentado substituiu a arquitetura gótica pela neorromana, com capacidade para acomodar até 6.000 pessoas.

         Esse projeto para a nova catedral de Natal coube ao arquiteto Calixto de Jesus Neto, o mesmo que havia projetado a Basílica de Aparecida, assim, foi abandonado o estilo gótico do primeiro projeto e em seu lugar surgiu um novo em estilo neorromano.

         Em 18/09/1955 o arquiteto autor do projeto da Nova Catedral esteve em Natal para apresentar numa conferência os detalhes do projeto e justificando as modificações introduzidas na planta original.

Projeto de Calixto de Jesus Neto para a nova catedral de Natal em 1955.

O projeto de Calixto de Jesus Neto

         De acordo com o projeto do arquiteto Calixto de Jesus Neto, a catedral seria construída em forma de cruz e ornamentada com duas torres, porta principal, batistério, altares laterais, altar-mor no centro da nave com visão de qualquer ângulo, coro, sacristia, capela do Santíssimo Sacramento.A igreja teria capacidade para 2.000 pessoas sentadas e 4 mil em pé.

Suas proporções seriam de 80m de comprimento por 72m de largura. Na frente seria feito um jardim para ornamentar o espaço externo da catedral.Foi incluso ainda no projeto a construção do palácio arquiepiscopal anexo ao corpo da catedral.


Fonte: O Poti, 1955, p. 8 e Diário de Natal, 1973, respectivamente.

        Como visto pela planta do projeto a catedral em estilo neorromano seria majestosa do ponto de vista estético e monumental arquitetonicamente.


O inicio das obras

         As obras desse projeto se iniciaram na comemoração do cinquentenário de morte do Pe. João Maria em 16/10/1955 com a benção da pedra fundamental, nos dias seguintes o material foi encostado na praça Pio X para dar início às obras de fato.

Neste evento dom Eugênio Sales fez uma alocução aos presentes em que dentre outras coisas destacou que aquela data não poderia ser melhor para reiniciar o sonho começado pelo padre João Maria  de dotar Natal de uma catedral.Ali, na praça, local escolhido pelo padre João Maria, se daria a concretização desse sonho, segundo afirmou dom Eugênio Sales (O POTI, 1955, p.4).

Ainda segundo ele:

Aguardamos ansiosos a entrega por parte da prefeitura, da praça que é nossa, da Arquidiocese. Este terreno nos pertence, nele sonhou o padre João Maria a ereção de sua Igreja Nova, nele será erguida o grande monumento de nossa fé. Uma catedral é a profissão religiosa de um povo, de uma cidade. Uma catedral, igreja mãe da Arquidiocese, é o testemunho aos pósteros do amor a Deus e a fidelidade a Igreja em uma região e por parte de gerações (O POTI, 1955, p.4).

Iniciavam-se assim as campanhas para a construção da Nova Catedral da parte Dom Eugenio Sales. Nas campanhas estampadas nos jornais de Natal se lia “Nenhum católico pode ficar indiferente a campanha pró-construção da nova catedral de Natal. A grandiosidade da obra requer a colaboração de todos” (O POTI, 1955, p.4).

Inicialmente foram construídas a sacristia, o arquivo da cúria, as salas de expediente, a biblioteca e capela particular do Arcebispo, igualmente foram levantados os alicerces e subiram as paredes, faltando o revestimento e o piso.

Em 1956 alguns metros de alicerce já haviam sido concluídos. A prefeitura de Goianinha foi a primeira prefeitura do estado a conceder auxilio para a construção da Nova Catedral de Natal, em projeto aprovado pela câmara municipal a prefeitura destinaria a quantia de 5 mil cruzeiros anualmente até a conclusão da obra (O POTI, 1956, p. 8).

         Outras campanhas foram sendo feitas em prol da construção da Nova Catedral.






























Projeto de Calixto de Jesus Neto para a nova catedral de Natal em 1955.
Imagens elaboradas por Jônatas Rodrigues a pedido do autor do blog, 2018.



