Como no aspecto demográfico a cidade do
Natal encontrava-se numa fase de intenso desenvolvimento urbano que a colocava em
posição de relevo confrontando-se com muitas outras capitais nordestinas.
Vez por outra surgiam empreendimentos
públicos e particulares que iam possibilitando expansão e beleza com rapidez.
Focalizaremos
hoje a visita feita pelo jornal Diário de Natal ao Farol de Natal construído pela
Diretoria de Hidrografia e navegação do Ministério da Marinha, nas dunas de
Areia Preta.
O acesso ao local dava-se pelo
prosseguimento da Rua Potengi indo até as antigas instalações do Exercito na
praia de Mãe Luiza.Disse o repórter do Diário de Natal sobre o local de acesso
ao farol: “além da falta absoluta de conservação, pudemos observar o espetáculo
desolador do desmoronamento das dunas, estas transformadas em propriedades
particulares e cercadas para a ‘solta’ do gado”. (DIÁRIO DE NATAL, 08/01/1951, p.6).
O repórter confessou que ficou
extenuado para chegar ao local de acesso ao farol para realizar a reportagem
onde o automóvel ficou encalhado e teve que caminhar boa distancia para cumprir
as ordens do diretor do jornal.
O que é o farol
Tratava-se de um formidável bloco de
cimento armado medindo 38 metros de altura, estando situado a 88 metros do nível
do mar.
Na sua construção que durou pouco mais
de um ano foram empregados 35.000 sacos de cimento e 150 toneladas de ferro de
diversas bitolas.Internamente foi construído de poderosas colunas e de uma interminável
escada tipo aspiral, com nove lances e 157 degraus.É para que não disponha de
um elevador para facilitar o vai e vem dos esforçados servidores de permanência.Tanto
o hall do pedestal, como as escadarias receberam piso de ladrilho vermelho.
Especificações técnicas
O faroleiro
não estava autorizado a falar sobre as especificações técnicas do farol, no
entanto, apurou que o bojo luminoso
do farol era da marca BBT Anciones Etablissements Barbier Bernard Et Turrere de
Paris, França.
O
manual sobre hidrografia e navegação esclarecia que o farol elétrico com lâmpadas
de 1500 velas, produzindo 5 lampejos brancos a cada 12 segundos e períodos de
ocultação.Dispunha de um bico de emergência circular com 65mm alimentado a
querosene.
É um conjunto bonito todo de metal
amarelo dotado de fortes lentes seccionadas.Foi instalado por uma comissão de
técnicos do Serviço Especializado do Ministério da Marinha. (DIÁRIO DE NATAL, 08/01/1951,
p.6).
A inauguração
Em imponente solenidade pública
presidida pelo Almirante de Esquadra Raul de Santiago Dantas, Chefe do Estado
Maior da Armada o farol de Natal foi inaugurado as 17h00 do dia 15/08/1951.
O farol havia sido construído recentemente
na capital potiguar em Mãe Luiza pela firma Gentil F. de Souza, sob a
fiscalização da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte.
No palanque oficial instalado em frente
ao majestoso farol estavam presentes o governador Silvio Pedroza, o
Contra-Almirante Harold Reuben Cox, Comandante do 3º Distrito Naval, os chefes
dos poderes judiciários e legislativo, outras autoridades federais, estaduais e
municipais.
O Almirante descerrou a bandeira azul e
branca expondo a placa de bronze comemorativa com um circulo contendo as
seguintes palavras:
Marinha
do Brasil-Hidrografia, tendo ao centro o Cruzeiro do Sul e acrescida dos
seguintes dizeres: Farol de Natal-Lat. 05º,47´41,6 ´´S.Long. 35º-11´,08,8´´
WCW.Inaugurado e aceso aos 15 de agosto de 1951.
O grande farol que a partir de da inauguração
prestaria relevantes serviços a navegação seria mantido pela Diretoria de
Hidrografia e Navegação com a assistência
da Capitania dos Portos do Rio Grande do Norte e sob a vigilância de três servidores,
tendo a frente o faroleiro Alfredo Selfes de Mendonça,o decano dos faroleiros
do Brasil, cidadão simples e modesto que embora contando 43 anos de serviço
neste setor da Marinha continua disposto para trabalhar mais algum tempo no exercício
da profissão (DIÁRIO DE NATAL, 16/08/1951, p.1).
Após a leitura do termo de inauguração por
um oficial da Capitania dos Portos, discursou de improviso o Almirante de
Esquadra Raul de Santiago Dantas em nome do ministro da Marinha dizendo que
tinha a honra de entregar ao Estado do Rio Grande do Norte o moderno farol que proporcionaria
navegação cada vez mais segura no Brasil.
Em breves palavras o Governador Silvio
Pedroza agradeceu a entrega feita com palavras patrióticas do eminente chefe
militar e felicitou a Hidrografia do Brasil e a Capitania dos Portos pela
construção do gigantesco farol que asseguraria sem dúvida a confiança absoluta
a navegação na Costa do Nordeste brasileiro.
Após a visitação ao farol e as residências
dos faroleiros as autoridades deixaram o local.Tocou durante a solenidade a
banda de música da 3ª Cia Regional de Fuzileiros Navais.(DIÁRIO DE NATAL,16/08/1951,P.1).
Residências do pessoal
Para o completo conforto dos funcionários,
foram construídas ao lado do grande farol, três casas modernas e bem acabadas. São
unidade residenciais compostas de sala única, 3 quartos, hall, banheiro
completo, cozinha, terraço de fundo e de frente, caixa d´água, rede própria de
água e esgoto.São forradas com placas de cimento armado e dotadas de armários embutidos
nos quartos e na cozinha.O abastecimento de água é fornecido por um poço de 42
metros de profundidade.Todas as casas são decentemente mobiliadas com moveis de
estilo colonial.
Curiosidades
A seguir algumas curiosidades sobre o farol de Natal.
As cores do ABC
Segundo o repórter do Diário de Natal
um popular que estava também em visita as obras do farol disse que o Dr. Gentil
Ferreira de Souza, dono da construtora do farol, mandou pintar o farol com as
cores alvinegras para dar sorte ao ABC no campeonato daquele ano de 1951. (DIÁRIO
DE NATAL, 08/01/1951, p.6).
A baixo o farol de Natal com suas cores originais alvinegra e o conjunto de residenciais dos funcionários.
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Fonte: Biblioteca IBGE. |
O faroleiro Alfredo Selfes de Mendonça
O
faroleiro Alfredo Selfes de Mendonça, que a época já contava 43 anos de serviço
no setor de farol da Marinha disse ao repórter que durante a fase de construção
ele e outros companheiros subiam de 8 a 10 vezes por dia até o topo do farol e
que depois da inauguração cada um deles teria que exercer vigilância em quartos
de serviços de 4 em 4 horas. (DIÁRIO DE NATAL, 08/01/1951, p.6).
Gigantesco bloco de cimento armado
O
farol de Natal foi denominado de “gigantesco bloco de cimento armado”. Atualmente
é conhecido por Farol de Mãe Luiza por está situado no bairro desse nome.
Gastos e alcance
Foram
gastos em sua construção 35.000 sacos de cimento e 150 toneladas de ferro. O alcance
da luminosidade refletida pelo farol é de 300 milhas.
A baixo vista aérea do conjunto arquitetônico do farol de Natal composto pelo farol propriamente dito, as três casas originais de funcionários e uma acrescida posteriomente.
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