[1] Dom Eugênio de Araújo Sales foi  o 1º Bispo Auxiliar de Natal nomeado em  01/06/1954 e em 1962 foi designado administrador apostólico da Arquidiocese de Natal, função que exerceu até 1965. Em 1964 foi nomeado administrador apostólico da Arquidiocese de São Salvador da Bahia.

sexta-feira, 1 de abril de 2022

O PRÉDIO DA DELEGACIA FISCAL DO TESOURO NACIONAL NO RIO GRANDE DO NORTE

 

    Quem passa pela Avenida Duque de Caxias confluência com a Esplanada Silva Jardim na Ribeira certamente se depara com o elegante e majestoso edifício de linhas arquitetônicas modernistas, pois bem, eis a seguir a história de sua construção.

    Em 1948 foi concedida a verba pelo Governo Federal para a construção do prédio da Delegacia Fiscal do Ministério da Fazenda no Rio Grande do Norte, após uma espera de quase 20 anos dos administradores que lutaram pela sede própria da referida repartição.

    A obra foi orçada em 3 milhões de cruzeiros, tendo sido autorizada a diretoria de patrimônio da abrir concorrência para a obra.

       O prédio com 3 andares seria construído na Esplanada Silva Jardim em ponto estratégico do bairro da Ribeira nas proximidades da zona bancária e portuária de Natal.

      De acordo com o jornal Diário de Natal, além de dá serviço a dezenas de operários, a construção da Delegacia Fiscal enriqueceria o patrimônio arquitetônico da Capital potiguar.(DIÁRIO DE NATAL, 19/03/1949, p.6).

    Em 18/06/1949 foi aprovada pela divisão de obras do Ministério da Fazenda a concorrência pública realizada em abril daquele ano, para a construção do edifício sede da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional no Rio Grande do Norte, tendo sido vencedora a Empresa de Construções Civis Ltda.

   Essa concorrência foi feita para a parte inicial da construção (fundações etc.) cuja  importância atingia a Cr$ 1.198.500,00.Restavam ainda duas partes da construção com o inicio marcado para logo depois da conclusão da primeira parte.(DIÁRIO DE NATAL, 18/06/1949, p.6).

     Em 1954 estavam praticamente concluídas as obras do grande edifício da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional no Rio Grande do Norte.Faltavam apenas os retoques finais de acabamento e a instalação do elevador assim como a aquisição do mobiliário.( O POTI,07/11/1954, p.22).

     Encravado na Esplanada Silva Jardim no bairro da Ribeira o bonito prédio viria contribuir para o embelezamento da paisagem urbana da Capital potiguar, além de solucionar o problema de sede para as principais repartições do Ministério da Fazenda que eram a Delegacia Fiscal, Delegacia do Tribunal de Contas da União, Delegacia do Imposto de Rendas e Delegacia do Patrimônio da Uniao.

    De acordo com o jornal O Poti na edição do dia 11/06/1955 dentro de poucos dias a Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional seria mudada para as suas novas instalações na Esplanada Silva Jardim, na Ribeira. (O POTI, 11/06/1955, p.8).

    O majestoso edifício de 3 andares fora construído em linhas modernas sendo um dos melhores prédios públicos de Natal aquela época, estando dotado de salas amplas e confortáveis, onde nele iriam funcionar todas as dependências daquela repartição federal e órgãos anexos que estavam distribuídos em sacrificadas instalações no casarão da Praça André de Albuquerque.

     Ainda estavam sendo feitos os últimos retoques sendo esperado que a mudança definitiva fosse realizada na segunda quinzena de junho de 1955.

A inauguração

       A inauguração do prédio sede da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional no Rio Grande do Norte ocorreu em 10/07/1955 as 15h30 tendo o ato solene contado com a presença de altas autoridades civis, militares e eclesiásticas, inclusive do ex-interventor federal no Rio Grande do Norte, Mário Câmara, que representou o Presidente da República, João Café Filho, o Ministro da Fazenda José Mário Whitaker e o diretor da Fazenda Nacional.

    O Delegado Fiscal do Tesouro Nacional no Rio Grande Norte, Jurandir Sitaro da Costa convidava por meio do jornal O Poti as autoridades e o povo em geral para a solenidade. (O POTI, 09/07/1955, p.8).Dentre as demais autoridades presentes estavam o Governador Silvio Pedrosa, os deputados federais Eider Varela, José Arnaud e Teodorico Bezerra.

     Pelo programa da inauguração logo após o hasteamento da bandeira nacional, o Bispo Auxiliar de Natal, Dom Eugênio de Araújo Sales, deu a benção solene as novas instalações. (O POTI, 10/07/1955, p.8).

      O prédio da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional no Rio Grande do Norte foi considerado um dos mais bonitos e elegantes edifícios de Natal a época de sua inauguração, impossível é não sentir a mesma noção a quem presentemente passa pela Av. Duque de Caxias na Ribeira e se depara com o edifício de linhas modernistas dominando a paisagem urbana da Capital potiguar.

O pédio da Delegacia Fiscal do Tesouro Nacional em construção em 1948.Foto: Diário de Natal.




Aspectos atuais do edificio.

quinta-feira, 31 de março de 2022

OS MELHORAMENTOS NA EDIFICAÇÃO DA CIDADE DE CAICÓ A PARTIR DE 1890


         o jornal O Povo na edição do dia 02/11/1890 estampou um artigo onde apresentava os melhoramentos que vinha sendo feitos na edificação da cidade de Caicó ainda que timidamente.As informações contidas naquele artigo nos fornece hoje detalhes importantes para se compreender a evolução urbana da “Capital do Seridó”.

         De acordo como o referido artigo quem passasse pela cidade de Caicó anterior a 1890 notaria com tristeza o estacionamento geral, um desanimo completo, sinal evidente de decadência.

         A edificação de Caicó era má, sem gosto e sem arte, com casaria desmorando-se, as ruas emporcalhadas, montões de lixo por toda a parte, as casas despovoadas, o comércio sem vida, reduzido à pequena proporções,e sempre decadente.Esse foi quadro pintado de Caicó pelo referido jornal.

         Porém, há alguns anos tudo foi se reanimando e como que renascendo para uma vida nova.Surgiram novas edificações,melhoraram-se as antigas e o comércio prosperou e tomou movimento crescente a ponto de Caicó se constituir num pequeno empório comercial que já dava um aspecto de praça.

         Como consequência desse estado de prosperidade, Caicó aumentava a cada dia a sua edificação e já se tornava pequena e insuficiente a área em que estava edificada a cidade, apesar de que a cidade estivesse colocada num terreno tão impróprio e inconveniente para a edificação de uma bela povoação.

         Conforme o citado jornal parecia que os primitivos povoadores de Caicó nunca tivessem a ideia de que a cidade chegasse a passar de uma aldeia, quando começaram a construí-la dentro de um buraco e no meio da serrotagem que tantos inconvenientes trazia à saúde pública.

         Era preciso reparar o erro dos antepassados, sugeria o jornal O Povo.O perímetro urbano da cidade não comportava mais novas edificações.A cidade tendia a aumentar e era necessário abrir novas ruas em terreno mais apropriado, como por exemplo, em direção ao rio Barra Nova.

         A planície que se estendia da rua do Rosário até a ribanceira do rio poderia se prestar perfeitamente a novas e belas edificações.




Aspectos de Caicó.

         A Intendência Municipal deveria tomar em consideração o assunto e sujeitá-lo a um estudo consciencioso. Esse terreno, eram os únicos adaptáveis ao desenvolvimento das edificações, que a época pertenciam ao herdeiros do finado Aladim, poderiam ser desapropriados ou aforados por uma quantia módica, de que a Intendência poderia indenizar, cedendo-o por preços convenientes aos novos edificadores.

         Poderia-se assim dar maior impulso ao engrandecimento material da cidade, abrindo novas ruas largas e espaçosas que muito contribuiriam para o seu aformoseamento.

         De acordo com o jornal O Povo a Intendência de Caicó não poderia se descuidar do futuro engrandecimento da cidade e deveria aproveitar a boa disposição dos seus habitantes que se mostraram desejosos de trabalharem pela prosperidade da cidade como vinha se verificando desde a publicação do código de posturas relativa a limpeza exterior das casas e asseio das ruas.

         Enquanto houvesse a boa vontade, enquanto o comércio se tornasse uma fonte de riqueza, enquanto os habitantes do município afluíssem à cidade e todos quisessem ter suas casas, era preciso tratar de engrandecê-las e aformoseá-las.

         O jornal O Povo se absteve de fazer  considerações relativas a vantagem de melhorar o tipo das edificações e a introdução de novos modelos de casas simples, mais elegantes, por ser uma questão mais complicada e que necessitava sobretudo que “fossemos dotados de melhor gosto e de uma certa vaidade e luxo, que ainda não se coadunam com os nossos costumes”, escreveu o referido jornal.

         Ainda era cedo para poder incutir no animo do povo caicoense como seria belo e edificante

fazer no meio daqueles sertões aspérrimos uma cidade elegante, espécie de Oasis onde o viajante descansasse as vistas cansadas da escabrosidade daquele solo.

         Por ora, bastava de tratar de dar impulso a vida que começava a nascer na cidade de Caicó e quando essa vida já circulasse em novas ruas, artérias novas do progresso, o citado jornal trataria então do aformoseamento dos sertões do Caicó.Fonte: O Povo, 02/11/1890,p.1.

Em 23/11/1890 o jornal O Povo voltou a escrever sobre o aformoseamento da cidade de Caicó, desta vez tratou sobre a arborização.Segundo o referido jornal a arborização das ruas e praças da cidade além de ser um grande aformoseamento, era além disso, um meio altamente higiênico  de melhorar as condições climáticas de Caicó.

         Dentre os melhoramentos materiais de que precisava a cidade de Caicóa arborização estava em lugar saliente e confiava o citado jornal que os poderes públicos e a iniciativa de particulares não iriam descuidar desse assunto. (O POVO, 23/11/1890, p.1).

         Já em 27/11/1890 o jornal O Povo escreveu que caminhava para a realidade as medidas tomadas pela Intendência Municipal para dotar a cidade de Caicó de melhoramentos indispensáveis e de há muito tempo reclamadas pela salubridade pública.

         Assim, seria feita a arborização do largo da Matriz que seria em breve iniciada, não só com a finalidade de ter um ponto de recreio,como e principalmente, para dotar a cidade de um elemento que era tão necessário a sua respiração, como eram os pulmões à vida do individuo.




Largo da matriz de Caicó, decádas de 1920/30.


         As fontes públicas seriam fiscalizadas, a fim de que pudesse ser evitada  porcaria que constantemente aparecia nesses lugares.A Intendência proibiria o uso das vazantes numa extensão de 200 braças a cima das ditas fontes, impedindo assim que de envolta com a água fossem filtrados os sais do estrume com que costumavam os vazanteiros adubar a área do rio Seridó, a fim de aumentar a sua fertilidade.

         Seria considerado de utilidade pública e ficaria sujeito a desapropriação o terreno que ficava situado entre os rios Seridó e Barra Nova e sudoeste da cidade, que segundo jornal O Povo era o único terreno que se prestava a edificação e para onde a cidade tenderia a estender-se.

         Seria nesse terreno que se poderia construir um cemitério que substituísse o existente que era pequeno e muito arruinado, e cujas terras demasiadas gordas, já custavam a consumir os cadáveres.

         A construção de um novo cemitério era tanto urgente pois se vinha notando que com as primeiras chuvas do inverno coincidia com o aparecimento de febres de mau caráter e a desenteria, e essa alteração da saúde pública era sem dúvida, segundo o jornal O Povo, devida a infiltração das águas pluviais que depois de banharem o cemitério, corriam pelas ruas da cidade, impregnando o solo dos detritos animais, que em abundância existiam na cidade dos mortos. (O POVO, 27/11/1890, p.1).




Aspectos atuais de Caicó.


segunda-feira, 28 de março de 2022

A INAUGURAÇÃO DA AGÊNCIA DO BANDERN EM PEDRO AVELINO

 

 

A implantação da agência do BANDERN em Pedro Avelino deveu-se a iniciativa do então prefeito José Adécio Costa que segundo O Poti: “tanto ‘brigou’ que conseguiu a implantação da agência do Banco do Estado do Rio Grande do Norte-Bandern, para a sua cidade”.(O POTI,31/08/1980, p.19).

         De acordo com o jornal O Poti em 12/10/1980 prosseguiam as obras de reforma do prédio que serviria de sede para a agência do BANDERN. Segundo organograma, no dia 15/12/1980 as obras já estariam concluídas, entrando na fase de instalação de móveis, utensílios, guichês,etc. (O POTI, 12/10/1980, p.23).

A inauguração

          A agência do BANDERN em Pedro Avelino foi inaugurada em 21/06/1981 as 09h00. Além do governador Lavoisier Maia, estiveram presentes os secretários Iberê Ferreira de Souza, Tarcisio Cavalcante, Marlúzia Saldanha, Vauban Bezerra, Ronaldo Fernandes, vários presidentes de empresas de economia mista, parlamentares,o prefeito de Natal, José Agripino,  prefeitos da Região Central, composta de 14 municípios e Diretoria do BANDERN. (O POTI, 21/06/1981, p.3).Foi a 27ª agência do BANDERN a ser inaugurada no Estado.

De acordo com o Poti, o prefeito José Adécio promoveu uma das maiores festas populares naquela cidade para receber o governador Lavoisier Maia e comitiva, que foi ali inaugurara agência do BANDERN e outras obras da administração municipal. (O POTI, 21/06/1981, p.24).

Conforme  a propaganda do Bandern no jornal O Poti, o banco ocupava um novo espaço no interior do Estado, ampliando sua atuação em defesa dos interesses das atividades básicas do Rio Grande do Norte, chegando a vez da cidade de Pedro Avelino, região algodoeira, de cereais e de pecuária de ter um agência do BANDERN (O POTI, 26/06/1981, p.7).Assim como em Pedro Avelino, toda a região central do Estado teria mais um suporte para o seu desenvolvimento.

Prédio onde funcionou a agência do BANDERN em Pedro Avelino.Foto: O Poti, 26/06/1981, p.7.

O BANDERN encerrou suas atividades em 1990 sendo extinto posteriormente.

A agência do Bradesco

         Além do BANDERN outra agência bancária foi inaugurada em Pedro Avelino naquele ano de 1981, sendo desta vez a do Bradesco, que seria inaugurada em 01/09/1981. (O POTI, 30/08/1981, p.8).

domingo, 27 de março de 2022

A NOVA CATEDRAL DE NATAL (PARTE III) A CATEDRAL NEOGÓTICA

 A catedral neogótica 

Dom Marcolino de Souza Dantas tomou posse como 4º Bispo da diocese de Natal em 29/06/1929. Foi ele que retomou em 1933 a ideia da construção da nova catedral de Natal só que dessa vez com um novo projeto arquitetônico em estilo neogótico como veremos adiante.

Projeto da nova catedral de Natal em estilo neogótico.

Para iniciar a obra da nova catedral dom Marcolino tinha que reaver o terreno da Praça Pio X pertencente a diocese e que por  aquele tempo estava servindo como praça pública construída pela prefeitura de Natal.

A justificativa para se construir a Nova Catedral de Natal na década de 1930 era que o Rio Grande do Norte estava passando por um surto evolutivo muito acentuado no inicio daquele período, devendo esse progresso ao governo do interventor Rafael Fernandes “que não poupava esforços para dotar sua terra de tudo o que se faça preciso para ser vantajosamente comparada aos outros Estados nordestinos” (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 1936, p.3).

Assim, se verificava na capital potiguar não só um elevado crescimento demográfico, mas também um crescimento socioeconômico que se refletiria na arquitetura dos edifícios públicos e residências particulares, sobretudo nos bairros da Cidade Nova e Ribeira, áreas de expansão urbana e comercial da capital potiguar a época.

O quadro a baixo mostra a evolução demográfica da capital potiguar entre 1890 e 2010, período que corresponde ao inicio da construção da igreja pensada pelo padre João Maria e o ano de inauguração da nova catedral de Natal.

Evolução demográfica de Natal entre 1890 e 1940

Censo

População

1890

13.725

1900

16.056

1920

30.696

1940

54.836

Fonte: elaborado pelo autor com base nos Censos demográficos do IBGE.

Na década de 1930, período em que se retomou o projeto para a construção da Nova Catedral de Natal, não houve a realização do Censo pelo IBGE, de modo que a ideia sobre este quesito é referente ao do censo da década seguinte.

Até meados da década 1930 Natal possuía 5 igrejas, a saber: a matriz/catedral de Nossa Senhora da Apresentação, a igreja de Nossa Senhora do Rosário, a igreja de Santo Antônio, respectivamente na Cidade Alta e a igreja do Senhor Bom Jesus das Dores na Ribeira e a igreja de São Pedro no Alecrim.

Assim, uma das justificativas mais usadas para a construção de uma nova catedral era o aumento populacional onde a catedral situada na Praça André de Albuquerque na Cidade Alta, já não atendia as necessidades litúrgicas da igreja católica de Natal.

         Entre 1921 e 1930 a ideia da construção da nova catedral de Natal ficou apenas nas reuniões da Comissão Central de Construção da Nova Catedral e na evocação dos fiéis para ajudar com donativos para a realização das obras.

         Por motivos de transferências dos bispos desse período, os mesmos não puderam concretizar a construção da nova catedral, no entanto, já havia sido feito planos, constituído comissões e começado pequenos trabalhos nesse sentido, mas é na década de 1930 que se dá de fato algo concreto na construção da nova catedral.

         Assim, o crescimento populacional, o crescimento socioeconômico do estado, atraindo para Natal os recursos provenientes desse desenvolvimento, a exiguidade das igrejas de Natal e a necessidade de um monumento católico símbolo da diocese, eram as justificativas a época para a construção da Nova Catedral de Natal.

De acordo com o jornal A Ordem, o bispo de Natal estava empreendendo a construção dos belos edifícios do Seminário São Pedro, do Lar do Clero, do Dispensário e da Confederação Católica a estes empreendimentos diocesanos se juntavam ainda três grandes obras que tinham suas construções animadas por Dom Marcolino Dantas na década de 1930, que eram elas, o Colégio Nossa Senhora das Neves, no Alecrim, o Colégio Santo Antônio, no Centro, o qual passou a ser regido pelos padres e irmãos Maristas a partir de 1932 e “o majestoso monumento por todos ansiosamente esperado – a Catedral” (A ORDEM, 14/07/1935, p.5).

         O  Pe. Paulo Herôncio, membro do clero diocesano de Natal, em palavras de encorajamento ditas pelas grandes realizações da Diocese de Natal, havia dito que ocupava em primeiro plano a construção do Seminário São Pedro “pelo incremento à obra das vocações” e a nova Catedral “que a operosidade incansável de D. Marcolino vai construir”. (A ORDEM, 14/07/1935, p.6).De fato foram grandes realizações incentivadas por Dom Marcolino Dantas em seu episcopado em Natal, no entanto, apena o prédio do Seminário foi concluído.

         Dom Marcolino Dantas, assim como a maior parte do pensamento católico na década de 1930, pensou em construir uma catedral em estilo neogótico. Era a tentativa da Igreja Católica de remontar a construção de imensas catedrais da Idade Média, cujo estilo dominante era o gótico, sobressaindo às imensas torres em agulha, os vitrais coloridos, as abóbadas sobrepostas nos transeptos que pareciam flutuar sobre o altar central da igreja.

Claro que o estilo neogótico tinha suas limitações, sendo que as construções de igrejas e catedrais nesse estilo arquitetônico levaram em conta as suas devidas proporções.

         Mas ideia era também trazer o fiel para a oração, cujo aspecto interno da igreja gótica se torna bem mais convidativa, sobretudo quando há a presença dos vitrais iluminando o ambiente litúrgico.

         O estilo neogótico estava em voga no Brasil, se revelando em projetos de construção de catedrais em outras capitais do país, como São Paulo, Vitória e Fortaleza, por exemplo.

A Praça Pio X

O local escolhido para a construção da Nova Catedral foi a Praça Pio X, onde antes havia sido iniciada em 1902 a construção da nova igreja matriz de Natal pelo padre João Maria cujos alicerces e algumas paredes ficaram visíveis até 1925 quando o antecessor de dom Marcolino Dantas autorizou sua demolição para ali se construir a Nova Sé.

O terreno havia sido doado pela senhora Sofia Roseli, situado num quadrilátero formado pelas avenidas Deodoro da Fonseca com a Avenida Floriano Peixoto e as ruas Açú e Jundiaí, no centro da cidade, a época, área de expansão da capital potiguar denominada de Cidade Nova, posteriormente recebendo o nome de Tirol.

O terreno era de direito e de fato da diocese e foi cedido em permuta a prefeitura até que se começassem as obras da nova catedral, não havendo data estipulada para tanto.

Em 1933 foi colocada solenemente a pedra fundamental da construção da nova  catedral, a diocese aguardavam melhores condições para se iniciar a obra, cuja a planta e a maquete se achavam expostas no palácio episcopal.

O Projeto de George Munier

         A planta da Nova Catedral de Natal elaborada pelo engenheiro George Munier já estava pronta e dentro de pouco tempo seriam iniciadas as obras.Seria uma igreja monumental com grandes proporções para uma igreja em Natal, com duas torres de 70 metros de altura e a igreja com 92 metros de comprimento e 44 metros de largura.

Planta da nova catedral de Natal em estilo neogótico.

Planta da nova catedral de Natal.Fonte: Diário de Peranambuco

         Atendendo ao pedido do bispo Dom Marcolino Dantas foi adotado pelo engenheiro francês um estilo gótico modernizado, mas sem perder as características do estilo clássico da Idade Média para a Nova Catedral segundo explicou o arquiteto George Munier ao apresentar seu projeto a imprensa de Natal onde o mesmo se encontrava para essa finalidade (DIÁRIO DE PERNAMBUCO, 1936, p.3).

O valor da obra da construção da Nova Catedral de Natal nesse projeto de George Munier foi orçado em 2.000 contos de réis.

O engenheiro George Munier esteve em Natal em 25/09/1935 juntamente com o arquiteto Otávio Tavares a convite de Dom Marcolino Dantas para fazer o levantamento da planta da Nova Catedral (A ORDEM, 26/09/1935, p. 1)[1].

Em companhia de jornalistas de A República, dom Marcolino se deslocou em automóvel até a Cidade Nova, na Praça Pio X, para lá demonstrar aos mesmos os trabalhos  de construção da nova catedral de Natal.

Lá demoraram alguns minutos.Ali estavam parte do material com que em breve se iniciaria os trabalhos da nova catedral.

         Dom Marcolino Dantas havia conseguido do Governo Federal a extração de pedras em Macaiba, assim como o transporte e descarga no cais do porto de Natal desse material. (In: DIÁRIO DA MANHÃ, 25/08/1935, p.5).

Ao concluir a visita de inspeção divagaram os jornalistas de A República: “tínhamos em frente a praça Pio X.Olhando-a o [bispo] Diocesano chama-nos a atenção dizendo: ‘é ali a catedral...’.Separamo-nos.Naquele instante,perpassa aos nossos olhos a visão do monumento de pedra gigantesca, torres brancas em aspiração para o alto, atestando o poder da vontade e a força inquebrantável da fé”.

         De acordo com os jornalistas de A República o bispo de Natal não era somente o concretizador de ideias. Era também o perscrutador da psicologia humana, senhor do senso da justa medida,amigo da ordem e da proporção,da harmonia e sobretudo da previdência.”É preciso prever tudo”, sentenciava Dom Marcolino Dantas após cada explanação aos jornalistas. (DIÁRIO DA MANHÃ, 25/08/1935, p.5).

 Desse projeto como efetivamente foi além da colocação solene da pedra fundamental foi iniciada a sua construção feita por Dom Marcolino Dantas, mas que apesar disso os trabalhos de construção não avançaram.

Apesar de sua grande beleza estética e sua suntuosidade arquitetônica o projeto da catedral gótica de Natal não chegou a ser concretamente executado tendo a ideia ficada em latência durante as décadas seguintes.

Sobre a rejeição do projeto gótico se lia no jornal o Poti: “O antigo projeto da Catedral em estilo gótico será modificado, a fim de atender as atuais circunstâncias do custo de construção, pois o antigo projeto que estava orçado em 3 milhões de cruzeiros, há dez anos passados, hoje não se executaria por 30 milhões” (O POTI, 1955, P. 3).

E assim foi que o projeto do arquiteto George Munier e idealizado por Dom Marcolino Dantas foi rejeitado sob a alegação dos custos para sua concretização. De concreto houve a benção da pedra fundamental assim como a aquisição do material para a construção da nova catedral que foi entregue no local da obra, porém, as obras pouco avançaram e já no inicio da década de 1940 o pouco que se havia iniciado foi demolido para dá lugar a Praça Pio X.

A construção da nova catedral ficaria assim mais uma vez a espera de uma solução e realização que ocorreria somente no inicio da década de 1950 como se verá adiante.






























Imagens elaboradas por Jônatas Rodrigues, 2018.



[1] Além do projeto da nova catedral, George Munier também projetou vários prédios conhecidos em Natal como o Grande Hotel, na Ribeira e o matadouro da capital.